Simplesmente
27 Capítulo 27: Reconectar
Notas iniciais
Mas voltando a um assunto importante! BÊ! Muito obrigada por sua recomendação sua linda! Muitos ficaram emocionados com os últimos capítulos o que prova que o que você disse foi verdadeiro. Você foi muito fofa e me deixou toda sorridente, obrigada mesmo!
Ver a letra dela ali, naquele pequeno papel, levemente tremida e um pouco borrada por um respingo de líquido fez com que meu mundo inteiro parasse de girar. Fiquei ali, encarando por um bom tempo àquelas palavras sem conseguir acreditar ao todo no que estava acontecendo. Shay estaria mesmo aqui, em Londres? Estaria me esperando do outro lado daquela porta finalmente tendo me encontrado?
-Ivy, você está bem? – Karen perguntou ao meu lado.
Foi assim que eu acordei de meu transe. De repente os sons invadiram meus ouvidos de uma forma incomoda. Eu tinha ido para Sunset apenas depois que todos invadiram meu apartamento para chantagem emocional. Ainda estava abalada com a redação e... E agora isso! Saltei da cadeira sentindo meu coração finalmente batendo em uma alucinante disparada. Ela está aqui! Não é um sonho! Não, não pode ser! Olhei para Karen tentando explicar o que estava acontecendo, mas não conseguia. Sorri pra ela e a abracei forte em pura felicidade, iria encontrar a minha menina! Acenei para todos e praticamente corri para a porta sem nem ao menos estar pensando direito no que estava acontecendo. Porém antes que eu pudesse transpassar a porta uma mão forte segurou meu ombro em um aperto nada delicado.
-Ivy – Gerrad virou-me para que ficássemos frente a frente – O que está acontecendo? Você está estranha.
-Ela está me esperando Gerrad, depois eu explico! – tentei falar rápido e me soltar, mas ele me segurava.
-Você tem certeza disso? Pode ser mentira e você vai apenas se machucar!
-Eu tenho Gerrad, solte-me.
-E seu pai? Ele poderá mudar sua vida completamente por causa dessa garota...
-Gerrad... Solte-me, me deixe encontrar o amor de minha vida. Eu nunca menti sobre isso, nunca escondi de você que era ela quem eu sempre quis e vou querer. Sinto muito, mas me deixe ir para minha felicidade Gerrad.
O inglês soltou-me hesitante, havia dor em seus olhos negros, mas estava com a mente ocupada demais para preocupar-me. Tornei a correr para fora do pub e sem diminuir a velocidade fui até a praça. Primeiro procurei avidamente por uma garota, havia poucas pessoas mas a praça era enorme. Eu mal podia escutar qualquer coisa sem ser meu coração batendo violentamente contra meu peito. Estava ofegante demais para uma pequena corrida daquela, meu rosto virava para todos os lados com certo quê de desespero. Mas então eu a encontrei.
Uma garota linda estava encostada a uma árvore encarando ao chão e com o corpo tenso. Porém aquele cabelo repicado, aquele semblante e forma corporal eram indiscutivelmente as que eu mais amava. Avancei a passos largos e sem resisti gritei o nome dela. Shay respondeu prontamente encarando-me de uma forma tão genuinamente surpresa e feliz que tive de por a mão sobre a boca para não gritar de pura emoção. Não hesitei mais quando ela chamou para um abraço, a agarrando com todas as forças de meu ser, como se assim pudesse fundir nossas almas e assim nos tornássemos uma só para todo o sempre. Não sei quanto tempo durou aquele abraço ou quando comecei a chorar silenciosamente.
-Ivy... Estou sufocando – Shay reclamou com a voz rouca.
Ri baixo e afrouxei um pouco o abraço, afastando meu rosto para poder olhá-la. Gravei novamente cada traço de seu rosto em minha memória. Seus marcantes olhos dourados, o desenho perfeito daquela boca, o traço de seu queixo e maxilar. Poderia passar toda aquela noite apenas encarando aquele rosto que não me importaria. Mas não aguentaria passar mais um segundo sequer sem relembrar o sabor de seu beijo. Foi pensando nisso que encaixei nossas bocas em um toque suave, sinceramente foi como se um raio atingisse meu corpo fazendo todas as células vibrarem em ressonância a uma única e poderosa emoção. Shay suspirou contra meus lábios e levou uma mão para minha nuca, foi a deixa para que o beijo se tornasse intenso, desesperado e urgente. Nossas bocas se buscavam como se não fosse existir o amanhã, não como se não houvesse a hora seguinte. Eu não me importava de estar no meio de uma praça pública em uma noite fria de Londres. Ou de ter abandonado meus amigos em um bar de elite em meu aniversário. Meu maior presente estava ali, nos braços daquela garota, naquele beijo alucinante que eu não queria que tivesse fim. E por um longo momento não teve, nenhuma das duas queria quebrar o contato mesmo que o ar estivesse faltando, não queríamos perder aquele dançar perfeito de nossas línguas, aquele sabor tão gostoso e viciante de nosso beijo ou o toque sincronizado de nossos lábios. Porém, infelizmente, o ser humano precisava respirar e assim nos afastamos apenas o suficiente para buscarmos ar avidamente.
