Sina
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Sei que estou devendo atualizações, mas minha criatividade parece estar emperrada para as fanfics já existentes. Prometo me dedicar mais essa semana.
Enquanto isso segue uma fanfic nova.
Desculpem pelo tamanho, juro que a intenção era deixar menor, já que é uma oneshot, massss mesmo assim espero que gostem!!
Ela era apenas uma sombra daquilo que já tinha sido uma vez. Uma lembrança cinza de toda a alegria que tinha vivido. Era estranho olhar para o reflexo no espelho e não se reconhecer, enxergar semelhanças, mas não identificar a pessoa que julgou ser. Onde tudo aquilo tinha mudado? Quando foi que perdeu sua própria identidade?
Suspirou desviando o olhar do reflexo, tinha dias que as coisas simplesmente pareciam não funcionar, e hoje era um deles. Prendi meu cabelo, e até isso estava me irritando. Arranquei o prendedor com força trazendo junto alguns fios de cabelo. Entrei embaixo da água quente desejando lavar aquela pessoa na qual tinha se transformado, mas é claro que no final do banho as coisas permaneciam iguais. Procurei por uma roupa e após vestida cogitei seriamente em me jogar na cama, mesmo que meu subconsciente gritasse que se eu não penteasse o cabelo enquanto ainda estava molhado ia acabar me arrependendo. Pequenas tarefas se transformavam em grandes esforços.
Fiquei algum tempo deitada de costas olhando para o teto como se ele fosse o filme mais interessante do mundo, na verdade ele parecia mostrar toda a minha vida. Prestei atenção buscando detalhes que pudessem me ajudar a responder onde tinha errado para chegar na situação que se encontrava, e claro não encontrei.
Me revirei na cama, mas nenhuma posição parecia confortável o bastante, decidida a dormir a qualquer custo coloquei o travesseiro sobre o rosto na intenção de obrigar meus olhos a fecharem. Ledo engando, mesmo de olhos fechados as imagens vinham nítidas. Suspirando contrariada me levanto da cama e vou até a janela, a lua estava toda encoberta por nuvens me privando de admira-la.
Coloquei uma roupa normal e me dirigi até a janela. Não tinha necessidade de andar até a porta de entrada quando o que eu mais precisava era sair urgentemente daquela casa.
O galho da árvore estremeceu quando eu pousei sobre ele, mas o barulho mínimo se perdeu na noite densa que fazia. Corri entre as árvores me distanciando ao máximo da vila, não fiquei surpresa por logo alcançar o Vale do Fim, minha surpresa era por ver que eu não era a única que tinha ido parar ali. Me acomodei no topo da árvore o admirando. Podiam se passar anos, mas o ar misterioso de Sasuke sempre permaneceria o mesmo. Ele não pareceu notar minha presença, e se notou apenas me ignorou. Era difícil encará-lo depois de ter sido novamente rejeitada, ele nem ao menos cogitou me dar uma chance. O não veio direto, sem rodeios.
Me virei para sair dali ou correria o risco dele me ver chorar por ele novamente. Eu precisava dar um basta naquele sentimento, não era saudável, mas meu coração parecia achar graça quando ao menos pensava em esquecê-lo.
Enquanto corria na direção oposta ao Vale do Fim me deparei com os campos de treinamentos, todos vazios pelo horário. Entrei no primeiro que vi, me sentando em baixo de uma árvore, o vento gelado acariciava minha face gentilmente, era quase reconfortante. Dali eu podia ver as estrelas, pontos luminosos no meio daquela imensa escuridão. Queria se agarrar a uma luz como aquela para sair do vazio que sentia.
Não percebeu que adormecera até que os primeiros raios solares se fizeram presente. O céu passava do azul escuro para um intenso tom de rosa e alaranjado que logo daria lugar ao límpido azul. Se assustou com a presença do ANBU, ele apenas lhe entregou a mensagem e desapareceu tão rápido quanto surgira.
“Venha até o escritório, tenho uma nova missão para você. — Naruto”
Ignorando as dores no corpo pela má posição que dormiu, me levantei retirando as folhas grudadas e tentando desamassar a roupa, sem obter êxito algum. A tempos não saía em missão, tendo focado completamente sua atenção para o hospital. Deveria ser algo importante para Naruto a chamar.
Ainda era estranho ver como todos haviam seguido suas vidas de forma invejável. Mas por favor não me considere uma pessoa amarga, eu estava realmente feliz por vê-los bem. Eu só esperava estar no mesmo nível quando essa idade chegasse. Obviamente não adiantaria pensar sobre aquilo agora. Olhando para aquele céu imenso prometi a mim mesma que a partir de hoje eu me amaria mais do que qualquer coisa, e se isso não incluía ter Sasuke em minha vida, que assim fosse. Eu usaria essa missão para respirar novos ares e com isso ajeitar minha mente. Sorri sentindo a determinação me tomar. Nada me atrapalharia nesse processo.
Corri até o prédio do Hokage, subitamente animada com a minha injeção de amor próprio. Que vacilou ao sentir a presença do moreno junto de Naruto. Mordendo o lábio inferior parei hesitante em frente a porta. “Não Sakura, você não vai vacilar.” Repeti essa frase umas cinco vezes mentalmente antes de adentrar o escritório.
— Sakura-chan! — Naruto como sempre foi caloroso ao me receber. Sorri em resposta, como a muito não sorria.
— Naruto. — Me virei para a parede oposta onde estava Sasuke e Kakashi sensei. Sorri para ambos antes de me voltar para Naruto. — Mandou me chamar?
— Sim, preciso que vocês três vão até Suna. — Tentei não franzir o cenho ao escutar que sairia com Sasuke em missão. Mas Naruto me conhecia e logo completou. — Kankuro está doente, e os médicos de lá não conseguiram achar uma solução. Gaara me pediu para que você em pessoa fosse até lá. — Assenti concordando, mesmo sem entender ainda porque Sasuke ou Kakashi deveriam ir comigo.
— Sakura, nós iremos juntos porque você tem recebido inúmeras cartas de ameaça. — Kakashi falou pela primeira vez. Não pude controlar o espanto que logo se espalhou por todo meu rosto. Me virei para Naruto esperando que ele explicasse.
— Sim. — Ele suspirou levando as duas mãos até o rosto, que só agora notei que estava adornado por duas enormes olheiras. A quanto tempo ele não dormia? — Tentei manter isso apenas aqui e mandei que os ANBUs investigassem. Mas as cartas não pararam, alguém não está contente com você Sakura-chan. Não se preocupe, a investigação está tendo ótimos resultados e posso afirmar que logo pegaremos o responsável por isso. No entanto não vou arriscar sua vida, mas não posso deixar de ajudar Gaara. Por isso Kakashi e Sasuke irão te acompanhar. — Estava pronta para rebater e afirmar que eu era capaz de me defender sozinha, mas sabia que nos últimos dias eu parecia mais uma morta viva e que nada ajudaria colocar meu orgulho na frente.
— Tudo bem. — Respondi por fim. Os três rostos viraram para me encarar, obviamente surpresos com a minha resposta. — Não é uma discussão que eu venceria mesmo. — Dei de ombros. — Vou apenas buscar meu material médico e encontro vocês no portão. Uma hora. — Saí sem me despedir, corri até o hospital deixar avisado que estaria em missão e depois segui até em casa, tomei um banho rápido e vesti minha roupa para missões. Meu material estava como sempre perfeitamente organizado e após dar uma última conferida tranquei a porta atrás de mim seguindo até a entrada da vila.
Não foi nenhuma surpresa ver que Sasuke já estava ali, desconfio que tenha saído do escritório e ido direto para o portão. Kakashi por sua vez honrava o apelido de preguiçoso e novamente nos agraciava com seu atraso. Cumprimentei Sasuke me sentando ao seu lado, o silêncio já não era desconfortável visto que nenhum dos dois tinha algo a dizer. Quase meia hora depois do horário combinado observei a silhueta de Kakashi se aproximando a passos lentos. Era incrível como o tempo não parecia passar para o Rokudaime. Ele não vestia seu habitual colete, deixando a blusa preta de mangas longas contornar seus músculos de forma gloriosa. O sorriso por baixo da máscara atingiu os olhos quando mais uma vez ele nos empurrou uma de suas desculpas esfarrapadas.
— Sinto muito, parei para ajudar um gato que não conseguia descer da árvore. — Sasuke bufou ao meu lado, e eu não me contive em rir. Senti os dois me encararem, mas apenas dei de ombros.
— Vamos? — Chamei, já me pondo a correr. Ambos me seguiram.
O caminho já era bem conhecido, e o silêncio parecia ser um quarto integrante do antigo time sete. Completamente diferente de Naruto, que a essas horas já estaria nos deixando loucos com tanto falatório. Ri sozinha ao me lembrar das vezes que saímos em missão e eu facilmente me irritava com o então atual Hokage. Ignorei os olhares que ambos me lançavam, provavelmente questionando minha sanidade. Fazia tempos que eu não ria abertamente e percebi o quanto sentia falta. Passei muito tempo me martirizando sobre perder o amor de Sasuke, algo que nunca foi meu para sequer considerar perder. Não perderia mais minha pessoa por conta desse assunto. SasukeUchiha agora estava enterrado em meu coração.
