Notas iniciais
Acho que o primeiro capítulo vai ficar um pouco pequeno (sim, eu acho, pois escrevi no celular e não sei ao menos quantas palavras deram, já que tive a ideia de postar uma história no meio da tarde).Espero que gostem!:)

O que o mundo exatamente é?

Por que vidas de livros conseguem ser melhores do que a vida em que vivemos realmente?

Nos livros, você pode viver um conto de fadas, ter poderes, voltar ao passado como você pode ir para o futuro e vivenciar um romance do qual jamais irá se esquecer.

E o que podemos vivenciar na vida? quase nada. Apenas nascer, crescer, ir para a escola, fazer uma faculdade, se formar e depois namorar para casar, e finalmente: morrer. Como se nada tivesse acontecido, como se nada tivesse sido vivenciado por cada um de nós.

É claro, que, nem todos se casam ou têm filhos ou ao menos vão para a escola e trabalham. Simplesmente preferem ficar no vídeo-game fugindo da realidade em que vivem. Mas é o que a vida é: uma chatice do cacete para alguns, e uma alegria do cacete para outros.

''Ally, você só pensa assim por que a sua vida é um tédio. Não tem amigos, não vai para festas, não se enturma, não faz nada. Só fica trancado naquele seu quarto com livros cheios de pó, como se aquilo fosse trazer o brilho do mundo lá de fora.''

Não sei se deveria ficar insultada ou agradecida por eles dizerem isso cada maldito dia para mim, pois metade que falam de mim, é tudo verdade e foda-se.

Mas eu me pergunto: O que tem de ''monstruoso'' e ''ilegal'' em ser eu? em não ser como os outros? devem estar tão acostumados por serem todos iguais que quando conhecem alguém que não é, acham estranho.

Ás vezes, tudo que eu quero era não ter nascido. Sim, tenho uma mãe legal e uma casa legal, mas EU não era legal. Minha mãe já me perguntou se era depressiva ou sofria Bullying na escola só por achar a vida um tédio. Eu ria cada vez que ela me perguntava isso. Isso era triste.

Música é a única coisa que parece certa na minha vida, onde tudo parece se encaixar como um pequeno quebra cabeça de escolas infantis. É estranho e legal ao mesmo tempo ler parágrafo por parágrafo de uma música que alguém escreveu, como se estivesse se libertando e mostrando quem realmente era através da música.

Outra coisa que minha mãe me dizia era: ''Compor é a forma de derramar seus sentimentos e segredos sem ser julgados pelos outros.'' o que era estranho, mas verdadeiro.

Mas tenho uma pergunta na minha cabeça que não sei se é certo ou maluco, mas: As pessoas entendem a música? ou só as ouvem? elas pensam nos significados aleatórios de cada palavra? que cada sintonia? ou elas só entendem os refrões de um jeito de acordo que se encaixa na vida delas? sabe, é o que eu acho sobre isso.

Digo, o que adianta uma pessoa apenas escutar a música e não pensar o motivo da pessoa ter escrito aquilo e ter exposto ao mundo? ter exposto para várias pessoas desconhecidas? o motivo de ele ou de ela quererem passar a mensagem de algo importante?

Nada faz sentido. A vida, os animais, as pessoas, exatamente nada.

Nem eu mesma faço sentido, de certo.

Na maioria das garotas que conheço acham que a vida é um conto de fadas onde elas serão as princesas com vestidos longos cheios de brilhos. Mas e se foram as madrastas? as empregadas? Por que as pessoas só pensam ser as melhores e não as piores? tipo: você pode ser uma empregada, mas pode ser uma garota digna ao invés de uma vadia de uma princesa mimada. Acho.

O mundo acha que podem ser salvados por pessoas, mas por que elas não podem se salvarem por contra propiá? além de salvar a si mesmas, teriam orgulho também.

Filmes, séries, e livros podem ser maravilhosos, mas mesmo assim, são uma puta de uma ilusão desgraçada na mente de cada pessoa. E também não fazem sentido algum no meu ponto de vista.

Por exemplo: A garota que sofre Bullying no filme. Por que a atriz que interpreta a personagem tem que ser o tipo de uma modelo de capa de revista? com olhos azuis, cabelos loiros e ter dentes mais brancos que um queijo azedo? por que não podem colocar uma simples garota que conhece sobre o assunto ou já possou por isso, para interpretar o papel? sendo que não é o que o filme quer transmitir? digo, que todo mundo é perfeito do jeito que é, e que não tem nada para temer? isso sem sentido?

