Simplesmente

35 Capítulo 35: Nascer do Sol


Notas iniciais
Enfim, esse sim deveria ser o último capítulo, mas eu sei que vocês gostariam de saber como ficou a vida dela daqui a alguns anos. Então gosto de pensar que esse sim é o final da fic, mas o próximo será como um bônus. Ê que ta ficando difícil terminar isso daqui sem me emocionar. Foi um tempo investido que eu não me arrependo, conheci muita gente, ri com vocês e acreditem também chorei com vocês.

Pov Ivy

-Não Shay, não! – eu gritava em desespero ao mesmo tempo em que ria.

-Admita, eu sou melhor! – Shay exclamava imperativa enquanto corria atrás de mim.

-MAI! – respondi nunca em italiano.

Ela passou a correr mais ainda atrás de mim e sabiamente fiz um movimento circular para que não nos afastássemos demais da casa de Leonard. Fazia dois dias que estávamos ali, vivendo o verdadeiro paraíso. Nem mesmo quando estivemos na praia no evento de Robert foi daquela forma, tão intensa e marcante. Naquele momento estávamos brincando, competindo como sempre fazíamos antigamente. Ela corria atrás de mim pela praia ordenando que eu dissesse que ela era a melhor em tudo, algo que eu jamais assumiria! Porém por mais que eu quisesse vencê-la nisso, Shay não tinha medo de se machucar e logo que se aproximou o suficiente saltou sobre meu corpo nos derrubando no chão. Antes que eu me desse conta ela estava sobre mim fazendo a coisa que eu mais odiava nessa vida: cosquinhas. Não adiantou bater, espernear e rir de forma descontrolada, Shay não perdoou e eu teimosa como sempre não disse o que ela queria.

-Ah, seu celular está tocando – ela finalmente parou.

Busquei ar e finalmente escutei o meu toque do celular. Respirei fundo diversas vezes, dei um tapa forte nela para que ela saísse de cima de mim e finalmente fui atender meu celular. O aparelho estava escondido na toalha estendida na areia da praia. Sentei sobre o tecido e quando finalmente olhei para o visor meu coração falhou uma batida. Era a minha mãe! Fechei os olhos por alguns segundos e antes que a ligação fosse perdida eu atendi.

-Ciao, mamma – cumprimentei o mais calma que eu poderia.

-Ivy, você casou?! – a voz do outro lado estava evidentemente alterada e nervosa – Como pode ter se casado?!

Respirei fundo mais uma vez e levei a mão até meu rosto, apertando o alto do meu nariz como se procurasse por uma calma que eu não estava sentindo. Estava cansada daquela recusa de minha família pela minha felicidade.

-Como descobriu? – perguntei curiosa.

-Ainda tenho redes sociais sabia? Eu vi as fotos que seus amigos tiraram. Como pode se casar?! – era fácil imaginar Laura Lazinni com o rosto vermelho e revoltado por algo ter saído de seu controle.

-Simples mamma, eu me apaixonei, vivi com essa pessoa nos últimos anos e me casei – expliquei o mais gentil que consegui – Eu não quero escutar de você como isso é errado nessa sua realidade distorcida. Sono felice, madre, estou onde quero estar.

O silêncio se prolongou por alguns segundos. Shay se aproximou desconfiada ao ver meus ombros tensos e olhar perdido. Ela sentou ao meu lado e lançou um olhar interrogativo, então rapidamente mostrei o visor com a foto de minha mãe estampada. Shay ficou tensa, mas nada disse, apenas passou o braço por minha cintura e perguntou baixo:

-Quer que eu fique?

Fiz que sim com a cabeça e segurei as lágrimas, precisava ser forte. Eu seria forte. Era ali a minha felicidade, eu não tinha dúvidas nenhuma. Então se minha mãe ou meu pai não pudiam entender... Eu nada poderia fazer além de lamentar.

-Onde você está? – Laura perguntou depois de um tempo.

-Mônaco – sorri de lado imaginando o rosto surpreso de minha mãe – É onde estou passando minha lua-de-mel.

-Mas essa ragazza não tinha nem onde cair morta! – Laura nunca poupava as palavras para falar de quem não gostava.

