Sinceridades com Olivia - 2º Temporada!
2 Aqueles Raros Olhos Cinzas
Notas iniciais
–....... O seu cabelo cresceu ou é impressão minha? — Eu perguntei para a garota na minha frente.
– Ah? Você acha? — Wendy perguntou, colocando a mão nos cabelos que antes batiam em seu queixo e agora tocavam seus ombros.
– Sim, sim, é verdade! — Lucy concordou. — As pessoas parecem que estão mudando um pouco não acha?
Estavamos sentadas num pequeno café numa esquina qualquer. Não haviamos pedido nada além de um café com leite, as vezes faziamos isso, sentar em um lugar qualquer e não pedir nada, só jogar conversa fora para e se distrair. Wendy e Lucy estavam comigo, fazia tempo que não nos viamos. Os pais de Lucy passaram uma semana em casa e ela teve que aproveitar a chance, já Wendy mencionou algo sobre uma tia dela ter vindo.
– Verdade... — Wendy concordou. — Sinto que as pessoas estão começando a ter um aspécto mais adulto...
– Mas enfim , Olivia. — Lucy virou para mim — Como anda morar sozinha com aquele pervertido babaca?
– Awh Lucy, você sabe que ele está mais calminho ultimamente... — Disse Wendy, se referindo a David.
– Tsc, ainda não imagino do que ele seja capaz. — Lucy sempre teve uma coisa estranha com garotos, mesmo que gostasse deles, ainda não confiava plenamente(principalmente os pervertidos). Não sei o porque disso, mas ela nunca deu um exclarecimento claro. — Vá saber o que ele poderia fazer sozinho numa casa com sua irmanzinha fofa e todos aqueles... hormônios masculinos.
– Bom, a casa anda bem mais bagunçada do que o normal... Mas David anda bancando a dona de casa, falando ''Arrume isso'' e ''Limpe aquilo''. Não é muito diferente do que ter uma mãe... só que homem. — Eu disse dando de ombros e bebendo mais um gole do meu café-com-leite.
– Bem, o que querem fazer hoje? — Wendy perguntou.
– Na verdade... — Lucy disse, olhando para o celular. — Os garotos tão falando para a gente ir no parque encontrar com eles.
Wendy e eu nos olhamos e demos de ombro.
– Tudo bem, não temos nada para fazer mesmo.
Por alguma razão aquele parque virou um dos nossos principais pontos de encontro. Acredito que seja por que Sam frequentemente vai lá para brinca e acabamos indo junto, mas acabamos nos acostumando com o lugar.
Pagamos os cafés e fomos seguindo a calçada que levava à direção desejada, não tinhamos pressa, não tinha por que ter. Senti a brisa leve e fresca batendo em meu rosto e jogando minha franja em meus olhos, sentia que hoje seria um dia relaxante, sem muita coisa.... Digo, assim espero.
Mas em algum lugar dentro de mim, se sentia ansiosa e com leves frios na barriga, sem nenhum motivo aparente. Como se algo importante fosse acontecer.
Enquanto caminhávamos e conversávamos me desprendi da conversa e comecei a penssar sobre o que estávamos falando na cafeteria. O fato de estarmos mudando;
Olhei de canto para Lucy e Wendy, começando a reparar nessas mudanças.
Wendy (com seus cabelos crescidos) parecia ter o rosto mudado, mais maduro. Ela havia deixado de ser tão tímida, até já faz brincadeiras e piadinhas. Ela havia crescido um pouco (uns 2 centímetros talvez), estava mais soltinha. Lucy não havia mudado muito de personalidade, mas seus cabelos negros ondulados que batiam na cintura agora pareciam estar mais lisos, como se estivesse perdendo os cachos naturalmente (ou ela pode estar usando algum produto, não dava para saber). Ela também havia crescido um pouco, ela estava no tamanho (ou quase) de David (Na verdade, ele é um pouco baixo comparado com os outros garotos).
Olhei para minhas próprias mãos, não notando nenhuma diferença. Eu era a única que não sentia nada mudando. Por que? Por que eu era a única que parecia estar ficando para trás? O que me impedia de seguir em frente?
