Simplesmente

22 Capítulo 22: O inicio do fim


Notas iniciais
Nossa, acho que demorei mais do que imaginava. Mas... Esse foi um capítulo difícil de fazer, não sou muito boa quando se trata de situações como essa e acho que fiquei sem inspiração nenhuma, evitando chegar até esse momento tão... forte da estória. Mas espero que esteja suficientemente bom e que vocês aprovem e não me matem.

Pov Ivy

Mais dois meses tinham se passado. O final do ano se aproximava junto com as recomendações e entrevistas para as universidades. Nessa última semana não se falava de mais nada, em casa, na escola e até mesmo com Shay que estava mais ocupada ainda fazendo provas para bolsistas. Ela estava mais centrada que nunca nos estudos, deixando até mesmo de trabalhar algumas noites. Meu aniversário de dezoito anos havia passado e pela primeira vez na vida não fiz uma mega festa. Ao invés disso pedi para meus pais uma viagem junto com meus amigos mais íntimos. Fomos novamente a um lugar paradisíaco aproveitar mais um longo final de semana sem preocupações.

Shay havia me convencido a não nos assumirmos ainda, apesar de me incomodar um pouco com essa questão não devia mentir para mim mesma dizendo que não estava aliviada. Eu ainda tinha um medo insano da reação de meus pais e até mesmo do pessoal da escola. Havia sido criada por uma ditadura social e quebrá-la era como dizer o fim de tudo isso. Talvez estivesse exagerando, talvez não. Sabia que Shay estava me protegendo disso tudo ao pedir que ficássemos do jeito que estava e sinceramente? Eram simplesmente os dias mais deliciosos e incríveis de minha vida. Tinham as brigas, os desentendimentos, o estranhamento com Danielle, não tinha uma semana sem que não discutisse com Shay por algum motivo. Não éramos nem um pouco perfeitas, porém isso não importava, sempre voltávamos uma para a outra por saudades ou preocupações.

Era pleno domingo e Shay havia acabado de terminar uma prova em uma faculdade importante, segundo ela havia ido realmente bem e estava tão confiante que parecia brilhar. Então decidimos sair para comemorar, todos nós e até mesmo Sean. Fomos para um parque de diversão. Exatamente isso, um parque de diversão havia chegado à cidade com todos os tipos de brinquedos, apesar de ser relativamente pequeno em comparação aos parques fixos nas grandes cidades.

-Não dá para acreditar que semana que nessa sexta-feira acaba as aulas – Lindsay comentou ao meu lado enquanto estacionava o seu carro em uma vaga.

-Ah, esqueci-me de te falar, não vou para o baile – lembrei de ultima hora, apesar de estar um pouco chateada por causa disso, estava sorrindo enquanto falava a minha amiga – Eu e Shay vamos fugir. Não podemos chegar juntas, ela ficaria muito chateada se eu fosse só ou com algum garoto. E com razão. Então vamos ficar juntas.

-Mas Ivy! Você ama bailes! – Lindsay protestou.

-Amo mais minha namorada – respondi convicta e suspirei – Até porque não sei ainda como vai ser nossa vida depois. Ela pode ir pra muito longe, tenho de aproveitar cada minuto com ela Lindsay. Baile nenhum vale a pena em comparação a isso.

-Nossa – Lindsay parou e fitou-me séria – Se fosse no inicio do ano você estaria surtando e fugindo de casa para ir ao baile. Sério mesmo, imagino até seu discurso de como sua vida estaria arruinada se não aparecesse deslumbrante no baile.

-E provavelmente teria o Luke como par só porque ele é o garoto mais popular e idiota – completei por ela e ri alto – Ainda bem que evoluí. Agora vamos, eles devem estar esperando por nós.

Saímos do carro ainda rindo e imaginando como seria se eu fosse como antes... Deus, era tão estranho notar como havia mudado, de como esse processo aconteceu porque conheci a uma pessoa em especial. Ainda me sentia como eu mesma, porém mais... Madura. Não tardamos a encontrar o resto do pessoal. Sean usando uma camisa com o símbolo do Lanterna Verde, Alejandro e Brandon elegantes e despojados ao mesmo tempo, até mesmo Danielle de vestido branco ao lado de Shay. Não consegui evitar um pequeno resmungo ao vê-la tão perto de minha namorada, o ciúme era algo que ainda não conseguia controlar. Mas quando Shay me viu o sorriso que ela me deu pareceu parar tudo ao redor e concentrar apenas nela. Estava linda usando uma calça bem justa preta, allstar e uma blusa vermelha soltinha. O cabelo estava recém cortado, ela passara o ultimo mês em descuido total e concentrada apenas nas provas.

