A casa nova (apartamento) era muito mais do que ela havia sonhado, o tamanho da sala chamava á atenção, cinco metros por cinco metros, era muito grande e espaçosa, ela estava amando morar ali.

Aben seu filho então, que amava também um elevador, prédio com porteiro e tudo o mais, estava também muito feliz.

Domy seu amigo e fiador, que temia pela segurança da amiga, tanto na casa sozinha, quanto pelas ameaças violentas de Odilo, agora poderia dormir mais tranquilo.

Nas casas que Maria morou, sempre teve bebedouro de beija-flor, e ela era também conhecida pelo salão cheio de beija-flor, lindo de se ver, muitas vezes as clientes presenciavam um show, eles entravam em bando, e faziam uma dança que parecia uma coreografia ensaiada.

E agora que Maria subiu ao sexto andar, havia ouvido dos conhecidos mais de perto, inclusive dos senhores que fizeram a mudança, que infelizmente beija-flores não subiam toda essa altura, e nem pegavam elevadores, fazendo uma brincadeira.

Mas para Maria o impossível era só questão de tempo....ela nem deu ouvidos. Colocou toda sua mudança no apartamento, montou o salão na copa, pois tinha uma porta independente, separando da entrada de visitas.

Fez o quarto de Aben, um quarto para ela, e sobrou um quarto que ficou como quarto de brinquedos de Aben, Maria trouxe na bagagem o enxoval do terceiro filho que esperava, que ela chamaria de Allan, dessa vez quem a ajudou escolher o nome, foi seu amigo Domy.

Ela pediu á ele uma opinião e ele disse que gostava de Allan, e ela no mesmo instante aceitou e começou a se referir ao bebê como Allan, inclusive bordar fraldas com esse nome lindo. Ela também gostou da coincidência,de ter três homens e os três com inicias com a letra A, sendo que todos foram os pais que escolherem, ou seu amigo padrinho, e nenhum foi ela.

Ela tinha Abrahan, Aben e Allan. Até a sonoridade dos nomes combinavam entre si.

Maria trouxe na bagagem, muita fé e muita esperança.

A mudança de casa, junto com a nova gravidez representava uma nova vida.

Maria gostou muito de morar em apartamento não só pela segurança, mas porque agora não teria que ficar vendo sempre o pai de Aben, pois era um encontro desagradável, ele sempre tentava uma discussão e ela parecia viver pisando em cascas de ovos em tudo oque dizia. Mas agora no apartamento, ele quando vinha buscar o filho, ligava pelo interfone e a criança que já estava grandinha descia o elevador e ia com o pai, livrando-se do constrangimento do encontro.

O apartamento aos poucos foi ficando tudo em ordem, ela caprichava muito na decoração, e com coisas simples conseguia deixar um ambiente aconchegante. Maria amava plantas, e suas folhagens faziam inveja á muitas senhora que passavam na calçada da casa antiga.

Agora no apartamento, não foi diferente, ela conseguiu criar muitas plantas e enfeitar á casa com a natureza que ela amava tanto. Pois a janela da sala era imensa, tinha 3,40 metros só de janela. Lembrava um pouco a janela que Aben apareceu á ela na visão no dia de sua concepção.

Pois sendo no sexto andar de um prédio alto, no centro da cidade, ela via pela janela todo o céu. A vista realmente é magnifica!!!!!!! E para melhorar o sol se punha no final da tarde, bem enfrente á sua janela. Um show á parte.

Mas infelizmente como acontece geralmente quando se muda um ponto comercial de endereço, Maria perdeu muitas clientes, pode-se dizer que a metade delas não á acompanhou na mudança.

Oque veio a dificultar muito sua vida. E para piorar, o prédio era residencial, e não aceitava propagandas do salão, então agora ela iria ter que chamar clientes novas somente no boca á boca. Pois a proprietária já havia aceitado receber as clientes, mas sem propagandas.