Olhei de relance para a capa preta que seguia a frente, a admiração ainda estava ali e isso talvez nunca desaparecesse. Mas o amor era lentamente substituído por um sentimento de... saudade talvez? Bom eu teria que trabalhar com isso. Olhei para Kakashi ao lado de Sasuke, me lembrando do dia que ele me confiara seus sentimentos.
Flash back ON*
Estávamos reunidos no campo de treinamento, Sasuke havia partido em uma nova missão e Naruto estava atolado com a papelada do novo centro comercial. Éramos apenas eu e Kakashi treinando aquele dia. Suando e cansada me joguei aos pés de uma árvore completamente rendida. Olhei incrédula para Kakashi que parecia tão arrumado quanto a hora que chegamos. Bufei irritada.
— Você parece estressada, algo aconteceu? — Os olhos se fecharam indicando que havia um sorriso por baixo da máscara. Ele se sentou ao meu lado me estendendo uma garrafa de água.
— Olhando para você parece que não se esforça nada com o meu treinamento. — Admiti desviando o olhar para o céu que começava a ficar alaranjado com o pôr do sol.
— Não se deixe enganar pelas aparências. Se continuássemos esse treinamento por mais tempo eu logo ficaria sem chakra enquanto você permaneceria com a mesma força absurda. — Ele piscou para mim e senti meu rosto corar.
— Eu sinto que ainda não estou boa o suficiente. — Confessei. — Talvez eu sempre vá sentir isso. — Escutei ele resmungar baixinho do meu lado e me virei para olha-lo. Ele agora sentava-se de frente para mim, a expressão sempre descontraída dava lugar a uma pequena ruga de preocupação na testa.
— Sakura. — Sua voz era tão séria quanto sua expressão. — Eu vou falar isso apenas uma vez, porque sei que vai se tornar um assunto delicado entre a gente depois disso. — Franzi minha testa confusa. — Você se tornou uma poderosa kunoichi, sendo sem dúvidas a melhor médica ninja atualmente. Mas além de tudo isso você se tornou uma mulher incrível. — Meus olhos se arregalaram ao mesmo tempo que sentia minhas bochechas esquentarem ainda mais. — Não perca sua vida esperando por alguém que não te valoriza devidamente. Há pessoas que gostam de você e querem te fazer feliz. Você merece ser feliz. — Ele virou o rosto para o sol que já terminava de se por. — Eu sou uma dessas pessoas. — E antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa ele simplesmente sumiu.
Flashback OFF*
Aquele dia parecia um pedaço aleatório que alguém tinha colado nas páginas da minha vida. Era difícil acreditar que de fato aquilo tinha acontecido, até porque depois nenhum dos dois tocou mais no assunto. Até mesmo os treinos diários não aconteceram mais, e eu perdida na minha própria bagunça sentimental não sabia como abordar aquilo com Kakashi novamente. Até porque não tinha ideia do que diria.
Olhou de Kakashi para Sasuke sentindo vontade de fugir dali o mais rápido possível. Ignorando os próprios instintos continuou atrás dos dois homens. A noite logo chegou trazendo consigo uma suave garoa. Os ventos gelados já eram esperados pela época do ano então os três montaram suas barracas em uma campina e sem falar qualquer coisa se retiraram para dentro.
Com o tempo os ventos foram ficando mais fortes e se amaldiçoou por não ter se prevenido e levado mais do que uma capa de chuva. Devia ser madrugada e ainda não tinha conseguido pregar os olhos. A mandíbula tremia pelo frio acompanhada por todo o corpo. A chuva também tinha ficado mais forte e isso tirava qualquer possibilidade de acender uma fogueira para se esquentar. Alguns minutos se passaram, e escutou alguém mexendo no zíper de sua barraca. Não se assustou, já que tinha sentido o chakra de Kakashi se aproximando. Ele adentrou a barraca trazendo uma espécie de manta em mãos. Mas só sua presença fora o suficiente para deixar o ambiente bem mais aquecido.
— Trouxe para você. — Ele estendeu a manta e eu logo aceitei me envolvendo com o tecido macio, inalando o cheiro cítrico do perfume de Kakashi que estava bem concentrado no tecido. — Vou deixá-la descansar. — Ele estava prestes a se retirar.
— Espere. — Chamei ainda insegura. — Precisamos conversar. — Ele se virou e mesmo no escuro pude ver que seus olhos estavam fechados no seu típico sorriso.
— Depois Sakura. Não é o momento para isso. — Como se confirmasse o que dizia ele olhou para onde a barraca de Sasuke estava, bem ao lado da minha. Assenti relutante, me perguntando se depois eu teria coragem para retomar o assunto. Ele saiu e depois de dias regados a insônia eu dormi perfeitamente bem envolvida pelo seu cheiro.
Ao amanhecer seguimos viagem o mais depressa possível, as vezes eu sentia os olhos de Sasuke sobre mim, outras vezes era Kakashi que me encarava. Eu já sentia meu lábio rachando por ficar mordendo, desconfortável com toda aquela situação.
Felizmente conseguimos reduzir uma viagem que normalmente seria em três dias para dois e logo avistamos o imenso portal de entrada da tão imponente Sunagakure. Como chegamos antes do previsto não havia ninguém nos aguardando. Mas não era preciso, seguimos até a parte central da vila onde ficava localizada a torre do kazekage. Como esperado ele não estava ali, mas Baki nos acompanhou até o Hospital.
Ao chegarmos no hospital apenas eu segui até o quarto de Kankuro, Kakashi e Sasuke ficaram na recepção esperando. Fiquei surpresa ao ver que Temari estava ali, Naruto não tinha informado que ela tinha vindo antes. Assim que entrei todos se viraram para me cumprimentar.
— Achei que chegariam só amanhã. — Gaara comentou enquanto eu amarrava meus cabelos já me colocando ao lado de Kankuro para avaliá-lo.
— Conseguimos apressar a viagem. — Respondi e logo tudo ficou em silêncio para que eu me concentrasse. Kankuro estava inconsciente, e eu podia escutar seus órgãos falhando aos poucos. Era de fato preocupante. Parecia envenenamento, mas eu não conseguia achar alguma ferida que indicasse isso. E depois de olhar o prontuário e constatar que não havia nada no conteúdo estomacal me virei para todos ali na sala. — Preciso que todos se retirem, vou ter que fazer uma análise mais profunda e preciso de privacidade. — Senti que iriam protestar e me adiantei a isso. — Ok então apenas Gaara pode permanecer. — Todos olharam entre si e saíram.
— Está desconfiada de algo? — Ele me perguntou.
— Tudo indica ser envenenamento, mas preciso achar por onde esse veneno entrou e por isso pedi que todos saíssem. Vou precisar olhar o corpo inteiro de Kankuro. — Eu sabia que isso poderia ser desconfortável para Gaara, mas ele não deixou transparecer e apenas assentiu me observando retirar o avental hospitalar do irmão.
— Eles cogitaram envenenamento no início, mas descartaram logo em seguida. — Ele comentou.
— Eu entendo, mas preciso ser minuciosa. — Percorri os braços e pernas com os olhos procurando qualquer indício de que havia sido injetado alguma agulha pelo corpo. Nada. Passei para entre os dedos das mãos e dos pés e nada. No couro cabelo, nada. Gaara me ajudou a virá-lo de bruços e mais uma vez nada. Ignorando o constrangimento de estar sendo observada passei a olhar a parte interna das coxas e virilha. Se eu parasse realmente pra pensar no que estava fazendo provavelmente morreria de vergonha. Mas como médica as vezes era necessário passar por aquilo. Foi quando notei uma minúscula marca de agulha na virilha de Kankuro. — Achei! — Exclamei satisfeita. Gaara pulou ao meu lado, surpreso.
— Achou o que? — Ele me perguntou confuso. Notei que ele desviava o olhar.
— Onde foi injetado o veneno. — Cobri novamente o corpo de Kankuro e passei a fazer anotações no prontuário. — Isso descarta uma boa quantidade de venenos. Sabendo que foi injetado e levando em consideração que a pessoa se deu ao trabalho de aplicar em um local que poucos procurariam já posso informar que a pessoa pela qual estão procurando é muito inteligente. — Ele parecia pensar a respeito. — Está desconfiado de alguém?
— Na verdade, sim. — Ele se virou para mim novamente. — Agora que ele está em boas mãos posso me dedicar a encontrar a pessoa que fez isso com ele. — Assenti, ele se aproximou de mim com um sorriso de canto no rosto. Era a primeira vez que eu o via sorrir e confesso fiquei desnorteada pela beleza. — Obrigada por mais uma vez salvar meu irmão Sakura. — Pisquei tentando voltar ao normal, mas era óbvio que minhas bochechas entregariam minha vergonha.