-Acontece mãe que minha mulher pode ter vindo de uma condição financeira baixa, mas conquistou muita coisa com sua força própria. Ela trabalha na Dodgers, a rede de arquitetura e é uma mulher incrível. É uma pena que o seu preconceito não deixe que você a conheça.

Por mais que Shay tentasse não sorrir com minha resposta, seus lábios estavam levemente repuxados para o lado denunciando a sua vontade.

-Porque uma garota minha filha? Você poderia ter qualquer homem, de qualquer tipo ou classe! – minha mãe argumentou frustrada.

-Porque a Shay é especial, mamma. E sinceramente ela é incrível no sexo, melhor que qualquer namorado que já tive no passado – dessa vez a garota ao meu lado não aguentou o riso, revirei os olhos, mas sorri só de imaginar a minha mãe vermelha do outro lado da linha – E porque tinha de ser assim, ela é o amor da minha vida. Madre, quando você entender que amor não escolhe gênero, cor ou sequer pensa na condição financeira da pessoa vai ver o quanto eu estou feliz.

-Mas... Casar... Você é tão jovem!

-Io me apaixonei jovem, mas não penso no tempo. Agradeço até, pois é mais tempo que terei ao lado dela. Sinto muito se a decepcionei mãe, mas... Eu realmente estou bem e queria que você tivesse estado lá, com o papai e o Fred.

-Se você tivesse convidado! – ela gritou do outro lado – Mia bambina se casa e não tem nem a vergonha de convidar i loro genitori!

-Mamma, foi algo... Espontâneo. Eu consegui um trabalho inicial em Roma, na embaixada e estou partindo daqui a alguns dias. Shay tem de ficar para cumprir o contrato com a rede onde trabalha e se formar aqui.

-Isso não é motivo!

-É, não queríamos nos separar por meses sem ter um laço tão forte quanto o casamento.

Ela resmungou do outro lado sendo vencida. Em realidade, eu estava gostando de conversar com minha mãe, mesmo que por celular. Aquela era a primeira vez que a escutava em anos e a esperança de que minha família um dia me aceitasse como eu sou parecia sempre estar dentro de mim, mesmo que pequena. Suspirei alto e deixei escapar emocionada:

-Mi manchi, mamma – disse que sentia a falta dela – Queria que tivesse visto meu vestido de perto, era mais lindo ainda do que aparece nas fotos.

-Ivy... – ela murmurou depois de um momento de silêncio – Acho que vou visitar nossos amigos em Roma daqui a algum tempo...

Eu não aguentei um grito de felicidade. Isso estava mesmo acontecendo?! Pude escutar uma risada contida de minha mãe, por mais que ela tivesse preconceito contra mim eu ainda era a sua filha, uma filha que ela não via há muito tempo e que tinha acabado de se casar. Quando desliguei o celular me joguei nos braços de Shay rindo feito uma boba, a felicidade parecia estar completa e mais intensa. Ainda havia esperanças de que pelo menos minha mãe me aceitasse.

-Ela falou direito comigo! – exclamei sem conseguir controlar as lágrimas – Eu falei com minha mamma, Shay! Ela vai se encontrar comigo em Roma!

-Fico feliz amor – ela disse me abraçando forte – Mas... Ainda assim, não abaixe suas defesas ok?

-Sì, ma mio cuore é bobo e vai sempre acreditar que um dia eles vão me aceitar!

Ela sorriu de uma forma encantadora, eu não resisti a empurrá-la na areia e beijar-lhe a boca com um ímpeto revigorado. Eu queria amar aquela mulher pelo resto de minha vida, ou melhor, eu necessitava fazer isso para que pudesse ter minha paz e meu destino cumprido. Não resisti a provocar Shay até que fizéssemos amor ali mesmo, correndo um grande risco de que alguém que passeasse por ali nos flagrasse. Eu estava tão animada e em êxtase que não me importei com isso de fato. A dominei, a beijei e arranhei acrescentando marcas a uma coleção de outras que tinha no corpo dela. Nossos dias ali foram repletos de aventuras, nos amamos por toda a casa, o tempo todo e quase esquecendo por vezes de nos alimentarmos. O tempo era só nosso, dormíamos quando estávamos extremamente cansadas, comíamos quando tínhamos fome e sempre ficávamos perto uma da outra, brigando ou nos beijando. Tinha descoberto desde antes, quando formos morar juntas, que nosso fogo e desejo eram enormes. O melhor era que parecia que nunca nos cansávamos ou enjoávamos além da Shay ser criativa e pervertida de um jeito deliciosamente viciante.

