Essa história se inicia dois anos após o término da fic ‘Na noite mais escura’, em que o personagem principal é Shippou, pois ela será baseada na revelação do conteúdo do papel que Onigumo mostrou para InuYasha no último capítulo de ‘Na noite mais escura’’.

Antes de iniciar a história, vou colocar um pequeno resumo do que aconteceu com os três principais personagens.

Shippou, personagem principal dessa história, estava com quinze anos, recém completados, fisicamente mudou muito, pois tinha cabelos relativamente grandes, que ficavam presos formando um ‘rabo de cavalo’, sem falar que seu corpo ficou bem mais atlético devido aos treinamentos instruídos por InuYasha, ainda namorava Satsuki com quem cursava o primeiro ano do ensino médio.

InuYasha, mesmo em uma cadeira de rodas, devido ao ataque covarde de Gatenmaru que o deixou paraplégico, cumpriu a promessa de ensinar artes marciais ao enteado, ele também cuidava do seu restaurante, deixando para trás, definitivamente, suas atividades heróicas de Motoqueiro Noturno ao mesmo tempo em que, junto com a esposa Kagome, cuidava do seu ‘novo’ filho, Genku, filho dos falecidos amigos, Kouga e Ayame.

Kagome, que depois da tragédia que se abateu sobre o marido, ficou ao lado dele o tempo todo, mesmo exercendo o cargo de vereadora da cidade de Tóquio, o que ela conseguiu no ano anterior, ela gostava muito do que fazia, quanto á criação de Genku, ela contava com uma grande ajuda de Shiori, que além de ser babá de Genku nas horas vagas, como fisioterapeuta formada, ela também cuidava para que InuYasha tentasse voltar a andar, sem falar que era namorada de Souta. Agora vamos á história.

Escondido atrás de uma árvore, Shippou, com um binóculo, ficou observando, de longe, uma casa que era vigiada por quatro seguranças e assim ele saca uma arma que continha dardos paralisantes, mira nos seguranças, acertando-os um por um, agora sem obstáculos, Shippou sai de trás da arvore para se aproximar da casa, passando pelos seguranças caídos.

SHIPPOU – Não se preocupem! (se agachando e falando no ouvido de um deles) — Não vão morrer! Ficaram assim por uma hora! (ele se levanta e fica olhando para a porta da casa) — Esse tempo é suficiente para ter o que vim buscar.

Shippou volta a andar á direção da casa, chegando até a porta, adentra a residência, que estava com todos os cômodos com luz apagada, menos a sala, que foi para onde Shippou se dirigiu, ao chegar lá, ele se depara com uma mulher de cabelos azuis, sentada em uma poltrona de costas para ele, essa mulher estava lendo um livro e antes de Shippou se aproximar mais, essa mulher se manifesta sem se quer olhar para ele.

KANNA – Finalmente você veio. (ela fecha o livro, se levanta da poltrona e olha para Shippou) – Shippou.

SHIPPOU – O que?! (meio surpreso) – Quer dizer que já estava esperando minha visita?

KANNA – Ah sim! Desde que fui condenada, fiquei esperando por esse dia, só achei que ia demorar mais.

Muito sorridente, Kanna, convida, com gestos, Shippou para se sentar na cadeira que ficava ao lado da poltrona onde estava sentada, ele consente e se senta na cadeira.

SHIPPOU – Então deve saber o que vim buscar, não é?

KANNA – De certa maneira. (ela começa a se afastar)

SHIPPOU – Aonde vai? Precisamos conversar e...

KANNA – Para a cozinha! (olhando para ele) – Fazer um chá para tomarmos.

SHIPPOU – Mas...

KANNA – Não se preocupe! Não vou fugir. (ela volta a andar á direção da cozinha) – Até porque você derrotou todos os seguranças, mesmo.

Kanna disse essas palavras sem olhar para Shippou, que teve que se conformar com esse adiamento da conversa, enquanto isso, ele ficava sentado na cadeira, pensando na discussão que teve com InuYasha mais cedo naquele mesmo dia.

