Simplesmente para Provar que Eu Existo...
5 Dúvidas e Mais Dúvidas
Notas iniciais
–Não... – falo sem pensar.
–Que foi? – perguntam Mari e Mizu.
Olho pra elas e o medo passa um pouco, procuro ver a sombra novamente, mas ela desapareceu.
–Onde... – não consigo falar, lágrimas saem de meus olhos, como se eu fosse uma bebezinha chorona.
–O que houve Dare? – Mizu parece temer algo também.
–É, parece que viu um fantasma! – concorda Mari.
–Ah... – pego minha máscara e coloco pra esconder minha fraqueza – N-não foi nada, só uma miragem.
–Mas você estava tão assustada! – exclama Mari – Parecia que ia desmaiar.
–Estou bem agora – minto – Já chega de tanta enrolação. Por que não vamos logo?
Elas concordaram e juntas andamos pela floresta com o sol nos aquecendo novamente, depois dessa noite fria e cheia de discussão. Penso em um milhão de coisas ao mesmo tempo, não posso ficar fingindo que nada aconteceu por muito tempo, aquela sombra se parecia comigo e era feita de trevas. Isso foi assustador!
Sem perceber estou olhando pra trás com uma curiosidade e esperança estranha.
–O que é agora? – Mari está irritada.
–Hã? Nada – também me pergunto por que estou assim.
–Dare! – ouço alguém chamar, essa voz é familiar...
Meu coração dispara e fico eufórica do nada logo que vejo Kitsune, quero correr e abraçá-lo. Que pensamento idiota!
–Dare! – ele para ao nos ver, Mizu se esconde atrás de mim – Aonde você vai? Procurei você na escola, mas havia fugido. O que está fazendo na Floresta dos Corações Corrompidos?
–Eh... Bem... – as palavras ficam presas em minha garganta, sinto meu rosto quente, devo estar corada.
–Quem é esse? – indaga Mari sorrindo pra mim descaradamente.
–Meu nome é Kitsune – ele sorri envergonhado, espero que não seja por minha causa.
–Eu sou Mari – ela se apresenta.
–Mi... zu – a garota continua escondida atrás de mim.
Kitsune não para de rir e parece nervoso.
–Aonde vocês vão? – questiona.
–Para... – não sei se devo contar tudo, mas quero que ele saiba, quero que venha conosco –... Kusatta Kankyo derrotar as trevas.
Ele arregalou os olhos como Mari fez ao ouvir isso.
–Vocês não estão falando sério, né?
–Por quê? Acha que não podemos? – desafia Mari – Somos bem capazes...
–Até parece – zomba Kitsune – Nem o homem mais forte do mundo conseguiu voltar vivo de lá. O que dirá de garotas como vocês?
–Não me chame de fraca! – minha máscara cai, ela não está querendo ficar no lugar.
–Mas isso é burrice! Loucura! – ele não está com o mínimo medo de mim.
–Ninguém pediu sua opinião – comenta Mari.
Mizu continua calada.
–Tá, morram se quiserem – Kitsune se vira pra ir embora.
–Espera – peço – Por que veio até aqui? Se arriscou só pra dizer essas coisas irrelevantes?
Ele sorri sem graça e ajeita o cabelo, eu também estou sorrindo. Por que estou sorrindo assim?
–É... eu vim pra falar contigo... a sós – ele olha pra Mizu e Mari.
Mari sai rindo empurrando Mizu pra longe.
Depois que elas estão fora de vista pergunto:
–O que quer falar comigo?
Tomo um susto com o selinho repentino que ele me dá, não tenho tempo de pensar direito nem falar nada. Então Kitsune sai correndo pela floresta, não o chamo, estou desnorteada pra isso. Aí me toco que acabei de beijar pela primeira vez, coro e rio boba. Não creio no que aconteceu, foi tão rápido e estranho. Não acredito que Kitsune me beijou um dia depois de me conhecer. Ele é tão bonitinho! Isso parece um sonho!
–Ai, que fofo! – Mari salta das folhagens gritando – Eu vi tudo! Isso é tão bonitinho!
–Eh?! – aposto que estou vermelha como um tomate, que coisa constrangedora – Vo-vo-você viu?
–Sim – afirma ela – Quero ser madrinha do casamento!
–Cala a boca! Foi só um selinho... – digo trêmula, estou tremendo em choque.
–Parece que você é mais bonita do que pensa – comenta Mizu.
Não consigo evitar o impulso de me esconder atrás da máscara.
–Por que você faz isso Dare? – questiona Mizu tristonha.
–Bem...
–Estranho, né? – nos interrompe Mari pensativa – Por que será que ele a beijou e fugiu?
Isso me desanima um pouco, não senti nada naquele beijo, como se estivesse sem emoção. Como se não fosse real, não senti que ele fez isso com amor. Mas o que foi aquilo então?