-Vamos para meu apartamento – Shay chamou – É mais perto e está frio.
-Sì, andrò da nessuna parte con te – disse sem perceber em italiano que iria a qualquer parte com ela.
-Allora venite in paradiso e all'inferno con me, non far cadere la mia mano.
Arregalei os olhos em uma deliciosa surpresa. Shay estava falando em italiano com um sotaque ainda, mas mesmo assim com uma pronuncia perfeita dizendo para que eu fosse ao paraíso e ao inferno com ela, bastava segurar sua mão.
-Eu disse que aprenderia a falar italiano – ela explicou rindo baixo.
Aquela risada, mesmo que fraca, foi como o mais gostoso dos sons que escutei nos últimos dois anos. Não aguentei, segurei o rosto dela entre as mãos e a beijei novamente sem resistir a tentação de chupar seus lábios e depois mordisca-los. Escutar seu gemido foi o segundo melhor som que havia escutado nos últimos dois anos.
-Vamos, precisamos conversar, nos encontrar e acreditar que isso não é um sono – falei afastando um pouco dela.
Shay sorriu um tanto corada pela emoção e segurou minha mão puxando-me em uma corrida até o ponto de carro mais próximo. Havia uma pressa implícita em nossos sorrisos e jeito ansiosos. Era como uma necessidade de estarmos sozinhas para ter um tempo no universo só nosso. Não houve um momento em que meu coração realmente estivesse em um ritmo cardíaco normal novamente. Como ela havia dito não demorou dez minutos para chegarmos ao seu apartamento, que por acaso ficava umas três quadras de distância do meu já que ele fazia parte de um bairro conhecido por abrigar vários estudantes.
-Só para explicar, eu estou dividindo o apartamento com uma garota que neste momento está na casa do namorado – Shay disse enquanto abria apressadamente a porta com a sua chave.
-Eu não me importo, você está aqui, é só minha novamente – falei observando a porta abrir e a puxando para dentro.
A necessidade aflorou por todo o meu ser. Assim que entramos fechei a porta com o pé e a puxei para mais um longo abraço acompanhado de um beijo ardente e avassalador, um daqueles que fazia o corpo inteiro estremecer e aquecer mesmo nas noites mais frias. Quando paramos nos fitamos em igual intensidade e urgência.
-Conversamos depois – Shay decidiu puxando-me novamente pela cintura.
Eu sabia exatamente o que ia acontecer e finalmente compreendi toda a necessidade que parecia controlar-me. Não seria apenas sexo, era o nosso encontro, nossa comprovação de que estava realmente acontecendo, de estarmos conectadas novamente. Beijamos-nos mais uma vez e eu já podia sentir meus lábios formigando por causa da pressão deliciosa que ela fazia durante o contato. Levei minha mão até o cabelo dela entrelaçando meus dedos nos fios macios e recém-cuidados, não resisti em puxá-los e isso resultou em uma reação deliciosa de um gemido contra meus lábios.
Shay foi me levando para o quarto ao mesmo tempo em que tirávamos nossas roupas pelo caminho. Ao abrir a porta eu estava apenas de calcinha e ela completamente nua. Shay pegou-me no colo me fazendo dar um gritinho de surpresa e depois um riso divertido. Ela deitou-me na cama e afastou um pouco para me observar. Não senti vergonha, pois estava fazendo a mesma coisa. Ela estava mais magra, porém ainda assim era a coisa mais linda que hei de conhecer e amar. Mordi o canto de meus lábios observando seus seios, a barriga lisinha e sua tatuagem que eu tanto amava. Suspirei e deitei mais ao centro da cama, estiquei os meus braços como em um chamado mudo para que ela se aproximasse. No entanto quando ela subiu na cama eu finalmente notei seus olhos marejados e lábio trêmulo. Por puro instinto a envolvi em meus braços em um abraço carinhoso.