FLASH BACK DE ALGUMAS HORAS

Chegando ao restaurante, Shippou passou entres as mesas dos vários clientes que lá estavam e foi direto para o depósito e ao chegar lá, ele encontra InuYasha, que mesmo em uma cadeira de rodas, estava verificando o estoque do local.

INUYASHA – Finalmente chegou, Shippou! (escrevendo algo em uma cardeneta) — Preciso de sua ajuda por aqui, já que Kagome está em uma reunião partidária. (ele olhava ao redor) – Ela disse que passará aqui depois para nos levar até ao hospital e...

SHIPPOU – Precisamos conversar.

INUYASHA – Pode falar. (sem olhar para ele e ainda escrevendo na cardeneta)

SHIPPOU – Eu quero que olhe para mim quando estiver falando.

Ao ficar gritando daquele jeito, Shippou chamou a atenção de InuYasha, que mesmo estranhando o nervosismo do rapaz, calmamente guardou a cardeneta e olhou para ele.

INUYASHA – Estou ouvindo.

SHIPPOU – Você tem muitas coisas para me explicar.

Sem falar mais nada, Shippou tira a jóia de quatro almas do bolso e a joga na frente de InuYasha, que fica com um olhar de surpresa.

FIM DO FLASH BACK

Os pensamentos de Shippou são interrompidos pela súbita volta de Kanna á sala, ela trazia duas xícaras consigo e mais o bule com o chá.

KANNA – Desculpe a demora. (colocando o jogo de chá na mesa de centro)

SHIPPOU – Não vim aqui para beber chá! Quero respostas para as minhas perguntas e você as tem.

KANNA – InuYasha também as tem.

SHIPPOU – InuYasha não é mais confiável! Ele mentiu para mim. (ela oferece uma xícara á ele)

KANNA – Não quer um chá para acalmar os nervos e...?

SHIPPOU – Eu não quero ficar calmo! (ele se levanta gritando) – Eu quero respostas!

Os gritos de Shippou fizeram surgir choros vindo do quarto, era Taro, filho de Kohaku e Kanna, o que fez Kanna imediatamente o olhar com reprovação e percebendo o que tinha acabado de fazer, Shippou se arrepende.

SHIPPOU – Me desculpe. (ele fica de costas com as mãos na cabeça) – Isso tudo está me atormentando.

KANNA – Isso já deu para perceber! Eu já volto.

Kanna foi ao quarto para fazer Taro parar de chorar deixando Shippou novamente sozinho com seus pensamentos, que voltaram para a discussão com InuYasha.

FLASH BACK DE HORAS

Depois de jogar a jóia de quatro almas na frente de InuYasha, Shippou ficou esperando sua reação diante daquele fato.

INUYASHA – Você ficou maluco de andar com uma coisa dessas. (ele pega a jóia e o encara) – Como a encontrou?

SHIPPOU – Isso não importa! A pergunta certa é por que ela estava em casa? E não foi só isso que encontrei.

Shippou joga em cima de InuYasha vários papeis, que ele sabia muito bem o que eram.

INUYASHA – Os estudos de Tsubaki.

SHIPPOU – Exato.

INUYASHA – Por que teve tanto trabalho em encontrá-los em casa?

SHIPPOU – Por que estava atrás de repostas para uma importante pergunta, pois eu descobri o que você me escondia.

InuYasha abaixa o olhar fazendo Shippou ter certeza de que ele sabia do que estava falando.

FIM DO FLASH BACK

Naquele momento, Kanna voltou á sala, mas desta vez estava com um bebê em seu colo, ela o embalava enquanto sentava-se á frente de Shippou em sua poltrona, o rapaz de tão nervoso, não se sentava.

KANNA – Como descobriu a verdade?

SHIPPOU – Ou parte da verdade! (ele se senta) – Quando InuYasha sofreu aquele atentado na saída do hospital, ele perdeu muito sangue, o hospital estava com estoque baixo, por isso os amigos se ofereceram, mas nenhum tinha o sangue do mesmo tipo de InuYasha, nem mesmo Sesshoumaru e Satsuki que eram parentes dele.

