Sim, Senhor.
19 Capítulo 19
Notas iniciais
O inverno começa a ficar menos rigoroso, o sol já conseguia aquecer aqueles que andavam livremente pela as ruas e calçadas de Las Vegas. Apesar de se tratar de um fim de tarde o clima ainda estava agradável para um passeio a céu aberto. Por decisão de Beth eles iriam passar o fim de tarde em um parque e depois iriam para um restaurante jantar porém Sara nem desconfiava que Beth e Stella tinham organizado tudo para comemorar o seu aniversário.
—Quero fazer algo especial para Sara. Ela merece, Stella.
—Sara é uma menina simples, tenho certeza que ela vai se agradar da surpresa.
Beth conhecia poucos lugares em Las Vegas então Stella havia sugerido um restaurante que ficava um pouco afastado do centro. O ambiente era um local simples mas de muito bom gosto. Sabendo disso ela ligou reservando uma mesa para a família.
Ela sempre agradeceria Sara por tudo o que ela conseguiu fazer pela família dela : Trouxe paz e tranquilidade para aquela casa.
Iriam todos na Denalli de Grissom porém Sara estava relutante para ir, não via necessidade de estar em um passeio “família” como aquele, ela tinha receio que as pessoas começassem a confundir a relação profissional dela com a família Grissom, assim como o Dr. Scott fez.
— Vamos Sarinha, por favor. Vai ser divertido ter você e a vovó no parque. — Emma abriu um sorriso capaz de iluminar toda a sala.
—Que bom saber que você me excluiu e excluiu o seu pai, mocinha. — Stella repreendeu a caçula em um tom de brincadeira. — Antigamente você me dava mais valor.
—Não se esqueçam de mim. — Gritou Jason enquanto descia as escadas. Havia algo de diferente nele. Seus cabelos estavam maiores deixando que alguns cachos ganhassem forma, as roupas escuras que habitualmente ele vestia deu espaço para cores mais claras e no lugar do moletom que ele tanto gostava, ele usava uma jaqueta preta.
—Onde vai tão arrumado? Vamos para o mesmo lugar? — Stella arrumou o capuz da jaqueta de Jason. — Até perfumado você está, rapaz.
—Deve estar assim por causa da Mackenzie. — Emma encostou no sofá e cruzou os braços e encarou Jason.
Havia semanas que ela via seu irmão ao lado dessa menina.- Agora ele fica para todos os lados com ela.
—Fica queita, Emma. — Repreendeu a sua irmã que levantou-se e cruzou os braços.- Mackenzie é a minha amiga.
—Eu posso saber o motivo de tanta euforia? — Grissom tinha terminado de chegar na sala quando viu seus filhos se enfrentando, pelo o que tinha entendido da conversa Emma estava com ciúmes do irmão.
—Jason está namorando e não contou para ninguém. — Emma aproximou-se de Grissom e abraçou sua cintura, não queria perder também a atenção de seu pai. Grissom sorriu e mordeu o lábio inferior na tentativa de segurar uma risada, não queria que Jason suspeitasse que ele estivesse debochando com o romance dele.
—Isso é verdade, Jay?
Sara surpreendeu-se pela forma que Grissom havia chamado Jason. Sempre escutou Stella, Beth e Emma chamarem o rapaz pelo o apelido mas nunca o seu patrão. Ele parecia estar mais leve naquele dia, demonstrava estar calmo.
—Somos apenas amigos. Emma que não sabe interpretar as coisas, pai. — Ele estava ruborizado, todos estavam na sala o encarando esperando uma resposta. A verdade que ele e Mackenzie estavam juntos há menos de um mês e iria aproveitar aquele dia para apresentar a moça para sua família.
—Meu filho você não percebeu que Jay ultimamente está rindo para todos os lados?
—Vó !
—Jason, preciso concordar com Beth. Ultimamente eu consigo ver borboletas e corações ao seu redor. — Concluiu Sara sorrindo para Beth.
“É a mesma coisa que eu vejo quando meu pai te olha”
—Vamos sair ou vamos ficar aqui especulando sobre a minha vida? — Jason pegou a chave do carro e abriu a porta da sala esperando dar um fim naquela conversa. Grissom pegou a chave de sua mão e destrancou o carro, na Denalli caberiam todos sem necessidade de um carro extra.
