Simon: Últimos Instantes
1 Capítulo 1 - Simon
Notas iniciais
A força de um raio não é algo que se podia ignorar.
Mas a morte de Erza também não era.
Talvez ele estivesse louco. Talvez fosse, de fato, masoquista e bipolar. Talvez ele não estivesse pensando direito.
Mas não importava. O que estava feito, estava feito, e se arrepender agora não mudava a amarga ardência que se concentrava no centro da barriga e se espalhava por todo o seu corpo em jatos desgovernados e independentes, cobrindo-o de dor por completo, enchendo sua boca com um líquido quente, tão quente que doía, surgindo em avalanches incontroláveis.
Ele tossia sangue.
Maldição. Gerard era, de fato, poderoso.
Simon voou em um arco, chocando-se contra o chão de preda rachado. Mais choque e mais dor. Menos ar. Mais sangue sendo cuspido.
Mas junto do vermelho sangue que o cobria, havia outro que se misturava, igualmente forte e quente, mas muito mais aconchegante — e conhecido.
– Erza...? — ele gastou uma parcela de seu oxigênio, com esforço, para murmurar.
Lágrimas geladas caíam em seu rosto, se misturando e contrastando com o sangue quente.
– SIMON! — ela gritou de volta, e agora ele podia ver seu rosto com um pouco mais de clareza... Clareza esta que ia e voltava, entrando e saindo de foco, em um caleidoscópio de cores e faces que teimavam em se misturar.
Ele sentia muito mais do que via.
Sentia seu coração, esforçado, aos poucos perdendo o espaço que tinha para bater, agora preenchido por jatos de dor paralisantes. Sentia o sangue quente e incômodo que o cobria. Sentia o ar que saía de seu corpo com pressa, mas que quase não entrava. Sentia as mãos e lágrimas de Erza, confortáveis e desconfortáveis ao mesmo tempo.
Sentia a morte.
E sentia também, o olhar raivoso e invejoso de Gerard. Não o atual Gerard. O verdadeiro Gerard, que tinha por trás da possessão, agora reduzido à uma sombra repentina que se manifestava apenas dependendo da luz que jogavam sobre ele.
Este o olhava com inveja, e raiva.
– Aishiteru, Erza Scarlet... — gastou sua última reserva de ar e força vital para murmurar, e estes saíram para fora de seu corpo finalmente, espalhando-se no ar frio e pesado, carregado de depressão, arrependimento e dor.
A última coisa que sentira foram as lágrimas de Erza, e o olhar ciumento, invejoso e triste de Gerard.
E principalmente, uma estranha sensação de paz.
Tinham se encontrado, afinal.
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