Talvez, alguma rachadura muito funda no passado estivesse me puxando, me impedindo de subir à superfice. Algumas cicatrizes demoram muito para se curar, mas algumas, de tão fundas, nunca sumiam de sua pele.
Ter pensamentos desse tipo... Talvez eu esteja mudando um pouco.
Atravessamos a rua, chegando na entrada do parque. Os dois meninos estavam encostados na frente do portão. David parecia estar discutindo algo com Lyon, que parecia não entender o ponto de meu irmão. Eles nos notaram e no momento que abri a boca para falar, ouvi um som ao longe.
– GAROTAAAAASS! — A figura de longos cabelos vermelhos vinha em nossa direção. Uau, fazia um tempo que não via Rita!
– Ritinha! — Lucy gritou e foi em direção a ela, que pulou em felicidade ao ve-la.
– Lucy! Olivia! Wendy também! O que fazem aqui? — Rita perguntava feliz.
– ''Ritinha''? A quanto tempo são tão amigas? — Eu disse, me perguntando se perdi alguma coisa esses dias.
– Ah, sabe como é, eu achei ela no facebook e tal. A gente meio que virou amigas! — Lucy disse.
– É melhor irmos ver os meninos! — Wendy, disse apontando para David e Lyon.
Quando fomos em sua direção, David e Lyon fizeram um som que lembrou à um engasgo rouco.
– Ah, eu lembro desses ai. — Rita disse
– Ah! Rita! — David disse com uma cara meio estranha/engraçada.
– Ah! A garota que tava em cima da Olivia naquele dia do quarto dela! — Lyon disse, fazendo uma cara semelhante.
– Ela O QUE?? — David gritou pasmo olhando para Lyon.
– NÃO foi nada! — Eu disse me intrometendo.
– Hahaha Aí aí vocês três continuam uma comédia. — Rita disse, fingindo limpar uma lágrima.
– ... Eu ainda fico meio confuso, você é menino ou menina? — Lyon disse, se referindo a Rita. Ela se virou para ele, parecendo séria por um momento, mas mudando para um sorriso de deboche.
–Isso, realmente importa? — Ela perguntou.
– Ah, quero dizer, não sei. Sim se isso significar que você fica pulando em cima de garotas desprotegidas.... — Lyon disse com desconforto.
Ela sorriu, como se achasse graça daquilo.
– Olivia? Por que você não responde?
– Hum? Eu? Por que? — Eu perguntei meio confusa, isso estava me cheirando mal.
– Ora, você sabe a resposta! A final, você é a única que já viu por baixo desta roupa. — Ela disse , olhando diretamente para Lyon.
– !!!!!!!!!!!!!!!!! — Eu insititivamente corei, lembrando do dia em que havia visto Rita , ou melhor, Ritsu quando havia acabado de sair do banho. Sem a peruca, com seus cabelos curtos, e sem camisa, vestindo apenas uma cueca. Lembro-me de ter visto sua personalidade como ''Ritsu'', que era mais tímida e insegura. Aquele dia tinha sumido completamente da minha memória, mas agora voltara como um tapa na cara.
Tanto Lyon quanto David pareciam horrorizados com a fala de Rita, ambos olhavam para mim com olhos interrogativos. Wendy piscava sem entender e Lucy pôs a mão no queixo e riu como se estivesse vendo um filme e algo estava prestes a acontecer.
– Oh... Que interessante Hahaha!
– I-I-ISSO NÃO É.... — Eu tentava explicar mas os olhares de Lyone David me colocavam muita pressão. — V-VEJAM, FOI UM ACIDENTE...
– Um acidente você ter invadido minha casa e entrado no meu quarto quando eu tinha acabado de sair do banho? — Rita dizia , sorrindo.
– Você não está ajudando... — Eu disse para ela.
– De qualquer forma, não precisam se preocupar rapazes! — Ela colocou a mão em meu ombro. — Eu não enconstei um dedo sequer nela!...... Ainda.
David puxou meu braço para me afastar dela.
– Você....
