Notas iniciais
Espero que gostem !!

Observava de minha carteira, que é a última da fileira, as várias bolinhas de papel sendo jogadas pra lá e pra cá. Os idiotas do fundão não paravam de rir. Pareciam mesmo se divertir com o que estavam fazendo.

Como alguém consegue se divertir com isso? Que coisa mais estúpida!

Como em todas as suas aulas, o professor de física sempre dava os dez últimos minutos livres para fazermos o que quiséssemos.

O que eu queria fazer? Queria pegar meu celular e meus fones, e colocar o volume no último, enquanto Nickelback estivesse tocando. Mas como o fone não está comigo, tenho que ficar olhando esse bando de lerdo com suas bolinhas.

Já tentei abaixar a cabeça e dormir, numa tentativa falha que esse horário acabasse logo, para assim ir para minha casa, mas a garota ao meu lado não para de falar lorota em meu ouvido, tornando impossível cochilar ou a hora passar mais rápido.

Hoje simplesmente não é o meu dia; não que algum seja.

–Então Luke, o que você gosta de fazer?- perguntou, apoiando seu cotovelo em minha mesa.

–Eu? Eu gosto de ficar sozinho. Coisa que você não está deixando que eu realize nesse momento.- respondi, e sorri inocente no final.

Ela retribuiu o sorriso.

–Ah, eu gosto de ir ao shopping!- respondeu, se aproximando.

Ou ela é super burra, ou apenas não se toca.

Rodei os olhos bufando, e virando para frente.

–Você é lindo, sabia?- perguntou, o que me fez virar para seu rosto, que a propósito, estava bastante próximo.

–Ahn, você também.- respondi, me afastando dela.

Eu sei que ela queria me beijar, e eu até o faria; mas não estava com cabeça para garotas hoje. Nem estava com cabeça de tê-la em meu encalço amanhã.

Com todas as meninas, mesmo que sejam poucas, que eu fiquei foi deste modo.

A garota morena se aproximou ainda mais, e minha cabeça já encostava-se à parede.

Meu Deus! Será que eu vou ter mesmo que empurrá-la?

Quando estava quase para fazê-lo, o sinal bateu. E sinceramente, nunca fiquei tão feliz com um sinal antes.

–Ops. Parece que bateu, não? Hora de irmos para casa!- falei, me levantando.

–Não se preocupe, sempre tem o amanhã.- respondeu sorrindo de lado, e se levantando também.

Franzi meu cenho, enquanto a assistia sair de minha presença.

Tenho que começar a rever o meu lugar no espelho de classe...

Terminei de arrumar meu material, e peguei minha mochila, a jogando em um dos ombros.

Ajeitei melhor a blusa de frio em meu corpo, sabendo que a mesma será muito útil quando eu sair da escola.

Caminhei até a saída da sala, esbarrando em algumas pessoas, e não me importando em pedir desculpas.

Caminhava pelo corredor, enquanto encarava meus pés. Logo já estava saindo da escola.

Não demorei em avistar o moreno no outro lado da avenida.

Rodei os olhos assim que o mesmo sorriu acenando para mim. Agora ele está atravessando a rua, indo em minha direção.

Não basta na escola?!

Todos os dias vamos embora em caminhos separados. Por que hoje tem que ser especial?

–Oi.- sorriu, andando do meu lado.

–Oi.- respondi sem ânimo na voz.

–Foi à enfermaria?- perguntou.

–Não. Não precisei.- respondi, e bufei.

Pra quê ele estava preocupado?

–Mesmo?- disse desconfiado.

–Vem cá, por que se importa? Me deixa em paz, tudo bem?- rebati, olhando para o moreno.

Ele também olhou para mim. Sua expressão estava um pouco triste.

Nossa! Como eu consigo ser tão idiota?

Calum deu de ombros, atravessando a rua.

Abaixei os ombros, soltando um suspiro.

Não demorei muito para fazer o mesmo caminho que o moreno.

Ele caminhava na frente, então tive que correr um pouco para alcançá-lo.

–Oi.- falei, assim que estava ao seu lado.

Ele virou seu rosto para mim, assumindo uma pose indiferente.

–Pensei que fosse para te deixar em paz.- falou, virando para frente novamente.

–Ahn, desculpa. Desculpa mesmo. Você sabe, eu não sei ser amigável.- respondi, coçando a nuca.

Ele não falou nada.

Continuamos andando. Viramos algumas ruas, antes de entrar na nossa.

Sim, nós moramos na mesma rua.

Hoje é o primeiro dia em que chegamos juntos.

Calum mora em frente à minha casa, isso desde os meus cinco anos.

Nós só paramos para conversar no final do ano passado e no começo desse. E de qualquer forma, nem posso dizer se eram conversas mesmo.

Olhei para o carro estacionado em frente à minha casa. Droga! Merda!