Paralelamente a mãe de Maria, D.Conceição é obrigada pelo juiz á voltar para cidade com o filho de Maria. Mas quando voltam, as assistentes sociais vão falar com ele, e Abrahan diz que não quer ver mais a mãe e que tem medo dela, sendo assim o laudo do juiz é que Maria o visite no final de semana, e com visita assistida por alguém do fórum junto .Maria se recusa á ver seu filho nessa situação ,e o processo continua correndo.

Algumas vezes, como a cidade é pequena, eles se viam no centro, a avó sorria debochando de Maria e o menino fazia de conta que nem a conhecia, Era triste demais para uma mãe. Mais Maria ao menos de longe acompanhava seu crescimento.

Depois de quase cinco anos de batalha judicial, de idas e vindas em audiências, chega um dia o resultado final, e devido á uma lei que dizia que a criança acima de oito anos decide com quem quer morar, o juiz para indignação de Maria, decidiu que a criança já acostumada á avó, deveria permanecer com ela ,e que Maria se quisesse o veria de quinze em quinze dias, como uma visita de um estranho? Maria não aceitou. E recorreu com o processo. Para uma mãe, aceitar ser visita do filho, e ainda mais sabendo que ele nem a queria ver, e tendo que suportar os sorrisos irônicos da avó do menino, e sua mãe era ruim demais, ela preferia ficar com a esperança de conseguir a guarda definitiva, dando sequência ao processo.

Mas como sua advogada mesmo disse, iria demorar tanto que quando viesse um resultado, ele que ja estava com doze anos agora, provavelmente já teria dezoito, e decidiria por si só.

Para Maria foi um absurdo a decisão do juiz, ela não entendia como uma mãe como ela, perde a guarda de um filho, ela sempre pensou que isso nunca iria acontecer, e depois disso perdeu a confiança na justiça dos homens. Agora só confiava na justiça de Deus.

Em sua nova casa, com as poucas clientes que vieram, ela foi levando sua vida. Depois de mais um tempo, Aben quis conhecer seu irmão Abrahan, e Maria o levou até a casa de sua mãe. O encontro entre os dois foi comovente, eles se abraçaram e se amaram já naquele instante, Maria chorou muito. E depois desse dia, Aben sempre querendo ver seu irmão, pedia á mãe que o levasse lá. e Maria levava.

Seu relacionamento com D.Conceição era formal.

De tantas idas e vindas, Abrahan acabou aceitando um dia ir á casa do irmão Aben, ficou uns minutinhos e cada dia foi ficando mais....até que perdeu o "medo" e eles começaram a conviver como uma família.

Ele nunca chamou Maria de mãe, á chamava de Maria, e isso também doía.

Algo foi quebrado entre eles, pois o carinho que se davam, o costume de se abraçar e se beijar, falar eu te amo, tudo isso acabou. Ele nunca mais conseguiu abraça-la e nem ela teve a audácia de tentar.

Ela aprendeu com a pomba do Espirito Santo á não forçar nada.

Aprendeu á respeitar o tempo de cada um, inclusive de seu filho.

A avó dava de tudo materialmente falando á Abrahan, mas nada de educação, ele estava mimado, só queria andar com roupas de marca, dizia que também não gostava de pobre, estava quase igual sua avó. Dizia que iria ser muito rico, mas não gostava de estudar, iria ser jogador de futebol. E a avó gastava oque tinha e oque não tinha, caindo em golpes de clubes que prometiam sucesso do menino.

E assim a cabecinha dele cada vez se distanciava mais da realidade.

Maria nas poucas vezes que podia, tentava com carinho orienta-lo. Em todas as vezes que ele vinha ver "Aben", eles nunca tocaram no assunto das mentiras ditas no fórum, e ela nunca o perguntou o porque ele fez tudo isso com ela.

Ela temia que se perguntasse, ele se sentiria pressionado e todo esse trabalho para recupera-lo seria perdido.

Com o tempo ele se tornou também cliente da mãe, só cortava o cabelo com ela, e também gostava de fazer progressiva para diminuir os cachos, e nesse tempo que ele ficava no salão, era momento que ela podia falar com mais privacidade. E assim ela pode acompanhar suas novidades com as namoradinhas, seus sonhos etc...era pouco tempo, mas para ela, era melhor do que nada.

