Simplesmente
21 Capítulo 21: Aniversário de Namoro
Notas iniciais
Pov Shay
Depois da tempestade vem a calmaria... Apesar de ainda ter ventos fortes rondando a situação de vez em quando. As duas se odiavam tão claramente que era difícil manter as coisas com o máximo de paz possível. Danielle finalmente tinha voltado, minha melhor amiga quase irmã, e por ter esse posto tão importante em minha vida queria passar mais tempo comigo. Não podia me enganar dizendo que não queria, sentia falta de minha antiga parceira. Porém tinha Ivy, ciumenta, possessiva e o amor de minha vida. Eu a amava tanto que se passasse tempo demais com Dani sem falar com ela me sentia incomodada.
Passamos semanas em um clima um tanto quanto tenso, até que aprendi que não deveria de forma alguma mencionar o nome uma da outra quando estava com alguma delas. Era aniversário de três meses de namoro e eu queria aprontar algo, apesar de não saber exatamente o que fazer. Estava mais cansada do que o habitual afinal estava estudando, trabalhando e tendo de dar atenção aos meus amigos ao mesmo tempo em que tentava não causar a terceira guerra mundial.
-Ainda não sei por que vim te ajudar a fazer algo para aquela garota irritante – reclamou Danielle ao meu lado.
Estávamos no shopping para escolher um presente, precisava de ajuda feminina e por mais que Alejandro fosse gay, ainda assim não era afeminado. Restou-me apenas Danielle, que apesar de tudo eu sabia que iria me ajudar e passar a maior parte do tempo reclamando.
-Talvez ela te dê uma coleira de verdade, já que a invisível você usa sem nem perceber – provocou ela com certo veneno nas palavras.
-Dani, chega – resmunguei cansada – Eu sei que você vai reclamar, mas pare de criticar meu namoro. Você é minha amiga, deveria estar feliz por eu estar feliz não?
-Isso não é felicidade, você era uma garota tão livre no passado, ninguém te domava e não tinha de dar satisfação para ninguém – lembrou Danielle com um sorriso saudoso – Vá dizer que esqueceu isso?
-Não, não esqueci – respondi e respirei fundo – Mas as coisas mudam Dani, eu mudei. Estou em compromisso sério e que gosto pela primeira vez na vida, não quero estragar isso. E compromisso significa algumas coisas, algumas responsabilidades e principalmente respeito.
-Isso para mim parece prisão – bufou Dani entrando em uma loja de multimídia.
-Você já amou alguém Dani? – questionei enquanto a seguia.
-Claro que já me apaixonei!
-Não, falo amor. Amor verdadeiro. Ir dormir pensando em alguém para acordar com o mesmo pensamento. Ver o seu amor sorrindo e o mundo parecer parar só por causa disso. Querer proteger e fazer feliz. Essas coisas. Já sentiu?
Ela ficou quieta e pensativa. Abri um sorriso enorme, ela nunca amou. Por isso era tão difícil aceitar que eu, uma verdadeira conquistadora, tivesse sido finalmente conquistada. Ao ver meu sorriso ela resmungou e fingiu ficar vendo alguns CDs de rock. Ri baixo e me distrair um pouco com as prateleiras até avistar uma vitrine que vendia players como mp3s e derivados. A ideia atravessou minha mente em um estalo, já sabia exatamente o que fazer! Comprei a um mp4 rosa e com corações, não tinha dinheiro para algo como um iPhone, até porque Ivy já possuía um. Não, o que iria importar seria o conteúdo e não o aparelho em si!
-Vamos comer algo? – chamei toda feliz pela ideia que tive.
-Claro, estou faminta! – Danielle concordou prontamente.
Era sexta-feira, tive uma aula vaga e escapei de Ivy para poder comprar o seu presente. Porém, ela também sairia com os amigos populares, o que eu não esperava era que de todos os shoppings na cidade ela fosse estar justamente nesse, na praça de alimentação em meio a garotos com jaqueta de times, algumas líderes de torcida e outras garotas bonitas. Lindsay estava ao seu lado, também sorrindo e brincando. Por um momento percebi o quanto aquele ambiente era o dela. Uma verdadeira patricinha em um círculo social fechado e de alto nível. E como um imã que sempre busca pelo seu polo oposto, os olhos dela encontraram os meus, os lábios pintados de vermelho se abriram em um sorriso... Que morreu prontamente ao ver que eu estava com Danielle ao meu lado.