Durante o resto do trajeto até a praça, Sara permaneceu pensativa. Aquela carta que havia recebido de sua mãe tinha realmente abalado o seu emocional. Laura estava internada em um manicômio judicial afastado do centro de Las Vegas, depois que sua mãe havia perdido sua guarda ela nunca mais tiveram o mesmo contato, algumas vezes Sara ainda demandava o seu tempo em ir visitá-la mas a cada visita ela sentia menos necessidade de estar ao lado dela. Aos poucos elas foram perdendo o contato e faziam 02 anos que elas não se viam.
—Terra chamando Sara Sidle. — Stella estalou os dedos perto do rosto de Sara fazendo que a morena saísse de seu veraneio. — Me desculpe, estava com a cabeça em outro lugar.
— Pensando na viagem ou em Hank? — Jason mostrou a lingua para Sara que retribuiu com o mesmo gesto.
— Pensando na viagem.Não sou boba apaixonada como você. — Sara apertou a bochecha de Jason que logo desvencilhou da brincadeira dela. — Me desculpe, não quero que sua namorada sinta ciúmes de mim.
Grissom tinha acabado de estacionar. Desligou o carro e tamborilou os dedos sobre o painel do carro, ultimamente tinha uma necessidade de dissipar a sua ansiedade de alguma maneira. Todos desceram do carro e ele devidamente trancou o veículo, todos começaram a andar na frente, restando ele e sua mãe um pouco mais atrás.
— Gil, eu e Stella reservamps uma mesa em um restaurante um pouco afastado de Vegas, como eu conheço pouco lugares aqui ela me indicou o restaurante que elas costumam frequentar. Espero que você não se importe, não te contamos nada por que a chance de você dar uma desculpa seriam enormes.
— Sem problemas, ela merece. — Grissom ensaiou um sorriso mas achou melhor se conter.- E eu não iria dar desculpas.
Beth revirou os olhos.
Abraçou a cintura de Grissom e caminharam juntos até onde todos estavam. Jason foi ao encontro de Mackenzie. Sara, Stella e Emma se acomodaram próximo aos brinquedos. Enquanto Grissom se aproximava, Sara o encarava, ela lembrava da conversa entre as duas senhoras respeito da “cena” que Beth havia presenciado na lavanderia.
—Pelo visto aquela é a namorada de Jason. — Stella apontou a cabeça em direção aos três que estavam conversando perto dos balanços. Jason e Mackenzie estavam abraçados e Emma estava com o semblante fechado encarando os dois.
—Sei de quem Emma herdou esse ciúmes todo. — Grissom acomodou-se ao lado de Stella. — Olha como ela encara a nova namorada de Jason.
—Nova? — Sara espantou-se com a revelação de Grissom. O rapaz nunca havia comentado a respeito de outras moças.
—Não se engane com essa carinha de bom moço que ele tem, Sara.
—Igual ao pai.- Concluiu Beth, vitoriosa. Lembrou-se muito bem da cena que havia presenciado entre ele e Sara.
Os três se aproximaram do grupo, Emma a frente e Jason ao lado de seu namorada logo atrás.
— Olá, como estão? — Mackenzie era uma menina um pouco mais baixa que Jason, com 16 anos ela tinha um longo cabelo castanho, os olhos na cor de mel combinavam com o sorriso largo que ela possuía. As bochechas rosadas traziam para a moça um ar de “menina”. Seu óculos de grau destacava ainda mais seus olhos.
— Você deve ser a Mackenzie, certo? — Beth retirou o óculos de sol para poder analisar melhor sua “nova neta”. — Prazer eu sou Elizabeth, avó de Jason e Emma.
—Prazer é meu. — Elas trocaram um abraço rápido porém muito caloroso, assim como todos abraços de Beth.- E vocês devem ser Grissom, Stella e Sara. Acertei?
Grissom levantou-se e apertou a mão de Mackenzie, ela parecia ser uma jovem adorável. A moça não satisfeita abraçou seu “sogro” que assustou-se com o gesto e acabou por retribuir de uma forma desajeitada. Emma ficou muito brava com aquilo, como se não bastasse ela roubar a atenção do seu irmão ainda tentava fazer o mesmo com o seu pai.
—Pai, você me pega no colo? — Com a voz manhosa, Grissom não gostou da atitude da caçula mas não seria certo repreender ela na frente de todos.
