Sinais.

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Essa One é baseada na musica Sinais, Sorriso Maroto. Bom, alguns devem estar estranhando, A Nay escutando pagode?, mas um dia eu tava escutando rádio e essa letra me chamou atenção... E no momento que eu escutei fez sentido, me identifiquei um pouco com a história. Espero que gostem...
Boa leitura...

Eu estava acostumada a ser o centro das atenções, por eu onde passava arrancava alguns olhares. Tenho 1,70 de altura, faço o tipo “magra gostosa”. Todos falam que minha boca chama atenção por ser grande, sou meio Jolie. Meus olhos cor de mel também fazem sucesso! Tenho um olhar marcante... Mas isso é o que me falam. E ela...

Eu descobri nela a minha felicidade. Ela era o meu mais lindo sonho, que por vezes eu quis que fosse realidade. Desde o primeiro momento que pus os olhos nela...

Era meu primeiro dia de aula. Lá estava eu, nas escadarias da faculdade. Eu estava descendo e ela subindo, acho que ambas estávamos perdidas, estávamos procurando por nossas salas.

Quando de repente nossos olhares se cruzaram... Senti um arrepio percorrer minha espinha, fui tomada por uma sensação gostosa, não deu pra evitar o sorriso. E para a minha surpresa ela também sorriu pra mim. Ficamos paradas por alguns milésimos de segundos, mas pra mim parecera uma eternidade... A eternidade de um lindo sorriso. A partir daquele momento eu quis aquele sorriso pra mim.

O fluxo de pessoas de pessoas que estavam a subir e descer aumentou de forma assustadora, e eu a perdi no meio daquela multidão. E meu sorriso se desfez... Descobri também que ela seria a dona do meu sorriso.

Encontrei a minha sala, e logo escolhi minha carteira. Eu estava no curso de fisioterapia. Fui muito bem recepcionada por meus colegas de turma. Logo me destaquei, sempre fui uma ótima aluna. Mas por vezes me perdia daquela sala e me transportava para aquele sorriso.

- Hey! Ta com a cabeça onde fia?

O nome da garota que acabara de me trazer de volta aquela aula era Joana, ela tinha o cabelo azul, boca pequena, sobrancelha fina bem modelada. Olhos pequenos e vivos de cor avelã. Seu rosto estava a poucos centímetros do meu. Me assustei e por impulso joguei meu corpo pra trás.

- Calma eu não vou te beijar, se foi por isso que tu deu esse pulo!

- Não... Érr, não pensei nisso. Só me distrai... E você me assustou!

- Nossa! To tão feia assim? E eu pensando que tava arrasando! – Fez uma cara confusa. – Obrigada por me deprimir no meu primeiro dia!

- Desculpe! Não foi isso que quis dizer! Você é linda!

- Então você me beijaria?

- Que?! – Ela riu.

- To te zoando! Calma gata!

Ela era uma louca, e eu ia ver muito aquele rosto na minha frente pelos próximos anos... Mas eu gostei dela, me fez rir.

Ao terminar a aula eu a procurei, a dona daquele sorriso que me enfeitiçou, mas foi em vão, eram muitos alunos, era quase impossível me encontrar naquela bagunça... Imagina ela?

Uma semana se passou e nada dela... Até que um dia eu a vejo. Ela tava linda, seu cabelo castanho que balançava com o vento, parecia comercial de shampoo. O balançar de seus quadris ao caminhar, era tão sexy, eu achava... Por alguns segundos mergulhei naqueles lindos olhos castanhos... Parecia séria. Mesmo assim estava linda. Eu estava em cima das escadas, e ao vê-la se perder de novo no meio da multidão me desesperei, e comecei a descer as escadas correndo. Corri como nunca havia corrido antes, mas tinha muita gente no caminho, então em um ato desesperado pulei pela lateral das escadas, escutei Joana de longe perguntar se eu fazia “Le parkour.” Nem dei atenção.

Consegui alcançá-la. Ela tinha um cheiro bom que exalava essência de rosas. Fechei meus olhos para usar de um só sentido que ficou bastante aguçado. Consegui distinguir o cheiro de seu perfume, acho que era Victória’s Secret, Amber Romance, e o cheiro do perfume de seu Shampoo que parecia ter essência de frutas.

- Oi? – Ela falou ao me notar.

Senti o cheiro de seu hálito, era tipo hortelã. – Oi! – Eu tava um pouco nervosa.

