Notas iniciais
então né algumas pessoas colocam os pés pelas mãos e já viu! Saga... Queria avisar aqui que os personagens coadjuvantes eu vou trabalhar apenas o lado que envolve a história ok pessoal? Lembrem! O foco sempre será esses dois aquarianos dificeis. bjs

— Eu acho que o Ikki é gay, Camus.

Camus largou os talheres ao lado do prato e apoiou o queixo sobre os dedos entrelaçados, fitando Milo a espera que ele desabafasse. Sabia que o pedido do amigo de jantarem fora apenas os dois, sem crianças, era uma desculpa para conversarem justamente sobre eles. Faziam isso às vezes e os dois deixavam os menores aos cuidados de Ikki ou Marin e Aiolia que estavam às voltas com o pequeno Seiya, à nova alegria da casa.

— Ele já lhe disse algo?

— Não e isso me magoa. Porque ele não veio falar comigo ainda? Porque ele não confia em mim para me contar?

— Talvez porque nem ele tenha certeza Milo, as coisas não são assim. – Camus retrucou tomando seu vinho – Ikki é tão diferente dos outros garotos que eu espero sim que ele faça diferente com relação a isso, principalmente com aquele jeito fechado dele. Ele quer ter certeza antes de dizer alguma coisa. Acha que já não o sondei?

— Ele lhe falou algo? – Milo prestou atenção ao amigo, deixando sua comida de lado também.

— Não e também fiquei surpreso porque Ikki me conta tudo, no entanto, até para mim evita abordar o assunto mesmo que venha levantando algumas questões a respeito de Hyoga.

— Hyoga? – Milo estava surpreso – Ele ainda é muito jovem.

— Está começando a descobrir a si próprio é normal nessa fase, nós homens somos muito precoces você bem sabe. Não duvido você ter começado a aterrorizar as garotas aos quatorze anos. Milo Savalas, homossexuais não são diferentes.

— E você fala isso naturalmente? Ele só tem 14 anos e você aí super tranquilo com o fato de que seu bebê, o seu anjo já pode estar pensando em namorar enquanto eu estou aqui sofrendo com a ideia de que meu Ikki pode estar aos beijos com um marmanjo por aí? Sério Camus você não é normal.

— Você que é a rainha do drama mamãe grega! Seu filho tem dezesseis anos e provavelmente ele já passou e muito da fase dos amassos, então comece a se acostumar. – Milo o olhou irritado e Camus suspirou – Mas está errado ao dizer que estou tranquilo com relação a Hyoga, o fato de eu ser gay não torna a tarefa que tenho pela frente mais fácil. Por saber o que ele pode enfrentar é que estou mais do que apreensivo e como bem frisou Milo Savalas, ele só tem quatorze anos.

Milo esticou a mão sobre a mesa para pegar a mão de Camus, um gesto de apoio. A ideia tinha partido dele, mas viu que o amigo precisava e muito conversar sobre as aflições que lhe tiravam o sono ultimamente. Milo tinha seus irmãos e quem Camus tinha? Apenas ele, Milo.

— Vai dar tudo certo francês! Você é um ótimo pai, veja as coisas maravilhosas que faz por Hyoga e até pelos meus filhos. Ikki vai ser campeão olímpico em Jiu Jitsu graças a você.

— De nada Milo. – Camus riu jocoso e Milo revirou os olhos, Camus soltinho pelo vinho nunca perdia a chance de tirar uma com a sua cara – Agora me responda o que vai dizer ao Ikki quando ele vier conversar sobre a sua sexualidade?

— Que eu o amo independente de qualquer coisa. – Camus assentiu e presenteou Milo com um dos seus lindos e raros sorrisos abertos, aqueles sorrisos que moldavam os lábios vermelhos de coração mostrando todos os dentes. Milo sentia-se envaidecido por provocá-los porque sabia que não eram para qualquer um.

***

Um pouco mais tarde aquela noite o vinho trazia um pouco mais de ousadia a certo ruivo.

— Diga-me Milo, você nunca teve curiosidade?

— Não. – mas Milo não o olhou o que deu certeza ao francês que ele mentia. Conhecia-o bem.

— Milo só estamos nós dois aqui, sabe que não vou contar a ninguém. – Milo o fitou por um momento tentando adivinhar onde o outro queria chegar com aquela conversa.

