Simplesmente Amor

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Perdoem qualquer erro. Boa leitura!

Steve já não dormia mal. Ele sabia que era amado, que mentiras não eram mais necessárias. E com o reconhecimento disso veio então à paz. Certa vez pensou que a única forma razoável de por fim a sua agonia seria a morte. Mas hoje se via completamente iluminado pela necessidade de amar a vida.

Por muito tempo, a natureza e as leis sociais haviam sido extremamente cruéis consigo, a ponto de lhe impor um severo celibato. Mas quando Bucky surgiu em sua vida tudo mudara. Ao lado dele pôde lutar pela liberdade que tanto almejou. Não se imaginava sem a presença do moreno desde então. Desde que Steve veio a este mundo, seu coração tinha sido um enigma que ele mesmo não conseguiu resolver. Mas a cada hora que passava com Bucky, ele podia conhecer um pouco mais de si próprio.

De repente, se sentiu solitário. O moreno ainda não havia retornado de sua viagem à casa de seus pais. Não era medo de que Bucky nunca mais voltasse, mas o simples fato de que quando se via longe do mais novo, era assolado pelo vazio que a ausência do outro deixava.

Logo percebeu que o amor que sentia por Bucky era diferente do amor que sentiu por Tony. Por anos esteve disposto a dar tudo de si a Tony. Seu passado, seu futuro e todo o seu ser. Mas o outro não aceitou seu amor. Em vez disso, ele havia escravizado Steve aquele amor unilateral, marcado pela negligência. Esse foi o grande diferencial entre Bucky e Tony. Bucky havia reconhecido o esplendor do amor de Steve e em troca o amou de volta, sem medo.

Mas infelizmente, por mais que lutassem lado a lado pela liberdade de amarem-se, era inconcebível para a sociedade daqueles tempos que dois homens se amassem. Palavras de amor eram escassas e inadequadas, tudo o que era dito entre eles era passível de ser mal interpretado ou, pior, ouvido por outros. Então eles não ousavam falar. Sua paixão contida, mas sem fim, transformou-se em uma fome que o consumia.

Em público, as demonstrações de afeto eram disfarçadas, Steve deixava a mão pousar nas costas de Bucky ao andarem na rua, ou Bucky entrelaçava os dedos com os de Steve por debaixo da mesa de algum restaurante. Aqueles momentos de prazer roubado muitas vezes pareciam mais dolorosos do que não tocarem, porque não podiam suportar o pensamento das coisas que não podiam fazer por serem dois homens que se amavam.

Sentou-se na poltrona, nas mãos, a carta que Bucky escrevera dizendo que retornaria para casa naquele dia. Tudo o que ele podia fazer agora era esperar. Então ele esperou. A ansiedade por vê-lo na porta, dando a si a certeza de que chegara são e salvo. Não pôde deixar de se perguntar se o moreno se sentia da mesma maneira.

Antes de Bucky, o mais velho se sentia separado do resto da humanidade até aquela noite gloriosa na Sala Russet, onde se conheceram. Ele já não considerava seus sentimentos como antinaturais ou anormais, já que eles se revelaram tão perfeitamente natural e espontaneamente dentro dele. Mais cedo, todas as suas emoções haviam sido interrompidas e desgastadas por milhares de dúvidas. Ele sentiu a necessidade de constante sigilo. Mas agora não mais. Desde que dera rédea solta à sua verdadeira natureza, ele estava mais feliz do que nunca. Ele só lamentou uma coisa. Tony nunca seria verdadeiramente feliz, não enquanto negasse o que era.

Uma batida na porta surpreendeu Steve, que se perdera em seus próprios pensamentos. Mais uma vez a batida, desta vez mais insistente. Ele queria falar, mas sua boca estava subitamente seca. A porta se abriu e por um momento, um horrível medo lhe arrebatou, por instantes não reconheceu Bucky. Talvez uma peça que sua mente pregara em si. Mas logo o medo se foi e ali na porta estava o homem por quem imediatamente se apaixonou. O mais jovem estava com os cabelos curtos, a pele pálida havia dado lugar a um tom corado. O olhar azul transmitia saudade. Steve levantou-se e em três longos passos, fechou o espaço entre eles. Um beijo selou o momento. Ele estava de volta. Estavam juntos novamente.

Fim

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