- Tudo bem? – Ela tava tentando entender o que eu fazia parada ali. E eu também.

- Tudo... – Eu sorri, mas saiu meio bobo. Tentei disfarçar.

- Que linda... – Ela sorriu daquele jeito. Como no primeiro dia que eu a vi. Paralisei.

- É... É mesmo linda... – Me referia a ela.

- Quer lanchar comigo? – Aceitei claro.

Sentamos-nos numa mesa onde só havia duas cadeiras. Uma de frente a outra.

- Qual seu nome? – Me perguntou.

- Anne Karoline. – Respondi de imediato.

- Hum... Bonito nome, mas vou te chamar de Karol! – Disse meiga. Me derreti.

- E o seu? – Perguntei quase desesperada. Ela riu.

- Karen. – Ela corou. Acho que porque eu não tirava os olhos de sua boca. Era uma boca linda, bem desenhada. Acho que por isso me encantei com seu sorriso.

A partir daí começamos a conversar. Riamos bastante. Descobri que ela fazia medicina veterinária. Ela adorava meu jeito bem extrovertido, e eu adorava o jeito que ela sorria, que se expressava, tão segura... Tão inabalável... E ao mesmo tempo tão tímida. Era ela! Eu sabia que era ela!

Eu me sentia tão bem ao lado dela, ela me passava uma paz. Eu acho que ela também se sentia bem comigo, pois lanchávamos juntas todo dia. Eu já estava caidinha por ela, e decidi que eu a queria pra mim. Comecei a chamar de amor, a dar indiretas, mas parecia que não funcionava. Eu não entendia... Eu tava acostumada a ser conquistada e não conquistar. Pensei que ia ser fácil, que era só jogar um pouco de charme e algumas indiretas, que iria dar certo. Até que eu decidi ir pro “tudo ou nada”.

Eu liguei pra ela a noite, e toquei no assunto. Falei que ela mexia comigo. Ela pareceu surpresa. Mas confessou que também sentia o mesmo. Então tava dando certo minhas investidas, ela que não se abria. Por medo de minha reação ela me disse, achou que eram brincadeiras e quis acreditar que fossem, tinha medo de se enganar de novo.

Logo estávamos namorando. O engraçado que foi ela quem me pediu em namoro. Na frente da louca da Joana que vibrou... Se ela tivesse uma arma de fogo atirava pra cima, quem nem traficante em noite de réveillon.

- Ah suas vadias! Vão logo se comer! Tão perdendo tempo aqui!

- Joana! – Ela corou. Tão linda vermelhinha. Eu adorei a ideia de Joana, mas fiz a constrangida pra não pegar mal.

- Joana vai procurar uma trouxa de roupa pra lavar e esquece a gente.

- Ah! Vão fazer cu doce lá na PQP! – Fechou a cara. Eu ri da Joana, não tinha como não rir.

- Amor?

- Oi amor?

- Queria que você dormisse na minha casa hoje... – Pedi bem manhosa, ela não resistia.

- Ain amor, eu tenho que estudar e você também, semana de provas esqueceu?

- Então... A gente estuda juntas! Hein?

- Estudar juntas? Fala como se fizéssemos o mesmo curso!

- Eu sei que não fazemos o mesmo curso, mas é que to afim de estudar anatomia humana.

- Noss... Meu Dééélls, apelou! Então quer dizer que a senhorita se empolgou com a ideia da sua amiga maluca?

- Eu? – Desconversei.

- É você!

- Eu só quero sentir o cheirinho de maçã do teu cabelo... Mais de pertinho, tipo deitadinha na cama, bem juntinhas... Prometo ficar só sentindo teu cheirinho! – Cruzei os dedos na frente dela, ela riu.

- Noss! Só você mesmo viu. Ta bom, eu vou, mas só se você prometer não se comportar! – Me olhou com um olhar bem malicioso. Me arrepiei, ela me surpreendia a cada dia.

Quando ela chegou na minha casa, a apresentei como amiga, meus pais ainda não sabiam de minha condição, nem eu sabia direito, mas sabia que eu a queria mais que tudo!

- Mãe, Pai, essa é a Karen, minha amiga lá da Facul.

- Olá! – Minha mãe foi bem receptiva. – Ta com fome?

- Não senhora, obrigada. – Adorava esse jeitinho educadinho dela.

- Você é da turma da Karol? – Perguntou meu pai.

- Não pai, ela faz medicina veterinária.

