Simpatia é Quase Amor
1 É hoje que o 'quase' vira amor!
Notas iniciais
Essa oneshot foi escrita especialmente para o evento de carnaval de um projeto KiriBaku na plataforma vizinha... A fantasia que eu deveria usar no plot era: empregada. Espero que vocês gostem!
Boa leitura!
— Ah, não, Kats! Cadê a sua fantasia?! — questionou Mina, levemente irritada.
Bakugō aproximou-se do grupo de amigos que o esperavam no ponto de encontro. O bloco “Simpatia é Quase Amor” ainda estava na concentração, e apesar de todo aquele tumulto não foi difícil encontrá-los na saída do metrô. Afinal, um grupo de quase 10 pessoas padronizadas com a mesma fantasia destoava parcialmente do restante dos foliões.
— É, Kazinho, que vacilo! Menos uma “empreguete” no rolé — Denki pontuou o óbvio, balançando a cabeça negativamente. — Você é tão sem graça…
Katsuki somente revirou os olhos, e segurou uma risada sarcástica ao ler a placa que Kaminari trazia pendurada no pescoço: Lavo, Passo e Cuzinho também.
— Foda-se — resmungou. Como se eu fosse me prestar a esse papel ridículo, tch! Passando os olhos pelo grupo, Bakugō constatou que faltava um importante integrante no local. — Cadê o Eijirō?
— Ah, então ‘tá explicado… Você veio atrás do crush, né? — Mina riu quando Katsuki bufou e cruzou os braços. Seu rosto tinha uma leve coloração avermelhada, e Ashido duvidava que fosse por causa do calor que fazia naquele sábado. — Ele foi comprar cerveja junto com o Hanta, mas já devem estar voltando.
— Relaxa, que hoje você dá uns beijos na boca! — Denki piscou, aproximando-se de Bakugō e apoiando as mãos em seus braços. A diferença de altura entre ambos era bastante evidente, Kaminari teve que inclinar a cabeça para cima ao dizer de modo sugestivo: — E já te aviso que você não perde nada por esperar… Eiji está delicioso, como sempre. Tome conta do seu bofe no bloco, Kazinho!
Katsuki estreitou os olhos em um claro sinal de aviso enquanto Denki ria feito uma hiena e afastava-se, porém, antes que pudesse dar um safanão no outro pela gracinha, a voz de Eijirō se fez presente rente ao seu ouvido sobrepondo o barulho ao redor.
— Hey, Katsuki! — A entonação suave trouxe-lhe um arrepio. Kirishima fez questão de esbarrar o peito desnudo no ombro exposto de Bakugō — que usava uma regata preta justa ao corpo definido — ao colocar-se na roda de conversa. — Que bom que você veio, cara!
Por mais que Bakugō conhecesse Kirishima há quase cinco anos, e viesse mapeando — há alguns meses — com as próprias mãos cada pedaço daquele corpo delicioso, que fora lapidado ferrenhamente com muita disciplina, whey protein e treinos de crossfit, ele não estava preparado para vê-lo fantasiado como o restante do grupo de “empreguetes”.
Puta que me pariu… Esse homem não cansa de ser gostoso, não, porra!?
Assim como os outros, Kirishima usava uma saia de tule preta sustentada pelas alças do suspensório, a meia calça arrastão estendia-se majestosamente pelas panturrilhas e coxas grossas; os ombros largos, abdômen e peitoral avantajado brilhavam em vários tons de furta cor graças ao glitter, que reluzia junto aos piercings nos mamilos em reflexo a luz solar. Era tanta purpurina que Bakugō suspeitava que até mesmo onde o sol não batia Kirishima encontraria glitter nos próximos dias. Nos pulsos, dois braceletes com detalhes em renda branca; um choker discreto no pescoço; e, nos cabelos ruivos arrepiados, uma tira de renda branca — diferente da tiara de empregada que Denki e as meninas usavam.
Até mesmo Hanta estava vestido como o grupo, e Katsuki não poderia estar mais agradecido pela escolha sensacional de Ashido para a fantasia de empregada deste ano. Ah, e, claro, ao instrutor de crossfit de Eijirō pela mudança no treino… Pois ele faria questão de agradecer ajoelhado entre o vão fodidamente marcado das entradas no quadril de Kirishima, assim que tivesse a oportunidade de ficar a sós com o próprio.
— Olha, é melhor você pegar mais uma cerveja, Eiji, porque com certeza desidratou depois dessa secada aí — zombou Sero, apontando com o queixo na direção de Bakugō.
