Simplesmente Complicado
2 Jeyna?
Notas iniciais
Meu dia não poderia estar pior. Leo havia descoberto a declaração de Jason, e os dois discutiram semana passada, eles não se falam desde então. E eu? Leo rompeu comigo pela simples razão de que Jason queria estar comigo, e eu não deixava duvidas que queria o mesmo. Só que, não é isso que eu quero... Na verdade, eu não sei o que eu quero. Leo estava andando muito com Sarah, uma filha de Hades. Isso, você leu certo. Ela chocou o acampamento inteiro quando foi aclamada. Mas... não poderia ser diferente, ela tem cabelos negros e olhos cor de âmbar, realmente linda. E isso é o que mais me deixava... Enciumada? Afinal eu ainda amo ele. Era assim que eu queria me sentir. Queria ficar furiosa, queria sentir ciúmes, mas não. Só fico incomodada. Talvez eu não o ame tanto quanto achei que amasse, ou talvez eu esteja confusa. Não... Eu o amo. Mas talvez esse amor não passe de uma coisa fraternal, pois eu não sinto nada quando o vejo com Sarah. O fato é que eu não quero deixar de sentir aquilo por ele. Mas todo aquele amor poderia ser apenas superficial. Estou confusa, não sei o que pensar.
A festa do senado é em poucos dias, e como manda a tradição, a Pretora deve ser acompanhada pelo Pretor. Eu estava ajudando Frank a escolher o paletó, quando Piper, Annabeth e Hazel adentram a loja.
– Olá. – diz Piper. Acho que ela está com ciúmes de Jason. Mas isso não deveria acontecer, pois ele rompeu com ela, e ela tem Malcom, exato, ele a pediu em namoro na praça, em frente do acampamento todo.
– Oi. – diz Annabeth, dando um beijo na bochecha de Frank, e me dando um abraço. – Como andam as coisas?
– Estranhamente bem. – Responde Frank, olhando para o reflexo de Annabeth no espelho.
– Prova este. – digo, dando a ele um paletó branco. – Pra mim não estão nada bem. – digo, sorrindo tristemente.
– Por que? – pergunta Hazel, sentando-se no pequeno sofá preto.
– Leo e eu rompemos.
– Agora o caminho está livre. – diz Piper.
– Piper! – Annabeth a repreende.
– Desculpe.
– Sinto muito Rey. – diz Hazel, me lançando um olhar de “Eu te entendo”.
– Mudando de assunto! Já escolheu seu vestido? – questiona Annabeth.
– Escolhi, mas não tenho certeza se vou usá-lo.
– Já tem um par? – Pergunta Piper.
– Não. Eu ia com Leo, mas...
– Quem precisa de um par?! – exclama Annabeth, olhando feio pra Piper.
Frank lança os braços sobre meus ombros. – Eu danço com você! – diz, sorrindo.
– É! Dakota também não irá desgrudar de você, tenho certeza. – afirma Hazel. – Não deixaremos você sozinha. – diz, sorrindo acolhedora.
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A festa começava em poucos minutos, e a entrada pretorial era vital, uma ótima chance de demonstrar o poder e influencia que nós, pretores possuíamos. Eu tinha me acostumado a entrar de braço dado com Jason, foi uma boa época, talvez a melhor.
– Pretores, prontos? – Pergunta Dakota, colocando o tronco pra dentro do cômodo.
– Sim. – responde Frank, tentando fazer o nó de gravata corretamente.
– Vem cá, eu arrumo pra você. – digo.
Ele fica de frente a mim. – Acha que esse terno está bom?
– Não há mais tempo para trocas, então está maravilhoso.
Ele ri. – Obrigado.
– Não foi nada. Sabe, é muito fácil fazer isso. Deveria saber, Senhor Frank.
– Ok, ok! – diz, rindo. – Pronta?
Caminho até ficar frente a frente com o espelho. Olho para meu reflexo e não parece comigo.
– Está linda pretora. – afirma ele.
– Obrigada, você não está nada mal.
– Vem, temos uma festa para marcar presença! – diz, oferecendo o braço.
Aceito. Ele abre a porta e me guia até o salão de festas.
Duas horas depois, estava metade do acampamento bêbado. Stoll’s aviam batizado o ponche.
– Com licença. – diz Jason, que estava em cima do palco. O DJ para a musica e Jason murmura um ‘obrigado’. – Eu quero falar uma coisa. Reyna?