- Hum... Gosta de bicho é?

- Muito! – Ela foi tão exata na resposta. Minha namorada me mata de orgulho.

- Já eu não gosto, prefiro que fiquem no zoológico. – Meu pai tinha que soltar uma. AffZÃO! Fechei a cara pra ele.

- Acho que os bichos independente dos de zoológico ou não merecem ser respeitados, e bem cuidados. Essa terra é tão nossa quanto deles.

- É, mas o cachorro do vizinho não paga a conta de luz, de água ou telefone, muito menos põe comida em casa. Só da trabalho, e sem falar que o veterinário é caríssimo! É... Você vai ganhar muito dinheiro. – Posso matar meu pai?

- Faço esse curso pela remuneração também, mas meu foco é cuidar dos bichos mesmo. E quem ama o seu cãozinho, como o seu vizinho que gasta horrores com as despesas do lar mais a conta do veterinário, sabe realmente o que é amar sem pedir nada em troca, só um abanar de rabinho, uma lambida bem babada vale a pena... E isso vale muito à pena!

- O que? Ficar imundo com cheiro de baba de cachorro?

- Não, dar carinho e receber... Só em um afago que você faz ao seu cão, seu coração acalma... É uma ótima pedida para um dia estressante de trabalho. Acho que o senhor ta precisando de um cãozinho bem babão! – Ela sorriu doce. Eu fiquei tensa, meu pai podia estragar tudo, tava com medo dela ir embora. Mas ela sorriu. Como pode?

- Gostei de você garota, tem coragem... Vou tornar a fazer a pergunta que minha mulher lhe fez, ta com fome? Faço questão que jante conosco. – Meu pai ficou sem resposta? Eu já disse que eu AMO essa mulher?

- Tudo bem, aceito o convite.

- Mãe, Pai, a Kah vai dormir aqui.

- Ótimo! – Falou meu pai.

- Fique a vontade minha filha. – Falou minha mãe que também ficou tensa com o ensaio de discussão entre eles.

O resto da noite foi bom. Rimos na mesa de jantar, ficamos conversando. Minha mãe contava histórias de quando eu era pequena, meu pai contava as coisas constrangedoras. E assim seguiu noite até a hora de dormir. A melhor hora... hehe.

Ela vestiu uma camisola minha... Ficou tão sexy! Ela deitou e eu deitei em seguida. Eu estava atrás dela, de conchinha, sentindo o cheirinho do cabelo dela. Tão gostoso... Ai, ai...

Quando eu passava meu nariz pela sua nuca ela se arrepiava. Quando percebi seus pelinhos eriçando voltei a fazer. Reparei em sua respiração que ficava cada vez mais ofegante, e por conseqüência a minha também se igualava a dela.

Passei a beijar sua nuca... Passeava com meus lábios e depois estalava um beijo, dois... Dez... Ela virou de frente e me olhou fundo em meus olhos. Os olhos dela brilhavam e ao mesmo tempo pediam por mim. Dei a ela o que seus olhos me pediram.

Subi em cima dela, e esfreguei nossos sexos... A beijei com vontade, suguei seu lábio inferior e mordi. Ela gemeu, e isso me deixou louca de tesão. Desci pro seu queixo, ela ficou se contorcendo toda, acho que descobri seu ponto fraco, ou um deles. Subi pra orelha, mordi, sussurrei besteirinhas, ela se arrepiava toda. Desci pelo pescoço com a língua, e minha mão passeava por sua coxa, subindo... Até encontrar sua calcinha que tratei de tirar. Massageei seu clitóris com meus dedos, ela ficou louca. Com a boca desci até seus seios, os beijei, passei a ponta da língua no biquinho, chupei... Mordi. Minha mão ainda a estimulava... Cada parte de seu corpo pedia por mim, e cada parte do meu pedia o gosto dela. Eu já estava sentindo sua umidade em meus dedos, queria sentir em minha boca...