— Você não está um pouco grande para isso?
—Sente-se aqui do meu lado Emma. — Sara chamou a menina que olhou decepcionada para o seu pai. Se não gostava da namorada de seu irmão depois daquele momento passou a detestar. — Por que não vamos no balanço? Vamos deixar esse “pombinhos” pra lá. O que acham?
A menina olhou para Sara e resolver ceder a ideia mas antes ela encarou o irmão e seu pai. Prevendo uma outra crise de ciúmes achou melhor levar Emma para outro lugar. Entendia que a caçula achava que iria perder espaço com uma nova mulher na vida de seu irmão.
Grissom ficou observando a atitude de Emma, sua personalidade lembrava muito Maggie, aquelas maneiras instantânea de demonstrar insatisfação era típico de sua esposa. Lembrou-se da ocasião em que Maggie conheceu Heather, eles estavam saindo do laboratório quando encontraram a dominatrix no estacionamento, sua esposa não gostou nenhum pouco da forma íntima que ela tratou o seu marido e fez questão de externar isso.
—Pensando em que ?
—Nem vi você aí, Stella. — A senhora segurava um saco de pipoca, ofereceu para ele que cordialmente recusou.- Estava pensando em como Emma se parece com Maggie em algumas atitudes.
—Está se referindo ao ciúmes dela com a moça?
—Sim. Sei que vou ter um pouco de dor de cabeça com esse triângulo.- Ele sorriu e acenou para Emma que estava no balanço com Samantha. Sara timidamente acenou para os dois sentado no banco.- Minha mãe me contou sobre o jantar que vocês organizaram para Sara.
—Ela é uma menina incrível. Merece tudo de bom que o universo tem para oferecer.
— Uma vez ela comentou que esteve um orfanato, foi lá que você conheceu ela?
— Não, morávamos próximas quando Laura matou George a facadas, foi uma tragédia. Depois disso eu tentei ter a guarda dela mas meu falecido marido me proibiu, falava que eu estaria levando uma potencial assassina para dentro de casa.
Grissom sentiu repulsa de escutar aquilo, em seu trabalho conhecia diversos casos de pessoas que matavam de diversas formas movidas por uma infância traumática mas ninguém carregava genes de assassino. Calou-se, não queria entrar em detalhes pessoais. Era surpreende ver Sara naquelas condições, uma pessoa que tinha todos os motivos para ser fria como ele e reservada foi ao contrário de tudo isso. A maneira como ela demonstrava simpatia por seus filhos era algo encantador.
—Stella, vamos aproveitar que Sara está distraída e vamos comprar o presente dela? — Beth que até então conversava com Jason e Mackenzie, contou ao casal que precisava sair e pediu que Jason distraísse Sara enquanto as duas senhoras iriam atrás do presente. — Pedi a Jason que inventasse alguma desculpa sobre a nossa ausência.
— Vocês duas quando estão juntas sempre me deixam de orelha em pé. — Riu Grissom enquanto encarava as duas senhoras. A amizade das duas parecia algo de outras vidas, desde o primeiro encontro ambas tinham se identificado muito.- Podem ir tranquilas, tenho certeza que Sara terá muito trabalho com Emma e Mackenzie, nem vai reparar a ausência de vocês.
— Alguma sugestão de presente. Gil?
Grissom deslizou sua mão sobre a sua bochecha esquerda, deu-se conta que conhecia quase dos gostos de Sara, o pouco que sabia era a semelhança de gosto entre ela e seu filho.
—Não mas sei que vocês duas tem um bom gosto. Confio em vocês. Precisam do carro?
—Vamos andando, não vamos muito longe.
—Juízo, senhoras !
Enquanto Jason e Mackenzie conversavam, Sara permanecia pensativa. Aquela ocasião, Laura queria a presença de Sara por que ela passaria por uma intervenção cirúrgica para a retirada de um mioma no útero e queria encontrar com sua filha antes da internação. A cirurgia tinha um baixo risco mas Sara acreditava que o remorso de sua mãe era o que mais a preocupava.
—Hoje a Sara está com a cabeça em outro lugar. Tenho certeza.
—Preocupações, Jay. Só isso.
