Simplesmente

19 Capítulo 19: Final das Férias


Notas iniciais
Como eu avisei, nem tudo é flores então... Espero que não tenha demorado muito, eu to perdendo noção de tempo já ç.ç

Pov Shay

A viagem de volta foi mais rápido do que a de ida. O avião parecia mais veloz, o tempo parecia não ser o mesmo. Talvez porque não quisesse sair daquele litoral onde havia feito as melhores lembranças de minha atual existência. Tudo bem, era exagero, mas foi como um sonho e ter de acordar para a realidade não era a coisa que eu mais queria fazer no momento. Entretanto, o mundo continuava a girar, sentia falta de Sean e sabia que o resto das férias iria recompensar o meu trabalho perdido enquanto estava debilitada do acidente.

Como esperado, Fred veio buscar a irmã e já nos esperava no saguão principal. Ao vê-lo Ivy largou o carrinho com as malas dele e correu na direção do garoto, praticamente se jogando nos braços dele. Sorri com a cena e demorei de me aproximar por empurrar os dois carrinhos, um com cada mão. Nunca fui uma boa motorista.

-Aspetti – ele pediu franzindo o cenho e pegando a mão de Ivy – Isso é um anel de compromisso?!

-Bom, é o que parece – respondi meio irônica.

-Não pode usar isso! – ele me fitou sério e depois para Ivy – Nossa mãe percebe tudo, sabe disso. Ela logo perguntará quem é o garoto e irá querer conhece-lo já que você nunca usou um anel assim antes.

-Ma io não quero tirá-lo – reclamou Ivy com seu jeito mimado.

-Esperem.

Larguei as coisas e me dirigi até a parte das lojas do aeroporto. Demorou cerca de quinze minutos para encontrar o que queria e mais dez para encontra-los novamente. Ivy já estava nervosa e discutindo algo em italiano com o irmão. Mas assim que ela me encarou tratei de dar o meu melhor sorriso.

-Resolvi um pouco o problema, assim não vai precisar deixar de usar realmente o anel.

Mostrei a corrente fina de prata que havia comprado. Fred pareceu aceitar a ideia e nada falou enquanto Ivy retirava o anel e eu colocava-o na corrente. A própria Ivy pós o novo colar no pescoço e escondeu o seu pingente especial dentro da camisa. Sorrimos e antes que disséssemos algo Fred pigarreou e praticamente nos arrastou para o seu carro. Eu já sabia que não adiantaria negar a carona até em casa.

Ver Sean me esperando na porta ansioso fez toda a melancolia de deixar a praia ir embora. Quando eu saí do carro ele praticamente imitou Ivy, correndo e pulando encima de mim. Eu o abracei com toda a minha força, até escutá-lo reclamar que estava quase quebrando seus ossos.

-Se comportou? Está bem? Não passou mal? Espero que não tenha bebido só refrigerante esse tempo todo! – falei em disparada, buscando os olhos de meu irmão.

-Relaxe Shay – Alejandro falou se aproximando – Ele foi exatamente como você.

-Isso é capaz de preocupa-la mais ainda – Ivy provocou.

-Hey!

Eles riram e eu tratei de abraçar novamente o meu melhor amigo e logo depois a Brandon, que saiu logo depois de dentro da casa. Eu não sabia o quanto tinha sentido a falta deles até realmente reencontrá-los. Aquelas pessoas eram simplesmente peças fundamentais de minha vida. Não conseguiria funcionar direito sem elas, não mais. E isso incluía Ivy.

-Bom, provável que minha mãe me prenda por uns dias em casa e nas festas dela para compensar meus dias fora – Ivy lamentou encostando no carro do irmão.

-E temos de ir logo, ela já mandou mensagem perguntando o porquê estarmos atrasados – Fred falou do outro lado do carro, já retirando minhas malas da Ferrari.

-Eu cuido disso – Brandon se prontificou a pegar minhas malas.

-Vamos dar um jeito, ainda temos um tempo de férias – disse me aproximando da italiana, ela logo me abraçou fazendo aquele bico dengoso – E vamos aproveitar antes de voltarmos pro inferno chamado escola.

-Acho bom mesmo. E você não ouse tirar o anel, essas piranhas tem de saber que agora você tem dona.

Sorri divertida com a ponta de ciúmes que ela tinha e a beijei em despedida. Foi torturante ter de me separar sabendo que não a veria. Ou saber que não dormiria com ela novamente. Voltei para casa e respirei fundo, me sentindo bem mesmo estando em um lugar humilde e sem luxo, mas aconchegante. Os garotos me impediram de ir dormir, ficaram me perturbando por causa do anel e perguntando absolutamente tudo sobre a viagem. Claro que certos detalhes só contei quando Sean for dormir.

