Sim, Senhor.
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Faltava menos de uma semana para o natal e as ruas de Las Vegas não deixava as pessoas se esqueceram desse evento. Grissom que tinha aversão aquelas datas comemorativas nunca gostou de comemorar o Natal, isso somente cresceu com a ausência de Maggie. Seus filhos desde então passavam a noite na natal na casa dos avós que faziam uma grande ceia em família, sua cunhada que morava em Nova York sempre vinha para passar o natal com seus pais.
Ele nesse dia ou estava trabalhando ou em casa assistindo algum filme ou qualquer coisa aleatória.
—Queria passar o natal esse ano em casa.
—Por que Jason? Todos os anos vocês vão para a casa de seus avós?
—Poxa, pai. Eu queria ficar em casa, todo ano quando a tia Carol chega é sempre os mesmo assuntos e o mesmo papo chato. Esse ano eu não vou.
—Vai passar o Natal do meu lado vendo televisão? Por que sabe que é isso que eu faço todos os anos. – Grissom que terminava de tomar o café da manhã deu a última garfada em suas panquecas e encostou no estofado da cadeira.
—A gente podia fazer uma festa de natal aqui, não podemos papai?
Emma que se lambuzava todo com maple dava mais uma mordida na panqueca enquanto encarava seu pai.
—Não que não seja uma boa ideia, Em. Por que vocês não vão para a casa dos avós de vocês? Todos os anos vocês vão, por que nesse vai ser diferente?
—Por que queremos passar com você. – Jason falou com o olhar baixo, não queria encarar seu pai mas esse era o desejo dele, não queria passar pela tortura de estar em família e não ter sua mãe e seu pai por perto, sentia que faltava tudo naquela noite de natal.
Grissom suspirou fundo e encarou seu filho. Jason a cada dia mais se parecia com ele, não fisicamente mas sim a compatibilidade de personalidade e pensamentos, ele sabia que seu filho a cada dia se fechava mais e isso o preocupava, na idade que ele estava as portas do mundo se escancaravam sem pedir licença.
—O que acha dessa ideia, Stella?
—Grissom seus filhos querem passar essa data comemorativa com você.
Stella que não se continha de felicidade ao escutar o pedidos de Emma e Jason, quase quis esbofetear o seu patrão quando ele hesitou em aceitar, ela sabia que ele nunca gostou de natal mas seus filhos gostavam, Maggie sempre enfeitou a casa e trazia o espirito natalino para o ambiente.
—Tudo bem mas fiquem vocês sabendo que eu não vou ser o responsável a dar a notícia para os avós de vocês.
Emma largou os talheres no pranto e foi em direção de Grissom para abraça-lo. Ele em um movimento rápido pegou a menina e o colocou em sua perna.
—Você vai passar o natal com a gente, né Sarinha?!
Sara que até então permanecia em silêncio vendo aquele pedido quase suplica dos meninos sorriu ao ouvir o pedido de Emma. Ela não ligava para o Natal mas não odiava a data, quando estava no orfanato no dia 25 ela sempre passava o dia com Stella que a levava para passear e fazer uma pequena ceia em sua casa.
—Acho melhor não, Natal se passa em família.
—Deixa disso Sara, você está todos os dias com a gente e no natal não vai ser diferente. – Jason estava parado atrás de Sara com as mão no ombro dela, a morena olhou para trás e viu o menino esperando uma resposta, Emma também a olhava mais ansiosa pela resposta que o próprio irmão e Grissom, esse estava coçando a nuca sem olhar para ela.
—Se não tiver nenhum tipo de problema, eu aceito sim o convite.
—Não há problema algum, Sara. Desde que você não faça a comida da ceia de natal não vejo problema algum em passar o dia com a gente.
—Você sempre muito engraçado, Jason.
Depois de conversarem sobre alguns detalhes para a noite do dia 25 todos levantaram-se da mesa, o dia estava muito frio então nenhum deles estava afim de sair de casa, Grissom que havia sido forçado tirar dois de folga já estava entediado.