— Só estou fazendo meu trabalho. — Falei baixinho. Estava voltando a escrever quando senti o toque suave segurando minha mão. Rapidamente me virei para olhá-lo. Parecia irreal aquela interação.
— Eu gostaria de poder te agradecer melhor se me permitir. — O sorriso quase me fez perder o raciocínio, mas assim que entendi sua frase não pude evitar que meu queixo caísse de surpresa.
— O que? — Perguntei alto demais, já balançando a cabeça para espantar qualquer pensamento inadequado.
— Depois que tudo isso se resolver, gostaria de convidá-la para jantar comigo. — Ele falou olhando nos meus olhos. UAL. Era a única coisa que se passava na minha cabeça. Notei que ele esperava uma resposta.
— Oh! Claro, seria ótimo. — Sorri, tentada a desviar o olhar, mas sem conseguir. Ficamos nos encarando por alguns segundos antes que ele simplesmente se virasse para sair. — O que foi tudo isso? — Perguntei para mim mesma me deixando cair no sofá que tinha ao lado da cama.
Durante a semana fiquei concentrada em produzir um antídoto eficaz, intercalando com procedimentos paliativos para que ele não piorasse. Eram dias trancados no laboratório, mas quando eu finalmente consegui algo que funcionaria foi mais do que gratificante todo o esforço.
Meus companheiros de viagem ajudaram Gaara na investigação e não demorou para que capturassem o responsável. Por fim tudo parecia ter se resolvido, e confesso estava ansiosa para saber se Gaara lembraria do convite. Por outro lado, tinha a conversa com Kakashi que ainda estava pendente e isso também me deixava ansiosa.
Era sexta à noite e eu estava sentada na estufa de plantas medicinais do hospital, os médicos ficaram tão agradecidos por eu ter ajudado Kankuro que disseram que eu poderia pegar um pouco de Dokudami, uma erva medicinal que era encontrada apenas ali, para levar. O estoque era enorme então selecionei algumas unidades e preparei para transportar durante a viagem. Senti o chakra, que agora já tinha se tornado familiar, de Gaara se aproximando.
— Ainda no hospital. — Foi apenas uma afirmação. Levantei meu rosto para olhá-lo e sorri minimamente.
— Sim, a médica Yuka me ofereceu um pouco de Dokudami para levar e vim buscar. — Expliquei apontando para o pequeno vaso que eu havia separado.
— Entendo. — Ficamos um tempo em silêncio. A tensão parecia sorrir para nós, mas eu não sabia realmente o que falar. Me levantei pronta para dizer qualquer coisa quando as mãos de Gaara rodearam minha cintura me puxando para si num beijo. Meu primeiro beijo. Passado o susto eu retribuo, permitindo que sua língua explorasse minha boca, minhas mãos foram até os fios ruivos o puxando para mim. O cheiro dele era inebriante, algo amadeirado. Me arriscaria dizer ser puxado para sândalo.
— Isso foi repentino. — Consigo dizer depois de alguns minutos encarando aqueles profundos olhos verdes.
— Desculpe, eu só... — Ele não terminou o que ia dizer, mas nem era preciso.
— Não precisa se desculpar. — Respondi, mordendo o lábio inferior envergonhada. Eu sentia meu corpo quente, talvez pela proximidade ao corpo dele, ou pelo efeito que ele causara com o beijo. Dificilmente eu saberia responder. E não importava, eu apenas queria repetir e sem saber muito bem o que fazer segurei seu rosto com uma das mãos o puxando para mim.
Passamos um bom tempo apenas nos beijando, e nada precisava ser dito. Até porque no dia seguinte eu voltaria para Konoha e tudo isso ficaria no passado. Engraçado pensar que eu a uma semana atrás estava sofrendo pelo Uchiha e agora me permitia beijar outro homem sem qualquer receio ou culpa. Talvez minha vida não fosse tão presa a Sasuke quanto eu pensava ser.
Já era madrugada quando saímos da estufa, andamos em silêncio ao lado um do outro até a residência do Kazekage. Nos despedimos com mais um beijo e voltamos cada um para seu quarto. Meu coração era o completo oposto da minha expressão tranquila. Ele batia acelerado, em êxtase pelas novas sensações. Me joguei na cama me permitindo sorrir sozinha ao lembrar das mãos do Kazekage me segurando contra seu corpo, ou de sua boca ditando o ritmo do beijo. O jantar só tinha ficado no convite, mas eu não iria reclamar já que o tempo foi muito bem aproveitado
Saímos de Suna ao amanhecer e não pude me despedir de Gaara como queria. Nossa troca de olhares repleta de segredos e promessas silenciosas teve que bastar. Durante o caminho Kakashi e Sasuke conversavam a respeito da prisão que tinham ajudado o Kazekage a fazer, nenhum dos dois me incluiu na conversa e tão pouco me incomodei. Minha mente voltava para Suna facilmente enquanto corria entre as árvores atrás dos dois.
Eu e Sasuke praticamente não trocamos nenhuma palavra durante toda a missão, e apesar de ser algo estranho para mim, não ousei mudar a situação. Já com Kakashi as coisas pareciam mais leves, mesmo tendo uma conversa em dívida. Era engraçado como meu olhar sobre ele mudou depois que ele revelou seus sentimentos. Eu passei a prestar mais atenção no homem que ele era e particularmente gostava bastante de descobrir esse novo lado.
A vida é realmente uma caixinha de surpresa, eu pensava ter uma vida inteira planejada ao lado do Uchiha e no final me via balançada por dois homens completamente diferentes do primeiro.
Paramos para acampar, mas dessa vez a noite era quente e convidativa. Não havia necessidade de montar as barracas então apenas estendemos nossos sacos de dormir e acendemos a fogueira.
— É estranho não ter Naruto por perto não acham? — Perguntei quebrando o silêncio.
— Ah sim... já tinha até me acostumado com os roncos dele. — Kakashi riu.
— Hm. — Obviamente Sasuke não seria tão proativo na conversa.
— Eu estou feliz com como as coisas seguiram seu curso. — Admiti pela primeira vez. — Acho que tudo está como era para ser. — Eu falei pensando no geral, mas a frase pareceu irritar Sasuke que bufou ao meu lado. — Algum problema Uchiha? — Ele se virou para mim estreitando os olhos. Talvez confuso por eu não estar mais o chamando de Sasuke-kun.
— Me diz você. — Foi sua resposta. Kakashi pigarreou ao meu lado, desconfortável com a situação.
— Vou ir buscar água para gente. — Kakashi falou já saindo. Olhei sua silhueta se distanciando em meio a escuridão.
— Tente disfarçar melhor. — Sasuke falou rindo sarcasticamente.
— O que está te incomodando Sasuke? — Fui direta.
— Nada. — Revirei os olhos, mas continuei esperando uma resposta mais convincente. — Vejo que seu amor infinito por mim se esvaiu rapidamente. — Ele estava com ciúmes? Não aguentei e cai na gargalhada e isso o deixou ainda mais irritado.
— Nunca falei que meu amor por você era infinito. — Respondi por fim. — Você achou mesmo que eu passaria minha vida inteira esperando por você? — Ele desviou o rosto, uma clara resposta para mim, que sim era isso que esperava. — Sabe Sasuke existe uma coisa chamada amor próprio.
— Hm.
— De qualquer forma você deixou claro que não me queria. — Dei de ombros dando o assunto por encerrado. Me levantei indo para meu saco de dormir. Escutei quando Kakashivoltou, mas não me dei ao trabalho de olhar, apenas fingi dormir até que de fato apaguei.
O clima entre nós três era estranho, estava ainda mais desconfortável, mas por sorte logo chegaríamos a Konoha. Mesmo tendo completado a missão seguimos com pressa, talvez ansiosos para nos despedirmos de vez um do outro. Ao avistar o portão da vila respirei aliviada e apertei ainda mais o passo. Kakashi passaria o relatório para Naruto então eu seguiria para minha casa e tomaria um belo de um banho. Não me dei ao trabalho de me despedir de Sasuke, e ele tão pouco o fez. Se ele queria me fazer sentir culpada sobre aquela situação então ele não poderia estar mais enganado.
A sensação de estar em casa novamente era reconfortante. Tomei meu banho tranquila e depois preparei um jantar só para mim, feliz por ter aquele momento sozinha. Claro que duraria pouco. Eu estava terminando de comer quando senti a presença de Kakashi. Não foi surpresa vê-lo parado em minha janela, ele tinha sérios problemas com portas. Indiquei o sofá e ele se sentou me esperando terminar de limpar a bagunça do jantar.
— Ok, agora acho que podemos conversar. — Falei sorrindo me sentando no chão. Ele me olhava atento como se tentasse adivinhar o que eu tinha para dizer. — Aquilo que você me contou naquele dia... bom as vezes eu ainda acho que aquilo foi um delírio meu. — Iniciei sem saber muito bem como falar.
— Eu apenas fui sincero.
— Entendo.
— Eu sei que você sempre gostou do Sasuke, mas é frustrante ver como ele te trata. — Ele parecia zangado?
