Notas iniciais
Oiieee Não demorou muito demorou? Queria agradecer imensamente o carinho de vocês nos reviews, a força e tudo mais. Vocês são maravilhosos! Bem aqui vai mais um caps, ele está cheio de novas sensações. Lembra que eu disse lá nas notas que não ia especificar casal? então. ENJOY

Marin parou para respirar fundo olhando pela janela, o filho correr de um lado para o outro do jardim, com a bola nova de futebol que ganhara. Voltou para terminar de arrumar o quarto dos bebês. Faltava pouco, pensou acariciando a barriga grande. Aiolia estava se desdobrando em plantões no hospital agora, para quando os bebês nascerem ele estar em casa pelo menos no primeiro mês. Milo e Aiolos também estavam por ali, então Marin se sentia muito segura.

A ruiva olhou os nomes bordados nos travesseiros, na colcha dos berços, em tudo! Aspros e Defteros, fez uma careta, mas sorriu porque estava se acostumando com os nomes escolhidos por Aiolia. Fora o trato, ela escolheu o nome do primeiro e Aiolia o do segundo. No caso, dos gêmeos. O leonino estava com o ego nas alturas enquanto Marin só pensava em fechar a fábrica. Três filhos eram mais que suficiente!

— SEIYA MINHAS PLANTAS! – gritou para a janela ao ouvir algo quebrar, se impacientou e foi de novo olhar o garoto que já disparava pelo jardim. Fora a janela do estúdio de Milo que havia quebrado, Seiya estava duplamente encrencado – Reze aos deuses garoto por não ter quebrado mais nada ou Milo vai querer o seu escalpo! – continuou a praguejar enquanto descia para verificar o estrago.

No estúdio encontrou uma estátua caída pedaços, provavelmente atingida pela bola. Respirou fundo e resolveu apenas olhar para ver se Seiya havia ido mesmo para a casa de Camus, era lá que ele sempre ia quando estava encrencado.

— Seiya quando você entrar vai estar muito encrencado! – gritou, mas não foi atrás dele, não tinha fôlego para isso. Quando ele voltasse o deixaria de castigo.

No outro lado da rua Hyoga abriu a porta para um garotinho esbaforido.

— Por Atena menino o que foi?! – falou Hyoga, o garotinho de sete anos se jogou nos braços do outro.

— Eu quebrei a estátua do tio Milo! Ele e a mamãe vão me matar, Hyoga me ajuda!

Foi rindo que Hyoga colocou o garoto nas costas e entrou com ele, Seiya estava tremendo como um bichinho assustado. Podia ouvir Marin gritando na varanda da outra casa.

— Quando você voltar para casa está encrencado garoto!

— Você deveria voltar, Marin está grávida e ficar nervosa não é bom. – disse Hyoga subindo as escadas até o seu quarto – Fique aqui vou falar com a Marin, não demoro.

E assim Seiya escapou de uma enorme bronca e alguns cascudos, mais uma vez. O loiro russo sempre ajudava o garotinho a sair das enrascadas.

— Você não pode protegê-lo sempre. – Camus disse ao filho, horas mais tarde enquanto eles assistiam pela enésima vez Kuroko no Basuke por causa de Seiya. Este agora dormia com a cabeça apoiada no colo do lourinho.

— Ele é só um garoto muito ativo, faz parte quebrar algumas coisas. – Hyoga brincou com os fios castanhos do pequeno adormecido – Garanto que eu não era nenhum anjo quando pequeno.

— Você era o muito quieto, não dava trabalho nenhum. Já na adolescência...

— Ah dava sim. – Aiolia entrava na sala nesse momento. Tinha ido buscar o filho que não queria voltar para casa enquanto ele não chegasse, o pai era outro que protegia Seiya da fúria de Marin quando ele aprontava – Não dava trabalho nenhum, bah! Mentira do Camus, Hyoga você era uma verdadeira peste. As babás sofriam na sua mão. – Aiolia pegou o filho com cuidado no colo – Diga Camus. Fale que ele gostava de amarrar as babás!

— As babás que dormiam enquanto deviam estar tomando conta dele, não é Aiolia? – o francês estalou a língua – Meu filho era inocente.

