Notas iniciais
Olá meus podins *-* Enfim, desculpem, eu sei que estou atrasada, mas tinha um muro do tamanho da China, escrito "Ultra bloqueio criativo, não vá escrever, vá comer pudins!" ~Depressão, depressão... Espero que me desculpem... E que gostem do capitulo. Boa leitura meus lindos *u*

Some winters ago

O grito estridente do pequeno garoto carregava ódio e dor, as lágrimas persistiam em atravessar seu rosto pálido, a floresta estava coberta pela neve branca e os espíritos que o cercavam contemplavam a ferida que se formava em seu peito.

A presença dos mesmos era insignificante para o rapaz, sua roupa estava conspurcada de sangue, o de sua irmã. Novamente gritos rasgavam sua garganta enquanto a dor atassalhava seu frágil coração.

Uma jovem mulher loira aproximava-se, ela olhou-o com indiferença, após isso abriu um largo e lúgubre sorriso, seus pés descalços não tocavam o chão frio, seu vestido negro era de algodão e ela trazia a fragrância de morte consigo. Ao seu lado um homem alto de cabelos negros e compridos segurava uma pequena caixinha de música.

– E agora... – Indagou a Morte.

– Mate-os! – Gritou o pequeno menino, suas mãos atingiram a neve fofa. – Faça com que todos sofram! – Sua voz exigia obediência. – Todos!

O homem com a pequena caixinha de música riu, não um riso, aquilo era quase uma gargalhada. A mulher sorriu e sumiu em fogo negro.

Os espíritos ao redor o deixaram só, o homem esvaeceu em questões de segundos, e o garoto ajoelhado no chão macio e gélido, tentava conter as lágrimas, aquilo estava matando-o de dentro para fora.

– Senhor! – Gritou um guarda. – Ele está ali!

O homem de cabelos brancos se aproximou rapidamente do menino, pousou a mão em seu ombro e observou-o chorar, durante mais do que alguns minutos. O silencio passeava de mãos dadas com vento naquele bosque. Desfaça-se em pétalas.

* * *

Yuki acordou, sentou-se na cama, percebeu que estava só, além de que aquele não era seu quarto e sim o de Raiden. Suas costas e nuca estavam doloridas, ele demorou em se levantar, mas logo o fez, passou pelo pequeno espelho e viu que usava uma das blusas de White, junto ao cachecol, que também não lhe pertencia.

Em questão de segundos, Oliver invadia o quarto, trazendo alguns pães doces e chá, além uma caixinha para primeiros socorros. Vendo que o amigo já estava acordado abriu um largo sorriso, esperou um tempo para que Yuki pudesse dizer algo sobre o dia passado.

O moreno observou o ruivo e em seguida olhou para o espelho novamente.

– O que estou fazendo aqui?

Enquanto isso Raiden estava na cidade com Kal Benatti e Georgy Bruwi. Em frente à pequena casa cinza — com um formoso jardim -, vários cavalos jaziam junto a policiais e alguns guardas da rainha.

– Diga Georgy. – Senhor White começava a subir os pequenos degraus da escada.

– Senhor Bruwi. – Interrompeu Kal. – Se não se importar, prefiro ficar aqui fora.

– Certo. – Respondeu o velho a seu assistente enquanto se voltava ao jovem de cabelos platinados. – Bem, encontramos tudo hoje de manhã, todos nós estamos surpresos.

– Desembuche, não tenho muito tempo! – Falou o jovem adentrando na casa.

Tudo estava bem organizado, um lilás leve cobria as longas paredes, os quadros pintados com delicadeza enfeitavam todos os cantos, o vaso no lado direito continha flores brancas, elas pareciam terem sido recém-colhidas.

Indo na frente, o senhor responsável pelo caso dirigiu-se para a cozinha. Raiden de certo modo se surpreendeu com tanta perfeição, tudo estava impecavelmente organizado e limpo. Viu Georgy abrir a parte de baixo do singelo fogão.