— Algum interesse específico ruivo? Sabia que você era doido para me pegar.

— Curiosidade mon cher, curiosidade. Você pode estar com essa pose de pai dedicado agora, uma transa ocasional, o desastre Shina na sua vida... Porém, você tem cara de que pegava tudo que se mexia quando era adolescente estou errado?

— Não está, mas eu era adolescente. – enfim admitiu dando de ombros.

Um sorriso irônico se formou nos lábios de Camus que não disse mais nada e ficou tomando o vinho em silêncio com seu ar blasé.

— O que é agora? Você não acredita que posso simplesmente estar bem com a minha sexualidade? Eu não gosto de homem, não assim.

— Eu disse alguma coisa?

— Conheço essa sua expressão. – Milo se inclinou sobre a mesa – Você sempre faz essa cara quando se acha o dono da verdade! Quer testar? – Milo riu debochado, mas intimamente incomodado com o ar blasé do amigo – Tenho plena convicção de que não me atraio por um homem mais, não me atraem! Veja você, por exemplo, Camus. Não acha que se eu quisesse já não teríamos alguma coisa? Com você que tem tanta intimidade comigo e tudo mais?

— Você está se justificando demais! – foi a única resposta do ruivo que já tirava a carteira para pagar a conta e chamando o garçom – Já está tarde vamos embora.

Depois de tudo saíram do restaurante depois de pagar e aguardavam na calçada um táxi, geralmente voltavam assim porque aproveitavam os jantares só os dois e bebiam vinho mais do que o usual.

— Camus você sempre faz isso quando não quer discutir!

— O que foi Milo? Ainda não esqueceu?! Não precisa justificar para mim mon cher.

— Mon cher, mon cher! – repetiu o grego irritado – Está me enrolando francês!

Camus gargalhou e entrou no táxi que estacionava sem responder ao grego irritado ao seu lado, Milo sabendo que não ia adiantar insistir, entrou no táxi ao seu lado com uma cara de poucos amigos. Fizeram o percurso para casa em silêncio e assim que o táxi parou, Milo jogou algumas notas para o motorista e saiu do carro.

— Milo! – o grego quase não virou, mas quando percebeu Camus já estava na sua varanda – Uma última coisa. – Milo se virou e o olhou com desdém, Camus estava muito próximo agora com um ar cínico que dava a Milo uma vontade de socá-lo – Você não pode basear suas convicções sobre a nossa relação porque você me conhece como amigo, como pai.

Aproximou-se tanto que os rostos ficaram a centímetros do outro que aspirou o ar com um pouco de dificuldade ao senti-lo tão próximo, os olhos castanhos tinham um brilho sardônico que Milo estranhou.

— Você não me conhece como homem, como amante. Não sabe que se eu quiser, eu consigo.

Virou-se deixando para trás um grego aturdido, Milo passou a mão nos cachos escuros para se controlar. O que fora aquilo? Porque sentia que sua respiração estava difícil? Lembrou da noite em que vira Camus na Santuário e não teve dúvidas do que o ruivo lhe falara, até para ele foi difícil tirar os olhos do francês àquela noite.

— Por Atena Camus, melhor que você fique quieto. – murmurou tratando de entrar em casa.

***

Camus viu o filho entrar em casa correndo e subir as escadas, em seguida a porta de o quarto fechar num estrondo. O francês havia saído cedo do trabalho para resolver problemas domésticos e não chegara não fazia muito tempo, ainda nem havia trocado de roupa.

Subiu até o quarto do filho onde encontrou a porta trancada.

— Petit deixe-me entrar.

— Eu quero ficar sozinho! – gritou o menino de dentro do quarto e Camus se surpreendeu. Seu pequeno nunca levantara a voz para ele daquela maneira.

— Hyoga. – chamou de novo e não demorou muito a ouvir o barulho da chave e então o rosto choroso do filho, que assim que abriu a porta voltou a se jogar na cama abraçado aos joelhos em lágrimas.

O aquariano mais velho sentou ao lado do loirinho que vencido deixou-se aconchegar junto ao pai que dedilhou seus cabelos em silêncio por um tempo.

— Pai eu odeio a escola! Eu odeio o balé, as meninas e a professora! Eu odeio todo mundo! – vociferou e Camus continuou em silêncio, apenas um pouco preocupado com aquela fúria repentina – Não quero voltar nunca mais lá!

— O que houve?