— Eu e Sasuke foi algo apenas em minha cabeça, e quanto a isso acho que já estou certa que está mais do que enterrado. — Ele me fitou surpreso. — Eu não posso passar a vida esperando alguém que não faz ideia do que quer.
— Eu não esperava ouvir isso de você. — Ele inclinou o rosto me olhando.
— Já que estamos sendo sinceros um com o outro, preciso dizer uma coisa antes de chegarmos de fato no que interessa. — Eu estava mesmo considerando dar uma chance a ele, mas ele precisava saber do meu recente envolvimento com Gaara. Não queria que isso acabasse chegando até ele de outra forma.
— Estou ouvindo.
— Nessa missão, eu acabei me envolvendo com Gaara. — Falei pausadamente avaliando sua reação, mas ele não pareceu surpreso.
— Eu suspeitei quando vi a troca de olhares ao sairmos de Suna. — E eu achando que tinha sido discreta. — O que você espera que eu faça?
— Nada. Só estou sendo honesta.
— Você não me deve explicações Sakura.
— Eu sei. Mas quero dar uma chance a isso. — Apontei para nós dois. — E quero fazer isso da forma certa.
— Entendo. — Eu o encarei esperando que falasse algo, mas ele parecia perdido nos próprios pensamentos. — Você sabe que não precisa fazer nada só por fazer não sabe? — Ele perguntou por fim. Assenti concordando.
— Depois que você falou o que sentia eu passei a ter uma nova visão sobre você, e nossa relação. Eu me sinto à vontade do seu lado e o acho muito atraente. — Sinto minhas bochechas corarem.
— Mas você não me ama como eu a amo. — Ele foi direto. Suas palavras me atingiram em cheio e fiquei uns minutos absorvendo. — Não se preocupe, eu não espero que retribua meus sentimentos tão rapidamente. — Ele se levantou estendendo a mão para me ajudar a levantar. Sua mão era grande e a minha facilmente se perderia na sua. Ao levantar paramos de frente um para o outro, nossas mãos ainda entrelaçadas. Sua outra mão tocou minha face gentilmente.
— Eu não acredito que estou prestes a ver seu rosto. — Sussurrei não contendo minha empolgação. Ele riu tirando sua mão da minha bochecha e levando até o bolso. De lá ele tirou um lenço e eu o olhei surpresa.
— Ainda não Sakura. Terá que fazer por merecer. — Ele sussurrou em meu ouvido. Me senti arrepiar, a ansiedade já se fazendo presente enquanto ele me vendava. Senti seu nariz roçar meu queixo deixando um rastro de fogo por onde tocava. Sua respiração em meu pescoço fez meu coração acelerar, mas foi ao sentir seus lábios tocando os meus que me rendi, levando minhas mãos para sua nuca o puxando para mim. Ele riu entre o beijo por minha pressa, mas correspondeu a altura meu desejo. Suas mãos agora estavam em minha cintura me erguendo, me deixando na sua altura. Instintivamente ergui minhas pernas entrelaçando em sua cintura. Surpresa com minha própria desinibição me afastei arfando. Sua boca não parecia satisfeita porque logo em seguida beijava meu pescoço.
— Você é cruel. — Consegui dizer depois de recuperar o folego. Ele riu contra minha pele me deixando arrepiada.
— Você não sabe o quanto eu esperei por isso. — Ele sussurrou. — Mas vamos devagar. Você logo estará implorando por mim. — Ri alto tentando não sucumbir ao desejo que tomava meu corpo.
— Você é bem convencido não é mesmo? — Perguntei para provocar, porque sabia que não seria difícil me deixar levar pelos encantos de Kakashi.
— Não me subestime Sakura. — Ele deu um beijo em minha bochecha e logo desapareceu. Me deixando vendada e incrédula.
— Mas...? — Retirei a venda ainda sem acreditar que ele tinha simplesmente ido embora. Pisando firme e bufando fui para o quarto, obviamente não dormiria tão fácil então apenas passei os olhos pela estante de livros procurando por algo que pudesse me fazer esquecer um pouco do que sentia.
Uma pequena coleção colorida me chamou a atenção, estava no canto inferior da estante e surpreendentemente eram os únicos livros que eu ainda não tinha lido. Peguei o primeiro em minhas mãos analisando a capa e me lembrando do dia que havia ganho.
Flashback ON*
— Feliz aniversário Sakura-chan! — Naruto passou voando pela porta já me envolvendo em seu abraço acolhedor. Mal pude respirar e já era sufocada em meio a seus braços.
— Está me esmagando. — Consegui falar e ele afrouxou o aperto. Olhei para a porta e Hinata ria baixinho da minha situação.
— Parabéns Sakura! — Ela falou empurrando Naruto de leve e vindo me abraçar.
— Obrigada por virem. — Falei dando passagem para que eles seguissem para a sala. Ino insistira em fazer aquela reunião de amigos mesmo me contrariando, ela alegava que era importante comemorar a chegada dos vinte anos já que isso só acontecia uma vez na vida.
— Feliz aniversário Sakura. — Kakashi falou vindo atrás de Hinata. Ele me estendeu uma pequena caixinha preta sorrindo e logo seguiu para a sala onde os demais se encontravam. Abri a caixinha rapidamente e era um cordão fino de ouro branco com uma pequena flor de sakura incrustrada. Mas antes que eu pudesse admirar o presente o furacão laranja estava novamente na minha frente me estendendo um pacote.
— Esqueci de te entregar, espero que goste. — O sorriso sincero de Naruto me animou e prontamente comecei a abrir o embrulho, que era um pouco pesado. Quando percebi o que era senti que meu corpo inteiro corava, e isso pareceu chamar a atenção de todos já que agora não tinha um par de olhos que não estivesse sobre mim.
— Naruto! — Exclamei envergonhada enquanto ele ria tranquilamente assim como os demais.
— Livros adultos para uma mulher adulta. — Ele falou como se fosse a coisa mais simples do mundo. Naturalmente passei uma semana inteira sendo alvo das brincadeiras dos demais.
Flashback OFF*
Será que deveria ler? Olhei mais uma vez para a capa me lembrando das inúmeras vezes que via Kakashi concentrado lendo um desses livros e foi o que me instigou a ler. Se queria dar uma chance para os dois darem certo não era preciso conhecer os gostos dele? Decidida a conhecer esse novo mundo por ele, se sentou no sofá procurando por uma posição que fosse confortável e abriu o livro pronta para devorá-lo.
Era madrugada, mas não sentia sono algum. Estava tão entretida com a história que apenas pensava em ler mais e mais. Olhou novamente para o relógio e relutante marcou a página em que havia parado o colocando de lado. Tinha que ir trabalhar cedo e precisava ter dormido pelo menos um pouco se quisesse cuidar de seus pacientes.
Quando acordou, pela primeira vez atrasada, se apressou no banho saindo sem sequer comer alguma coisa. Foi direto para o hospital, tinha o dia cheio de consultas e se quisesse sair no horário não teria uma folga. Passou pela recepção cumprimentando quem estava por ali e correu até sua sala já pedindo para o primeiro paciente a acompanhar. Sorriu aliviada ao ver Ino entrando, tinha mesmo se esquecido que a consulta dela seria a primeira depois da missão.
— Você está diferente. — Foi a primeira coisa que a amiga falou.
— Oi para você também porca. — Ri enquanto procurava seu prontuário.
— Com certeza está diferente. — Olhei para ela enquanto a mesma estreitava os olhos em minha direção. — Anda desembucha.
— Ino, estamos aqui para ver o seu bebê, não para fofocar. — A lembrei. Ela foi abrindo o sorriso lentamente.
— Então há o que fofocar. Anda, só saio dessa sala depois que me contar tudo o que aconteceu. — Ela cruzou os braços sobre a barriga esperando. Suspirei contrariada, sabia que o quanto ela era teimosa. Olhei no relógio e resolvi falar rapidamente ou acabaria atrasando as demais consultas.
— Então é apenas isso. — Falei quando terminei de relatar. Ela estava com os olhos arregalados.
— U-A-L. Eu não acredito.
— Que tal falarmos sobre seu bebê agora? — Perguntei tentando mudar de assunto.
— Espera. Primeiro precisamos falar mais sobre isso.
— Não Ino, de verdade minha agenda está cheia hoje. — Falei já me desesperando.
— Ok, ok. Mas prometa que vai almoçar comigo e me contar os detalhes. — Isso eu poderia fazer.
— Tudo bem.
O resto da consulta foi realmente voltado para a gestação da loira que já estava no auge dos seis meses de gravidez. Já a manhã foi corrida, o que era bom já que não lhe permitia ficar perdendo tempo pensando em uma boca que sua mente tentava a todo custo desvendar.
Mal dispensou o último paciente da manhã quando o furacão Ino passou pela a porta a puxando para o refeitório do hospital. Se ofereceu para buscar o almoço da amiga, num gesto de gentileza, mas Ino foi mais rápida dizendo que só estava grávida e não inválida, ainda conseguia fazer as coisas. Riu ao perceber que aquilo nunca mudaria. Ino sendo Ino. Quando se sentaram na mesa logo foi bombardeada por perguntas.
