Simplesmente
16 Capítulo 16: Jantar romântico
Notas iniciais
Pov Shay
Tudo tinha de ser perfeito. Eu faria ser perfeito.
Desde que havíamos voltado para o hotel, minha mente funcionava com pensamentos rápidos, pervertidos e românticos. Eu estava animada, ansiosa e nervosa. O que não era de forma alguma o meu comum, nunca havia planejado esse tipo de coisa e agora tinha medo de errar feio. Ivy nada desconfiava, tinha ficado completamente aérea e ria a toa depois de tê-la torturado até aquele ponto. Agora estava descansando no apartamento dela, o que me deixava um bom espaço de tempo para tentar preparar algumas coisas.
Tinha corrido de um lado para o outro e fiz até mesmo uma coisa que considerava inadmissível. Pedi emprestado o carro de Robert para ir até a cidade comprar umas coisas antes que anoitecesse de vez. Porém, bastou dizer que era para uma noite romântica com minha garota que ele me entregou as chaves com um sorriso maroto. Havia comprado velas, rosas vermelhas e brancas e o melhor vinho. Naquela noite o primeiro passo seria um jantar especial. Quando retornava para o hotel a noite caia atrás de mim e o tempo parecia fechar anunciando uma chuva de verão, mas isso só queria dizer que já estava correndo contra o tempo! Rapidamente fui até a recepção pedir algumas preparações especiais para meu quarto, assim como escolher o menu da noite. Acho que essa foi a parte mais difícil, geralmente era Ivy que mexia com gastronomia, eu apenas acenava com um sim e devorava tudo o que ela colocava a minha frente.
Subi ao meu quarto com uma camareira, ela parecia incomodada por estar me ajudando a fazer algo para uma garota. Mas era profissional o suficiente para não comentar nada e apenas falar o necessário. Movemos o sofá do lugar os deixando no extremo da parede para liberar a sala, logo outro servidor do hotel apareceu com a mesa e começamos a ajeitar tudo. Era por volta das sete horas quando o ambiente ficou pronto, decidi mandar uma mensagem para não correr o risco de que Ivy aparecesse do nada e estragasse a surpresa. “Espere que eu irei te buscar, tenho algo para você.”
Esperei que eles saíssem para poder ir tomar o meu banho. Cuidei de meu corpo com um esmero maior do que eu já tive em toda a minha vida, minha mente girava em torno do simples pensamento de que Ivy tinha de gostar de tudo, inclusive de mim. Quando terminei o banho a outra batalha foi decidir o que usar, meu estilo despojado dessa vez em nada me ajudou. Depois de cerca de meia hora acabei trajando um short preto – descartei as possibilidades de calça, davam mais trabalho de tirar – e uma blusa lilás solta e caída para um lado, nos pés uma simples sandália rasteira. Maquiagem foi bem sutil e suave, assim como deixei meu cabelo simples e solto, suas pontas eram de um corte repicado que não me dava muito trabalho.
Oito horas da noite. Pela minha varanda eu podia ver o céu noturno sobrecarregado com nuvens negras. Um relâmpago anunciou uma tempestade distante, mas que logo poderia ser próxima. Assim que terminei, em um time perfeito o serviço de quarto entrou com o jantar. Deixei tudo pronto, agora bastava buscar minha garota. Foi nesse momento que meu coração disparou a tal ponto de deixar minhas pernas trêmulas. Deus, o que estava acontecendo comigo? Levei cerca de dois minutos para poder controlar-me e partir em direção ao quarto de Ivy com o buquê de rosas na mão.
Ao chegar em frente a porta eu hesitei. Eu a amava com todas as minhas forças, mas havia um medo irracional no fundo de meu ser que questionava-me se isso era recíproco. Eu nunca quis tanto alguém perto de mim, nunca almejei passar tanto tempo ou planejar coisas com alguém. Sean foi um evento que eu me acostumei e aprendi a amar, era minha família. Mas Ivy era diferente, era como uma intrusa que ia se acomodando, um vírus que se espalhava até não ter mais cura. No entanto, ao pensar nela em minha mente vislumbrei seu sorriso encantador, o seu olhar bravo ou seu jeito competitivo. Então nada mais importava.
Bati na porta três vezes.
-Shay é bom que tenha uma boa desculpa para ter me deixado tão curiosa! – Ivy já abria a porta zangada.
O olhar azulado estava agitado, mas ao me ver parada com as rosas na mão tudo nela mudou. A expressão enraivada desmanchou-se e foi substituída por uma doce surpresa. Ela alternava o olhar de mim para as rosas, trocou o peso da perna e mordeu o canto da boca enquanto corava levemente.