KANNA – Mas...

SHIPPOU – Mas o meu era! (ele se levanta de novo) – O meu sangue salvou a vida de InuYasha, mas ainda sim estranhei tal coincidência até que, durante uma faxina, encontrei isso. (ele exibe a jóia de quatro almas)

KANNA – Eu não queria ver essa pedra maldita nunca mais. (ele saboreia o chá) – O que tem essa jóia com a verdade?

SHIPPOU – O que tem?! Ela é o princípio de tudo! Depois de encontrar a jóia, encontrei também os estudos de Tsubaki! Estudos os quais, a conspiração em que você participava, iria mudar ou reescrever o DNA dos chineses.

KANNA – Shippou! (ela guarda a xícara de chá) – Você veio aqui para buscar respostas! Qual é a pergunta?

SHIPPOU – InuYasha usou esses estudos em mim?

KANNA – Mesmo se eu disser que não, você não vai acreditar. (ela se levanta) – Por isso vou buscar algo para ver.

Kanna aproveita que Taro voltou a dormir para ir colocá-lo no berço, deixando Shippou novamente a sós com seus pensamentos sobre a discussão que teve com InuYasha.

FLASH BACK DE HORAS

InuYasha se enche de coragem para encarar Shippou, que estava em sua frente, esperando alguma explicação para o fato de InuYasha ter escondido a jóia de quatro almas e os estudos de Tsubaki.

INUYASHA – Você está se comportando assim desde que começou a questionar a nossa compatibilidade de sangue.

SHIPPOU – Sim! Eu queria saber a verdade e a encontrei.

INUYASHA – Então acredito que tenha feito um teste de DNA.

SHIPPOU – Fiz há alguns meses! (ele exibe um envelope) — Acabo de vir da clinica com o resultado, mas acho que não preciso dizer qual é, pois você já sabe.

Shippou joga o envelope em InuYasha e depois se afasta dele indo até a porta do depósito, mas ele não vai embora, fica com as mãos na cabeça como se tentasse se controlar.

SHIPPOU – Você me contou que não chegou a completar os estudos e que foi para a China treinar artes marciais, isso aconteceu há mais de dezesseis anos quando ainda nem tinha dezessetes anos de idade! Você contou também que só voltou para o Japão quando sua mãe morreu, para assumir a direção desse restaurante, não é?

INUYASHA – Sim, mas... (ele o interrompe)

SHIPPOU – Se tudo isso é verdade então o resultado contido nesse envelope só pode ser falso. (gritando)

INUYASHA – Shippou...

SHIPPOU – Pois ele diz que o marido da minha mãe biológica não é meu pai e sim você.

Como InuYasha estava em uma cadeira de rodas, Shippou se inclina para olhar bem direto nos olhos dele.

INUYASHA – Ta! Você sabe da verdade agora, o que quer de mim?

SHIPPOU – Você não pode ser meu pai biológico.

INUYASHA – Esse resultado diz que sim.

SHIPPOU – Você não estava no Japão quando fui concebido! Como me explica isso? Pois eu tenho uma explicação.

INUYASHA – Ah é?! Qual é?

SHIPPOU – Você usou o poder da jóia para que meu DNA combinasse com o seu, só assim poderia salvar sua vida.

INUYASHA – Mas que completo absurdo está dizendo! Caso tenha se esquecido, eu estava em uma cama de hospital e totalmente inconsciente! Mesmo que tivesse consciente, não poderia sair de lá sem poder andar.

SHIPPOU – Você pode ter pedido isso para Kagome, afinal de contas você sempre quis ter um filho mesmo, não é?

INUYASHA – Escuta aqui Shippou! O que vou falar aqui acho que falo por Kagome também! Que você nos condene por não contarmos a verdade, eu aceito, no seu lugar ficaria bravo também, mas tem que acreditar que nem eu e nem Kagome usaríamos o poder da jóia para mudar seu DNA! Vimos os relatórios da Segurança Interna e ficamos sabendo o que aquela mudança provocaria nos chineses, eles poderiam até morrer! Nunca faríamos isso com você.