-Alguém pega um babador? – Alejandro provocou quando eu me aproximei.

-Difícil é saber pra qual delas – Lindsay completou rindo baixo.

-Tem nada não, a gente divide – Shay respondeu dando de ombros sem tirar os olhos de mim – Você está linda meu amor.

Eu usava um short branco e uma blusa caída de um lado de cor azul clara com uma borboleta desenhada na lateral. Meu cabelo como sempre estava solto e descendo em cascata por minhas costas. Daniella pigarreou alto quebrando o nosso contato visual e mais uma vez a matei mentalmente, um exercício praticado quase todos os dias. Decidimos começar a ir nos brinquedos mais suaves de inicio. Shay não hesitou em segurar a minha mão e eu fiz questão de entrelaçar nossos dedos. Naquela noite não iria me preocupar com nada além de diversão.

Fomos para a barca e depois para a casa do terror. Alejandro havia ficado com tanto medo que quase saltou no colo de Brandon quando uma garota parecida com a do Exorcista apareceu. Seguimos os planos e fomos aumentando o risco, indo para a montanha russa e outro brinquedo que girava rapidamente. Dessa vez eu que havia ficado tonta e pedido para ficar parada um pouco mais. O que resultou em todo o resto indo para o próximo brinquedo e só Shay ficando ao meu lado. Fomos para a praça de alimentação, ela queria aproveitar para comer um algodão-doce, algo que ela parecia adorar.

-Certeza que isso não foi uma desculpa para ficar sozinha comigo? – Shay perguntou pegando um pedaço do algodão adocicado e pondo na boca.

-Io preciso de desculpas para isso? – inquiri e respirei fundo – Ainda estou tonta.

Shay não falou mais nada, apenas levantou, puxou a cadeira para o meu lado, sentou e passou o braço por sobre o meu ombro para manter-me perto de seu corpo. E o engraçado? Isso funcionou. Deitei a cabeça em seu ombro respirando o seu cheiro e isso me acalmou como se fosse mágica.

-Il mio amore – murmurei dengosa.

-Hum? – ela terminava de morder um pedaço do algodão.

-Io ti amo – continuei a murmurar.

Apesar de ainda estar com a cabeça deitada no ombro dela eu sabia que Shay estava sorrindo. Ali, por um momento, eu poderia dizer que estava perfeito. Estávamos no meio de um parque sem nos importar com os olhares estranhos lançados para nós. O que importava era que o corpo dela estava perto do meu, que o braço dela envolvia meu corpo protegendo de tudo... Mas nem tudo é pra ser perfeito, alguns minutos depois alguns garotos chegaram e aos nos ver apontaram e deram uma risada realmente incomoda. Shay apertou o braço em meu corpo e ficou tensa.

-Isso é problema – ela parecia falar mais para si mesma – Vamos embora.

-Por quê? Estamos fazendo nada de errado – ajeitei-me finalmente, a olhando um pouco séria – Se vamos ficar juntas vamos ter de lidar com isso, não é?

-Isso é diferente Ivy, é problema mesmo! Eu conheço esse tipo, é o pior e...

-Hey garotas! – o mais alto deles gritou e riu – Venham para cá, o papai aqui vai lembrar como é bom brincar na posição papai e mamãe!

Lancei um olhar para o grupo como se assim pudesse esfolá-los. Eram ao todo quatro, o mais alto era loiro e forte, dois eram morenos, porém um era mais baixo. O terceiro era um tanto quanto estranho, cabelo raspado e com um aspecto de ser o mais velho. Eles tinham jeito de bêbados ou drogados, apenas tinha algo de errado com eles. Senti um arrepio incomodo transpassar meu corpo, como se fosse um aviso de que algo ruim iria acontecer.

-Vamos – Shay levantou ainda tensa.

Dessa vez não a questionei, levantei e peguei na mão dela. Dois deles logo levantaram e correm para perto de nós.

-Mas já vai? – perguntou o mais baixinho fazendo biquinho – Vamos, deixe-me participar da noite de vocês, vão precisar de algo de verdade por entre as pernas!

-Saia da frente – Shay falou em um tom realmente ameaçador, o olhar dela era como a de uma fera prestes a atacar – Não queremos confusão, estamos em um local público e vocês podem se dar mal.

-Mas só estamos falando a verdade! Enquanto vocês brincam a gente pode fazer coisa séria e bem gostosa – falou o outro moreno.

