Notas iniciais
Eita menina será que agora a jurupoca vai piar? Moreno safado igual ao pai ALERTA PRA LEMON

Ikki acordou com o alvoroço costumeiro do domingo em sua casa, podia ouvir Shun falar animado lá embaixo e outra voz em meio à balbúrdia que não reconheceu. Desvencilhou-se do corpo de Mime na cama e foi olhar o celular, estalando a língua ao constatar que não havia nenhuma mensagem de Hyoga. Há dias que o loirinho não respondia suas mensagens e nem atendia suas ligações, alguma coisa estava errada, mas deixaria para resolver à noite quando Mime fosse embora.

Precisava resolver aquela situação! Mas não sabia como terminar com Mime e ainda tinha Hyoga, mas o russinho estava em Moscou e só voltaria dali a três meses. Estava confiante que conseguiria resolver tudo.

— Anda dorminhoco levanta e vem tomar café. – Ikki beijou o pescoço de Mime que se encolheu manhoso na cama, o moreno foi para o banheiro fazer sua higiene.

— Nossa que confusão lá fora! – Mime comentou entrando no banheiro depois que Ikki saiu, já banhado e vestido.

— Você devia estar acostumado.

— É que hoje parece um pouco mais do que o normal. – o ruivo sorriu sem jeito. Mime tinha a mesma idade de Ikki, agora contando com seus dezenove anos e se conheceram graças a Shun que estudava no mesmo conservatório em que Mime estudava.

— Vou ver o que é não demore a descer.

Ikki desceu as escadas animado entrando na grande cozinha onde sua família já estava toda reunida, a mesa do café estava farta e animada.

— Ah pelos deuses! Como você cresceu garoto. – Marin estava agarrada a alguém, Ikki correu os olhos pela mesa e gelou ao ver o ruivo que estava sentado à esquerda do pai.

Marin soltou quem abraçava e o riso embaraçado do loirinho se fez ouvir, fazendo Ikki sentir como se um buraco tivesse sido aberto em seu estômago. Os olhos de céu pousaram nele com um ar desdenhoso e hostil, mas ainda sim Ikki não pode deixar de notar o rosto afilado e belo com aquelas bochechas coradas e a boca de coração. As inúmeras fotos que trocaram ao longo desse um ano e meio aproximadamente, não faziam jus à beleza em que se transformara seu pequeno.

Ele estava ali, bastavam alguns passos e ele o teria nos braços.

— Ikki vem dar um abraço no Hyoga e pára de babar por ele aí em pé! – Aiolos chamou o sobrinho e arrancou gargalhadas em volta, apenas Camus, Hyoga e Shun permaneciam sérios.

— Bom dia. – Mime entrou na cozinha estarrecendo a todos, pois os Savalas mais velhos acreditavam que o rapaz não estava ali, só Shun sabia que o irmão chegara de madrugada com o músico. Mime alheio aos sentimentos naquela cozinha passou o braço sobre o ombro do namorado e o beijou no rosto – Vamos tomar café amor.

O silêncio que se seguiu a esse gesto foi sepulcral, os olhares todos se voltaram para o loirinho que apenas fechou os olhos refreando o impulso de chutar tudo pelos ares e socar Ikki e aquele finlandês ao lado dele. Ikki só conseguia suar frio, sem conseguir reagir.

— Vamos voltar para casa Hyoga, há muito que arrumar ainda. – Camus quebrou o silêncio se levantando e Hyoga o imitou.

— Não vá! O que... – Milo olhava tudo achando o clima estranho, segurou o pulso de Camus delicadamente. Viu que a face do ruivo era uma máscara fria e aquilo significava problemas.

"Ele sabe!" pensou Ikki aflito recebendo toda a força reprovadora do olhar amendoado de Camus, passou as mãos nos cabelos. Mime ao seu lado não estava entendendo nada.

— Precisamos ir. Vá até lá mais tarde, por favor. – Camus disse a Milo um tom mais baixo – Precisamos conversar, principalmente agora.

— Nossa que clima! Ikki você não avisou ao seu pai que eu ia dormir aqui? – Mime olhou para o namorado de cenho franzido, depois se virou para Milo com um sorriso culpado – Desculpe Milo, só vim dormir aqui porque Ikki disse que não teria problema e ficou tarde para atravessar a cidade depois que saímos da Santuário.