— Qual foi o melhor beijo? Quem tem mais pegada? Vai voltar a ver algum dos dois? Eu não acredito que finalmente você beijou alguém, achei que chegaria aos trinta sem ter passado por isso. — Revirei os olhos.
— Exagerada, é normal que aos vinte e três anos uma mulher não tenha beijado alguém ainda. — Tentei argumentar.
— Até parece, me diga uma que não seja você e te deixarei em paz. — Mordi o lábio contrariada. — Viu? Só você mesmo. Mas você não respondeu minhas perguntas.
— É claro que não respondi, você não deu tempo algum para isso. — Suspirei. — Não teve melhor beijo, cada um foi diferente, mas com certeza Kakashi me deixou mais ... instigada. Sim isso se adequa.
— Vai voltar a vê-lo? — Táaíum boa pergunta, provavelmente iria já que eram do convívio um do outro. Mas sabia o sentido que a amiga perguntava e não sabia o que responder.
— Eu espero que sim... — Falei por fim.
— Eu não acredito que você está saindo com o homem mais cobiçado de Konoha. — Ela falou pausadamente como se para me fazer entender o nível da situação.
— Jura? — Sim não tinha dúvidas que Kakashi era incrivelmente bonito, mas o homem mais cobiçado de Konoha? Seria mesmo?
— Você passou muito tempo focando no idiota do Uchiha e não percebia o que acontecia a sua volta. Sim HatakeKakashi sempre foi o inalcançável, pode perguntar para todas as mulheres do hospital. — Ela riu, e eu franzi a testa entendendo o que ela dizia. — Sasuke é sim muito bonito, mas é tão arrogante e grosso que no segundo contato já nos faz desistir de algo. Agora o Kakashi não, ele é sempre muito solícito e gentil uma falsa ilusão de nos ser acessível. Mas não conheço ninguém que já o tenha conquistado.
— Agora que você está falando, realmente eu pouco sei sobre a vida pessoal dele.
— Mas ao que parece será a primeira a descobrir. — Ela piscou para mim.
Fiquei o resto da tarde martelando minha conversa com Ino. Não seria imprudente de se envolver com alguém que era tão bom em ocultar as coisas como Kakashi, mas se ele a deixasse entrar em sua vida seria um voto de seus verdadeiros sentimentos. Pensou se estaria sendo egoísta por esperar isso dele, quando não tinha muito o que oferecer. Mas tinha que se lembrar que aquilo não era uma competição e só o tempo mostraria para os dois se o caminho que planejavam seguir seria de fato o melhor para ambos.
Era final do turno quando teve sua última consulta cancelada em cima da hora, poderia ir embora mais cedo se não sentisse que Naruto se aproximava. Ele bateu na porta mas antes de esperar por uma resposta já foi entrando e se jogando na cadeira a sua frente.
— Algum dia você vai esperar eu responder para entrar? — O questionei enquanto arrumava minha bolsa para ir embora.
— Não faça drama Sakura-chan. Vim informar que conseguimos uma localização da pessoa que vem te ameaçando. — Imediatamente voltei a me sentar prestando atenção no que ele falava.
— Quem é?
— Um médica do Hospital de Suna. — Franzi a testa confusa. — Ainda não sabemos as motivações, mas depois de terem retornado da missão novas cartas chegaram, nelas haviam alguns detalhes que só quem estivesse lá no hospital saberia dizer.
— Isso não faz nenhum sentido. Eu nem sequer me recordo dos médicos de lá, como algum pode estar tão insatisfeito comigo?
— Meu palpite pode estar errado, mas não ficaria surpreso de ver que a motivação é simples e pura inveja. — Ele suspirou. — De qualquer forma, Gaara seguirá com as investigações por lá. — Corei ao escutar o nome do Kazekage, mas Naruto estava tão cansado que nem sequer percebeu.
— Você devia ir para casa dormir. — Falei preocupada.
— Adoraria de verdade.
— O que te impede?
— Trabalho.
— Sempre vai ter trabalho, mas se você não tirar um tempo para si, logo ficará doente. Aposto que Hinata e Boruto sentem a sua falta.
— Assim como sinto falta deles. — Seu olhar se desviou para janela, eu podia vê-lo pelo reflexo. Já não tinha mais o mesmo brilho de antes.
— Naruto. — O chamei e ele se virou para me encarar. — Você não precisa dar conta de tudo sozinho. Você ainda é humano e tem que se cuidar. Lembre-se de sua família, o serviço vai estar lá te esperando mesmo que você pare um tempo para descansar. — Ele sorriu minimamente.
— Prometo que vou tentar.
— Eu sei que vai, até porque senão tentar eu mesma vou ter que interferir e alegar que o trabalho está debilitando sua saúde. — O ameacei e ele abriu ainda mais o sorriso.
— Conto com você para isso.
Eu não estava de fato preocupada com tais ameaças, isso pelo jeito já vinha acontecendo a algum tempo e nada tinha se concretizado. Não tinha motivos para alarde por enquanto. Segui o caminho até minha casa, parando apenas no mercado para comprar algumas coisas que estavam em falta.
Ao entrar em casa já guardei as compras ou elas permaneceriam no balcão pelo resto da semana. Estava em dúvida sobre ir tomar um banho ou preparar o jantar primeiro, mas o cheiro de hospital me convenceu a optar pela primeira opção. Estava imersa na banheira quase dormindo quando senti a presença de Kakashi na sala. Com a maior preguiça do mundo me levantei ligando o chuveiro e enxaguando toda a espuma do meu corpo. Vesti um roupão quentinho e meu par de pantufas seguindo para a sala.
— Vim numa péssima hora? — Ele perguntou, seus olhos percorriam meu corpo com interesse.
— Não, tudo bem. Eu já estava terminando e ia vir preparar o jantar. Fica para comer comigo?
— Hum... — Ele olhou para minha cozinha e depois para mim. — Que tal sairmos nós dois para jantar? — Inclinei a cabeça para o lado o observando.
— Isso é um encontro Hatake?
— Se você aceitar, então sim. — Abri meu melhor sorriso.
— Vou me trocar e já volto. — Ele assentiu se sentando no meu sofá.
Andei o mais rapidamente para meu quarto, pensando no que deveria vestir. Se eu tivesse tido tempo provavelmente pediria ajuda para Ino. Mas como não era o caso optei por um vestido rodado que realçava o pouco do busto que tinha. Coloquei uma sandália baixa e arrumei meu cabelo que agora estava quase na cintura. Não parando para me avaliar ou certamente ficaria insatisfeita segui para a sala. Ele estava de pé olhando a estante de livros.
— Vejo que começou a ler os livros do Jiraya. — Ele apontou para o que eu tinha começado a ler na noite anterior e estava do lado da estante na mesinha de canto. — Nunca pensei que veria um de vocês lendo tal coisa. — Ele confessou.
— Achou que seríamos para sempre crianças?
— Não, obviamente não penso isso. — Seu olhar novamente se perdia sobre meu corpo. — Podemos ir? — Olhei atenta para ele.
— Podemos, mas como uma condição. — Falei e ele ficou surpreso.
— Diga.
— Quero conhecê-lo melhor.
— Se tem uma pessoa que me conhece, esse alguém é você Sakura. — Ele falou displicente.
— Não concordo, hoje percebi que pouco sei sobre você Kakashi.
— E quer mesmo conhecer? — Ele levantou uma sobrancelha ao perguntar.
— Quero. — Falei convicta.
— Tudo bem. Então vamos. — Ele estendeu a mão me surpreendendo com seu gesto. Demorei uns cinco segundos encarando antes de colocar minha mão sobre a sua. Saímos da minha casa em de mãos dadas e caminhamos pelas ruas, com todos os olhares sobre nós. Isso não pareceu incomodá-lo então eu também não me importaria.
— Onde vamos? — Perguntei ao ver que nos afastávamos do centro da vila.
— Você disse que quer me conhecer, então vamos para minha casa. — Ele falou baixo. Um arrepio percorreu meu corpo e só então percebi que não fazia ideia de onde ele morava. Seguimos até um bairro mais afastado e paramos em frente a última casa da rua. Mais a frente corria um dos rios que atravessava Konoha, a lua refletida na água deixou a paisagem parecida com uma pintura.
— É lindo aqui. — Falei. Ele permaneceu em silêncio, respirou fundo e sua mão apertou a minha.
— Vamos entrar. — Assenti o seguindo. Estava escuro ali, todas as luzes apagadas, mas assim que acendeu a luz da sala percebi que eu não sabia mesmo o que esperar. Talvez pelo jeito despreocupado de Kakashi eu o imaginei alguém bagunceiro ou frio. Aquela casa era sem dúvidas aconchegante e extremamente organizada. Nada parecia fora do lugar. — Essa casa era dos meus pais. — Ele falou, notando que eu observava tudo ao redor. — Não mudei muitas coisas desde que eles morreram, mas sempre mantive organizado. — Apertei sua mão gentilmente. Era um lado totalmente novo que eu via dele agora.
