Since You Been Gone
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Acordei com a Susan entrando no quarto para deixar umas roupas limpas, mesmo que ela tivesse entrado sem fazer barulho, eu tinha o sono muito leve e fora que já devia ter passado da hora de acordar. Percebi que Alec já não tava mais na cama, ele devia ter saído depois que eu dormi, ele tinha medo de que alguém entrasse e o visse aqui, mesmo que todos aqui do castelo já desconfiassem de nós dois.
Susan já havia percebido que eu tinha despertado então abriu um pouco as cortinas do quarto para ficar mais claro.
— Bom dia Princesa! – Ela disse sorridente
— Bom dia Susan – Minha voz estava um pouco rouca e sonolenta ainda
Fui diretamente para o banheiro para tomar um banho e me preparar para mais um dia.
Sai do banheiro enrolada na toalha e com os cabelos molhados, Susan tinha separado algumas roupas pra mim, deixadas em cima da cama já arrumada, estava olhando para elas tentando escolher uma quando a porta se abriu rapidamente, era Angel, minha irmã, que como sempre, parecia estar eufórica com alguma coisa.
— Você acordou só agora? Realmente você é a princesinha do papai – Ela falou mais alto que o normal
— Não aprendeu que é falta de respeito entrar sem bater na porta? — Falei com uma pontada de graça na voz antes de começar a me vestir
— E você não aprendeu a fazer silêncio durante a noite? Não sei você se lembra mas o meu quarto é aqui do lado e ontem parecia que vocês iam quebrar a parede – Riu
Eu a olhei surpresa pelo o que disse e logo comecei a sorrir de orelha a orelha apenas de lembrar da noite de ontem. Angel era uma das únicas que sabia tudo sobre mim e Alec, o meu pai era o único que não sabia de nada e os outros mesmo que soubessem respeitavam a nossa vontade e não contavam para ele.
Antes de eu pudesse responder ouvimos alguém batendo na porta, devia ser algum funcionário do meu pai já que era os únicos que batiam na porta.
— Pode entrar – Falei alto
— Com licença princesas, Crystal o seu pai está te chamando na sala de reuniões – Era alguma secretaria nova do meu pai, não dava nem tempo de decorar o nome de alguma delas já que mudavam com muita frequência por serem humanas e não podiam saber sobre nós
— Eu já estou indo, obrigada – Sorri
Quando ela fechou a porta me virei para minha irmã que estava mexendo nas minhas coisas
— Ei ratinha, tira a mão daí a gente tem que ir para a sala de reuniões!
— A gente nada ele tá chamando você, eu vou almoçar porque eu to morrendo de fome – Ela borrifou um perfume qualquer que estava em sua
Angel era humana, diferentemente de mim que era híbrida, é óbvio que não somos irmãs biológicas, quando meu pai nos encontrou ele decidiu adotar nós duas mesmo que isso fosse contra a lei.
— Ok então, vamos logo!
Andamos pelo corredor que ficam os quartos em direção à sala de reunião e a cozinha que são próximas. Quando estávamos quase chegando Angel disparou
— Você deveria almoçar também — Disse séria
— Talvez depois, eu tenho que ver o que o papai quer comigo agora – Eu sabia que fazia tempo que não comia mas também não via tanta necessidade naquilo
Ela não insistiu porque sabia que não adiantaria nada, quando chegamos na porta da cozinha ela adentrou a mesma, por mais que tivéssemos a sala de jantar ela preferia comer na cozinha com Rosa e as outras mulheres que trabalhavam no castelo, ela sempre foi uma pessoa muito humilde e também sempre sentiu muita falta de companhia na hora das refeições, já que eu nunca estava presente nesses momentos.