—Relaxa, Sara. Tenho certeza que daqui a pouco tudo se resolve. — Mackenzie era uma pessoa com um astral muito bom e isso era facilmente perceptível, era uma pessoa livre de qualquer tipo de falsidade. Se ela se identificava com alguém, assim como fez com Sara rapidamente se entrosava. — Acho que sua irmã não gostou muito de mim.
Emma estava um pouco mais afastado dos três mas sob o olhar atento de Sara. A menina havia conhecido uma menina um pouco mais velha que ela e estavam correndo perto do escorregador com outras crianças.
— Eles são muito grudados mas acredite ela tem um coração muito grande, daqui a pouco vocês duas estão dando super bem.
—Jay, será que podemos ir ficar um pouco com a sua irmã? Não quero que ela pense que estou roubando você dela.
— Vão vocês dois, comigo do lado ela vai estar mais preocupada em chamar a minha atenção que dar atenção para vocês. — Sara sorriu e deixou o casal tentar aproximação com Emma, não seria uma tarefa nada fácil.
Olhou para o banco e viu que Grissom estava sentado sozinho. Jason havia falado que Stella e sua avó tinham aproveitado para ir ao supermercado, fato que ela estranhou já que Wanessa era responsável por fazer as compras.
Seria muito estranho se Sara escolhesse outro banco para sentar mas estranho seria sentar ao lado de Grissom. Relutou mas acabou cedendo ao impulso de ficar ao lado dele.
—Como Emma está reagindo a tudo isso? — Ele permanecia olhando para o trio. Mackenzie tentava se enturmar mas Emma dava claros sinais que estava incomodada com aquilo.
—Emma não está dando o braço a torcer, acho que ela está se sentindo traída pelo o irmão.
Sara sentou-se na outra extremidade do banco e Grissom notou isso. Se o banco fosse alguns centímetros menor ela sentaria no chão. O assunto iria acabar em breve e ele não queria isso, nunca se incomodou com o silêncio mas o dela era perturbador.
—Daqui a pouco a namorada de Jason descobre algum ponto fraco dela e ganha o carinho dela. Tenho certeza. — Ele coçou a nuca e Sara reparou de soslaio, toda vez que ele fazia aquilo ela lembrava-se de Emma falando que ele fazia aquilo quando se sentia incomodado com algo.
Sara ficou em silêncio, não queria incomodar mais. Queria muito que Stella e Beth estivessem ali para amenizar o clima. Os dois tinham poucos assuntos em comum e era constrangedor ficar em silêncio ao lado dele.
—Stella me contou sobre como vocês se conhecem.
Sara arregalou os olhos e encarou Grissom. Ela não se incomodava em falar sobre o seu passado até porque aquilo não era motivo para ela se envergonhar mas não entendeu o motivo que ele tocou naquele assunto ali. Ele reparou na expressão dela e arrependeu-se logo em seguida
—Me desculpe, eu não devia ter tocado nesse assunto.
— Não tem nenhum problema. Só estranhei o fato de você e Stella conversarem ao meu respeito. — Ela sorriu mostrando seus dentes separados, levou uma mecha de cabelo atrás da orelha e virou o corpo para poder conversar melhor com ele. — Espero que ela não conte meus “podres”. — Ela fez aspas com as duas mãos.
— Você que está se entregando. Stella só tece elogios a seu respeito. — Ele virou-se e a encontrou sorrindo um braço apoiado no encosto do banco. — Sou investigador, não se esqueça disso.
— Vou tomar cuidado com as minhas palavras.- Ela riu- Mas eu cresci na mesma rua que Stella morava, depois que eu fui mandada para o orfanato ela foi a única que me visitava. Cresci considerando ela minha mãe e não me arrependo disso.
— Você ainda tem contato com a sua mãe?
— Muito pouco. — Sara corrigiu a postura e aos poucos o sorriso foi sumindo de seu rosto, sua mãe era o seu ponto fraco.
— Me desculpe tocar nesse assunto. Não fiz de propósito, acho que todo mundo tem aquele ponto intocável. — Essa foi a vez dele ficar melancólico.
— Não é loucura ter a nossa felicidade ou bem estar condicionado a uma pessoa?
— Somos humanos dependentes, acho que essa é uma condição natural.
— Essa é condição é reversível. Acredite em mim. Não fique preso em uma culpa que não é sua.
