Sinais Apaixonados

12 O medroso e A anciosa


Anna's POV

Hans, como podem perceber ele tentou matar meu gato o envenenando, para contar esta parte precisamos voltar alguns meses no passado, a exatamente 4 meses. Tudo começou quando ele voltou de onde estava estudando e iria começar faculdade na cidade, nós sabíamos que os donos do quarteirão (morávamos de aluguel) tinham um irmão mais novo, quando ele chegou ele foi em cada uma das casas para se apresentar educadamente, até que ele chegou em nossa casa, e eu tive a infelicidade de atende-lo, era um cara ruivo magro de olhos verdes meio acinzentados, e pelo amor de Deus, quem usava costeletas ainda? Não é mais seculo 19! infelizmente não sei muito do que ele falou pois estava tentando dizer que não escutava, estava com Olaf dormindo em meus braços, ele entrou em casa, não sabia o que dizer ou fazer até que Elsa entrou em casa.

"Anna o que foi?"

Não larguei Olaf e a respondi

"Este rapaz entrou em casa, ele é seu amigo?

Elsa olhou para ele desconfiada, ela não foi com a cara dele, sabia bem quando minha irmã não gostava de alguém, ela abaixava as sobrancelhas e a boca ia para a lateral.

"Não, não é, quem é você?"

Elsa perguntou, o tom de voz dela devia estar amedrontador já que o cara encolheu os ombros, enquanto ele falava Elsa passava pra mim o que ele falava

"Mil desculpas pela suposta invasão, meu nome é Hans Southlands, meus irmãos são donos deste quarteirão devem saber, como cheguei agora do colégio interno e farei faculdade aqui na cidade pensei em conhecer os inquilinos, meus irmãos haviam avisado que uma das casas tinha uma menina deficiente auditiva, não pensei que fosse a Anna (ele escutou Elsa me chamar pelo nome) pois não a vi de aparelho auditivo..."

"Anna tem surdez total, aparelho auditivo não adianta no caso dela, ela só usa fora de casa para que os ouvintes vejam que ela não escuta"

Elsa ainda não tinha melhorado sua cara, mas o deixou entrar, afinal, antes de não gostar de alguém precisava no minimo ser educada, Elsa foi fazer um chá para nos, estava começando a esfriar, estava na sala e entreguei um caderninho para ele caso ele queira conversar comigo, estava estudando na sala, gostava de ver TV apesar de não poder escutar, até que senti ele me cutucar e me entregar o caderninho.

"Você até que é bonita para uma surda"

Eu poderia muito bem encarar isso como um elogio, mas não, pessoas erroneamente pensam que isto é um elogio, mas sinceramente não é, é ofensivo e preconceituoso, não pude esconder minha cara de brava, logo peguei o caderninho e retruquei.

"como assim? Pra ser surda tem que ser feia também? Acha que Varíola na gestação escolhe só filhos feios?"

O rosto gentil dele se transformou em um rosto feio e bravo, tomou o caderno de minhas mãos, devo ter soltado um gemido pois ele tapou minha boca, logo tirou e começou a escrever no caderno, pude ver Elsa no começo do corredor.

"aconteceu algo?"

então disse

"Espera"

Ele estava concentrado demais escrevendo, quando li eu fiquei espantada

"Como ousa falar assim comigo? Sabe o que pode acontecer com sua família caso fale grosso comigo? Nenhuma mulher vai contra o que eu falo, muito menos uma surda"

Ele me puxou pela gola da camiseta, estava perto mas pude fazer leitura labial

"Se contar pra alguém eu expulso sua família e te mando pra um manicômio pra deficientes que nem você seu peso..."

Ele não conseguiu terminar de falar, Olaf acordou e avançou no rosto dele, Elsa me ajudou e leu o caderninho, assim que nos duas levantamos, tirei Olaf de cima dele, nunca o tinha visto tão feroz, ele não costuma ser agressivo, Hans se levantou com dificuldade e colocou a mão no rosto que estava todo ensanguentado e cheio de cortes e mordidas.

"Meu rosto!O que este gato maldito fez com o meu rosto?!"

"Ele fez o que você merecia seu almofadinha medíocre!"

"Vocês não sabem com quem estão lidando! Você, Anna e este gato maldito vão se arrepender, vão se arrepender! Pagarão com sangue da mesma maneira que tiraram sangue de mim! Preparem as malas, vocês não vão durar mais um dia aqui!"

Elsa tratou de levantar ele pela gola da camisa, ela era bem pacifica, até ela ficar brava de verdade, ela é bem forte e amedrontadora.

"Experimenta tocar na minha irmã ou no Olaf, quem vai se arrepender amargamente será você, agora, sai agora da minha casa antes que eu te tire daqui a pontapés!"

Assim ele desceu as escadas meio cambaleando e foi andando até a esquina e então não o vimos mais até aquele dia de manhã em que Elsa o viu jogar algo para dentro de nossa casa.

Kristoff's POV

Não pensei duas vezes antes de ir para o quintal ver o que ele tinha jogado para dentro da casa, estava escuro então foi difícil, facilitou quando Elsa ligou a luz, pude ver no canto no quintal perto da cerca, comida de gato, era aqueles em sachê mas estava aberto, e dentro misturado junto com aromatizante para disfarçar o cheiro havia o que eu imaginava que era , pareciam capsulas meio rosadas bem pequeno misturado, veneno de rato ou como chamam, chumbinho, voltei para dentro da casa com a comida que foi jogada.

"Olaf comeu isso, é misturada na comida para assim o animal não perceber que esta comendo veneno", fui dar mais uma olhada no gato, ele parecia melhor, Anna não hesitou em pega-lo nos braços e dar um pequeno abraço, pelo visto ele gostava de abraços pois ronronava alto.

