Simplesmente para Provar que Eu Existo...
2 A Influência das Trevas
Notas iniciais
Eu e Tammy resolvemos procurar um caminho, ela era realmente incrível. Ela me passou muita alegria. Mas um dia as trevas apareceram em plena escola, Tammy não foi à aula e o dia estava chuvoso e triste. Pressenti algo ruim e o pior é que eu não consegui nem falar com Kotori porque aquela garota chata se intrometia. Me fingi por trás da máscara que não ouso tirar, o que eu queria era dar uma surra nela, mas tive de mentir e me fingir de ingênua.
Tammy não apareceu outro dia,as trevas aumentaram e tentei manter a chama ainda acesa. Ela não apareceu no dia seguinte, nem após ele e comecei a ficar desesperada. Onde está minha borboleta? Cadê minha única esperança? Voou pra longe, migrou com a chegada do inverno, desapareceu no ar.
Fico muito triste, passamos menos de um mês juntas e ela vai embora sem nem dizer adeus? Ninguém sabe dela como se nunca tivesse existido, nunca chorei por pessoas dessa forma como choro agora, a esperança está acabando. Hoje é mais um dia que ela não vêm.
De repente Kah me atira muitas flechas e fica rindo, dói muito, odeio ela. Mas tenho de fingir, somente fingir.
–E aí, “Dare”! – me dá um tapa no rosto – Por que você anda com essa esquisita Kotori?
Fui esfaqueada. Me levanto cambaleando, com o sangue pingando e a dor invadindo meu coração. Quero chorar, mas se eu fizer isso irei parecer fraca, tenho que ser forte.
“Por que não faz a mesma coisa?”
Ouço alguém, as trevas, querendo me corromper.
“Dê o troco! Se vingue!”
Não posso ouvi-las, senão estarei perdida.
–Calem a boca! – ordeno – Não vão me corromper! Sou forte!
“Forte? Você é uma covarde! Tem medo de tudo por isso se finge, mas é um monstro escondido por trás de uma máscara”
–Não! Eu nunca fiz o mal pra ser assim! Sou boa! – discordo chorosa.
“Uma bebezinha chorona, uma bonequinha quebrada. É só irritar um pouquinho que a gata trapaceará, você é uma falsa que engana a todos. Ou talvez não...Imagina se eles tirassem sua máscara?”
–Isso... – me apavoro com a ideia, eles saberiam que sou um monstro.
“É muito fácil matar uma pessoa, ainda mais aqueles que você odeia, como Kah”
Tenho de lutar, não posso ficar parada sem fazer nada, preciso acabar com as trevas.
Soco a primeira sombra que vejo, um garoto risonho com um coração provavelmente maléfico, todo de preto, as trevas. Há vários garotos iguais na verdade, tenho de derrotá-los.
O garoto de trás me dá um soco nas costelas e chuta minhas pernas, fazendo-me cair de lado no chão. Outro garoto fica em cima de mim e soca meu rosto, isso dói. Ele segura meu pescoço e me dá mais socos, um, dois, três, quatro. Fico zonza e tenho lágrimas nos olhos, ainda bem que estou com a máscara.
–Pare! – peço tentando machucá-lo com tapas e socos patéticos que não doem nada pra ele.
–Isso é ridículo! – ele ri e pega uma faca, a lâmina perfura meu peito letalmente.
Meu coração se aperta enquanto ele me esfaqueia várias e várias vezes, não consigo me libertar não importa o quanto me debato. Quero que ele pare, que essa dor acabe, por favor...
Por instinto mordo sua mão o mais forte que posso e pego a faca que antes me feria, acerto seu pescoço, mas não sai sangue algum. Um dos garotos me levanta e me joga na parede, a colisão faz um estalido ser ouvido, talvez eu tenha quebrado algo. Os garotos vem chegando.
–Seu monstro covarde! – zombam em uníssono todos iguais – Tire essa máscara e se liberte!
–Não! – discordei.
Um garoto golpeia meu pescoço e arquejo com a falta de ar, mas não posso me entregar. Para a primeira coisa que toco, é um bastão de metal, perfeito. Ataco o garoto que está mais perto, acerto seu rosto e depois seu estômago rapidamente. Outro garoto me dá uma cotovelada e chuto sua barriga. Corro até dois deles e os acerto, mas parecem não sentir dor. Um deles me soca e tento empurrá-lo com o cotovelo, não consigo. Ele me segura bruscamente na parede e dá mais socos, minha máscara cai.
