Since I Dont Have You
2 Capítulo 2 - Good Night
Notas iniciais
Acordei com o barulho chato da campanhinha tocando então levantei rápido para atender. Quando abri a porta, vi duas garotas com caras de puta, dei um sorriso torto à elas e fiz um gesto com a mão para que entrassem.
- Vocês devem ser amigas do Michael. – disse desinteressada olhando para cor das minhas unhas.
- Somos sim... — a ruiva respondeu com sorriso irônico no rosto, pude ver a loira atrás dela revirar os olhos.
- Er... Eu vou ao banheiro, mas podem ficar a vontade, os meninos já devem estar chegando – disse olhando para o relógio que havia na sala em cima de uma foto minha com Michael e a minha avó.
Subi correndo as escadas que davam para o andar de cima, pude ouvir a campainha tocar outras vezes, mas estava pouco interessada de ficar com aquelas vadias e seus amigos idiotas da banda do Michael. Já fazia quase 15 minutos que estava naquela porcaria de banheiro sentada no vaso sanitário olhando para o nada, então resolvi descer, afinal é meio estranho ficar 15 minutos em um banheiro. Desci calmamente as escadas, não estava nem um pouco interessada em chegar à sala. Aproximando-me mais olhei novamente o relógio e já marcavam 21hrs. Michael podia chegar a qualquer minuto, então anunciei:
- Gente, vou desligar a luz, a qualquer momento o Michael pode chegar – avisei um pouco sem graça. Pude ouvir as putas gritarem quando apaguei a luz.
Ficamos alguns minutos em silencio, pelo menos eu fiquei, as putas continuaram a fazer barulhos estranhos, acho que deviam estar metendo ali mesmo. Não demorou muito até eu ver as luzes do carro do Michael iluminarem a sala, fiz um “shhh” para todos calarem a merda da boca, então pude ouvir o barulho da chave abrindo a porta. Logo, o Michael acendeu as luzes e todos gritaram “PARABÉNS DUFF”. As putas foram logo falar com ele, saíram correndo para a porta antes mesmo que eu pudesse pensar em ir até lá. Sentei no sofá e esperei todos falarem com Michael, isso demorou uns 10 minutos. Porque esse idiota tinha que falar tanto com essas pessoas?
- Finalmente, posso falar com você? – eu disse irônica fazendo gestos com as mãos imitando as putas.
- Se não gosta dessas pessoas, então porque chamou? – ele disse enquanto me levantava alto e falava no meu ouvido.
- Oras porque é seu aniversario não o meu. – disse indiferente.
- Mas você fez a festa sozinha, podia não ter chamado tanta gente que não gosta. – ele disse rindo comigo ainda no ar.
- Me coloca no chão Michael, só porque sou pequena não quer dizer que sou um ursinho. — disse emburrada.
- O.K. Diana Ross – ele disse me colocando no chão e pegando uma cerveja na mesa ao nosso lado.
— Você não vai parar de me chamar de Diana Ross certo? – disse olhando para cima para que pudesse olhar nos seus olhos. – Só vai chamar meu nome se eu te chamar de Duff certo? – ele apenas confirmou com a cabeça.
- Mas porque DUFF? – fiz uma careta
- Porque Michael não é nome de baixista – ele disse puxando o meu braço em direção a o seu quarto – Vem, preciso falar com você!
Pude ver olhares em nós enquanto passávamos pela sala cheia de gente e íamos em direção ao quarto. Olhei para o chão, envergonhada.
- Ok pode começar a falar qual a merda dessa vez. — eu disse, pude o ver fazendo uma careta – Nossa! Não me diga que você engravidou umas dessas putas.
- Credo! Cala a boca Nanda! Não é nada disso que eu quero falar – disse ele balançando a cabeça tentando se concentrar.
Ficamos alguns minutos em silencio, isso me deixou nervosa, até que ele finalmente começou a falar:
- Bem, Nanda, você sabe como eu amo a música e também sabe que é isso que eu quero para minha vida. – ele disse um pouco nervoso andando de um lado para outro.
- Aham... – assenti com a cabeça, o medo já estava tomando conta de mim.
- E também sua mãe esta cada dia pior, ela não para de beber e usar todo tipo de droga – ele disse agora parado, me fitando, esperando minha reação.
- Ah vá Michael, falou quem nunca bebeu nem se drogou... – falei irônica – Quantas vezes já peguei você se aplicando heroína?
- Eu sei, eu sei, mas é que preciso de algum motivo para fazer você ir comigo – ele disse se sentando na cama colocando as mãos no cobelo — Eu vou para Califórnia daqui a duas semanas e quero que você venha comigo.
- Como assim Michael? E tudo o que a gente tem aqui? Para onde você pretende ir? – disse um pouco exaltada.
- Por favor, não me faça escolher entre você e a musica! – ele disse se levantando e indo até a varanda – Nanda a gente vai ficar na casa de um amigo meu, o Steven, e vai ser tudo muito provisório. Só vou para fazer um teste, mas também não sei se volto, por isso quero que você vá comigo.
- Não sei Michael, tenho que pensar! É muita coisa que vou ter que renunciar pelo seu sonho adolescente. – Disse confusa e com uma serie de duvidas em minha mente, ele apenas assentiu com a cabeça.