— Obrigada. — Falei. — Por me deixar entrar. — Ficamos em silêncio, mas já estava começando a ficar desconfortável. — Então vamos preparar um jantar? — Ele relaxou de imediato.
— Dessa vez quem vai preparar sou eu. — Ele falou orgulhoso. Olhei desconfiada enquanto o observava amarrar o avental na cintura.
— Desde quando você cozinha? — Perguntei interessada. — Pelo que eu me lembre isso ficava só para mim nas nossas missões, já que vocês três se diziam péssimos na cozinha. — Ele começou a assoviar descontraído. — Vocês mentiram a vida toda não é mesmo? — Perguntei, agora me sentindo uma burra por nunca sequer ter questionado.
— Culpado. — Ele levantou as mãos. — Prometo te recompensar. — Pensei a respeito. — Há alguma coisa que queira pedir?
— Hum... agora que tocou no assunto. Tem sim uma coisa. — Falei sorrindo.
— É só falar que prontamente vou atender. — Ele falou, fazendo uma mini reverência.
— Me deixe ver seu rosto. — Isso o pegou de surpresa, já estava pronto para me negar. — É mais do que justo, como posso saber que não estou beijando alguém completamente esquisito? — Ele riu divertido.
— Acha mesmo que sou alguém bizarro por trás da máscara? — Ele falou sentido levando a mão até o peito. Revirei os olhos com o drama.
— Não. Mas... por favorzinho. — Pedi já me levantando da cadeira e me aproximando. Nossos olhos se encontraram e não se desviaram nem por um segundo enquanto eu colava meu corpo ao seu e depositava alguns selinhos por cima da máscara.
— Você está me manipulando. — Ele falou fechando os olhos.
— Quem dera eu ter esse poder. — Falei, a vontade era de puxar a máscara e esconde-la, mas eu não ousaria fazer algo desse nível.
— Só você tem esse poder Sakura. — A forma como falou meu nome, como se acariciasse cada letra. — Tudo bem, mas me prometa que não vai fugir. — Ri baixinho empolgada, levei as duas mãos até a máscara puxando lentamente, prolongando ao máximo aquele momento. A cada centímetro de pele que aparecia eu me sentia mais hipnotizada por seu rosto. Assim que retirei por completo notei que ele permanecia de olhos fechados.
— Você é lindo. Absurdamente lindo. — Falei sincera. Ele ainda não tinha aberto os olhos então tomei a liberdade de tocar seu rosto, decorando cada detalhe. Quando passei meus dedos por seus lábios ele enfim abriu os olhos, seu olhar era quente e logo ele me puxava para um beijo lento, mas repleto de significado.
— Por que você usa a máscara? — Perguntei assim que nos afastamos. Ele voltou sua atenção para nosso jantar e eu me encostei no balcão apenas o admirando. Ele era incrivelmente bonito, mais do que poderia sonhar e não entendia o porquê dele se esconder atrás daquele pedaço de pano. — Se eu tivesse sua beleza certamente andaria por todos os lados a mostrando. — Falei rindo.
— Às vezes eu acho que você não se vê com muita clareza. Mas respondendo sua pergunta, acredito que seja hábito. Desde que me entendo por gente eu a uso. — Ele deu de ombros.
— Então acho melhor continuar com esse hábito. — Falei pensando alto. Se as mulheres já o desejavam sem nem ao menos ver seu rosto, seria um inferno na terra se elas soubessem como ele é ainda mais do que aparenta.
— O que disse?
— Nada. — Respondi rapidamente.
Ele se mostrou ser um exímio mestre na cozinha e me deixou ainda mais impressionada. A cada segundo eu parecia conhecer um pouco mais sobre o misterioso Rokudaime, e facilmente me via rendida a seus encantos. Quando por fim terminamos de comer eu me ofereci para limpar a bagunça e antes que ele pudesse negar eu já comecei a retirar as coisas da mesa.
— Estou surpresa. Como alguém como você ainda está solteiro? -Perguntei.
— Acho que nunca foi uma prioridade mudar meu status. Sempre tinha outras coisas mais importante. Confesso que só passei a pensar a respeito recentemente.
— Entendo. Posso te perguntar uma coisa?
— Mais uma? — Ele riu. — Pergunte.
— Quando foi que você passou a me ver como mulher. Digo eu era uma criança quando nos conhecemos e achei que me veria dessa forma pelo resto da vida.
— Assim me sinto um velho pervertido Sakura. — Mais uma vez ele fazia drama levando a mão até o peito.
— Sabe que não penso dessa forma.
— Eu sei, e respondendo sua pergunta acho que foi durante a guerra. Você estava tão forte e tão determinada. Aposto que não fui o único a se apaixonar por você. — Ele piscou e eu corei voltando minha atenção para a louça.
— As pessoas vão comentar sobre a gente. — Disse baixinho.
— Isso a incomoda? — Ele perguntou receoso.
— Na verdade não, mas me pergunto se isso vai te incomodar. Afinal mesmo que eu seja uma figura um pouco conhecida, você é o Rokudaime. — Dessa vez foi ele que revirou os olhos.
— Sakura, eu fui Hokage apenas para que pudesse preparar Naruto para o cargo. De qualquer forma já não estou no cargo a alguns meses. E minha vida pessoal não tem nada a ver com isso. Mas não quero que você se sinta pressionada ao meu lado, espero que esteja ciente que se envolver comigo pode ser complicado a curto prazo. — Ele foi sincero.
— Eu sei. Mas acredito que nós dois podemos fazer isso funcionar.
— Então o que acha de largar essa louça e vir aqui me beijar? — Ele estendeu os dois braços para mim.
— Já estou terminando, aguenta só mais um pouquinho. — Falei rindo do bico que ele fazia.
— Ok ok. Amanhã você vai trabalhar?
— Não, agora só quarta-feira. Porque?
— Que tal passarmos o dia juntos? — Um dia inteiro com aquela perdição em pessoa, não pensou duas vezes ao responder.
— Eu adoraria. O que tem em mente?
— Na verdade nada, achei que podíamos ficar em casa. Mas se quiser fazer algo podemos também.
— Ficar em casa é ótimo. — Falei, já pensando nas possibilidades que isso levantava.
Depois que terminei nós fomos até o sofá e entre muitos beijos eu me encontrava sentada no seu colo, sentindo sua excitação entre as minhas pernas. Me afastei ofegante colando minha testa na dele, ambos perdidos nos olhos um do outro.
— Acho melhor eu ir embora. Já está tarde. — Falei baixinho.
— Não concordo. Acho que você deveria ficar. — Ele beijou meu pescoço.
— Acho que amanhã teremos muito tempo para aproveitar um ao outro. — Respondi, mordendo o lóbulo de sua orelha.
— Acho que não será tempo suficiente e você deve ficar aqui agora. — Ele mordeu meu lábio o puxando para si.
— Acho que se continuar assim logologo você vai me convencer. Por isso... — Me levantei rapidamente. — Eu realmente devo ir.
— Não estou feliz com isso. — Ele cruzou os braços, como uma criança embirrada.
— Fique feliz que eu nãos saiba usar o jutsu de teletransporte como você. Ainda me paga por ter me beijado e sumido logo depois.
— Você estava adorável vendada. — Ele riu se colocando de pé. — Me permita recompensar a acompanhando até em casa.
— Tudo bem Hatake. — Estendi a mão e ele a pegou me puxando para si. — Vamos, antes que isso avance mais do que deveria.
— Agora estou curioso, me conte uma coisa.
— Sobre o que está curioso. Você me conhece perfeitamente.
— Eu sei sobre o Kazekage por que você me contou, mas teve alguém além dele? — Ele parecia despreocupado ao perguntar como se só estivesse curioso, claro que agora que eu o conhecia melhor podia notar as nuances em sua expressão mesmo ele tendo novamente colocado a máscara.
— Além da minha paixão doentia pelo Uchiha? — Ri sarcástica. — Não, na verdade meu primeiro beijo aconteceu na sexta-feira. — Ele parou por um momento e me olhou atento antes de voltar a caminhar ao meu lado.
— Entendo.
— Mas e você, devo me preocupar com alguma ex?
— Hum...
— Anda pode falar... — Eu estava certamente enciumada, mas não daria o braço a torcer então fingi não estar ligando para o rumo que essa conversa tomava.
— Eu tive alguns casos... mas nada que durasse mais que uma noite. — Ele admitiu. — Como eu disse, relacionamento não era prioridade, mas eu tinha minhas necessidades. — Ele deu de ombros. Para ele os casos eram só sexo de uma noite, não me atrevi perguntar números ou eu provavelmente não dormiria aquela noite.
— Entendo.
— Vamos levar a relação no seu tempo Sakura... não se preocupe quanto a isso.
— Não estou preocupada. — Menti descaradamente.
