Notas iniciais
Eeeehh eita que tá quente o negócio!

Camus segurou firmemente os cabelos negros de Saga, se afundando na boca aveludada até sentir o aperto da garganta do outro e se derramar nela. Saga segurou os quadris de Camus no lugar e tirou o membro da boca se livrando rapidamente das roupas, pegando o lubrificante para preparar o amante. O francês gemeu alto ao sentir os dedos gelados pelo lubrificante lhe invadirem, massageando e abrindo a passagem para o que vinha a seguir.

— Saga.

— Vire Camus. – Camus se virou e Saga começou a penetrá-lo devagar ouvindo o gemido baixo do ruivo que sentia dor, fazia tempo que não estava com alguém – Relaxe querido vai ficar melhor.

Saga se inclinou sobre o corpo alvo abaixo de si, mordendo o lóbulo da orelha de Camus e distribuindo beijos pelos ombros largos e o pescoço esperando que Camus se recuperasse da invasão. Depois de uns minutos Saga começou a se mover devagar indo e vindo dentro do corpo apertado do ruivo, segurando os quadris estreitos com firmeza.

— Aaaahhh! Camie você é uma delícia! – Saga gruniu saindo de Camus e voltando em uma estocada profunda e vigorosa que fez o francês urrar.

Os movimentos cresceram em intensidade os gemidos dos dois homens ecoou pelo quarto luxuoso da cobertura de Saga. O grego segurou os longos fios rubros enrolando a mão neles e estocou forte e rápido mais algumas vezes até gozar dentro de Camus grunhindo.

Saga saiu de dentro de Camus e se deixou cair na cama ainda extasiado pelo orgasmo, Camus se ergueu e cobriu o corpo de Saga com o seu, tomando os lábios finos num beijo lento e sensual. Encaixou-se entre as pernas do outro passando lubrificante no membro teso e inchado que ainda necessitava de alívio uma segunda vez.

— Vamos francês, mostre porque têm a fama de bons de cama. – Saga disse com os olhos semicerrados. Camus sorriu malicioso puxando o travesseiro e colocando sob o quadril do grego ao mesmo tempo em que lhe lambia os mamilos.

— Você pediu grego. – Camus afundou os dedos dentro de Saga que arfou.

— Chega de conversa Camus!

Forte e profunda foi a penetração e Saga cravou as unhas nas nádegas do francês que ondulou os quadris, voltando a preencher o grego completamente. Apoiado nos joelhos Camus ergueu o quadril de Saga e começou a estocar tocando a próstata do outro continuamente, a essa altura Saga já estava completamente excitado outra vez. A noite com Camus estava sendo muito além das expectativas.

— Mais forte Camus! – Saga gritou arranhando as costas do francês e o amante reiniciou as investidas com mais força e mais rápido ofegando e gemendo até que Saga arqueou o corpo gozando no próprio abdômen e Camus se derramava dentro dele.

Exausto Camus se deixou cair sobre Saga que o enlaçou com as pernas e ficaram assim, aproveitando o silêncio extasiado do pós-orgasmo.

— Preciso ir. — Camus disse depois de um momento, se afastou apenas o suficiente para olhar o rosto de Saga, lambendo os lábios finos.

— Mas eu ainda nem me limpei dos seus vestígios e você já fala em ir francês sem coração?! — disse o executivo fingindo indignação, Camus revirou os olhos.

— Gregos! Sempre dramáticos. – Camus acariciou a face bela de Saga com carinho – Meu filho tem que me ver ao acordar daqui a pouco, por isso tenho que dormir em casa e já é tão tarde. Porque não vem almoçar comigo hoje? É sábado e podemos ficar em casa depois do almoço e sair no fim da tarde.

— Ficar na sua casa? – Saga desviou o olhar e mordeu o lábio, Camus adivinhou a relutância do outro. Ficar na sua casa significava mostrar a todos, inclusive a Aiolos que o relacionamento deles era sério. – Com Hyoga?

— Não gostou da ideia?

— Gostei, só acho bonito o fato de que seu filho parece ser o centro do seu mundo. — Saga se apoiou no cotovelo, vendo Camus se levantar e ir para o banheiro se lavar rapidamente, tomaria um banho completo em casa.

— Mas ele é Saga e nunca esqueça isso porque se você entrar na vida dele vai ser pra valer então veja bem o que você quer comigo.

— Isso é um ultimato Camus Chateaubriand? – Saga tinha um meio sorriso nos lábios, mas o olhar de esmeralda era sério ao fitar o ruivo que já saía do banheiro vestido.

