Simplesmente

7 Capítulo 7: Fuego


Notas iniciais
Como prometido dose dupla hoje. Esse ficou grande mas é muuuuito bom em minha humilde (não tanto) opinião. Se divirtam =D

Pov Ivy

Eu simplesmente não suportei vê-la sendo humilhada daquela forma por seres tão inferiores a maturidade dela. Eles não sabiam nada sobre aquela garota e a perturbavam como se fossem superiores e donos do lugar. E de pensar que por um bom tempo eu fazia parte daquela turma! Eu a havia evitado, eu não queria aceitar os fatos que vinham em minha mente. Eu havia ficado com a garota mais cobiçada por outras garotas. E tinha gostado mais do que a qualquer outro romance meu com um homem.

Mas agora não havia mais volta. Eu não podia deixá-la, não quando ela cuidava tanto de seu futuro e do irmão e esquecia-se de si mesma. Era como uma necessidade que sobrepunha qualquer outra. Não sabia explicar, mas também não sabia mais como evitar. Então decidi apenas deixar as coisas seguirem o seu curso. Mais que isso, naquela noite eu queria impressioná-la. Tinha ficado com mais garotas do que os rapazes do time de basquete? Veria como ela reagiria a encontrar uma garota como eu!

-Lindsay, vamos para o shopping! – falei na hora da saída – Quero me arrumar para o Fuego.

-Mas a Shay disse que era algo mais simples – estranhou minha amiga dando partida no carro.

-Não estou me arrumando para o lugar – respondi distraída.

-O que? Ivy, você está toda estranha, o que aconteceu? Ela te mordeu como eu brinquei?

Mordeu, meus lábios de uma forma tão gostosa que eu poderia deixá-la me morder toda se fosse sentir aquelas sensações por todo o meu corpo. Mas não podia responder isso, só de imaginar sabia que meu rosto havia esquentado.

-Ela mordeu?! – Lindsay quase gritou ao me ver corar.

-Fique quieta! – reclamei olhando pra os lados. Esperei o carro sair da área da escola para finalmente respirar fundo – Na quarta, depois que vocês saíram, ficamos conversando e... Io beijei a ragazza, quer dizer, ela me beijou e eu retribuí.

-O QUE? Meu deus!

Primeiro Lindsay riu. Provavelmente por eu, uma hetero roxa, ter ficado com uma garota, que por acaso era uma lésbica roxa. Ela começou a me perguntar as coisas, pediu por detalhes e eu dei, percebendo que ela já tomava o rumo para o shopping no centro da cidade. Eu sentia arrepios só de tentar explicar como era o beijo da Shay. Era verdade o que diziam, o beijo dela era tão bom que podia viciar.

-Então... Agora você a quer? – Lindsay deduziu.

-Eu não sei, sinceramente, io não sei de nada – respondi hesitante – Mas quero deixar acontecer. Se não for, não é, entende?

-Claro que sim, tem que aproveitar e não se arrepender do que não fez amiga!

No shopping liguei para minha mãe avisando que dormiria com Lindsay. Não iria explicar que iriamos a um bar com ela, certas coisas pais não deviam saber não é? As compras começaram por roupas. Passamos por cerca de cinco lojas, experimentando, brincando e por vezes dançando apenas para nos divertir um pouco mais. Escolhida as roupas, o próximo passo era sapatos e depois salão de beleza. Não mudei meu cabelo, mas realcei o corte e aparei a franja de lado. Fiz manicure e uma hidratação facial, depois um cineminha básico com a Lindsay antes de ir para a casa dela me preparar.

Havia comprado uma roupa para a noite, como planejado. Era um vestido preto, não muito curto, mas com um decote que realçava meus seios um pouco fartos, mas bem formados. Todos chegavam a pensar que eram artificiais, mas isso não me incomodava mais. Para completar, um bolero de lã clara para o frio da noite. A maquiagem foi perfeita, sombras escura, mas discretas, lápis, batom rubro e acessórios dourados. Usava uma bota de cano bem baixo, mas com o salto mais alto e fino.

-Ela vai ficar babando em você – Lindsay comentou olhando para mim enquanto colocava os brincos.

-Você também está muito linda! E depois fala de mim – a olhei sorrindo.

-Eu não vou ficar para trás quando tenho uma musa do meu lado. Assim você vai me ofuscar e ninguém vai me olhar – ela se explicou dando de ombros – E eu estava doida para estrear essa saia nova.