– Hahaha Desculpe! Foi brincadeira! Estava só brincando! — Ela disse , com uma cara relaxada. — É que é muito engraçado provocar vocês!
– Sei como é. — Lucy disse, concordando.
– Isso... Você é muito estranha. — Lyon disse , sorrindo desconfortável para Rita.
– Como se eu me importasse com a sua opinião. — Ela sorriu para ele.
– Ora... você... — Incrível como ela consegue deixar Lyon , que é sempre tão calmo, desconfortável.
– ENFIM! — Wendy disse e todos olharam para ela. — Bem... Que tal irmos , sei lá, comer uma pizza?
– Sim! Boa idei-- Ai! — David disse quando uma garota esbarrou nele.
– Ah, sinto muito... — A garota disse sem nem olhar para a cara dele Ela estava olhando para todos os lados, como se procurasse alguma coisa. Ela tinha cabelos castanhos escuros que estavam presos num coque, seus olhos eram verdes MUITO escuros.
– Está procurando alguma coisa? — Eu perguntei para a menina. Ela virou para mim, pude notar que tinha pequenas sardas (que poderiam ser confundidas com pintas de tão poucas). Ela abriu a boca para responder mas alguma coisa atrás de mim (provavelmente do outro lado da rua) capturou sua atenção e ela arregalou os olhos, e sem mais nem menos correu para o outro lado da rua. — AH! Espe...
Ela já estava metros à frente, indo em direção ao outro lado.
– Que estranho,... — David comentou. Virei minha cabeça para ele.
– Então, vamos para a pizza?? — Lucy perguntou animada.
– Eu... — Um calafrio correu minha espinha e eu olhei para trás quase que instintivamente. Meu olhar parou na menina que corria para o outro lado da rua. Mas algo chamou minha antenção mais ainda. O semáforo que piscava na cor verde, dizendo para os carros irem.
Prevendo o que aconteceria, gritei:
– CUIDADO!!!!
Todo o grupo olharam para mim em susto. A menina, que corria, virou para mim. Nossos olhos se encontraram no momento em que o carro , que tentava dessesperadamente freiar, bateu contra a menina, que voou alguns metros para frente, caindo inconsciente.
Corri o mais rápido que pude em direção ao corpo caido da garota, o cabelo que antes estava preso, agora caia fazendo ondas marrões pelo asfalto, havia sangue respingado. O carro que a havia atropelado havia fugido sem prestar socorro. Demorou alguns segundos(de puro choque) para o resto dos meus amigos correr para ajudar.
Os próximos minutos foram de muita agitação e medo. Nós, sozinhos, levamos o corpo da garota que mal conheciamos em direção a um hospital.
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Do lado de fora do quarto, nós esperávamos por notícias.
Já haviam se passado duas horas que estávamos sentados, sem dizer nada, apenas aflitos.
Uma enfermeira loira de óculos se aproximou de nós.
– São amigos da paciente? — Ela perguntou.
– N-não, estávamos apenas perto quando aconteceu o acidente... — Lucy disse. Ela acariciava Wendy que havia chorado e agora estava se acalmando.
– Entendo.
– Ela está bem? — Lyon perguntou, ele parecia igualmente abalado.
– Bom, pelo o que vocês disseram, o carro havia tentado freiar então o impácto não foi tão forte. Ela quebrou alguns ossos da perna e acabou tendo disturbios cerebrais por causa da pancada na hora da queda. Mas ela vai ficar bem.
Um suspiro de alívio coletivo escapou de nós.
A enfermeira voltou para o quarto, nós conversamos um pouco sobre isso, como foi assustador, como nunca passamos por algo assim. Rita disse que precisava ir , pois tinha curso. Ela disse para ligarmos se soubermos de mais detalhes.Vinte minutos depois, a enfermeira voltou.
– A paciente gostaria de ver vocês.
Nos entreolhamos incertos, levantamos e fomos para dentro do quarto.
O quarto era completamente branco, desde ao piso, paredes e cortinas. O cheiro de clorofórmio cobria o ambiente. Eu odiava todo aquilo. Aquele lugar, por que eram tão parecidos? Olhei para as cobertas brancas, nela havia uma garota de cabelos castanhos bagunçados que caiam sobre os ombros.
