Sin Miedo A Nada
7 Capítulo 7
Na Mansão Sán Román só estavam Estrela, que estava em seu quarto praticando um pouco de violino, Carmen, que estava no jardim e Alba que estava na sala. Alba estava indo até seu quarto mas antes de subir as escadas o telefone começou a tocar e já que ela estava ali perto, ela mesmo o atendeu.
Alba: Alô?
XX: Olá, com quem eu falo?
Alba: Me diga você quem está falando, era só o que faltava.
XX: Alba?
Alba: Quem está falando? Como sabe o meu nome?
XX: Vejo que continua a mesma ignorante de sempre
Alba: Ah, não sou obrigada a ficar ouvindo esses absurdos e diga quem está falando, se não eu vou desligar.
XX: Uma amiga que você não vê há muitos anos
Alba: Não diga bobagens, não tenho nenhuma amiga de anos atrás.
XX: Pode ter certeza que sim.
Alba: Ah, eu vou desligar, só me faltava essa.
Estrela: O que foi tia Alba? — ela perguntou descendo as escadas —
Alba: Uma mulher que eu não faço ideia de quem é, diz que é uma amiga de muitos anos e não diz o nome.
Estrela: Desliga logo tia, não vale a pena ficar implorando por atenção.
Alba: Tem razão Estrela — disse voltando ao falar no telefone — já que não vai dizer pra que ligou, adeus — desliga.
Estrela: Fez muto bem tia Alba.
Alba: Gostaria de falar com você Estrela
Estrela: Pode dizer tia
Alba: Já fazem dias que você não aparece na faculdade, o seu pai se mata pra conseguir tudo o que vocês querem e você não dá o mínimo de valor.
Estrela: Ai tia, não começa, por favor.
Alba: Digo isso para o seu bem Estrela, o seu pai paga e você...
Estrela: Tá, tá, tá bom tia Alba, eu já entendi — disse interrompendo-a — depois eu apareço lá, tá legal?
Alba: Acho bom mesmo!
Estrela: Vou sair tia, acho que vou visitar o meu pai.
Alba: Está bem, vá com cuidado!
Estrela decide passar na igreja para falar com o Padre Belisário antes de ir para as empresas Sán Román.
Estrela: Padre Belisário?
P. Belisário: Estrela? filha, que surpresa você por aqui.
Estrela: É eu precisava conversar com alguém e o senhor foi a minha melhor opção
P. Belisário: Sempre que precisar conversar eu estarei aqui, mas me diga, o que foi?
Estrela: Sabe Padre, eu preciso muito desabafar. O meu irmão Heitor saiu de casa por causa da decisão do papai de se casar com a Ana Rosa, ele não aceita, eu não aceito, minha tia Alba não aceita, nem a tia Carmen aceita, o único que a apoia é o Angelo, ele é muito bom e não vê maldade em nada, mas a Ana Rosa não é a mulher certa pro meu pai, ela só quer o dinheiro dele e dá pra ver isso, só ele não percebe. Eu quero muito a felicidade do meu pai, mas essa mulher não vai fazê-lo feliz e eu tenho certeza que assim que ela entrar na nossa casa a memória da minha mãe vai ser esquecida pra sempre e isso é o que mais me machuca — ela diz chorando — eu só queria que tudo fosse diferente, o senhor entende? Eu não sou uma menina malvada, mas a minha mãe me fez e faz muita falta, eu sou muito infeliz e eu não acho justo que o papai nos dê uma madrasta Padre, porque eu tenho certeza que a única lembrança que a gente tem da mamãe ela vai conseguir tirar e é a única forma que eu tenho de sentir que ela tá perto de alguma forma.
P. Belisário: Estrela, eu posso te entender filha. Olha, o seu pai tem direito de ser feliz e nenhuma mulher vai significar o que sua mãe significou, isso eu posso te garantir. Eu não convivi muito com a Ana Rosa, por isso não posso dizer nada, mas já tentou conhecê-la antes de julga-lá? Não se pode dizer uma coisa sobre uma pessoa sem saber Estrela. Eu sei perfeitamente o que você sente, mas posso te garantir que seu pai se casando ou não com ela, as coisas vão mudar de alguma forma e essa infelicidade que você sente hoje vai se tranformar em alegria, em muita alegria.