Era uma saia rodada xadrez, ela usava meia calça escura e rendada, completadas por salto alto também fino e uma blusa bem justa e branca, com detalhes de flores bem feitos e bonitos. Lindsay era uma das garotas mais lindas que havia conhecido, quando estávamos juntas parávamos o mundo ao nosso redor. Literalmente. Chegávamos a brincar com isso às vezes.

-Aquele bar nunca mais será o mesmo – Lindsay comemorou quando terminou – Já são nove horas! Vamos?

Só havia percebido que estava ansiosa quando estava dentro do Mercedes. Meu coração não se acomodava no ritmo correto, minha mente me atacava com perguntas incertas. E se Shay achar que eu havia exagerado? E se eu tiver mesmo exagerado? Porque não chegávamos nunca? Ou seria bom aquela demora? Minha mente estava em uma batalha tão intensa que Lindsay teve de gritar meu nome para que eu prestasse atenção na conversa dela. Suspirei tentando relaxar, se ela tivesse de gostar que o fizesse, não podia mudar o fato de que era uma burguesinha.

O bar e boate ficava em uma rua festiva, onde havia outros bares e boates. Porém, eu o achei mais convidativo. Não por ser o mais extravagante ou mais luxuoso, longe disso. Mas ao que parecia era o mais organizado e com maior classe. Sua entrada estava superlotada, havia carros de todos os tipos parados no estacionamento e Lindsay encontrou dificuldade em achar uma vaga livre. Já estávamos indo para a filha quando Henry surgiu como nosso herói.

-Hey, venham por aqui, entrada livre para os amigos da Shay. Talvez por isso ela não tenha muitos amigos – ele comentou rindo.

Não pude evitar acompanhá-lo no riso. Passamos por todos na fila e praticamente todos nos olhavam passar. Henry era um dos garotos mais bonitos que conhecia, não de face, mas tinha um charme impecável. Alto, magro, mas de corpo definido. Cabelos loiros e olhos verdes. Era o verdadeiro príncipe encantado a espera de sua donzela. Nessa época eu não sabia que ele era gay, mas não deixava de imaginá-lo com uma garota parecida a uma dama. Passamos pelos seguranças e já podíamos ouvir a música vinda de lá de dentro. As vozes dos cantores eram perfeitas uma para outra, uma fina e melodiosa, outra mais grave e forte. Juntas cantavam Luck. Henry nos guiou boa parte do tempo, o lugar era muito melhor do que eu havia imaginado. A decoração meio rústica de um bar antigo entrava em contraste com o palco moderno e uma área para pista que agora estava cheia de mesas redondas e outras retangulares para mais pessoas. A iluminação era propositalmente fraca nos cantos para que os casais ficassem mais escondidos.

-E ali fica a Shay fazendo drinks, olha ela lá, Shay! – Henry se agitou animado, chamando Shay mais alto.

Ela nos olhou, sorriu e paralisou ao olhar-me. Seus olhos literalmente me comiam, passeando por cada parte de meu corpo. Naquele momento eu me senti nua pra ela. Shay foi cutucada por um moreno e tomou um susto, parecendo sair de um transe. O moreno riu alto e ela ficou corada, lançando para mim um sorriso sem jeito.

-Eu disse que ela ia gostar – Lindsay cochichou em meu ouvido.

-Vamos, tem uma mesa para gente perto do bar e da para ver o palco direitinho – Henry falou e nos puxou novamente.

Era perto o suficiente para poder conversar com a Shay enquanto ela trabalhava, não era um dos melhores lugares já que ficava mais ao canto, mas eu não me importava nem um pouco. Assim que sentamos, o moreno que estava com Shay aproximou com um sorriso enorme e muito perfeito.

-Olá, eu sou Alejandro, vocês deve ser a Lindsay e você a italianinha da Shay – ele se apresentou descontraído.

-ALEJANDRO – exclamou Shay do lado do balcão – Você prometeu não aprontar nada!

-Qual a graça de ter amigos então? – Alejandro se defendeu e ergueu as mãos em sinal de paz – Sejam bem vindos a minha casa, são clientes especiais agora. Qualquer coisa grite e a primeira rodada é por conta da casa.

-Alejandro, eles são menor de idade ainda – reclamou Shay pondo as mãos na cintura.

-Io tenho uma segunda madre? – provoquei dando de ombros – Henry falou sobre o seu Dry Martini, quero experimentar. Faz um especial para mim?

