Simplesmente
13 Capítulo 13: Primeiro Encontro
Notas iniciais
PS: Eu fico mega tímida quando posto coisas mais quentes (fikdik desse capítulo). Acho que vou infartar na hora que postar o orange porque fico com receio do que vocês vão achar kkkkkkkk
Pov Ivy
Os dias foram passando e as coisas foram se ajeitando de acordo com a recuperação de Shay. No final de semana ela já estava trabalhando de novo no Fuego, ela não queria perder dinheiro e apesar de parecer aquelas pessoas viciadas em trabalho fui descobrir sem querer que a mensalidade de Sean estava perdendo a validade e ela logo teria de pagar. A acompanhei apenas no sábado, no domingo passei o dia com minha família.
Na segunda-feira tive um jantar de negócios a acompanhar meus pais. Foi mais um dia sem ver Shay. Eu não conseguia passar mais de uma hora sem mandar uma mensagem para ela, ou ligar, ou manter qualquer tipo de contato. Estar tão longe por mais de 24h era como uma dor invisível constante! Deus, estava viciada naquela garota e eu não queria uma cura. Na terça-feira, por tudo que era sagrado, Shay não iria trabalhar a noite e iriamos sair para passar um tempo juntas. Isso era como um bálsamo para minha saudade! Passei a manhã toda praticamente pensando no que vestir, um pequeno período da tarde indo ao salão de beleza para cuidar um pouco de minha pele, unhas e cabelos. Sei que para Shay poderia ser exagero, mas eu queria estar simplesmente perfeita para ela.
Já estava no banho para poder me arrumar e finalmente ir para o shopping, onde havíamos combinado de assistir a um filme e jantar fora. Era um encontro. UM ENCONTRO. Todas as outras vezes parecia algo meio que forçado ou obra do destino, mas dessa vez era algo só meu e dela. Eu estava nervosa, ansiosa, contente, parecendo estar indo para o meu primeiro encontro. Mas talvez fosse. Meu primeiro encontro com minha namorada. Ah, só de pensar nisso eu sentia pequenos arrepios. Eu estava cantarolando quando sai enrolada em uma toalha vermelha do banheiro. Mas tudo parou, inclusive meu coração, quando eu vi sentado em minha cama meu irmão com meu celular na mão, com uma expressão terrivelmente séria. Eu estava congelada no lugar.
–Vou perguntar apenas uma vez. Quem é Shay? – Fred, meu irmão mais velho, perguntou olhando do celular para mim.
–Uma garota – respondi automaticamente, sentindo que iria morrer ali mesmo. Ele havia descoberto!
–E essa garota é sua namorada? – Fred perguntou em tom baixo, como se tivesse medo de que outros escutassem.
Por Deus! O meu mundo poderia acabar ali mesmo. Fred tinha o cabelo loiro, bem cortado e o porte de meu pai, alto e forte, mais sedutor e charmoso do que lindo, mas as outras coisas compensavam bastante. Engoli em seco e Fred mexeu mais uma vez no meu celular, mostrando logo depois uma foto em que Shay beijava meu rosto e eu sorria toda boba tirando a foto. Foi um dos dias em que passei na casa dela quando ela havia saído do hospital, não tínhamos nada para fazer e eu queria algo para olhá-la quando estivéssemos longe uma da outra. Só me restou dizer que sim com a cabeça.
–Mio Dio! – murmurou Fred incrédulo – Você sabe na confusão em que está se metendo?
Por sorte a porta de meu quarto estava fechada. Era o horário em que minha mãe chegava de suas reuniões ou sessões. Eu estava tremendo, sem saber o que fazer. Estava a momento atrás feliz da vida por sair com Shay e no outro momento estava frente a frente com meu irmão que havia descoberto tudo.