-Eu... Eu ainda acho que estou sonhando – Shay murmurou com a voz embargada – Apenas mais um dos meus sonhos em uma noite solitária em que fico esperando por seu cheiro, por seu calor, por sua voz...
-Eu estou aqui, Il mio amore – murmurei também, sentindo aquela emoção intensa dominando meu corpo novamente – Você me encontrou. Não vou mais me afastar.
-Eu tenho medo de acordar – ela revelou tão sincera que seu medo era quase palpável – De acordar e estar sozinha.
-Então me deixe provar que isso não é um sonho.
A empurrei delicadamente pelo ombro para que ela deitasse na cama. Rapidamente retirei minha calcinha e fiquei parcialmente por cima dela. Dessa vez quando a beijei era um contato mais calmo e íntimo, tão longo quanto possível. Um beijo em que nossas línguas se acariciavam e exploravam cada milímetro do interior da boca como se estivessem se redescobrindo. Fui pouco a pouco ficando por cima dela, deitando meu corpo até sentir o dela por debaixo do meu, tão quente e trêmulo, delicado e macio. Movi levemente fazendo com que roçassem um no outro, seio contra seio, quadril contra quadril, sexos bastante próximos.
-Ivy... – Shay parou o beijo lentamente apenas para chamar meu nome de uma forma totalmente excitante.
Aquela era a primeira vez que estava no comando. Shay não me deixava ser a “ativa” e eu nunca reclamei disso. Mas dessa vez era como uma urgência, um pedido implorado de meu corpo e fome. Desci meus lábios para dando pequenos beijos até alcançar-lhe o pescoço onde depositei pequenas mordidas e longos chupões, queria marcá-la por inteiro, proclamá-la minha novamente! Desci minha mão pela lateral do corpo dela arranhando sem deixar marcas, apenas para ver a pele dela arrepiar em resposta a provocação. Minhas mãos pararam em seu bumbum perfeito e eu o apertei com vontade, a fazendo suspirar e ri mais relaxada.
-Tarada por bumbuns – ela brincou com a voz rouca.
-Não. Tarada pelo SEU bumbum – respondi a olhando divertida e maliciosa.
Nossos sorrisos apenas espelhavam a saudade que uma sentia da outra. Voltei a abaixar meus lábios, dessa vez passeando a língua pela pele dela até encontrar o vale entre seus seios. Lambi aquela parte mais lentamente e observei com certo prazer os mamilos se tornarem rijos de excitação. Sem hesitar abocanhei o direito e o suguei de leve, primeiro timidamente, descobrindo a sensação e o sabor. Era uma das melhores coisas do mundo, aquela parte macia e delicada em minha boca, sensível ao toque de minha língua. Eu podia sentir Shay prendendo a respiração e seu corpo todo estremecendo embaixo do meu, isso apenas servia como um incentivo excitante para que eu continuasse. Tomei o seio dela em minha boca e fiquei sugando enquanto a minha mão ia acariciar o outro e massagear, entrando em êxtase ao descobrir o quão macio àquela parte do corpo dela era. Os chupões iam aumentando de ritmo ao compasso que ficava cada vez mais confiante e viciada nos gemidos roucos que por vezes Shay deixava escapar.
Mas foi quando sem querer minha coxa roçou no sexo dela que as coisas provaram que poderia ser muito melhor. Shay deixou escapar um longo gemido, soltei o seio para olhar sua face de prazer ao mesmo tempo em que sentia em minha coxa seu sexo intensamente molhado. Pressionei ainda mais minha perna naquele ponto e a vi fechar os olhos com força e segurar meu corpo firmemente, sorri comigo mesma como se tivesse conquistado uma vitória. Prontamente voltei a beijá-la animada, querendo deixá-la completamente excitada como sempre fazia comigo no passado. Esfregava a minha coxa no sexo dela ao mesmo tempo em que pressionava alternando a pressão entre fraco e suave. Minha mão continuou brincando com o seio dela, às vezes descendo até a barriga para arranhar e dessa vez deixando pequenas marcas. Em contrapartida Shay devorava meus lábios, exigia a minha língua em sua boca e a sugava de uma forma enlouquecedora. Eu encontrava-me tão molhada quanto ela. As mãos dela desciam por minhas costas até encontrar meu bumbum e segurá-lo com força, arrancando um gemido involuntário de minha garganta.