-Se ela não estivesse acompanhada diria que está te perseguindo – Dani provocou rindo – Vem, vamos comer, ela não vai te matar. Tem muitas testemunhas por aqui.
Fomos até o McDonalds, enfrentando aquela fila de praxe. Porém, meus olhos teimavam em sempre ir em direção a mesa deles. Ivy estava linda com um vestido vermelho e uma jaquetazinha por cima. Eu? Estava como sempre, um shortinho jeans, blusa folgada com a arma slogan do Guns por cima e tênis surrado. Éramos um contraste uma da outra em todos os sentidos possíveis e imagináveis. Eu não estava aguentando mais quando toquei Danielle no braço para chamar a atenção.
-Pede qualquer coisa para mim, vou ao banheiro – falei como desculpa.
Não esperei pela resposta dela, sai da fila já retirando o celular do bolso para mandar uma mensagem para Ivy: “me encontre no banheiro do andar de baixo”. Não esperei para ver a reação dela, apenas desci as escadas rapidamente para não ter de esperar o elevador e fui até o banheiro. Tinha uma garota terminando de lavar as mãos, fingi ajeitar o meu cabelo repicado para disfarçar a falta do que fazer. Quando a garota estava saindo Ivy estava adentrando o lugar. Abri um sorriso e a vi vacilar na entrada.
-Por que não me avisou que estaria com aquela ruiva? – Ivy inquiriu cruzando os braços.
Revirei os olhos e me aproximei o suficiente para puxá-la pela cintura e colar meu corpo ao dela. Ivy não lutou contra, mas arrepiou-se por inteira quando cheirei e mordi o seu pescoço lentamente.
-Está tão linda que é difícil resistir – murmurei com a voz rouca de desejo – Só de ficar olhando para você me deixa molhada.
-Shay! Pare de falar isso, sua pervertida! – ela reclamou arfando.
Sorri maliciosa e a empurrei para dentro de uma das cabines, fechando a porta e a trancando atrás de mim. Ivy estava vermelha pela situação, tentou reclamar e passar por mim, mas eu a agarrei e a beijei com um desejo que estava contendo desde que meus olhos tinham cruzado com os dela. Não estava sendo gentil, pelo contrário, deixava que a luxúria que sentia extravasasse por meio daquele beijo forte e cheio de volúpia. Ivy não teve como fugir ou impedir, estava sendo devorada naquele beijo que ela retribuía em igual necessidade. Minhas mãos deslizaram pela lateral do corpo feminino, tocando cintura, quadril até alcançar as pernas. As ergui e levantei Ivy a fazendo envolver meu quadril com suas pernas. Assim que espalmei minhas mãos sobre as coxas as apertei com um pouco de força, enlouquecendo com a textura da pele tão macia naquele lugar.
-Isso é loucura – murmurou Ivy contra meus lábios quando paramos em busca de ar.
-Não gema – ordenei com a voz rouca e ofegante – Se fizer barulho vão descobrir a gente.
-O que está pensando em fazer?! – Ivy continha até certo desespero na voz.
Sorri para ela, pus uma de minhas mãos no bumbum dela para segurá-la enquanto a outra deslizava rapidamente para o pequeno espaço que tinha entre meu corpo e o dela, adentrando o meio das pernas dela até encontrar o tecido muito úmido da calcinha. Ivy arfou forte e ficou extremamente vermelha, mas não tardando a por a boca em meu ombro para conter um gemido. Coloquei a mão dentro da peça íntima dela e logo estava massageando o sexo extremamente excitado pela situação e toques. Eu não poderia provocá-la demais, tinha de ser rápido pois ali era tão público que até mesmo uma criança poderia nos flagrar. Não hesitei em penetrar dois dedos de uma vez só, o interior dela tão molhado e apertado que me forçou a morder o lábio com força para que eu mesma não gemesse.
Ivy embrenhou uma mão em meu cabelo, o puxando com força enquanto a outra mão ia para dentro de minha camisa arranhar minhas costas com igual intensidade. Ela me mordia ou chupava meu pescoço e ombro para extravasar o ímpeto de gritar de prazer. Meus dedos moviam-se rapidamente entrando e mal saindo. Porém em meio a toda aquela loucura de luxúria e prazer, escutamos a porta abri e ouvimos duas vozes de garotas entrando no banheiro.