A penetrei com dois dedos, e fui descendo com minha boca, que mordia, lambia todo o trajeto. Levantei a camisola e beijei debaixo de seu umbigo, ela estava louca. Parei um pouco para ver seu rosto, seu balanço descontrolado de quadril. Fui descendo mais um pouco. Beijei seu sexo, abri suas pernas e me coloquei entre elas. Sorri safada olhando em seus olhos, abaixei e comecei a lamber todo o seu sexo. Ela ficou totalmente descontrolada, parecia uma louca, arranhava minhas costas, gemia tão gostoso... Eu tava ficando louca, dentro dela, escutando seus gemidos, sentindo seu corpo perder o controle dos movimentos. Chupei, lambi, mordi... Meu dedo ainda a penetrava, até que tirei e coloquei minha língua. Ela adorou, puxou meu cabelo, pressionou meu rosto contra seu sexo... Acelerei meus movimentos, e senti seu corpo relaxar em meio a espasmos. Lambi sua essência, ela me puxou para me beijar. Ela queria sentir seu próprio gosto.

Logo subiu em cima de mim. Agora ela tava no comando, retirou meu top, e meu shortinho. Tirou minha calcinha, me deixou nua. Me fez sentar e ficou atrás de mim. Me estimulou com os dedos enquanto lambia minha nuca, sussurrava coisinhas em meu ouvido, ela adorou ver que eu já tava bem molhada, e se apressou em me fazer gozar, acelerou os movimentos com os dedos, e com a mão livre massageava meus seios... Ela queria que eu escutasse sua respiração ofegante bem de pertinho, ela também gemia ao escutar meus gemidinhos e isso me deixava mais louca.

Me preocupei, eu não queria gozar logo, não antes dela me chupar. Mas ela era tão boa com os dedos, eu tava bem perto. Gritei desesperada – Me Chupa! – Ela sorriu safada. Não deu pra segurar, gozei em sua mão, fiquei chateada.

- Agora sim... – Falou em meu ouvido. Eu não entendi.

Ela saiu de trás de mim e me empurrou contra a cama, eu deitei. Abriu minhas pernas bem selvagem, e começou a lamber meu sexo. Eu já tinha gozado, achei que ia ser desconfortável, mas ao me empurrar e abrir minhas pernas passou-se alguns segundos e eu já não tava tão sensível, quando senti sua língua quente em meu intimo, lambendo todo meu gozo, e estimulando meu clitóris, comecei a senti meu corpo arrepiar, senti ficar ainda mais molhada, estava louca, comecei a gritar seu nome, pedia que não parasse, e ela não parou... Parava só pra me enfiar seus dedinhos e olhar pra minha cara... Ela fazia tipo um “Shiuu!”, pra que eu gemesse mais baixo, perguntou se eu queria acordar meus pais, falei que não, então mordi a coxa de cama que já estava toda bagunçada.

Ela continuou a me chupar, quando sentia que eu tava perto de gozar, diminuía os movimentos, pra que eu curtisse um pouco mais o seu toque, que me causava orgasmos múltiplos, por vezes tremi... Parecia que ela quem decidia a hora que eu ia gozar, e era mesmo isso. Ela que decidiu ha hora em que eu ia gozar, acho que ficou com pena de tanto que eu pedi. Ela o fez. Me fez gozar tão gostoso... Fiquei exausta depois. Ela me beijou pra que eu sentisse o meu gosto, e me abraçou.

- Não sabia que eu namorava uma leoa! – Falei com dificuldade.

- Uma leoa não, mas uma leonina... Faz parte do meu show amor! – Ela sorriu pra mim, deu aquele sorriso que me derretia...

Os meses foram se passando, e na faculdade foi apertando o tempo, mal nos víamos, nem pro lanche às vezes, nos falávamos mais por telefone. Ela era muito focada no curso, que exigia muito dela, não que o meu não exigisse, mas ela era mais pilhada. Eu queria me divertir também, mas nunca dava certo pra ela, às vezes ela até desfazia um compromisso só pra não me chatear. E eu ficava chateada por tudo. E transparecia em minhas atitudes, a fim de fazê-la sentir que eu de fato estava incomodada.

Então comecei a sair sem ela, eu a chamava, mesmo sabendo que não dava pra ela, e saia mesmo assim, mesmo se ela não fosse, passei a sair mais e insistir menos que ela fosse. Não que eu estivesse gostando menos dela, não era isso, mas era pra mostrar que se não fosse na hora que eu queria, não iria querer mais. Acho que me acostumei. Teve um dia que sai e não chamei, achei que ela não ia aceitar mesmo, nem liguei pra avisar que eu ia sair. Ela ficou sabendo, claro. Mas não esperneou, não brigou comigo, apenas não falou, nem tocou no assunto...