Os dois irmãos se davam e se dão até hoje muitíssimo bem, e Maria vê que o amor que Abrahan tem por Aben é sincero e vice versa.

Maria também começou a aceitar melhor o jeito da mãe, mais sempre com um pé atrás.

E quando tudo parecia se acalmar D.Conceição entra com um processo, pedindo ao Juiz agora a guarda de Aben, pois ela diz que os dois irmãos não poderiam viver separados.

Inacreditável. A mãe de Maria parecia não ter jeito mesmo, que perseguição dos infernos.

E Maria pensou, justamente agora que eu estou sem o pai dele para me ajudar no Fórum, não será possível que minha mãe me leve mais um filho?

Mas D.Conceição, sabendo do fim do relacionamento dos dois, vai até a loja de Odilo, e pergunta á ele, se ele aceita ajuda-la a tirar o filho de Maria, pois como ele mesmo deve saber, agora ela enlouqueceu, dizendo que esta gravida do Espirito Santo?!!.

Mas para surpresa dela, apesar de Odilo também não ser lá boa pessoa, para ele tirar o filho de perto da mãe já fugia de seus princípios, e ajudar ela á tirar mais um filho de Maria, sua ex-companheira já seria demais.

Ele a mandou se retirar da loja e no mesmo dia apos fechar á loja, contou tudo a Maria e disse que se precisasse ele iria com ela ao Fórum, pois que ele jamais iria querer um filho criado pela D.Conceição.

E os dois juntos contratam um bom advogado, que desse vez, Odilo paga, e no dia da audiência comparece Maria, o pai da criança e o advogado que por sinal era presidente do ordem de advogados.

A audiência durou pouco, o juiz dessa vez, colocou Conceição em seu lugar , e apesar dela dizer que já tinha a guarda de um, e queria do outro para que os dois irmão crescessem junto, ela saiu de lá sem nem o direito de visita estipulado. Foi uma vitória entre tantas derrotas de Maria.

Talvez porque da primeira vez o pai de Abrahan não estivesse presente, mas dessa o pai de Aben esteve ao lado de Maria, em nome do filho.

A audiência acabou, Maria agradeceu á Odilo, e a vida continuou.

D.Conceição mesmo perdendo a audiência não se dava por derrotada, e dizia que iria tentar de novo, mas quando entrou com outro pedido no Fórum, de imediato já foi recusado, sua advogada á avisou que nem adiantaria tentar.

Vencida e impedida de continuar,

Gostaria de dizer que D.Conceiçao mudou, que ela vê todo o erro que cometeu, mas se dissesse isso, fugiria com a verdade.

Ela sempre que pode ainda tentava fazer uma discórdia, uma briga para que os dois irmãos não se vissem mais, vivia falando mal de Maria, para ver se Abrahan deixava de ir á casa da mãe.

Mas agora algo diferente aconteceu, parece que ela não tem mais por onde destruir á filha, parece que amarraram suas mãos e ela só pode falar, mais não tem mais como fazer algo que surta efeito.

E para Maria depois de todo esse tempo, ela sente que a mãe que antes era um monstro, agora é um monstrinho pequeno.

Maria ama sua mãe, e apesar de tudo, nunca á quer vê-la sofrer, e se fica sabendo que a mãe esta precisando de algo, ela é a primeira ajudá-la. Mas sempre com distanciamento que D.Conceiçao fez questão de ter com a filha.

Maria não tenta mais muda-la, já entendeu que ela é assim e apesar de não admirar sua atitude perante a vida e a família, ela respeita. E só deseja o bem para a mãe, que infelizmente ainda não aprendeu á amar.

A rotina do novo apartamento segue e Maria chega do supermercado logo cedo, e depois de dois meses insistindo em por a agua do beija-flor, ela recebe a feliz visita do primeiro.

Ele á descobre lá encima, e em uma semana, esse mesmo beija-flor avisa á todos da sua família, e o apartamento de Maria se torna cheio de beija-flores, para felicidade dela e espanto de todos que não acreditavam ser possível.