SHIPPOU – Desculpas. (ele se aproxima de InuYasha para pegar a jóia da mão dele) – Mas eu não acredito, mas em você.

INUYASHA – Espere Shippou! Você tem que me ouvir ainda e...

Shippou se afasta de InuYasha saindo do depósito sem ouvir as argumentações para suas ações mesmo gritando por seu nome, ele não podia correr atrás de Shippou.

FIM DO FLASH BACK

Kanna voltou á sala, desta vez sem Taro, que ficou no quarto, desta vez ela trouxe um porta retrato consigo, nele tinha uma foto de Kohaku, ela mostrou á Shippou.

SHIPPOU – O que esse porta retrato tem haver com o fato de InuYasha ter mentido para mim?

KANNA – Á princípio nada! Apenas quero te mostrar como está sendo injusto com ele.

SHIPPOU – Explique-se melhor, pois não estou entendendo.

KANNA – InuYasha não roubou a jóia de quatro almas e os estudos de Tsubaki! Fui eu quem os dei a ele.

SHIPPOU – O que?! Mas como? Por quê?

KANNA – Eu vou te explicar.

Kanna começa a falar sobre o último encontro que ela teve com InuYasha.

FLASH BACK DE DOIS ANOS

Depois de ter colaborado com a promotoria de justiça ao denunciar vários nomes de políticos e empresários envolvidos na conspiração, Kanna foi levada por um grupo de seguranças para uma casa em uma região isolada, onde ela iria cumprir prisão domiciliar como parte no acordo com Midoriko, ao chegar à residência, a ex. presidente do Grupo Naraku olhar para o líder dos seguranças.

KANNA – Quero ficar sozinho por um minuto.

O segurança atende ao pedido, deixando-a entrar sozinha na residência, ao fazer isso, Kanna vai até a cozinha, abre uma gaveta da pia de onde tira uma faca.

KANNA – A verdade liberta, mas eu não me sinto livre, me sinto vazia.

Não conseguindo forças para encarar a vida dali para frente depois da decepção com Toukaijin e principalmente por ter permitido a morte do homem a quem amava, Kanna direciona a faca contra o próprio pescoço, fecha os olhos, que já estavam lacrimejados, e quando ia finalmente tirar a sua própria vida, uma mão segura as suas, o que a fez abrir os olhos para ver o dono da mão.

KANNA – Você?! (ele se surpreende ao ver InuYasha em uma cadeira de rodas)

INUYASHA – Estúpida! (tirando a faca das mãos dela) – O que pensa que ia fazer?

KANNA – Isso é óbvio, não? (ela tenta pegar a faca de volta) – Me devolve.

INUYASHA – Não!

Mesmo em um cadeira de rodas, InuYasha era forte o suficiente para impedir a ação de Kanna, que ao perceber isso, se ajoelha no chão, chorando copiosamente, o marido de Kagome percebeu que o remorso atacou Kanna violentamente, mas para ela, já era tarde demais.

KANNA – Por favor, deixe-me cometer suicídio. (encostada na parede) – O que você quer de mim? Como entrou aqui?

INUYASHA – Eu sabia que era para esta casa que a trariam, por isso vim antes. (ele se aproxima dela) — Quero que me fale sobre isso.

InuYasha deu á Kanna os papeis que recebeu de Onigumo, os mesmo que ele tinha achado nas coisas de Kikyou, na verdade eram parte de uma investigação da conspiração que afirmava que Shippou era filho de InuYasha, investigação rapidamente reconhecida por Kanna.

KANNA – Eu sabia dessa informação, mas não sabia que Kikyou tinha tido acesso á isso! Deve ter sido com isso que Kagura conseguiu convencê-la a participar do esquema.

INUYASHA – Então tudo isso é verdade? Shippou é mesmo meu filho.

KANNA – Sim! Você foi pai há treze anos atrás. (ela se levanta) – Agora conseguiu sua informação, vá embora e me deixa em paz.