-Eu preciso de você – Shay falou contra meus lábios.
As mãos dela seguraram meu quadril e ergueu meu corpo até que me encontrei apoiada por meus joelhos e levemente afastada dela. Era espaço suficiente para que sua mão descesse por meu corpo e encontrasse meu sexo. Ela me tocou e não resisti a gemer, meu corpo inteiro parecia explodir com aquele toque! Porém eu não queria estar sozinha nisso e de uma forma tímida também levei minha mão ao sexo de Shay para acariciar da mesma forma que ela fazia comigo. Escutar seu gemido foi tão excitante quanto a sua carícia. Ela abriu mais as pernas para que facilitasse meu toque e fitou-me de forma intensa. Eu sabia exatamente o que ela iria fazer e por isso, como se fosse quase sincronizado, dois dedos delas me penetraram enquanto os meus também faziam isso. Gememos alto e ao mesmo tempo. Sorrimos uma para outra e eu colei minha testa a dela, era a primeira vez que fazia isso com uma garota, até mesmo com Shay e senti-la por dentro era como o mais gostoso dos delírios.
Os movimentos de inicio foram lentos, uma exploração, um toque de curiosidade por minha parte. Mas eu fui a primeira a aumentar o ritmo almejando gemidos mais altos e mais cheios de prazer de Shay. Ela gemeu, mas agarrou-me em um beijo alucinante e também aumentou o ritmo, porém indo mais rápido do que eu. Em minutos o que começou como um pouco de curiosidade transformou-se em um momento intenso e inesquecível. Não demorou para que eu aprendesse sobre o ritmo dela e passar a imitá-la sem ter medo ou pudor nenhum. Nossas bocas tinham uma sincronia própria e em nada me importava que meus lábios ficassem inchados por causa da força daquele encontro de bocas, línguas e promessas. Ela me sugava e eu a mordia, ela tentava dominar o beijo e eu a penetrava mais forte. Era um jogo inconsciente em que nos tornava uma só.
-Shay! – exclamei com a boca bem próxima da dela, podia sentir o ponto máximo se aproximando.
-Não, não – ela afastou os dedos e tirou minha mão de dentro dela, abriu um sorriso encantadoramente pervertido – Cole em mim, quero sentir seu gozo junto com o meu.
Franzi o cenho, mas a sentir ajeitando nossas pernas e nossos quadris sorriem igual a ela. Colei nossos sexos e gemi alto ao compasso que Shay segurava forte nos lençóis. Lembrei-me de como ela fazia e não demorei em esfregar nossos sexos, de inicio devagar aprendendo a fazer os movimentos. Porém era como se eu soubesse exatamente o que fazer, talvez por ter estado na posição invertida e saber exatamente como gostava. Inclinei meu dorso para ter maior controle e visão dela e não demorei a movimentar mais fácil, subindo e descendo, pressionando nossos clitóris e depois rebolando tão gostosamente que acabávamos gemendo em perfeita junção de sons. Shay agarrou meu quadril e bumbum, ajudando-me a fazer os movimentos certos, levando a nós duas a um novo patamar de loucura. Em pouco tempo o ritmo estava rápido e frenético, incansável por estar recebendo ondas poderosas de prazer por todo o meu corpo. A tensão do orgasmo passou a me dominar, fechei fortemente meus olhos e arqueei as costas enquanto procurava ainda mais atrito, ainda mais prazer, ainda mais aquele contato molhado entre minhas pernas.
Foi o orgasmo mais poderoso e longo que tive, seguido de outro quando Shay me obrigou a continuar. Eu podia senti-la explodir junto comigo, a ir desde o mais profundo inferno até o mais alto dos paraísos de tão intenso que havia sido aquele momento. Desabei ao lado dela parecendo estar em um mundo paralelo em que existia apenas eu e ela. Estava ofegante, suada, com o cabelo colado a nuca e a testa. Mas com o maior e mais sincero dos sorrisos brincando em minha face. Eu estava completa novamente. Eu estava com meu coração e alma em meu corpo. Era como se todo o meu ser estivesse em harmonia novamente. Senti os braços da Shay puxando-me para mais perto e virei meu corpo para ficarmos de frente uma para outra. Não havia sono ou qualquer pretensão de dormir.
-Não é um sonho. É a mais linda realidade – Shay sussurrou tão boba que me fez sorri.
-Como me encontrou? – perguntei curiosa, finalmente lembrando-me desse detalhe.
-Na festa do Robert você dançou com Leonard Thompson, um dos diretores da Dogers que é uma rede de...