O que diabos custa colocar uma maldita garota normal? O QUE CUSTA MEU DEUS DO CÉU?

Trish diz que penso demais em cada detalhe de cada coisa do mundo e que acabo fazendo as pessoas perderem a graça de tal coisa. E era verdade, mas foda-se, eu precisava fazer perguntas e observar.

– Ally? — Trish bate na perna de Ally. — ALLY! — Trish grita, fazendo meus ouvidos doerem mais que o normal.

– Já escutei, Trish. — Digo revirando os olhos — Desculpa, começo a escrever e coloco o foco apenas no que escrevo. — Sorrio.

– Eu percebi. — Ela faz uma cara de deboche. — O que está escrevendo aí?

– Coisas minhas, ou como você preferiu nomear ''minhas maluquices.'' — Faço aspas. Ela nunca entenderia.

– Você não percebe que o que você só sabe fazer é escrever em um papel? você não vive, não vai em festar, não vai em... — Corto ela.

– Não comece. Não hoje. — Digo irritada.

– Mas Ally, não acha que precisa ver o que tem lá fora? que precisa estar em um lugar que não seja este quarto que parece com uma biblioteca de 1830?

Odiava quanto Trish me trava como se fosse uma retardada ou uma depressiva. Como se eu fosse de outro planeta e que viver daquele jeito era algo completamente errado.

– Não. Acho legal ficar aqui, assim evito pessoas como você. — Confesso irritada. — Acho que é melhor você ir embora, já está ficando tarde mais.

– Não me entenda mal Ally, eu só quero que você... — Corto-a novamente.

– Sim, eu sei o que você quer, mas não vai funcionar. — Saio de cima da cama e abro a porta, insinuando que já estava na sua hora de partida.

Trish levanta com uma cara triste, sem entender o que realmente tinha acontecido. Ela nunca entenderia quem eu era, e como eu sempre serei.

– Eu não queria ter te ofendido, Ally. Sinto muito, mesmo. — Ela diz.

– Não é só por isso, Trish. Eu tenho aula amanhã e ainda tenho que buscar o Travis na escola hoje, você sabe. — Calço minhas pantufas e saio do quarto, procurando por alguma coisa que nem ao menos sabia o que era.

– Travis ainda estuda? pensei que ele estivesse de férias. — Diz confusa.

– As férias dele acabaram semana passada. — Digo normalmente.

– Ah. — Diz ela, triste.

– Acho que minha mãe saiu, Trish. Você vai ter que ir embora de ônibus. Não tenho carro e você sabe que após minha mãe chegar vou buscar o Travis, sinto muito. — Digo meio com vergonha. Não queria ser inútil para ela, mas havia me irritado, e realmente estava cansada de todo o drama só por causa de quem ela era. Não era a pior coisa do mundo ser Ally Dawson, ela não era o centro do mundo, não sei porque os outros viviam enchendo tanto o saco.

– Sem problemas. — Hesita. — Posso dar um telefonema? minha mãe pode ter saído e quero se ela pode vir me buscar aqui.

– Claro, sem problemas. — Subo em cima do balcão e pego uma maça. — Seja rápida, por favor.

Vejo Trish discando e logo ouço a voz de sua cama. Como? a mãe de Trish falava mais algo do que qualquer pessoa que exista no mundo.

– Mãe, você pode vir me buscar? Sim, estou na casa da Ally, vim com ela hoje da escola. Aonde está o papai? ele está bem? O QUE? você tem certeza? certo. Boa noite. — Trish desliga e se vira para mim, com uma cara alegre. — Minha mãe não vai vir me poder buscar hoje e ligou para a sua mãe perguntando se eu poderia ficar aqui esta noite.

Por favor, que ela tenha dito não. Por favor.

– E? — Pergunto hesitante.

– E eu posso! — Trish sorri, correndo em minha direção me abraçando como se fosse a última vez em que iríamos nos ver. — Você vai ter a melhor noite da sua vida, Ally!

– Por que? o que aconteceu? — Pergunto na cara de pau.

– Meu pai teve que ir ao hospital, ele está doente e precisa que minha mãe fique lá até ele levar alta. — Trish diz.

– Ok. Tudo bem. Sinto muito, Trish. Espero que ele melhore logo. — E espero muito.

– Mas é claro! — Ela sorri, bate as mãos nas jeans e grita: Vamos parar de falar sobre coisas tristes, vamos ter a melhor noite de suas vidas.

Como diabos ela poderia estar feliz com o seu pai em um hospital? Que mundo é este que estamos vivendo?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.