Sim, Senhor.
32 Capítulo 32
Notas iniciais
Grissom estava na sala em ligação com a Catherine, ao sair de férias existia um caso em aberto e a supervisora em substituição queria ter maiores detalhes. Sentado no sofá da sala viu quando Emma apareceu no alto da escada. Sua filha caçula era uma cópia quase que fiel de sua esposa, inclusive em sua personalidade.
Com um sorriso tímido estampado, Emma viu o seu pai acenar e chamá-la para sentar ao seu lado. A menina aninhou-se no colo dele e logo ganhou um cafuné delicioso nas suas douradas madeixas. Encarando os olhos azuis de Grissom, viu quando ele fez um careta engraçada apontando o seu celular e retribuiu a brincadeira com uma risada abafada.
— Finalmente ! Achei que Catherine iria ficar a manhã inteira me alugando nesse telefone. — O supervisor livrou-se do celular e com a mão livre apertou o delicado nariz da menina. — Então Emma Woolf Grissom, qual será os nossos planos para o dia?
— Podemos ficar o dia na piscina, o que acha ?
— Acho uma ótima idéia ! Mas primeiro você precisa se alimentar e depois estamos liberado para piscina!
— Ótimo ! — A menina saltou do colo de Grissom e sentou-se ao lado dele. — Você pode fazer aqueles ovos mexidos que só você sabe fazer? — Com o olhar pidão seria impossível seu pai recusar o seu pedido.
— Faço mas só se você me ajudar ! — Emma ia contestar mas foi interrompida — Portanto a senhorita vai para o seu quarto, colocar uma roupa adequada para ficar na piscina enquanto eu vou separar os ingredientes.
— Poxa, pai ! Pede para a Sarinha. Você podia ensiná-la a cozinhar. — Emma conseguiu o que ela queria, ganhar a atenção da sua babá.- Tadinha, imagina quando ela for morar sozinha e precisar comer algo preparado por ela.
— Eu preciso mostrar outra fraqueza minha para vocês explorarem ! — Sara que até então escutava em silêncio, manifestou-se de forma irônica. — Então mocinha, vamos subir para você se arrumar e aproveitar o seu dia.
Emma levantou-se e correu em direção a escada e foi repreendida pela os dois adultos que estavam na sala.
Velhos hábitos não mudam.
Sara estava logo atrás da menina quando escutou a sala da porta sendo aberta. Os três pararam surpresos para ver o ilustre morador chegar aquele horário em casa. Jason parou atônito na entrada da casa.
— Chegou cedo...Para o jantar. — Grissom olhou no relógio de pulso e encarou o seu filho mais velho. Mesma roupa que ele havia saído de casa ontem, ou seja, não tinha dormido em casa. — Posso saber onde esteve ?
O supervisor indicou a área externa para ambos conversarem, não tinha necessidade de ter aquela converso perto de Emma. Sara achou melhor levar a menina para o seu quarto, sabia quão rigoroso Grissom era em relação a esse assunto.
— Pode começar a explicar, Jay. — Grissom cruzou os braços na altura do peito. Sabia que o seu filho tinha responsabilidade porém não poderia deixar que ele tomasse algumas decisões sem comunicar antes. — Onde você dormiu?
— Calma, pai. — Ele suspirou fundo e encarou-o. — Teve uma festa na casa do Tom, estava todo mundo muito animado e não vimos as horas passarem. Ficou muito tarde pra voltar sozinho e eu acabei dormindo na casa dele. Se quiser, pode ligar para eles para confirmar a história.
— Eu já tive a sua idade, Jason.- Ele relaxou os braços e levou as mãos a cintura.- Escute, quando isso acontecer, me mande pelo menos uma mensagem. — Grissom não estava furioso mas não deixava de ficar preocupado com essa atitude. — Eu nem sabia que você não estava em casa.
— Me desculpe, pai. Vou ser mais atento da próxima vez.
— Mackenzie estava com você? — Havia um certo receio na voz de Grissom.
— Estava. Mas antes que você queira entrar em outros assuntos, não aconteceu nada. Nos divertimos tanto na festa que caímos na cama super cansado.
Grissom balançou a cabeça em sinal de rendição. Apenas orientou o rapaz sobre o horário, alertou que mais um vacilo e a conversa não seria tão amistosa como essa que eles acabaram de ter. Informou dos planos projetados por Emma e o rapaz disse que iria apenas trocar de roupa antes de se juntar ao pai e a irmã.
De volta ao interior da casa, Grissom foi separar os ingredientes para fazer o café da manhã. Sentia-se estranhamente revigorado naquele dia. Lembrou dos conselhos de sua mãe a respeito da sua rotina de trabalho.Era realmente desgastante ser supervisor do segundo maior laboratório do estado mas, todo o esforço valia a pena.