— Errr… Katsuki? — Eijirō balançava a latinha de cerveja em frente ao seu rosto, em uma tentativa de trazê-lo de volta.
— Me dá essa porra aqui! — Ele pegou com brusquidão a lata, abrindo-a apressadamente e tomando um longo gole. De fato, Katsuki não tinha dúvidas que seu gay panic estava explícito para todos os presentes, logo, precisava mudar o foco da conversa. URGENTEMENTE! — Demoraram ‘pra caralho, hein?
(Na verdade, Katsuki queria dizer: tu 'tá gostoso ‘pra caralho, hein?, mas achou melhor dar voz ao pensamento em um momento mais oportuno.)
Obviamente, o grupo de amigos riu de sua tentativa descarada pela mudança de assunto e antes que pudessem sacanear mais ainda Bakugō, o grito “Alô burguesia de Ipanema! Olha o Simpatia aí, gente!” fora ouvido em todo o quarteirão, assim como a bateria do bloco entoou furiosamente em sequência. Pouco a pouco, o trio começava a sair da concentração na Praça General Osório e seguir em direção a orla da Praia de Ipanema arrastando uma multidão de foliões ensandecidos atrás de si.
— Vamos logo que o bloco já está saindo, empreguetes! — gritou Mina, começando a “fila indiana” ao colocar-se em frente a Hanta e puxá-lo em direção a balbúrdia do trio elétrico.
O restante do grupo se organizou como pôde entre o empurra-empurra da muvuca, e Kirishima deu um sorrisinho tímido em direção a Bakugō, tendo as maçãs do rosto levemente coradas, enquanto posicionava-se ao seu lado para que passasse em sua frente. Kaminari aproveitou para tomar a dianteira e ir atrás das outras “empreguetes” para deixar Katsuki entre os fantasiados, porém, fez questão de aproximar-se dele e dizer:
— Eu avisei, não avisei? — Ele sorriu maliciosamente, piscando o olho delineado. Animadamente, Denki puxou o coro da música que haviam combinado antes de saírem de casa: — Vamos lá, gente! “Levo vida de empreguete, eu pego às sete! Fim de semana é salto alto e ver no que vai dar...”
Balançando a cabeça negativamente, Katsuki questionava-se o quão cadelinha estaria sendo de Eijirō para sair de casa em pleno sábado de carnaval e ir pelas ruas de Ipanema atrás de um bloco tosco na praia, ficar todo suado e marcado por causa do sol, e passando ódio a cada vez que fosse bulinado por terceiros, além dos bêbados idiotas que sempre davam o ar da graça nessas festividades. Conquanto, numa coisa ele tinha que dar o braço a torcer: não foi de todo modo ruim ter aceitado o convite de Kirishima. Afinal, tê-lo atrás de si — tão próximos como estavam naquele momento — era deveras interessante...
[...]
Bakugō e Kirishima estavam em uma área mais afastada da muvuca, após a dispersão do grupo com a movimentação atrás do bloco pela orla de Ipanema. Ao perceber o desconforto de Katsuki em meio à balbúrdia de foliões — e perder totalmente os amigos de vista —, Eijirō aproveitou a brecha para sugerir que fossem caminhar na areia da praia.
A lua refletia na imensidão escura do mar, o céu estava limpo e com poucas estrelas. Na faixa de areia, algumas pessoas aglomeravam-se conversando e curtindo a música eletrônica que tocava em um quiosque. Por mais que fosse noite, o calor fazia-se presente. Kirishima até sugeriu que tirassem os tênis e molhassem os pés na água salgada, mas Bakugō refutou na mesma hora a ideia.
Por fim, ambos acabaram caminhando a esmo pela faixa de areia apreciando o silêncio amistoso que compartilhavam, sendo quebrado pelas ondas do mar e a cacofonia de fundo.
— Por que eu? — Katsuki perguntou, de repente.
— Uhn? — Kirishima virou a cabeça em sua direção, repuxando o rosto em uma careta confusa e cômica. — O quê?
Esse merdinha é tão lindo… Olhando-o de esguelha, Katsuki prosseguiu:
— Você poderia ter qualquer um, Ei… — Deu de ombros, como se fizesse pouco caso. O coração esmurrando sua caixa torácica. — Então, por que eu?
Suspirando, Kirishima colocou-se de frente a Bakugō. Sutilmente, ele tomou as mãos suadas de Katsuki entre as suas e iniciou uma leve carícia, com os polegares tracejando círculos na pele. Não deixando que Bakugō as repuxasse de seu carinho. Por mais que Katsuki detestasse sua hiperidrose, Eijirō apreciava cada uma de suas particularidades que o fazia tão único e especial para si.