INUYASHA – Para que? Para você tentar se matar de novo? Não vou permitir isso.

KANNA – Por que está se importando comigo? Eu fui uma das líderes de uma conspiração que quase acabou com sua vida. (ela olha o estado dele) – Um aliado meu é que o deixou em uma cadeira de rodas sem falar nas mortes de amigos seus! Portanto eu deveria ser a última pessoa com que deveria se preocupar.

INUYASHA – Kanna! Eu vi seu depoimento no júri depois que fez o acordo com Midoriko! O seu relato sobre sua necessidade de ser útil ao seu pai me fez pensar na minha relação com meu pai! Eu também cheguei a ter necessidade de ser necessário á ele, mas a diferença é que o meu não me usou, ao contrário do seu.

KANNA – Eu também me deixei usar por ele, mas não é isso que me martiriza! O que me deixa arrasada é saber que essa necessidade foi maior do que meu amor!

INUYASHA – Está falando do Kohaku? Eu acho que você não o amava coisa nenhuma.

KANNA – Claro que eu amava! Não percebe? É por isso que quero me matar, eu não mereço estar viva.

INUYASHA – Eu não vou discutir isso, mas e quanto ao seu filho. (apontando para a barriga dela) – Ele merece?

KANNA – Meu filho! (acariciando a barriga) – Eu não posso, eu não mereço ser mãe e...

INUYASHA – Isso não é questão de merecimento! É um fato! Você está grávida, esperando um filho de Kohaku e nada pode mudar essa verdade.

KANNA – E acha que eu não sei disso? Eu não posso cuidar dessa criança! Ela vai me odiar quando souber da verdade.

INUYASHA – Sim! É verdade! É bem capaz que isso aconteça, mas encare isso como uma pequena parte de sua penitência.

InuYasha respira fundo, se afasta de Kanna para observá-la melhor e fica olhando em volta da casa para finalmente se manifestar.

INUYASHA – Eu não posso perdoá-la pelo que me fez, mas posso de dar um conselho! (ele olha para ela) – Você viveu sempre em função de outra pessoa! Uma hora era Naraku outra hora era Toukaijin, mas a questão não é servir a alguém bem intencionada ou mal intencionada e sim servir a você mesma! Esse foi seu erro na vida.

KANNA – Então acha que eu deveria viver e enfrentar as conseqüências dos meus atos.

INUYASHA – Sim! Você não pode mudar o que fez, não pode ressuscitar os que matou, mas pode fazer o bem, pelo menos para essa criança que está dentro de você.

KANNA – Acha que eu consigo?

INUYASHA – Não posso responder essa pergunta, terá que descobrir por você mesma. (ele entrega uma foto a ela) – Talvez isso possa te inspirar.

Kanna vê que a foto era de Kohaku, ela chora com isso, pois não tinha mais nenhuma foto do marido, já que Sango tinha queimado todas elas, vendo essa emoção, InuYasha começou a se afastar, mas Kanna se manifesta.

KANNA – Espere InuYasha! Quero que fique com algo.

INUYASHA – O que?

Kanna nada responde e simplesmente começa a mexer no interior de sua bolsa, tirando de dentro dela a jóia de quatro almas.

KANNA – Quero que a guarde para mim! É a pessoa mais indicada para isso.

INUYASHA – Essa jóia só trouxe maldição á quem a possuiu.

KANNA – Não! Ela só trouxe maldição àqueles que tentaram controlar seu poder, mas sei que não fará isso!

INUYASHA – Por que quer que eu a guarde?

KANNA – O poder da jóia já é conhecido por muitos! Não vai demorar para alguém vir atrás disso. (ela da a jóia para ele) – Eu envio os estudos de Tsubaki depois

INUYASHA – A jóia eu até entendo, mas por que não queima os estudos de Tsubaki? Você podia simplesmente queimá-los.

KANNA – Eu ainda acredito que eles podem ser úteis, mas nas mãos certas! As suas, por exemplo.

INUYASHA – Por que está fazendo isso?