—Uma partida de xadrez, pai?
—Hoje não, Jay. Estou com disposição só para dormir e ficar deitado.
—Stella, está sentindo esse cheiro vindo daquela direção.
Ele que estava com o braço ao redor do pescoço da senhora apontou para onde Grissom estava e começaram a puxar o ar de forma curta e rápida.
—Cheiro de desculpa, Jason? Eu sinto também.
Grissom que estava de costas para dupla passou o língua por cima dos lábios e abriu um sorriso cafajeste de lado, sabia da provocação dos dois, era sempre assim. Virou e encontrou eles repetindo o mesmo gesto de respiração.
—Você acha mesmo que é capaz de me vencer, moleque? Na sua idade eu já era o número 1. de Santa Mônica.
—Número 1 da sua rua, só se for.
Grissom gargalhou, aquilo era mentira mesmo mas em seu escritório tinha um troféu que tinha conquistado no seu período de colegial, um campeonato na sua escola promoveu um duelo entre os melhores jogadores, ele que havia se inscrito despretensiosamente ficou tão surpreso quanto os outros quando ganhou o campeonato.
—Moleque eu te derroto em menos de cinco minutos.
—Vamos fazer uma aposta então? Quem perder cai na piscina só de cueca.
—Ficou maluco, Jason? Não sei se reparou mais tem três mulheres nessa casa. – Grissom o reprimiu indicando as mulheres na sala.
—Tudo bem meninas, não vai ser hoje que vocês vão ter a oportunidade de ver o corpinho do meu pai. Então vai ter que ser sem camisa.
—Jason ! – Grissom o reprimiu ainda mais alto. Com os braços abertos ele tentava entender o motivo da “graça” do menino.
—Vou buscar o xadrez. Sara e Stella fiquem de olho nele para ele não fugir.
—As vezes eu não sei o que se passa na cabeça desse menino. Me desculpe pela a brincadeira de mal gosto, Sara.
A morena balançou a cabeça e começou a rir, Jason que já voltava da escada com o tabuleiro e o relógio, sentaram-se na mesa da cozinha e as “meninas” sentaram ao redor dos dois. Xadrez é um jogo silencioso e de raciocínio rápido, nenhuma delas ousaria interromper.
—Está torcendo para quem, Stella?
—Para você, Jason.
Grissom ergueu uma das sobrancelhas e mostrou a língua para senhora que fez o mesmo.
—E você, Sara?
—Para o seu pai, vou adorar ver você caindo nessa piscina gelada quem sabe assim você para de ser engraçadinho.
Com as peças dispostas sobre o tabuleiro, Grissom iniciou a partida. A cada movimento ele cruzava seus dedos e apoiava o queixo sobre as mãos.
Jason conhecia as jogadas de seu pai, sempre que jogavam ele aproveitava para aprender e principalmente estuda-lo.
—Você está sendo muito previsível, Jason. Não movimente o seu cavalo ainda.
O menino apenas levou o indicador até os lábios indicando para ele permanecer em silêncio. O maior truque que Jason tinha era não subestimar o seu pai, sabia que ele era muito paciente.
Jason apertou o relógio indicando que havia terminado sua jogada. Grissom deu uma rápida avaliada no tabuleiro e imaginou suas próximas opções, resolveu então mexer com o bispo e apertou o relógio.
—Segundo a minha previsão deve estar uns 16º lá fora e eu imagino como deva estar a temperatura da água, acho que hoje não vai dar certo para você. Xeque Mate, meu amigo.
Grissom quase saltou da cadeira quando percebeu a bobeira que havia feito na jogada anterior, por excesso de confiança não havia visto que seu filho armava outra jogada que não havia sido reparada por ele.
—Aposta é aposta, pai.
Jason que ostentava um sorriso enorme, levantou-se e foi até a porta que dava para área externa da casa, ao abrir um vento gelado tomou conta do ambiente fazendo com que todos se encolhessem.
—Acho que está um pouco frio hoje, delicioso para um banho de piscina.