— Não? — Ele tocou minha testa sobre o vinco que eu sabia que se formava sempre que eu estava preocupada.
— É só que...
— Não se preocupe com isso. Já disse, tudo no seu tempo.
— Obrigada.
Ao chegarmos em casa ele me deu um beijo na testa e desapareceu. Eu entrei indo direto para o quarto já trocando de roupa e colocando meu pijama. Mesmo sabendo que eu demoraria a dormir me joguei na cama pensando a respeito de tudo que tinha acontecido durante aquela ida a casa de Kakashi.
As incertezas sobre o que podia virar aquela relação já não eram tão preocupantes visto que ele o havia mostrado sua verdadeira pessoa. E o fato dele ter mostrado seu rosto devia ser um voto e tanto de confiança. Sorriu ao lembrar do rosto que há tanto desejava conhecer. E foi se lembrando disso que acabou dormindo.
O despertador tocou, mas não havia pressa para se levantar. Desligou o barulho irritante se virando de bruços decidida a dormir um pouco mais. Não haviam combinado um horário para que ela fosse até a casa dele, mas sabia que ainda era cedo demais para isso.
Sentindo a luz solar entrar pelas frestas da cortina abriu os olhos minimamente se adaptando a claridade. Já se sentia descansada, e não se levantava por mera preguiça. Pensou sobre o dia que passaria ao lado de Kakashi, e isso a fez se lembrar da conversa que tiveram na noite anterior.
Relutante se levantou e parou na frente do espelho. Apesar do pijama ligeiramente infantil já era uma mulher formada. Mesmo não tendo um busto avantajado como as amigas ele tinha um tamanho razoável que combinava com o corpo magro. O quadril era largo, mais do que gostaria e tinha as coxas grossas pelo intenso tempo de treino que tinha tido na vida. Não se sentia uma mulher feia, apesar de não se sentir a mais bela de todas tinha seu charme. E certamente não se sentia insegura sobre o corpo.
Só não tinha se envolvido com alguém antes por acreditar piamente que o futuro com Sasuke era uma das certezas de sua vida. Claro que agora isso já era algo sem importância e talvez fosse a hora de seguir em frente de vez. Kakashi tinha sido incrivelmente honesto e receptivo. Ela poderia fazer isso. Pensando sobre isso seguiu decidida para o banheiro. Ela se entregaria para Kakashi. Era seu voto de confiança para aquela relação.
Passado meu momento de epifania veio a ansiedade súbita. Tinha noção da teoria, e se lembrava dos relatos de Ino ou Hinata sobre a primeira vez, mas vivenciar isso era algo mais complexo do que chegou a cogitar. Digamos que não tinha de fato imaginado isso com outra pessoa que não fosse Sasuke. E particularmente sempre que pensava em sexo com o Uchiha não era algo muito romântico ou demorado. Claro que Kakashi não era o Uchiha e não sabia o que esperar. Saiu do banho ainda se perguntando a respeito e enquanto se vestia pensou minuciosamente na roupa que deveria vestir.
Tudo aquilo era estranhamente exaustivo, talvez devesse parar de se preocupar tanto e só deixar as coisas acontecerem. Quem garantia que aquilo ia mesmo acontecer hoje? Tinha que ter o clima certo e talvez nem chegasse a esse ponto. Riu sozinha... ontem mesmo já haviam chegado a esse ponto, era quase inevitável.
Tentando deixar as inseguranças de lado saiu de casa, decidindo passar em uma padaria e comprar umas coisas para o café da manhã. Não sabia muito sobre os gostos de Kakashi, mas se lembrava perfeitamente da preferência do ex sensei por bolos de chocolate. Comprou algumas variedades e se dirigiu para a casa que aprendera a gostar em tão pouco tempo.
Quando chegou bateu na porta, mas ele não apareceu. Sentia o chakra dele ali então talvez ainda estivesse dormindo. Olhando ao redor notou uma das janelas abertas e sorrindo marota se empoleirou sobre ela para entrar na casa. Era a janela da cozinha então rapidamente se pôs a arrumar a mesa. Sabia onde ficava as coisas por ter arrumado na noite anterior e em poucos minutos já tinha até mesmo preparado um chá para ambos.
Sorrateiramente seguiu o corredor explorando a casa em busca do quarto de Kakashi. Não foi difícil achar, e quando abriu devagar a porta se deparou com a visão de suas costas nuas e de seus cabelos bagunçados. Ele vestia apenas uma calça de moletom e a coberta se encontrava no chão, claramente indicando um sono agitado. Me aproximei com cuidado me sentando ao seu lado e acariciando seus cabelos. Ele se remexeu sobre meu toque abrindo um ligeiro sorriso no rosto ainda sem abrir os olhos.
— Se isso for um sonho, não quero acordar. — Sua voz rouca se fez presente.
— Hum... se não acordar então não poderemos aproveitar o dia juntos e isso seria realmente uma pena.
— Com certeza não queremos perder isso não é mesmo? — Ele abriu os olhos e me fitou. — Bom dia Sakura.
— Bom dia Kakashi, que tal se levantar e irmos tomar café junto? Já preparei um chá e trouxe bolo.
— Vai acabar me acostumando mal se continuar assim. — Ele se sentou me dando a visão privilegiada de seu peitoral e abdômen definidos. Algumas cicatrizes pareciam deixar o corpo ainda mais viril. Desviou o olhar antes que ele percebesse que estava praticamente babando sobre si.
— Te espero na cozinha. — Falei me retirando do quarto. Me sentei já servindo o chá nas xícaras quando escutei os passos se aproximando.
— Você realmente trouxe bastante coisa, devo esperar mais alguém para o café da manhã?
— Exagerei? — Olhei para a mesa, talvez tivesse comprado coisas demais. — Eu não sabia do que você gostaria então trouxe um pouco de cada.
— Você é muito gentil, com certeza terei café da manhã pelo resto da semana. — Ele se sentou ao meu lado, e eu fiquei olhando seu peitoral ainda nu.
— Devo colocar uma camiseta? — Ele perguntou sorrindo. Corei desviando o olhar.
— Desculpe.
— Está mesmo se desculpando por me olhar?
— É... acho que sim. — Ri de como aquilo soava.
— Te incomoda eu ficar sem camiseta? Porque se isso a deixar desconfortável eu vou agora mesmo vestir uma.
— Não... — Falei rápido demais. — Tudo bem por mim.
— Você fica ainda mais linda envergonhada. — Ele tocou minha bochecha.
Depois de comermos e arrumarmos a bagunça seguimos para a sala. Conversamos bastante sobre nossos gostos e em meio a protestos tive que admitir que realmente os livros de Jiraya eram mesmo envolventes.
— Não sei se você já chegou nas partes mais apimentadas, mas me deixe ver sua reação ao lê-las por favor. — Ele pediu.
— Sobre isso, você parece ter bastante experiência. Me pergunto se ficaria frustrado diante da minha completa inexperiência.
— Às vezes você é completamente absurda sabia? Duvido que ficarei frustrado com algo relacionado a você.
— Fala sério?
— Claro. — Ele olhou nos meus olhos e vi sua sinceridade.
— Eu gostaria de mudar isso... Digo... Minha falta de experiência. — Falei baixando o olhar.
— Você está mesmo falando sério?
— Sim.
— Olhe para mim Sakura. — Levantei meu rosto, seu olhar tinha mudado, parecia que poderia me queimar com sua intensidade. Sustentei o peso que aqueles olhos depositavam sobre mim, mostrando que estava certa sobre minha decisão.
Ele tão pouco me respondeu com palavras, deixando que suas mãos me guiassem ele puxou gentilmente para que eu me sentasse em seu colo. Nossos olhos pareciam conectados um no outro de forma tão intensa me fazendo acreditar que eu não conseguiria desviar minha atenção mesmo que quisesse. Sua mão pousou em meu pescoço acariciando suavemente minha nuca, enquanto a outra estava em minha cintura como se eu fosse a criatura mais delicada do mundo. No entanto não consegui questionar se aquele cuidado era só porque era eu em seu colo.
Fechei os olhos sentindo seu rosto se aproximar do meu, meus lábios receberam os seus com avidez, mas ele suavizou o beijo ditando um ritmo tranquilo, mas repleto de desejo. Eu podia sentir em cada canto da sua pele o quanto ele sabia sobre o assunto e por um breve segundo me intimidei com isso. Passaria despercebido para qualquer um meu tremor, mas não para ele que estava concentrado demais em meu corpo.
— Você está segura com isso? — Ele perguntou, ainda parecia duvidar de minha decisão. Pensei numa forma que eu pudesse o fazer entender que eu realmente queria aquilo, mas minha hesitação foi o suficiente para que ele relaxasse os ombros.
— Espere, eu estou certa sobre isso. Eu só estava pensando em como te fazer entender, já que parece que é você que não está sentindo minha certeza. — Ele franziu a testa ligeiramente confuso.
