Notas iniciais
Gente que loiro doido né?

Hyoga se mexeu na cama e rapidamente voltou a ficar imóvel por conta da dor, mas precisava levantar porque as necessidades fisiológicas estavam prementes. Sentou na cama com cuidado, mesmo assim fez uma careta de dor e a força em sua mente e então o loirinho gemeu.

— Pegue o pouco de dignidade que lhe resta e saia dessa cama. Tome isso, ajudará na ressaca. – Milo lhe estendeu uma caneca fumegante.

— Assim que eu tirar o gosto de lixão da boca. – murmurou o rapaz.

Milo deixou a caneca na cômoda e sentou na cama vendo Hyoga se mover devagar enrolado no lençol até o banheiro, voltou de lá dez minutos depois de banho tomado e vestido em um roupão.

— Ele está muito furioso?

— Quer matar você. – Milo deu de ombros – Vem aqui, não vou deixar loirinho. – Milo abraçou o rapaz, mas o largou em seguida ao ouvi-lo gemer.

— Me deixa ir lá enfrentar a fera. – o grego assentiu e deixou o quarto.

Depois de escolher uma roupa que escondia seu corpo praticamente todo (Hyoga pensou que podia ser uma nova espécie de mapa com as marcas que possuía pelo corpo agora.), o loiro entrava na cozinha onde encontrou o pai à mesa tomando café. Seu semblante não era dos melhores, mas Hyoga foi se colocar ao lado do pai a espera da bronca.

— Sente-se.

— Eu 'tô bem em pé papa. – disse o loirinho e foi o bastante para quebrar a pose severa e blasé do pai que o fitava entre furioso e horrorizado.

— Pelos deuses Hyoga o que você fez da sua vida ontem?!

— Estava me divertindo...

— Só queria entender como alguém que estava todo esse tempo namorando a distância, esperando voltar à Atenas para se entregar a Ikki, resolve de uma hora para outra deixar de ser virgem! – a última parte foi em um tom baixo e envergonhado. Não estava à vontade com aquela conversa.

— Pai, é justamente por ficar esse tempo todo aí esperando o Ikki que eu me sinto um babaca! – Hyoga se sentou devagar e fez uma careta que foi notada pelo ruivo, este mordeu o lábio aflito. O loirinho pegou a xícara que trouxera junto consigo do quarto e bebeu um bom gole. Chá de ginseng, Milo era o seu herói. – Não é como se eu tivesse "Minha virgindade sagrada, vou dar só para o homem que eu amo e bla bla bla"... É só sexo pai.

— Só sexo? – Camus piscou aturdido vendo o filho dar de ombros e achou que estava perdendo alguma coisa.

— Só não rolou antes lá na Rússia porque eu acreditava que devia ser fiel, já que aquele patife do Ikki era meu namorado. Mas agora tanto faz!

— Tanto faz? Pode ser qualquer um que lhe deixe bêbado, mesmo você sendo menor de idade, que te convença a transar? – Camus bufou sarcástico – Hyoga eu não reconheço você! Sempre tão sensato e racional, responsável e em uma noite você esqueceu tudo isso.

— Que droga pai foi só uma noite! Que importa se eu ainda sou virgem ou não foda-se! Eu só quero viver a minha vida agora e ser irresponsável uma noite, porque ser responsável a vida toda cansa. Tenho dezessete anos e preciso fazer algumas burradas.

— Então admite que o que fez ontem foi uma imensa besteira?

— Foi, mas e daí? Já foi feito, aprendi a lição e vida que segue. – Hyoga revirou os olhos – Na verdade não foi tão ruim assim e ao contrário do que deve estar achando agora, não sou completamente irresponsável. Usei camisinha.

— Vem aqui. – Hyoga foi para os braços do pai que o abraçou com cuidado junto ao peito – Fiquei tão preocupado! Não quero que só porque esteja furioso e desiludido você se tornar um doidivanas. Pensei que a virgindade fosse algo especial para você.

— Ah pai corta essa! – Hyoga sorriu e olhou para o pai com um brilho divertido no olhar – Eu 'tava perdendo era tempo!

— Me poupe dos detalhes, por favor.

— Cadê o Milo pai? – Hyoga voltou para sua cadeira agora, mais animado em comer algo.