— Onde está o Jay ?
— Céus ! — Grissom assustou-se com a fala repentina de Emma, não tinha visto a dupla retornar. — Bom saber que o meu coração está funcionando bem.- Ainda com a mão no peito, Grissom arrancou mais uma risada de Emma que se divertia com a atuação de seu pai.- Seu irmão foi para o quarto trocar de roupa e já volta. Agora chega de enrolação e pode vir me ajudar.
Sara afastou-se um pouco para deixar os dois curtirem o momento “pai e filha”. Sentou-se em uma cadeira e ficou observando a pequena bagunça que os dois estavam fazendo. Ficou feliz em ver o quão entrosado os dois estavam.Stella e Beth ficaram felizes em ver aquela cena.
— Terra chamando Sara Sidle ! — Jason puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dela. Não iria interferir no preparo do café da manhã por pura preguiça. — Viajando, Sarinha ?
— Estava com o pensamento um pouco distante mesmo. — Ela virou-se e encontrou os olhos azuis de Jason sobre ela, eram idênticos ao pai. — E você, hein?! Tomou uma bela bronca.
— Coroa foi compreensível dessa vez. — Ele piscou para a morena que sorriu com a fala do rapaz. — Mas vacilei em não ter ligado.
— Você brinca com o perigo ! E ainda tem a cara de pau de chegar esse horário achando que sairia ileso.
Jason entendia que tinha errado, mas dessa vez não era nenhum tipo de provocação, era apenas um descuido. Ele sabia que se perdesse a confiança do seu pai, as coisas poderiam piorar novamente. Sara chamou a sua atenção em relação a isso. Lembrou do incidente das identidades falsas e pediu para ele tomar cuidado.
— Vão ficar apenas conversando ou vão comer também ?
— Vamos antes que a esfomeada da minha irmã limpe a frigideira.
Jason e Sara juntaram-se a eles na mesa. Todos comiam em silêncio o prato preparado pelo os dois. Emma tinha razão em pedir para Grissom cozinhar, o café da manhã estava delicioso. Após limparem os seus respectivos pratos, estavam todos satisfeitos.
— Você devia se aventurar mais vezes na cozinha, isso aqui está muito bom. — Jason terminava a sua última garfada. — Dos deuses.
— Vou anotar a sua demanda. — Grissom provocou. A realidade que ele gostava de cozinhar, aprendeu durante a sua época de faculdade. Morava em uma república com mais dois rapazes e muita das vezes não tinha dinheiro para almoçar fora.
— Agora vamos para a piscina ! — Emma disse eufórica — Faz muito tempo que não aproveito um dia na piscina.
— Muito ocupada né, irmãzinha? — Jason provocou Emma que não pensou duas vezes para esticar a língua para o seu irmão.
— Não caia nas provocações do seu irmão, Em. — Grissom levantou-se e afagou os cabelos da menina. — Eu vou subir para trocar de roupa. Sara, você poderia por favor ficar de olho nesses dois na piscina ? Jason quando entra em contato com água tem toda a sua maturidade retirada do corpo.
O clima estava muito leve e agradável na casa, e todos torciam para permanecer assim por bastante tempo.
Depois de passar protetor solar em Emma e ajudar Jason, ela liberou os irmãos para entrar na água. Como Grissom havia dito, Jason se transformava em uma criança quando estava dentro da piscina. Emma por outro lado, parecia um peixinho, cheia de habilidades a menina divertia-se.
— Entra também, Sarinha. Não tem necessidade de você ficar sentindo calor aí fora. — Jason chegou na beirada para conversar com a babá. — Se você não souber nadar, temos algumas bóias e você pode usar.
— Muito tentadora a sua oferta, Jay. Mas vou recusar, muito obrigada. — Sara não tinha nenhuma roupa adequada para estar ali e mesmo se tivesse não iria aceitar. — E para sua informação eu sei nadar.
Grissom chegou a área externa e ficou contente ao ver seus filhos de divertindo. Não se lembrava da última vez que havia presenciado tal cena.
— Jason não vai descansar enquanto não te jogar dentro d’água, pode apostar. — Grissom sentou-se próxima a Sara. A morena nunca tinha visto o supervisor com roupas tão despojadas, usando uma bermuda azul com um tecido leve e uma camisa cinza de uma famosa marca esportiva.
— Eu imagino mesmo. — Ela sorriu e encarou o rapaz que brincava animadamente com sua irmã.- Vou precisar correr mais que ele.