-São para você – falei depois de engolir em seco, oferecendo as rosas – Não sabia qual sua flor favorita, então optei pelo tradicional.
-Agora acho que passo a amar rosas – ela respondeu em um tom baixo, aceitando o buquê com as mãos levemente trêmulas.
Ivy levou o buquê para perto de seu rosto e inspirou a fragrância de uma das rosas. O sorriso bobo que surgiu naturalmente em seus lábios me derreteram, mas quando ela me olhou com uma felicidade genuína de uma garota apaixonada eu senti que meu mundo inteiro poderia ser dela.
-Non ho mai avuto le rose – Ivy falou em italiano de forma distraída.
-Definitivamente irei tomar aulas de italiano.
-Nunca ganhei flores antes. Deixe-me guarda-las... Para onde vamos?
-Jantar.
Entrei no quarto dela, parecia ser ainda mais luxuoso que o meu. Por uma fração de momento aquela dúvida implantada em meu peito questionou-me se eu poderia sustentar uma mulher como aquela quando estivéssemos morando juntas, casadas... Mas ao pensar nisso um sorriso surgiu sem permissão. Até lá lutaria para ter dinheiro para atender os caprichos de minha mulher.
Ivy não demorou mais que dois minutos para guardar as rosas não sei bem a onde. Peguei em sua mão e enquanto caminhávamos para o meu quarto entrelacei nossos dedos. A italiana em nada comentou sobre estarmos tomando esse caminho, imaginava se ela pensava que estávamos indo apenas pegar minhas coisas. Não podia ter muita certeza, mas quando abri a porta do quarto e deixei que ela entrasse não pude evitar me deliciar com a surpresa que ficou estampada em sua bela face.
-Shay... Eu não acredito, como pode ser tão romântica? – Ivy comentou absorvendo cada detalhe com os olhos.
Fiquei sem jeito e desviei o olhar dos dela. A mesa estava forrada com um tecido vermelho, sobre ela estavam duas velas brancas de tamanho pequeno e em formato de coração. A iluminação estava baixa, deixando que as chamas fizessem o seu trabalho de uma tênue luz. Ao redor e espalhado pela sala também havia velas que alternavam em cores de vermelho e branco. Dei de ombros e aproximei da cozinha não querendo ficar vulnerável pela dúvida.
-Só queria algo especial – falei enquanto pegava o vinho e duas taças, ainda sem olhá-la – Mas também sou inexperiente nisso, nunca planejei algo do tipo então...
-Você acha que eu não gostei?
Ivy aproximou-se e novamente dei de ombros. Estava nervosa, mais nervosa do que qualquer outro momento em minha vida. Não tinha confiança nisso, era totalmente desconhecido e tinha medo de falhar. Não queria correr ou fugir, mas meu ímpeto naquele momento era de me esconder em algum lugar só para não ter de erguer os olhos e ver algum tipo de deboche ou recusa de Ivy. Irracional? Não fazia ideia, pois nunca tinha passado por isso antes!
-Shay Williams! – Ivy pronunciou-se perto de mim, fazendo-me olhá-la por puro instinto. Ela ergueu a mão e acariciou meu rosto enquanto sorria – É a coisa mais maravilhosa que já fizeram para mim. Ninguém nunca foi romântica comigo.
-Talvez por causa de seu jeito bravo? – tentei brincar apenas para relaxar.
-Stupida – ela brigou e ficou mais perto – Eu me derreto com essas coisas, não irei sair espalhando para todos isso!
Tentei segurar o sorriso, mas foi impossível. A puxei pela cintura e a abracei. Simplesmente precisava manter o corpo dela próximo do meu, deixando que meu coração batesse perto do dela. Estava ficando estupidamente apaixonada, sabia disso, mas não me importava. Ivy retribuía o abraço com carinho, apesar de que quando nos afastamos ela tinha um olhar confuso.
-Estou feliz que tenha gostado, mio amore – tentei explicar, um pouco tímida e escapei um pouco da situação – Bom, vamos jantar antes que esfrie.
Havia pedido coisas com massa, apesar de não saber o que eram na metade do tempo, era guiada mais pelos molhos. Felizmente Ivy havia aprovado os pedidos e me ajudou a levar a janta até a mesa, servindo as duas taças com vinho antes de sentar-se na cadeira a frente da minha. Ela estava particularmente linda essa noite, ou talvez fosse novamente meu estado atual de boba apaixonada intensificando tudo. A italiana usava um vestido azul de alças finas e com um laço branco na cintura. O cabelo castanho estava solto e com uma ondulação mais definida nas pontas, seus olhos azuis claros estavam destacados suavemente por lápis escuro.