Entrei na porta da sala de reuniões sem bater porque sabia que eles já tinham percebido que eu estava chegando, avistei uns 15 homens conversando, quando vi meu pai fui até ele
— Oi papai, o senhor me chamou? — Eu adentrei uma rodinha que meu pai estava
— Querida! Queria te apresentar esses senhores, eles são prefeitos de uma cidade vizinha de Volterra – Aro disse com um tom de seriedade
Eles me cumprimentaram com apertos de mão se apresentando
— Eu sou Harry Colton e este é Sebastian meu vice – Disse um homem de mais ou menos 50 anos
— Eles estão interessados no orfanato, querida! – Meu pai esclareceu
— No orfanato? — Disse desconfiada
— Nós ficamos muito surpresos com a ideia de vocês, mas acreditamos que ainda há muitas melhorias a serem feitas – Disse Sebastian
Desde que eu e Angel chegamos em Volterra tivemos a ideia de fazer um orfanato lá, nós nos identificávamos muito com aquelas crianças e fomos o construindo aos poucos e tendo as ideias juntas. Eu ainda não entendia onde aquela conversa iria me levar
— Eles querem comprar o orfanato, filha! – Meu pai disse cauteloso
— Comprar? – Minha voz saiu mais alto do que deveria devido ao susto
Todos presentes na sala me olhavam curiosos e alguns com um olhar de reprovação
— Você não precisa decidir agora, princesa – O tal presidente parecia um pouco surpreso
— Eu deixei o projeto do novo orfanato com o seu pai, o preço que iremos pagar está junto, análise bem a nossa proposta, isso pode ser bom para vocês!
— Eu com certeza irei pensar bem sim! – Meu rosto provavelmente já estava vermelho de raiva
Senti braços me puxando para atrás me afastando deles. Antes de me virar para ver quem era puder ouvir meu pai se desculpando com aqueles homens
— Isso pode ser muito bom para a nossa reputação Crys! – Alec falava baixo
— Eu não ligo para a reputação! Eu e Angel construímos aquilo juntas e não vou simplesmente deixar na mão de um estranho, há pessoas que depende daquilo! – Ele me olhava como seu eu fosse uma louca
— Não seja cabeça dura Crystal! –Ele tentava controlar a voz para que as pessoas não nos ouvissem
Eu bufei e sai dali, ele sabe que não gosto quando ficam me dizendo o que fazer, fui em direção a cozinha para procurar Angel.
Quando adentrei as cozinheiras que estavam descontraídas e rindo levaram um susto com a minha presença e rapidamente tomaram a postura ereta, só assim consegui ver Angel que estava sentada na mesa junto com todas aquelas senhoras.
— Deseja alguma coisa, Crystal? –Rosa tomou a sua postura e me perguntou como se nós não fossemos próximas
— Não Rosa, obrigada! — Eu sorri
Rosa era muito diferente de todos aqui, ela quase se destacava entre as pessoas do castelo, sua pele tinha um tom marrom quase avermelhada, seus cabelos eram bem pretos quase como de um índio e ela tinha pouco mais de 1,5 m. Ela era o mais próximo de imagem materna que tínhamos, ela sempre cuidou de nós como filhas, desde que ela veio para cá com Bruno, seu filho, os dois haviam se tornado parte da família. Bruno sempre nosso melhor amigo, nós havíamos crescidos juntos e éramos inseparáveis até que a 2 anos atrás ele começou a ficar muito estranho até que um dia foi embora sem dar expliçao ou ao menos se despedir. Sua partida me abalou tanto que acabei me afastando de Rosa também.
— Eu só queria alguém para desabafar... — Me sentei numa cadeira vazia
— Estamos te ouvindo — Disse Nathalia, a outra moça de trabalhava lá
— Eles vão vender o orfanato! — Falei de uma vez
— O que? – As três disseram juntas com seus olhos arregalados
— O nosso orfanato? – Angel perguntou e eu apenas assenti com a cabeça
— Mas eles não podem! – Ela quase gritava
— É lógico que podem, aquilo está no nome do papai!
— Não pode ser, vocês duas se dedicam tanto com aquelas crianças! – Rosa me olhava com pena
— Você tem um plano né?- Angel disse esperançosa
Eu não queria decepcionar ela, na verdade eu não tinha. Mas eu não iria desistir. Não sabia o que dizer naquele momento, rodei os olhos pela cozinha procurando uma resposta
— Lógico que não tem! Não come faz muitos dias, ninguém pensa direito de barriga vazia né?! — Rosa me salvou
Ela não sabia que eu era híbrida, mas eu sentia que ela já suspeitava — Vou preparar uma coisa que você vai adorar, omelete com tomate! – Ela realmente me conhecia omelete era uma das poucas coisas que gostava de comer
Ela preparou o omelete para mim e almoçamos juntas conversando sobre outros assuntos, fazia muito tempo que não fazíamos isso. Tentei afastar um pouco aqueles pensamentos, eu tinha que achar um jeito de convencer meu pai...
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