— Foi para casa ver os rapazes. Ikki saiu ontem também por acaso o encontrou?

— Não, ele deve ter aproveitado para ir atrás do Mime. – Hyoga torceu os lábios.

— E quanto ao Ikki? O que vai fazer a partir de agora filho?

— Estou totalmente focado no balé agora pai, sabe que as seletivas para o papel de Otelo na nova montagem começam no mês que vem? Eu preciso desse papel! E quanto ao Ikki... Ele é passado pai, a chance dele já passou e agora eu ‘tô livre para pegar quem eu quiser!

— Ah é senhor "pegar quem eu quiser"? Então trate de tomar o seu café logo e vamos sair para ir à farmácia e comprar algumas coisas para em seguida ter uma conversa sobre "só sexo" aproveitando que você está de castigo.

— Ah pai! Por favor, não!

***

Na casa dos Savalas Shun veio correndo para o quarto do pai assim que soube da sua chegada. Milo preparava-se para ir ao banho.

— Pai, o Hyoga apareceu?

— Apareceu. Bêbado e desvirginado, mas apareceu!

— Zeus! Aquele loiro maluco. – Shun estava assombrando, mas ria e acabou contagiando o pai que riu também – Eu e a June tivemos que vir de táxi, porque ele sumiu com o Radamanthys.

— Eu não sabia que eles se conheciam. O Ikki odeia aquele Radamanthys.

— Desde a quinta série! O Rada foi à Rússia papai, eles se esbarraram por Moscou, mas Hyoga não quis nada com ele por causa do Ikki! Só para provocar ele foi a primeira pessoa que o loiro contatou aqui dos amigos antigos. Mas não sabia que ia acabar assim!

— O Ikki vai pirar! – Milo suspirou olhando o filho — Mas o russinho é tão teimoso, igual ao pai.

— E o Ikki foi atrás do Mime de novo! Quer saber? Quero mais é que o loiro esqueça o meu irmão e parta para outra mesmo, vou ajudar ele. Apresentar uns caras legais pra ele.

— Ah o seu irmão vai ficar muito feliz.

— Ele que continue com aquele sem sal. – Shun deu de ombros e depois olhou para o pai com um brilho maroto no olhar de esmeralda – E o Camus hein? Pelo visto deu tudo certo porque você só voltou agora. Conta aí pai?

— Me respeita moleque e eu lá vou contar minhas intimidades pra você?

— E o que tem pai?! Papo de homem pra homem!

— Tá bom Shun, mas uns dez anos e a gente conversa.

***

Shun levou a sério a ideia de arrumar um namorado novo para o amigo Hyoga. Depois da desastrosa "saída da irresponsabilidade", como ficou conhecida a saída deles, Hyoga estava de castigo e só saia para o balé. Só depois de semanas que Shun pode ficar com ele no quarto, mas o loirinho ainda estava proibido de sair.

— Você o conhece Shun?

— A June conhece e disse que ele é legal e responsável, culto e todas as frescuras que você gosta. – Shun comentou mexendo nos cd's do russo – Ele é mais velho, deve ter a idade do Ikki e do Shiryu.

— A June disse isso? – Hyoga olhou para o amigo com uma expressão cética. Nem acreditava que estava na mão daqueles dois.

— Hyoga a June sabe das coisas. Ela namora comigo!

— Por ela namorar você que eu tenho as minhas dúvidas.

— Eu tô tentando te ajudar aqui!

— Shunny vem cá. – chamou o moreninho para sentar com ele na cama – Não me leve a mal, mas eu preciso saber. Você ama a June? Sério porque eu não entendo esse namoro de vocês! Vocês estão juntos desde a sétima série, levaram anos para se beijar... Vocês transam Shun?

— Claro né Hyoga! Que pergunta. – Shun revirou os olhos – Não com muita frequência porque a June acha nojento e eu também, ela também não faz sexo oral. Mas prometeu que vai fazer no meu aniversário.

Hyoga mordeu o lábio pensando que precisava arrumar a vida do melhor amigo o quanto antes.

— E esse cara, o Erick. Como é que eu vou ver ele se eu ‘tô de castigo?