— Mime fica quieto um pouco, por favor.

Hyoga não queria ouvir mais nada, saiu da cozinha quase correndo com Shun e Camus no seu encalço. Milo respirou fundo e apoiou a testa nas mãos cruzadas antes de falar ao filho.

— Shiryu você poderia levar Mime para casa no lugar de Ikki? Faria-me esse favor? Pode pegar a moto, a chave está na cômoda do hall. – Ikki abria a boca para retrucar, mas Milo o interrompeu – Você só sai daqui depois de me dar explicações!

Shiryu se levantou e foi fazer o que o tio pedira, Mime resolveu acatar a ordem do grego porque sabia que Milo era terrível quando contrariado. Depois que os dois saíram Ikki se aproximou do pai aflito.

— Por favor, eu juro que você pode me castigar, me bater e vou ficar calado aceitando tudo! Só me deixa falar com o Hyoga primeiro pai, eu imploro!

Milo olhou o filho consternado e a aparente confusão dele foi a deixa para Ikki sair dali correndo até a casa dos Chateaubriands, entrando porta adentro sem se preocupar com mais nada.

— VAI EMBORA! – a luminária voou em sua direção e ele teve que desviar rápido ou ela o atingiria, Hyoga tinha uma mira muito boa – EU NÃO QUERO TE VER NUNCA MAIS IKKI SAVALAS!

— Hyoga me deixa explicar...

— Ikki melhor você ir embora daqui agora. – Camus tentou apaziguar, via como o filho estava descontrolado e qualquer coisa que o lutador dissesse agora não justificaria sua culpa. – A minha casa ia agradecer.

— Não! Hyoga me escuta, não é o que você tá pensando. Eu só... – Ikki respirou fundo. Não conseguia pensar em algo coerente para dizer, só queria que o loiro o perdoasse. Também não conseguia entender como estava aflito daquele jeito, talvez fosse aqueles olhos chorosos sobre si. Importava-se demais com aquele loiro para vê-lo decepcionado assim com ele – O Mime não é o que você tá pensando, nós saímos algumas vezes e só.

— VAI SE FODER IKKI! Você está namorando com ele, está em todo lugar até no perfil dele no facebook. – vociferou Hyoga, partindo para cima de Ikki. O loirinho era menor que o lutador, mas nem por isso Hyoga pareceu se intimidar – Todo mundo te felicitando pelo namoro, as piadas e todo o resto! Como pôde fazer isso comigo Ikki?! A gente tinha um compromisso, eu amo você!

Foi preciso Camus intervir para tirar o garoto de cima do moreno, Shun apenas olhava tudo quase em lágrimas, o olhar reprovador sobre o irmão. Milo chegou a casa dos Chateaubriand a tempo de ver Camus subir as escadas levando o filho.

— Por Atena Ikki o que você fez?!

***

Um pouco mais de meia hora Milo enterrava o rosto entre as mãos, na sala da sua casa agora na frente do filho desolado, pensando que a vida ela não é muito justa. Passou todo aquele tempo para convencer aquele ruivo difícil a voltarem às boas, agora todo seu trabalho árduo estava ameaçado por conta da inconsequecia do filho mais velho.

— Puta merda Ikki o que você tem na cabeça?! – Explodiu o grego ao final do relato do filho.

— Eu achei que ia conseguir resolver tudo! – Ikki passou as mãos nos cabelos, mas ninguém parecia compadecido de sua situação, principalmente o pai e Ikki estava ainda mais desolado por isso. Por que contava com pelo menos o entendimento de Milo.

Era só olha em volta para ver que a reprovação era total. Marin e Aiolia estavam calados cuidando de Seiya, mas o tio balançava a cabeça de forma desapontada. Aiolos parecia tão indignado quanto Milo – Foi acontecendo pai! Eu e o Mime, eu sou homem porra não dá pra ficar dois anos me guardando.

— O Hyoga estava por você! Qual o problema Ikki. – Shun rebateu – O seu problema é que você é um idiota!

— Você não tem nada sério com esse rapaz e o trás para dormir aqui, para conhecer a sua família. – Aiolos interveio reprovador – O que acha que Camus e Hyoga vão pensar? Principalmente depois de ver o Mime aqui?