Shay virou o corpo e já íamos sair pelo outro lado quando os outros dois bloquearam nosso caminho. Ela novamente tentou virar, porém dessa vez estávamos cercada em um quase círculo fechado. Meu coração disparou de medo, Shay apertou minha mão e eu pude sentir que ela tremia, mas era de raiva. Fiquei o mais próximo dela por puro instinto.

-Nós queremos brincar com vocês – o mais velho disse com uma voz rouca, lambendo os beiços de um jeito nojento.

-Vamos devolver vocês pros papai do jeito certo, concertar e mostrar como se faz – o mais alto falava rindo divertido.

-Saiam – foi a ordem seca de Shay, ela estava estranhamente tensa e calma ao mesmo tempo.

-Ah mais porque? Vocês que estavam quase se comendo ali, também queremos comer. Se irritar demais quando acabarmos o seu pai nem vai te reconhecer.

Foi então que a tragédia começou. Shay soltou para cima do que estava a sua frente, ou seja, o mais velho. Ela chutou diretamente no joelho e deu um gancho de direita. As vezes esquecia de como ela era boa em luta, isso foi o suficiente para abrir uma brecha e ela começou a correr me puxando junto. Porém alguém segurou minha mão e puxou com tanta força que soltei a mão dela. Foi como se tivesse soltado todas as minhas esperanças, gritei tão alto que todos começaram a olhar para cá, logo alguns homens levantavam para apartar a briga. Mas não chegaram a tempo antes que Shay surtasse. Eu mal podia ver o que acontecia realmente, apenas a via batendo e apanhando, dando socos e chutes enquanto era pega e golpeada por mais de um ao mesmo tempo.

Não sei quanto tempo levou para a ajuda chegar, mas foi tempo suficiente para que um grande estrago tivesse sido feito. E o que eu fiz? O mais alto me segurava e prendia, ao mesmo tempo em que me tocava de maneira aterrorizante, mal se importando com o que acontecia com os outros três. Assim que os homens que vieram ajudar seguraram os outros três que estavam sobre Shay ela veio correndo, empurrou e deu uma sequencia digna de uma profissional no homem mais alto. Dessa vez eu que tive de segurá-la e puxá-la antes que algo de muito ruim realmente acontecesse.

-Nunca mais toque em minha namorada! – ela gritava em um leve tom de histeria – Seus filhos da puta, imundos! Nunca mais toquem nela!

Foi o tempo dos policiais do parque chegar. Eu tentava a todo custo me acalmar e ao mesmo tempo falar com Shay. Estava assustada. Tremendamente aterrorizada. Meu corpo mal se mantinha de pé, minha única força era garantir que Shay estivesse bem, mal me importava de antes ter sido tocada na barriga, pernas e até mesmo um de meus seios por um homem tão asqueroso. Os policiais levaram a todos nós, as testemunhas, os quatro homens. Não passava nem em minha mente ligar para o resto do pessoal, eu apenas queria ficar perto de Shay e evitar que ela se machucasse novamente. Ela tinha o lábio cortado, abaixo do olho esquerdo estava bastante vermelho, sem contar nos ataques que haviam sido pelo corpo.

Felizmente a delegacia ficava bem próximo dali e com quase uma escolta fomos levados até lá. Os homens ficavam nos chamando de putas lésbicas e outros nomes nada agradáveis. Nessas horas tinha de segurar Shay novamente. Ela rebatia, gritava até mesmo com os policias, estava possessa de uma forma que eu nunca tinha visto antes. Quando chegamos na delegacia foi outro processo confuso. Todos falavam de uma vez, outros gritavam e até mesmo o homem mais velho tentou escapar. Eu estava completamente perdida no tempo, imersa em um mundo tão escuro que eu não conseguia reconhecer. O medo me impedia de me tornar aquela mulher brava que todos tantos comentavam. Estava tão arredia que mal vi que meu corpo inteiro tremia, que estava mais pálida e assustada do que qualquer outro momento de minha vida.

Porém tudo tinha como piorar.

-O que está acontecendo?!

Aquela voz imponente me fez gelar no lugar ao mesmo tempo em que meu coração disparava. Da porta surgia uma figura alta e usando uma camisa polo azul e uma bermuda simples. Meu pai parecia ter sido tirado de um descanso, mas seu rosto estava tão frio e severo que fez com que todos se calassem. Todos conheciam o promotor Lazinni.

-Pai! – exclamei em desespero.