— Ah já pensamos em tudo! A June vai trazer ele no almoço de domingo que o papai vai reunir todo mundo para festejar a volta de vocês, a exposição... Eu acho que eles vão oficializar alguma coisa Hyoga. – Shun e Hyoga trocaram um sorriso conspirador – Será que eles vão casar?

— Espero que sim! – os adolescentesriram divertidos.

***

Aiolos olhava pela janela Shiryu estacionar e sair do carro junto com Shura, ver o espanhol fez seu coração dar um solavanco.

— Aiolos você me prometeu. – Milo segurou o irmão mais velho pelos ombros, que deu um suspiro desanimado.

— Eu não vou conseguir ver eles juntos Milo, não vou.

Agora que Camus voltara, Milo estava feliz demais e achava que todos os mal entendidos deveriam ficar para trás, então convidou o espanhol para aquele almoço de domingo, obrigando Shiryu a oficializar o namoro perante a família.

— Você precisa superar isso. Não adianta ficar remoendo o passado, sabe que isso é culpa sua. – Milo ia se afastar, mas viu Saga e Kanon chegar também com June e outro rapaz que ele não conhecia – Não acredito que convidou ele, Aiolos?!

— Não convidei! – Aiolos olhou também para fora, agora sim poderia dizer que a qualquer momento teria uma síncope – Eu juro!

— Eu convidei a June, não tenho culpa se o Saga e o Kanon se convidaram sozinhos. – Shun atravessou a sala para abrir a porta.

"Que os deuses me ajudem!" pediu Milo internamente.

Quem estava com a cabeça cheia naquele domingo também era Ikki. Ikki massageava as têmporas vendo a movimento frenética de Marin e Milo, Camus e Aiolos em toda a casa, as pessoas no quintal. Inclusive certo loiro que parecia muito animado com certo sueco.

Eles não estavam se falando, acabaram brigando de novo quando Ikki descobriu que Hyoga estava saindo com Radamanthys. O lutador estava furioso e decepcionado com o loirinho por ter dado sua preciosa virgindade ao seu maior rival, achava a maior das afrontas. Não importava que eles não estivessem mais juntos, Hyoga era seu! Só seu.

Podia ter deixado o loiro de lado, decidiu inclusive esquecê-lo e ficar com Mime de vez. No entanto, só de saber que June e Shun estavam acorbertando um possível encontro de Afrodite e Hyoga, isso foi o suficiente para estragar o seu dia.

— Estou começando a achar que você prefere aquele sueco metido a mim. – Mime resmungou ao seu lado. Estavam em uma espreguiçadeira perto da piscina – Quer que eu vá embora?

— Não gostei daquele sueco, tem cara de aproveitador. Você sabe, o Hyoga é praticamente meu irmão eu tenho que ficar de olho nele. – o que era uma grande mentira, mas boa parte do que Ikki contava à Mime com relação a Hyoga era mentira então tudo bem.

— Ah Ikki que bobagem! Você acha que se ele fosse um aproveitador seria amigo do Shun, da June? Acha que alguém da família do Saga seria algum aproveitador?

— Ele é primo do Kanon? – Ikki se surpreendeu – Como você sabe disso?

— Foi assim que ela apresentou o Afrodite para todo mundo, como primo você não ouviu?

— Não.

Ikki continuou olhando o sueco primo da June que agora parecia bem animado conversando com Shun, June mexia no celular alheia aos dois e Hyoga olhando para os lados vendo que estava sobrando, resolveu ir para a piscina. Ver o corpo do loirinho apenas em uma sunga tirou o foco de Ikki por um momento, fazendo seu sangue correr mais rápido.

— Acho que você não precisa se preocupar com o Hyoga, ele claramente não está interessado no sueco afetado. Agora o Shun... – a observação e os lábios de Mime em seu pescoço tiraram Ikki do topor.

— O Shun é hetero Mime.

— Se você tá dizendo...

***

— Quem é o rapaz que conversa com Shun, Hyoga? – Milo perguntou a Hyoga quando o loirinho saiu da piscina e foi à mesa pegar um suco. Enquanto os adolescentes estavam espalhados pelo quintal, os adultos estavam na mesa conversando à exceção de Shura que estava na piscina com Shiryu.