— E o que você vai dizer a esse garoto Ikki? Vai dizer que ele era seu passatempo até que Hyoga voltasse da Rússia? – Marin olhou o sobrinho – Veja a confusão que criou Ikki! Se o Hyoga o esperou por esses dois anos sinal de que ele ama você e acreditava nos seus sentimentos, veja o quanto ele está sofrendo!

— Nunca duvidei que vocês fossem ficar juntos quando crescessem, desde muito tempo era óbvio que você era louco pelo loirinho. – Aiolia deu de ombros – Gosta mesmo dele Ikki?

— A gente vai ficar junto outra vez! Ele é meu, ninguém vai ter o Hyoga além de mim. – falou Ikki convicto.

— Ia porque eu duvido você chegar perto do garoto agora. – Milo começou a andar de um lado para o outro – O Camus deve estar querendo a sua pele! Sabe deus como o loirinho vai lidar com isso.

— Eu preciso falar com ele.

— Vai ser divertido vê-lo tentar. O Saga pisou na bola com o Camus e eles nunca mais se falaram, imaginando que Hyoga seja uma cópia loira e menor do pai. – Aiolos começou a rir – Você vai penar o diabo.

***

— Como ele está?

— Arrasado, querendo matar o Ikki e sentindo-se a última pessoa da face da terra – Camus serviu-se de chá e sentou num banco próximo à Milo, estavam no atelier do grego e já era noite. Milo estava preparando a argila para uma escultura – Mas vai passar.

— Espero que isso não cause problemas entre nós.

— Somos adultos Milo, embora eu espere uma posição sua sobre o ocorrido. Convenhamos que se Ikki esteja agindo desse modo tão cafajeste é porque teve um bom professor, então é seu dever aconselhá-lo a mudar como mudou a si próprio ou não mudou Milo? – Camus tomou o chá com os olhos amendoados fixos no grego apenas de jeans à sua frente.

— Eu disse que estou diferente, não disse?

— Disse, mas eu ainda não vi você agir diferente então vamos por partes. Nada sobre "aquele assunto" vai ser discutido enquanto não resolvermos isso.

— Ah eu sabia!

Milo bufou e socou a massa mais do que o necessário. Imaginava que acabaria sobrando pra ele, o francês superprotetor não iria deixar barato o que acontecera com o filho.

— Ele está de castigo e eu... – Milo estreitou os olhos para a expressão desdenhosa do francês – Vou conversar mais uma vez com ele! Acredito que os sermões de toda a família não são suficientes para você.

— Eu também vou conversar com ele. – Camus se levantou e foi até Milo que largou a massa para olhar aquele ruivo que parecia ainda mais bonito do que a última vez que se viram – Também quero entender tudo. Mas não vamos nos meter, eles são adolescentes deixe que se resolvam sozinhos.

— Sim deixe que se resolvam e vamos resolver o nosso problema Camus, eu não aguento mais. – sem se importar com as mãos sujas Milo puxou Camus para si pelos cotovelos, fazendo com que o francês ficasse entre as pernas dele e pelo tranco Camus teve que se apoiar nos ombros largos – Vamos sair para jantar?

— Quando quiser mon cher. – Camus sorriu de lado os olhos fixos na boca carnuda a centímetros do seu alcance, mas não deixaria que tudo fosse fácil para aquele grego "safado" – Parece faminto. – provocou com a voz rouca e baixa.

— Muito. – Milo chegava a ter os músculos dos braços retesados, se controlava para não jogar o ruivo ali sobre o seu balcão de trabalho e tomá-lo ali mesmo. Porém, sabia que Camus esperava isso dele e prometera a si mesmo que surpreenderia aquele ruivo arrogante.

Milo virou Camus e o ajudou a sentar no banco junto consigo, colocando as mãos do ruivo junto às dele voltando a modelar a argila.

— Ouvi dizer que os adolescentes vão sair juntos então você poderia fazer minha amada sopa verde, na sua casa. – Milo deixou que sua mão segurasse a mão de Camus que brincava com a argila molhada entre os dedos, a respiração do grego no pescoço do ruivo, fazendo-o ficar arrepiado – Hyoga pode dormir aqui com Shun quando chegar.