–Eu não pude evitar – disse em puro italiano – Eu tentei, ela até tentou me afastar. Mas foi mais forte que tudo. Eu a amo, irmão, amo como nunca amei alguém em minha vida. É mais profundo do que eu poderia tentar. Por favor, por favor, não conte nada a papai ou a mamãe, eles não entenderiam ainda e tentariam me proibir.
Fred respirou fundo e passou a mão sobre a cabeça bagunçando o seu cabelo loiro. Ele me olhou sério, como se esperasse que eu vacilasse. Mas então ele fez tudo o que eu menos esperava. Começou a rir. Eu fiquei confusa, mas aliviada. Se ele estava rindo era porque não podia ser algo sério, não é?
–Claro que não contarei minha irmã – ele respondeu também em italiano – Mas preciso conhecer essa garota e pelo jeito que está produzida aposto que vai se encontrar com ela. Você tem certeza disso mana? Que deseja namorar uma garota? Sabe como isso é difícil e que ainda há muito preconceito. Vai ser forte?
–É mais difícil ficar longe dela – suspirei pondo uma mão no meu coração – Eu tenho passado por tanta coisa esses últimos dias. Vi Shay ser discriminada, o irmão dela por ter uma irmã lésbica e sei que isso pode acontecer comigo, porque vi isso acontecer bem a minha frente. Não sei se vou ser forte o suficiente, mas sei que se não for, Shay vai ser minha força.
–Essa garota te conquistou mesmo. Quero conhece-la, vou leva-la ao seu encontro e ficar apenas um pouco, apenas o suficiente ok? Quero ter certeza que essa garota não vai machucar minha pequena irmã.
Revirei os olhos, mas novamente estava feliz. Poder dizer essas coisas, dizer que a amava para alguém era tão... tão... surreal e incrível. Era como se pudesse gritar para o mundo todo que estava feliz e apaixonada. A sensação era maravilhosa e agora eu entendia as loucuras de amor, era uma forma de extravasar todo esse sentimento e não morrer sufocado de tão intenso que ele é. Fred saiu do meu quarto e eu retornei a me arrumar, com mais pressa do que antes.
Minha roupa era um charmoso vestido branco. Ele tinha as mangas caída nos ombros e era relativamente curto, dois palmos acima do joelho. Ele era justo em minha cintura, definindo bem minhas curvas e mostrando que tinha uma barriga lisa. Usei sapato salto alto agulha vermelho, sabia que ficaria mais alta que Shay, mas isso em nada importava. A maquiagem era suave e o perfume que usava era o predileto de Shay, o que usava na festa de Barbara. Era o mais fraco em comparação aos outros, mas segundo Shay o perfume se misturava com meu cheiro próprio o deixando mais gostoso do que já era. Deus, havia como ficar mais boba do que já estava?
Quando sai do meu quarto e fui para sala, Fred já me esperava. Ele sorriu dizendo que estava linda e me levou até seu carro, uma Ferrari conversível preta. Enquanto ele dirigia para o shopping me fazia perguntas sobre Shay e apesar de ter receio de contar sobre sua vida, eu revelei algumas coisas. Não que eu me envergonhasse, mas sim por pensar que ela poderia ficar chateada por ter revelado algo sem a sua permissão. Contei sobre Sean, do emprego dela, dos planos de fazer arquitetura e de continuar trabalhando. Não foi a toa que Fred comentou:
–Ela é mesmo madura. Uma mulher já. Tem certeza que ela combina com você irmã?
–Está dizendo que ela é demais pra mim?!
–Não foi bem isso... Mas o mundo de vocês duas são completamente diferente. É como a dama e o vagabundo. Só que dessa vez é vagabunda. Mas o teor ainda é o mesmo. Ela já se sustenta, trabalha e tem planos como uma pessoa adulta. E você é jovem irmã, tem tudo o que quer em um estalar de dedos.
–Eu sei disso – comentei em um tom tristonho – Mas a bem da verdade, Shay nunca se aproveitaria de mim. Ela me fez andar de ônibus uma vez porque não queria gastar dinheiro com o táxi!