-Já começou a chover – Ivy comentou olhando para a varanda – E a tempestade está se aproximando.
-Não gosta? – perguntei curiosa, levando a taça de vinho aos lábios.
-Fico um pouco incomodada, mas nada que leve a ser classificado como medo.
-Se quiser pode dormir comigo hoje.
Havia dito naturalmente, uma proposta apenas para confortá-la. Mas assim que notei o que disse não evitei um sorriso malicioso, Ivy o notou e retribuiu com um sorriso tímido, dando de ombros e distraindo o momento bebendo grandes goles do vinho. Porém não havia dito não!
-Shay, você sempre gostou de garotas? Nunca sentiu atração por homens? – Ivy mudou de assunto assim que terminou seus goles.
-Hum... Nunca me atraí pelos homens, apesar de saber apreciar alguns, o que é bastante raro. É diferente, quando via uma mulher bonita poderia torcer o pescoço só para poder olhá-la até desaparecer de vista – respondi sincera.
-Sempre foi mulherenga? – ela perguntou em um tom mais de reclamação do que de curiosidade.
-Ao menos sou sempre sincera. Nunca me comprometi a sério com nenhuma delas – soltei um riso divertido – No inicio, quando era apenas uma novata, eu babava por você. Mas logo desisti.
-Sério? Mas por quê?
-Porque era apenas uma riquinha mimada que não tardou a implicar comigo. Deus, você era tão abusada! Mas nunca deixou de ser linda, o que me irritava.
-Io non sono abusada! Você que era irritante! Totalmente fora de um ambiente e se dando o direito de ser melhor que eu sem se esforçar. Bom, ao menos eu pensava assim.
-E agora estamos em um jantar romântico em uma praia paradisíaca. Eu estaria rindo a semana toda se me dissessem isso no inicio do ano.
Encaramo-nos e começamos a rir até passarmos a realmente gargalhar. Era tão estranho pensar nisso dessa forma. As coisas simplesmente aconteceram, nossos destinos se entrelaçaram de um jeito a não ter mais retorno. Quando nos controlamos voltamos a jantar comentando coisas suaves da escola, revelando algumas pequenas coisas. Depois fomos até a varanda apenas para fugirmos um pouco mais do momento que a noite prometia. Estava chovendo e o vento que envolvia nossos corpos era gélido, o que me fez abraça-la apertado por trás, colando as costas dela em meu corpo.
Um raio passou por sobre o hotel, ramificando suas pontas e indo em direção ao mar. Foi questão de segundos, mas o suficiente para fazer Ivy encolher-se em meus braços e apertar suas mãos nas minhas. Dei um beijo gentil em seu pescoço tentando fazê-la relaxar, subi os beijos em direção ao ouvido dela para sussurrar.
-Não precisa ter medo, é algo bonito de ver – assim que terminei de falar o estrondo do trovão finalmente ressoou – Está protegida comigo. Sempre.
-Gosta mesmo de tempestades? Elas são tão brutais. Podem matar e destruir.
-Minha vida é uma tempestade. Imagine como se estivesse lutando contra um vendaval, às vezes sendo derrubada, outras simplesmente perdida na correnteza. Os raios sempre são o anúncio de um trovão, mas são iluminados e bonitos. Nem tudo que é intenso significa algo ruim.
-Além de romântica uma filosofa?
-Sou um pacote completo!
Ela riu baixo e dessa vez encarou o raio quando este veio, mas não deixou de encolher quando o estrondo do trovão veio mais alto do que o outro. Ficamos observando a tempestade em um silêncio gostoso, deixando que o som das ondas agitadas e a tempestade fosse a nossa música. Eu poderia passar o resto da vida com ela em meus braços, enfrentando a tudo e a todos. Ao menos era nisso que acreditava no momento. Poderia ser mais forte se a tivesse, se tivesse o amor dela.
-Ivy – voltei a murmurar no ouvido dela, a vi arrepiar quando chamei o nome. Engoli em seco e com a voz mais emocionada do que eu havia previsto revelei – Eu te amo.
Um relâmpago completou a minha declaração, iluminando a tudo. Ivy demorou a mover-se em meus braços e virar o corpo para mim. Seus olhos azuis estavam mais escuros e intensos, novamente eu estava mergulhando naquele mar azulado, mas dessa vez ansiosa, esperando uma reação dela.
-Shay eu...