Eu congelo, e minhas pernas ficam bambas. Seu olhar se foca em mim, olhando-me profundamente.
– Reyna, eu lembro-me de tudo o que passamos, e afirmo que foi a melhor época da minha vida. Lembro-me de quando o medo de te perder era maior do que o motivo pelo qual estávamos batalhando. Eu lembro do dia em que você escolheu ir embora. Lembro-me da maquiagem escorrendo pelo seu rosto, e de como ver você chorar foi pior do que tudo o que eu já tinha enfrentado. – A essa altura, Ele já estava chorando. – Eu quero que tudo volte a ser como antes. Quero que fiquemos juntos e que possamos estar um na vida do outro do jeito mais puro possível. Eu queria poder apagar as coisas estúpidas que eu fiz, queria poder concertar tudo o que eu disse. E Reyna, eu nunca teria te deixado se eu tivesse escolha. Nós agimos por impulso, e olha onde estamos. Rompemos um relacionamento que tinha tudo pra dar certo. Tentamos achar a felicidade nas pessoas erradas, quando deveríamos estar juntos. Enfrentando tudo isso juntos. Eu não estou pronto para deixar tudo o que sentimos pra trás. Quero investir nessa relação, Rey. Eu quero o que for melhor pra gente. E nesse momento eu acredito que o melhor, seja voltarmos. Estou com saudades, amor, e... Eu não estou pronto pra esquecer tudo aquilo o que vivemos, nem tudo o que eu sinto por você. Dói saber que você está feliz, e dói mais ainda saber que você seguiu em frente. É difícil ouvir seu nome, pois eu sempre penso em nós. E, as vezes eu penso que tudo foi uma mentira... Pois, se o que tivemos foi real... Como você pode estar bem? Porque eu não estou nem um pouco bem. Eu sempre volto naquele chalé, lembrando do quão idiota eu fui em deixar você ir. Adormecer ao seu lado, ficar abraçados na praia, ouvindo as ondas batendo na costa, ficar de mãos dadas nas reuniões do senado... São lembranças que eu não consigo esquecer. – Ele desce do palco e caminha até mim. – Se hoje eu acordasse com você ao meu lado, como se tudo isso fosse apenas um sonho ruim... Eu a seguraria mais perto do que jamais segurei. Se eu pudesse refazer tudo, eu jamais magoaria você. Eu não iria sair do seu lado. Porque o medo de te perder, agora está maior do que nunca. Eu te amo, RA-RA. – Ele me abraça, e eu estou completamente paralisada. Passo os braços em volta de sua cintura, e ele me da um beijo na bochecha. – Podemos conversar com calma. – sugere ao ver que estou a ponto de ter um ataque.
– Agora.
– Claro. – ele faz um sinal para o DJ soltar a musica, e me guia até o refeitório.
– Jason, por que foi dizer tudo aquilo na frente de todos? – pergunto, sentando-me.
– Achei que assim você me ouviria. Me entenderia, talvez. – diz, sentando ao meu lado.
– Jason, Piper ainda te ama.
– Piper está namorando. E ela não tem nada a ver com isso.
– Ela é minha amiga, e eu jamais faria algo que possa feri-la.
– Entendo. Mas eu não estou com ela.
– Mas ela queria...
– Deixa de pensar no que ela queria. Pense no que você quer! – me interrompe.
– Jason, nós tivemos uma coisa linda e única, mas já terminou.
– Isso é uma coisa que eu me recuso a acreditar.
– Você está dificultando mais as coisas.
– Simplifica.
– Não podemos ficar juntos. – digo, me levantando.
Ele puxa meu ante-braço, fazendo-nos ficar cara a cara.
– O que nos impede? Leo? Piper? Os dois seguiram em frente, Reyna. Por que não podemos seguir também? – diz, e com o indicador sob meu queixo e a mão apertando meu ante-braço, ele me beija. – Eu quero que tudo volte a ser como era antes. Como se eles não existissem. – diz, me abraçando.
– Não podemos apagar o que eles foram em nossas vidas. – sussurro.
– Eles escolheram seguir em frente. Não podemos fazer nada.
– Acha mesmo que devemos voltar?
– Tenho certeza.
– E se não der certo?
– Tentamos novamente.
– Você ainda me ama? – pergunta, rapidamente.
Escondo o rosto na curva de seu pescoço. – Amo. – o som da minha voz, abafada pela sua pele, é quase inaudível. Ele sorri e me afasta, olhando em meus olhos.