Grissom engoliu em seco, odiava se sentir vulnerável daquela forma. Se antes o silêncio incomodava, agora era uma alívio. Nunca esteve preparado para falar sobre a partida de Maggie.
— Um amor cura o outro, Grissom.
— Não é justo despejar a sua carga emocional em outra pessoa.
— E quem disse que você precisa fazer isso para ser feliz com outra pessoa? Se o amor cura, o mal para de doer.
Grissom balançou a cabeça em negativa, gostava de conversar entrelinhas daquela forma se sentia menos vulnerável.
— E você acha que isso funciona?
— Eu tenho vários motivos para acreditar que essa história não dá certo mas prefiro acreditar.
— Você refere a sua felicidade ao Hank ? — Grissom olhou para Sara e percebeu o sorriso bobo ao ouvir o nome do paramédico. Incrédulo, ele soltou um sorriso irônico.
— Qual foi a graça? — Ela o encarou de forma séria.
— De quantos amores são necessários para curar ?
— O que você está insinuando?
Aquilo foi um balde de água gelada na cabeça de Sara. Sem entender do que se tratava, já que ela não fazia ideia de quem realmente era Hank ela achou que Grissom estava falando dela demonstrar interesse pelo o paramédico e por ele. Aquilo a irou profundamente, ao ponto de deixar Grissom falando sozinho e ir embora.
— Não fiz nenhum tipo de insinuação, Sara. Foi apenas uma pergunta. — Grissom acreditou que ela não havia gostado da maneira de como ele falou a respeito de Hank, dando a entender que ele tivesse se relacionando com outras mulheres.
O que não deixaria de ser mentira já que Grissom o viu paquerando outra mulher no laboratório.
Ela encerrou o assunto e voltou a fitar o parque, sem se concentrar em um ponto fixo. Agradeceu quando Stella e Beth retornaram, estava com muita raiva ao ponto de chorar mas controlou-se. Stella viu que pelo o semblante de Sara alguma coisa tinha acontecido.
— Está tudo bem? — Stella sentou-se no meio de Grissom e Sara, se ela tivesse uma faca seria perfeitamente possível cortar a tensão que estava entre os dois.
— Está sim, Stella. — O celular de Grissom começou a tocar nesse momento, ele pediu licença e foi até um canto reservado para atender.
— Aconteceu alguma coisa, Sara? — Stella segurou as mãos de Sara e percebeu como elas estavam geladas.
— Nada demais,mama. Eu acho que só estou estressada com tudo que está acontecendo. — Stella aproximou-se mais dela e apoiou sua cabeça em seu ombro e afagou sua cabeça. — Vai dar tudo certo.
Grissom havia recebido uma ligação do laboratório, precisava voltar com urgência para o laboratório. Eles haviam achado um corpo em decomposição e ele precisava fazer uma análise entomológica.
— Eu vou precisar ir para o laboratório.
— Eu não acredito, Gilbert. Qual foi o nosso combinado? — Beth levantou-se irritada com o seu filho, sempre existia motivos para levá-lo até o laboratório.
— Eu não iria se a minha presença realmente não fosse necessária. Eu vou deixar a chave do carro com você e vou de táxi até em casa e depois vou para o laboratório.
Beth não agradou nenhum pouco daquilo. Era um momento para eles estarem juntos mas Grissom sempre estragava, ela queria muito poder abrir os olhos do filho para isso. A contragosto pegou a chave do carro.
Ele rapidamente conseguiu um táxi para casa, no trajeto ele ficava pensando em que ele havia falado para deixar Sara irada daquela forma, em questão de segundos ela tinha mudado completamente com ele.
Quando ele achava que as coisas estavam progredindo…
Já na porta de sua casa pediu para o taxista aguardar, iria somente em casa buscar sua pasta e seu crachá. Chegando próximo a porta, ele reparou um envelope médio na entrada da casa, agachou-se e pegou, abriu a porta e deixou o envelope no aparador. Correu até o seu quarto e pegou os seus pertences necessários, na volta pegou o envelope e saiu de casa. Já dentro do táxi ele deu a devida atenção para a correspondência.
Achou muito estranho o envelope não ter um remetente e aquilo acendeu a luz vermelha. Era muito pequeno para conter qualquer tipo de explosivo, tentou olhar contraluz o conteúdo mas não obteve êxito. Por fim abriu o envelope e sentiu o seu coração falhar e o estômago revirar, tinha quase certeza que iria vomitar.