— Eu os odeio! Me deixa ficar aqui, por favor, eu nunca mais quero voltar pra lá pai.

— Vai me dar um bom motivo?

— Eu tô... – o garoto fungou – Eles me chamam de bonequinha lá! O Ikki bate em todos os meus amigos e agora ficou pior porque eles agora me chamam de princesa do Ikki, não adianta falar para a professora. EU ODEIO O IKKI TAMBÉM!

— Mon ange, me explica isso direito – Camus pediu ao filho e ficou quase uma hora ouvindo o loirinho se queixar em lágrimas sobre os dramas da escola.

Hyoga estava furioso porque ele fora cortado da apresentação final da escola no balé, estava treinando há semanas sem cessar para a apresentação para agora descobrir que só as meninas iriam se apresentar. A última apresentação era importante, pois os membros da academia de dança de Atenas iam assistir e a possibilidade de indicar alunos para a academia era enorme. Havia alguns meninos mais velhos o importunando, chamando-o de bonequinha e outros adjetivos jocosos e depois que Ikki começou a ameaçar os garotos que se aproximavam dele ficou tudo pior. Os professores não faziam nada com o astro da escola.

O francês deixou o filho entre seus dvd's de rock e um pote de sorvete, uma exceção de meio da semana e foi até a casa dos Savalas vê se conseguia conversar com Ikki. A escola ele resolveria amanhã, teria que tirar o filho de lá de qualquer forma, o loirinho estava apavorado com a possibilidade de voltar. Encontrou os Savalas na cozinha jantando.

— Oi Camus senta aí! Já jantou? – Milo perguntou afastando Shun para dar lugar à Camus no balcão. Estavam comendo no balcão ele, Ikki e Shun, Aiolos estava encostado na geladeira e todo mundo comendo Chine Box.

— Não obrigado, eu queria falar com o Ikki. – o moreno largou o sanduíche e bebeu o suco esperando o sermão que viria. Já imaginava que Camus viria falar alguma coisa ao ver Hyoga aos prantos, foi bem difícil trazê-lo para casa.

— Já sei o que vai dizer, mas eu não vou me desculpar porque eu estou protegendo aquele idiota! Você devia colocar algum juízo na cabeça daquele loiro estúpido Camus.

— Ikki a culpa é sua, você tem que parar de bater nos garotos que se aproximam do Hyoga. – Shun interveio – O Hyoga ta sofrendo bullying na escola por sua causa.

— Por minha causa?! – Ikki estava indignado.

— Ikki porque você bate nos garotos? – Milo sondou, algo que já desconfiava, mas resolveu que não iria se intrometer. Esperaria o filho vir falar com ele.

— E aquela história sobre não usar a força indevidamente e subjugar os mais fracos? – Aiolos estava decepcionado com o sobrinho – Não é assim que as coisas funcionam Ikki, você batendo em garotos...

— Não Aiolos. – Shun o interrompeu. Aiolos, porque ai de Shun que chamasse Aiolos de tio – O IKKI não bate nos garotos, ELE OS TRUCIDA! – todos os outros olharam estarrecidos para Ikki – Ninguém chega perto do Hyoga! Todo mundo tem medo por causa do Ikki, os garotos que fazem bullying com o loirinho são todos do mesmo ano que o Ikki e ninguém faz nada porque eles também são da equipe de luta. O Isaak, o garoto que o Hyoga gostava deu um pé na bunda no coitado depois de ter levado uma surra do Ikki no banheiro!

— Ikki!

— Bati foi pouco devia ter batido mais! – Shun olhou para o pai e para os tios com uma expressão de "Eu não disse?".

— Ikki você não pode fazer essas coisas! O que espera com isso? Eu sei que o Hyoga é muito novo, mas isso é inevitável. – Camus começou – Sei que se preocupa, mas está exagerando.

— Camus eu sei como são as coisas ok? Você devia me agradecer por cuidar daquele cabeça de vento!

— Ikki isso é ridículo. Eu não acredito que você sendo gay vai agir dessa maneira com Hyoga! – Milo disparou e os filhos o olharam de olhos arregalados, Aiolos engasgou com o suco que tomava – Rá! Esperava que eu não tivesse notado? Estou esperando você ter a decência de me falar, mas pelo visto... Só que isso é outro assunto, vamos voltar aos fatos aqui. Porque controlar os namoradinhos do Hyoga e não as namoradinhas do Shun?