–Você andou de ônibus?!
–Aflita, mas andei. Não é tão ruim se você for em um horário bom e é terrivelmente barato. Ela está me fazendo amadurecer, para falar a verdade, não sou eu que estou fazendo diferença na vida dela, mas sim ela na minha. Puxa vida, só fui perceber isso agora. Até pensar em coisas baratas eu estou nesses dias!
–Ela está fazendo lavagem cerebral em minha irmã! Mio Dio!
Não pude evitar de rir. Mas descobrir aquilo mexeu mesmo comigo. Fiquei quieta o resto do caminho, um medo bobo e tolo crescia em meu peito. E se eu mudasse demais? Eu iria perder todo o meu luxo? Seremos realistas nessa ponderação, ninguém gostaria de perder o conforto com o qual nasceu, cresceu e até hoje vive. Estava com essa ideia em mente até chegar ao shopping. Estava com medo de encarar Shay e revelar que não queria perder a minha pose de burguesinha. Mas ao chegar ao ponto de encontro, enfrente a uma sorveteria eu a vi e tudo mudou drasticamente. Que isso tudo importaria se não tivesse ela? Shay estava tão linda! Usava uma calça jeans e allstar, como era de seu costume, mas a blusa branca era nova, assim como o seu colete feminino preto listrado, com apenas três botões na frente. E ela estava usando aquele chapéu fedora que usara na festa de Barbara deixando o cabelo mais repicado do que já era. Ela estava distraída tomando um sorvete de casquinha, lutando para não se melar. Tão estilosa, tão linda, tão minha!
–Shay! – chamei sentindo o meu coração disparar do nada.
Ela ergueu o olhar rapidamente e ao me encontrar sorriu. As covinhas que eu tanto amava apareceram dando um encanto maior a menina. Era tão linda, mas tão linda! Eu não conseguia parar de pensar isso, estando simplesmente encantada. Andei a passos largos e rápidos até seu encontro. A abracei forte enquanto Shay lutava para manter o sorvete em segurança e me abraçar ao mesmo tempo.
–Você vai me esmagar italiana – ela reclamou em tom de brincadeira – Quem diria que tinha essa força toda?
–Você está linda! – ignorei todo o comentário anterior – Eu não resistir, apesar de que na verdade queria te beijar e limpar o canto de sua boca, está sujo.
–Hum, mais tarde que tal? – Shay sorriu provocativa enquanto limpava a boca com o polegar e o colocava na boca.
–Mais tarde minha querida irmã estará em segurança em casa – Fred interrompeu, com aquela voz grave que ele tinha.
Shay saltou para longe surpresa, olhando de mim para o meu irmão. Eu sorri para tentar lhe passar confiança, mas ela me olhou mais desconfiada ainda. Fred se aproximou e esticou a mão para se apresentar.
–Irmão mais velho de Ivy, Fred. Eu acabei descobrindo tudo, minha irmã estava no banho e eu estava passando para poder falar com ela quando o celular dela tocou. Não reclame comigo, sou irmão mais velho e tenho todo o direito de me intrometer. Era uma mensagem sua e como dever de irmão fui olhar o resto e... Bem, já pode imaginar.
–Ele quase me matou de susto – reclamei revirando os olhos – Pareceu que iria me dedurar e tudo o mais. Fred insistiu em vim te conhecer, não pude impedir.
–Ah, isso. Ahn... Sinto muito por ter roubado sua irmã – Shay sorriu divertida e simpática – Podemos inverter a programação Ivy, comemos algo com seu irmão, conversamos e pegamos a ultima sessão de cinema.
–E depois minha irmã em casa, meia hora depois que o filme terminar – Fred disse protetor.
–Largue de ser chato! Eu quero passar um tempo com minha namorada, ela trabalha eu já te disse! – reclamei realmente zangada.
–Estou cuidando de você irmã. É isso ou nada. O que prefere?