— Com certeza. — Sara virou-se e viu Grissom sorrindo para os seus filhos. Sentiu o seu coração aquecer por um breve momento.
— Gostaria de me desculpar novamente pelo o meu comportamento. — Ele ainda olhava para piscina, não queria precisar fitar Sara.
— Deixe isso para lá. Já conversamos a respeito e eu acho que agora não é um bom momento para tocarmos no assunto.
Ele meneou a cabeça confirmando o pedido de Sara. Ele estava andando em um terreno totalmente desconhecido ao lado de Sara. Ele sentia-se atraído por ela, isso era inegável mas começava a desconfiar que essa atração poderia se transformar em sentimento.
— Pai ! Já é a terceira vez que eu te chamo, você não está me escutando ? — Parada com os braços cruzados na borda da piscina, Emma tentava a todo custo chamar a atenção de Grissom que só despertou de seu devaneio quando Sara tocou o seu ombro.
— Me desculpe, Em. Estava concentrado em um outro assunto. — Ele afastou seu devaneio e levantou-se.
— Você não vai entrar ? — Emma que estava usando um maiô de listras azuis e brancas, estava totalmente radiante naquele dia de sol.
— Vou agora, mocinha.- Retirou a camisa que usava e deixou sobre a mesa.
O olhar atento e discreto de Sara, acompanhou Grissom até a borda da piscina. Ela gostava do que via, o supervisor tinha um largo peitoral liso e braços fortes. Ele pulou na água sem remediar, o contato inicial fez o seu corpo contrair mas logo se refrescou.
Sara que até então admirava o breve desfilar do seu chefe, levantou-se e foi para dentro de casa. Achou melhor deixar o momento apenas para a família Woolf Grissom aproveitar.
— Te alcancei ! — Emma aproveitou o momento de distração de seu pai e o abraçou pelo o pescoço e enlaçou suas pernas em suas costas. Grissom virou-se e estranhou o fato de Sara não estar mais ali. Afastou qualquer tipo de pensamento e concentrou-se em sua filha.
Já na parte interna, Sara escutou o seu celular tocando. Correu até o aparelho e sorriu quando viu o nome na tela: Stella.
— Olá, viajante. Já está com saudades daqui ?
— Estou com saudades de você mas confesso que não estou sentindo falta dos afazeres. — Stella deu uma risada discreta e ao fundo, Sara podia ouvir mais uma pessoa rindo também. — Tereze está aqui indignada com a minha ligação.
— Não seria para menos ! Não tem 48 horas que você saiu daqui, mama. Como estão as coisas por aí?
— Estou aproveitando o dia e também descansando bastante. E vocês ?
— Toda a família está aproveitando o dia ensolarado na piscina.
— E você? Também está aproveitando com eles ?
Sara sentiu um certo receio na fala da governanta. A última pergunta veio em um tom um pouco ríspido. Stella era uma mulher muito discreta e suas insatisfações eram manifestadas em pequenos detalhes.
— Eu estou aproveitando para organizar minha planilha de estudos e também o nosso quarto. Mas não se preocupe. Conheço os nossos limites.
— Confio em você. — Ela ficou muda por alguns instantes e suspirou fundo. Não devia ter sido tão direta mas o recado havia sido passado. — Liguei apenas para saber se vocês estavam bem.
— Fique tranquila. Está tudo em ordem aqui. Quero que você aproveite bastante esses dias e principalmente descanse. — Sara achou prudente mudar o rumo da conversa, não queria gerar nenhum tipo de desconforto com a mulher que ela mais admirava.
— Fico feliz em saber. Agora deixe eu desligar. Eu e Tereze vamos ao Burnham Park, está um dia lindo aqui. Até mais minha querida.
Click.
…
O restante da tarde foi em absoluto silêncio, depois de terem aproveitado boa parte da manhã se refrescando e divertindo na área externa eles optaram por descansar. Emma e Grissom dormiam juntos no quarto do supervisor e Jason acabou adormecendo no sofá da sala.
Antes de adormecerem, Grissom recebeu a ligação de Carol avisando sobre um novo parque de diversões que tinha sido inaugurado em Vegas. Sabendo das férias de seus sobrinhos e pela paixão por montanha russa de seu cunhado, achou que aquele seria um bom passeio para todos. Emma quando escutou sobre os assuntos dos adultos logo animou-se e com os mesmo olhar pidão, acabou convencendo seu pai em irem ao local.
Jason foi o primeiro acordar. Deitado no sofá da sala ele pensava nas mudanças que tinha ocorrido em sua vida. Era inegável que ele era uma pessoa completamente diferente depois da partida de sua mãe mas eles aos poucos começava a superar essa história. Sua mãe partiu ele tinha apenas 15 anos e foi obrigado a amadurecer rápido demais.