Passei exatamente quatro dias sem vê-la. Já estava chegando o fim de semana quando Lindsay nos salvou fazendo o favor de inventar uma festa do pijama na casa dela para a mãe de Ivy. Porém isso basicamente resumiu o resto de nossas férias. Passávamos alguns dias sem nos ver, porém sempre inventando uma desculpa para estarmos juntas. A noite era mais complicado por ter o meu trabalho, mas as tardes eu dedicava inteiramente a ela. Saíamos para passear, íamos ao cinema e às vezes a alguma festa, o que era raro já que eu trabalhava durante a noite. Depois da festa do Robert, minha popularidade aumentou e até recebi ofertas para trabalhar em outros clubs, porém tive de recusar pela inflexibilidade de horários. Não aguentaria passar muitas noites madrugando e estudar ao mesmo tempo. Apesar de precisar do dinheiro também precisava de minha bolsa de estudos.

Faltavam apenas dois dias para as aulas retornarem e eu estava trabalhando no Fuego, já que era um sábado. Ivy não poderia aparecer, os pais estavam dando um jantar com os amigos da família, o que segundo minha italiana era um tédio e bajulação para todos os lados. Passava da meia noite quando alguém encostou no balcão e inclinou em minha direção. Pensei ser apenas uma dessas garotas querendo flerte, por isso fingi não ver e continuei a ajeitar as coisas.

-Mas é tão sem coração que esquece as velhas parceiras?

Meus olhos se abriram o máximo em surpresa, ergui minha cabeça tão rápido quanto havia reconhecido aquela voz. Parada ali estava uma garota ruiva, de olhos extremamente verdes e um sorriso brincalhão em lábios cheios e pintados de vermelho. Meu coração disparou forte ao vê-la ali, contive meu impulso de gritar, mas fiquei repetindo “oh meu Deus” até dar a volta no balcão e agarrá-la em um abraço forte.

-MEU DEUS – repeti pela milésima vez – Dani o que faz aqui?! Não deveria está na Espanha?!

-Também senti sua falta Shay – ela riu e retribuía o meu abraço de urso, mas depois murmurou emocionada – Senti muito sua falta.

Afastei para olhá-la melhor. O sorriso divertido dela era o mesmo de anos atrás, não resisti e a abracei novamente. Danielle era uma “órfã” como eu, abandonada para ser adotada por alguma família caridosa ou aproveitadora. Porém ela dera mais sorte do que eu, indo para uma família espanhola que a amava de verdade. Nos afastamos pela segunda vez e eu ri feito uma criança ao ganhar o melhor presente.

-Como me encontrou? Não estou mais com... Aqueles caras lá – falei em relação aos meus “pais” adotivos.

-Foi complicado, mas eu sempre te acho – Dani respondeu piscando o olho.

Isso era verdade, nunca conseguia escapar nas brincadeiras de esconde-esconde.

-Mas o que faz aqui? Não que eu não esteja feliz em te ver, mas há mais de cinco anos você foi embora e nunca mais entrou em contato! – falei em tom de reclamação.

-Você que fugiu, sabiamente, da casa e esqueceu de avisar o seu novo número. Eles não sabiam nenhum contato com você – Dani se defendeu e sorriu grande – Vim para me preparar pra fazer universidade aqui, ganhei bolsa por causa do vôlei! Então claro que vim procurar minha irmãzinha desnaturada e encrenqueira. Mas que surpresa eu fiquei ao saber que era uma mulher trabalhadora!

-Shay! – chamou Brandon perto do palco – Estamos precisando de mais whisky, vai pegar no porão.

-Já volto, não fuja! – implorei agitada.

-Não vou sair daqui – Dani prometeu encostando melhor no balcão.

Sorri e praticamente corri para o porão. Porém os whisky não estavam repostos no lugar certo e levei um tempo até achar as melhores garrafas. Quando voltei entreguei para Brandon e encontrei Danielle sentada em uma mesa perto do balcão, a predileta da Ivy. Sorri grande imaginando o susto que Dani teria ao descobrir que eu estava namorando a sério. Aproximei de Alejandro e expliquei rapidamente o que estava acontecendo, ele prontamente se ofereceu para ficar um pouco de barman, o que me permitiu ir sentar junto a minha velha amiga.

-Demorou – ela acusou em brincadeira.

-Esses inúteis não sabem organizar as garrafas direito – reclamei alto o suficiente.