–Você longe daqui, isso que eu prefiro.
Shay acabou rindo, terminando de tomar o seu sorvete e como havia se sujado novamente teve de ir à sorveteria pegar guardanapos para se limpar. Definitivamente brincaria com ela de tomar sorvete, mas não de um jeito tão inocente. Meu corpo arrepiou com o pensamento, mas felizmente ela voltou e logo estava do meu lado, andando pertinho de mim já que não podia segurar a minha mão.
–Vamos jantar onde? – Shay perguntou olhando diretamente para Fred – Já que é o convidado especial, você escolhe.
–Eu gosto do restaurante oriental que tem aqui. E vai ser tudo por minha conta. Não, não quero um A contra isso, entendido srta. Williams?
–Agora sei onde a Ivy aprendeu essas coisas – Shay revirou os olhos e respirou fundo – Olha, só dessa vez ok? Não vejo problema algum em rachar a conta. Posso me garantir também.
–Tudo bem. Agora porque não me fala mais sobre seus planos sobre a faculdade? Já tem alguma em mente?
–Nenhuma em si, estou indo atrás das que oferecem bolsas. Claro que uma de grande nome sempre tem preferência. Mas acredito que todas oferecem ensino, algumas você tem de se dedicar mais individualmente do que outras para poder fazer a diferença e crescer já que não tem grande renome. Um diploma não deixa de ser um diploma.
Sorri com a resposta dela. Tão prática e esforçada. Ao chegarmos ao restaurante, meu irmão fez um interrogatório completo. A situação ficou estranha apenas uma vez, quando ele perguntou sobre os pais dela. Ela apenas respondeu que moravam longe e eu tratei de mudar de assunto. Fred provavelmente deve ter notado o desconforto a mesa e logo fingiu notar nada. Eles realmente passaram a se dar bem quando começaram a falar de esportes. Nesse momento eu tive certeza do quão moleca Shay era pois ela sabia argumentar tudo com meu irmão, desde times de basquete a futebol. Porém o melhor foi vê-la tentar comer com os hashis, os palitos orientais.
–Não, mio amore, assim – tentava instruí-la ajeitando os dedos sobre os hashi.
Ela respirou fundo e tentou pegar um pedaço de kani sobre a bandeja de aperitivos que havíamos pedido. Porém o pedaço ergueu apenas alguns centímetros da mesa para escapar. Shay resmungou alto me fazendo rir.
–Tem certeza que essas coisas não estão vivas?! – ela reclamou fingindo zanga, então pegou apenas um dos palitos e fincou na carne branca do kani – Escape agora maldito, morra na minha barriga!
Foi difícil controlar o riso naquele momento, nem mesmo Fred conseguia. No final não deixamos nem que Shay visse a conta, já que ela poderia ficar mal por ter sido relativamente cara do ponto de vista dela. Como prometido Fred pagou a tudo e na saída começamos a nos despedir.
–Eu vou voltar para casa e rever alguns relatórios. Eu venho te buscar mana – ele anunciou.
–Largue de ser chato! – implorei para ele fazendo beicinho.
–Não, você é menininha e essa mulher pode se aproveitar de você – Fred brincou e suspirou – Apenas dessa vez, papai vai estar em casa cedo, ele me ligou avisando. Melhor evitar ok? Se comportem.
Acenamos e assim que ele se afastou Shay começou a rir, olhando o chão para evitar o meu olhar inquisitivo. Eu tive de segurar o ombro dela e empurrá-la de leve para fazer com que prestasse atenção em mim.
–O que foi dessa vez? – inqueri desconfiada.
–Você uma mocinha inocente? – ela repetiu já rindo alto – E eu a aproveitadora! – então ela inclinou para poder sussurrar ao meu ouvido – Quando você me pega é com uma vontade arrebatadora que mal podemos parar, não é?