— Pensando em que, campeão ? — Sara sentou próximo ao rapaz. — Está preocupado com alguma coisa?
— Nada demais. -Ele deu de ombros. — Só estava analisando algumas coisas mas não vale a pena ser compartilhado. — Ele sorriu e piscou para a morena. Precisava confessar: ele adorava a companhia da moça. — Sentindo falta da Stella ?
— Ela me ligou mais cedo para saber como as coisas estavam. Stella não desliga de vocês em momento algum.
— Eu não sei o que seria dessa casa sem ela, Sara. Stella já viu de tudo aqui dentro dessa casa, ela é muito importante para mim.
Sara encantou-se com a ternura que o rapaz falava sobre a governanta. Ela também compartilhava o mesmo sentimento. Contou para Jason como ela havia conhecido Stella porém omitiu a parte do homicídio de seu pai, disse que tinha ido para o orfanato ainda muito criança.
— Ei Jay ! — A morena tinha reparado que ele estava mais calado desde que tinha acordado, o conhecia o suficiente para saber que tinha alguma coisa de errado. — Se estiver acontecendo alguma coisa, você pode me contar.
— Não se preocupe, Sarinha. Eu só estou nostálgico.
Ela achou melhor encerrar o assunto e não insistir.
Emma apareceu na sala e logo se juntou a dupla. Estava animada para contar a novidade do passeio que iriam fazer mais tarde. Jason ficou animado com o passeio que iriam fazer, já queria visitar aquele parque a dias mas não teve tempo. Para o espanto dos dois, Emma pediu que o irmão convidasse Mackenzie para ir com eles. Sara e Jason se entreolharam e acharam melhor não questionar a menina.
— Você também vai né, Sarinha? Por favor !
— Claro que ela vai, Emma. Hoje ela já não aproveitou nada do dia com a gente.
— Não adianta me lançarem esses olhares de súplica. Já sou vacinada contra isso. — Sara protestou em tom de brincadeira. — Mas vou recusar o convite de vocês. Vocês devem aproveitar o momento entre família.
— Mas você já é da nossa família, Sara. Você é tão especial quanto a Stella.
Sara perdeu as contas de quantas vezes abriu e fechou a boca com fala de Jason. Pra quem foi retirado o direito de ter uma família desde de criança, escutar aquilo de uma forma tão honesta fez o seu coração encher de alegria.
Grissom que tinha acabado de chegar na sala, escutou a fala de seu filho mais velho. Ficou cheio de orgulho com a atitude do rapaz.
— Pai ! Você poderia nos ajudar a convencer a Sarinha em ir ao parque com a gente. — Emma estava indignada com a recusa da babá. — Talvez ela não esteja vacinada contra o seu olhar de súplica. — Ela disse vitoriosa com a ideia.
Grissom abriu um sorriso tímido com a fala de Emma. Em uma rápida súplica pediu que a pureza de sua filha fosse conservada por muito tempo.
…
Sara tinha sido voto vencido. Tentou argumentar com Emma e Jason mas nenhum dois aceitou as desculpas que ela dava. No fundo, seu medo era encontrar com Robert ou Virginia e ser obrigada a passar a noite escutando indiretas do casal. No entanto, Grissom tinha deixado escapar que a idéia tinha sido de sua cunhada e ela mesmo achou melhor não envolver seus pais.
Ou seja.
Passe livre da companhia do casal.
Diante da informação ela sentiu-se mais à vontade em aceitar o convite, ou melhor, intimação que tinha recebido. Por fim, acabou contagiando-se com a animação de Emma. A caçula estava empolgada demais e falava o tempo todo sobre o assunto.
O parque ficava um pouco afastado do centro de Las Vegas e não atraia muitos turistas. O local era muito bem conservado e limpo, sua arquitetura lembrava muito os parques dos anos 80. Várias lâmpadas ligadas entre um brinquedo e outro, iluminava o local. Todos os brinquedos tradicionais podiam ser encontrados ali e algumas novas tecnologias.
— Sem o clichê de ganhar o urso de pelúcia para a namorada. — Sara aproximou-se do casal e aproveitar para irritar Jason.
— Por favor ! — Mackenzie entrou na brincadeira e olhou inconformada para Jason. — Não quero ficar carregando aquele urso gigante pelo o parque inteiro.
— Vocês adoram me irritar, né ? — As duas concordaram com o rapaz que revirou os olhos. — Não sei por que ainda dou atenção para vocês.
— Porque você adora a gente. — Mackenzie sorriu e beijou a bochecha do rapaz.
