Simple as Our Life

1 Capítulo 1 - Ana


Notas iniciais
A história de nossos seis amigos começará numa simples garota, que nada tem de especial em sua aparência. A única coisa que a faz sempre ser a primeira a se apresentar dos seis era seu nome, que na realidade, também não tinha nada de especial: mas ele começa com ‘’A’’.

Pé, pé, pé, pé...

Ana revirou-se na cama, irritada por ter sido acordada pelo maldito despertador. Por que diabos aquilo tinha que fazer um barulho tão alto e irritante? Por que ela tinha que acordar nesse horário, se já havia concluído o terceiro colegial? E aquele mau hálito – aaah, aquele mau hálito nojento que ela tinha toda manhã! Ela nunca fizera nada para merecer aquilo!

‘’Meu God’’, pensou, ‘’e esse meu maldito mau humor? ’’

Com um último suspiro cansado, ela se levantou e por pouco não destruiu seu relógio em formato de maçã verde. A fruta favorita de Ana era maçã. Mas Ana não gostava tanto assim de maçãs verdes; preferia mil vezes as beeem vermelhinhas.

Porém, a cor favorita dela era verde – graças a seu pai, que a fizera crer cegamente quando pequena que o verde era uma cor linda. Ele era palmeirense, e por isso, Ana também era, apesar de não gostar de futebol.

Arrastando os pés até o armário, ela bocejou. Sempre acordava de saco cheio e cara emburrada, e mantinha-se assim até escovar seus dentes com uma generosa quantidade de pasta. Não era o sono que a deixava de mau humor: era o mau hálito matinal.

Abriu a porta do armário, e olhou-se no espelho comprido que sua avó e avô postiços colocaram para que ela pudesse contemplar-se. Ana pegou sua escova de cabelo e penteou com brutalidade os fios virgens loiros, emaranhados por conta de sua posição fetal durante a noite. Realmente, seu cabelo era muito forte – caso contrário não agüentaria o método medieval e sem paciência com qual Ana arrumava-os, os deixando lisos e brilhantes. Com a vista embaçada por conta da miopia, ela esticou o pescoço pequeno e branco para mais perto do espelho, encarando seus olhos grandes e castanhos escuros. Olhou a testa lisa e grande, inspecionou suas bochechas e o queixo pequeno. Os lábios estavam um pouco rachados, mas resolveria isso com um pouco de Bepantol*.

‘’Aháá! Comecei o dia bem. Sem bolhas de pura maldade, lalalalá... valeu Roacutan**! Você destrói fígados, mas pelo menos desempenha muitíssimo bem sua função de dar um basta nas espinhas e cravos malignos.’’

Dando pulinhos que ficavam ainda mais ridículos com Ana usando suas pantufas de sapo – verdes também – chegou ao banheiro e lotou sua escova de dentes com sua pasta favorita, que tinha um gosto tão ardido que quase ninguém gostava dela. Ana gostava dela justamente por ser tão ardida assim, pois dava-lhe uma sensação enganosa e refrescante de limpeza bucal. Ana também era apaixonada pelo seu Listerine.

Tomou como sempre seu banho extremamente demorado em temperatura média, lembrando-se vagamente de suas melhor amiga, Manu, lhe dizer quão tosco e ruim era a marca de xampu que ela estava usando no cabelo. Não que isso fizesse diferença para o cabelo de Ana ou para a própria vida de Ana. Escolhera o xampu não pelo preço, e sim pelo cheiro, e sentia-se confortável assim. Ele tinha cheiro cítrico.

Certa vez, em meio da aula de artes, Manuela soltou:

-Uau, seu cabelo cheira champagne com maracujá!

O que a amiga havia dito não era propriamente um mau adjetivo, mas no fundo, Ana se ofendeu, perguntando-se se ela cheirava a ressaca. No entanto, fez uma ótima atuação e dominou seu orgulho sorrindo para o comentário ingênuo de Manuela.

Por fim, saiu de seu banho morno e vestiu seu short preto de cintura alta com uma blusa regata listrada em branco e vermelho. Penteou novamente os cabelos e prendeu-os num rabo de cavalo lateral, deixando apenas a franja repicada cobrindo parcialmente a testa. Por fim, ajeitou seus óculos de armações grossas e pretas que, por um motivo muito estranho, faziam-na ficar muito mais bonita e charmosa, como diria Manuela.

Ao descer as escadas, fingindo para si mesma ter acidentalmente esquecido de arrumar sua cama e pegar o pijama jogado ao chão do banheiro, leu o bilhete de seu pai e sua madrasta.

Nele, o pai dizia que eles foram à Rio Claro, como Ana já sabia, e que se comportasse na casa de Leandro. Ana sabia muito bem que o pai não acrescentara a frase: ‘’E SEM GUERIGUERI’’ por achar que Leandro tinha as mesmas intenções com Ana que um adolescente alienado teria por uma orquestra sinfônica.Além de achar, internamente, que o grande amigo de sua pimpolha tinha tendências homossexuais, sendo que jamais mencionara isso a filha. Sabia que ela se magoaria com o comentário.

Ana riu com os incontáveis PSs. que o pai havia acrescentado. Anotou mentalmente que devia ligar para ele e mantê-lo informado de como estava seu dia. E pensando em besteiras como essa, Ana foi tomar seu café da manhã.

Fim do Capítulo Um.

Notas finais
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*Bepantol – pomada rica em vitamina B5 , encontrado facilmente em farmácias e tem a função de cicatrizar rapidamente assaduras e ressecamento.. No caso, a personagem o utiliza nos lábios por seres extremamente desidratados e rachados.
**Rocautan – medicamento de tratamento de acne. PS.: um de seus efeitos colaterais e ressecar os lábios.

Nhaaa, olá pessoas! Se você leram o capítulo inteeeiro, sou eternamente grata! -qs
Comentários, dicas, sugestões, elogios, qualquer coisa, fiquem a vontade ^^ Beeijos, AnaPVirgili
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.