- Não precisa me responder agora, eu te dou um tempo para pensar. – ele me disse puxando para um abraço forte – Te dou uma semana para pensar, é tudo o que eu posso dar.
Eu assenti com a cabeça e ficamos abraçados por alguns minutos, pude sentir algumas lagrimas saindo dos meus olhos, não queria que ele me abandonasse, não queria perde-lo para outra, esse pensamento poderia ser ao menos repugnante porque ele era meu primo, mesmo que não fosse de sangue (eu fui adotada com apenas três meses), continuava sendo estranho, mas ele era a pessoa que mais me fazia feliz.
O resto da noite transcorreu “bem”, as putas continuaram a dar em cima do Michael e todos ficaram muito bêbados e drogados. Ele me pediu para dormi lá, pois não me deixaria sair tão tarde pelas ruas desertas de Seattle e eu acabei cedendo. Já eram 4 horas da manhã quando ele conseguiu expulsar todos de lá.
- NANDA ONDE VOCÊ TÁ? – ele disse entrando no banheiro – Ops... No banheiro – ele saiu na mesma hora.
- Ah, Michael! Me trás uma toalha e me da uma blusa sua, por favor. Coloca tudo na porta do banheiro. – disse sorrindo com a cena de agora a pouco, podia imaginar o rosto vermelho dele.
Quando sai do banho pude vê-lo apenas de calça de couro todo esparramado em sua cama de casal. Bati em sua barriga nua e falei:
- Vai tomar banho imundo! – disse subindo na cama – Michael aonde eu vou dormir? Você por acaso já arrumou um quarto para mim?
- Duff! O meu nome é Duff cacete! – ele disse se levantando – E você tem duas opções dormi aqui nessa cama fofinha e com meu cheiro delicioso ou no sofá molhado de cerveja.
- Só tenho essas opções? Nossa acho que vou indo então, dormir no sofá, seu cheiro é horrível – dei um sorriso me levantando da cama.
- Você não ta falando serio tá? – ele me puxou pelo braço.
- Não seu idiota – pulei de novo na cama – Mas se não tomar banho quem vai dormi no sofá é você.
Ele foi para o banho reclamando “A casa é minha e quando essa menina chega aqui pensa que é a dona”. Gritei da cama para que ele pudesse ouvir:
- QUEM ME CHAMOU PARA DORMI AQUI FOI VOCÊ! – disse me levantando e indo para perto da cadeira que havia ali, peguei seu baixo que estava em cima dela.
Levei o instrumento até a cama e fiquei mexendo nele por alguns minutos, o Michael já tinha tentando me ensinar o básico mais minha coordenação motora era péssima, uma pena, sempre achei tão legal. Pude ver pelo canto do olho Michael com uma camisa preta e uma calça de moletom cinza, ele estava com uma toalha branca na mão enxugando seus cabelos loiros que caiam pelos ombros.
- Tentando o impossível, Nanda – ele disse me fitando — Tocar isso ai é muito complexo para o seu pequeno cérebro.
- HAHAHA era para rir Michael? – disse me levantando e colocando o Baixo na cadeira – Qualquer um pode aprender isso O.K.? Só é se dedicar.
- Nanda meche no meu cabelo? – ele pediu sentando na cama – suas mãos são macias me dá sono.
- Okay Michael – disse subindo na cama.
- WOOOOW
- O que foi? –disse confusa.
- Menina você tem que para com isso. Na minha casa, só de blusa e ainda por cima vira a bunda pra mim.
- Er... Desculpa – senti minhas maças do rosto já vermelhas, então sentei ao seu lado e apontei com a cabeça pra que ele se deitasse no meu colo.
- Você cresceu Nanda – ele disse com um sorriso bobo – Sei lá seu corpo mudou, você ficou gostosa.
- Óbvio idiota! Isso acontece muito com as pessoas sabe? Elas crescem – disse fazendo uma carreta – Você queria que eu continuasse com o corpo de uma criança de cinco anos de idade?
- Mas com você é diferente, eu tomava banho contigo, já vi tudo que tem ai em baixo. – ele disse apontando para os meus seios – e agora a pouco, quando eu vi, tá tudo diferente.
- Às vezes me pergunto por que você não é mudo. – disse mexendo nos seus cabelos.
O tempo passou e nós ficamos ali por um bom tempo, só nos olhando enquanto eu mexia nos seus cabelos, de vez em quando ele soltava um sorriso bobo que me dava vontade de encostar minha boca naqueles lábios perfeitamente desenhados.
- Michael você tá com sono e eu também estou – disse dando leves tapinhas no seu rosto – Vai, se levanta e vamos dormir.
Ele se levantou do meu colo e deitou com a cabeça no travesseiro, eu fiz o mesmo, me deitando ao seu lado. Ele me puxou mais para perto para que eu não ficasse descoberta, mesmo com o aquecedor ligado o clima no quarto ainda era frio. Então ficamos deitados de conchinha apenas ouvindo a respiração um do outro, podia sentir a respiração quente dele bater em meu pescoço.
- Boa noite Nanda – ele disse bocejando. Puxou-me para mais perto dele, como se eu fosse um ursinho.
- Boa noite — disse com um sorriso no rosto e então fechei os olhos.
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