Não resisti ao impulso de correr para os braços dele e finalmente chorar. Eu queria proteção, eu queria estabilidade. Ter meu pai ali, naquele primeiro momento, pareceu significar tudo isso.

-Ah o papai chegou? – riu o garoto alto – Nós só estávamos tentando concertar sua filha! Ela e essa vadia que ela chama de namorada.

Meu chão pela segunda vez naquela noite simplesmente desapareceu. Afastei de meu pai com mais medo do que antes. Ele estava sério, olhando-me sem expressão nenhuma.

-Quero saber exatamente o que aconteceu aqui. Qual a ocorrência? Por que o delegado ligou para mim dizendo que minha filha estava em problemas? – ele exigiu usando aquele tom ameaçador e ao mesmo tempo profissional.

-Você não escutou velho? – resmungou o moreno baixo – Sua filha estava com essa daí se pegando, pensamos que poderíamos participar da putaria também!

Meu pai olhou para Shay. Ela estava de braços cruzados, sozinha em um canto, enfrentando todos os olhares que lhe eram direcionados de queixo erguido em uma teimosia. Mas o lábio inferior dela tremia. E eu não estava ao lado dela. Isso me atingiu com tanta força que meu impulso foi de ir para lá quase correndo. Porém novamente meu braço foi segurado e eu fui impedida de seguir com ela. Meu pai me segurava com mais força que necessário, lançando-me um olhar tão severo que meu corpo congelou automaticamente no lugar com o poder que ele exercia sobre mim.

O promotor entrou em ação. Ordenou as coisas, ouviu as testemunhas que claramente dizia que eu estava com Shay, mas também falavam como ela me defendeu e lutou contra os outros. Eu tentava falar, mas sempre que tentava abrir a boca meu pai lançava aquele olhar controlador e que eu tanto tinha medo. Shay nada falava, não olhava para mim, estava em uma bolha de proteção da qual eu não fazia parte. Ela estava se protegendo de meu pai e de todos ali.

Horas se passaram até aqueles quatro terem sido presos por desordem pública e discriminação. Eu, que estava sentada a um bom tempo em uma cadeira o mais longe possível de Shay por ordem de meu pai, finalmente levantei quando os quatro homens foram levados algemados. Dessa vez nada me impediu de correr para Shay e desabar ao seu lado, a abraçando com todas as forças que me restavam.

-Eu estou com tanto medo, mas tanto medo – eu murmurei sem impedir que as lágrimas caíssem.

-Calma – ela disse com a voz falha, aquilo quebrou meu coração, ela estava segurando o choro – E... Ivy... Eu também te amo.

-Delegado, prenda essa garota – a voz de meu pai soou como uma sombra – Por assédio a minha filha.

-Não! Não! – finalmente reagi, pulando e deixando Shay sentada atrás de meu corpo – Isso não é verdade, você não tem o direito!

-Não discuta comigo mocinha! – ele quase gritou, finalmente dando vez ao lado de meu pai que eu tanto temia.

-Discuto! – briguei e Ivy ficou ao meu lado – Eu sou maior de idade, estou declarando que namoro essa garota, então não há fundamentos sua acusação.

Ele parecia que ia explodir, ou me matar com aquele olhar. Shay não poderia ser presa, isso iria aparecer nos relatórios para as universidades, ela tinha Sean para cuidar. Naquela noite ela tinha me protegido de todos aqueles monstros, agora era minha vez de protegê-la de meu pai.

-Isso é uma coisa que se deve resolver em casa, pai – falei um pouco mais séria e menos assustada – Não há lei que me proíba de ver minha namorada, de ficar com ela.

-Então vamos. AGORA!

Olhei para Shay e ela fez que sim com a cabeça. Ousei dar um selinho rápido nela, a sensação que eu tinha era de que esse seria o nosso último beijo. Depois fui com meu pai, ele não falava nada, mas segurava meu braço com uma força que chegava a machucar. Estava perdida, em todos os piores sentidos possíveis. Se havia uma pior forma de seus pais descobrirem que você namora uma garota, é vindo de uma ocorrência na delegacia.

No carro foi o silêncio absoluto. Eu estava morrendo por dentro, chorando em silêncio. O medo travava em minha garganta me impedindo de falar qualquer coisa. Ter um pai autoritário e que tinha poder na cidade era a pior classificação que se poderia ter no momento. Em casa ele simplesmente explodiu assim que chegamos a sala de estar logo a frente da porta principal:

-Como você ousa fazer isso?! Sua garota inconsequente! – ele gritava irado – Não foi para isso que eu te eduquei, sua... sua...

