"Poder não é tudo. É a única coisa que importa."

Roy Harper — Teen Titans

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Não era um pai amoroso.

Nem um bom marido.

Na verdade, de nenhum ponto de vista, a palavra “bom” parecia se encaixar em seu contexto.

Malcolm Merlyn era o mal encarnado.

Ele era Al Sa-Her.

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O Mago era aquele que ludibriava a todos com seu encanto. Não por menos a pequena Nyssa, quando o vira pela primeira vez, o havia nomeado desta forma. Não foi um simples truque da moeda, mas suas palavras.

Era a forma como um homem moribundo, sem treinamento algum, havia despertado o interesse de seu pai. Ra’s Al Ghul era a Cabeça do Demônio, aquele que todos deveriam temer. No entanto, quando pousou seus olhos em Malcolm Merlyn, sabia de todo seu potencial.

E de como ele desejava poder.

E que provavelmente, por isso, o trairia.

Ele não podia estar mais certo.

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Tudo para Malcolm era baseado no quanto ele queria. E não havia nada nesse mundo que ele não pudesse conseguir.

Ele quis ser rico e poderoso.

Ele foi.

Ele quis ter Maura Queen em sua cama.

Ele teve.

Ele quis se tornar um vingador cruel e assassino para vingar a morte de sua esposa.

Ele o fez.

Por fim, quis deixar a Liga dos Assassinos—um feito inédito entre todos os membros, pois uma vez ingressado, nunca mais pode-se sair.

Ele saiu.

E até mesmo quando reconheceu Thea como sua filha e a quis ao seu lado, a garota não conseguiu lhe dizer não.

Havia algo em suas palavras, no jeito como manipulava o tom de sua voz, naquele sorriso ordinário, que conquistava todos ao seu redor.

Ele era uma cria do Demônio e, como tal, não deixava nada escapar do alcance de sua voz.

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Isso tudo, no entanto, veio com um preço alto.

Sua mulher havia morrido, afastando qualquer possibilidade que ele tinha de manter um relacionamento com Tommy. Porque toda vez que olhava para o filho mais velho, ele a enxergava.

Nos traços de seu rosto, no ângulo de seu nariz, no brilho dos olhos que, embora fossem da cor dos dele, mostravam a intensidade e a doçura da mãe. E, sobretudo, o sorriso, sempre radiante. Isso era o que mais lhe feria. Malcolm não conseguia olhar para Tommy sem ver sua amada.

Então se afastou.

Com Thea, por mais que tentasse se aproximar, buscando ensiná-la a se defender para que nenhum mal a acometesse, ele apenas causava danos.

Malcolm era como uma lâmina afiada nos dois gumes. E sempre que se aproximava de alguém, sempre com suas defesas erguidas, tudo o que ele conseguia causar, era dor e sofrimento. Como uma granada de estilhaço, que pegava tudo ao seu redor.

Mesmo quando queria ser bom.

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Não era uma boa pessoa, mas não significava que não soubesse amar.

Ele, acima de todas as coisas, é claro. Mas isso não significava que não soubesse o que era amor. De sua forma distorcida, era exatamente isso o que sentia por Thea.

E que havia sentido por Tommy.

E por sua esposa.

Até mesmo por Moira.

Mas agora, enquanto a via morta, a sua pequena Thea, tudo o que ele conseguia pensar era como havia falhado em todas as coisas de sua vida até então.

E como ser O Mago não havia lhe ajudado em nada.

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E no entanto ele se recusava a desejar o retorno dela. O poço de Lázaro não trairia sua filha de volta, não aquela de personalidade forte que havia aprendido a odiá-la. Não. O que entra no poço nunca sai igual. Esse era um ensinamento tão vivido na mente de Malcolm quanto o fato do destino de Oliver já estar traçado.

Talvez porque ele já tivesse provado do poço.

Talvez porque, como Mago, ele só soubesse demais das coisas.

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Ele sabia demais.

Tanto que Oliver agora estava sentado na cadeira de Ra’s Al Ghul.

Tanto que Thea o odiava apesar de todas as coisas que havia dito para ela.

Tanto que Tommy estava morto.

Tanto que sua esposa estava morta.

Tanto que Moira estava morta.

Sabia demais, e provavelmente essa era sua sina. Nunca ser um bom marido, nunca ser um bom pai. Sempre cercado pelo desejo do saber, do possuir, do querer.

Sabia demais.

Tanto quanto sabia que aquilo seria o seu fim.

Notas finais
Acho que Malcolm é um dos personagens mais complexos e completos que já vi no enredo de Arrow e de muitas séries afora. Eu gosto do jeito dele, do misticismo, e de tudo que o envolve. Ele é intrigante, no mínimo, e acho que deveria ser explorado. Sinto que poderia ter falado muito mais coisas a respeito dele do que conseguir aqui.

Enfim, espero que gostem, comentem, favoritem, recomendem q

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!