Ela deixou pra lá, confiava em mim. E eu nela, mas eu tinha um ciúme do cão. Quando ela inventava de dormir na casa de uma amiga da facul porque tinha um grupo de estudos, eu ficava puta de raiva. Sempre era uma briga, ai pra não continuar a briga, ela decidia não dormir na casa da garota que eu particularmente detesto! Ninguém me tira da cabeça que aquela sonsa é afim da minha Kah...

- Amor, precisamos conversar. – Ela me disse.

- Sobre?

- Sobre a gente.

- O que foi? – Me armei.

- Ta difícil...

- O que ta difícil?

- A gente mal se vê, e quando eu tenho um tempo sobrando tu quer sair pra balada... – Usou um tom magoado.

- Ué? Mas saímos juntas!

- Eu sei, mas a gente mal tem tempo pra gente!

- A culpa não é minha que você fica se matando de estudar! – Falei ríspida.

- Nem minha! É o curso que exige... Você ta cansada de ver todas as meninas que tão na minha turma fazendo o mesmo...

- Ah Kah, já vai começar a falar daquela mina lá? A tal de Paulinha?

- O que tem a Paulinha?

- Vocês tão um nojo de tão grudadas!

- O que? A gente só faz parte do mesmo grupo de estudos!

- Que se reúnem na casa dela!

- O que você ta insinuando com isso Anne Karoline?

- Não to insinuando nada Karen! Você que me diga o que ta rolando!

- Juro que eu não acredito que você ta insinuando que eu e a Paulinha temos algo!

- Ela te quer!

- Não quer nada!

- Claro que quer! O jeito que ela te olha... O jeito que ela te da atenção... Se você sente uma dor na unha ela vem de paparico!

- Mesmo se isso que você esteja falando for verdade, eu não quero ela!

- Não?

- Não! Eu quero VOCÊ!

- Quem me garante?

- Como assim quem te garante? Eu te garanto!

- Então prova!

- Como?

- Vem morar comigo!

- O que?

- É isso mesmo! – Baixei meu tom de voz. – Vem morar comigo amor...

- Eu tenho casa.

- Eu sei! Eu também tenho, mas eu to falando de morarmos juntas, em um apê só nosso. Então?

- Ta me pedindo em casamento?

- To? – Só depois da pergunta dela percebi o que eu tava fazendo.

- Ta?

- To! Casa comigo? – Ela sorriu boba. Abraçou-me.

- Caso! Caso! Caso! – Me encheu de beijos.

Logo fui atrás de um Apê pra alugar, eu já tinha umas coisas, ela tinha outras, em uma semana estávamos morando juntas. No começo era tudo lindo, no amávamos, não discutíamos. Mas eu comecei a sair de novo. E ela ficava em casa porque não podia sair.

- Vai sair hoje?

- Ah amor, hoje é aniversário da Bruna...

- Mas eu não vou poder ir...

- Eu sei, mas ela vai ficar chateada se eu não for...

- Ta bom, ta certo... Vai lá... Divirta-se...

- Mesmo?

- Uhum... – Eu a beijei e sai.

Todo final de semana era algo diferente, uma festa diferente. Uma vez nossas agendas bateram, ela tava livre também e podia sair comigo, mas ela não quis, falou que não tava se sentindo bem. Era aniversário do namorado da Joana. E eu tinha prometido, achei que ela tava de birra pra eu não ir, e eu fui.

Quando cheguei ela tava acordada, arrumada, e a Paulinha tava com ela, eu fiquei puta. Achei que elas tinham saído juntas. Falei pra amiga dela sair da minha casa. Gritei até. A garota até tentou se explicar, e a Kah começou a chorar e a esconder algo de trás dela. Eu vendo aquilo achei que fosse algo que a Paulinha tivesse dado a ela, e fui tomar. Quando vi era uns exames que ela tinha feito. Percebi que ela tava muito quente, tava com febre.

- O que você tem? – Eu sentei no sofá.

- Nada... – Pareceu dispersa. – Vou deitar.

- Você saiu pra onde com a Paulinha?

- Pra onde você acha que saímos?

- Eu não sei! – Eu já sabia.

- Eu também não... Vou dormir!

Ela foi deitar, eu li detalhadamente aquele exame que indicava anemia e tava séria pelo que eu entendi. Eu deitei ao lado dela, e ela nem se mexeu. Pedi desculpa baixinho em seu ouvido, e ela nada disse. Eu a abracei, e ela se desfez do meu abraço. Então resolvi dormir e na manhã seguinte eu falaria com ela.

