Since I Dont Have You
1 Capítulo 1 - Happy Birthday
Notas iniciais
Seattle, 5 de fevereiro de 1982
Acordei cedo naquela amanhã, tinha que ir à casa do Michael. Hoje era aniversário dele e eu estava preparando uma festa surpresa. Os amigos dele estavam me ajudando com a festa, mesmo não gostando muito de nenhum deles. Estavam sendo bem prestativos em relação à festa e me prometeram deixar o Michael bem longe de casa até as 21h, hora que iria acontecer a festa.
Hoje ele estava fazendo 18 anos, isso me assustava. Digo, estava com medo que me deixasse depois disso. Ele era a única pessoa que realmente me entendia. Desde pequenos, nós sempre fomos muito próximos sempre gostamos das mesmas coisas, das mesmas bandas, das mesmas comidas, enfim, de quase tudo. Acabamos ficando ainda mais próximos depois da morte do meu pai, há seis anos.
Ele sempre me protegeu de tudo, vivia enchendo meu saco dizendo “Fernanda não faça isso” e eu rebatia “Quem você pensa que é Michael?”, ele simplesmente falava: “Sou seu primo, nasci para te proteger, criança, sei o que é certo para você” e sorria com aquele sorriso bobo que me fazia derreter por dentro, eu me limitava em aceitar seu argumento, ficar emburrada e falar “eu sou mais velha” ele ria e falava “Apenas dez dias, além do mais eu sou mais alto... Assunto encerrando, Nanda, você não pode.” E assim se resumia minha vida, era quase uma escrava tinha que acatar tudo o que o Michael falava, mas no fundo, eu gostava disso.
– Bom dia... Mãe. – disse ao vê-la deitada no sofá com uma garrafa de vodka na mão.
Ela tem se afundado na bebida já faz cinco anos, quando minha tia, a mãe do Michael, morreu, elas eram muito próximas. Apesar disso, em parte, acho que ela ficou feliz com isso, há três anos ele descobriu que meu pai tinha um caso com tia Alice, ela ficou devastada, realmente amava meu pai. Daí entrou de vez no mundo das drogas e da bebida, eu tinha pena dela. Afinal, eu a amava, ela era minha mãe.
– Já vai para casa daquele inútil? – ela perguntou com a voz falha por conta da embriaguez.
– Aham... – virei de costas para ela, fechando a porta saindo de casa, ignorando o que ela havia chamado o Michael.
Andei pelas ruas desertas de Seattle, fazia frio, mas não me incomodava. Já estava acostumada com aquele clima, andei pouco até chegar à casa que já me ara familiar. Uma casa grande amarela onde eu havia passado toda minha infância, a casa que minha avó tinha morado e que agora pertencia a Michael. Minha mãe tinha vendido a parte dela para minha tia após a morte de minha avó.
Entrei na casa rápido, sabia onde Michael tinha escondido as chaves reservas — em baixo do tapete -, já havia reclamado com ele. Dizia que era o pior lugar para se esconder uma chave, que era muito fácil para qualquer assaltante, ele se limitava a falar “não tem nada para se roubar nessa casa, Nanda.”.
Dei uma olhada rápida na casa, vendo onde iria colocar as coisas da festa — que já estavam para chegar -, até que vi a porta entre aberta do quarto do Michael. Imaginei como estaria a bagunça do seu quarto, então resolvi entrar para arrumar, já que não estava fazendo nada. A decoração do seu quarto era a única que não havia permanecido no estilo rústico, tinha as paredes pretas e pôsteres de grandes artistas pendurados nas paredes, seu baixo preto fosco estava em cima da sua grande (e bagunçada) cama de casal. Sentei na cama imaginando quantas mulheres haviam se deitado com ele ali, com o meu Michael.
Arrumei a cama rápido ainda sentindo ela quente. “Deve fazer pouco tempo desde que ele se levantou”, pensei. Ouvi a campanhinha tocar e corri para abrir a porta. Chegando lá, vi um homem alto com cabelos castanhos na altura dos ombros.
– Oi, meu nome é Fernanda mais pode me chamar de Nanda – disse sorrindo – E você deve ser o...?
– Ah, prazer, o meu nome e David. Eu sou amigo do Michael eu vim trazer algumas coisas para festa. – ele disse entrando na casa cheio de sacolas e atrás dele pude ver grades de cerveja e algumas – várias! – garrafas de whiskey.
– Onde posso deixar isso? – ele perguntou, no meio da sala, se virando para mim – Isso pesa sabia, Nanda?
– Na cozinha, fica logo ali! – disse apontando e rindo da cara dele – Pode deixar tudo ai no chão, quando terminar de arrumar a casa organizo tudo, pode deixar comigo!
Então, peguei as bebidas e fui rumo à cozinha deixando elas em cima da mesa.
– Bem, eu vou indo, Nanda, antes que o Michael desconfie. A gente tá na casa do Will, qualquer coisa me liga – ele me disse entregando um papel onde havia seu numero e seguiu até a porta.
Passei a manhã inteira arrumando a casa do Michael, estava uma completa bagunça, afastei os moveis para caber toda a decoração da festa e peguei um taxi para ir pegar as comidas no centro, voltei em menos de 40 minutos e guardei tudo com cuidado na cozinha, algumas coisas no forno para não esfriarem.
Quando dei por conta já eram 17 horas. Então fui tomar banho, estava um caco. Quando saí, decidi ligar para o Michael, eu ainda não tinha dado os “parabéns” para ele. Peguei o telefone e disquei o numero que já sabia decorado, depois de dois toques ele atendeu.
– Nanda! — Ele disse com uma voz animada – Pensei que você havia morrido menina!
– Só porque eu não te liguei essa manhã não significa que eu morri... – disse revirando os olhos mesmo sabendo que ele não podia ver – Enfim, parabéns Michael!
– É Duff. – ele disse com uma voz irritada – O meu nome é Duff, Nanda.
– E o meu é Diana Ross – disse irônica – mas não fico irritada quando me chama de Nanda
– Que engraçada você hein, Diana Ross – ele soltava um risinho irônico.
– O que você esta fazendo? – perguntei mudando de assunto.
– Hmm... Nanda, eu não sei se posso te dizer... — ele disse rindo – To fazendo nada demais, só jogando vídeo game.
– Ok então – disse abusada – só liguei para te dar parabéns mesmo. Tchau!
– Ei, abusadinha. Vamos sair hoje para algum lugar?
– Claro! Me liga quando tiver saindo daí. – disse sorrindo.
– To saindo umas 9h daqui, eu passo em casa e depois passo aí na sua casa para te pegar. – ele disse animado – Preciso falar uma coisa com você!
– Okay então Michael, beijos!
Desliguei o telefone e terminei de arrumar as coisas. Quando terminei já eram 20h, daqui a pouco os convidados estavam chegando, então me deitei no sofá, acabei cochilando ali mesmo.
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