"Björgman, muito obrigada, Olaf é o único amigo dela."

"não, não é, Anna tem a mim também"

"Mas só amigo ou algo mais?"

Devo ter ficado vermelho na hora pois Elsa riu, ser branquelo tem essa desvantagem, você fica corado por qualquer motivo, comida apimentada, frio intenso e principalmente perguntas desconcertantes, Elsa esperava a minha resposta, mas alguém tocou a campainha, fui junto para atender já que Anna foi logo atrás com Olaf no colo, tinha que ver como ele estava, até que quem estava do outro lado da porta era um rapaz magro e ruivo e com umas costeletas bem alinhadas, pelo amor de Deus, quem ainda usa costeletas? Não é mais seculo 19.

"Você? O que faz aqui?"

Ele tinha uma cara de sínico que eu nunca vi em ninguém, até aquela tal da Aurora parecia não ser tanto quanto esse cara. Eu estava sentado em uma poltrona perto da Anna com o Olaf no colo, ele agora dormia tranquilamente, mas como a porta era transparente e ele entrou um pouco para além dos batentes consegui vê-lo.

"É que ouvi alguém gritando, queria verificar, e como está o Olaf?"

Era ele, ele tentou matar o Olaf, era a primeira vez que eu via Elsa pessoalmente mas nunca vi alguém olhar com tanta raiva para alguém, parecia que raios de gelo sairiam de seus olhos e o congelariam, até que Elsa ficou estranhamente calma, chamou a Anna, assim ela levantou com o gato nos braços e foi até a porta.

"Muito bem obrigada"

O rosto dele estava completamente desconcertado, parecia que não esperava ver o gato vivo.

"Nossa, isso é ótimo...mas."

"Como ouviu alguém gritando se você mora na esquina Hans? Me diz como?"

Elsa com um movimento rápido o puxou pelo colarinho, fechou a porta com o pé e o encostou contra o vidro batendo com a cabeça dele com tudo no vidro, fazendo um barulho bem alto, parecia que iria quebrar.

"Eu estava passando aqui na frente...Poderia me deixar ir?"

Elsa afrouxou um pouco e bateu novamente sua cabeça na porta de vidro.

"Não, eu não poderia, porque pergunta do Olaf? Por acaso tem a ver com o sachê de comida pra gato com chumbinho que você jogou pra dentro na nossa casa? Kristoff, pega meu celular, liga pros irmãos dele"

Assim o fiz, peguei o celular dela e comecei a discar, contamos tudo o que o mais novo tinha aprontado inclusive que estava as ameaçando de as despejar elas e a família delas, descobrimos mais tarde naquele dia a partir do mais velho que ele além de ter tentado envenenar o Olaf, ele estava observando Anna e Elsa todos os dias, inclusive com fotografias, e o pior, ele me observava também, de alguma maneira ele tinha medo de eu ser mais do que um amigo para a Anna, mais tarde naquele dia eu fiquei mais um pouco para observar o Olaf, fiquei cerca de duas horas a mais, Elsa tinha ido dormir e fiquei junto com Anna conversando um pouco e vendo as alterações do Olaf, como já sabia falar linguagem de sinais melhor do que antes, posso agora conversar com ela sem o caderninho.

"Ele já esta melhor, pelo visto conseguimos tratar dele não muito tempo depois dele ter comido o veneno, então não é para acontecer mais nada, então vou voltar amanhã para observar mais uma vez, se não acontecer nada então ele já esta curado"

Anna sorriu, não sei se estava feliz pelo Olaf estar bem ou porque ela entendeu o que eu disse, provavelmente o Olaf, no momento nada seria mais importante, enquanto eu guardava as coisas na maleta e minha mochila ela foi no quarto dela (estávamos na sala), então esperei ela descer, ela então me deu um puxãozinho tímido pela manga do casaco.

"É pra você, por ter salvado o Olaf, obrigada"

Ela me estendeu um envelope, sabia o que era mas resolvi abrir para conferir, era o que eu pensava, era dinheiro, devia ter uns 500, isso não era certo, de jeito nenhum, jamais seria capaz de cobrar para salvar uma vida, então eu devolvi.

"Desculpe, não posso aceitar"

Anna ficou brava, quando ela fica brava ela infla as bochechas e me olha com os olhos cobertos pela franja, era uma graça, mas sempre me diziam para não deixar uma mulher brava pois era perigoso.

"É a unica coisa que posso oferecer como agradecimento!"

Eu não acredito que iria dizer aquilo, mas tinha outra coisa que podíamos fazer, não parecia certo eu sei, mas eu num teria coragem de chamar sem um pretexto, calma, não é nada disso que pensam, isso seria muita imoralidade e aproveitador da minha parte, não! De jeito nenhum.

"Anna, você pode fazer outra coisa, se não for problema para você, queria te convidar para um dia sair, sair comigo e com meus amigos"

Puta merda, eu sou um cagão, uma galinha medrosa! Não acredito que eu disse aquilo! Era para eu chama-la para sair só nos dois, um encontro, um jantar ou algo assim, mas eu sou um medroso ao ver aqueles olhos intensos e verdes eu tremi nas bases e disse isso.

"É claro, eu adoraria!"

Não foi tão ruim quanto eu imaginava, bom, vamos ter que esperar para ver.

Anna's POV

Não devia criar tanta expectativa, sinceramente? Queria que ele tivesse me convidado para sair só nos dois, um encontro, um jantar ou algo assim, poderia ser interessante, mas eu crio expectativas demais, vamos ter que esperar para ver.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.