— É um aviso mon cher. – se inclinou sobre o belo homem na cama e o beijou de leve – Pense nisso e se for mais tarde, saberei que haverá uma próxima vez da noite maravilhosa.

***

Camus chegou em casa e quase teve uma síncope ao encontrar Hyoga dormindo no tapete da sala vestido de índio, todo sujo de chocolate. Chocolate esse que estava belamente espalhado pelo tapete branco e o sofá, que por sorte era de um material sintético fácil de limpar, e no grego amarrado pelos pulsos com os cadarços do próprio tênis que dormia.

— Seu irresponsável! Eu não acredito que deixei meu filho com você! – vociferou Camus baixo sacudindo Aiolia que parecia dormir como uma pedra – ACORDA AIOLIA!

— Papa... – resmungou Hyoga em meio ao sono e Camus foi pegar o filho no tapete.

— Aiolia porra! Acorda. – chutou o grego que se sentou assustado e olhou em volta.

— Esse menino é um furacão! Cochilei um minuto...

— Amanhã eu mato você Aiolia, agora sai daqui! Não se esquece de trancar a porta.

Aiolia se levantou resmungando algo sobre Camus ser muito mal agradecido e estúpido, por se preocupar com portas trancadas num condomínio fechado e de alta segurança. O francês levou o filho para o quarto tirando a roupa dele e o limpando o melhor que conseguiu, para só então tomar seu banho demorado e dormir o sono dos justos.

Na manhã seguinte foi acordado por um peso de aproximadamente vinte quatro quilos caindo sobre si.

— Bom jour papa! – Hyoga revirou os edredons até achar o pai que franzia o cenho tentando se situar – Acorda pai!

— Hyoga como você pode estar com todo esse pique a essa hora da manhã? – Camus olhou no celular, ainda era muito cedo e ele não dormira quase nada, suspirou – Vem aqui deitar um pouco, vem.

Hyoga se infiltrou nas cobertas e Camus o aconchegou junto ao peito dando o celular ao menino e voltando a fechar os olhos, com sorte Hyoga voltaria a dormir. Ficou mexendo nos cabelos loiros do menininho, que já estava mesmo quase dormindo quando ouviu os berros de Shun lá embaixo e não demorou muito para o moreninho aparecer no quarto do ruivo.

— Camus! – gritou o menino pulando na cama. Shun estava em lágrimas – Ela roubou meu pai de mim! Papai foi embora! – e recomeçou a soluçar se jogando nos braços do francês, Hyoga olhou para o pai mordendo o canto da boca.

— Pai a Shina levou o tio Milo embora! – Hyoga arregalou os olhos e Shun voltou a chorar.

"Shun!" a voz de Marin ecoou lá embaixo e Camus bufou, definitivamente sua manhã de sono estava perdida. Pegou Shun no colo e o filho pela mão e foi encontrar a grega na sala.

— Eu posso saber que apocalipse é esse? Como é que esse menino saiu assim aos prantos e desesperado da casa de vocês?! Ele poderia ter sido atropelado ou algo assim. — Camus foi logo dizendo ao descer as escadas.

— Seu amigo irresponsável passou a noite fora de casa e ainda não voltou! – Marin também estava furiosa – Shun vem com a tia Marin o seu pai não sumiu... Ele só está atrasado para o café.

— ELE FOI EMBORA COM AQUELA BRUXA! Ele me deixou igual à mamãe! – gritou o garotinho fazendo os tímpanos de Camus zunir.

— Sinceramente esse seu pai! – Camus apertou o canto dos olhos — Marin volte para casa, você não pode se exaltar no estado que está. Deixe o Shun aqui eu vou acalmá-lo e quando aquele grego irresponsável chegar diga que eu quero falar com ele.

— Camus você 'tá um trapo! – observou Marin acariciando a barriga já saliente.

— Vou sobreviver e o Milo vai ficar me devendo essa manhã de sono perdida. – estalou a língua – Agora querida vá descansar.

— Estou ótima, não se preocupe. Vou lhe ajudar com o café.

Camus acomodou as duas crianças na mesa da cozinha nas cadeiras e foi cortar uma fruta para dar de comer a eles, enquanto preparava o cereal.

— Shun pare de chorar se o seu pai não voltar eu empresto o meu pai 'pra você também. — Hyoga olhou para o pai – O Shun pode ser o meu irmão?