— Que merda é essa?
Grissom tremia, ele não podia acreditar no que estava segurando. Só podia ser uma brincadeira de muito mal gosto aquilo. O taxista observava sem entender as reações do passageiro, por duas vezes perguntou se ele estava bem mas o homem não respondeu.
Era uma foto de Maggie.
Com os cabelos cortados na altura do pescoço, a mulher sorria ao lado de um senhor que aparentava de a idade de seus pais. Ao fundo uma casa bem simples compunha a foto. A mulher estava mais magra e corada, ele observou cada detalhe daquela foto, as roupas eram totalmente diferente das roupas que ela tinha o costume de usar. Uma blusa xadrez azul e uma calça esportiva e nos pés uma bota de trilha.
Onde era aquela foto?
Novamente o mal estar e as palpitações.
Não tinha um bilhete ou um remetente. Nada que pudesse identificar ou ao menos explicar como aquela foto tinha ido parar na porta da casa dele. Se aquilo era uma brincadeira, era uma brincadeira de extremo mal gosto. Passou as mãos no rosto em desespero.
…
Ele saiu do laboratório ainda sem rumo. Diversas vezes Catherine e Warrick perguntaram se ele estava bem e ele afirmava que estava mas na verdade pouco conseguiu se concentrar no que estava fazendo.
Já na rua ele só queria ir embora dali, não ia ficar revirando aquela história, precisava procurar qualquer outra coisa para fazer. Ele não queria reviver tudo aquilo novamente. Sua mãe enviou uma mensagem com o endereço do restaurante onde ele estavam, a mensagem dela havia sido curta e direita
"Só venha se for sua vontade"
Grissom decidiu ir encontrar com eles mas decidiu levar algum presente para Sara mesmo não sabendo o que comprar. No fundo ele só queria esquecer daquela foto. Parado no centro de Las Vegas ele não tinha nenhum rumo certo, sua mente não conseguia focar em nada.
Novamente dentro do táxi, ele havia escolhido algo para Sara, talvez na tentativa de desfazer o mal entendido. Como o trajeto iria demorar ele resolveu pegar a foto novamente. Maggie continuava linda, os cabelos mais curtos trouxeram a ela uma aparência mais jovial, a pele corada combinava com a cor dos cabelos. Uma coisa chamou a atenção de Grissom.
Ela continuava usando aliança.
Instintivamente ele passou o polegar sobre a sua joia. Era reconfortante saber que ela ainda usava.
Ele olhava para a foto e vinha em mente diversas perguntas que não seria respondidas dentro daquele carro. Mas a que mais a incomodava era saber quem tinha deixado aquela foto ali.
Parado na porta do restaurante, guardou a foto na sua pasta e pagou ao taxista. Jurou para si que não iria deixar transparecer preocupação, aquela noite não poderia ser estragada novamente por ele. O restaurante era um local aconchegante, com diversas mesas ao lado de fora, o espaço era todo branco e decorando com pequenas flores coloridas. Foi fácil encontrar com toda a família pois era a maior mesa no local.
Cumprimentou a todos, inclusive Hank que estava sentado ao lado de Sara.
—Parabéns, Sara ! Espero que goste do presente.
Beth e Stella entreolharam-se pois mais cedo Grissom havia dito que não sabia que presente dar para ela.
Sara pegou o envelope e o pacote das mãos de Grissom. Hank encarou ele de uma forma nada amigável o que não passou despercebido por ninguém na mesa. Ela abriu o envelope e tinham dois ingressos para o filme The Dark Side of the Rainbow, um filme que mistura O mágico de Oz com Pink Floyd e um livro sobre entomologia para iniciantes, dentro do livro continha um bilhete.
Espero que me desculpe.
G.Grissom.
Sara encarou Grissom com um sorriso de lado. Ainda estava muito magoada mas sabia que de alguma forma aquela raiva iria passar.
— Muito obrigada. Vou aproveitar bastante os presentes.
— Espero que aproveite o ingresso do cinema comigo. — Hank falou e puxou o rosto de Sara para um beijo rápido.
Sara ruborizou, Grissom meneou a cabeça concordando com Hank.
Ele sabia quem o Hank era…
Mas ele tinha problemas muito maiores para resolver.
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