KANNA – O que você me pediu! Fazendo o bem. (ela se curva perante ele) – Obrigado, InuYasha.

InuYasha olha bem para os olhos de Kanna e percebem que eles nada lembram os olhos da mesma Kanna que ele interrogou dias atrás, de fato, ela era outra pessoa.

INUYASHA – Melhor não nos vermos mais! (ele começa a mexer as rodas de sua cadeira) – Nunca mais.

KANNA – Concordo. (antes de ele sair ela se manifesta) – InuYasha!

INUYASHA – Sim?

KANNA – Vai contar a ele?

INUYASHA – Por enquanto não! Como filho de Kagome, eu já gosto do Shippou! O fato de ser o pai biológico dele, nada vai mudar, não usarei isso para que ele goste mais de mim.

KANNA – Ele é um garoto de muita sorte! Por ter um pai como você. (ela olha para o nada) – Eu queria ter essa sorte.

InuYasha da um sorriso meio envergonhado e segue a adiante, passando pelos seguranças, que se surpreenderam com a presença dele.

SEGURANÇA – Ele machucou a senhora?

KANNA – Não!

Deixando os seguranças sem entender o que estava acontecendo, Kanna volta para o interior da casa de posse da foto de Kohaku, agora ela tinha algo dele para mostrar ao filho.

FIM DO FLASH BACK

Kanna acariciava a foto do porta retrato, a mesma foto que InuYasha deu a ela dois anos atrás.

KANNA – Ele foi muito generoso comigo! Acho que Sango não sabe que ele me deu essa foto.

SHIPPOU – Provavelmente não, mas voltando ao assunto anterior, então é verdade que você deu a jóia para ele?

KANNA – Sim, mas você não precisa acreditar em mim, então vá falar com InuYasha! Tenho certeza de que ele tem uma explicação para te dar.

SHIPPOU – Você acha mesmo que tenho sorte de ser filho dele?

KANNA – Sim! Ele podia ter usado essa informação para ganhar ainda mais a sua afeição, mas InuYasha não faz isso! Ele não obriga as pessoas a gostarem dele, não obriga as pessoas a seguirem ele! As pessoas o seguem por suas qualidades. (ela se levanta e vai até ele) – Não sabe o quanto eu te invejo! Eu queria que tanto Naraku ou Toukaijin me tratassem como InuYasha tratou você, se ele errou, foi por zelo e não por maldade. (ela começa a andar em direção ao quarto do filho) – Shippou! Não cometa meu erro! Não jogue fora o amor das pessoas queridas.

Shippou ouviu calado o relato de Kanna, enquanto a observava sair de sua vista, ele não podia deixar de sentir um pouco de pena dela, mesmo depois de tudo que ela fez, mas sentiu que ela estava sendo verdadeira.

MAIS TARDE

Ainda com as palavras de Kanna em sua mente e andando pelas ruas de Tóquio para volta para casa, Shippou, de repente, pega seu celular para falar com a namorada.

SHIPPOU – Alô Satsuki.

SATSUKI – Oi Shippou.

SHIPPOU – Você já está no hospital?

SATSUKI – Ainda não, mas eu e Sango já estamos indo para lá, por que quer saber?

SHIPPOU – É que tenho algo para falar com você.

SATSUKI – Ok! A gente se encontra por lá.

SHIPPOU – Ta! Eu te amo.

SATSUKI – Eu também te amo.

Shippou desliga seu celular e respira fundo, ele teria que contar para a namorada que na verdade eles eram primos, Shippou tinha medo da reação de Satsuki sobre essa descoberta, mas naquele momento ele tinha outras preocupações, pois quando se aproxima de casa, vê Kagome e InuYasha conversando, eles também o vêem e nisso, Kagome se afasta de InuYasha indo até Shippou.

KAGOME – InuYasha me contou que você já sabe de tudo.

SHIPPOU – Sim, eu sei.

KAGOME – Olha Shippou! Eu sei que está chateado por nós termos escondido isso de você, mas foi porque nos preocupamos com você e...

SHIPPOU – Eu sei! Eu sei! (ele olha para InuYasha e depois olha para Kagome) – Eu preciso falar com ele.