Joguei um pouco de charme e tudo o que ela fez foi revirar os olhos e ir mais ao balcão fazendo a bebida. Era divertido ver o efeito que eu tinha sobre ela. A dupla que tocava era realmente boa e o drink melhor ainda. Henry estava certo sobre tudo. De inicio apenas conversamos, mas logo um amigo de Henry se aproximou e sentou-se à mesa com outros amigos e ai sim a conversa foi se prolongando. Shay era um pouco ausente por causa do trabalho, mas não deixava de participar e por vezes olhar para mim de um jeito que me fazia sorri sem perceber. Mas não demorou muito para algo começar a me incomodar. Primeiro foi um garoto que se debruçou sobre o balcão e tentou flertar com ela, mas ela apenas riu e disse que gostava de coisas mais delicadas e sinuosas. Aquilo havia sido engraçado. Mas logo a amiga do rapaz havia se aproximado e começado algo. Eu queria matá-la ali mesmo. Já podia imaginar as manchetes dos dias seguintes de assassinato em bar popular.

-É assim a maioria das noites – Henry comentou rindo – Às vezes uma ou outra consegue chamar a atenção da Shay e... Bem, não preciso dizer que nessa história não tem moral nenhuma.

-Hum... Percebo – disse seca, fechando minhas mãos em punhos.

-Mas acho que ela está com aquele sorriso de: sinto muito, mas não é dessa vez – Henry comentou e não muito depois a garota fazia uma cara triste e se afastava – Haha! Eu não disse!

Desviei os olhos, mas estava mais aliviada. Voltei a conversar e a observar melhor a Shay. Ela não parecia ter apenas 19, mas sim uns vinte e cinco ou mais. Era uma mulher já, seus movimentos eram precisos enquanto brincava com as garrafas de bebidas e dançava por vezes sozinha para se distrair. O jeito que ela sorria era encantador... Até demais. Aquela garota não foi a primeira, e isso estava me matando por dentro. Não era mentira quando falavam que ela era popular no seu time. Quando me irritei o suficiente levantei e me aproximei do balcão como se fosse as outras garotas que queriam a atenção dela. Era minha vez de jogar.

-Hey italianinha – ela me cumprimentou com um sorriso enorme.

-Eu estava vendo, você parece gostar disso – comentei puxando conversa.

-Do trabalho? Amo. Conheço pessoas, trabalho, ganho meu dinheiro e me divirto – ela deu de ombros enquanto limpava o seu balcão.

-Mas vai fazer isso depois? Digo, da escola.

-Não, pretendo ter uma bolsa para uma faculdade de arquitetura. Ao menos que pague parte da faculdade. Vou continuar trabalhando e estudando já que tenho de manter todos os extras sozinha e Sean ainda vai continuar na escola – ela comentou com segurança. Eu não duvidava que ela fosse conseguir – Por isso tenho de manter minhas notas sempre altas, não ter nenhum delito no meu histórico escolar. Na maioria das vezes suporto humilhações e provocações sem reagir. Mas no fim quem sai ganhando sou eu.

-Você é uma mulher – murmurei admirada.

-Tenho de ser – ela deu de ombros novamente.

-Você me ensina? – perguntei e ela me olhou de forma maliciosa e eu acrescentei rapidamente – A fazer drinks!

-Venha cá – Shay chamou rindo.

Eu havia ficado animada assim quando entrei no espacinho para ficar na parte de dentro do balcão. As coisas ali eram totalmente organizadas e havia bebidas a todos os lugares. Assim que estava passando, um dos garçons se aproximou e pediu uma Manhattan. Shay me chamou com a mão e pediu para ficar mais perto. De inicio ela apenas me mostrava os ingredientes e como fazer. Em menos de cinco minutos a bebida ficava pronta.

-Hoje vai ser apenas minha ajudante. Nas próximas noites eu deixo você fazer algo, que tal? – ela propôs sorrindo de um jeito sedutor.

-Va bene – confirmei quase sem pensar.

Uma vez ali, eu não quis sair mais. Ficava perto dela, conversando com ela, dançando um pouco. Não havia tédio ou coisa parecida. Ela me fazia rir fácil, me irritava fácil... E me encantava mais facilmente ainda. Lá pro finalzinho da apresentação da dupla, eles chamaram Shay para cantar um pouco. Ela tentou resistir, mas todos já gritavam o nome dela e mesmo sem jeito ela caminhou para o palco. Só então retornei para meus amigos e quão minha surpresa ao ver melhor que Henry estava bem, mas bem próximo do amigo que sentou a nossa mesa. Bastou um olhar para Lindsay para ela confirmar minhas suspeitas em um movimento de cabeça. Henry era gay!