— Shun seu pai vai voltar. – o francês enxugou as lágrimas do menino e lhe deu a maçã cortada – Milo só está dormindo demais, logo ele acordar vai voltar para casa.

— E onde ele está?

— Com a Shina, você sabe que eles estão namorando não sabe? Vai ser normal eles ficarem juntos de vez em quanto, mas Milo nunca vai deixar você Shun! Ele o ama muito.

— Ama mesmo? – os olhos verdes estavam suplicantes, Camus abraçou o garotinho beijando-lhe os cabelos sedosos

— Claro Shun! Nós todos amamos você.

Shun começou a comer a maçã ainda fungando e Hyoga começou a falar algo sobre desenhos, logo se distraiam.

— E então como foi a noite? – Marin perguntou com um sorrisinho – Pela sua cara deve ter sido sensacional.

— Foi boa sim. – respondeu simplesmente mesmo vendo a jovem quase quicar de curiosidade ao seu lado – Você faz o leite? Vou fazer o suco de laranja.

— Ai Camus você é terrível! E o Saga? O que está rolando entre vocês?

— Nós estamos saindo e o que há entre Shina e Milo?

— Eles estão saindo. – a grega imitou o tom monocórdio de Camus e ele a fitou de modo irônico – Eu não sei bem, você conhece o Milo e sabe que ele não deixa mais ninguém se aproximar o suficiente para magoá-lo.

— Mas Shun e Ikki conhecem Shina, sabem que eles estão juntos então deve ser sério.

— Ah meu caro Camus, quem dera todas as pessoas fossem como você querido. Acho fabuloso o que está fazendo com relação a Saga na vida do Hyoga, está completamente certo ao manter aquele cretino afastado até ter certeza de que ele o levará a sério. – Marin largou as laranjas e tocou o ombro do amigo – Até porque o Saga e o Aiolos têm essa relação mal resolvida aí e espero Camus, do fundo do meu coração, que ele não esteja apenas usando você como estepe.

— Eu também espero que não.

Depois de tomarem café juntos Marin conseguiu convencer Shun a voltar para casa e Camus ficou sozinho com o filho. Perdera a oportunidade de repreender o grego sobre sua conduta a respeito do relacionamento, mas pensando um pouco achou por bem que assim o fosse. Milo era adulto e devia saber o que fazia, sabia também que o grego ficaria puto da vida se ele falasse algo, melhor deixar que ele se resolvesse sozinho.

— Vamos tomar banho Hyoga e depois ajudar o papai a arrumar o quarto?

— Vamos!

Passaram o dia assim, entre os afazeres domésticos naquela intimidade gostosa de pai e filho. Saga não apareceu e por uma SMS avisou que houvera um imprevisto e que ligaria mais tarde, Camus não se abalou. Não era como se fosse louco de amor pelo grego estavam apenas saindo, embora ele não conseguisse deixar de ficar decepcionado.

— Distraído mestre? – Ikki o tirou dos seus pensamentos sentando ao seu lado no sofá. Era metade da tarde e depois que Hyoga dormira, Camus aproveitara para adiantar algumas planilhas do trabalho.

— Hm... Olá Ikki.

— O que está vendo? – o garoto mexeu em seu notebook e fez uma careta ao ver as planilhas – Que chato Camus! Você está trabalhando no sábado, por quê? Onde está o seu namorado?

— Eu não tenho namorado Ikki. – Camus deu um meio sorriso para o atrevimento de Ikki, o menino era sempre muito sincero e ele gostava disso – Mais e você? Porque não está com seus amigos brincando e tudo mais?

Ikki era um menino um tanto antissocial, raros eram seus amigos e talvez o primo Shiryu fosse o único mais próximo. Tinha onze anos e era muito sério, adorava o pai e o irmão embora quase não demonstrasse. Mas às vezes tinha aquelas ações com aqueles que lhe eram queridos, apesar do gênio difícil! Pegava o irmãozinho no colo quando este chorava, se preocupava com vizinhos solitários...

— Shiryu saiu com o Aiolos e Shun não larga o papai por nada – respondeu revirando os olhos – Papai teve um problemão para fazê-lo se acalmar, mas o Shun ainda não está convencido. E sim porque você não tem mais namorado? É porque o Saga fica saindo com o Aiolos? Mas o Shiryu disse que eles saem juntos por causa dele.

— Não é por isso não, é apenas porque às vezes relacionamentos não dão certo.

