Simplesmente

10 Capítulo 10: Pedido


Notas iniciais
Bom, só para animar a galera e tirar desse clima ruim, eu vou postar o capítulo. Viram como eu sou um amooooor de pessoa? kkkkkkkk
Ah, ESSE SIM é o capítulo que dedico a Duuh, já que não posso mandar uma camisa autografada (sim ela é exagerada).

Pov Shay


Demorei mais três dias no hospital, em observação para que os médicos tivessem certeza de que estava tudo ok. Provavelmente isso só estava acontecendo pelas ameaças que Ivy fazia. Alejandro brincava que ela era como uma felina, pronta para morder qualquer um que não fizesse as coisas direito comigo. Eu ainda estava um pouco incomodada, mas estava bem mais apaixonada para ligar muito para isso. Alejandro me levava para casa, do meu lado Sean não cansava de contar como Ivy parecia brava quando chegou e de como gostava dela.


Os médicos me deram ainda uma semana de repouso. Logo depois faria uma segunda chamada para a prova de matemática e voltaria ao meu trabalho. Nas férias era quando conseguia arrecadar mais dinheiro ainda, trabalhando em tempo integral, podia fazer festas durante o dia e tudo o mais. Quando cheguei a minha casa, Alejandro teve de me ajudar a sair, não tive dinheiro para comprar apoio e não quis comentar nada com Ivy, ou seria mais um problema que ela pagaria.


–Graças a Deus, não aguentava mais aquele cheiro enjoado de hospital – murmurei enquanto abria a porta de minha casa.


Mas então outro cheiro surgiu, como se fosse o molho mais delicioso do mundo. Assim que a porta se escancarou, Henry, Lindsay e Brandon vieram me saldar e me abraçar. Eu estava surpresa, mas ria deles que se batiam para poder ficar mais tempo comigo.


–Deixem de atormentá-la! – Ivy falou atrás em uma ordem absoluta.


Eles saíram da frente e eu a vi pondo uma bandeja de salada na mesa. Só então eu vi que o almoço estava completamente servido. Havia refrigerantes e algo que cheirava tão bem que me fazia ter fome.


–Não acredito que fez tudo isso – falei com um sorriso bobo.


–Claro que io fiz! É a comemoração por sua volta. Cozinhei a maior parte das coisas aqui. Não ouse reclamar nem um pouco! – Ivy disse pondo as mãos na cintura.


Ela estava linda em um vestido rosado e sandálias rasteiras. O cabelo longo estava trançado e quase não havia maquiagem no rosto. Eu? Estava um trapo, usando calça velha e uma blusa larga sem estampa nenhuma.


–Agora vamos todos comer! – Lindsay interrompeu o momento.


Dessa vez Brandon que me ajudou a sentar a mesa. Só então vi que eram vários tipos de massa, desde macarronada à lasanha. Eu podia sentir minha boca salivar só de olhar aquela comida farta, minha mesa há muito tempo não ficava daquele jeito. Se reclamei? Nem um pouco, nem perguntei como Ivy havia conseguido aquilo tudo, apenas devorei a tudo que tinha na minha frente até sentir que minha barriga iria estourar de tanta comida.


–Isso foi um banquete! – exclamei satisfeita, mal contendo um bocejo – O que vamos fazer agora? Tenho jogos de tabuleiros e...


–Nada disso. Você vai descansar. Se me lembro bem o médico disse que os remédios dão sono – Ivy me interrompeu ao mesmo tempo em que levantava da cadeira – Vamos.


–Isso é desculpa para ficar sozinha com a Shay – brincou Lindsay.


Quando pensei que Ivy fosse repreender a amiga, ela só levou o dedo indicador aos lábios como se pedisse silêncio, pois aquilo era segredo. Dessa vez me apoiei o mais perto possível da pessoa que me ajudava, passando o braço sobre os ombros de Ivy enquanto ela passava o braço dela em minha cintura.


–Você é incrível – sussurrei no ouvido dela enquanto abria a porta de meu quarto e fiz uma careta – Não ligue para a bagunça ok? Eu não estava aqui e tudo o mais.


Minha casa era simples. Dois quartos, um banheiro, cozinha e sala de jantar espaçosa, com direito a mais um cômodo para o único sofá que tínhamos e a televisão junto com o videogame do Sean. Meu quarto era talvez o mais modesto dos cômodos por não ligar nem um pouco para isso. Havia uma cama casal que mesmo assim era pequena para o tipo, um armário ao lado e mais a frente, no canto esquerdo havia uma mesa de escritório com meu computador e alguns livros. Nada mais que isso.


Ivy me ajudou a ir para a cama e assim que eu deitei gemi mais por saudade de minha cama do que por dor. Mas Ivy não sabia disso e logo estava me olhando preocupada. Sorri e a puxei para perto, a fazendo deitar em minha cama ao meu lado.


–O que seus pais disseram sobre tudo isso? – perguntei curiosa e um pouco preocupada.


–Io contei que passaria uns dias na casa de Lindsay e de outros amigos. É férias para mim já e vou aproveitar com os amigos. Eles não monitoram a minha conta, então posso comprar um tanque de guerra que eles não saberiam – Ivy respondeu deitando de lado para poder ficar me olhando – Agora descanse, va benne? Você precisa.


–Eu irei, mas não agora.