—É desnecessário eu fazer isso, você ganhou o jogo e provou que é capaz de me vencer.
—Aposta é aposta.
Grissom levantou-se e o pôs as mãos na cintura, não sabia o que tinha na cabeça quando aceitou aquela ideia do seu filho. Foi até o lado externo da casa e encolheu os ombros, o dia estava frio e aquela ideia era insana demais.
—Sem camisa, meu velho. A calça de moletom é cortesia da casa.
—Jason você já me derrotou, para quê fazer isso?
—Por que da última vez que jogamos xadrez essa foi a nossa aposta, eu perdi e pulei na piscina.
—Mas era verão e estava um calor insuportável no dia.
—Nossa que pena. — Falou fazendo um biquinho e logo em seguida dando uma risada irônica.
Sara colocou a mão na boca para disfarçar a risada. Grissom olhou para todos que estavam esperando ele ir pular na piscina, aquela ideia era louca ele poderia adoecer e em dois dias ele iria retornar para o laboratório mas sabia que Jason não o deixaria em paz enquanto não fizesse aquilo.
—Preciso mesmo fazer isso, Jason?
—Todo mundo está aguardando por isso.
Grissom já sem paciência livrou-se primeiro do chinelo que usava, só o chão frio o desanimou mais ainda. Retirou o casaco de moletom que usava e esfregou as mãos no antebraço, olhou para o seu filho que permanecia irredutível na sua decisão. Retirou a sua camisa branca e fechou os olhos tentando controlar o frio.
Sara que via tudo e achava engraçado aquele momento, pôs-se a observar Grissom se despindo, ele era um homem forte para idade que tinha, o corpo liso de pelos e os braços fortes e definidos.
—Isso vai ter volta, moleque.
—Ei não vale usar da autoridade de pai para me reprimir depois.
Grissom balançou a cabeça e saiu correndo em direção a piscina, quando seu corpo entrou em contato com a água sentiu seus músculos contraírem, a água estava muito mais gelada que ele imaginava, quando levantou-se após o mergulho estava todo encolhido.
—Tem certas pessoas que só querem ver o circo pegar fogo. – Concluiu Sara parada ao lado da piscina.
—Eu concordo com você, Sarinha.
Jason colocou a mão da mão na cintura de Sara e com a outra empurrou ela para dentro da piscina, ela que não esperava por aquela reação caiu na piscina sem ao menos oferecer resistência ao rapaz. Grissom que assustou-se com Sara caindo na piscina foi até a direção onde ela estava submergida e a puxou pela cintura para levantar, não sabia se ela sabia ou não nadar. Sara ao sentir algo a puxando para cima tomou um impulso com os pés a fazendo cair sobre ele.
—Me desculpe, Sara eu não sei se você sabe nadar.
—Isso é por você não ter ficado ao meu lado, Sara. – Jason que ria ao lado de Emma da situação dos dois. Stella que havia entrado para buscar uma toalha para o seu patrão tomou um grande susto quando viu os dois na piscina praticamente abraçados.
Grissom que ainda segurava Sara pela a cintura sentiu uma onda de calor percorrer pelo o seu corpo, aquele contato era bom mas não era o certo. Retirou a mão na cintura dela de uma forma delicada e deu um passo para trás.
—Saiam logo dessa piscina vocês dois, não quero ter que cuidar de dois doentes nessa casa.
Stella que estava parada ao lado dos degraus da piscina entregou primeiro a toalha para Sara e logo em seguida para Grissom, tudo o que eles mais queriam e precisavam era de uma ducha quente.
—Vamos entrar logo Sara, estamos procurando uma doença com as nossas próprias mãos.
Grissom indicou a porta para ela, colocou a mão nas suas costas, queria sentir mais uma vez o toque dela. O contato era bom mas não era certo, ele repetiu isso para si mais uma vez e tirou a mão dali, não queria que a jovem tivesse pensamentos errados a seu respeito que imaginasse que ele se aproveitaria da situação para insinuar algo para ela.
Estava se abrindo demais com ela por perto.
Ele não era assim.
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