Apavoro-me e entro em desespero agora que minha máscara caiu. De repente sinto uma onda de poder, sinto ódio daqueles garotos, desejo...matá-los.
Empurro o garoto que me segura com um chute, outro garoto tenta me atacar, puxo sua cabeça e lhe dou uma joelhada. Me defendo de uma lâmina que quase acerta minha cabeça, rapidamente vou para o lado e golpeio as costas do garoto. Tudo acontece muito rápido, não sinto a antiga dor, sinto só ódio. Alguém chuta minhas costelas, dou-lhe uma investida, bato umas cinco vezes nele. Outro me atira no chão, ele tem um bastão como o meu, me bate várias vezes. Fico desorientada e isso dói demais, mas não posso desistir. Consigo segurar seu bastão, empurro o mais forte que posso, isso o distrai o suficiente para eu conseguir dar uma cambalhota no meio disso e afastá-lo com o pé.
Ainda não acabou, há muitos deles. Tentam me acertar de várias maneiras, me machucam bastante e tento me defender da melhor forma possível. Depois de muito me ferir nem consigo levantar do chão. Grito, de raiva, frustração, de dor, de tudo.
–Você não vai resistir por muito tempo – eles riem.
–Não posso desistir... – murmuro tão baixo que eles não ouvem – Tenho...esperança...
Tento levantar, caio de joelhos, estou fraca, perdi muito sangue. Tento de novo e consigo ficar de pé, mas estou trêmula.
–Não serei dominada pelas trevas – penso bem, há apenas um deles que pode desaparecer.
Vejo um dos garotos rindo num canto, ele parece ser diferente dos outros, mais maléfico e mais real. É ele, com certeza é. Tenho de deletá-lo.
Solto um grito de guerra e ataco todos os que se metem em minha frente, estou mais ágil e com mais raiva. Os machuco cruelmente o mais forte possível. Eles não são humanos, são trevas e tem de ser combatidos. Além do mais eles não sentem dor ao que parece, preciso chegar ao verdadeiro.
Quando me aproximo dele o garoto acerta meu rosto com algo grande de metal, a dor é imensa e eu nem tinha visto aquela coisa se aproximando. Ele ataca de novo, por cima de minha cabeça. Quase bato o rosto no chão, o golpe foi tão forte que meu corpo se curvou. O garoto dá uma risada e me puxa pra perto dele pelos cabelos.
–Você acha que pode derrotar as trevas? – debocha ele – Você nem consegue derrotar as trevas de si mesma.
Tento me libertar e ele resolve me soltar.
–Se quer mesmo nos derrotar venha e derrote nosso líder.
Todos os garotos desaparecem e as pessoas me olham pasmadas e boquiabertas. A máscara...a coloco o mais rápido possível, só espero que eles não tenham conseguido ver meu rosto direito.
–O que houve? – pergunta um garoto loiro com orelhas e cauda de raposa.
Fico Sem fala e ele vem até mim, minha respiração se acelera e meu coração dispara.
–O que aconteceu com você? – ele quer saber.
Tento me levantar, mas caio pateticamente gemendo.
–Parece que você foi à guerra – comenta ele de olhos arregalados – Quer ajuda?
–Hum – gemo.
Ele me ajuda a levantar, estou toda dolorida, cada movimento me dói.
–Qual seu nome? – indaga ele.
–Não sei – respondo – Todos me chamam de Dare.
–“Ninguém”? Isso deve ser horrível, ser chamado de ninguém. Não faz você se sentir mal?
–Um pouco – ele tem toda razão, ser chamada de ninguém é doloroso.
–Eu me chamo Kitsune – ele se apresenta.
Raposa, o nome dele significa raposa, faz muito sentido. Gostei dele.
Kitsune me leva a uma enfermaria e uma garota de cabelos coloridos aparece e sorri.
–Kitsune-kun eu estava te procurando.
–Ah, não! – Kitsune fica risonho e foge da garota que vai atrás dele correndo.
Sinto uma pontada estranha no peito. Eu estou com...ciúmes?
–O amor é uma perda de tempo! – Morte me dá um susto – Preste atenção em sua missão, não em raposas fujonas. As trevas querem pegá-la, para derrotá-las terá de ir até seu líder.
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Mesmo que as garotas escondessem suas intenções elas não poderiam guardar pra sempre isso em si. E um forte impulso as levou a matar uma voz que as perturbava, elas haviam se libertado das correntes e experimentado algo consumidor: matar. As trevas começaram a aparecer destruindo a antiga paz na sociedade, as primeiras trevas nasceram.
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