— Ah tá! E por isso que ele defende a Seiya, um conhece o outro. – rebateu o leonino com desdém – Eu devia deixar o Seiya com vocês mais tempo, uma compensação. E Camus tá na hora de arrumar uma criança para correr nessa casa enorme, o Hyoga vai acabar te dando um neto e você nada de dar um irmão para o lourinho.

— Não Aiolia até você? Não vou cair na chantagem de vocês, já basta o Milo. – Camus fez uma careta.

— Ah pai eu queria um irmão ou uma irmã! – Hyoga se virou animado para o pai.

— Mereço!

— Hyoga já que você gosta muito de crianças eu tenho uma proposta. Na ala pediátrica do hospital nós vamos fazer uma manhã alegre para as crianças internadas, estamos voluntariando algumas pessoas. – Aiolia ajeitou Seiya que dormia pesadamente – Seria legal se você fosse sei lá, dançar para eles. Há crianças que estão naquele hospital há muito tempo, outras que não tem ninguém e estão lá para fazer tratamento médico. Leve o ranzinza Camus, vai ser divertido! Eu chamei a família toda.

— Ah nós vamos sim Aiolia, pode deixar! Quando é?

— Sábado. Venho mais tarde dar os detalhes.

— OK.

Sozinho no quarto Camus pensava no que Aiolia disse e na animação do filho com a possibilidade de ter um irmão ou irmã, teria tempo de remoer aquela história já que Milo só iria para a cama bem tarde. Estava esculpindo e quando ficava assim, tudo ao redor parecia não existir.

Nunca pensou em ter outro filho, achava que Hyoga era tudo que lhe cabia de felicidade paterna. Quando conheceu Milo e dada a convivência com Ikki e Shun, achava que aquele lado paterno estava preenchido. Porém, Milo agora insistia que eles deviam ter um filho, agora que estavam irremediavelmente juntos.

***

No sábado foram para o hospital em que Aiolia trabalhava. Shun e Aiolos foram e o ator causou certo alvoroço, o mais jovem logo encantou as crianças com seus desenhos e brinquedos que levara. Hyoga e Camus estavam por ali, distribuindo livros coloridos, contando histórias. Milo chegou a tempo de ver Hyoga fazer uma pequena apresentação para as crianças que ficaram encantadas, o grego aproveitou para arrastar o francês para o berçário.

— Onde vamos Milo?! – o ruivo franziu o cenho para aquela estranha atitude.

— Quero te mostrar uma coisa, melhor uma pessoa.

No berçário Milo acenou para as enfermeiras que pareciam conhecê-lo, o que deixou Camus um tanto desconfortável. Uma delas se aproximou deles e os indicou a ala de higiene, onde eles se higienizaram e então entraram no berçário. O grego foi direto para um dos bercinhos onde uma linda menina de olhos violáceos mexia os braços, Milo a carregou no colo com cuidado e carinho, aquela cena mexeu com o coração de Camus de uma forma que ele não imaginava.

— Ela não tem nome ainda, o Aiolia disse que ela foi deixada na porta do hospital ainda com o cordão umbilical. Ela é saudável, logo vai sair daqui e vai precisar de uma família. – Milo sem perguntar ao ruivo passou o bebê para ele, Camus alarmado pegou a criança meio sem jeito a princípio, mas logo a acomodou no colo com perfeição – Ela não é linda?

— É Milo... – O francês voltou os olhos para o bebê em seus braços, a menina esticou os bracinhos e Camus estendeu a mão, o bebê segurou um de seus dedos – Oh... Petit.

— Vamos adotá-la Camus! Por favor!

Camus não negaria nada a Milo quando ele usava aquele sorriso luminoso, não quando os olhos de mar estavam lacrimosos e emocionados daquele jeito. Como poderia negar trazer aquele bebê para a família deles, tendo-o nos braços e o sentido como se fosse seu desde sempre?

— Nós vamos ter que casar Camus, a Hilda disse que casados oficialmente vai ser mais fácil o processo de adoção. Chega de me enrolar!

— Você sabe que se eu pedir você em casamento é você que vai usar o vestido de noiva? – a voz de Camus estava sussurrada para não perturbar a criança que parecia acalentada em seu colo.