— É completamente diferente pai!

— Não é não meu caro. Shun só tem 14 anos e também não devia pensar nessas coisas, mas para ele tudo bem afinal ele é homem e as meninas são bobas?! Quando é com o loirinho não pode? Por que Ikki?

Camus estava chocado. Não esperava essa defesa tão ferrenha de Milo, mas conhecendo aquele grego louco como conhecia sabia que Milo estava tentando arrancar alguma coisa de Ikki. Esse inclusive parecia prestes a ter um ataque cardíaco com aquelas insinuações do pai.

— Meninas não é um problema pai e nem Shun parece tão esperto assim já que ele demorou eras para beijar a June!

— NÃO ME METE NISSO NII-SAN!

— O fato aqui é que o Hyoga é um bobo e para o azar dele uma presa para os caras espertos! – era uma justificativa, mas no fundo o que o incomodava era o pensamento de imaginar alguém com o loirinho! Isso o enlouquecia – Como você agora sabe pai, eu entendo bem da coisa então sei que é melhor o loirinho ficar longe dos garotos.

— Ikki você já parou para pensar que é o Hyoga que pode estar desencaminhando os garotos e não ao contrário? – Aiolos deu uma gargalhada. Era tão óbvio que o sobrinho estava enamorado pelo loirinho. – O que dá a você tanta certeza de que Hyoga é um anjinho inocente?

— Porque ele é! Eu sei que ele é ingênuo e estúpido e se deslumbra fácil.

— Assim não ajuda... – Camus balançou a cabeça olhando para o grego como se pedisse ajuda. Mas Milo estava longe de saber o que fazer – O Hyoga não quer mais voltar para a escola, nem para o balé! Ele nem quer sair de casa está desolado. Acho até que precisarei trocá-lo de escola.

— Não! – Shun bateu no ombro do irmão – Seu idiota olha o que você fez!

— Talvez se conversar com ele seja o suficiente. – disse Aiolos aos presentes – Ele não pode se deixar abater e quem nunca passou por um constrangimento na escola? Quem sabe o balé ajude a superar...

— Ele também odeia o balé. – Camus entortou a boca – Parece que todas as frustrações estão acontecendo ao mesmo tempo na vida do Hyoga.

— Ah que pena! Mas o que aconteceu ele parecia tão bem no balé! – Milo franziu o cenho.

— Eles cortaram o personagem dele da montagem do balé no fim do ano na escola. – Shun apressou-se em explicar – Ele estava treinando há semanas porque os bailarinos da companhia de dança de Atenas vão estar lá para ver apresentações e ele não vai estar nela.

— Há dias que ele só fala disso. – Camus estava tão desolado quanto o filho porque já vira Hyoga e sabia que o filho tinha futuro no balé.

— Talvez... – Aiolos ficou pensativo e de repente estalou a língua – Eu tenho um amigo na companhia de dança, posso falar com ele e marcar uma audição. Se ele for bom mesmo não duvido ser aceito para estudar lá.

— Você faria isso? – Camus segurou Aiolos pelos ombros e o grego se assustou com o contato brusco. Havia tanta expectativa no olhar amendoado que o grego se surpreendeu, uma lembrança do que Saga lhe dissera veio em sua mente. "O Camus vive para o filho, não há espaço na vida dele para mais nada!".

— Claro Camus! Não me custa nada e se vai deixar o Hyoga bem, não tem porque não tentar.

— O Hyoga tem talento Oros, a academia não vai se arrepender pode ter certeza. – Milo puxou Camus para si pelos ombros – Ele vai ficar tão feliz! Ikki você vai parar de importunar o menino sim? Logo o loirinho vai estar tão ocupado que logo esquece os garotos. Você não quer dançar também Shun?

— Pai me erra.

— Essas crianças! – Milo suspirou dramático arrancando risos de todos, mas Aiolos ainda olhava Camus e sua genuína preocupação pelo filho. Como não poderia se solidarizar com aquele cuidado? Ele que desde que colocara os olhos em Shiryu percebera que seu mundo seria aquele menino de exóticos olhos verdes?

Saga não entendia, ele não era pai e por isso achava aqueles sentimentos desnecessários. Saga não era maduro o suficiente e agora Aiolos entendia porque Camus relegara a relação deles pelo filho.