-Eu estava ocupado demais para prestar atenção! – Alejandro logo se defendeu.

-Aham, se o Brandon estiver lá sei exatamente que tipo de ocupação foi essa – provoquei e rimos, ao que parece eu estava certa – Dani, esse é meu vizinho e patrão, Alejandro. Ale essa é Dani, como eu disse uma amiga do Santa Helena.

-Então sobrou pra você aguentar essa diabinha? – Dani perguntou para o Ale.

-Nem com exorcismo feito pelo Papa ela melhoraria – respondeu ele com um ar pesaroso.

-EI! Eu to aqui ta? Por favor, falem mal longe da minha presença?

-Mas me conte Shay! Como foi sair de casa? Onde está morando? Está pegando todas aposto! Sua casa deve ser um motel particular.

Sorri de lado e comecei a contar, mas foquei principalmente no Sean. Era a parte que ela deveria saber primeiro e que ela nunca poderia imaginar. Ela ficou realmente surpresa e me escutou séria, mal falando e me deixando desabafar. Com Dani eu não tinha reserva ou pudores, crescemos juntas e nos criamos praticamente. Já beirava uma hora da manhã quando percebi meu celular na mão dela e ao seguir meu olhar ela corou um pouco.

-Ah, esqueci de avisar, estava tocando e eu fui atender só para zuar com suas amantes. A garota parecia realmente ciumenta e possessiva, começou a perguntar quem eu era e onde você estava. Eu respondi que ela não deveria saber onde estava minha garota – Dani disse quase rindo.

-Espera! – a interrompi sentindo meu sangue parar de circular – Ela tinha sotaque italiano?

-Eu acho que ela era. Falou muita coisa que eu não entendi – Dani riu mais ainda – Sério, onde você arranja essas figuras?

-Não brinca! – eu a cortei de novo – O que você disse exatamente sobre essa história sobre minha garota?!

-Calma... Ela reclamou começou a perguntar quem eu era e exigia saber onde você estava. Que eu estava mentindo. Ai eu perguntei como então eu estaria com seu celular se não fosse alguém importante... Fiz algo errado?

Gemi em desespero. Tirei de meu bolso o anel e o coloquei no dedo. Os olhos esverdeados de Dani cresceram em total choque e surpresa.

-Eu o tiro para não perder enquanto estou trabalhando. Essa garota é minha namorada, Ivy Lazinni e sim, ela é italiana – expliquei me jogando contra a cadeira e imaginando o que iria acontecer.

-Você está namorando?! – Dani quase gritou.

-Todos reagiram assim – Alejandro escutou e veio me provocar, havia poucas pessoas já que a maioria geralmente viajava com os filhos por causa das férias – Contou pra ela sobre a Ivy?

-Ela atendeu um telefonema da Ivy e pensou que era apenas uma garota qualquer e a provocou – disse em um tom de derrota – Eu vou morrer.

-Eu irei em seu enterro, porque a Ivy vai ficar uma fera! – riu Alejandro sem piedade.

-Desculpe, eu nem imaginava. Você mudou tanto Shay... – Dani pediu sincera.

Ela esticou a mão para pegar a minha e apertar, era o que fazíamos como sinal de que estávamos apoiando uma a outra. Respirei fundo imaginando as coisas que se passavam na cabeça de Ivy e como ela iria me matar. Mas eu não precisei pensar muito.

-Shay Williams!

Eu saltei da cadeira a jogando no chão no movimento em um forte susto. Ivy estava perto da porta completamente irada. Ela havia visto a mão da Dani sobre a minha e o momento, provavelmente interpretando tudo errado. Danielle também levantou um pouco tensa, entendia bem o que ela estava sentindo pois a Ivy estava assustadora. E linda. Usava um vestido vermelho que ia até o meio das coxas, porém comportado em seu decote e colado na cintura definindo bem as curvas. O cabelo estava solto e bem penteado, a maquiagem simples e o salto alto era preto.

-Ivy, eu posso explicar – disse a frase mais clichê para o momento – Não é o que você esta pensando.

-Sta 'zitto! – ela disse com raiva o suficiente para saber que ou havia me xingado ou mandado calar a boca.

Ivy estava transtornada, podia ver isso em seu olhar. O problema era que mesmo assim sua expressão era fria, assassina praticamente. Ela se aproximou de Danielle e eu tive um medo real do que poderia acontecer. Tentei me aproximar, mas Dani fez um sinal com a mão para que eu ficasse onde estava.