— Porque você é o único que eu quero, sempre foi… E você sabe disso, Suki — ele decretou, apoiando os dedos no queixo de Bakugō ao direcionar o rosto do rapaz para si. — É realmente tão difícil assim de acreditar, Katsuki?
— É só que… — Bakugō prendeu a respiração quando a mão de Eijirō passou a acariciar sua bochecha, um calor gostoso preenchendo cada célula de seu corpo. Kirishima olhava para si tão intensamente que parecia despir sua alma. Naquele momento, seu cérebro derreteu e Katsuki não conseguia mais raciocinar ou continuar a frase. Ele abria e fechava a boca, mas nem um som saía.
Na verdade, Bakugō nem lembrava mais do que iria dizer. O surto gay dera perda total em seu sistema. Com certeza, estava fazendo mais uma vez cara de abestado na direção de Kirishima.
— Eu amo você, Katsuki. Irei repetir isso quantas vezes forem necessárias — Kirishima reiterou, de modo firme, deslizando o polegar pelos lábios cheios e convidativos de Bakugō. — E eu quero só você, mozi. Porque não aceita logo o meu pedido de namoro… Hm?
Inconscientemente, Katsuki entreabriu os lábios e raspou os dentes no dedo de Eijirō. Mordendo a carne macia perante o olhar predatório de Kirishima, que observava seu movimento feito um lince pronto para dar o bote em sua presa. Nem mesmo a brisa da maresia conseguia amenizar o calor crescente que perpassava o corpo de ambos. Foda-se! A quem Bakugō queria enganar? Ele estava fodidamente apaixonado por Kirishima, que se fodesse a maldita insegurança também!
— Ah, Katsuki… — murmurou Eijirō, rouco. Respondendo a provocação, ele puxou a nuca de Katsuki e diminuiu a distância entre ambos ao colar os corpos.
As bocas se encontraram e encaixaram facilmente, em um beijo afoito e intenso. As mãos de Katsuki passeavam pelas costas largas de Kirishima, apalpando cada pedaço de músculo que encontrava pelo caminho. Puxando-o sofregamente em sua direção, Bakugō gemeu manhosamente ao ter a própria língua sugada eroticamente; uma promessa explícita de que a noite terminaria com ambos, mais uma vez, emaranhados entre os lençóis. Automaticamente, Katsuki amolecia no aperto dos dedos de Kirishima em sua cintura. Marcando feito brasa as impressões de Eijirō em sua pele.
Antes que fossem enquadrados no crime de ultraje público ao pudor pela polícia, e acabassem em uma delegacia respondendo pelo delito, por mais que durante esse período do ano fizessem vista grossa para tais atos libidinosos, Katsuki deslizou as mãos pelos ombros de Eijirō e espalmou o peitoral deste, afastando-o de si. Ambos estavam ofegantes, e sorrindo cúmplices.
O pau latejando dentro da bermuda era um incômodo que Bakugō tinha pressa em resolver; porém, ao observar a bagunça purpurinada que estava a sua frente, teve a convicção de que teria glitter pelo corpo até o próximo carnaval. Naquele momento, ele estava pouco se fodendo para isso, mas, dali uns dias, amaldiçoaria Eijirō pelos próximos meses a fio.
— Você me deixa louco, Suki. — Respirando fundo, Eijirō ajeitava o próprio pau dentro da sunga. Por sorte, a saia de tule preta disfarçava bem o volume da protuberância. O rostinho avermelhado e suado não condizia com a falsa inocência na expressão de Kirishima, ao dizer: — Vamos para o meu apartamento, e eu juro que irei fazê-lo gozar, pelo menos, três vezes essa noite.
Katsuki riu gostosamente, arrepiando-se. Ele sabia muito bem que a promessa não era em vão.
— E eu mal posso esperar para marcar essa pele todinha, Ei. — Bakugō piscou, sorrindo maliciosamente. Ele esticou o braço e entrelaçou a mão com a de Kirishima. — Seu gostoso do caralho... Vamos embora, logo!
Trocando um último selinho sob o luar, ambos caminharam apressadamente pela faixa de areia em direção à orla. No entanto, Bakugō estava inquieto. Ele ainda precisava fazer um anúncio, e não esperaria chegar até o apartamento de Kirishima para fazê-lo.
— Hey, Eijirō… — chamou.
— Oi, amor? — Ele olhou em sua direção.
— Eu aceito namorar com você!
Notas finais
Obrigada a todes! ♥
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