— Sim ouvi Shun dizer que vai levá-lo para sair sexta, para dar a "volta por cima".

— Você anda muito descolado ruivo! Essa temporada na Rússia serviu para algo afinal. – Milo não resistiu em deixar os lábios provarem a pele macia de alabastro de Camus – Olha ruivo, não ‘tá igualzinho ao Ghost o outro lado da vida?

— Você não é tão bonito quanto o Patrick Swayze.

— Que insensível!

***

Ikki trocava os canais da TV entediado por estar em casa aquela sexta a noite, as férias das competições e da escola não estavam sendo bem aproveitadas desde a confusão com o loirinho. Milo o deixara sem carro e sem dinheiro, estava de castigo.

Como se estar de castigo por aquilo fosse aceitável!

Bufou e voltou a mudar os canais e pelo canto dos olhos viu Shun passar correndo para atender a porta. Seu irmão ia sair, estava todo empolgado para ir ao show da banda favorita na cidade. A verdade é que Shun não perdia nenhum show desde os dezesseis anos e desde que Shiryu e Shura iam como responsáveis dele.

Ikki pensou no amigo e naquele estranho namoro dele com o ex do pai, uma coisa meio louca, mas que parecia que seguia em frente. Aiolos estava com Saga outra vez então parece que estava tudo resolvido. Tudo muito confuso! Achava uma hipocrisia o pai querer que ele se resolvesse entre Mime e Hyoga tão rápido tendo aquele histórico familiar.

— Entra aí que eu tô acabando de me arrumar! – Shun voltou ao quarto deixando o recém-chegado no meio da sala.

— Shun sério que você é hetero? Eu fico imaginando você e a June se arrumando juntos pra sair... – Hyoga foi entrando na sala e encontrou o olhar de Ikki que ainda estava jogado no sofá – Eu vou esperar na varanda.

— Senta aí loiro! – Ikki se ajeitou olhando o loiro sem jeito. Depois da forma desastrosa como Hyoga descobriu Mime, eles não se falaram mais mesmo que Ikki tenha insistido. O loiro estava irredutível.

— Estou bem de pé.

Hyoga foi para perto da janela e Ikki voltou para o sofá olhando o russo de esguelha. "Arrumando demais para quem só vai a um show!", pensou Ikki. Hyoga vestia uma calça de brim escura que moldava as pernas torneadas pelo balé, um cardigan claro sobre uma camiseta que moldava o torso modelado. Nos pés coturnos que lhe davam um ar despojado e elegante ao mesmo tempo, o novo corte mais curto e repicado dos fios loiros lhe dando um ar jovial.

— Tá muito bonito loiro.

— Não começa! – rebateu Hyoga sem se virar.

— Eu terminei com o Mime.

— Problema seu. – regongou o loiro – Tanto faz com quem você anda Ikki.

— Você disse que me amava. – Ikki exasperado se levantou abrindo os braços – Eu estou aqui agora livre pra você! Falei que ele não era nada Hyoga, que é você que eu quero então qual é a porra do problema?!

— Você disse que me amava também e quando eu cheguei aqui encontrei você com outro! Passei esse tempo todo te esperando pra quê? Agora foda-se, eu vou curtir, chega de ser babaca!

— Já to pronto! – Shun apareceu na sala e notou o clima estranho, Hyoga usou a pequena distração para sair porta afora bem a tempo de um carro estacionar na frente da casa. Shun foi atrás.

— Curtir?! Vai curtir o que Hyoga volta aqui! – Ikki saiu atrás dos dois porta afora, mas nenhum dos garotos lhe deu ouvidos já entrando no carro esporte que estacionava a frente da sua casa.

— Oi Ikki! – gritou June do carro e Ikki chegou mais perto para ver o motorista – Conhece o Radamanthys?

— Oi Rada! – Hyoga disse se sentando ao lado do motorista.

— Oi Ikki tudo bem? – o loiro de olhos cor de mel sorriu enviesado e Ikki estreitou o olhar, ele e Radamanthys foram rivais na escola e no Jiu Jitsu, ainda se odiavam do mesmo jeito de quando eram crianças.

— Você não estava na Inglaterra Rada? – perguntou olhando Hyoga se ajeitar no banco, Shun ficou no banco de trás com June – Desde quando conhece o Hyoga?