KAGOME – Por favor, Shippou! Não brigue com ele e...

SHIPPOU – Ta!

Shippou lança um olhar firme e determinado para Kagome, que compreende a natureza daquela conversa e assim, ela volta para junto de InuYasha, coloca a mão no ombro dele, como sinal de apoio e em seguida, é a vez de InuYasha ir até Shippou.

SHIPPOU – Oi. (puxando conversa)

INUYASHA – Olá! (ele olha bem para o rapaz) – Parece mais calmo, mas acho que algo ainda o incomoda.

SHIPPOU – Olha! Eu queria pedir desculpas da forma como tratei e...

INUYASHA – Não precisa se desculpar Shippou! Deixa para lá! Você estava nervoso e...

SHIPPOU – Tem que saber que fui falar com Kanna.

INUYASHA – Entendo.

SHIPPOU – Ela me contou que deu a jóia de quatro almas e os estudos de Tsubaki, portanto eu te devo desculpas sim.

INUYASHA – Mas ainda há algo que queira saber, não é?

SHIPPOU – Sim! A minha origem! A minha concepção.

INUYASHA – Ok! Leve-me até o restaurante! Lá conversamos.

Shippou empurra a cadeira de rodas em que estava InuYasha e vão para o interior do restaurante, que naquele momento estava fechado e portanto, vazio.

SHIPPOU – Bem, estamos aqui! Agora fale.

INUYASHA – Para começar, você não acreditou que eu era seu pai biológico pelo fato de que eu estaria na China na época em que foi concebido, mas isso não é inteiramente verdade.

SHIPPOU – Então esteve aqui no Japão na época? Então por que não me contou isso desde o início?

INUYASHA – Por vergonha.

SHIPPOU – Vergonha do que?

INUYASHA – Vai saber quando contar tudo! (ele respira fundo) – Como sabe, eu estava namorando Kikyou na época, mas a morte do meu pai me afetou de tal maneira que tive a necessidade de me afastar de todos, por isso fui para a China aprender artes marciais, Kikyou logicamente não gostou nada disso.

SHIPPOU – Onde minha mãe entra nessa história.

INUYASHA – Vou chegar lá! Depois de algumas semanas de treinamento com o Mestre Zhi, comecei a sentir saudades de Kikyou e por isso fugi do templo e voltei ao Japão com a esperança de reatar o namoro e recomeçar do zero, mas acontece que eu encontrei Kikyou saindo junto com um outro rapaz chamado Zuza, um colega dela! Vendo aquilo, logo pensei que ela tinha me trocado por outro e não poderia culpá-la, pois eu a tinha abandonado, mas na época não pensava assim, fiquei revoltado, cobrei explicações, tinha abandonado meu Mestre para voltar com ela, achava que Kikyou me devia, ela, logicamente, me mandou ‘pastar’, com tudo aquilo fiquei arrasado, foi aí que encontrei com sua mãe biológica.

SHIPPOU – Como se encontrou com ela?

INUYASHA – Depois que levei esse ‘fora’ da Kikyou, fui até um bar para encher a cara e esquecer do mundo, mas não bebi nada por ser menor de idade, lá me encontrei com mulher, ela devia ter uns vinte cinco anos, acho que ela não percebeu que eu era menor de idade, aí puxei conversa com ela, papo vai papo vem, ela me falou que estava chateada porque tinha acabado de descobriu algo que a abalou, mas não quis me dizer e assim como eu, ela queria esquecer do mundo, como percebi que ela estava meio bêbada então eu a levei até o carro dela, o dirigi até a casa dela e...

SHIPPOU – Deixe-me adivinhar! Ela te convidou para entrar na casa dela e aí você transaram, não é?

INUYASHA – Sim! Depois do que fizemos, eu acordei ao lado dela na cama e me senti mal e fui embora sem avisá-la! Eu só a usei para esquecer Kikyou, mas tarde soube que Kikyou não estava namorando aquele Zuza, foi só um engano, mas isso já era tarde demais.

