Since the beginning
4 Shit!
Notas iniciais
Espero que gostem !!
As palavras rondavam em minha mente de forma lenta e repetidora. Não conseguia mais focar em nada, só no que minha vida se tornará se isso acontecer realmente. Se ela já não é tão boa assim, agora ela vai ser... um inverno!
Por que sempre comigo? Porque eu sou Luke Hemmings. Nada dá certo quando se trata de mim. Nem o certo dá certo.Não. Eu realmente não quero mais isso na minha lista. Eu não quero Ashton Irwin como meu meio irmão, e nem quero a sua mãe se fazendo de minha mãe.O ódio entre Ashton e eu é recíproco. Ele não gosta de mim desde que nos vimos pela primeira vez; isso, na quarta série! E com esse ódio de graça, também passei a não me dar muito bem com ele.Ta decidido. Eu vou fugir de casa. Não. Isso não é drama, e só amor próprio. Estou cansado de viver com tudo dando errado.Qual é a probabilidade de não nos matarmos, assim que o caminhão da mudança chegar à frente dessa casa? 0%Estou muito novo para ter o nome de assassino, ou ir para a prisão.Eu não quero que eles morem com a gente!Ta. Tudo bem. Hora de surtar por fora também.Me obriguei mentalmente a voltar para realidade, enxergando o rosto de Calum bem próximo ao seu.Automaticamente, levei um susto, afastando meu corpo para trás. Pisquei algumas vezes, olhando ao redor pela casa.–Lucas? Está tudo bem?- o moreno perguntou, alcançando novamente o meu campo de visão.Tive vontade de dar um murro em sua cara. Ele faz de propósito?–Você faz de propósito?- perguntei, passando minha mão pelo rosto.–Faço o que de propósito?- perguntou, nitidamente confuso.Suspirei, antes de pensar em lhe responder.–Eu já disse que eu não gosto que me chamem dessa forma. Meu nome é Luke.- respondi, ainda correndo meus olhos pela casa.Já estava pronto para gritar para Anne que meu pai a traía, para que assim, eles não viessem morar aqui e esse relacionamento acabasse, mas vi que a mulher não estava na sala. Nem meu pai. Nem Ashton.–Cadê meu pai?- perguntei para Calum. –Foi levar sua madrasta.- respondeu, se levantando.Nem sabia que ele estava agachado. Mas esse pensamento foi simplesmente cortado por causa de meu sangue fervendo; resposta de sua última fala.–Cala a sua boca. Ela não é minha madrasta.- falei, rangendo os dentes.Calum deu de ombros indo até a cozinha.–Não se preocupa. Ashton também está puto.- gritou, por causa da distância.Não falei nada. Ele voltou para a sala, agora tinha um copo em suas mãos. Veio para perto de mim, estendendo o objeto em minha direção.–Para quê isso?- arqueei uma sobrancelha, o olhando desconfiado.Rodou os olhos, e bufou.–Para você beber.- respondeu, como se fosse óbvio.–Não quero água.- falei, virando o rosto para o lado.–Bebe logo, carai.- respondeu.Rodei os olhos, e peguei o copo. Decidi beber, mas só porque eu estava mesmo precisando.Calum se sentou do meu lado.–Por que você não quer que eles morem com você?- perguntou, e senti seus olhos sobre mim.Terminei de beber a água, e olhei para o moreno.–Porque eu não quero dividir meu quarto com o puto do Ashton.- respondi.Calum franziu as sobrancelhas.–Só por causa disso?- perguntou com calma.Suspirei, desviando meu olhar do seu.–Ashton e eu não nos damos bem, você não viu hoje?- perguntei.–Isso porque você não se esforça para se dar bem com ninguém.- falou como se fosse óbvio.Rodei os olhos. Eu sabia que ele estava falando a verdade, mas eu não ia mudar. Eu não queria mudar. –Certo.- dei de ombros.- Vai dormir aqui, ou já pode ir embora?Ele riu por alguns segundos, me fazendo colocar as mãos no ouvido. Acho que nunca vou me acostumar com esse som.–Eu aceito o seu convite para ir embora.- respondeu, se levantando.Quase dei risada, mas pensei melhor.Calum me deu as costas, e foi em direção à porta de minha casa. O segui, querendo ter certeza de que me livrei dele.Ele se virou para mim, antes de passar pela porta.–Valeu pelo convite de jantar. Té amanhã, Lucas.- falou, e saiu sorrindo de lado.Viado. –Vai se foder!- gritei, e antes de bater a porta com força, escutei sua gargalhada irritante.Bufei, revirando os olhos. Andei até a escada, a subindo num ritmo preguiçoso.Cheguei até meu quarto, me certificando de bater a porta num baque alto.Merda! Eu odeio meu pai! Eu odeio minha mãe por ter morrido, e deixado que ele namorasse essa idiota! Andei até a cômoda, já visualizando a antiga coroa de flores de Liz. Tinha o seu nome nela em letras douradas.A encarei por alguns segundos, antes de jogar no chão com força total.Porra. Quê que eu estou fazendo?Abaixei, alcançando a coroa no chão. Verifiquei se tinha algo fora do lugar, ou se tinha quebrado alguma parte.Antes que eu pudesse perceber, uma lágrima caiu em minha mão. A limpei na mesma hora; odeio chorar.Olhei para a janela, apertando a coroa entre os dedos. Minha vontade era de gritar, mas isso só faria com que eu chorasse mais.