— Afrodite, primo da June e meu pretenso candidado a namorado. – explicou o loirinho – Mas ele parece encantado com Shun e vice versa! Acho que perdi nessa.

— Mas... O Shun namora a June. – Milo não tirava os olhos do filho mais novo, que agora ouvia algo que Afrodite lhe dizia ao pé do ouvido, Shun sorria e corava adoravelmente – Desde a sétima série. – a voz de Milo era cheia de dúvidas.

— O sueco parece bem interessado. – Aiolos e Camus trocaram olhares cúmplices.

— Milo vou me trocar no quarto do Shun. – avisou Hyoga já se afastando.

— Ele parece um aproveitador. – Milo sentia que seu filhinho estava prestes a ser atacado e o pior é que ele sentia que Shun iria gostar.

— Deve ser já que é da família do Saga. – Aiolia disse com um risinho irônico fazendo Saga e Kanon revirar os olhos.

— Olha o Aiolos não é tão ingênuo assim para não resistir ao meu irmão. – alfinetou Kanon para desagrado de Milo e Aiolos – Vendo o espanhol ali na piscina fico me perguntando se a face de aproveitador é do Saga mesmo.

— Quase um moleque Aiolos, acredito que agora ele esteja aproveitando melhor sua faixa etária. – Saga não resistiu em provocar.

— Melhor guardar as facas da mesa. Camus me ajuda? – Marin se levantou e Camus apressou-se em ajudá-la.

***

No quarto de Shun, Hyoga enxugava o corpo depois que saiu do banho quente, parou um momento para olhar seu celular. Tinha recebido algumas mensagens dos amigos russos e respondia as mensagens rindo de algumas coisas que lia, esquecendo por um momento que estava de toalha no quarto alheio com a porta entreaberta.

Ikki passava no corredor quando notou o loiro no quarto, ficou uns minutos olhando Hyoga sorrir para o celular, analisando o corpo de músculos firmes e definidos, ainda que não tão proeminentes, do russo. Hyoga não lembrava nem de longe o garotinho franzino e afeminado que era apesar do balé ele se tornava a cada dia um belo homem, mesmo que não tão alto. Um garotinho que lhe roubara um beijo a beira daquela piscina em uma noite estrelada.

— Nunca parou para pensar no que poderia ter sido? – entrou no quarto fazendo o loirinho se sobressaltar – Nós dois. A gente passou um ano e sete meses falando de como ia ser quando se encontrasse e nada aconteceu.

— Porque eu estava um ano e sete meses sendo fiel a um babaca. — Hyoga rebateu com desdém, largando o celular – Você estava aí com a sua boneca, faça bom proveito agora. No fundo você não queria um menino inexperiente e tolo, fim da história.

— Não é bem assim. Você não me deixa explicar, mas eu não vou ficar em implorando a você uma chance. – Ikki entrou no quarto e se aproximou de Hyoga.

— Então porque não me deixa em paz?! Porque não esquece essa merda toda?!

— Qual é a da Barbie sueca lá fora? – eles estavam bem próximos agora e Hyoga olhava Ikki de um modo petulante, o moreno deixou que os dedos afastassem a franja molhada dos olhos de céu que tanto amava.

— Amigo do Shun e da June.

— June disse que é coisa sua.

— Você gosta de Barbies Ikki, não eu. – Hyoga entortou a boca e desviou o olhar de Ikki, não gostava de saber que o moreno ainda mexia consigo daquela maneira. Só que o moreno lhe segurou o queixo para fazer Hyoga olhá-lo de novo.

— Não gosto de Barbies. Gosto de moleques atrevidos que tem a língua afiada. – disse o lutador de forma baixa, a voz mais grave e os olhos fixos na boca de coração do russo.

— Mentira, como tudo que sai da sua boca. Gosta de bonequinhas submissas como a cenourinha lá fora.

