Simplesmente "Maria"
11 Golpe fatal.
Maria ia todos os dias, desses que seriam sete dias de férias de seu filho, na casa da mãe.
Ela passava lá, via o filho e perguntava como ele estava;
Ele parecia muito bem e feliz, mas a cada dia que chegava para vê-lo, ele tinha ganhado um presente novo de sua avó.
Primeiro foi um som novo, depois o Playstation, que custava muito caro ,e era o sonho dele, depois foram suas roupas , camisas novas ,calças, bermudas, tudo. Vários tênis novos e todos de marca cara. Maria estranhou a atitude da avó, que nunca dava nem presente de Natal, nem dia das crianças, e agora resolvia comprar tudo?
Mas ela como mãe, ficou feliz de ver seu filho ter tanto coisa nova, e o Playstation, que ele queria tanto. Os dias se passaram e uma semana depois como combinado, ela foi buscar o filho, mas para sua surpresa, D.Conceição disse que Abraham não sairia mais de sua casa, pois ela já havia ido ao conselho tutelar e já estava documentada, e que agora ele iria ficar com ela.
Maria nem acreditou no que ouvia, tamanha foi a surpresa. E D.Conceição, sorria. Ela fazia uma cara bem sarcástica e sorria, dizia rindo, que agora seu filhinho é da vovó, quem mandou mexer com fogo?
Maria pensou que obviamente aquilo só poderia ser um surto de sua mãe, que logo elas iriam resolver essa situação. Mas ela tentava falar e conscientizar a mãe em vão.
Era nojento como a avó sorria com o sofrimento da filha, ela não escondia á alegria por ter conseguido dar aquele golpe.
Maria saiu de lá e foi a loja de Odilo, seu companheiro e lhe contou tudo, ele deixou a loja e veio com ela na casa de D.Conceição buscar Abraham.
E quando chegaram, Odilo falou de perto, com a configuração mais próxima que ele já teve, de um demônio.
D.Conceição sentada em sua mesa de recepção, os dois, Odilo e Maria em sua frente, e ela disse para sr Odilo, que ele não sabia onde estava se metendo, que ela o aconselhava á sair dessa briga de família e não se meter o quanto mais cedo melhor, pois do contrário, ela iria colocar seu nome na história também, e contar ao conselho tutelar o que ela disse, que Abrahan havia lhe dito, sobre Odilo ter tentado" alicia-lo sexualmente "durante á noite.
Ele pulou do sofá, e disse bem fundo nos olhos endiabrados de D.Conceição, que ela que não o conhecia, e que ele tinha um nome de respeito na cidade, e que com ele ela não conseguiria nada.
Nós pedimos que ela chamasse o Abrahan, que até o momento estava fora da conversa, ele veio, e Maria suplicou, pedindo ao filho que voltasse com ela para casa. Mas ele envolvido com tudo o que a avó tinha lhe dito, lhe dado e lhe prometido, não quis vir.
Maria naquele instante, sentiu mais uma vez a dor da perda.
Uma parte dela, um ser que ela gerou, cuidou e amou com tanto carinho, agora á negava diante da avó e do companheiro.
Tempos depois Maria soube por pessoas da família, que D.Conceição dizia publicamente ao neto que era para chama-la de mãe, pois a sua mãe havia morrido para eles. E que ela, a avó iria leva-lo para Israel e que eles com o pai dele viveriam lá ,com toda fortuna que ela dizia que o menino deveria ter, tendo a benção do povo judeu.
O menino havia se transformado na galinha dos ovos de ouro para á avó, que achou que iria enriquecer ás suas custas.
Maria soube também pelo tio de seu filho, seu irmão, que no primeiro dia que ele foi lá com á avó, D.Conceição, jogou as roupas que Maria comprava para ele na lata de lixo literalmente, e disse que trocaria tudo por roupas de verdade, foram ao shopping e compraram tudo de marca, pois ela dizia que um menino lindo daquele não merecia usar aquelas roupinhas que todos usavam, roupas de pobre. Lembrando que ele se vestia muito bem.
Mas não roupas caras.
Roupas condizente com nossa condição.
Estranho que esse tempo todo que ela via o neto com a mãe dele, a avó nunca dava roupas á ele, nem em seus aniversários, tamanha era sua preocupação. E a lavagem cerebral foi completa.
Infelizmente D.Conceição não sabia medir o estrago que estava fazendo aquela criança, que já não tinha o pai presente, e agora ela lhe tirava a presença da mãe.
Maria e Odilo pensaram que com um bom advogado poderiam resolver logo essa briga familiar, e colocar D.Conceição em seu devido lugar. Foi o que fizeram, Maria contratou uma advogada no mesmo dia, e essa advogada disse que seria rápido, que no máximo dois, três dias ele já estaria de volta para casa, querendo ou não. Pois o direito era da mãe.