Grissom que caminhava logo atrás observava tudo ao seu redor. Quando era criança gostava muito de frequentar parques como esse que estavam. Seus melhores amigos reuniram suas mesadas e iam juntos aproveitar o dia inteiro nos brinquedos.
Emma acabou convencendo seu pai e Sara a irem no jogo de argolas. Estava encantada com um grande urso de pelúcia que estava sendo dado como prêmio. O jogo era simples, consistia em jogar três argolas em cones que ficavam dispostos em uma mesa. Cada cone representava uma pontuação que a final daria o direito de resgatar algum prêmio.
— Boa sorte, mocinha ! — Um senhor com as bochechas rosadas entregou as argolas para a menina. Escutando as orientações de Grissom, ela jogou a primeira argola e comemorou quando conseguir alcançar a maior pontuação.
— Muito bem, Emma. — Sara sorriu e apoiou-se na grade.
A segunda tentativa também obteve sucesso porém com uma pontuação menor. Segundo os cálculos ela precisaria acertar a maior pontuação para conseguir levar o tão desejado urso. Na sua última tentativa ela acabou errado e perdendo o prêmio.
— Poxa ! Eu estava indo tão bem. — Ela fechou o cenho e cruzou os braços. Grissom teve vontade de rir com atitude de Emma mas achou melhor não provocar.
— Acontece, Em. Na vida nem sempre conseguimos ganhar tudo o que queremos mas tenho certeza que você vai poder escolher outro prêmio.
Ainda a contragosto a menina entendeu a fala de seu pai. Como prêmio escolheu uma joaninha de pelúcia e praticamente em seguida esqueceu-se de sua derrota. Empolgada com todas as atrações, ela convidou Sara para ir em um brinquedo que era uma cópia de uma barca viking e sua dinâmica era a mesma de um pêndulo porém, alcançando uma altura que deixava a morena desconfortável.
— Você não acha melhor ir no carrossel ou em outro que seja menos radical ?
— Vai ser legal, Sarinha ! Não tem perigo nenhum.
— Tudo bem, eu vou.- Sara sabia que resistir seria pior, Emma não pararia até convencê-la a ir ao brinquedo junto com ela.
Grissom ficou encarregado de segurar a joaninha de pelúcia recém ganhada. Ele divertia-se com a felicidade de Emma e o desespero estampado de Sara. Sua filha parecia gostar da emoção assim como ele. Os cinco minutos pareciam eternos para a morena, passou boa parte do tempo com os olhos fechados e tentando se controlar para não gritar. Quando desceu da “barca” ficou feliz em pisar em perna firme.
— Você está bem, Sara? Me parece que não se divertiu muito. — Grissom esticou a mão para a babá descer do brinquedo e ajudá-la se recuperar.
— Vou ficar bem assim que minha frequência cardíaca diminuir. — Ela suspirou fundo e balançou a cabeça.- Nunca fui fã de grandes emoções.
Jason que procurava pelo o restante da família, abriu um largo sorriso quando viu o estado de Sara.
— Não aguenta nada hein…- Ele fez uma careta engraçada e foi acompanhada por Sara. — Podemos passar no Desert Palm e verificar seu coração.
— Você é péssimo ! — Ela sorriu e piscou para o rapaz. Já tinha aceitado que a amizade entre os dois seria uma eterna provocação mútua.
— Olha só o que eu consegui ! — Jason retirou do bolso dois ingressos para montanha russa e viu os olhos de seu pai brilharem. Grissom tinha desistido em ir a atração devido a enorme fila e não queria perder parte da noite esperando. — Vamos pai ?
— O que estamos esperando ? — Os dois saíram empolgados e as meninas foram logo atrás. Jason conhecia um dos operadores do brinquedo, motivo pelo o qual ele conseguiu os ingressos e principalmente um bom lugar na fila.
Já acomodados em seus respectivos assentos, Grissom estava empolgado por mais essa experiência. Sentia muita falta daquela adrenalina percorrendo o seu corpo. Quando estava descendo em alta velocidade, sentia todo o seu pensamento se esvair e ele apenas curtia o momento.
No momento que o carrinho começou a andar, ele fechou os olhos e deixou a leve brisa acariciar o seu rosto. Abriu os olhos e deu de cara com o deserto luminoso que é Las Vegas. Lá de cima as pessoas eram tão pequenas e insignificantes que ele mal podia se importar com elas. Conforme ia ganhando velocidade, ele ia se empolgando. A cada descida, praticamente todos que estavam na montanha russa começou a gritar mas não ele, a cada looping os gritos eram mais altos.
Para ele estar ali era excitante.