– Ah, eu me lembro de vocês. — A menina disse calma, ela estava agora usando roupas de hospital. Sua perna estava engessada. — Eu esbarrei em vocês eu acho... Não tenho certeza.
– Ah, sim, sim... Você está bem? — David disse.
– Uhum. — Ela balançou a cabeça. — Graças a vocês, obrigada.
– Você,... Tem que tomar mais cuidado, você poderia ter morrido! — Wendy disse, desesperada.
– É, eu sei... Eu me distrai...
– Você ... — Ela virou seu rosto para mim , no momento em que comecei a falar. — Tinha algo do outro lado? O motivo pelo o qual você correu desgovernadamente...
Ela pareceu um pouco preocupada naquela hora, o que fez eu me arrepender de ter perguntado.
– Eu achei que... Eu... imaginei ter visto uma pessoa... — Ela olhou para janela, como se buscasse alguma resposta do pôr do sol.
– Entendo... — Eu disse. — Qual é seu nome?
– Emma. — Ela disse. — Vocês são?
Fizemos uma rápida apresentação, e voltamos a conversar. Ficamos aproximadamente trinta minutos conversando.
Olhando ao redor do lugar, comecei a me sentir claustrofóbica. Eu não tinha claustrofobia ou algo assim, mas o sentimento de aperto era grande demais.
Eram em lugares assim que pessoas sofriam, eram lugares assim que pessoas morriam...
É por isso que odeio hospitais. Só queria sair dali...
– Bom, só queriamos nos certificar! Tem certeza que vai ficar bem? — Wendy perguntou.
– Haha Muito obrigada. — Emma disse, sorrindo. — Vou ficar bem, é uma promessa!
Aquilo era....
– Olivia? — Lucy chamou, olhando surpresa para mim. — Você está chorando?
Olhando para Emma, com lágrimas nos olhos que cismavam em escorrer. Limpei-as depressa, sentindo o peso do olhar dos meus amigos e da garota na cama, que olhavam preocupados.
– O que foi? Você está bem?? — Lyon perguntou se aproximando.
– Não, quer dizer, sim, eu estou bem... Foi só alguma coisa que entrou no meu olho...
Olhei para meu irmão, ele estava circulando a sala com os olhos. Numa troca de olhares, ele arregalou os olhos como se tivesse finalmente entendido.
– Ah! Droga! Entendi. — Ele me olhou com dor , pegou meu braço e me puxou para fora da sala. — Vemos vocês depois, tem algo que temos que fazer!
Corremos pelos corredores brancos ignorando os resmungos de nossos amigos que ficavam para trás.
Saimos do hospital, começamos a andar mais calmamente, tentando recuperar o fôlego. Estávamos andando por uma rua cheia de restaurantes e cafés quando David começou a falar.
– Desculpe, não tinha percebido...- Ele pôs a mão na testa. — Como pude esquecer??
– Tudo bem. Não é culpa sua. — Eu sorri para ele, fala sério, meu irmão é tão dramático. — Foi apenas,... Um momento de fraqueza , eu acho.
Ele me olhou preocupado.
– Hey, quer tomar um sorvete? — Ele ofereceu.
– Você paga. — Eu disse, e fomos caminhando calmamente como a tempo não faziamos juntos.
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O céu estava num tom arroxeado quando chegamos no parque. Era uma mistura de laranja, rosa, roxo e azul, sinal que o dia estaria para acabar. Nosso dia se baseou em ficar no hospital esperando notícias de Emma, aquilo realmente nos assustou.
Compramos sorvete no mesmo parque em que eu levara Sam posteriormente. Andamos pela trilha de pedras que seguiam um caminho zigue-zague pela grama recém aparada do parque.
Estava no meio de meu sorvete quando David fungou.
Seus olhos marejados.
– ...David? Por que está chorando? — Era uma cena rara de se ver. Ele esfregou os olhos antes que lágrimas pudessem escapar.