-Você viu como ela está ridícula com aquele penteado? – falava uma voz feminina muito fina.
-Quero saber como ela conseguiu ter tanta coragem de sair de casa daquele jeito! – respondia a outra.
Meu coração faltava explodir. Medo e excitação se misturavam. Ivy havia ficado tensa e erguido o olhar para mim, alarmada. Mas então a senti ainda mais molhada, se é que é possível, em meus dedos. Ivy ficou mais quente ainda por ter pessoas tão perto! Sorri travessa enquanto penetrava devagar meus dedos até ficar completamente dentro. Ela me olhou parecendo prender o ar, fechando os olhos com força. Fiz movimentos lentos com meus dedos, levando o polegar até o clitóris para provocar ao mesmo tempo em que mantinha um ritmo lento e extremamente perigoso.
-Você soube que o Dougie ficou com a Flávia?! – a voz fina continuava a fofocar – Ah me empresta o seu batom?
-Sério isso?! Coitada da Luana, ela já poderia ser uma árvore de natal, o que não falta é galho na cabeça dela – a outra ria em escárnio.
Apertei o bumbum dela e a fiz rebolar tão devagar quanto possível, movimentos bruscos chamariam atenção. Ivy fez uma expressão de extremo prazer e enterrou novamente a cabeça em meu pescoço para conter os gemidos, sua mão tornando a me arranhar. Ela não demorou a ter o seu primeiro orgasmo, arqueando as costas quase batendo na parede atrás de si.
-Você acha que o Adam está afim de mim? – uma das garotas perguntou.
-Não sei, sinceramente acho que ele é viado, já viu como ele olha para o Steve?!
Elas não iam embora. Parei de provocá-la com o dedão e concentrei apenas nos movimentos dentro dela, passando a retirar os dois dedos lentamente e estocá-los para dentro da maneira mais forte que conseguia com aquela posição. Ivy me mordeu e puxou o cabelo, segurando-me com força para não cair de meu colo, apertando-me entre suas pernas. Fiquei nisso até fazê-la ter um orgasmo e derramar seu gozo em minhas mãos.
-Vamos, o pessoal está esperando – chamou a garota de voz fina.
Assim que escutamos a porta fechar gememos juntas, finalmente podendo tirar da garganta aquela vontade de deixar escapar todo o tesão contido. Ivy finalmente apoiou-se no chão e eu me afastei um pouco, quando a olhei ela ainda estava aérea, fazendo-me rir baixinho. Segurei em sua mão e saímos em direção a pia. Joguei uma enorme quantidade de água em meu rosto tentando abaixar ainda todo o tesão aceso dentro de mim.
-Mio Dio Shay! – Ivy exclamou ao olhar-me melhor, rindo alto depois – Scusa!
Olhei-me no espelho e fiquei surpresa. Qualquer um pensaria que eu fui estuprada. Meu pescoço e ombro estavam vermelhos e com marcas roxas mais fortes em determinados locais. Em outros dava para ver muito bem o desenho dos dentes de Ivy quando ela me mordeu. Comecei a rir também, jogando um pouco de água na italiana selvagem.
-Disse que não era para gemer, mas falou nada de outras formas de contenção – defendeu-se Ivy.
Ela olhou para o espelho para ajeitar o cabelo bagunçado, fiquei a admirá-la feito uma boba. Se antes ela já era linda, a amando do jeito que estava àquela italiana se tornava o ícone total da beleza para mim. Poderia ficar hipnotizada por horas, dias, apenas a olhando e pensando que era minha. E poderia jurar que depois do sexo ela estava irradiando algo tão forte que atraia ainda mais.
-Tire esse olhar da cara! – Ivy recuou assim que me encarou novamente.
-Estava só pensando que você ficou ainda mais gostosa depois de transar em público – falei descaradamente, piscando um olho para ela.
Ivy ficou vermelha, sem jeito, mas sorria maliciosa. Podia ser loucura, ilegal, perigoso e até imoral, mas ela adorava tanto quanto eu essas loucuras que fazíamos. Igual quando a toquei intimamente pela primeira vez na cachoeira. Ela aproximou, porém de forma carinhosa tocando meu braço em um carinho gentil.
-Vou dormir em sua casa hoje, dessa vez o Fred que vai me cobrir, disse que íamos para uma cidade vizinha ver um show – ela avisou sonhadora – Ai à noite e madrugada será toda nossa.