— Se eu pedir oficialmente você usará o vestido?

— Tarde demais Milo, você vai usar. Quer casar comigo Milo Savalas?

A resposta do Milo foi sorrir e se esticar e tentar beijar o ruivo que o parou no meio do caminho, um tanto corado. Então o grego voltou sua atenção para o bebê.

***

Em Las Vegas, semanas depois desse episódio Milo e Camus estavam na primeira fila da platéia vendo Ikki lutar para ganhar o cinturão dos pesos pesados do UFC. O adversário era experiente e muito forte, vinha de uma série de oito vitórias e Ikki também vinha de um escore bom, mas ainda era um desconhecido. Porém, Ikki Amamiya não era também um adversário fraco.

Finalização! Um mata leão encaixado e o outro lutador estava batendo no chão pedindo para soltá-lo. A platéia foi ao delírio, Milo e Camus, Aiolos e Shura estavam ensandecidos. Para deleite de Ikki não foi só Shun que corria para as grades do octógono, Hyoga também estava lá pendurado junto com a sua equipe comemorando. Era bom ter a família ali naquele momento, ter o lourinho feliz por ele...

Já fazia um bom tempo que não se viam, muito para falar a verdade, mas agora ele estava ali com Ikki e tudo parecia bem entre eles. O tempo longe realmente ajudou.

— Obrigado por vir loiro.

— Ah Ikki, não faltaria a sua primeira luta pelo cinturão. – Hyoga deu de ombros, um sorriso tímido moldava os lábios de coração – Foi sensacional! Você foi foda demais!

Estavam na casa do moreno em Las Vegas, havia uma festa de comemoração rolando lá dentro. Hyoga sairá um momento para atender o telefonema de Shiryu, ele não conseguira dispensa do trabalho para viajar junto e então ficou na Grécia. O loiro mesmo só conseguiu vir por que estava viajando com a companhia de balé.

O moreno notou a saída do russinho e foi atrás.

— Que bom que gostou.

Ficaram em um silêncio confortável por um tempo, ali no quintal da enorme mansão de Ikki lhes fazia lembrar outra ocasião em que um beijo fora trocado à beira de uma piscina na Grécia.

***

Na redação do Metropolitan Shiryu fechada sua matéria que seria no dia seguinte, estava cansado mais satisfeito.

— Agora é deixar tudo com a redatora-chefe. – disse se espreguiçando para despertar o corpo. Pegou tudo e suas coisas e foi falar com sua chefe, de lá finalmente iria para casa.

Chegou ao último andar e atravessou as portas de vidro para chegar à elegante sala de Shunrei Kitabayashi. A editora-chefe do maior jornal de Atenas.

— Obrigado Shiryu você já pode ir. – a bela mulher recebeu a versão de edição do jornalista com um sorriso – Até amanhã.

— Até amanhã senhorita. – Shiryu fez uma mesura.

— Sabe que está indicado ao cargo de correspondente internacional do Metropolitan, não sabe? – Shunrei disse antes que ele se afastasse se levantando da sua poltrona para ficar próximo a Shiryu do outro lado da mesa.

— Sim e estou muito lisonjeado. Não esperava...

— Não me faça de tola Shiryu, sei que está batalhando por essa promoção há meses. – Shunrei sorriu de novo gesticulando com as mãos delicadas. Shiryu a achava uma bela mulher, sempre muito elegantemente vestida, suas maneiras reservadas e ao mesmo tempo decididas. Havia em Shunrei um quê de mistério que instigava as pessoas e era a primeira mulher que Shiryu tinha interesse em conhecer – É um nome bem cotado para o cargo e os diretores o aprovarão tenho certeza.

— Sério? – Shiryu engasgou. Sua tão sonhada promoção!

— Sim e seria bom você começar a pensar que no verão estará morando nos Estados Unidos.

— No verão? – e Shiryu praguejou internamente, isso significava poucas semanas e ele ainda nem conversou com a família e Hyoga. "O loiro vai pirar", pensou temeroso.

— O que foi? Preocupado com a família ou a namorada? – a morena sondou, um quê malicioso na pergunta.

— Será um pouco complicado com o meu namorado, — fez questão de salientar para evitar equívocos – porém acredito que ele vai entender.