Estrela: Eu não entendi, o que o senhor quis dizer com isso?
P. Belisário: No momento certo você saberá Estrela, peça a Deus que conforte o seu coração, que te dê tranquilidade e força pra aguentar os momentos ruins.
Estrela: Eu vou tentar, eu prometo.
P. Belisário: Está bem filha — alguém bate na porta — entre por favor!
XX: Posso entrar?
P. Belisário: Maria, claro que sim, entre.
Maria: Obrigada — assim que ela entra vê a Estrela — ah, se o senhor estiver ocupado posso voltar depois.
Estrela: Não senhora, não se preocupe, eu já estava de saída — sorri — Padre, obrigada por me ouvir, de verdade.
P. Belisário: Sempre que quiser conversar sabe que pode me procurar.
Estrela: Obrigada, com licença.
Maria: — após a Estrela sair — Que moça bonita, me pareceu bem atortoada apesar de querer mostrar o contrário.
P. Belisário: É, estava, mas o que deseja filha?
Maria: Quero conversar, já sei como contar á todos que eu voltei.
P. Belisário: Como assim?
Maria: Vou reunir todos em um jantar, tenho certeza que ficaram muito surpresos com a minha volta.
P. Belisário: Maria, toma cuidado, pense bem no que vai fazer.
Maria: Eu já pensei Padre, já pensei no que vou fazer e no que vou dizer á cada um deles.
P. Belisário: Não se precipite Maria.
Maria: Eu não estou me precipitando, eu esperei 20 anos pra poder ver os meus filhos novamente e voltei, eu estou livre e não vou mais esperar por uma mentira que o Estevão inventou.
P. Belisário: Eu entendo esse desejo que tem de ver os seus filhos, mas tem que ir com calma filha, me preocupo pela sua segurança.
Maria: Eu sei, mas eu prometo que eu vou me cuidar, afinal de qualquer forma eles precisam saber que eu voltei.
P. Belisário: Maria, tem uma pessoa na família que você não conhece.
Maria: Quem?
P. Belisário: Angelo.
Maria: Quem é Angelo?
P. Belisário: O filho mais novo do Estevão.
Maria: Filho? O Estevão teve outro filho? Com quem Padre?
P. Belisário: Não é filho dele, abandonaram o menino e o Estevão não teve coragem de não ficar com ele e o criou, mas nem ele e nem Heitor e Estrela sabem disso.
Maria: Quer dizer que ele acha que é um Sán Román?
P. Belisário: Isso mesmo, você vai acabar conhecendo ele uma hora ou outra, é melhor saber.
Maria: Tudo bem, eu não vou dizer nada... Hoje eu liguei pra mansão Sán Román
P. Belisário: Por Deus Maria, falou com alguém?
Maria: Sim, com a Alba, percebi que ela continua a mesma de sempre, mas não falei que era eu, só disse que era uma grande amiga do passado.
P. Belisário: E como ela reagiu?
Maria: Foi ignorante, como sempre, mas ela vai levar um susto quando me ver, nem pode imaginar que sou eu.
P. Belisário: Cuidado Maria, muito cuidado, por favor.
Maria: Está bem Padre. Queria contar também que fui as empresas Sán Román, queria falar com o Estevão mas não o encontrei na empresa.
P. Belisário: Maria, não deveria ter ido lá.
Maria: Foi mais forte do que eu, eu precisava ir.
P. Belisário: Filha, você deve tomar cuidado, sabe que pode correr perigo fazendo isso.
Maria: Eu sei mas eu não vou deixar que roubem os meus filhos de mim por nem mais um dia, e eu ainda tenho que contar ao Estevão da nossa filha mais nova, o senhor entende que eu PRECISO falar com ele?
P. Belisário: Sim, eu entendo, que Deus te acompanhe sempre Maria
Maria: Obrigada Padre!
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