Ikki calou o russo com um beijo sugando os lábios até a língua exigir passagem pela boca do outro, para explorá-la a seu bel prazer. Juntou mais os corpos, segurando Hyoga pela nuca para aprofundar o beijo com uma mão enquanto a outra descia até as nádegas redondas e firmes, apertando a carne e fazendo o loirinho arfar. Hyoga mandou o orgulho para um lugar bem feio e enlaçou Ikki pelo pescoço, também aproveitando o beijo e aquele corpo quente junto a si. A excitação só crescia a medida que as carícias se tornavam mais sôfregas, a toalha escorregou quando Ikki ergueu um pouco o russo para apoiá-lo no móvel próximo. O moreno desceu os lábios e a língua pelo queixo alvo e o pescoço macio, explorando também com as mãos o corpo alvo exposto. Hyoga gemia quase se desfazendo sob as mãos do moreno, mas não deixaria Ikki se divertir sozinho. Desceu a mão sobre a ereção do outro, ainda escondida no short de tactel, Ikki fechou os olhos e gemeu ao sentir os movimentos de vai e vem que Hyoga fazia sobre o seu membro duro.

"Onde ele aprendeu a ser tão gostoso assim?" se perguntava Hyoga e rápida foi a sua mente para lhe dar a resposta "Com Mime", isso foi mais eficiente que um balde de água fria. Empurrou o moreno que cambaleou e ia cair caso não se apoiasse na parede, Ikki o olhou indignado.

— Vá pegar a sua boneca finlandesa e faça bom proveito! – Hyoga arrumou a toalha no corpo de novo, estava trêmulo e excitado, mas não ia sucumbir de novo.

— Você também quer! Admita!

— QUERO! Deuses eu quero. – Ikki já ia se aproximar, mas Hyoga se afastou – Assim que você se livrar do Mime! E eu não estou dizendo para mandá-lo embora agora. Livre-se dele e nós continuamos a nossa conversa.

Hyoga catou as roupas e voltou ao banheiro trancando a porta e respirando fundo para controlar a excitação, mas um sorriso traquina bailava nos lábios de coração.

Ikki do lado de fora grunhiu revoltado e saiu do quarto, longe daquele loiro maldito que o enlouquecia.

Um pouco depois Hyoga voltou para a festa já vestido e arrumado. Parecia um garotinho inocente em seu macacão jeans abotoado com uma alça, a blusa estampada.

— Esse sorriso é de quem está aprontando algo. – comentou Afrodite quando Hyoga sentou ao lado dele e de Shun.

— Talvez. – o loirinho deu de ombros e seguiu em frente até onde Mime estava, parando em frente ao finlandês e lhe estendendo a mão – Oi, não fomos apresentados adequadamente no outro dia. Meu nome é Hyoga, você deve ser o Mime, prazer em conhecê-lo.

— Prazer em conhecê-lo Hyoga, Ikki parece um irmão ciumento com você. – eles apertaram as mãos e Hyoga sentou ao lado do outro na espreguiçadeira.

***

Quando Ikki se viu livre do pai e dos tios, Milo o pegou para recarregar a geladeira de cerveja e Aiolos e Aiolia queriam ajuda com a carne do churrasco, o moreno se deparou com uma cena inusitada. Hyoga e Mime conversavam animadamente, empolgados um com o outro e Ikki parou à frente dos dois com a sobrancelha arqueada.

— Oi amor! O seu irmão é uma graça, nem parece tão jovem. É tão culto e maduro, conhece música clássica e gostamos dos mesmos compositores! Porque não me disse que ele era bailarino?

— Que feio Ikki, não falar sobre o seu "irmão". – as aspas no tom do russinho eram evidentes – para o seu namorado. Porque não nos apresentou antes? Adorei o Mime, acho que vamos ser grandes amigos!

— Claro! Você é irmão do Ikki não tem como não nos darmos bem. – disse Mime sincero.

— Não gostou da ideia maninho? – Hyoga passou o braço sobre o ombro de Ikki, o sorriso cândido não convenceu o moreno.

— O que significa aquilo ali? – Camus olhou para o trio perto da piscina.

— Que eles vão conviver civilizadamente agora? – Milo sugeriu olhando os três também, mas estava apreensivo.

— Nada disso. Aquilo significa uma baita encrenca e o Ikki tá ferrado! – Aiolia estalou a língua, o filho dormia no seu colo – Olha a cara daquele loiro! Acha mesmo que vem algo de bom dali?

— Bem feito! Ikki pensa que vai ficar com os dois?! Haha vai sonhando. O Hyoga é dos meus. – Marin parecia a única satisfeita ali.