Ele estava certo, concluiu o grego e fez uma promessa a si mesmo que ia ajudar Camus a dar aquela alegria ao loirinho.

Milo afagava os ombros magros de Hyoga que respirava fundo para se acalmar, Camus segurava a mão do loirinho. Aiolos havia conseguido a audição na companhia de dança de Atenas para o garoto e então todos estavam em expectativas. Depois de alguns dias, lá estava o loirinho prestes a audição no conservatório de dança.

— Alexei Hyoga Chateaubriand. – uma mulher chamou o nome do russinho e os três levantaram – Pode entrar.

Na sala da audição três professores estavam sentados a uma mesa comprida no fundo do salão, Aiolos estava lá também e conduziu Milo e Camus para sentarem na lateral deixando Hyoga a vontade no centro do salão. Aiolos era ator e conhecia todo o tipo de gente isso lhe proporcionava oportunidades como aquela.

— Camus, Milo esse é o Surt ele é o amigo do qual falei. – Aiolos os apresentou. O francês e Surt se reconheceram e o segundo riu estendendo a mão para Camus que a apertou dessa vez.

— Uma nova oportunidade senhor Chateaubriand! Fico muito feliz em saber disso. – Surt continuava sorrindo para Camus e aquilo intrigou Milo.

— Parece que seguiu o meu conselho senhor Eikpynir, Andreas é outro rapaz.

— Ele estava precisando de ajuda. Vamos à audição? A companhia sempre investe em novos talentos e Aiolos me fez grandes elogios ao garoto, estou curioso.

— Não vai se decepcionar. – respondeu Camus e houve um entendimento entre os ruivos, Aiolos notou.

— Eles já se conhecem?! – cochichou Milo para o irmão. Não estava gostando daquela intimidade, Surt inclusive estava monopolizando Camus, Milo achava.

— Estou pronto! – falou o loirinho no meio do salão e todos se acomodaram para ver o teste.

Uma hora depois Camus estava tratando da papelada para o ingresso de Hyoga na companhia de dança de Atenas. Os professores ficaram bem impressionados e Surt estava ansioso para começar os estudos do loirinho. Ele ainda era jovem para chegar ao grupo principal, mas o finlandês não tinha dúvidas que ele conseguiria.

Depois de trocarem telefones e muita bajulação de Surt na opinião de Milo, todos saíram do Conservatório, animados para a manhã radiante de Atenas.

— Vamos almoçar? Conheço um restaurante bem legal. – sugeriu Aiolos.

— Preciso voltar. Deixei o Shun tomando conta do Seiya se a Marin descobre me mata. – disse Milo já se despedindo de Aiolos e de Camus – Quer que eu leve o Hyoga? Você vai ter que voltar para o escritório mesmo Camye.

— Deixa pai! Eu quero contar pro Shun e ver o Seiya, por favor.

— Tudo bem.– Camus beijou a cabeça do filho que o abraçou feliz e depois de abraçar Aiolos também, Hyoga se foi com Milo.

Foram para o restaurante que Aiolos indicou.

— Eles nos abandonam não é assim? – Aiolos comentou divertido enquanto sentavam.

— É... Eles crescem! Não duvido ele estar falando infinitamente no ouvido do Milo agora e o grego dando trela, é por isso que ele foi embora. O Milo vai mimá-lo pelo resto do dia e o Hyoga adora!

— Ah o Shiryu também adora aquele escorpião louco, ele adora bajular o garoto também! Percebeu que as crianças amam o Milo? – o garçom veio servi-lo e depois de pegar os pedidos e deixar os aperitivos os deixou a vontade – Shiryu anda abandonando o Milo também, mas nós temos que nos acostumar afinal agora que ele parece estar namorando, — Aiolos fez uma careta de desgosto – A tendência é que ele fique cada vez mais distante. Mas o que eu posso fazer? Ele tem dezessete anos é natural não é assim? Você que tem sorte!

— O Hyoga vai crescer também Aiolos. – riram e o garçom veio para deixar os pedidos e saindo em seguida – Eu de verdade queria mesmo agradecer pela ajuda por conseguir a audição! Significou tanto para nós, o Hyoga está tão feliz e depois desses dias cabisbaixo e furioso com a vida...

— Ah Camus não precisa agradecer, eu também adoro o Hyoga e ele é tão talentoso você viu! E se eu soubesse que o Surt te conhecia tinha agilizado esse encontro antes. – terminou olhando o ruivo de esguelha.