-Uma poderosa rede de arquitetura, eu sei. Eu pesquisei informações sobre isso por querer imaginar como você estaria – a cortei com gentileza, corando levemente ao revelar algo tão bobo.
-Ele encontrou-me no campus da faculdade – ela continuou com um novo sorriso nos lábios – Viu meu trabalho e ofereceu-me um programa de estágio. Trabalharei para ele, um trabalho altamente renumerado, e poderei estudar advinha a onde?
-OXFORD? Você ganhou uma bolsa pra Oxford! E um estágio em uma das maiores empresas?! – não havia como esconder a minha surpresa e alegria.
-Eu faria de tudo pra poder estar contigo. Estudar e conseguir algo parecido com isso estava nos meus planos. Também não esperava que fosse tão longe, mas é tudo por causa de Leonard, costumo pensar que ele é minha fada madrinha.
-Bom, eu também não fiquei parada. Eu sabia que você me encontraria. Então tratei de consegui um bom estágio, em ser a melhor e me desprender financeiramente de meu pai. Sou independente dele e nada, absolutamente nada irá nos separar agora.
-Você ainda usa – Shay levou a mão até o meu colar com o nosso anel de compromisso.
-Raramente o tiro – respondi sorrindo – Mas dessa vez é outro caso, porque não o tira para que eu possa finalmente usar o anel da forma certa?
Ela sorriu de uma forma tão linda que meu coração disparou. Shay prontamente afastou meu cabelo para poder abrir a corrente e deixou que o anel deslizasse pra sua palma. Ela pegou o anel e minha mão para deslizá-lo por meu dedo de uma forma lenta. Cabia perfeitamente. Sem resistir ela me beijou de uma forma apaixonada... E depois de uma forma carinhosa... E depois outro beijo intenso... E então não parou mais.
Nossa noite foi cheia de carinhos, toques quentes, conversas e principalmente muito amor. Dois anos haviam passado e era como se eu tivesse acabado de entrar na casa dela depois da aula. Nosso amor não estava do mesmo jeito, pelo contrário, encontrava-se mais forte que nunca, agora sabíamos que nada poderia nos abalar. Nem mesmo o tempo.
Depois de uma longa noite, eu fui a primeira a acordar. Estava com o corpo colado no de Shay em uma conchinha. Sorri de lado e com toda a delicadeza e cuidado do mundo afastei-me para sair da cama e ir até o armário em busca de uma roupa para usar. Acabei por escolher uma blusona que acabava um pouco abaixo do meu bumbum. Peguei minha calcinha e a vesti novamente e fui à busca da cozinha. Queria preparar um café da manhã para a minha garota. Não, para minha mulher. Não foi difícil de achar, o apartamento era relativamente pequeno para duas pessoas, porém não menos confortável. Shay nunca ligou para luxo, provavelmente estava achando até espaçoso aquele lugar. Estava terminando de preparar um sanduiche quando a porta do apartamento abriu.
-Oh meu Deus. Shay! Eu disse que podia trazer alguém, mas não fazer essa bagunça! – uma voz feminina e zangada falava da sala.
Eu deixei o pão na torradeira e fui correndo para a sala para evitar que a Shay acordasse com aqueles gritos. Porém quando me viu, aquela garota baixinha arregalou os olhos e recuou como se visse um fantasma, atrás dela entrava um homem alto e negro que teve uma reação similar a dela.
-Shh, vocês vão acordar ela – reclamei baixo.
-Ivy! Cadê você? – Shay veio correndo do quarto enrolada em um lençol e descabelada, além de toda arranhada e com marcas de chupões pelo corpo – Não me assuste desse jeito, eu pensei que pudesse ter sido um sonho!
Ela nem notou os outros dois, veio até mim e deu-me um beijo. Se eu deixasse era capaz dela soltar o lençol e jogar-me no sofá. Assim eu interrompi o beijo e apontei para os dois chocados perto da porta.
-Aquela é a garota que você falou? – questionei um pouco envergonhada pela situação.
Finalmente ela os viu e abriu um sorriso completamente convencido. A garota olhava para ela como se não pudesse acreditar, sua incredulidade era evidente até mesmo em seu semblante. Shay apenas riu e segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos.
-Ivy, essa é a Tinna e seu namorado, Thomás – ela apresentou e quase gargalhou com as expressões que ele faziam, eu não me importava, adorava vê-la feliz daquele jeito – Eu disse que ela era a mulher de minha vida!
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