-Io non sei que você é, não sei de qual inferno saiu – Ivy falava em um tom baixo, mas perigosamente ameaçador e intimidador – Ma essa ragazza stupida é mia! Não sei como se conheceram antes, mas agora ela é minha namorada. Então tire todas as suas esperanças de dormir com ela, que apesar dela merecer morrer, você nunca mais vai conseguir isso!

-Ivy... – tentei interromper.

-Fique quieta! – ela brigou comigo alterando seu tom de voz – Como pode dar ousadia para essa cagna?!

-Escute-me! – implorei me aproximando e tentando pegar no braço dela.

-Não me toque! Você estava de carícias com essa dai! – Ivy se afastou bruscamente.

-Não fale assim dela – defendi Dani quase sem perceber – Por favor, me escute, eu posso explicar e você irá entender.

-Eu falo dela como eu quiser, ela estava no direito de achar que você era dela. Mas pelo visto algo há porque você está defendendo essa ragazza! No final das contas você não aguenta mesmo ver um rabo de saia não é?

O ódio vinha em todas as direções, bloqueando o raciocínio de Ivy. Eu sabia que ela era ciumenta, mas esse sentimento parecia transbordar em mistura a uma mágoa. Olhei para os lados e vi que todos os clientes estavam nos encarando, assim como Brandon e Alejandro. Respirei fundo e avancei rápido para Ivy não dando tempo para ela se esquivar. Segurei o braço dela e praticamente a arrastei para o escritório do Alejandro. Ela veio o caminho todo mandando que eu a soltasse e soltando frases enraivadas em italiano. Assim que entramos a empurrei para dentro, fechei a porta e a tranquei.

-Você não tem o direito de me tratar assim! – ela gritou sem se conter mais no tom, começando a se mover de um lado para o outro e a ficar agitada.

-Você está sendo mimada e está deixando que o ciúme não me deixe falar nada – reclamei tentando manter a paciência – Poderá me matar se ainda achar que eu estou errada depois do que eu me explicar. Mas eu tenho o direito a pelo menos isso.

-Você não tem o direito a mais nada! Você estava com as mãos dadas com ela, estava toda caidinha pro lado dela. O que ela tem? Prefere ruivas? Porque deixou que ela falasse aquilo tudo? Quer saber, você é uma stupida! Ti odio!

-Ivy! – gritei pela primeira vez – Cale a porra dessa sua boca e se contenha!

Eu nunca havia falado com ela desse jeito. A surpresa dela quase foi a minha, mas ser acusada dessa forma estava me tirando do sério. Estava ofegando de tão pressionada que estava sendo, nunca gostei de me sentir presa ou sufocada e aquela garota parecia querer me fazer sentir culpada por algo que não havia feito. Aproveitei o silêncio dela para me explicar em um tom mais ameno.

-Danielle...

-Oh agora ela tem nome – Ivy logo reagiu contrariada me fitando com certo rancor.

-Ela é uma amiga de infância, órfã como eu e foi criada junto comigo pela Olivia. Ela foi adotada e se mudou para a Espanha enquanto eu continuei aqui e fui adotada por outra família. Dani voltou e sabia de nada desde que eu havia me mudado da casa dos meus pais adotivos – expliquei da forma mais resumida possível.

-Transou com ela nesse meio tempo? Não duvido nada que você fosse precoce – Ivy atacou.

-Mais respeito com ela! – exigi realmente brava agora – Dani foi minha primeira amiga, a primeira pessoa que eu pude confiar de verdade, você não tem peito para falar qualquer coisa dela.

Eu pude ver o quanto a magoou defender Danielle e não a ela. Porém, mesmo que eu a amasse e de certa forma sofresse no fundo por estar fazendo isso, Dani era como uma família. E eu defendia minha família até a morte. Eu sabia que Ivy estava sendo controlada pelo ciúme, pela posse. Mas isso não diminuía o ataque de suas palavras ou justificava a atitude baixa que ela estava tendo.

-Dani voltou para cá e me procurou. Eu tive de ir ao porão buscar bebidas e nesse tempo você ligou. Ela achou que era uma de minhas ficantes e resolveu brincar. Quando voltei ela já tinha encerrado a ligação e não me avisou. Passei um tempo contando a ela sobre o Sean e quando vi o celular na mão dela Dani começou a explicar o que tinha acontecido. Eu sabia que você estaria enciumada e ela tentou me consolar e pedir desculpas. Foi quando você apareceu e fez esse escândalo.

-Escândalo?! Ela disse que você era a garota dela!

-E eu passei o resto de meus dias desde que começamos a namorar dizendo que eu sou sua. Isso não vale nada?! Não poderia ter confiado em mim que te entreguei tudo o que tenho e me escutado um pouco?!