Fechou os olhos novamente e curtiu apenas as sensações. Ora um “frio” na barriga, outro momento o seu corpo se contraindo, em outros instantes era a sensação da brisa o abraçando. No entanto, nada superava a sensação de estar livre.
…
Depois de passarem boa parte da noite no parque, a volta para casa foi feita com bastante animação. A todo tempo eles relembravam o sufoco que Sara tinha passado na “barca” viking e ficavam se perguntando o motivo dela ter ficado tranquila na roda gigante. A morena já tinha desistido de se defender, sabia que aquela conversa encabeçada por Jason não teria fim.
— Pai, será que você pode passar na casa da Mack? Vou ficar lá um pouco antes de ir para casa. — Grissom encontrou o olhar de Jason através do retrovisor. Sabia que o rapaz tinha o direito de aproveitar as férias como achasse melhor mas os dois passavam tempo demais juntos. — Ainda está cedo, prometo que chego no horário combinado.
— Está tudo bem pra você, Mackenzie?
— Acho que aguento a companhia do Jason por mais algumas horas. Me comprometo em enxotar ele da minha casa no horário combinado. — Ela sorriu para o rapaz.
Depois de Grissom deixar seu filho e sua namorada na casa dela, o restante do caminho foi feito em silêncio. Emma havia dormido e parecia estar em um sono pesado. Ela tinha aproveitado demais aquela noite e era a que mais tinha cansado.
— Chegamos. — Ele estacionou dentro da garagem. Olhou para trás e não teve coragem de acordar a caçula, ela parecia estar tão relaxada. Achou melhor levá-la em seu colo até o seu quarto.
— Parece que alguém aproveitou até cansar. — Sara olhava com ternura para Emma que dormia em uma posição desconfortável. — Você quer que leve ela até o quarto?
— Não precisa, Sara. Pode deixar que eu mesmo levo e já coloco um pijama. Obrigada.
Eles entraram e Grissom foi direto para o quarto. De um jeito bem manhoso, Emma relutou para acordar para trocar de roupa. Praticamente dormindo, ela pouco ofereceu ajuda para o seu pai. Novamente deitada, o supervisor apagou a luz e deixou a menina finalmente descansar.
A julgar pelo o horário ele achou que ainda estava muito cedo para ele ir dormir, iria aproveitar a sua noite livre para analisar alguns de seus projetos que estavam parados. Foi até a cozinha e encontrou Sara bebendo água, a morena parecia estar tão concentrada que não percebeu a presença do supervisor.
— Não vi que você estava aqui. — Sara levou um pequeno susto quando viu Grissom parado ao seu lado.
— Ainda se recuperando do susto do brinquedo? — Ele abriu um tímido sorriso e encostou no balcão frio da cozinha.
— Já superei mas não pretendo voltar tão cedo. Não sou viciado em adrenalina como vocês. — Ela apontou para Grissom e depois girou o dedo indicador para mencionar o restante da família. Os dois riram brevemente e calaram-se logo em seguida.
— Eu preciso de confessar uma coisa. — Ele umedeceu os lábios e respirou fundo. — Stella me ligou hoje a tarde e como conhecemos bem a personalidade dela, ela me deixou algumas indiretas sobre você.
— Olha, eu acho que ela está vendo tudo com muita intensidade.
— Ela quer te proteger. — Ele disse sem a encarar e isso incomodou Sara. — Eu sei que ela é uma mulher muito educada e reservada mas ela me culpa por uma coisa que eu não fiz. Ela deu muita atenção para o Robert e eu saí bastante queimado dessa história.
Sara levou as duas mãos na nuca e pendeu a cabeça para trás. Ela não queria saber de histórias passadas ainda mais quando as pessoas tinham a verdade distorcidas por Robert.
— Eu não sou a Stella. Eu não sou ingênua em relação ao Robert e a Virgínia.
— Eu sei que você me pediu para deixar Stella fora de qualquer situação mas, eu não posso ver ela te incentivando a estar com pessoas como eles. Eu não posso perder outra pessoa por conta da manipulação deles.
Havia ressentimento na voz dele e Sara não deixou de reparar. De alguma forma Grissom sentia-se magoado com aquela atitude da governanta. Ele não a culpava por saber que as verdades tinham sido distorcidas mas estava chateado por ela não ter dado ouvidos a fala dele.
— Você não precisa se preocupar com isso. — Sara aproximou-se de Grissom e levou a mão ao seu rosto, fazendo um suave carinho em sua face. Tinha muito tempo que ela queria fazer isso. — Eu não vou ser inocente em acreditar em todas as falas deles.
Grissom puxou a mão que antes repousava em sua face para os seu lábios, depositando um beijo na palma. Delicadamente a puxou pelo o pulso para próximo de si. Olhou por cima dos ombros da morena para certificar que estavam sozinhos ali.
