Maria segue sua vida, com seu filho Aben, em meio a lutas do dia á dia, para sustentar uma casa, sozinha.

As vezes ela se apertava entre uma conta e outra, quando esfriava por exemplo o movimento caia muito. Mas as contas não diminuíam na mesma proporção, aliás surtia o efeito inverso, pois as contas se acumulavam devido á pagamento fora do dia e juros etc...

Mas nunca, nunca mesmo, Deus permitiu que os dois filhos de Maria passassem vontade sequer de qualquer alimento que quisesse, e por sinal, é bom dizer, que as crianças tinham uma alimentação que nem filhos de ricos tinham.

Pois Maria tinha prazer em cozinhar, e cozinhava muito bem, e a cada dia uma comida diferente, recheada com muitos legumes e verduras, ela desenhava os pratos com tanto amor, que a alimentação era uma diversão á parte para seus filhos.

Ela poderia se apertar de um lado, até poderia economizar com outras coisas, mais alimentação não.

Mas para falar á verdade, mesmo com sua casa, suas clientes e esse filho Abençoado que ela amava demais, ela não andava feliz.

E desde aquela descoberta sobre Odilo, ela nunca mais teve um momento realmente alegre. Ela via o filho crescendo, muitos milagres divinos acontecendo através da vida dos dois, ela se emocionava, mas a felicidade tinha ido embora.

A tristeza era muito grande, seu coração estava partido. Ela já não sentia desejo de viver, vivia pela criança.

Ja faziam sete meses do fim do relacionamento dos dois, não que ela o quisesse de volta, absolutamente não era isso, mas é que algo dentro dela se perdeu com o fim do relacionamento deles.

É como se ela tivesse parado de acreditar que a vida valesse á pena. Pois Maria com todas as dificuldades que havia enfrentado, mesmo nos momentos mais difíceis, dentro dela, ainda existia desejo de viver. Mas agora por mais que ela tentasse, não conseguia recuperar essa esperança na vida.

Maria então começou a fazer oração e jejum. Ela pedia á Deus por um milagre.

Pois agora já tinha perdido todo o apetite; não queria comer. Ela não sentia fome. As clientes e amigas, perguntavam por que ela estava tão magra, e ela dizia que havia feito regime. Ela ficou tão magra, que ficou cadavérica. Era mesmo feio de ver o aspecto dela. O sangue parecia que havia sumido do corpo. E se já não bastasse tudo o que estava acontecendo com ela, a perda do primeiro filho, a separação do homem que ela amava, as dificuldades financeiras, agora a dona da casa que ela alugava, havia pedido a casa, e Maria não tinha para onde ir.

E pior, não conseguia alugar nenhuma casa sem ter fiador, pois em sua cidade, como na maioria das cidades, eles exigem dois fiadores e cada um com dois imóveis, e Maria havia alugado essa casa há dez anos por Deus, na confiança.

E agora a proprietária pedia á casa, e Maria disse á ela que não tinha para onde ir, mas ela não quis saber, e mesmo todos alugueis em dia, ela insistia no assunto, e depois de um tempo esperando e nada de Maria conseguir outro lugar para se mudar, á levou á justiça, pedindo a entrega da casa, e agora Maria temia ser despejada e não ter para onde ir com o filho.

Parecia que o cerco estava fechando em sua vida, e que todas aquelas coisas aconteciam com ela, porque ela insistia em ser como ela era, parecia que ela pagava um alto preço por ser verdadeira e espiritualista.

Não era possível, pois quando ela pensava que uma dificuldade acabava, vinha uma maior.

E o medo de ser despejada se misturava com a dor da perda de Odilo, que se misturava com a saudade do filho Abraham, e que se misturava com a luta do dia á dia para cuidar da casa, do bebê, atender as clientes, cozinhar lavar passar, ir á supermercado, abastecer o salão de produtos etc.....Mas ela levava isso tudo com maestria. Ela inclusive conseguia tempo para ela, para ler, ouvir música e principalmente ela conseguia tempo para dar carinho, atenção e amor á Aben, pois isso ela priorizava.

E se tivesse que fazer algo necessário á Aben, e no mesmo horário tivesse uma cliente que chegasse sem hora marcada, ela dizia francamente, que não iria atender, pois era hora de cuidar de seu filho. Ela nunca inverteu essa ordem. Primeiro o filho, depois trabalho e dinheiro. Mas ela sabia que em muitas casas, o filho vem depois do trabalho, e depois do dinheiro. Como se fossem menos importantes. Na casa de Maria Não!

E ela pagava um alto preço por ser assim, mas pagava com gosto!

Maria não tinha luxos, andava bem vestida por ter um estilo próprio, mas comprava roupas para ela quando realmente já não tinha oque vestir. E comprava na maioria das vezes roupas usadas em brechós, ela amava, pois comprava roupas finas e com precinhos muito em conta.

Ela chegava em casa e lavava as roupas, as que precisassem de retoque como costura ou tingimento, ou até personalizações, ela fazia.

E quando Maria vestia á roupa, muita das clientes perguntavam onde ela comprou, pois eram lindas e diferentes.

Ela também não era dada á saídas, era muito caseira, e seu passeio era ir á supermercados e loja de cosméticos comprar produtos de salão.

No restante do dia ficava em casa com Aben. Esse era seu maior prazer, e ainda é!!!!!!!

Até que com toda essa situação, vem a oferta, que dependendo da resposta, Maria finalmente sairia desse sufoco.