Na primeira olhada Raiden pensou que aquilo fosse algum tipo de alimento, mas ao observar melhor percebeu que aquilo era o cadáver de uma pequena criança. Seu estomago embrulhou e ele se sentiu sujo. Na mão queimada da delicada garotinha estava um botão de Dama-da-noite.

O ódio e indignação amargaram sua garganta primeiramente como palavras que se recusavam a sair, se espalhavam rapidamente por todo o corpo, invadindo-o por completo. Por quê? Sua vontade era de compreender e ao mesmo tempo não, só queria segurar o pescoço de quem havia feito aquilo e bater, bater na pessoa até que a mesma não conseguisse mais fazer nada. Mas ser igual ou pior que seu pai não estava na sua lista de desejos. Não mesmo.

Ele olhou para a pequena durante algum tempo mais.

– A mãe foi encontrada no quarto. – Senhor Bruwi enfiou as mãos no bolso da calça. – Vamos.

White soltou um longo suspiro e acompanhou o colega, passando pela escada o rapaz de cabelos platinados olhou diretamente para o corrimão, o mesmo — de madeira — tinha marcas profundas, que começavam desde o primeiro degrau até o penúltimo. Um pequeno pedaço de unha encerrava o rasgo.

Eles caminharam por um amplo corredor, a última porta estava entreaberta, Georgy empurrou-a e adentrou no quarto, a imagem e o cheiro eram igualmente horríveis. A mulher estava esticada em sua cama, suas unhas haviam sido arrancadas na carne e suas pálpebras cortadas, assim como sua língua.

A blusa estava rasgada na região da barriga, e inúmeras marcas roxas preenchiam a região, um roxo tão escuro que se aproximava do preto. A cama estava repleta de sangue o perfume da Dama-da-noite pairava no ar.

– Acreditamos que ela matou a própria filha e se suicidou em seguida. – Falou Bruwi. – Não entendemos como ela fez isso em sua própria barriga, ou porque faria tudo isso. – O homem suspirou.

– E se não foi ela? – Indagou Raiden. – Pode haver uma segunda pessoa envolvida.

– Se houver, essa pessoa é mágica ou algo do tipo. – O velho tirou um charuto da algibeira da sobrecasaca, raspou um fosforo fazendo a chama levemente alaranjada aparecer, logo o cheiro do objeto que tragava juntou-se ao do sangue e o perfume da flor, deixando o estomaga de White ainda pior.

– Ainda não parou com isso, Bruwi? – O rapaz de cabelos brancos suspirou enquanto se retirava do quarto.

– HAHAHA! É difícil largar um vicio, jovem White! – Ele acompanhava o rapaz.

Ao saírem da casa, foram pegos pelo começo de uma nevasca. Raiden olhou para a janela do quarto da mulher e por um segundo poderia jurar vê-la em pé observando-o. Suspirou novamente e fechou os olhos, talvez só estivesse muito estressado, e realmente estava nos últimos dias.

Ajeitando o chapéu derby , Georgy olha para cima e torce o nariz.

– Vou voltar ao trabalho Raiden... – O velho ajeitou a sobrecasaca e voltava devagar para dentro da casa. – Não se esqueça do relatório para a Rainha, jovem White.

– Não esquecerei. – Assim dizendo montou em seu corcel.

* * *

Oliver ainda não conseguia entender o porquê de Yuki não se lembrar de nada, aquilo estava incomodando-o profundamente. Ambos ainda estavam no quarto, o moreno no banho e o ruivo, na janela, observava a neve cair. Havia pensado nisso inúmeras vezes, na verdade Oliver pensava em tudo o tempo todo, esse era seu trabalho.

As coisas estavam acontecendo rápido demais, apesar de estar lutando contra tudo, só isso não era o suficiente, Oliver sabia o que tinha de ser feito, o que ele havia de fazer, assim como sabia o fim de tudo aquilo. Os homens mataram a si mesmo com seu ódio.

Yuki abriu a porta do banheiro e olhou para o ruivo que estava perdido em pensamentos, o moreno se aproximou e afagou os cabelos do menor fazendo-o voltar para a sua realidade.