– Eu,... Eu me sinto inútil... — Ele disse, virando para me encarar. — Eu sou seu irmão, mas mesmo naquele dia, eu nunca pude fazer algo para te consolar. Eu apenas... Odeio não poder fazer nada! — Ele disse com raiva, como se guardasse rancor de si mesmo.
Vendo o rosto dele, eu sorri.
– Idiota. — Eu dei um soco em seu ombro, recebendo reclamação do mesmo. — Isso aqui... — Eu levantei os braços, mostrando o parque. — ... O sorvete, sua presença... Tudo isso já basta. Tá, tem vezes que você é muito chato, tarado, idiota, irritante,... enfim; INSUPORTÁVEL. Mas você não tem culpa de nada. Você continua sendo meu irmão, independente de tudo. E eu agradeço por isso.
Ele me olhou abismado, como se nunca me imaginasse falando algo do tipo. Ele deu um risinho de deboche e bagunçou meu cabelo.
– A idiota aqui é você! Falando esse tipo de coisa!
– AI EI PARA. DAVID! AH! PARA!! — Eu tentava empurrar os braços dele para longe.
Rimos um pouco e resolvemos nos sentar em um banco qualquer. Por causa do calor daquele dia (e do esforço tentando impedir David), tirei meu casaco cinza .
– Ah! Espera! — Eu levantei me lembrando de uma coisa.
– Hum? O que foi?
– Tem uma coisa que eu tenho que ver.
Corri pelo parque , procurando uma pedra em específico. David andou atrás de mim sem entender nada. Avistando a pedra, corri para me certificar do que havia pensado.
– Haha alguém viu o desenho! — Eu disse. Agora na pedra havia um sol, uma árvore e um coelho.
– Sério que você saiu correndo atrás de uma pedra rabiscada? — David olhou mais de perto. — Meu deus, que coelho horroroso...
– Hahaha concordo! ... Mas, acho que ele está deveras solitário. — Eu falei, pegando uma caneta preta qualquer em minha bolsa.
– Desde quando você diz ''deveras''? — David perguntou num riso.
– Passei a falar. — Respondi, já fazendo o formado das orelhas do animal. Em alguns segundos, uma coelhinha (reconhecivel por ter um lacinho) estava na frente do coelho esquisito. Agora a imagem estava consideravelmente fofa; Dois coelhos perto de uma árvore num dia ensolarado.
– Não sei se você desenha BEM DEMAIS ou a outra pessoa que desenha horrivelmente...
– Não seja tão severo... Pode ter sido uma criança? — Eu disse, saindo mais como uma pergunta do que com um fato.
– De qualquer forma, vamos para casa. Já escureceu, o pessoal deve estar preocupado.
Verdade, afinal, nós saimos correndo do Hospital sem nem dar aviso ou exlicação...
– Tem razão. — Eu disse.
E assim caminhamos juntos, numa noite quente e solitária.
–... Acho que devo chorar mais vezes, se isso significar ganhar sorvete de graça. — Eu disse sorrindo.
– Ah, cale a boca. — Ele sorriu, se contagiando. O piercing de argola esbarrando em seus dentes.
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Quando eu disse que eles estariam preocupados, não estava brincando...
Cheguei em casa, deitando na cama e ligando o celular.
''Mais de 70 mensagens não lidas''.
Ah, isso vai ser cansativo...
Comecei com Lucy. Ela mandava mensagens do tipo: '' O QUE HOUVE? DAVID FEZ ALGUMA COISA COM VC? VC TA BEM??'' Usando abreviações como ''vc'' e tals.
Disse que estava me sentindo mal no hospital. Posso ter soado um pouco idiota e contraditória, afinal era o tipo de lugar que você ia quando passava mal.
Wendy achava que eu tinha morrido, mandava mensagens parecidas com as de Lucy só que mais desesperadas eu acho. Respondi a mesma coisa.
Lyon foi o mais calmo. Veio com '' Está tudo bem? Se precisar falar sobre isso, me ligue'' e coisas do tipo. Ele , por alguma razão, parecia saber que o problema não era com meu corpo, mas com a minha cabeça.
Suspirei e mandei apenas um '' Estou bem, só não me senti muito bem...''. Se ele viu a mensagem, não pareceu insistir.