– Eu amo você. – diz, firmemente.
Passaram-se minutos, horas talvez, e estávamos ali, juntos. E de repente, nada mais importava, eu só sentia a doce brisa que batia em minha face, e um braço envolvendo minha cintura. Tudo estava tão perfeito, e parecia tudo tão irreal. De repente o meu sonho de ter um futuro com Jason parecia mais acessível, mais alcançável. Que nada fique entre nós. Ele tira o paletó e joga sobre meus ombros, abraçando-me novamente. Era como se todas as falhas fossem preenchidas. Todos os sofrimentos e dores fossem curados. Acho que nunca tivemos um momento tão perfeito, tão... Único.
P.O.V
Percy
Annabeth estava maravilhosa. Ela usava um vestido azul, e uma maquiagem fraca, porém linda. As coisas estavam perfeitas, musica, dança e muitas, muitas risadas por conta dos bêbados. Sabe o que é pior do que um Valdez sóbrio?
Um Valdez bêbado. Ele repetiu durante horas coisas como: — “HEY PERCY! Por que a galinha atravessou a rua? Pra chegar ao outro lado!” ou pior: “Ser ou não ser? Cara, eu nunca entendi isso. Ou eu sou, ou eu não sou. Esse Shakispire (assim que ele pronunciava!) era um otário!”. Eu estava a ponto de dar um soco na cara dele por comentários do tipo “HEY ARIEL” ou “CARA CADE SUA CALDA?”, quando Sarah veio buscá-lo para dormir. Ordens de Quiron. Ele resistiu por um tempo, mas acabou cedendo. A festa já estava no fim quando o DJ (Travis) tocou uma musica lenta. Caminhei até Annabeth, que estava conversando com Piper e Hazel.
– Sabidinha? Me daria a honra de me conceder essa dança? – Pergunto, fazendo uma reverencia exagerada.
Ela ri. – Claro, cabeça de alga.
Vamos para a pista, e lá, eu passo as mãos em volta de sua cintura e ela, sobre meus ombros, acariciando meus cabelos.
– Essa noite foi... Perfeita. – diz.
– Você é perfeita. – digo, beijando-a.
– Percy?
– Sim?
– Jason e Reyna ainda não voltaram... Você acha que...?
Sorrio. – A sim! Certeza.
– Fico feliz por eles.
– Eu também. Já estava na hora de eles se acertarem.
– Recebi uma ligação hoje.
– De quem? – pergunto.
– Kota.
– Como esta a construção?
– Bem, mas já estão acabando.
– Isso é ruim? – pergunto, confuso.
– Depende. Por um lado, é ótimo, pois as coisas serão mais fáceis tendo Nova Roma. Mas por outro lado, é ruim, pois os romanos vão embora.
– Reyna nã...
– Ela vai, Percy. – me interrompe.
– E Jason?
– Acho pouco provável ele ficar. Ele vai pra onde ela for.
– Acho que ele está querendo evitar Piper. – digo, rindo.
– Mais um motivo para ele ir.
– E se... Nós fossemos também?
– Como? – pergunta como se a idéia fosse absurda.
– Estamos no ultimo ano. E em Nova Roma tem uma faculdade. Podemos terminar o colégio, ir embora para o Acampamento, comprar uma casa na cidade e fazer faculdade em um lugar seguro.
– Não é uma idéia tão ruim.
Eu rio. – Assuma, é uma idéia ótima.
– E vamos ficar juntos.
– Essa é a melhor parte. – afirmo, dando-lhe um selinho.
– Acha que podemos dar certo no meio de tantos... Romanos? – ela diz ROMANOS como se fosse uma coisa estranha.
– Reyna irá nos ajudar, Dakota e Gwen também
– Não sei, Percy. Tenho que falar com meu pai.
– Se ele não deixar, vou te seqüestrar.
– Falou o garoto que na ultima vez que tentou me assustar, deu de cara na porta de vidro! – diz rindo.
– Pelo menos eu te faço rir.
– É, ás vezes de propósito. – diz, gargalhando.
– Haha, engraçada você.
– Não, você que é todo atrapalhado.
– ME AMA.
Ela se recupera, respirando fundo algumas vezes. – Amo mesmo.
– Pra sempre.
– Pra sempre! – ela concorda.
E de repente minha duvida sobre construirmos algo permanente se tornou uma afirmação.
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