– Obrigado, Oli. – Sorriu.

– Imagina! – O pequeno soltou um risinho. – Amigos são pra isso.

Yuki se sentou na cama de Raiden e pegou seu cachecol vermelho, o cheiro do homem ainda estava na peça de roupa. O moreno suspirou e deitou-se na cama, nadando no mar de lençóis brancos e macios. Oliver olhou novamente para a janela e por um momento seus olhos pesaram, como se a dor andasse por seu corpo chegando ao lugar certo para sair.

– Ele está chegando. – Continuou o menino. – Se precisar de algo é só chamar, Yuki.

– Logo vou descer... – Suspirou mais uma vez. – Obrigado novamente, Oli.

O pequeno apenas sorriu como resposta e se retirou do quarto, enviando pouco de sua dor para dentro do peito novamente. Desceu as escadas no mesmo momento em que Raiden adentrava pela porta da frente.

– Boa noite, Senhor White. – Sorriu o ruivo.

– Já pedi para me chamar de Raiden. – O maior tirava a sobrecasaca e entregava a Oliver. – Me sinto velho assim. – Ele forçou um riso e afagou os cabelos do pequeno. – Boa noite Oli.

Segurando a peça de roupa, o menor seguia White até sua sala.

– Posso ajuda-lo hoje, Sen... Raiden? – Indagou.

– Hoje foi muito pior Oliver... – O rapaz de cabelos platinados, sentou-se na cadeira almofadada e jogou os braços sobre a escrivaninha de madeira. – Yuki acordou?

O ruivo segurou um pequeno banquinho branco e colocou-o ao lado de White, após dobrar a sobrecasaca jogou-a em seu colo, pondo as mãos por cima e balançando a cabeça afirmativamente em resposta ao homem.

– Ele acordou algum tempo depois que partiu, Yuki parece estar bem, porem...

– Porem?

Oliver olhou para os próprios pés.

– Ele não se lembra.

Raiden ficou em silencio por um momento e em seguida olhou para o menor.

– Não se lembra de que?

– De ontem.

O maior se espantou com a resposta, mas não quis demonstrar tal.

– Nada?

O ruivo movimentou a cabeça negativamente e em seguida o silencio permaneceu por longos e demorados segundos. Até que White pegou uma simples folha branca e a sua caneta pena.

– Pode me contar? – Perguntou o pequeno enquanto observava.

– Uma criança e uma mulher. – Respondeu o maior.

– As vitimas não parecem ter ligações. – Concluiu Oliver. – As cinco meninas, Padre Aulisio Michellin e agora esses.

– A pergunta que me incomoda é porque alguém as mataria de um jeito tão asqueroso.

– Acha que é alguém? – O ruivo o olhou.

– Acha que cinco garotas arrancariam as próprias tripas? – O maior escrevia enquanto falava. – Que um padre se pregaria na parede da igreja ou que uma mulher pudesse assar a própria filha e depois se torturar?

– Vendo desse ângulo... – O menor segurou com força a sobrecasaca em seu colo.

– Sabe que não sou um simples detetive, Oliver. – Os traços de Raiden sobre a folha continha graça e leveza. – Algo está errado, eu estou juntando cada detalhe. – Ele apertava mais forte a caneta contra o papel. – Cada erro...

– Você está levando para o pessoal... – Sussurrou o pequeno.

White parou e suspirou, moveu os olhos levemente para cima, encarando o teto.

– O ódio não leva a nada... – Continuou o ruivo, num tom calmo.

– Independente de quem seja. – O rapaz de cabelos brancos massageou a nuca dolorida. – Está atrás de mim também, mas como não pode me afetar diretamente...

– Está usando Yuki. – Concluiu o menor.

– Eu ficaria preocupado com qualquer um de vocês, são importantes pra mim.

– Você gosta dele. – O ruivo sorriu.

– Gostar? – O homem riu. – Que besteira.

