Sin Miedo A Nada
1 Capítulo 1
Naquela noite estavam se completando 20 anos da prisão de Maria, 20 anos daquele crime cometido pelo qual era fora condenada, 20 anos de todos os anos que lhe restavam de vida dentro daquela cadeia e 20 anos sem ver seus filhos.
- Hoje se completam 20 anos, não posso acreditar — Maria conversava com uma das carcereiras enquanto trabalhava fazendo pratas — São os meus primeiros anos aqui até morrer, sem poder sair.
- Maria, por que matou aquela mulher? Sabe que se não a tivesse assassinado, você não estaria... — Eu não matei ninguém — Maria disse interrompendo-a — já disse milhares de vezes que eu não a matei, mas se não quiser acreditar o problema é seu, nada vai me fará sair daqui mesmo.
- Está bem Maria. Escuta, quem são essas duas crianças da foto? — a carcereira perguntou olhando uma foto que Maria tinha com ela o tempo todo — São meus filhos, Heitor e Estrela, filhos que ele roubou de mim — Maria respondeu.
Assim como Maria, Estevão também relembrava esses 20 anos sem ela ao seu lado e ao lado dos seus filhos. Ele estava na sala da lareira em frente ao quadro de uma mulher desconhecida, chamada de Montserrat, a quem seus filhos chamavam de "mãe".
- Estevão, filho, o que faz aqui no escuro? — perguntou Carmen, uma das tias de Estevão, que ao entrar na sala, o surpreendeu sozinho e pensativo.
- Pensando tia, já são 20 anos daquela tragédia, 20 anos sem a Maria, 20 anos de mentiras, segredos que eu cansei de guardar, mentiras que as vezes tenho vontade de gritar para que todo mundo saiba, principalmente meus filhos.
- Mas você sabe que não pode dizer nada aos garotos Estevãozinho, eles sofreriam demais, acham que a mãe está morta e seria um golpe para os dois descobrirem do nada que a mãe está viva e presa, condenada a prisão perpétua.
- Eu sei tia Carmen, é pensando neles que não digo nada, maldito dia que prometi á todos que nunca diria a verdade á eles.
- Foi melhor assim, acredite filho, e fique tranquilo, Heitor e Estrela nunca descobrirão a verdade, todos nós que estávamos naquela viagem prometemos que nunca diríamos nada, Maria ficará presa para sempre e eles não terão porquê sofrer.
- Eu espero mesmo.
Na cadeia, Maria já havia voltado para sua cela.
— Maria, uma surpresinha — uma das carcereiras disse, colocando uma garota dentro da cela junto com Maria — por enquanto ela ficará aqui com você.
- Ei garota, você fica na parte de cima da beliche, a parte debaixo já é minha
- E quem é você pra mandar em mim? — a garota respondeu.
- Estou sozinha nessa cela a tempo suficiente pra dizer que a sua cama é a de cima, isso basta.
- Tá bem — a garota respondeu colocando as poucas coisas que tinha em cima da cama — eu sou Vivian, qual é o seu nome?
- Isso não te importa.
- Eu hein, já que vamos ser companheiras de cela acho que poderíamos tentar, pelo menos, não ser grosseira uma com a outra.
- Sou Maria, é só ficar na sua e eu vou ficar na minha e tudo ficará bem.
- Eu vou ficar por aqui 5 anos, então é bom se acostumar comigo. Quanto tempo falta pra você sair daqui?
- A vida toda — Maria respondeu sem olha-lá.
- E há quanto tempo está aqui?
- 20 anos.
- Tudo isso? — Vivian perguntou surpresa — Que crime cometeu?
- Não cometi crime nenhum, e isso não te interessa, nem devia ter te dirigido a palavra — Maria respondeu voltando a arrumar suas coisas.
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