— Fico feliz em ouvir isso. — Ele envolveu suas mãos na cintura dela. Estavam se arriscando demais, principalmente ali onde poderiam ser pegos. — Bom saber que eu tenho o seu voto de confiança.
— Eu não preciso te conhecer sob a ótica das outras pessoas.
Ele fechou os olhos por alguns segundos, precisava absorver aquela informação. Ele era um homem que pouco se importava com opiniões a seu respeito, ele não tinha a intenção de agradar “gregos e troianos”. No entanto, ele sentia-se extremamente irritado quando as verdades eram distorcidas a seu respeito.
Grissom anulou a distância que existia entre eles. Ainda apoiado no balcão da cozinha, ele segurava as duas mãos de Sara de uma forma delicada. Olhou no fundo de seus olhos e quis decifrar tudo o que se passava naquela brilhante mente.
Sara fechou os olhos quando sentiu os lábios de Grissom sobre os dela. Sentiu a adrenalina percorrer por todo o seu corpo, o risco de serem vistos naquela situação era altíssimo, não estavam sozinhos naquela casa. No primeiro momento ela exitou em responder ao toque mas quando sentiu o toque das mãos dele ao redor de seu rosto, foi impossível resistir.
O contato das línguas foi como uma corrente elétrica percorrendo o corpo de ambos, o beijo era calmo como uma suave melodia de Eric Clapton. Eles não tinham pressa, tinham um ao outro e isso bastava. Grissom abriu os olhos e encontrou ali um dos charmes de Sara : A capacidade de sorrir com os olhos.
Grissom deslizou uma de suas mãos até a cintura de Sara, trazendo o seu corpo para colar ainda mais ao seu. Ela reagiu aprofundando ainda mais o beijo.A melodia de Eric Clapton começava a dar lugar para a sedução sonora de Marvin Gaye.
Ela apontou com a cabeça a direção de seu quarto. Não sabia aonde aquele beijo poderia terminar mas preferia que não terminasse com Emma aparecendo naquele momento. Grissom também queria saber onde iriam terminar. A morena o puxou pela mão e assim que entraram no quarto, ela trancou a porta atrás de si.
Seus corpos uniram-se novamente de uma forma exasperada. Grissom recebeu Sara em seus braços como segura-se um bem precioso. Suas bocas em ritmo frenético, obedeciam seus corpos que a cada vez pediam por mais. Sara logo tratou de tirar a camisa do supervisor, estar diante da imagem que ela presenciou mais cedo era um deleite. Com a ponta dos dedos, deslizou por toda a extensão do largo peitoral e quando chegou na barriga, ele encolheu e soltou um gemido.
— Sara…
Foi o máximo que ele conseguiu dizer tentando controlar a sua respiração pesada. Grissom retirou a blusa de Sara sob o olhar atento da morena. Ele conduziu-a até a cama, com um dos joelhos apoiado ao corpo dela, passou sua mão espalmada por toda a pele alva e levou até o seu rosto. Com o pescoço exposto, ele roçou seu lábio inferior por todo o lugar.
Ainda deitada, ela levou a mão até o cós da calça do supervisor que logo tratou de livrar da pesada peça e logo em seguida a calça de Sara tomou o mesmo destino de sua peça.
Aquela visão o fazia perder todos os sentidos. O corpo esguio da mulher sobre a cama o fazia delirar de prazer. Sara o enlaçou com suas pernas e o trouxe para mais perto. Pode sentir a sua ereção junto ao seu centro e gemeu sobre a boca dele quando ele insinuou sobre ela. Sara arqueou o corpo e ele aproveitou a oportunidade para tirar o sutiã que ela usava.
A peça vermelha e delicada ganhou o mesmo destino de todas as outras peças.
Sem pestanejar, ele tomou um de seus seios em sua boca enquanto uma de suas mãos percorria por todo o corpo dela. A cada sucção, Sara arqueava o corpo e gemia. Em dado momento, Grissom levantou a cabeça e colocou o dedo indicador sob seus lábios. Eles precisavam ser muito discretos.
Grissom começou a deslizar sua língua pela barriga de Sara e deixava leves mordidas logo em seguida. Ela passava apenas a ponta de seu pé pela extensão da grossa coxa dele. Ele sentou-se e segurou a perna dela, os beijos que antes eram deixados na barriga foram transferidos para a parte interna da coxa dela e assim ele fez até chegar aos seus pés.
Sara tentou levantar mas foi impedida por ele que pressionou seu ombro contra a cama. A encarando, levou suas mãos até a última peça que ela ainda utilizava e com o olhar, ela autorizou o homem a retirar. Com a imagem dela totalmente despida em sua frente, sentiu a sua ereção latejar.