— Não nos conhecemos na verdade. Eu o encontrei uma vez na sala da diretoria há alguns anos, o sobrinho dele importunou o Hyoga na escola. – Camus tomou o vinho devagar — É uma coincidência bem bizarra se quer saber, que ele seja um dos professores da companhia de balé de Atenas.

— Eu acredito que acasos não existem Camus, quem sabe isso não é o destino lhe dando uma nova oportunidade com Surt e... – Camus riu de lado e Aiolos lembrou Saga – Ou você está com alguém? Saga? – sondou temendo a resposta do outro.

— Há muito tempo que não existe nada entre mim e Saga, nem amizade se quer saber. Ele conseguiu destruir todo o respeito que eu tinha por ele! – olhando a cara de Aiolos o francês apressou em se desculpar – Sinto muito, eu... Vocês estão juntos?

— Também não. – Aiolos mexeu no copo de uísque – O Saga nunca vai mudar Camus! Vai ser sempre essa dualidade insuportável, essa inconsequecia constante em seus relacionamentos, só que eu não tenho mais idade para casos e ele sabe que eu não sou um amante furtivo, eu quero estabilidade! Depois que o Shiryu entrou na minha vida eu percebi algumas coisas na minha própria personalidade e vi que estava me anulando pelo Saga.

— Ele ousou competir em atenção com o Hyoga. – a expressão do francês não era nada boa e Aiolos ficou imaginando o que Saga havia aprontado, sabia que Camus não ia contar ele era muito discreto – Acredita? Com uma criança?

— Bem típico dele! – Aiolos suspirou – Demorei tanto a aceitar que eu e Saga nos perdemos para sempre, acreditando que ele poderia mudar e perdi alguém maravilhoso nisso. Eu e Shura podíamos ter construído uma relação de verdade, mas agora é tarde.

— Ele não fala mais com você?

— Quando ele descobriu que eu voltei para o Saga da última vez, Shura pediu transferência do Metropolitan na semana seguinte. Soube que ele voltou para a Grécia há alguns meses, mas não me procurou.

— Sinto muito Aiolos.

— Não faça como eu e deixe sua chance escapar! Dê uma chance ao meu amigo Surt, ele é um pouco descolado, mas sabe ser sério e é muito inteligente e culto, vai adorá-lo.

— Está me saindo uma velha alcoviteira Aiolos. – Camus o olhou um sorriso de lado – Espero que eu aceitar sair com aquele irlandês não seja o pagamento pela ajuda com o Hyoga.

— Não! Ele só pediu uma chance para limpar a barra dele com você, e eu não tenho culpa se você parece um imã para os caras Camus, ‘tô pensando em inspirar meu novo personagem em você francês irresistível. – eles gargalharam, Camus tinha um rubor de vergonha no rosto – Vamos Camus! Você deve estar quase virgem, não custa nada pelo menos conhecer ele melhor. Que tal sábado? Há um show na cidade, é do Muse uma banda que os garotos gostam muito, eu recomendo que você escute, é muito boa. Podemos ir todos juntos, vou arrastar o Milo também meu irmão precisa respirar um pouco. O Ikki e o Shiryu já vão e eu consegui um camarote para todo mundo, inclusive o "namorado" do Shi. – nova careta de desagrado.

— Não acostumado com a ideia de que seu filho cresceu mon ami? – Camus indagou divertido.

— Ele está namorando um cara bem mais velho que ele. Não sei quem é, Shiryu e eu andamos discutindo muito sobre isso e agora ele não quer me apresentar o cara porque acha que eu não vou aprová-lo.

— E você não aprova.

— É que... – Aiolos mordeu o lábio desviando o olhar e por fim desabafou – Ele ainda é o meu garoto, aquele menino tímido e quieto que eu vi e amei assim que pus meus olhos nele entende? É duro saber que ele já tem idade para namorar um cara que tem quase o dobro da sua idade. O cara pelo que eu sei tem a idade da Aiolia!

— Grande coisa são só onze anos e você é que está fazendo drama por nada. Agora sei por que você é ator. – Camus gargalhou.

— Meu consolo é que o Hyoga vai crescer também e vai te dar um monte de trabalho.

— Não vai porque o Ikki não vai deixar. – e os dois voltaram a rir.