No dia seguinte ela não tava mais no nosso quarto. Ela tava no sofá adormecida, acho que dormiu lá.

- Amor? – Mexi nela.

- Oi?

- Dormiu no sofá?

- Uhum...

Ela levantou. Senti-me tão culpada. Ela tava tão distante... Tava tão silenciosa, se eu não estivesse a vendo, eu diria que ela não estaria em casa. O que eu fiz? Aonde chegamos? Nossa! Ela ta doente, e eu fui pra balada? Eu sou a pior namorada do mundo! Que merda!

- Amor? Tudo bem?

- Uhum... – Era o único som que emitia.

- Ta sentindo alguma coisa? – Ela não respondeu. Toquei nela e senti sua pele queimar. – Você ta com febre!

- Já tomei remédio.

- vai sair hoje?

- Não...

- Nem eu.

- Não se importe comigo, você nunca se importa mesmo...

- Não diga isso!

- Não? Ta.

- Amor... – Ela se fechou, era tipo um “curte meu silencio”.

Eu fiquei desesperada, tava com medo de perdê-la. Cara quantos sinais ela deu? Porque eu não fiz por onde? Fui tão desatenta, ela ta tão mudada... Esse silêncio ta me matando. Agora vive olhando pro nada...

- Amor, me desculpa?

- Pelo que?

- Por tudo! Eu te amo!

- Ama?

- Duvida?

- Sinceramente?

Ficou em silencio em seguida, o que confirmou sua resposta, que sim ela duvida de meu amor, mas não a culpo, eu que não provei todos os dias que a amava, só olhei pra mim... Faz tempo que não me Lembro de ver seu sorriso, sempre quietinha, pisando leve, chorando calada durante a noite, e eu ignorei... Eu achei que o meu amor por ela era o bastante, e por mais que eu o sinta, eu não demonstrei. Eu a afastei...

Ela sentou-se à mesa de janta, olhava pra janela, vi seu pé bater, ela faz isso quando ta nervosa. Parecia querer forças, parecia pensar... Agora no que estava a pensar? Isso ta me assustando.

- Amor? Fala comigo...

- Ainda não...

- Por quê?

- To procurando as palavras...

- Que palavras?

- Palavras que não doam tanto...

- Vai terminar comigo? – Ela começou a chorar. Eu também.

- O que mais eu posso fazer?

- Ficar comigo...

- Não dá!

- Por quê?

- Te dei todas s chances... Sempre que eu queria conversar, pra consertar mesmo, você fugia...

- Perdão amor se eu levei tempo demais pra perceber... Eu deixei uma porção de coisas pra trás, errei em só olhar pra mim... Nunca te vi assim, ta me assustando... Sei que perdi muita coisa, acho que já chegou ao fim, e o pior, o que me deixa com mais raiva de mim é que você vinha dando sinais...

- Dei muitos mesmo, nem só de amor se vive uma relação, tem que ter cumplicidade, compreensão... Uma tem que ajudar a outra... E você... Você foi por outro caminho, o caminho que nos afastava.

- Me da uma chance de reparar... Quero mudar...

- Não sei se ainda ta em tempo, to muito magoada.

- Desculpa amor... Me desculpa! Eu errei! E te peço perdão! – Me ajoelhei.

- Ganhei uma bolsa pra estudar fora do país... Eu vou aceitar.

- O que? Sério?

- Uhum...

- Não, por favor! Você não pode fazer isso com a gente...

- Eu não to fazendo nada com a gente, você que fez! Você que fez acabar... Toda noite eu me culpava, achando que era por que tava estudando demais, mas quando passamos a morar juntas... Pow eu fiz de tudo, e você mal parava em casa, queria que eu te acompanhasse, e eu até ia, mas todo fim de semana, e a gente mal ficava junta, ai quando chegávamos você tava bêbada demais e dormia ao se jogar na cama, e eu chorava até pegar no sono...

- Me desculpa...

- To muito magoada pra te desculpar agora...

- Você me ainda me ama?

- Amo! Eu to desistindo não porque eu deixei de te amar, e sim porque eu não tenho mais forças pra lutar pela gente...

- Deixa essa luta comigo? Eu tenho forças ainda...

- Não sei se eu agüento mais uma...

- Prometo não fazer mais!

- Quantas vezes você me prometeu?

- Eu nunca te vi assim, to assustada.

- Não quero assustar, só quero me desligar de você!