Continuei a dar ''explicações'' (melhor ditas como ''desculpas'' ) para Wendy e Lucy. Até Rita entrou nessa de se preocupar comigo. Fiquei aproximadamente 1 hora conversando quando comecei a me sentir cansada.
Olhei para o relógio, não eram nem 21:00...
Suspirei , esparramada na cama. De repente, senti falta de alguma coisa.
...... Onde está o meu casaco cinza?
Com um pulo, comecei a procurar pelo quarto, bagunçando-o completamente.
Não.
Eu não esqueci ele no parque.
EU NÃO ESQUECI.
......................
EU ESQUECI AQUELA PORCARIA NO PARQUE!!
Mais rápida que o Sonic, o Flash e a Gogo Tomago juntos, corri para fora de casa. David tomou um susto, mas nem dei tempo para explicar.
Correndo pela noite quente (que no momento estava meio fria, já que estava só de blusinha e shorts), ia em direção ao parque.
Meu deus, que não tenham roubado. Eu gosto muito daquele casaco.
PELO AMOR DE DEUS NÃO TENHAM ROUBADO AQUELA BAGAÇA!
Corri mais rápido sentindo uma dor na barriga por respirar de mal jeito.
Arg! Odeio quando isso acontece.
Chegando perto do parque, corri para o banco que havia sentado antes.
Fiquei aliviada ao ver o casaco no banco, exatamente como deixei anteriormente.
– Ufa, não pense que pode fugir de mim danadinho. — Eu disse para o casaco, não esperando uma resposta. Sentei no banco para descansar dessa longa corrida (que se chama vida). Hoje havia sido um dia e tanto...
Pela direção que o banco se posicionava, podia-se ver levemente o local onde ''a pedra'' (a com desenhos) ficava. Olhando atentamente, percebi que havia alguém ali.
Hum?
Andei até a pedra calmamente, observando as costas da pessoa que no momento desenhava da pedra.
Entre os dois coelhinhos, havia um coração vermelho desenhado.
– Pronto! Isso ficou meio fofinho, eu acredito? — A pessoa disse.
Poderia ser que ele era a pessoa que desenhou antes?
Ah, então não era uma criança.
Era um garoto. Ele era alto (o tamanho de Lyon talvez?), seus cabelos (vistos de costas) era bagunçado e picotado em várias direções. Pelo aro preto que pousava em sua orelha, ele devia usar óculos.
Com um pouco de timidez, eu falei:
– Ahm... Hum... Você...Desenhou? — Ele virou para mim como se não tivesse percebido minha presença.
– Ah, sim! — Ele disse, eu pude ver seu rosto.
No momento em que eu o vi, meu corpo tremeu.
Meus olhos se arregalaram, senti que iriam sair para fora.
Um susto, um espasmo, meu coração corria em fazer as batidas.
Não podia ser...
Minha mente estava completamente negra. Não enxergava nada, além do menino na minha frente.
Era impossivel... Só poderia ser ilusão.
Ou
Um sonho
Um sonho doloroso.
– Poderia ser... Você que desenhou essa coelhinha? — Ele disse feliz. Como se fosse muito louco isso estar acontecendo.
Com os lábios trêmulos, eu apenas disse uma coisa. Um nome.
–...................................... Simon?

[Caso a imagem não vá, clique aqui para ver]
O menino parou ao ouvir o nome, o sorriso desbotou para uma expressão um pouco surpresa.
Podia ser um engano.
SÓ PODIA SER um engano.
Mas não era, eu sabia, afinal nunca esqueceria
Aqueles raros olhos cinzas.
– ............Você...... Olivia? — Ele perguntou, o rosto abalado e surpreso, provavelmente, muito semelhante ao meu.
Sem pensar no que era real ou falso, apenas corri.
As lágrimas escorrendo pelo rosto.
Os braços abertos para abraçar algo que nunca mais imaginei que fosse ver.
Um abraço repleto de saudades, dores e felicidade.
Mas além de tudo, um abraço com uma promessa, que havia sido quebrada a tempos.
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