— E agora vocês vão ser amigos como o Aiolos e ele são? – perguntou o garoto com o cenho franzido, a cicatriz no meio das sobrancelhas quase sumida.

— Duvido muito. – disse Camus pensativo. O que seja sua amizade com o grego, não permitiria que Saga o usasse como estepe – Quer ir ao shopping comigo Ikki?

— Quero, vou pedir para o meu pai.

— Vou acordar o Hyoga. Ele não pode dormir muito ou dormirá tarde a noite.

Ao sair para o estacionamento para pegar o carro com Hyoga já vestido e animado para sair, Camus viu Milo atravessar a rua com Ikki e Shun.

— Ele se convidou eu sinto muito. – Ikki levantou as mãos.

— Tudo bem. No meu carro ou no seu? – o ruivo perguntou em sua voz grave para o grego sorridente ao seu lado.

— No seu, já que foi você quem convidou.

***

— Vamos lá Milo você está fervendo de curiosidade.

Já estavam há algum tempo passeando pelo shopping, agora os garotos estavam na parte dos jogos eletrônicos, jogando nos fliperama e os dois olhavam tudo sem ter muito o que fazer.

— Porque nunca me disse que era gay Camus?

— Isso é algum problema para você? – o francês o olhou atentamente, Milo deu de ombros. Estariam vestidos iguais se não fosse pela cor diferente da camisa pólo que usavam, ambos estava de jeans e tênis.

— Não óbvio! Eu só fiquei pensando que somos amigos há quatro anos e não conheço quase nada sobre você, embora você conheça toda a minha vida e adore se meter nela francês irritante! – Milo cutucou Camus com o dedo, que apenas deu o seu usual riso de lado.

— Milo isso não é algo que eu fale de cara e o fato de você não saber coisas sobre mim não é porque não confio em você e sim porque não costumo falar de mim.

— Isso é verdade.

— Não gosto de falar da minha vida. – continuou Camus. O que era uma completa mentira. Camus ficara com medo da reação de Milo, por isso não comentara nada e esperava que o grego não se afastasse ao saber que era gay. – E achei que dizer a você sobre a minha sexualidade não fosse relevante para a nossa amizade. Muda algo o fato de ser eu gay?

— Pai o que é gay? – perguntou Shun ainda com os olhos na tela do videogame, estavam ele e Hyoga jogando um jogo de corridas espaciais. Milo e Camus se entreolharam surpresos ao ouvir a pergunta por que julgavam que os meninos não estavam prestando a atenção na conversa deles.

— É quem namora homem Shun. – respondeu Hyoga de modo direto para maior espanto dos dois, o loirinho também não se preocupou em tirar os olhos da tela – Eu vi na TV.

— Como o tio Aiolos, o Saga e o Camus?

— É Shun.- Hyoga revirou os olhos e Shun deu de ombros.

— Eu não acredito que não me disse Camus! – Milo resolveu ignorar a conversa porque não estava preparado para explicar aquelas coisas ao filho. Mais ainda estava inconformado por não saber.

— Porque? Está interessado? – Camus não resistiu em provocá-lo – Está inseguro porque sabe agora que pode se declarar a mim sem medo de levar um soco na cara? Eu sempre soube que você era louco por mim Milo.

— É ao contrário tenho certeza. – Milo entrou na brincadeira.

— Nunca! Você não faz o meu tipo.

— Não faço? Eu sou irresistível francês! Eu sou bonitão, inteligente, sedutor e rico! Sou o sonho de qualquer pessoa.

— É bagunceiro, arrogante, machista e um galinha também. Além de irresponsável.

— Pai o que é irresponsável? – Shun perguntou novamente e Milo fez uma careta. “Esse menino tem audição de vulcano” pensou consigo.

— É quem dorme na casa da namorada e não volta para casa a tempo do filho acordar. – Camus explicou com um sorriso triunfante e Milo fez uma careta.

— Igual ao tio Milo! – gritou Hyoga.

— Pai você é um irresponsável! – Shun balançou a cabeça.

— Cretino, está subvertendo meu filho.

— Ele não disse nenhuma mentira. – Ikki se aproximou deles com um saco de jujubas.

— Pai o que é Cre...

— CHEGA DE PERGUNTAS SHUN!

— Shun e Hyoga, olha comprei jujubas! – Ikki distribuiu os doces entre os dois meninos que correram para ele animados.

— Vamos embora daqui antes que eu precise comprar dentaduras para cada um em breve.

— Milo você é muito exagerado. – Camus revirou os olhos.