Prendi meu cabelo num coque alto demorando minhas mãos sobre meu pescoço, eu precisava seduzi-lo e teria que aprender na prática. Minhas mãos pararam sobre as alças da minha blusa as descendo suavemente pelos ombros, ele olhava atentamente. Desci minhas mãos até a barra da blusa e tirei, tentando não me enroscar e acabar parecendo uma retardada, e quando consegui sorri de canto satisfeita. Os olhos negros de Kakashi queimavam a pele do meu colo com sua intensidade. Mordi o lábio inferior me perguntando se ele estaria satisfeito com meu corpo.
Senti seus dedos tocarem meus lábios, mostrando que tinha percebido minha inquietação, mas não fez o uso de palavras. Apenas puxou meu queixo para si juntando nossos lábios num beijo sensual. Mal percebi que estávamos andando, minhas pernas envolvidas em sua cintura agiram sozinhas enquanto ele me levava até seu quarto.
Senti o toque macio do lençol em minhas pernas e me apoiei na cama enquanto observava ele se afastar e ir rapidamente até o banheiro. Comecei a sentir um calor surgir de dentro para fora, me consumindo nas chamas quentes de meu próprio corpo. A forma como ele andava era confiante e se eu não o conhecesse jamais diria que era treze anos mais velho do que eu. Ele exalava jovialidade, mas acima de tudo sensualidade. E eu me arrisco a dizer que ele mal tinha noção do efeito que causava no sexo oposto.
— Você parece concentrada. — Ele falou, quebrando o silêncio. Se aproximou e eu fiquei de joelhos na cama ansiosa para sentir seu toque novamente.
— Estava impressionada, você é absurdamente sexy Kakashi. — Ele levantou a sobrancelha que tinha a cicatriz como se questionasse minha sanidade. — Parece que eu não sou a única que não se vê com clareza.
— Sakura, você não tem nenhuma noção do quanto eu a desejo não é mesmo? — Ele me perguntou, e de fato eu não tinha. Assenti incerta.
— Por que não me mostra? — Sugeri, mordendo meu lábio inferior com medo de parecer vulgar com o pedido. Novamente seus dedos foram até meus lábios.
— Se continuar a mordê-los eu não vou aguentar e te farei minha rapidamente. — Me arrepiei diante de seus olhos. — Mas não quero ter pressa hoje. — Sua mão desceu pelo meu pescoço, meus braços, passou pela minha cintura deixando ainda mais quente o caminho que me tocava. Com as duas mãos ele abriu facilmente o fecho do sutiã e contive o impulso de segurar a peça no lugar. Apenas observei os dedos ágeis se entrelaçarem na renda preta com delicadeza. — Talvez eu guarde isso para mim. — O modo como falou e depois colocou meu sutiã em cima da escrivaninha me fez acreditar que ele falava sério.
Ele voltou sua atenção para meu colo, e por incrível que pareça não senti que corava. Ou talvez meu corpo estivesse tão quente que não notei diferença alguma em minhas bochechas. Sua mão envolveu um dos meus seios e o apertou, não contive um gemido baixo que escapou por meus lábios. Era tão ... não consegui achar uma palavra que pudesse descrever.
— Sua pele é ainda mais macia do que pensei. — Sua voz era rouca e baixa, mas perfeitamente audível. — Você é perfeita Sakura. — Ele olhou nos meus olhos enquanto envolvia o outro seio na outra mão. — Incrivelmente gostosa. — Seu sorriso de canto precedeu o momento que ele abocanhava um dos seios me fazendo estremecer ao sentir sua língua rodear meu mamilo enrijecido. Levei minhas mãos até seu cabelo o puxando para mim, querendo mais daquela sensação. Era extasiante.
— Ah... Kakashi... — Dizer seu nome foi involuntário, mas parecia naturalmente certo. Ele soltou meu seio me obrigando a deitar na cama, o sorriso de canto, que devo dizer tinha se tornado meu preferido, não abandonou nem por um segundo seus lábios.
— Me deixe mostrar uma coisa. — Olhei atenta, me apoiando nos cotovelos enquanto o observava descer uma trilha de beijos por minha barriga parando no cós do meu shorts. Ele não olhou para mim enquanto retirava habilmente o jeans me deixando apenas de calcinha. — Se eu fizer algo que não a agrade por favor me diga. — Ele sussurrou, seu hálito fazendo cócegas na parte interna da minha coxa onde ele deliberadamente depositava beijos.
Senti seus dedos tocarem minha intimidade ainda por cima da renda, já me sentia molhada só por tê-lo tão perto, mal podia imaginar como era tê-lo dentro de mim. Ele massageou meu clitóris de forma ritmada e meu corpo já mostrava alguns sinais de espasmos. Era a primeira vez que aquela área era estimulada, e se repreendeu mentalmente por nunca ter sequer se masturbado antes. Ele retirou a calcinha e agora estava completamente exposta. Sentiu Kakashi roçar o nariz em sua virilha indo para sua intimidade, dando alguns beijos. Se concentrou em manter as pernas devidamente abertas e aproveitar aquela nova sensação.
Não quer ver anúncios?
Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.
Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Tão molhada. — Ele falou enquanto molhava seus dedos com minha excitação. Gemi ao sentir sua língua tomar o lugar dos dedos me saboreando com movimentos eróticos que mexiam com a parte mais intima do meu ser. — Tão deliciosa, pronta para me receber. — Ele sugou meus lábios assim como fizera momentos antes com a minha boca. O observei se levantar e já estava prestes a protestar quando o vi retirar o resto de suas roupas. Eu poderia ficar ainda mais excitada apenas por vê-lo despido? Me parece que sim.
— Você é real? — Perguntei me sentindo uma boba completa enquanto o admirava. Ele riu deixando a cena ainda mais surreal. Olhei para sua ereção me perguntando se era possível mesmo que tudo aquilo entrasse dentro de mim. Mordi meu lábio já ansiosa.
— Eu vou devagar e se te machucar eu paro. Prometo. — Ele deslizou a camisinha e se ajoelhou entre as minhas pernas, sua mão procurou pela minha a entrelaçando, enquanto a outra segurava seu membro rígido encaixando em minha entrada. Imediatamente tencionei os músculos, prevendo a dor de ter meu hímen rompido. Ele obviamente sentiu. — Sakura, você confia em mim?
— Sim.
— Então relaxe. — Ele me beijou ao mesmo tempo que eu esquecia o que estava por acontecer, focando minha atenção nos nossos lábios unidos, senti uma pressão em minha intimidade. A pressão aumentou tornando-se uma dor incomoda. Tentei ignorar enquanto me concentrava no beijo e apesar da dor aumentar um pouco não era nada insuportável. Ele cumpriu a promessa e foi devagar, me deixando acostumar com seu membro dentro de mim, provando que sim era possível tê-lo ali dentro. Quando senti que já não era desconfortável, encerrei o beijo o olhando nos olhos.
— Está tudo bem agora. — Toquei seu rosto, ele inclinou a cabeça de forma que pudesse beijar meu pulso. Começou a se movimentar dentro de mim, de forma lenta, mas indo cada vez mais fundo.
— Você é tão apertada. — Ele sussurrou enquanto beijava meu pescoço. Não consegui responder nada coerente apenas gemendo seu nome enquanto ansiava cada vez mais para que ele aumentasse o ritmo. Não precisei pedir, já que gradativamente ele acelerou no mesmo ritmo que nossas respirações se tornavam ofegantes. Para minha completa surpresa sua mão desceu rapidamente para meu clitóris o estimulando ao mesmo tempo que me penetrava, deixando minha visão turva pelo prazer. Eles poderiam estar no inferno ou no céu, nada mais importava além de tê-lo para si, e de se entregar de corpo e alma para ele.
Os espasmos agora eram mais intensos, fazendo com que seu corpo arqueasse de encontro ao dele, quase implorando para se entregar aos prazeres do orgasmo. Não sabia como controlar para prolongar aquele momento, na verdade nem queria. Queria se jogar do abismo e sentir de vez o prazer intenso do clímax e quando menos esperou seu corpo se entregou, dando lugar a sentimentos e emoções jamais sentidos antes. Não teve tempo de se recuperar, ele aumentou as investidas buscando pelo próprio orgasmo enquanto meu interior o apertava ainda sobre efeito dos espasmos.
— Ah Sakura! — Ele gemeu deixando que seu corpo relaxasse ao mesmo tempo em que fechava os olhos sentindo o próprio prazer. Ele saiu de dentro de mim, mas não se levantou apenas deitou sobre meu peito, sua respiração ofegante tocava minha pele fazendo cócegas.
Acariciei seus cabelos tentando controlar meu coração que agora era escutado atento por seus ouvidos. Um sentimento surgiu ao tê-lo tão carinhosamente deitado ali, e como poderia não surgir? Seria uma tola se lutasse contra aquilo que agora tomava todo seu ser. Teve quer rir ao ver o quanto o destino era imutável. Porque amar Kakashi agora era sem dúvidas sua sina. Seus destinos se cruzaram cedo para que tivessem tempo para amadurecer aquilo que se tornaria um sentimento tão único para ambos.
Notas finais
Bjx
Fale com o autor