Ivy abriu a boca para tentar dizer alguma coisa, mas a fechou ao notar que eu estava zangada e magoada também. Eu nunca havia chegado a esse ponto com nenhuma outra garota, nunca havia me entregado dessa forma e ela sabia. Então porque não confiar um pouco em mim? Porque não lembrar que eu disse que a amava.

-Aprenda uma coisa, italianinha – falei o antigo apelido que usava quando a odiava na escola – Eu não traio. Porque eu sei como é ter pessoas fodendo com sua vida e lhe dando as costas. Posso ter feito isso quando não havia compromisso, mas eu não estava jogando ou me aproveitando quando te pedi em namoro. Isso não é uma brincadeira sua que você pode controlar e dizer as regras. Entendeu?!

Ela fez que sim com a cabeça, ainda arfando e sem controle. Ainda estávamos tensas e levaria um tempo para Ivy absorver tudo o que aconteceu. Abri a porta e fiz sinal para que ela saísse. Ivy hesitou, mudando o peso de uma perna para outra, parecendo finalmente entender que ela estava errada. Porém, orgulhosa, ergueu o queixo e saiu dali sem me olhar. Fechei os olhos e passei a mão no rosto. Porque ela tinha de ser tão teimosa?!

Quando voltei ao salão Danielle conversava com Henry. Isso irritou Ivy a tal ponto dela avançar para o garoto e puxá-lo.

-Vamos, me leve de volta para casa. Você veio aqui por mim.

Henry não ousou discutir, se despediu com um aceno e saiu junto com minha namorada. Senti um peso no peito, de repente estava cansada como se tivesse trabalhado todas as horas da semana. Olhei para os lados e vi que já não havia cliente nenhum e já estávamos perto de fechar. Suspirei e me joguei na cadeira mais perto. Sentia uma vontade absurda de chorar, odiava a sensação de briga que havia ficado, odiava ter esse sentimento de mágoa pela falta de confiança dela. Sentia-me tão frágil e pequena que era difícil segurar-me.

-Hey, hey – Danielle logo se aproximou e apertou meu ombro – Não se preocupe, ela vai entender.

-Ela já entendeu, só é orgulhosa demais para se redimir – respondi em um fio de voz, estava a ponto de chorar.

-Ivy pode ter errado, mas você sabe que é da personalidade dela Shay – Alejandro lembrou.

-Não dói menos – murmurei fitando as minhas mãos e vendo o anel – Porque é tão difícil confiar em mim? A gente passou as férias juntas o tempo todo, ela sabe que eu a amo, que daria minha vida por ela. Então por que brigar agora por algo que ela nem sabia?

-O medo de perder quem a gente ama é irracional – Danielle falou calmamente – E você era uma vadia, não se esqueça disso. Pense no que poderia ter passado na cabeça dela. Eu sou gostosa o suficiente para ela se sentir ameaçada.

Ri a contra gosto, Danielle era mesmo linda, mas eu a via apenas como irmã. Talvez ela tivesse razão, talvez não. Levantei e passei a mão no rosto tentando disfarçar a minha expressão de choro.

-Vamos pra casa, Dani vem comigo, você precisa conhecer o Sean – convidei prontamente.

-Amor, leva um pouco da janta que sobrou e ficamos todos lá – Brandon opinou.

-Ótima ideia! – Alejandro prontamente foi para a cozinha.

-Mas ein, que mulher você foi achar. Eu primeiro pensei que ela ia surtar no lugar, mas depois fiquei com medo de morrer. Ela veio direto delimitar o domínio dela! – Dani não resistiu a provocar.

-Ivy é conhecida por ficar uma fera quando se trata da Shay. O mesmo aconteceu no hospital quando Shay sofreu acidente – Brandon lembrou rindo.

-Que acidente?! Você está toda inteira não é? – Dani prontamente se preocupou.

-Longa história... – murmurei lembrando o episódio.

Alejandro retornou com algumas quentinhas de comida e seguimos. Deixei que Alejandro e Brandon contasse tudo durante o caminho, não conseguia controlar as emoções dentro de mim. Lembrar-me de como a Ivy foi nessa época apenas fazia que eu amasse, porém o que aconteceu agora a noite matava-me por dentro. Maldição, porque tudo tem que ser um paradoxo?!

Notas finais
Então é isso. Não posso dizer quando vou postar de novo, mas prometo que tento não demorar muito. E ainda vou responder a todos os reviews, eu prometo. Só me falta tempo! ~to parecendo político prometendo tantas coisas~
Vocês são ciumentas? 'o'