Mas o que for que ela fosse falar a luz de todo o hotel foi apagada e Ivy prontamente se jogou em meus braços no susto. Provavelmente houve uma queda de energia, assim como provavelmente o hotel teria um gerador para essas ocasiões. Ri um pouco nervosa, minha italiana parecia uma menina amedrontada. Passei a mão por seu cabelo e a tirei da varanda, segurando-a ainda perto do meu corpo e indo para a sala onde tinha as velas.
-Parece que foi uma boa ideia – comentei ao pegar uma vela vermelha – Vamos para o quarto, fecharei as cortinas para que você não veja a tempestade e relaxe um pouco, ok? Prometo me comportar.
Ela apenas assentiu, o que me decepcionou já que não queria me comportar. Fui à frente para o quarto e posicionei a vela ao lado do cômodo perto da cama, assim como prometido fechei as cortinas enquanto Ivy deitava na cama, perto da vela. A olhei por um momento, o vestido havia subido um pouco mostrando as pernas dela, aquela coxa que havia apertado e arranhado mais cedo. De repente os momentos quentes que passamos na cachoeira invadiram meus pensamentos, cada detalhe sendo quase sentido novamente. Engoli em seco e fui para a cama tentando afastar a tentação de minha mente. Para seguir essa meta deitei um pouco afastada e de costas, encarando o teto tentando pensar em coisas mais triviais.
Mas como se não notasse a pequena batalha que eu travava, Ivy aproximou seu corpo do meu e pousou um braço em minha cintura, deitava a cabeça em meu ombro e dava um pequeno beijo em meu pescoço. Respirei fundo, apenas para ser invadida pelo perfume dela, o que eu mais gostava. Fechei os olhos com força e me limitei apenas em levar a minha mão até o cabelo dela para acariciar em um terno cafuné. Porém Ivy não parou, ela novamente colou os lábios em meu pescoço e o sugou de forma suave, mas sendo o suficiente para me arrepiar por inteiro.
-Ivy, assim fica difícil que eu me comporte – reclamei em um fio de voz.
-Eu não disse que deveria. E muito menos comentei que eu iria me comportar.
A olhei surpresa apenas para ver um sorriso pequeno, mas malicioso. Antes que pudesse me recuperar Ivy ajeitou-se ao meu lado para poder levar os lábios aos meus em um beijo tímido e calmo. Suspirei desarmada, a puxando delicadamente para cima de mim, a abraçando apertado e entreabrindo os lábios para deixar o beijo mais profundo. Deixei que ela dominasse, que explorasse minha boca, mordesse meu lábio e sugasse minha língua. Estava indo pouco a pouco afogar-me em um desejo que aumentava em proporções enormes para simples gestos. Eu a desejava, sempre desejei. Como em uma maldade, Ivy interrompeu o beijo e sentou sobre minha barriga, as pernas dobradas ao lado de meu corpo.
-Volte a me beijar – murmurei em uma ordem.
-Non, voglio di più – ela negou com a cabeça, sorrindo mais segura de si.
-Sinto que acabou de dizer que irá se aproveitar de mim.
Ela sorriu, um sorriso misterioso e travesso ao mesmo tempo. Quando vi as mãos dela indo até a barra do vestido e a erguendo lentamente senti como se o mundo inteiro parasse. Minha respiração ficou pesada e meu olhar fixado nos movimentos dela, meu coração? A mim não mais pertencia, pois estava batendo contra meu peito tão forte que parecia querer saltar para fora. Observei o corpo sendo revelado aos poucos, a perna, a cintura fina, a barriga lisa... Ela não usava sutiã, o forro de seu vestido permitia essa façanha. Minha boca se encheu de água ao apenas pensar que a morderia, a sugaria, a lamberia... A faria minha.
A italiana inclinou sobre meu corpo, roçando os seios sobre os meus, seu corpo quente quase deitando sobre mim. Ela levou os lábios até o meu ouvido, mordendo o lóbulo e passando a ponta da língua contornando minha orelha. Apenas para sussurrar da forma mais sexy:
-Voglio fare l'amore con te. Tutta la notte – apesar dela estar falando italiano meu corpo inteiro estremece, era excitante de uma forma que eu não poderia descrever – Dessa vez disse que quero fazer amor com você, toda a noite.
Voltei meu rosto em direção ao dela. Minha respiração se mesclou com a da garota, estávamos arfando apesar de nenhum movimento ser feito. Nossos olhos se encontravam em um momento intenso, espelhando um no outro desejo, luxúria e carinho. Suspirei sem conseguir conter-me e tomei os lábios dela com os meus. Eu a farei minha como nunca havia feito com nenhuma outra garota, porque dessa vez iria doar-me por completo.
Notas finais
E como vocês tão de preparação pra carnaval? Acho que ficarei sozinha, forever alone em casa ç.ç
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