Enquanto Shay ajeitava o violão e sentava em um banco alto, eu sentava perto de minha amiga, de um jeito que pudesse vê-la completamente. Depois de ajustado a altura do pedestal do microfone. Ela sorriu e começou a falar:

-Bom, sou Shay e às vezes me obrigam a fazer essas coisas. Pena que não cai como extra em meu salário – ela falou brincando, arrancando risadas de alguns – Mas como me preocupo mais com vocês pessoas lindas e maravilhosas. Vou cantar um pouco. Essa música vai para alguém especial. Essa pessoa é chata, irritante e brava, mas ao mesmo tempo delicada e gentil.

Senti minha face corar e Lindsay rir alto de mim. Obviamente todos já sabiam que era eu a homenageada, até porque a minha vergonha era evidente. Shay revirou os olhos rindo baixo, mas seu riso repercutiu pelas caixas de som, tão gostoso e tão dela que a quis abraçar. Para distrair da situação, Shay começou a tocar os acordes do violão com maestria, demorei um pouco a perceber que música era, mas minhas suspeitas se confirmaram quando Shay começou a tocar uma versão acústica de Fukin’ Perfect de Pink. Ela cantava olhando diretamente para mim, mais ninguém. Era como se fosse uma serenata pública! Meu coração estava tão disparado contra o peito, as sensações se confundiam com os sentimentos e eu já me encontrava perdida, completamente perdida. No fim, as pessoas aplaudiram quase de pé e pediram outra.

-Oh, ok. Se eu fosse cantar uma música para essa pessoa até uns quinze dias atrás. Seria essa.

Eu não pude deixar de rir alto quando ela começou a cantar Give You Hell de The All American Rejects. Sim, realmente essa era a música perfeita para nós duas até pouco tempo atrás. Mas fazia o que? Cinco dias que tudo havia mudado drasticamente? Eu havia beijado a garota que odiava por acha-la desleixada, metida e sabichona. E agora, queria mais beijos e a achava a pessoa mais incrível do mundo. Ela cantou apenas essas duas músicas e logo quando desceu já tinha vários drinks para preparar. Henry foi embora com o garoto, com um sorriso de orelha a orelha por ter conseguido o seu gato da noite. Lindsay também não ficou atrás, havia arranjado um garoto e logo estava aos beijos em um daqueles cantos mais escuros do bar. Não fiquei sozinha, Shay a todo momento vinha para o meu lado conversar um pouco.

-Vamos fechar daqui a pouco – ela anunciou quando viu que restavam apenas duas mesas e mais a de Lindsay – Gostou?

-Muito. Eu disse que iria me divertir – respondi com um sorriso de lado – Só um pouco cansada, foi bem agitado. Não sei como consegue fazer isso todos os dias.

-Com o tempo acostuma. Isso é bom, quer dizer que me recupero muito rápido depois de cansada. Tipo, depois de fazer muito exercício por exemplo.

Desviei o olhar para fingir que não tinha notado o tom malicioso de sua voz. Mas talvez fosse esse gesto que tivesse denunciado a tudo. Quando o bar finalmente fechou, Shay foi guardar algumas bebidas no deposito e eu a acompanhei apenas para não ficar sozinha. Juro que estava completamente inocente, sem pensar que ali estaríamos finalmente sozinhas. O lugar era cheio de bebidas de todos os tipos, mas eu nada prestava atenção, apenas acompanhava Shay guardando as garrafas até chegar a última fileira.

-Está com sono – ela afirmou, não perguntou.

-Um pouco, já são quase quatro da amanhã – dei de ombros.

-Você está mesmo linda com essa roupa. Apesar de não ter sido a única a perceber isso – Shay encostou-se a uma parede e cruzou os braços.

-O que quer dizer? – perguntei curiosa.

-Sabe quantos bilhetes recebi para ser entregue a sua mesa? – Shay riu um pouco nervosa – E depois de ter ficado um pouco comigo, até mesmo as garotas começaram a mandar bilhetes.

-E como nenhum deles chegou a minha mão? – arqueei uma sobrancelha tentando conter o sorriso.

-Eles se perderam no meio de caminho, não tenho culpa! Mas você sim, é a garota mais linda da noite.

Senti meu rosto esquentar mais uma vez. Era sempre assim quando ela me elogiava. Shay segurou em minha cintura e me puxou para mais perto lentamente, até meu corpo encostar-se ao dela. Suspirei baixinho ao sentir o calor que vinha daquele corpo feminino, além de poder sentir o perfume dela misturado um pouco ao cheiro de bebida e frutas. Ela aproximou os lábios dos meus, mas não os beijou. Avancei o espaço que faltava, mas ela recuou o rosto sorrindo travessa. Resmunguei baixo e a agarrei. A puxei para meu corpo mais ainda, pressionando cada parte nossa, tomei a boca dela com a minha, em um beijo já intenso e forte. Invadi a boca sem pedir permissão, explorando cada pedaço, lutando por espaço com a língua dela. O sabor era a cada momento diferente, sentia um pouco do sabor de bebidas, outras vezes algo doce e ao mesmo tempo tudo era absolutamente dela. Eu já não tinha medo e isso me deixava cada vez mais livre para seguir cada impulso meu. E esses impulsos me mandavam beijar cada vez mais, com uma sofreguidão que eu nunca tinha sentido antes. Era como uma necessidade, algo que eu precisava para ser feliz. E eu era feliz a cada vez que minha boca tocava a dela.