Sorri grande e já ia me aproximar mais quando uma senhora entrou no banheiro. Ivy se afastou rapidamente e corou levemente. Fui até o papel toalha para enxugar minhas mãos.
-Vá à frente, estou distraída demais ainda – Ivy mandou evitando me olhar.
-Qualquer coisa, me mande uma mensagem ok? Podemos fugir ainda – falei com um ar de esperança.
-Iriam estranhar – negou Ivy e suspirou, logo depois abriu um sorriso encantador – Até mais a noite. Às oito.
A senhora entrou no banheiro e eu lancei um beijo para Ivy, que fingiu pegá-lo no ar. Era algo tão bobo e brega que me fez rir e ter o coração disparado ao mesmo tempo. Sai dali nas nuvens, mas notando cada passo que dava. Se tropeçasse iria rir e dizer que o dia estava lindo, apesar de ter nuvens carregadas do lado de fora. Quando voltei Danielle estava irritada, afinal não fazia ideia de quanto tempo tinha demorado em minha pequena aventura. Ao me ver, ela arregalou os olhos e me olhou um tanto confusa, mas quando sorri maliciosa minha amiga logo entendeu o que aconteceu e começou a rir tanto que chamou a atenção.
Ivy chegou quinze minutos depois, tímida o suficiente para que Lindsay estranhasse. E então a garota olhou para mim, fez a mesma expressão que Danielle ao notar meu estado e depois começou a rir também, fazendo com que Ivy corasse violentamente. Aquilo definitivamente tinha sido uma das aventuras mais prazerosas que já tive na vida.
Depois tive de praticamente correr para casa e ajeitar tudo para quando Ivy chegasse. Felizmente Alejandro havia me dado uma folga para que pudesse aproveitar toda a minha noite romântica com minha namorada. Havia feito um pouco como no hotel, comprado algumas velas, um vinho e comida encomendada. Porém maior parte de meu tempo foi preparando o presente dela, algo que como o anel que havia dado ela poderia guardar pelo resto de sua vida, se o aparelho durasse até lá. Às sete horas comecei a me arrumar, levando um bom tempo para poder estar pronta finalmente. Uma calça jeans nova, blusa caída de um lado e soltinha, um cinto fino para marcar a minha cintura e barriga lisa. Estava até mais feminina do que o de costume.
Oito horas em ponto a companhia tocou. Assim que a atendi meu coração parou no lugar e depois ao reviver disparou tão forte que poderia morrer ali mesmo. Ivy usava um vestido preto com um decote muito generoso, o suficiente para que eu soubesse que ela não usava sutiã. As costas também estavam nuas e nas pernas havia uma ligeira evidência de que ela estava usando cinta-liga. O cabelo estava bem arrumado e com ar de que foi ao salão, tão lindo e perfeito.
-Shay – Ivy chamou e eu fiquei um pouco vermelha.
-Desculpe, me perdi em você – respondi com um sorriso culpado.
Assim que ela entrou eu a beijei. Mas surpreendentemente não foi um beijo agitado e cheio de desejo, pelo contrário. Foi longo, carinhoso, íntimo e cheio de carícias. Do tipo que eu poderia passar a minha vida toda ou morrer por não ligar mais para o oxigênio que meus pulmões precisavam.
-Vamos jantar, quero logo passar essa parte – Ivy murmurou contra meus lábios – Temos muita coisa para fazer. Quero meu presente.
-Tão romântica você – ironizei dando um último selinho nela.
No jantar tudo foi tranquilo. Eu havia posto uma música suave de rock clássico e romântico, uma coletânea que eu mesmo havia montado. Conversamos sobre quase tudo, desde a escola até a conversa que aquelas duas garotas estavam tendo enquanto tínhamos um sexo delicioso a menos de cinco metros de distância. Quando terminou ainda enrolei Ivy a puxando para dançar lento e coladinho, trocando beijos carinhosos e românticos, dizendo algumas frases bobas e apaixonadas, além de uma mão boba aqui e acolá.
-Eu quero te dar o seu primeiro presente – Ivy falou parando de dançar.
Fiz que sim com a cabeça enquanto ia pegar o meu dentro do armário da sala, onde havia colocado para ter fácil acesso. Quando voltei ela estava sentada, com as pernas cruzadas e distraída o suficiente para não perceber que o vestido havia subido o suficiente para relevar a mais gostosa das surpresas.