Eu corei e arfei, a empurrando novamente para que se afastasse e eu não fizesse exatamente o que ela estava insinuando. Shay riu novamente e tirou seu chapéu o pondo em minha cabeça. Sorri de forma boba e ajeitei o cabelo dela antes de começarmos a ir para o cinema. Escolhemos o primeiro que se encaixava com a hora, já que tínhamos apenas o tempo do filme para ficarmos juntas, a ultima coisa que iriamos fazer era assisti-lo. Mesmo assim Shay comprou pipoca e refrigerante.
Felizmente a sorte estava do nosso lado. O cinema não estava muito cheio e havia fileiras vazias. Fomos para as ultimas cadeiras do canto mais afastado. Ninguém sentou do nosso lado e logo as luzes começaram a apagar o trailer passou a ser exibido. Shay fora mais rápida do que eu, levantou o encosto do braço que nos separava e sentou colada a mim pela lateral. Suspirei ao sentir o braço dela ficando sobre o meu ombro e ao me puxar para mais perto não hesitei em ceder. Não houve nenhuma palavra dita, pois ela roubara meus lábios para si em um beijo que já começara em uma intensidade que me fazia arfar e estremecer em seus braços. Daquela vez não havia nem ao menos cogitar em brigar pelo comando, a deixei invadir minha boca e me enlouquecer com a sua língua, coisa que ela sempre fazia com uma maestria incomparável a qualquer outro beijo. Ela brincava, provocava, mordia e sugava tudo isso em um único e longo beijo! Separamo-nos apenas quando alguém gritou de susto com uma bomba que explodiu no filme. Que por acaso já havia começado.
–Nada aproveitadora – brinquei ofegante.
–Não me provoque – riu Shay ajeitando-se melhor no banco e abrindo o refrigerante – Você lembra pelo menos o nome do filme?
–Não faço ideia – falei já rindo da situação.
–Parece que é ação, isso é bom, muito barulho para que nos escutem – Shay sorriu maliciosa ao olhar para mim e rapidamente roubou um selinho – Senti tanta sua falta, nunca estive tão ansiosa para que uma sexta-feira chegasse mais rápido.
–Irá ser perfeito – murmurei com um sorriso bobo nos lábios.
Ela também sorriu de forma igual, eu não pude resistir a inclinar o rosto e começar a depositar pequenos beijos no pescoço dela. De inicio começaram inocentes, mas ao vê-la arrepiar e encolher um pouco no banco, não pude deixar de morder e lamber de forma suave, apenas para provoca-la. Eu tinha vontade de deixar uma marca forte ali, para que todos vissem, mas nada pude fazer por ter de manter as aparências. Quando Shay não suportou mais, segurou meu rosto e o puxou para outro daqueles beijos enlouquecedores, longos e intensos. De forma ousada, Shay deslizava a mão pelo meu corpo, acariciando minha cintura, quadril, apertando minha coxa e adentrando o meu vestido logo tocando a pele com sua mão um pouco fria por causa do ar-condicionado forte do cinema. Eu arrepiei completamente, gemendo abafado por causa do beijo. Meu coração havia disparado mais ainda quando senti meu corpo estremecer e esquentar com os toques dela.
–Eu tenho de me controlar um pouco –Shay interrompeu o beijo e balançou a cabeça – Deus, você me deixa louca.
–Ma io non fiz nada – murmurei ofegante, ajeitando meu vestido para me recompor.
–Só nasceu muito linda, atraente e me perdoe, mas muito gostosa. E fez o favor de usar o perfume que gosto, eu estava ficando embriagada só de senti-lo – Shay falou olhando para mim de forma intensa – Eu juro que um dia te morderei toda e que vai gostar de cada mordida.
–Pare com isso! Você disse que iria se comportar – reclamei me sentindo corar, mesmo que ela não estivesse me tocando, aquelas palavras mexiam comigo de forma similar.