Maria saiu da advogada tranquila, e já ficou na expectativa de ter o filho o mais breve possível, pois ela queria com toda paciência explicar-lhe finalmente quem era sua avó, Maria tinha privado de contar ao filho, muitas coisas cruéis de sua avó, pois ela não queria tão cedo, já contar coisas tão difíceis para ela adulta entender de sua mãe, que diria uma criança, de sua própria avó?
Mas agora Maria viu que havia chego á hora de realmente mostrar como era sua mãe ao filho, para evitar futuros problemas e também queria poder abraça-lo de novo, lhe dar carinho, ensina-lo á não cair mais nessas tentações que o dinheiro ás vezes pode nos levar.
No segundo dia de espera, a advogada liga á Maria avisando que naquela tarde ás três horas o mandato do juiz iria estar com ela, para ela ir buscar seu filho.
Maria estava muito ansiosa, mas deu três, quatro, cinco horas e nada. Então ela ligou á advogada novamente, que falou que tinha atrasado, mas que no outro dia na mesma hora, ela estaria com o mandato em mãos.
Mais uma noite de sufoco.
As três horas do outro dia chegaram e nada, Maria já se antecipou e ligou a advogada, que pediu que Maria fosse até seu escritório, ela estranhou, mas foi logo, e a advogada disse, que infelizmente sua mãe tinha inventado absurdos sobre Maria, e que o juiz havia pedido que assistentes sociais fossem a casa falar com a criança para ver se o menino corria risco com a mãe.
E que as assistentes passaram um laudo dizendo que pelo o que o menino dizia, a mãe se prostituía com vários homens em casa, na presença do menino, que a mãe o espancava, o trancava no banheiro para receber homens, e que ele tinha medo dela. Que a mãe bebia descontroladamente e muitas vezes o abandonava sozinho em casa. E as assistentes passaram o laudo, dizendo que o menino deveria ficar com a avó até ser julgado o caso.
Maria não acreditou no que ouvia, não seria possível seu filho amado, ter mudado tanto assim, ao ponto de inventar tantas calúnias contra á própria mãe. Mesmo sedo controlado pela avó, tudo aquilo era forte demais para uma criança.
E o maior erro de Maria foi ter contratado advogada, pois como ela tinha o direito de mãe, se ela fosse lá com a polícia e puxasse o menino na marra, ele teria que ter vindo obrigatoriamente para casa.
Mas era essa violência que ela quis evitar. E como disse Odilo, se contratasse advogado, ela estaria mais amparada pela lei, teria um mandato do juiz, o que intimidaria a avó de pega-lo novamente.
Mas foi justamente por isso, que sem querer Maria deu o tempo de um processo á D.Conceição, pois agora ela seria obrigada á esperar a decisão do juiz sem o filho, e qualquer tentativa em pega-lo seria desacato a ordem judicial, dificultando ainda mais o processo.
Nesse dia, Maria morreu mais um pouco.
No mesmo ano, D.Conceiçao pega o menino, e se muda para São Paulo, com a promessa de encontrar a família de seu pai, e irem para Israel.
Maria desesperada, entra com mais um pedido de volta do filho urgente no fórum, mas até o juiz decidir mandar D.Conceiçao voltar, foram um ano inteiro sem nunca mais ver o filho.
Ela não tem palavras para descrever á dor, só uma mãe que perdeu um filho, pelas mãos da própria mãe, sabe o que ela sentiu.
Suas clientes chegavam ao salão e perguntavam sobre como estava o Abrahan que elas viram crescer, e Maria desandava á chorar.
Quase não consegui atender ás clientes de tanta dor.
E por mais incrível que pareça, nenhuma assistente social veio á sua casa falar com ela, nenhuma psicóloga veio saber como era a mãe do menino, ninguém quis saber a versão dela...inexplicável. Eles só ouviam a criança e a avó.
Demoraram um ano, para ela ser ouvida por assistentes, psicólogos, psiquiatras etc, tudo dentro do fórum, estranhamente ninguém veio ouvir a sua versão em sua casa, falar com vizinhos que a conheciam, nada.
A vida foi seguindo, com mais esse golpe, que ela descreve que entre tantos sofrimentos em sua vida, esse foi o mais chocante, o pior, o mais dolorido. Que de longe esse foi o maior sofrimento que ela já teria enfrentado.
Mas nem tudo é dor, ao mesmo tempo em que as trevas pareciam adentrar sua vida, a luz de Odilo vinha para iluminar e contrabalancear toda essa escuridão.
Fale com o autor