SHIPPOU – Então minha mãe engravidou desse jeito? Então eu sou fruto de um acidente?

INUYASHA – Eu só não contei a verdade por que não queria que pensasse mal de sua mãe biológica, afinal ela traiu o marido dela, não queria que tivesse uma imagem ruim dela, tem que saber que ela estava chateada pelo fato de ter acabado de descobrir que o marido era estéril, portanto não poderiam ter filhos.

SHIPPOU – Acho que foi por isso que ela tinha ficado muito amiga de Kagome, que tem o mesmo problema do marido dela. (ele respira fundo) – Não se preocupe, eu não penso mal de minha mãe biológica, ela errou, mas ela é humana. (depois ele sorri) – Até porque se isso não ocorresse, eu não teria nascido.

INUYASHA – Que bom que esteja vendo as coisas por essa ótica.

SHIPPOU – Mas não espere que eu o chame de papai, pois isso não vai acontecer. (rindo)

INUYASHA – Ok!

SHIPPOU – Ah! Mais uma coisa! Já que sou seu filho, acho que poderia maneirar um pouco no treinamento, não acha?

INUYASHA – De jeito nenhum! Agora é que vou pegar pesado em você! Eu agüentei então você também agüenta.

SHIPPOU – Esse era o meu medo.

InuYasha e Shippou sorriram um para o outro e naquele momento Kagome entra no local e fica feliz ao ver que os dois estavam se entendendo.

KAGOME – Que maravilha que tenham se entendido! (ela se aproxima dos dois) – Por um momento tive medo do que poderia acontecer.

INUYASHA – Mas está tudo bem! Acho que agora podemos ir! Estou louco para ver a minha outra sobrinha.

SHIPPOU – Eu também.

INUYASHA – Então cabe á nossa vereadora preferida nos levar até á maternidade. (olhando para Kagome)

KAGOME – Ok! Ok! (ela fica entre os dois) – Souta e Shiori estão com Genku! Eles combinaram de nos encontrar lá na maternidade, sabiam que Rin vai colocar o nome de Sara na filha?

INUYASHA – A Rin é mulher admirável, pois não é qualquer uma que colocaria o nome da ex. do marido na filha.

KAGOME – Depois de tudo é uma linda homenagem para Sara! Acho que Rin e Sesshoumaru fizeram bem em dar esse nome.

SHIPPOU – Também acho. (ele sorri) – Vamos então.

Shippou toma a dianteira para sair do restaurante e nisso, Kagome fica o observando, com atenção, sair de sua vista, InuYasha se manifesta.

INUYASHA – O que foi? Ainda está preocupada com Shippou?

KAGOME – Não é isso! É que ainda estou impressionada com a coincidência! O fato de você ser o pai biológico de Shippou! Quem poderia imaginar que tinha criado seu filho? Quem poderia imaginar que vocês se encontrariam anos depois?

INUYASHA – Kagome! (ele segura a mão dela) – Isso é simplesmente destino! O destino do amor.

InuYasha puxa Kagome contra ele, fazendo-a sentar em seu colo para em seguida a beijar apaixonadamente.

KAGOME – Tem razão! (ela sai do colo dele para em seguida se posicionar atrás dele) – Quer saber de uma coisa? (ela o abraça por trás) – Depois que eu soube da verdade, amei-os ainda mais... se é que isso ainda era possível. (ela começa a empurrar a cadeira de rodas) – Agora vamos.

Kagome, muito sorridente, empurrava a cadeira de rodas de InuYasha até o carro deles, a verdade é que Shippou descobrindo tudo, tirou um peso das costas deles, ainda mais que ele acabou aceitando bem a nova situação, a vida daquela família corria bem, mas será sempre assim? Aguarde a fic ‘Noite sem fim’.

OBS: O personagem Zuza, mencionado por InuYasha na conversa com Shippou, terá grande participação na fic ‘Noite sem fim’, saibam que ele tem a mesma idade de InuYasha, Miroku e Kikyou, ele era apaixonado por Kikyou.

FIM

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!