— Estou de férias que nem você Ikki! E o loirinho, — Radamanthys sorriu para Hyoga que retribuiu muito satisfeito – a gente se esbarrou lá em Moscou há alguns meses. Pena que não conseguimos nos ver lá em Moscou, mas vamos redimir isso hoje não é belezinha? – Radamanthys assentiu para Hyoga que colocava o cinto – June obrigado por me apresentar seus amigos legais.

— Belezinha é a mãe! Chame-me de novo disso e eu quero a sua cara, não se ache só porque você luta Jiu Jitsu. Eu posso bater em você e muito.

— Arisco não? – O loiro inglês se virou para Ikki ligando o carro e com um sorriso de satisfação ao notar a raiva velada do moreno. Conhecia desde o tempo da escola o ciúme que Ikki tinha do loirinho, era sempre bom tirar uma com o seu eterno rival.

— Vamos logo! – June bateu no banco de Radamanthys e o inglês acelerou, todos acenaram se despedindo de Ikki que só esperou o carro fazer a curva do fim da rua para atravessar até a casa de Camus.

— Pai libera o carro e uma grana, por favor! É urgente. – implorou o adolescente.

— Qual foi a parte do "Você está de castigo até as competições interestaduais", que você não entendeu? Pensei ter sido bem claro.

— Pai é pra salvar o Hyoga! Sabe com quem ele saiu agora? Com o Radamanthys. O RADAMANTHYS PAI! Aquele cara é um babaca estúpido, eu tenho que... – passou as mãos nos fios escuros de forma nervosa.

— E qual o problema de eles saírem Ikki? Hyoga está livre agora pelo que eu saiba. – Camus interveio – Então pode se relacionar com quem bem quiser, vocês não tem mais nada um com o outro. Foi você que escolheu assim lembra-se.

— Chega de sermão cacete! É o seu filho e você vai mesmo o deixar dar para o primeiro babaca que aparecer? – Ikki estava indignado com a calma com que Camus levava tudo aquilo, para ele parecia uma catástrofe!

Camus e Milo gargalharam, Ikki ficou ainda mais indignado.

— Porque nunca desconfiamos? – Milo tinha lágrimas nos olhos de tanto rir

— Ah Milo! – Camus estava sacudido pelo riso, mas controlou-se para falar com o adolescente – Agora me escute Ikki. Do jeito que Hyoga está com raiva de você, tenha certeza de que "dar para o primeiro babaca que aparecer" é o que ele fará ao invés de perdoá-lo. Essa decisão é dele e nada posso fazer para mudar isso, fiz a minha parte ao dar-lhe todos os conselhos que pude. Quer ir atrás dele? Vá, mas esteja preparado para não conseguir impedir nada porque você perdeu o seu direito. Dê as chaves a ele Milo e vamos confiar no discernimento de Ikki para saber o que ele fará.

Milo olhou para Camus que assentiu com a cabeça e depois para o filho aflito a sua frente. "Ah a adolescência!", pensou consigo. Ikki e ele eram tão parecidos, até nas burradas.

— Está na cômoda no meu quarto, primeira gaveta. Estou de olho em você! – Ikki saiu correndo de volta para casa e o grego se virou para Camus que voltara para a sua sopa – Você tem certeza do que fez? E se ele e Radamanthys se matarem lá?

— Duvido que ele vá. – foi a resposta do ruivo que nem se deu o trabalho de virar – É tão egocêntrico quanto você e o orgulho dele vai falar mais alto, assim que ele perceber que vai precisar rastejar para ter Hyoga de volta. Você mesmo não demorou eras para me procurar grego arrogante?

***

Ikki já estava todo arrumado indo em direção ao carro quando pensou em algo.

— Ah, mas se aquele loiro abusado acha que eu vou ficar rastejando atrás dele porque ele quer assim tá muito enganado! – pegou o celular e discou rapidamente que foi atendido no primeiro toque – Mime vamos sair? Papai liberou o carro.

***

— Você não se preocupa com o fato de que seu príncipe de gelo esteja prestes a dar sua preciosa virgindade para qualquer um? – Milo desligou o fogo da sopa e ergueu o ruivo para sentá-lo na pia, ficando entre as pernas de Camus enquanto distribuía beijos no pescoço alvo.