-Ivy, calma, calma! – Shay parou o beijo arfante.

-Non, non – eu mordia o lábio dela e o chupava, a fazendo gemer baixo – Voglio di più.

Levei minha mão à nuca dela e a beijei novamente depois de dizer que queria mais. Estava faminta dela. Continuei a segurar a nuca dela, mas dessa vez minha outra mão não ficou tão quieta, adentrou a blusa de Shay e tocou a pele das costas com a mão espalmada, não tardando a arranhá-la. Foi então que eu quebrei um pouco do controle dela. Shay girou me prendendo contra a parede, presando o seu corpo com força, roçando para me fazer sentir cada pedacinho daquele corpo feminino. Era tão mais gostoso do que um corpo de um homem, que era rígido e bruto por si só. Ela pegou meus pulsos e prendeu contra a parede, me dominando completamente. Só então eu descobri o quão enlouquecedor um beijo pode ser. Ela me devorava, sugava minha língua, mordia meus lábios e me fazia gemer sem fazer mais nada além de me dominar. Shay apoiou uma perna entre as minhas e ergueu o joelho fazendo tocar em meu sexo. Soltei um gemido abafado por causa do beijo. As mãos dela me soltaram e foram sem pudor nenhum diretamente ao meu bumbum, apertando com força e me fazendo roçar ainda mais de seu joelho a coxa. A barra de meu vestido havia levantado, o único tecido que protegia minha intimidade era a calcinha, deixando o contato mais intenso do que deveria ser. Eu estava mais excitada do que nunca, sendo que ela mal me tocava e ao mesmo tempo me provocava como nenhum outro.

-Shay, está tudo bem ai? Já recolhemos as cadeiras! – Alejandro bateu na porta do deposito.

Ela saltou assustada, interrompendo o beijo bruscamente e se afastando um pouco. Eu fiquei sem ar, completamente. Tanto pela interrupção e pela falta de contato. Sabia que estava vermelha, muito, sentia meu corpo inteiro fervendo e eu não sabia se de vergonha ou excitação.

-Mio Dio! – murmurei mais para mim mesmo.

-Eu falei para você ir com calma, estava me deixando realmente excitada com seu beijo – Shay murmurou quase rindo – Meu Deus digo eu.

-Io não estava pensando! – tentei me defender.

-Sei que não – Shay sorriu mais carinhosa e me deu um selinho – Mas temos de ir. Desculpe se passei de algum limite ok?

Respirei fundo tentando me controlar. Enquanto andava tentava arrumar meu cabelo e o meu vestido. Se dependesse de mim, do jeito que eu estava naquele momento, não teríamos parado. E isso me assustava mais que tudo. Nunca havia deixado os garotos chegarem tão longe tão rápido. Mas ela... Shay tinha algo tão excitante, encantador e profundo que me rendia com um beijo. Um beijo avassalador, por acaso. Quando saímos, Lindsay foi a menos indiscreta de todos, dando um sorriso maldoso enquanto se aproximava de mim perguntando se eu tive minha primeira vez com uma garota em um deposito. A xinguei em italiano e me afastei um pouco confusa. Estava para ir embora com minha amiga quando parei e fui ao encontro de Shay.

-Eu não tenho seu celular, e-mail, essas coisas – falei em um tom de pedido.

-Ah claro – ela logo pegou um papel de pedidos e escreveu rapidamente – Aqui... E me dê um toque quando você chegar? Só pra saber que foi bem?

O tom de preocupação dela e o olhar dourado que me encarava me fez derreter. Apenas sorri boba e ela se aproximou para sussurrar um boa noite com a voz rouca e sensual no meu ouvido. Senti meu corpo inteiro reagir a um sussurro. Eu tive de fugir. Sim, pois senão a atacaria novamente e eu já não acreditava mais no que eu era capaz ou não de fazer.

Notas finais
Amanhã novo capítulo! xD Não coloquei as falas em itálico porque já to me atrasando pra aula kkkkkkk beijos =*