Ergui minha mão esquerda, cujo braço estava intacto, e levei até o rosto dela. A pele era tão macia e perfeita que eu podia me arrepiar só de tocá-la. Vi Ivy suspirar e fechar os olhos para sentir minha carícia. Aquela menina era minha, mas tão minha que não havia lógica no mundo a não ser essa. Segurei o queixo dela e com delicadeza trouxe o rosto para mais perto de mim. Só então a beijei, um beijo calmo e carinhoso, lento e intenso ao mesmo tempo. Ivy suspirou antes de entreabrir os lábios e deixar que eu explorasse a sua boca. Ela foi inclinando até que eu estivesse deitada direito na cama e ela quase sobre mim. O beijo continuava em um ritmo que me fez perder a noção de tudo, tempo e espaço, o que restava eram apenas as sensações que rondavam meu corpo e aquela boca italiana.


–Shay... – Ivy interrompeu o beijo.


–Namore comigo – a interrompi rapidamente, abrindo os olhos e a fitando tão perto – Mas responda só quando eu sair da hipnose de seus olhos azuis ok?


–Boba – Ivy sorriu e me deu um longo selinho – Espere, me pediu em namoro?


–Com todas as letras. Devia ser mais romântico, eu sei, mas... Eu não quero esperar, não quando posso te ter para mim, só para mim. Mais ninguém. Nenhum marmanjo ou piranha.


–Ah vamos falar de piranhas? Tipo aquelas que ficam ao seu redor no bar e na escola?


–Eu não vejo nada disso.


–Poupe-me! Juro que tem umas que ficam até perseguindo seus passos de longe. Io vou partir a cara de todas.


–Eu não duvido. Ainda mais sendo minha namorada, tem todo o direito.


–Sua namorada? Não me lembro de ter aceitado.


–Não aceita? Quer voltar a fala das piranhas? Talvez eu até me lembre de alguma...


–SHAY WILLIAMS!


Ri alto e a puxei para mais um beijo. Ela tentou lutar, mas não liguei. Invadia a boca de Ivy sem pedir permissão, dessa vez a beijando com uma volúpia e vontade enorme. A italiana não demorou a se entregar por completo, gemendo baixinho contra meus lábios e começando a mover a língua contra a minha em busca de espaço e carícias. O beijo foi ganhando proporções que fugiam ao meu controle, eu me perdia na intensidade, apenas me entregava com uma necessidade de mais e mais. Minha mão passeava pelas costas dela, às vezes em uma carícia suave com as pontas dos dedos, outras com a mão espalmada, pressionando a cintura, acariciando o quadril, arranhando a pele de forma suave e com posse. Podia sentir meu corpo arrepiar e estremecer todas as vezes que ela movia-se sobre o meu, a cada movimento que ela fazia no beijo. Eu estava mais quente que nunca, excitada por um beijo de uma forma que nunca havia acontecido antes. Mas então sem querer a perna de Ivy pressionou minha coxa machucada, a dor me fez parar o beijo e gemer de forma desgostosa, fechando os olhos com força enquanto esperava aquela fisgada maldosa passar.


–Scusa! Scusa! – Ivy disse saindo de cima de mim – Io não fiz por mal, scusa!


–Tudo bem, tudo bem – respirei fundo tentando controlar a dor, mas era um pouco complicado – Por um beijo seu acho que aceito até outra...


–Non, non! – Ivy interrompeu – Você vai descansar, precisa para se recuperar.


–Mas eu quero seus beijos – implorei fazendo biquinho.


Ivy me deu um selinho e não pude evitar um riso baixo, ela me puxou com carinho para que eu deitasse a cabeça no ombro dela. O perfume dela me acalmou como um anestésico, eu mal sentia dor nenhuma estando tão perto dela. E de pensar que eu quase a perdi por causa de um medo que em nada valia em comparação a isso.


–Eu gosto de seu cheiro – murmurei voltando a ficar sonolenta.


–Só de mio cheiro? – ela começou a acariciar meu cabelo.


–Seu corpo é quentinho também, e todo macio... E muito lindo. Você é a mulher mais linda que já vi. Gosto quando começa a falar italiano, mesmo que não entenda nada, você fica mais expressiva ainda. Além de ficar fofa.


–Va benne, já entendi! – Ivy me interrompeu e quando ergui o olhar ela estava corada.


–Como diz minha garota em italiano? – indaguei boba.


–Hum... Mia ragazza, ou mia bambina – Ivy tentou responder contendo um sorriso em vão – Ma io prefiro que me chame de outra forma.


–E como seria?


–Il mio amore... Meu amor. Não é assim que namoradas deveriam se chamar?


Meu coração disparou bobamente. Ela havia aceitado! Eu sabia que ela diria sim, ela estava fazendo isso tudo por mim, havia superado a nossa briga, mas ainda assim escutá-la era completamente diferente. Me deixava eufórica, extasiada e aliviada. Inclinei o meu corpo um pouco, o suficiente para poder sussurrar no ouvido dela:


–Mio amore... Mia ragazza... Minha.


Murmurei a ultima palavra cheia de posse e lentamente. Vi os pelos dela arrepiarem depois que mordisquei de leve a orelha. Só então me aconcheguei para poder descansar e finalmente dormir. Foi o melhor sono que já tive, estava nos braços dela afinal.

Notas finais
E agora que eu faço da minha vida sem vocês? (8) sahuashusahsauh obrigada pelos reviews, eu sinceramente pensei que ninguém leria a nota final. Então resolvi dar esse presente para vocês. Amanhã tem mais sz