Shay riu e bebeu mais um pouco do refrigerante. Tentamos prestar atenção no filme por cinco minutos, apenas para ver trocas de tiro entre personagens que não fazíamos ideia de quem eram. Então tentei pegar o refrigerante da Shay e por obra do destino ao mesmo tempo em que ela. Quando nossas mãos se tocaram ela suspirou, me olhou de um jeito safado e eu soube que me atacaria. E ela o fez. Beijou-me novamente, daquela mesma forma veemente que me fazia entrar em frenesi. Dessa vez ela demorou a me tocar, mas quando o fez a mão que estava em meu ombro e foi descendo... Até encontrar meu seio por sobre o vestido. Senti como se tivesse levado um pequeno choque de prazer, o gemido abafado que soltei pareceu apenas incentivá-la a apertar e começar uma massagem lenta que me levou ao delírio. Daquela vez, eu que interrompi o beijo e segurei a mão dela. Meu corpo estava estranhamente quente e terrivelmente excitado.
–Eu vou ao banheiro... E você não vai me seguir – falei entre ofegos, estava sem ar ainda – Merda Shay, você me deixou em um estado crítico.
Ela apenas riu e me soltou, lançando-me um olhar de pura luxúria. Eu não tinha dúvidas que se deixasse haveria pouca razão que nos segurasse a não fazer algo muito escandaloso ali mesmo, no cinema. Eu não compreendia todo esse fogo, esse desejo incontrolável. Desci rapidamente e sai do cinema quase correndo para o banheiro. Ao entrar, fui para a primeira pia refrescar o meu rosto. Minhas mãos tremiam e ao me olhar no espelho vi como meus lábios estavam levemente inchados por causa dos beijos. Meu corpo ainda implorava por ela, pedia para saciar aquela fome que havia sido descoberta e que clamava por um pouco mais de Shay. Respirei fundo e molhei meu rosto novamente, precisava manter o controle, todo o controle do mundo.
Quando eu voltei, Shay terminava de beber o refrigerante e me sorriu de forma mais carinhosa. Ao sentar, ela apenas envolveu meu corpo com o braço para me manter perto e fingiu assistir o filme. Os beijos que trocamos depois foram calmos, longos e cheios de carinho. Sempre que ameaçava ficar mais forte, uma de nós separava e comia ou bebia algo. Foi o suficiente para tornar aquilo um encontro bobo e ligeiramente romântico. Eu adorava esses beijos longos da Shay, pareciam eternos e me faziam perder noção até mesmo de mim. Ficamos namorando daquele jeito até o filme acabar, o que em minha opinião foi muito rápido. Tive de ligar para meu irmão como prometido e brigar um pouco com Shay para que ela aceitasse carona, não iria deixa-la ir de ônibus tão tarde da noite! Ela seguiu no banco traseiro e a todo o momento conversava com o Fred como se fossem velhos amigos.
O carro estacionou na humilde casa dela e não pude deixar de notar o olhar que meu irmão dava a residência. Eu havia me acostumado tanto com isso que já não me importava mais, porém aos olhos de outra pessoa, o que estaria pensando naquele momento? Shay interrompeu meus pensamentos ao bater no vidro de minha janela. Eu rapidamente o abaixei e a vi abaixar um pouco para ficar a minha altura.
–Quando chegar em casa me mande mensagem ok? – ela pediu em um tom um pouco sério.
–Como sempre, il mio amore – murmurei com um sorriso.
Ela me deu um selinho e acenou para meu irmão antes de partir para casa. Eu a observei até entrar pela porta e sumir. Suspirei alto e voltei a sentar direito com um sorriso apaixonado estampado em meus lábios.
–Ivy, você está com uma cara de idiota apaixonada que é de dar dó – Fred provocou.
Dei um tapa nele e acabei rindo. Mas uma coisa ele estava certo. Eu estava apaixonada. Só esperava não ser uma idiota por causa disso.
Notas finais
Então o que vocês acham? Está bom do jeito que está ou padronizo um pouco?
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