Então, ao invés de cumprir com minha vontade, apenas deixei o antigo objeto de mamãe na cômoda novamente, ainda olhando para a janela.–Desculpa, mamãe. Eu sei que você não tem nada a ver com isso, e que nem é culpa sua. Eu sou um imbecil.- falei sussurrando e fiz uma pausa, olhando para a minha mão, observando o seu trabalhado em apertar a blusa preta em meu corpo.- Sinto sua falta.Funguei, e então dei de ombros.Peguei minha toalha em cima da cadeira e fui em direção ao banheiro.Tirei meu celular do bolso, indo para a playlist das favoritas. Cliquei em American Idiot, aumentando o volume até o último.Comecei a me despir, tirando primeiro a blusa da Nirvana. Depois tirei minha bermuda e a cueca boxe.Fui para debaixo do chuveiro o abrindo, e logo entrando na água gelada. Não ligava para o fato de ela ser congelante, eu gostava de tomar banho gelado.Cantarolava a música, enquanto pensava no dia estressante que passei; quer dizer, mais um dia estressante que passei.Minha vida tem sido dessa forma desde a morte de minha mãe. Parece que tudo começou a desandar quando ela se foi. E sinto que é isso mesmo que está acontecendo.Me ensaboei com o sabonete, tirando a espuma logo depois. Lavei meu cabelo, tendo um cuidado especial com o mesmo.Fiquei tomando banho por mais alguns minutos, ou por muitos, já que minha playlist já havia parado de tocar, e desliguei o chuveiro.Fui até o celular, colocado em cima da pia, e bloqueei o mesmo. Me sequei com a toalha, pegando outra menor, para fazer o mesmo com o meu cabelo. Pelo menos, tirar a umidade.Peguei as roupas que havia tirado e meu celular, saindo finalmente do banheiro.Pelo barulho do andar de baixo, meu pai já havia chegado. O que me fez rodar os olhos, assim que me lembrei de onde ele estava vindo.Fui em direção ao guarda roupa. Abri a gaveta, olhando para as peças que ali continha. Optei por uma calça de moletom marrom, e uma blusa salmão lisa.Vesti a cueca preta, e logo depois fiz o mesmo com as roupas separadas.Deixei a toalha e as peças de roupas usadas antes se tomar banho, em cima da cadeira, e passei no banheiro para escovar os dentes.Nem que a humanidade dependesse de que eu fizesse os deveres de casa hoje a noite para sobreviver, eu faria.Estava muito cansado até mesmo para procurar pela minha mochila, então, se os professores tiverem sorte, amanhã eu penso se eu faço.Derrubei a bagunça que havia em cima da minha cama, e arrumei os lençóis, para que eu pudesse dormir.Deitei, me cobrindo com o cobertor grande. Olhei para a parede à minha frente, pensando se eu queria ou não assistir TV. Porém, o controle estava longe demais, então... Ops.E antes que eu pudesse pensar em fechar os olhos, meu pai invade meu quarto.Num movimento automático, viro para o lado oposto. Não. Isso não é birra, é apenas um: Eu não quero te ver agora, senão vou ter que te mandar ir tomar no cú. E eu realmente não queria falar aquilo para o meu pai.Senti seu corpo se acomodando ao lado do meu, mas não ousei mover um músculo sequer.Ele soltou um suspiro.–Você ta bravo?- perguntou num sussurro.Ele estava mesmo falando sério?Esperei pela sua risada, mas ela não veio. Deus! Ele estava mesmo falando sério.–Não.- respondi, fazendo questão de mostrar meu tom irônico.–Luke, você vai ter que entender que eu a amo, e ela também me ama. Nós só queremos morar juntos. Será que isso é demais?- falou, e senti o cansado em sua voz.Sim. Ele estava cansado de ficar me explicando as coisas sobre o que ele sente, ou como é o seu relacionamento. Só estava tão cansado, porque no fundo ele sabia que eu nunca iria querer entender.–Ta bom, pai. Hoje aconteceram muitas coisas. Eu só quero dormir.- falei, fechando os olhos.Ele suspirou, mas não falou nada. O que me motivou a continuar.–Outro dia a gente conversa sobre o assunto. Quem sabe no dia trinta de fevereiro?- disse, sorrindo no final.–Tudo bem. Até que está perto, tendo em vista que estamos em janeiro.- respondeu, e também sabia que ele estava sorrindo.Não respondi, apenas olhei para o chão, sorrindo de lado.–Boa noite, Luke.- falou, depois de um tempo sem pronunciar nada.–Boa noite, Andrew.- respondi.Escutei a porta se fechar, e então bufei.Meu sono veio rápido, denunciando o quanto eu precisava dele.Naquela noite eu sonhei com minha mãe; foi no dia quando ela me deu uma bronca por passar um de seus batons no pêlo do cachorro.
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