Era inicio de noite quando estava descansando na cama depois de um longo banho. Tinha cochilado e quase adormecido em uma paz que me era desconhecida até aquele momento. Estava casada, tendo os melhores dias de minha vida e com uma esperança de que tudo acabasse bem no final. Meu corpo podia estar cansado, mas meu espírito parecia estar em pleno júbilo. Eu mal sentia o tempo passar, mas senti quando Shay sentou ao meu lado na cama e começou a me dar beijos.

-Deixe-me dormir um pouco – reclamei em um fio de voz, sem abrir os olhos.

-Eu tenho algo para você – Shay comentou em meu ouvido – É cedo, não durma.

-Mas io estou cansada! – falei em uma voz de completo dengo.

-Hum... Então vou ter de te acordar do modo tradicional mesmo.

Estava tão sonolenta que não escutei o que ela falou, apenas fiquei contente quando senti que ela se afastou e acabei por acomodar ainda mais meu corpo na cama. Senti a cama afundar perto de minhas pernas. Usava uma blusona da Shay, amava dormir usando as roupas dela, inconscientemente era como se o corpo e o cheiro dela ainda estivessem na peça. Porém, foi esse detalhe que permitiu Shay adentrar o lençol que me cobria e de um modo delicado de inicio afastar minha calcinha e depositar sua boca em meu sexo e começar com a magia.

Obviamente acordei no mesmo instante e fui castigada por longos minutos de tortura. Deus, ninguém sabia usar a língua daquela forma como ela fazia! Ou talvez meu corpo estivesse completamente sensível e entregue àquela garota, mas não importava. Quando acabou estava ofegante e com um sorriso satisfeito.

-Acho que a Bela Adormecida iria gostar de seus métodos – brinquei enquanto sentava na cama.

-Nada de Bela Adormecida, prefiro as italianas selvagens e apaixonantes – Shay respondeu me puxando para fora da cama – Venha, antes que eu desista de te mostrar.

-Mostrar o que? – finalmente perguntei a seguindo para a sala.

-Meu presente de casamento – Shay disse com um sorriso tímido no rosto.

Meu coração quase saltou para fora do peito. Sinceramente, Shay era incrível com seus presentes, mesmo que quase sempre eles não fossem algo caro ou de ultima geração ela conseguia fazer com que tivessem um peso emocional. Se ela não estivesse segurando minha mão eu teria corrido feito uma criança no natal para ver o presente. Ao chegarmos na sala, notei que todos os itens da mesa de centro havia sido retirados e que ali havia apenas um tubo preto longo. Shay me fez sentar ao lado dela enquanto encarava aquele tubo de forma confusa.

-Eu não sabia como te mostrar isso, ou quando – Shay começou naquele jeito fofo e tímido – Mas eu não quero fazer isso sozinha, então vou te mostrar o esbouço para que possamos construir isso juntas, desde o inicio.

-Está me matando de curiosidade – reclamei fazendo bico.

Shay riu e abriu o tubo. De dentro retirou um papel retangular e relativamente grande. Eu reconhecia esse material pois o escritório dela estava cheio disso. Era onde ela fazia seus desenhos e transformava aqueles rabiscos em plantas de casas e construções. Shay abriu o papel sobre a mesa e respirou fundo.

-Ivy, essa é a planta de nossa casa. Digo, nossa real casa. A que vamos construir com nosso dinheiro, perto de uma praia que nem essa. A qual iremos passar o resto de nossas vidas ou retornamos quando estivermos velhinhas e aposentadas – Shay explicou olhando diretamente para mim.

Eu tinha esquecido de como respirar. Estava em um estado diferente, emocionado e animado ao mesmo tempo. Olhei para o projeto que ela tinha feito e reconheci alguns cômodos, como o quarto e as salas.