Óbvio. Era só o que faltava no meu dia.

–Hey, a namorada do meu pai está aí, e eu não quero ficar sozinho com eles. Será que...

–Ta.- respondeu, quando viu que eu não conseguiria terminar a frase.

–Só vou deixar minha mochila em casa.- se afastou, indo para a casa da frente.

Fiquei parado no lugar, esperando o moreno, que não tardou em chegar.

Caminhamos até a porta verde, e eu abri, dando passagem para Calum.

Depois do garoto entrar, eu mesmo o fiz, fechando a porta.

Logo o cheiro de lasanha preencheu o ambiente.

Porra. Meu pai está jogando sujo. Ele sabe que eu ficaria puto por causa da namoradinha dele.

Olhei ao redor, à procura de meu responsável.

–Pai?- perguntei.

–Estou aqui.- respondeu gritando.

Vinha da cozinha. Andei até o cômodo, virando para trás, e fazendo um sinal para que Calum me acompanhasse.

Já podia ouvir a voz da vadia. Rodei os olhos, no momento em que ela me olhou.

Estavam só os dois na cozinha, o que me deixou muito aliviado. Pelo menos, o seu filho imbecil não vai vir.

–Oi, quem é esse?- meu pai se aproximou, com um enorme sorriso em seu rosto.

–É um amigo meu.- respondi.

–Oi. Calum Hood.- o moreno falou, e cumprimentou meu pai.

–Andrew.- respondeu, também o cumprimentando.- Você é o nosso vizinho, certo?

–Sim.- Calum respondeu, sorrindo.

–Luke, sobe e vá se arrumar. Temos um jantar importantes hoje.- meu pai falou, depois de um tempo em total silêncio.

–Tudo bem...

Jantar importante? Não gostei nem um pouco do nome desse jantar.

Estava para dar meia volta, quando a campainha tocou.

–Deixa que eu atendo.- falei, e fui em direção a porta.

Sentia Calum me seguindo, o que me deixou um pouco desconfortável.

–Ei, por que você não sobe?- perguntei, olhando para o moreno.

–Ahn, não. Eu vou te esperar.- respondeu, sem jeito.

Rodei os olhos, e abri a porta.

–Puta que pariu.- sussurrei, olhando para o garoto a minha frente.- Estava feliz da vida pensando que você não ia vim.

–E você acha que eu quero estar aqui?- perguntou, me empurrando e adentrando a casa.- Merda, mãe! Por que não me mandou uma mensagem? Eu tive que ir para casa e depois pra cá!

–Desculpa filho, eu só esqueci.- falou, e deu um abraço no garoto.

Rodei os olhos.

–Venha, Calum.- chamei, e subi a escada.

Andei pelo corredor, indo até a porta de meu quarto.

–Wow... Seu quarto é super legal.- Calum falou, quando entramos.

–Ahn, valeu. Eu acho.- respondi, jogando minha mochila na cama.

Não demorou muito, e o outro também já estava entrando em meu quarto.

–Que pensa que está fazendo aqui?- perguntei.

–Seu papai me mandou subir. De alguma forma, eles querem que a gente se dê bem.- respondeu, se jogando em minha cama.

–O que? Ridículo isso.- respondi.

–Ridículo e impossível. Mas podemos fingir.- falou, sorrindo de lado.

Imbecil.

Bufei, olhando para Calum.

–Senta aí.- falei, e apontei para a cama.

Ele o fez.

Fui em direção ao meu guarda roupa, pegando uma bermuda de lá, e minha blusa da Nirvana.

Eu até tomaria banho, mas teria que deixar os meus "convidados" sozinhos por muito tempo. Pode-se dizer que o meu banho não é o mais rápido do mundo.

Andei até o banheiro, e vesti as roupas separadas rapidamente.

Saí do cômodo, e os dois garotos estavam na mesma posição de antes. Ashton deitado em minha cama, de uma forma desleixada, enquanto olhava para os vários pôsteres que se espalhavam pelo meu quarto. Seu olho esquerdo estava em bastante destaque por causa do murro que lhe dei hoje mais cedo.

Calum, sentado no canto da cama, enquanto mexia em seu celular.

Limpei a garganta, atraindo a atenção dos dois para mim.

–Vamos descer?- perguntei, com o ar tedioso.

–Seu pai mandou avisar que quando o jantar tiver pronto, ele irá avisar pra gente.- Ashton respondeu, voltando a olhar o meu quarto.

Droga...

Bufei e andei até o canto do quarto, já que não podia nem mesmo sentar em minha própria cama.

Me acomodei por ali mesmo, pegando meu celular, e mexendo em algumas coisas, para vê se conseguia me distrair.

Notas finais
Hey, deixa seu comentário falando se gostou. Pff, eu só posso continuar com inspiração se alguém estiver gostando. Então...