— Eu confio no meu filho Milo, sei que ele é incapaz de fazer uma loucura dessas. Ele tem juízo... – Camus cravou as unhas curtas nos ombros de Milo ao sentir os dentes dele na sua pele – Ai Milo sem morder!

***

— Loirinho... Pelos deuses! – Radamanthys bateu a cabeça no encosto no banco traseiro quando sentiu a boquinha quente tomar seu falo inteiro nela e sugar – Você... Não vou aguentar assim!

— Cala a boca. – Hyoga largou o membro de Radamanthys e começou a desabotoar a calça apressadamente naquele espaço apertado do carro esporte do inglês – Você não queria? Agora é tarde para se arrepender!

Sentando sobre o colo do loiro mais velho, Hyoga tomou os lábios finos em um beijo intenso sentindo o gosto da cerveja na língua afoita que varria sua boca. Radamanthys segurou Hyoga pelas nádegas, apertando a carne tenra com força fazendo o loirinho gemer de dor em meio ao beijo. Hyoga rebolava sobre o membro ainda preso na cueca do inglês enlouquecendo-o. Sem mais demora Radamanthys inseriu dois dedos no canal estreito, a boca começou a chupar a pele do pescoço e ombro do rapaz mais novo. Hyoga gemia dolorido.

— Vai ficar melhor benzinho, você vai ver. – murmurou rouco mordendo parte do ombro do loirinho, depois de ter afastado um pouco o cardigan. Mal tiraram as roupas, apenas as calças e cuecas e só Hyoga fez isso.

— Vai logo Rada. – Hyoga pediu com os olhos cerrados, os dedos do outro indo e vindo dentro do seu corpo já faziam seu corpo tremer levemente pelo prazer.

Ergueu-se um pouco apenas para Radamanthys colocar a camisinha lubrificada e se posicionar sobre o membro do lutador, que o ajudou a descer sobre ele devagar e mesmo assim Hyoga sentia como se fosse rasgado ao meio. Masturbando-o ao mesmo tempo em que o fazia ser empalado, Radamanthys tirava um pouco a sensação de dor que ainda era enorme no loirinho. Mas agora era tarde demais para parar.

"Ainda bem que ele nem é grande." se consolou na vã tentativa de não pensar que estava bêbado e transando no banco de trás de um carro.

***

Camus deixava um rastro quente no corpo bronzeado abaixo de si, os cabelos vermelhos para o lado se misturando as madeixas escuras aneladas sob o lençol branco. Os lábios de coração e a língua fazendo Milo ofegar, pensando que aquilo estava sendo ainda melhor que os seus sonhos.

Milo gemeu alto quando sentiu a língua de Camus lamber a glande do pênis inchado em suas mãos, em seguida a boca vermelha colocar o que pode para dentro enquanto Camus massageava as bolas com as mãos hábeis. Aproveitava para lubrificar Milo bastante já que o grande gênio esquecera o lubrificante e ele não tinha em casa.

— Camus vem aqui! – pediu Milo se sentando na cama e puxando o ruivo para si, beijando Camus de forma sôfrega. Voltaram a deitar na cama aos beijos e então Camus deitou de bruços e Milo se posicionou para penetrá-lo.

Milo revirou os olhos quando se sentiu esmagado pelas paredes do canal apertado, era enlouquecedor! Camus respirava fundo, relaxando o corpo para receber o grego pouco a pouco e apesar da dor inicial, a sensação era maravilhosa.

— Aaaaahhh! – Milo passava a mão nas costas largas, no quadril de Camus acariciando a pele de alabastro do seu ruivo. SEU!

Começou a se mover devagar em um vai e vem cadenciado, se segurando para não se enterrar de vez em Camus, jamais iria machucá-lo.

— Mais rápido Milo. – choramingou Camus e Milo grunhiu perdendo o controle e se enterrando de vez naquela cavidade quente, foi a vez de Camus gemer alto.

Milo se apoiou com um braço na cama se inclinando sobre Camus, erguendo um pouco os quadris de Camus entrando mais uma vez fundo nele. Duro e forte eram os movimentos dos quadris que se chocavam fazendo o som ecoar no quarto.