-É lindo! Mesmo que eu não entenda metade disso, eu sei que é lindo! – eu exclamei quase saltando no lugar – Mio Dio Shay! É nossa... Nosso lar!

-Isso quer dizer que gostou? É apenas um rascunho, ainda farei o projeto no computador e você irá entender melhor e até ver uma projeção quase real do lugar. Mas veja, tenho algumas dúvidas. Eu coloquei o quarto das crianças perto do nosso, mas... Mas você faz muito barulho, o que eu adoro é claro, então não seria melhor por o quarto delas aqui?

Ela começou a apontar para os cômodos e a explicar o que eram e o porque de estarem ali. A nossa casa seria simples, de um andar superior apenas onde ficariam os quartos e escritórios. Embaixo a sala de jantar, estar, cozinha e uma área especial para os brinquedos e até mesmo uma sala para estudos e biblioteca. Shay fazia-me perguntas de como eu queria as coisas, logo tratou de buscar um lápis para fazer anotações no papel para que não esquecesse. Aquele foi um dos momentos mais especiais de minha vida. Se eu fosse lista-los colocaria em ordem o dia de nosso primeiro beijo, o dia em que ela me pediu em namoro, quando nos reencontramos, nosso casamento... E esse momento.

Eu estava construindo meu futuro ao lado dela. Não estávamos escolhendo nossa casa, mas planejando ela juntas, unindo nossos sonhos e desejos naquele pedaço de papel. Passamos o resto da noite ali, conversando, planejando, pensando em nós duas o tempo todo. Shay acrescentou até mesmo uma área no quintal para os bichos de estimação, ao que aparentava teríamos três filhos. Um casal e um cachorro. Assim como sabíamos também que a casa iria ser litorânea e que seria simples, mas completamente aconchegante.

Era evidente a emoção e do quanto isso também era importante para Shay. Afinal era o sonho dela se realizando aos poucos. Eu havia tomado uma parte das ideias dela para mim, era por causa dela que agora eu me imaginava em um lugar na praia, abraçada a ela e pensando o que deveria fazer para o jantar para as crianças. Como estávamos sem sono algum ficamos ali na sala, conversando, sonhando e planejando. Quando estava perto do amanhecer fomos sentar perto do mar, uma do lado da outra o mais próximo possível.

-Você vai ter de me prometer se cuidar lá em Roma. Vai começar essa parte de nossas vidas sozinha, mas logo estarei chegando – Shay comentou sem conseguir esconder a preocupação.

-Vai dar certo meu amor, vamos sofrer e brigar por causa da distância, disso eu tenho certeza. Mas vamos conseguir.

Ela me beijou, um beijo calmo e longo, romântico e profundo. Um daqueles que embalavam todo o meu ser em um ritmo só nosso. Eu amava todos os tipos de beijo da Shay, mas esse era o que me fazia derreter por dentro e querer beijá-la pelo resto de minha vida. Depois ficamos ali, em um silêncio gostoso entre nós, porém sendo completado pelo som das ondas. Ver o nascer do sol parecia completar algo entre nós, um momento que nunca teria explicação em palavras, mas que foi sentido por nós duas.

-Eu acho que as coisas finalmente vão se acalmar, depois de tudo o que passamos – comentei sonhadora.

-Ah não vão mesmo – Shay riu e me olhou travessa – É só o começo meu amor, apenas o começo de uma nova jornada nossa.

Acabei rindo, rindo por saber que meu futuro nunca seria fácil, o preconceito parecia que sempre iria existir. Para completar havia as brigas em nosso cotidiano, os filhos que irão surgir e o trabalho em que eu almejava simplesmente o topo. Shay tinha razão, nunca teríamos uma calma prolongada, mas sim uma vida excitante que eu iria viver cada momento... Simplesmente porque tinha ao meu lado a mulher de minha vida. Apenas isso bastava para que todo o resto fosse formando de uma forma não perfeita, mas ideal para mim.

Notas finais
Ah, obrigada a todos pelo apoio sobre minha ideia. Muitas disseram que é só pelo fato de que vai ser eu fazendo que vai ficar bom -q não me deixem metida, suas lindas hsauhasuashusah