-Ivy, você não está usando calcinha? – perguntei vermelha e sentindo meu corpo esquentar.
Ela ficou surpresa, mas sorriu e deu de ombros, fazendo o favor de matar-me ao descruzar as pernas e cruzá-las novamente de forma contrária. A italiana riu de minha expressão e me chamou para sentar ao seu lado, mas agora era difícil não devorá-la com os olhos. Ela foi a primeira a entregar-me um estojo aveludado e preto. Com o coração um tanto quanto disparado eu o abri e sorri sem perceber ao ver um colar com um coração em pingente.
-Abri o coração – Ivy pediu calmamente.
Obedeci e o abri. Em uma metade do coração estava uma foto nossa, uma das raras que tínhamos juntas e coladinhas, quase nos beijando e olhando uma para outra. No outro havia um raio bem desenhado.
-Pensei que o raio iria significar tudo o que iria dizer em palavras. Eterno como uma tempestade, não é? – Ivy disse baixo, como se me segredasse algo.
Nada falei apenas a beijei com uma sofreguidão e paixão que eu mal sabia como conter dentro de meu corpo e alma. Estava feliz como nunca estive em minha vida. Porém ela me afastou quando as coisas começaram a ficar intensas, ela pediu pelo presente dela.
-Ok... Você sabe que eu não posso te dar joias ou até mesmo algo de ultima geração – comecei a falar até mesmo tímida – Mas pensei em algo tão só meu que seria apenas seu. Que só você iria conhecer e ter para sempre, se assim o quisesse.
Peguei o pequeno pacote embrulhado e dei para ela. Ivy pareceu a uma criança quando o abriu sem paciência, rasgando o papel vermelho que cobria a caixa do mp4, para ela provavelmente uma tecnologia um tanto ultrapassada em comparação ao iPhone que ela tinha.
-Antes que diga algo, pegue e escute o que coloquei ai dentro – falei nervosa, pegando eu mesma o aparelho, o ligando e pondo os fones que vieram junto com o aparelho – Pegue, e não fale nada, vou morrer de vergonha se o fizer. A primeira faixa é para quando brigarmos, então você poderá vim e escutar.
A curiosidade era evidente naqueles olhos que teimavam em me tragar sempre que a fitava. Ela pós os fones e eu dei play, sabendo exatamente o que ela iria escutar. Uma gravação de voz em que eu havia feito e que dizia:
“Não sei por que brigamos dessa vez, mas não esquece. Você é meu primeiro e único amor, sou cheia de defeitos e você também, somos diferentes ao extremo. Mas quando estamos juntas é como se tudo fizesse sentido e meu coração batesse finalmente na sincronia certa, ao lado do seu. Então, volte para mim, eu te amo”.
Ivy tinha lágrimas nos olhos, mas só chorou realmente quando os primeiros acordes do violão ressoaram em uma nova gravação. Havia usado de meu equipamento de DJ para conseguir gravar músicas de boas qualidades e colocar ali. Uma coletânea inteira cantada apenas por mim, para ela em versão acústica. A primeira das músicas é I won’t give up do Jason Mraz, perfeita para um pedido de volta, que não iria desistir do amor, de nós. Esperei que essa música acabasse para que pausasse e desligasse o aparelho.
-Há cerca de 7 músicas gravadas, apenas eu cantando e tocando. Foi difícil e como fiz as pressas não ficou tão bom quanto eu queria, tive essa ideia hoje... Então provavelmente vou querer novamente para ir atualizando com músicas que nos lembre de algo relacionado a mim e a você.
Assim que terminei de falar Ivy jogou-se em meus braços em um abraço apertado. Ela ainda chorava e eu tentava quase que em vão limpar as lágrimas que escorriam com beijos e carícias nas bochechas.
-Eu te amo, eu te amo – ela repetia tão sinceras nas palavras – Te amo tanto que eu não consigo explicar.
-Eu sou sua, como eu nunca fui de alguém, até mesmo de mim mesma – disse em um sussurro verdadeiro – Vamos para o quarto?
Ela fez que sim com a cabeça sorrindo e se roçando em mim propositalmente, rindo pela minha falta de ar espontânea. A peguei no colo e ela não reclamou. O resto da nossa noite de aniversário foi cheia de declarações, amor, sexo, risadas e abraços. Entregamos-nos de uma forma que eu sabia não ter mais volta.
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