- Não faz isso! Eu não vou deixar!

- Não deixa isso mais difícil!

- Você tem outra?

- Não.

- Então o que é?

- Você ainda não entendeu, né?

- Eu to desesperada!

- E você acha que eu fiquei como durantes esses meses?

- Me desculpa! Prometo não pensar mais só em mim.

- Você nunca vai se desligar do “eu”, isso atrapalha o “nós”, afasta o “nós”...

- Me ensina a fazer direito?

- Eu aprendi sozinha!

- E se eu aprender?

- Agora que já é tarde?

- Nunca é tarde quando existe amor verdadeiro!

- Não?

- Não! Você que me fez acreditar nisso!

- Eu não acredito mais em nada...

- Acredita no que você sente por mim?

- Sim!

- E o que você sente por mim?

- Sinto que eu te amo, e que sempre vou te amar!

- Acha justo jogar esse amor fora?

- Não... Mas foi como eu me senti esse tempo, você jogando esse amor fora!

- Te peço uma única chance pra reparar o que causei quem ama tem que reparar... E eu te amo!

- Não sei se devo...

- Sem você eu não tenho razão pra viver!

- Sem você eu me sinto perdida... Mas também to perdida com você! Não sei o que fazer!

- Vou te achar, e me achar também!

- Promete?

- Prometo não te fazer chorar...

- Você não pode prometer isso, sabe que pode voltar a acontecer...

- Eu sei, não sou perfeita... Mas vou fazer de tudo pra colar teus caquinhos.

- Me abraça?

- Claro! – A abracei, ela estava tremendo e tava quente, com febre ainda. – Eu te amo... – Disse em seu ouvido. Prometo não mais ficar distante. Prometo que agora só existe o “nós”!

- Eu te amo tanto!

- Eu também te amo! E a bolsa?

- Não sei...

- Quanto tempo é?

- Seis meses, posso até ficar por um ano ou mais, mas de inicio é seis meses, depois eu decido.

- Quero que aceite.

- Que?

- É isso mesmo! É importante pra você!

- E você?

- Vou ficar aqui te esperando! Seis meses passam rápido, eu acho.

- Cada segundo sem você pra mim é uma eternidade!

- Mas é importante pra sua carreira.

- Eu sei...

- Então, vai. Prometo me comportar!

Depois de muito dialogo, eu a convenci ir. E numa tarde de domingo a vejo alçar vôo. Meu coração ficou apertado... Foi muito difícil nos primeiros dias, ouvi-la chorar por telefone... E eu tentando passar minha força... Todo dia eu ligava pra ela. Deixei de sair mais, saia raramente, só quando não dava pra ela atender ao telefone e ela pedia pra eu sair, mas eu preferia ficar com ela no telefone, MSN... Não importava onde, só queria ficar com ela...

Hoje eu to aqui vendo as aeronaves pousando uma pós à outra, sem ela desembarcar... Mas a culpa é minha que vim uma hora mais cedo.

Lá está... É o avião dela! – Abri um sorriso. – Meu coração tava pra sair pela boca. Era tanta saudade... Poucos minutos depois a vejo saindo pelo portão de desembarque, aquele sorriso... O mesmo da primeira vez que a vi. O sorriso que toma conta do meu que se abre ao ver. Ela vem caminhando em minha direção, tava diferente, o cabelo tava com um corte diferente, eu até não gostei da ideia, mas ficou lindo. Tava de aparelho no dente, coisa mais linda!

- Que saudade! – Me abraçou.

- Nem fala! Que saudade! – A beijei.

A levei pro meu carro, e fui guiando até nossa casa. Ao chegarmos lá tinha umas pessoas nos esperando e um juiz de paz junto. Ela ficou confusa.

- Quer casar comigo? Quero me passar pro teu nome, e quero que se passe pro meu!

- Quero! – Ela se emocionou.

Joana e Paulinha vieram com as alianças, cada uma com uma, Paulinha me entregou a minha e Joana entregou a dela. Nossos pais estavam presentes, alguns amigos e parentes...

- Pelo poder concedido a mim, eu as declaro mulher e mulher! Podem se beijar.

A beijei com vontade. – Agora sim é pra sempre!

- Sim, é pra sempre! Eu te amo!

- Eu também te amo.

Fim.

Notas finais
Agradecendo meu mozão que me ajudou com as personagens! Muito criativo! Hehe' Brinks. Te amo! N ~♥~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!