Em um minuto de desatenção, Sara conseguir reverter as posições mas devido a cama de solteiro onde eles estavam deitados, acabou fazendo um barulho maior do que o esperado. Os dois pararam em silêncio, esperando algum tipo de reação vinda de fora do quarto. Segurando suas risadas, depois de alguns segundos do silêncio sacro que a casa estava, ela continuou o que havia parado.
Primeiro ela se concentrou em sua boca. Grissom tinha um beijo que a fazia sair de órbita. Suas línguas tinham uma conexão incrível.
Depois ela deu atenção ao largo pescoço, com os lábio úmidos ela ia percorrendo por toda a sua pele e mordiscou sua orelha. Naquele momento o supervisor abraçou a sua cintura e a sentou em sua virilidade. Se ela continuasse daquela forma ele não iria resistir por muito tempo.
Ela piscou para ele e rebolou sobre o seu centro. Grissom apertou a sua coxa com força, praticamente implorando que ela parasse com aquilo.
— É melhor aguentar firme. Eu ainda não acabei
Sara sussurrou em seu ouvido e continuou a sua deliciosa tarefa. Ela passou seus lábios por todo o tórax do supervisor e deu uma devida atenção ao seu mamilo. Naquele momento ele tentou a todo custo reverter as posições mas ela foi mais forte que ele e não sair tão fácil.
— Sara, por favor…
Ela levantou-se de forma repentina e caminhou até a direção de sua mochila. Retirou um preservativo e jogou em direção de Grissom, que capturou ainda no ar o objeto. Com o auxílio dela, que antes de colocar o preservativo massageou o seu membro em sua mão.
Grissom deitou-se sobre ela. Enquanto a beijava, ele a penetrou que fez que ambos gemessem, daquela vez não daria para controlar. Sara prendeu a respiração quando ele começou a movimentar dentro dela, senti-lo dentro dela era uma das melhores experiências que ela já tivera.
Se Sara havia feito Grissom se controlar, agora seria a vez dela.
Como quem fizesse pirraça, ele aumentava a velocidade e parava só para ver o desespero no olhar dela. A morena juntou seus lábios de uma forma luxuosa e nada casta. E ele respondia cada vez mais com investidas. Sara conseguiu sentar sobre ele, com uma das mãos levou ao seu pescoço para apoiar e ele por vez tinhas as costas arqueadas e a mãos sobre o colchão.
Sara conduzia a velocidade e ele sentia tesão cada vez mais com a postura dela. Arqueou o seu corpo para conseguir ir mais fundo dentro dela e viu quando um sorriso malicioso brotou em seus lábios. Ela era maravilhosa em diversos pontos.
Ela estava perto de atingir o ápice do prazer, ela abraçou o corpo dele e deixou que ele conduzisse o resto. Ele aumentou a velocidade das estocadas, ele também já estava próximo em atingir o gozo. Com o empenho mútuo, Grissom atingiu o ápice primeiro e concentrou-se o restante da energia para ela atingir o prazer também. Quando ela conseguiu, ele precisou abafar o gemido dela com sua boca.
Com suas respirações totalmente descompassadas, ele piscou para ela que retribuiu logo em seguida. Estavam extremamente cansados e saciados. Torciam também para terem sidos discretos. Depois de organizarem a pequena bagunça que havia feito no cômodo.
Grissom estava deitado com Sara abraçada em seu corpo. Fazia um suave carinho em seu braço enquanto ela fazia pequenos círculos em seu peito. Ficaram calados por alguns minutos, até suas respirações se normalizarem.
— Queria poder passar o restante da noite com você. — Ele cheirou o topo de sua cabeça. A morena levantou a cabeça e sorriu com a confissão do supervisor.
— Também adoraria que você ficasse aqui comigo. — Ela o abraçou com mais força como não quisesse deixar que ele saísse daquela posição.
Ele fez um cafuné em sua cabeça e aninhou o corpo dela juntou ao seu. Tinha sido uma noite e agradável e não poderia ter terminado de uma forma melhor. Ficaram deitados juntos por mais alguns minutos, quando escutaram a porta principal sendo aberta. O coração dos dois dispararam quando se deram conta que Jason já estava em casa.
— Acho melhor eu ir para o meu quarto.- Ele disse chateado. Não queria causar nenhum constrangimento entre eles. — Não queremos arrumar nenhum tipo de confusão.
Sara concordou e ficou observando ele se vestir novamente. Ela estava começando a gostar dele e ainda não sentia se esse sentimento era algo bom e principalmente se devia investir nisso.
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