— Vamos colocar um revestimento isolador de sons no seu quarto Camus. – falou Milo encostando a testa nas costas largas, Camus a essa altura era só gemidos insanos.

Os dois gemeram alto sentido o prazer crescer em ondas cada vez maiores. Sem sair de dentro dele, Milo virou Camus na cama para ficarem frente a frente e intensificou as investidas, ao mesmo tempo em que masturbava o ruivo ofegante e corado abaixo de si.

Camus gritou ao se derramar na mão de Milo que grunhiu e se derramou dentro de Camus, arqueando o corpo por conta do orgasmo arrasador.

***

— Você era virgem. – Radamanthys fumava um cigarro agora sentado no banco do motorista em frente a casa de Hyoga, Shun e June tinham vindo de táxi mais cedo.

— Não sou mais. – respondeu Hyoga fazendo um gesto de desdém e abrindo a porta do carro. Estava bêbado ainda, até mais depois daquele fiasco de transa. Receberia uma bronca enorme do pai – Até Rada!

— Ei loirinho vai me mandar pelo menos uma mensagem? – o russo se afastou sem dizer nada e entrou em casa – Será que foi tão ruim assim?

Hyoga andou pela casa tentando não esbarrar em nada, não estava bem certo das pernas e riu sozinho com isso. A visão também não era das melhores, a vodca que estava no carro de Radamanthys era realmente boa ou talvez não devesse ter bebido a garrafa inteira. "Cacete devia ter ido para a casa dos Savalas!" pensou irritado. Era a noite especial de Milo e Camus, lembrou.

— Onde você estava?

Camus descia as escadas amarrando o roupão por cima do pijama, Milo vinha atrás vestido em uma calça moletom do ruivo. Hyoga suspirou e tentou descobrir em silêncio quais dos três ruivos que via eram o seu pai.

— E ESTÁ BÊBADO! – Camus pegou o rosto do filho, a voz dois tons mais alta e agora Hyoga tinha certeza que estava muito encrencado. Talvez não se Camus jamais soubesse que transara – Por Atena onde você estava Hyoga?!

— Fazendo a mesma coisa que vocês ora! – não se governava mais, apesar de em algum lugar daquele cérebro bêbado saber que estava apenas piorando sua situação – Sei que você se divertiu...

Hyoga se jogou no sofá rindo fraquinho até que dormiu lá mesmo do jeito que estava.

"Eu confio no meu filho Milo, sei que ele é incapaz de fazer uma loucura." – Milo imitou o tom de horas atrás de Camus até ao ponto de se dobrar sobre si mesmo de tanto rir.

— Deuses porque eles têm de crescer? – Camus parecia desolado.

Ele e Milo foram até o sofá e puxaram Hyoga de lá que começou a murmurar coisas sobre ele ser praticamente um adulto, que agora era livre e desimpedido, que Radamanthys era um babaca, mas chupava bem.

— Pai será que o Ikki chupa bem? – perguntou em meio ao "quase desmaio bêbado", os olhos quase fechados. Milo e Camus estavam levando-o para o quarto, o grego quase sem conseguir conter o riso.

— Imagina a ressaca amanhã! – os dois jogaram o adolescente na cama e começaram a tirar as roupas dele e o sapato, na tentativa de deixá-lo confortável para dormir.

— Por Zeus! – Camus se afastou do filho como se tivesse visto um demônio. Cobriu o rosto com as mãos esfregando o rosto vigorosamente, Milo foi para o lado do ruivo para ver o que o tinha deixado assim – O que foi? Ele foi atacado por um animal ou o que?!

Aí Milo não conseguia fazer nada além de rir. Rir não gargalhar mesmo sob o olhar indignado do francês.

— Pára de rir Milo! Pára porra!

— Tinha que gravar isso! Ah Camus você precisa ver a sua cara. –Milo colocou a mão na boca para se controlar – Ah ruivo não fica assim! Ele é muito branquinho, por isso fica estranho assim...

— Estranho?! Milo parece que ele foi atropelado! Onde ele arrumou essas marcas pelos deuses?!

— Do mesmo jeito que você conseguiu esse chupão aí no seu pescoço Camus. – Milo mordeu o lábio carnudo, sabia que o ruivo estava prestes a surtar.

— EU MATO ESSE MOLEQUE AMANHÃ!