Yuki estava no lado de fora a algum tempo, escutando a conversa. A sensação de angustia o encheu por completo, um nó se formou em sua garganta e seus olhos pesavam, enquanto sua mente não entendia o porquê, de certo modo seu coração se despedaçava. Ele já havia ouvido o suficiente, e por mais que quisesse apenas ignorar o comentário, aquilo o machucava de uma forma intensa.

– Raiden, não engana ninguém. – O pequeno riu. – O modo como o olhou noite passada, entregou tudo.

White olhou para Oliver sem dizer nada, nem ao menos ele havia parado para pensar nisso. E aquilo pareceu estranho, sentia algo forte pelo rapaz, mas seria muito cedo para dizer que gostava do mesmo, então ele apenas riu novamente para quebrar o silencio.

– O tempo vai dizer. – Falou o homem.

– Dizer? – O ruivo pareceu confuso.

– É apenas isso, o tempo vai dizer.

Assim encerrando a conversa, o homem pegou a sobrecasaca de Oliver e bagunçou seus cabelos. O pequeno sorriu com o movimento de White e o viu partir. Levantou-se e olhou para a folha do qual Raiden parecia escrever e lá estava o desenho de um botão da Dama-da-noite.

White negou-se a passar pela cozinha, estava sem apetite e um tanto cansado, subiu rapidamente as escadas e se dirigiu a seu quarto, abriu lentamente a porta do aposento e se deparou com Yuki arrumando suas coisas em uma pequena mala.

– O que está fazendo? – Perguntou o maior sem pensar duas vezes.

– E... – O moreno se assustou e as palavras travaram em sua garganta, as lagrimas ainda desciam pela pele clara do mesmo.

Raiden se aproximava enquanto Yuki tentava se afastar, White prendeu-o contra a parede e ambos se olharam, os olhos castanhos levemente esverdeados do moreno carregavam magoa, estavam inchados e avermelhados. O rapaz de cabelos platinados cerrou os olhos e se aproximou, colando seus lábios, um toque rápido e doce.

– Seus beijos não carregam sentimento algum... – As lágrimas desciam em abundancia por seu rosto. – Então pare! Pare com isso!

O homem se assustou com tais palavras, o garoto o encarava com as sobrancelhas franzidas enquanto chorava, White segurou levemente seu rosto e se aproximou, beijando-o novamente.

– Quero protege-lo. – Sussurrou Raiden afastando-se pouco e voltando a beija-lo em seguida. – Eu quero tê-lo por perto todo o tempo. – Novamente. – E não quero que absolutamente ninguém, além de mim, encoste em você.

Os lábios deles se separaram enfim, agora pouco mais distante, o rapaz de cabelos platinados podia ver o rosto de Yuki, suas bochechas estavam rubras e ele havia parado de chorar, seus olhos se abriam aos poucos.

– Esse é todo o sentimento que posso te dar no momento, e se não for o bastante eu apenas posso pedir perdão. Por Deus, eu não sei lidar com isso direito, mas você é importante pra mim Yuki. – Disse o maior.

O moreno ficou em silencio, completamente surpreso com as palavras e sem saber como reagir, sem controle de si mesmo, as lagrimas novamente começavam a rolar, mas seu peito estava cheio e ele estava realmente... Feliz?

– Me desculpe. – Raiden o abraçou com calma, e sentiu os braços de Yuki puxarem-no para si.

O moreno ouviu o rapaz de cabelos platinados sussurrar algumas palavras, não às entendeu direito, mas estava muito feliz de estar ali, naquele momento, com Senhor White.

Notas finais
E ai, o que acharam? :333 Espero que tenham gostado, aguardo ansiosa a opiniões de todos ♥ Ps: Eu realmente estou sentindo falta de algumas pessoas comentando, sei que a culpa é minha também... Mas poxa, eu estou me esforçando pra criar algo bom pra vocês e espero que vocês também possam se esforçar e deixar um recado pra mim nos comentários... Preciso saber o que estão achando... Bem, é só isso... Obrigado a todos que estão acompanhando, aos que comentam e aos que favoritaram *-* ♥ Obrigado mesmo meus podins ♥