Sina

1 Capítulo 1 - Sina


Notas iniciais
Olá, primeira fanfic de Game of Thrones, espero que gostem...

Pov. Sansa Stark

Nunca fui uma pessoa agradável, eu sempre soube disso, talvez para os mais distantes eu soasse como uma verdadeira dama, mas para os que realmente me conheciam sempre fui uma chata. Nem mesmo meus irmãos realmente apreciavam o tempo passado comigo e dessa maneira eu aprendi a ser melhor que eles ou a pelo menos acreditar que era.

Desde muito pequena fui criada para ser uma Lady, uma boa filha, que se tornaria mais tarde uma boa esposa e mãe. Tudo o que importava eram as aparências.

Dessa maneira, minha criação foi muito mais objetiva e rígida que a dos meus outros irmãos. Até mesmo Robb tinha mais liberdade que eu, ninguém nunca disse a ele como se vestir ou o impediu de brincar no quintal por simplesmente não ser apropriado. Mais do que tudo ele podia ser quem era e eu era obrigada desde criança a ser o que me permitiam, servir mais do que existir.

É certo que a maioria das mulheres pode fazer a mesma reclamação, mas em minha casa essa mesma ideia não valia. Arya podia ser tão muleque quanto quisesse desde que eu fosse a dama. Talvez eu só não tenha sido persuasiva o suficiente, talvez eu tenha engolido as convenções com facilidade demais...

Nunca coube a mim brincar na lama com meus irmãos ou me comportar mal. Eu tinha que ser perfeita em parte pelo o que a Septã cobrava de mim e pelo o que minha mãe esperava. Era o que uma verdadeira Tully faria.

Me lembro de ainda bem pequena sentir inveja de todos os meus irmãos, mas um em especial sempre me chamou atenção: Jon, meu meio-irmão, que minha mãe me ensinou a ignorar e maltratar. De todos nós ele era único realmente livre para ser quem quisesse. Cada um de nós era um Stark antes de ser qualquer outra coisa, porém ele não. Jon era Jon e seria ele mesmo para sempre.

Para alguns pode parecer sem sentido, mas ás vezes eu queria ser apenas uma bastarda, como Jon. Sobre meus ombros sempre houve mais responsabilidades do que eu me julgava capaz de carregar e pelo medo de decepcionar a todos passei a me portar cada vez mais da maneira como elas queriam que eu o fizesse.

Me alimentei de um sonho, que até hoje não sei se era meu, seria Rainha um dia, não qualquer uma, mas uma amada por todos, especialmente por seus filhos e seu marido. Seria feliz como nas canções que a ama gostava de cantar para mim, viveria um amor avassalador, mais do que tudo seria absolutamente feliz.

Me lembro como esperei pela visita de Joffrey, como me sentia superior a todos, mesmo não sendo Rainha ainda. Amava muito todos meus irmãos, mas secretamente eu sabia ou pensava ser a melhor deles, a que teria o melhor futuro. Qual foi minha surpresa ao descobrir que nada do que eu imaginava aconteceria...

Imaginei uma vida de bordados, de conversas frente do fogo, no amor entre meu marido e eu, nas visitas que minha família me faria constantemente quando eu estivesse já morando em Porto Real, nos filhos loiros e ruivos que teríamos.

A realidade foi bem diferente, o que começou com um sonho infantil se tornou um verdadeiro inferno. Joffrey não me amou nem por um segundo e nem se casou comigo. Fui odiada por Cersei e por todos naquele Castelo, meu pai foi morto bem na minha frente em certa parte por minha culpa.

O conto de fadas que eu inventei ruiu gradativamente até despencar por completo. Em pensar que Joffrey e Cersei foram só o ínicio de uma jornada muito longa e árdua de sofrimento.

A fuga veio como uma suposta salvação, porém me levou direto para os braços de Ramsay, um monstro que algumas pessoas ainda insistem em chamar de gente. O que ele fez comigo é imperdoável e inesquecível, como Ramsay mesmo disse em seu leito de morte, ele estará para sempre comigo.

Nunca me esquecerei do que passei nas mãos dele, nos estupros, nos maltratos em geral. Se existe alguém que eu odeio no mundo é ele. Joffrey perto dele parece um anjo.

Sobrevivi a tudo isso, porém não tenho certeza se tenho condições de continuar lutando. Sou quase que Rainha do Norte agora, tenho o título que sempre quis, porém não estou feliz nem perto de um dia estar. As lembranças dos horrores passados ainda perseguem meus sonhos e o medo constante dos ataques, tanto de Cersei quanto dos mortos-vivos, atormentam meu dia. Não estou segura, ninguém está...

A única pessoa capaz de me acalmar está há quilômetros de distância, longe de mim e perto de uma mulher que todos dizem ser louca. Tenho medo por Jon, tenho medo por mim, não sei se sobrevivo a mais uma perda. Preciso dele, preciso do bastardo, que eu sentia prazer em maltratar.

Não consigo mais dormir. Ninguém sabe disso, mas eu e Jon dividimos a mesma cama por semanas e agora que ele se foi não sei mais como dormir só. Tudo começou quando da parede do quarto dele, Jon foi capaz de ouvir um dos meus gritos, meu irmão veio correndo, pensando que eu estava sendo atacada. Quando ele percebeu o engano não foi embora, pelo contrário se deitou do meu lado e me abraçando esperou que eu adormecesse. Eu não pensei que isso se tornaria um hábito quando aconteceu a primeira vez, porém após um mês do primeiro episódio Jon se tornou tão certo quanto a noite.

Jon é tão quebrado quanto eu, ele também tem sonhos constantemente sobre a mulher que perdeu, sobre a traição que sofreu, e tantas outras coisas. Sonhos que ele não ousa me contar quando consciente, mas que dormindo não consegue evitar de dizer.

Minha presença se tornou um apaziguador da mesma maneira que a dele é pra mim. De uma forma estranha, nós tornamos amigos, co-líderes e estranhos companheiros. O que meu pai diria se visse isso?

Talvez finalmente se orgulhasse de mim. Não posso dizer o mesmo da minha mãe ou da Septã. Eu mesma tenho sentimentos conflitantes em relação a isso, sei que o amo agora mais do que amava Robb ou até mesmo Arya.

Sei que se pudesse o abraçaria e nunca mais o soltaria, pois nos braços dele eu certamente estaria segura tanto dos meus recentes pesadelos quanto do perigo iminente que corremos, mas por outro lado tenho a sensação de que posso estar traçando uma estrada sem volta, onde o destino final é um ato imoral e inapropriado que só os Lannister e os Targaryen deveriam ser capazes de fazer.

Notas finais
Reviews? Espero que vocês tenham gostado se quiserem mais fanfics parecidas não deixem de pedir! Beijos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!