-O que está acontecendo?! – Fred foi o primeiro a descer as escadas desesperado.

Meu pai nada disse, ficou andando de um lado para o outro passando a mão na cabeça. Minha mãe chegou logo depois, usando apenas um robe. Corri para o lugar mais seguro nesse momento, para meu irmão mais velho. Ele me envolveu com braços protetores, me levando para longe de meu pai enquanto minha mãe ia para mais perto.

-Querido, o que aconteceu? – ela perguntava preocupada.

-Ela! – meu pai apontou o dedo para mim, não mais gritando, porém falando tão duro que era como se me batesse – Ela é uma decepção! Uma desonra! Uma desgraça para nossa família!

-Ivy? Mas o que aconteceu? – minha mãe questionou completamente confusa.

-Eu namoro uma garota – respondi quase sem voz.

-O que?! – minha mãe perguntou como se não tivesse entendido.

-Eu namoro uma garota – repeti com mais firmeza – Há cinco meses, namoro Shay Williams.

-Ai meu Deus! – foi à única coisa que minha mãe disse.

Ela desabou pálida no sofá atrás de si. Fred me apertou mais contra seu corpo e isso foi a única coisa que me fez ter um pouco de sanidade. Eu não estava só, tinha o meu irmão mais velho.

-Então eu recebo uma ligação do delegado dizendo que minha filha estava em uma confusão na delegacia. Quando chego lá, homens tentaram algo com ela e essa outra garota! – meu pai contava como se fosse a coisa mais absurda do mundo, sem parar de andar de um lado para outra.

-Minha filha, como pode? – minha mãe indagou como se eu tivesse matado alguém.

-Mãe... Eu a amo! – disse sem ter mais defesas além dessa, soltando-me finalmente de Fred – A amo com todas as minhas forças. Amor não escolhe gênero, cor, classe. Nada disso. Ele simplesmente existe! Por favor, eu lutei contra no inicio, mas eu nunca estive tão feliz na minha vida.

-Essa garota... Essa garota deve ter feito a sua cabeça – minha mãe buscava desesperadamente por saídas.

-Não! Ela é a pessoa mais sensata que eu conheço! – neguei fortemente.

-Escutem – Fred se pronunciou – Ivy pode ter errado em não ter contado antes, mas tentem entender. Shay é mesmo uma boa pessoa, eu mesmo sabia disso.

-Você já sabia?! – meu pai o olhou como a um traidor – E não falou nada? Não fez nada?!

-Claro que eu fiz – Fred defendeu-se – Conheci a menina e descobri que elas se gostam mesmo. Eu nunca vi a Ivy mais feliz do que nesses últimos meses, até mais madura!

-Chega vocês dois! – meu pai gritou – Estão me forçando a tomar uma atitude drástica!

Meu corpo gelou naquele momento, mais ainda do que nas ultimas vezes.

-Não precisa fazer nada pai, não pode me mudar ou escolher quem eu amo! – eu disse tentando busca alternativas ao mesmo tempo em que o enfrentava.

-Mas posso fazer algo! – ele gritou e passou a mão no cabelo – Vamos nos mudar para Londres o mais rápido possível. Recebi uma oferta de emprego. VOCÊS DOIS irão à frente.

-Não! – gritei quase em desespero – Não pode fazer isso!

-Vamos fazer – minha mãe concordou – Assim você verá que é só uma paixonite, irá esquecer essa menina, se casar e me dar netos.

-Não! E a faculdade? Eu ia fazer aqui...

-Conseguiremos fácil uma vaga em Oxford, podemos pagar se for preciso. Não ficará mais aqui Ivy! E nem tente negar ou fugir. Perseguirei essa Shay, farei da vida dela um inferno e conseguirei mandá-la para a prisão. Sabe que sou capaz disso! Então se gosta no mínimo dessa garota irá se afastar agora! Ou eu irei acabar com ela e com todos que vivem com ela!

-Isso é falta de ética, pai! – Fred exclamou incrédulo.

-Ninguém tem a ficha limpa, irei conseguir tudo o que eu quero ou a fazer ter o necessário para morrer em uma penitenciária!

O resto da noite se resumiu a gritos, choros de minha parte e puro desespero. O mais puro e completo desespero porque eu sabia que eles iriam realmente conseguir

Notas finais
Bom, como o próprio título diz e como eu avisei, estamos chegando na reta final. Prevejo no máximo mais quatro capítulos. Desculpem mesmo a demora!