–Sinceramente...Tudo nos atrapalha! – resmungo fugindo do assunto – Desse jeito nunca vamos chegar à Kusatta Kankyo! Se não formos logo tudo estará perdido!
–Sério? – as duas se apavoraram.
–Sim! – afirmo – Vamos de uma vez!
–Então vamos correr! – Mari e Mizu correm em minha frente.
–Ei esperem! – corro atrás delas.
Andamos pela floresta sorrindo pra evitar as trevas, desvio várias vezes do assunto de Kitsune, ainda tenho muitas dúvidas quanto a isso. Queria que ele viesse com a gente, mas não posso fazê-lo vir atrás de nós correndo risco de morte.
–O trio das suicidas querem derrotar as trevas sem arma nenhuma – diz alguém que eu conheço.
–Deus, quem é essa?! – Mari arregala os olhos e Mizu se afasta assustada.
–Morte, o que faz aqui? – pergunto surpresa – Disse que não podia vir.
–Não estou aqui de verdade, é só uma mensagem – explica ela – Você não pode andar por aí sem ter como se defender. Acham que as trevas irão ceder com tapas, socos e chutes?
–Você tem razão – concordo – Não tinha pensado nisso.
Morte pega e mostra uma espada que parece poderosa, tem detalhes um pouco sombrios e me atrai, quero segurar aquela espada e ver o que posso fazer com ela. Mas só de me imaginar machucando ou até matando seres, me assusta.
–Pegue – ordena ela vendo que me contenho.
–Como se isso é uma mensagem? – meio que disfarço.
Morte joga a espada que sai da mensagem pra minha surpresa, pego ela com um reflexo rápido e me sinto estranha, sei que posso me virar pra Mari e Mizu e feri-las. Claro que não quero isso, de jeito nenhum. Devo usar esta espada para derrotar as trevas e não ajudá-las. E é isso que vou fazer.
–Eh...Morte...Quer dizer, Morte-chan ou talvez Morte-san. Como devo chamá-la? – indaga Mari com receio – Gostaria de fazer uma pergunta, se é que posso.
–Faça – permite Morte.
–Se você é a Morte por que não é aliada das trevas? Não que eu queira isso mas...
–Você acha que não há nada além do que está vendo? – questiona Morte – Que é isso e só? Devemos obedecer ordens apesar de às vezes não percebemos, estamos sendo controlados não só por nós mesmos. Há sempre alguém controlando tudo, toda essa história, nos colocando obstáculos e vendo como nos saímos.
–Como assim? – pergunta Mizu.
–Kami – responde ela – O Autor desse drama, o Criador de Mundos e Histórias, milhões e milhões de histórias. Incluindo essa. Fazemos parte de uma interminável peça de teatro.
–Kami? – Mari e Mizu estão chocadas.
–Não consigo acreditar – cerro os dentes – A minha vida toda foi um saco, dentro dessa pequena lixeira que chamam de Terra ou Janku. Estou sempre me ferrando por causa de que? Por que Kami quis?!
–Ele tem grandes planos pra você Dare, não sabe o que Ele quer — diz Morte.
–Não sei mesmo! – concordo – Não compreendo...Por que tem que ser assim?
–É verdade que os planos Dele são difíceis de entender, mas você não sabe como é difícil ser Kami.
–E você sabe por acaso? Já foi Kami? – pergunto.
–Não... – nega ela – Mas deve ser bem difícil.
Suas palavras finais foram fracas e paradas, quase como se ela quisesse chorar. O que me deixa com uma sombra de dúvida.
–Bom, vão logo, não percam tempo! –Morte desvia do assunto – Mizu, Mari, vocês querem armas também?
–Oh, o que é essa coisa gigante? – Mizu e Mari se entretêm – Eu quero isso aqui!
Eu continuo pensando, tenho um monte de perguntas: O que Kami quer comigo? Por que Morte agiu dessa forma tão estranha quanto a Ele? E se Ele quer que as trevas sejam derrotadas por que já não fez isso?
“Um Autor não pode interferir em sua própria história, nem se quisesse”
Essas palavras ecoam em minha mente, não sei quem foi, mas não parecem ser as trevas. A voz é igual...a minha.
–Kami, eu preciso morrer, não é? – deduzo e a resposta vem:
“Não distorça as coisas, no final em meio à destruição a pessoa por trás dos bastidores aparecerá. Aí todos os segredos dessa história serão revelados”
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Enquanto as duas garotas destruíam tudo e continuavam infelizes. A pessoa que fez elas serem assim observava e admirava sua grande e fantástica história. Mas não estava feliz. De que adianta criar milhões de mundos imperfeitos cheio de crueldade, bondade, trevas, luz e não poder participar? Vai continuar naquela vida vazia sem poder enfrentar dificuldades e vencê-las de forma heróica como os personagens. Parece ridículo, mas é horrível.
Com esse pensamento insano na cabeça, Kami decidiu que tentaria participar de sua história, também queria ser um ator na peça que criou.
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