— Ah! Namorado. – Shiryu estranhou que apesar do “corte" ela não parecia nenhum pouco desapontada, pelo contrário, a nova informação a fez olhar para ele com um olhar faminto.

— Até amanhã senhorita.

— Até amanhã Shiryu.

***

Shunrei voltou para sua poltrona com um sorriso malicioso nos lábios, já com planos nada casto em mente para o homem que acabara sair de sua sala. Seu instinto estava gritando que Shiryu era a pessoa que procurava, o fato de ele estar se relacionando com um homem só melhorava tudo. Se conseguisse conquistá-lo lhe permitiria muitas possibilidades.

Demorou alguns dias para preparar o terreno até convidar o jovem jornalista para sair, apenas um drinque no fim do expediente. Todos estavam eufóricos com a notícia de um prêmio no fim do ano. Shiryu ainda mais já que a reportagem era sua. De modo que o clima era de comemoração.

Entre tanta comemoração e bem tarde aquela noite, quando Shiryu percebeu estava dançando com Shunrei.

— Onde está seu namorado? – ela perguntou, as mãos delicadas seguravam a nuca do japonês enquanto as unhas bem feitas arranhavam a pele de leve. As mãos fortes de Shiryu estavam na cintura delgada, Shunrei vestia um tubinho preto que delineava suas belas formas sem vulgaridade.

— Em Budapest com a Companhia de Balé de Atenas, ele é o bailarino principal da nova montagem. Você deve conhecê-lo, Hyoga Chateaubriand.

— Ah sim, já o vi dançar várias vezes. É magnífico! – e Shunrei falava a verdade, admirava muito o jovem bailarino. "Muito jovem" observou para si mesmo, imaginando o que unia aqueles dois. Sabia que Shiryu se envolvera com uma das repórteres do Metropolitan, então no mínimo ele era bissexual. Estava começando a ficar melhor, pensou Shunrei – Você o ama?

— Sim. – Shiryu desviou o olhar daqueles olhos negros perscrutadores, não sabia por que, mas Shunrei mexia com ele de um modo estranho. Há muito não se interessava por mulheres, na verdade apenas casos rápidos, não entendia a curiosidade e instinto que levava ele a estreitar relações com aquela mulher.

— Não foi uma resposta muito convincente. – ela riu aproximando o rosto do outro – Mas ele está tão longe agora não está? Ele é tão jovem, parece tão inocente. O que o atrai nele?

— Somos amigos de infância, eu gosto dele.

— Sim você já disse, não estou cobrando amor Shiryu. Apenas um momento.

Acabaram juntos aquela noite e como Shunrei esperava Shiryu era tudo que queria e muito mais, mesclando a virilidade e cavalheirismo de forma única. Ambos experimentaram novas sensações e possibilidades na cama, coisas que Shiryu nunca experimentou com uma mulher.

Shunrei disse que seria um momento, uma noite e de fato nada fez no dia seguinte que lhes lembrasse o que fizeram e assim permaneceram no trabalho, embora às vezes Shiryu percebesse o olhar faminto de Shunrei sobre ele. E então outra noite e mais outra até que Hyoga voltasse do pequeno tour com o Corpo de Balé de Atenas pela Europa.

No dia da chegada de Hyoga, Shiryu estava se sentindo o pior dos homens e foi cheio de remorso que encontrou o namorado no aeroporto, que alheio aos sentimentos do outro, estava radiante por voltar para casa e voltar para ele. Enquanto Hyoga tagarelava sobre o almoço que o pai e Milo estavam planejando, Shiryu procurava um modo de contar ao loiro sobre sua transferência para Nova York e Shunrei.

Precisava contar! Prometeram sinceridade no relacionamento e até aquele momento ambos estavam sendo francos um com o outro, mesmo quando Hyoga foi para Las Vegas ver Ikki lutar o loiro foi muito verdadeiro com Shiryu. Contou que foi um pedido do próprio Ikki, que ele queria conversar e fazer as pazes, para voltarem pelo menos à amizade uma vez que seus pais estavam casados agora e Ikki em breve voltaria para casa. Hyoga merecia que ele fosse sincero também.