Sim, Senhor.
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Depois da confusão da batida dos carros, Jason achou melhor parar de ter aulas com Sara pelo menos por algum tempo para não prejudicar ela com o seu pai. No final daquela confusão toda eles acharam graça. Grissom não foi carrasco com aquela confusão mas o dinheiro do conserto de ambos os carros sairia da mesada dele.
No final, justo.
Sara que a cada dia mais parecia se adaptar melhor a casa estava mais tranquila em saber que seu relacionamento com Jason havia melhorado, desde então o menino se mostrava mais calmo em relação ela está ali com eles diariamente, ainda permanecia o mesmo rapaz fechado porém mais amistoso.
Sara que conciliava o horário de suas aulas com a rotina da família precisava arrumar tempo extra para estudar e dedicar a sua faculdade. Estava extremamente feliz em saber que estava terminando o seu curso e esse era o momento decisivo.
A pedido de Stella, ela havia chegado mais cedo para auxiliar a governanta com a organização do escritório de Grissom, o homem só confiava a ela essa tarefa, Wanessa que limpava a casa não tinha autorização para estar ali. Gil, mantinha coisas muito particulares ali – relatório de seus casos, anotações pessoais, documentos e papeis sigilosos – e ele não confiava que qualquer pessoa estivesse ali.
—Minha pequena, vamos aproveitar que o Gil está viajando e vamos organizar aquela sala mas por favor não comente com ninguém que você me ajudou.
Sara entendia o porquê mas resolveu não questionar. Já havia aceitado a condição de “misterioso” que Grissom tinha, a ela só cabia a respeitar as suas manias.
O escritório não era muito grande, uma grande mesa preta com as laterais arredondas estava completamente cheia de papeis, uma estante de livros e enciclopédias ficava logo atrás ao móvel, como a casa era todo projetada para receber iluminação natural uma grande vidro cortava o ambiente do chão até o teto.
—Parece que vamos ter bastante trabalho aqui. – Conclui Sara depois de vistoriar todo o ambiente.
—Fique com a parte de organizar os papeis enquanto eu tiro a poeira dos objetos. Não tem nenhum mistério, junte as folhas e o que tiver o selo do laboratório coloque na primeira gaveta e os demais papeis coloque na segunda, depois ele mesmo se organiza na bagunça que ele faz.
Sara prontamente foi até a mesa onde estava os papéis e por sinal eram muitos. Começou primeiro com os papéis do laboratório, as pastas amarelas eram as que mais faziam volumes, por mera curiosidade resolveu abrir uma delas, se tratava de um relatório post mortem feito pelo o legista Albert Robbins, remexeu em mais algumas folhas e encontrou fotos do cadáver sob a mesa e outros diversos ângulos.
—Guarde isso aí, minha pequena. Não sei como o Gil tem estomago para aguentar trabalhar com isso.
—Stel, alguém tem que ser a última voz da vítima. A gente se acostuma com tudo isso, não existe dor tão intensa que o tempo não cure.
Stella olhou para Sara com ternura, aquela frase era uma das maiores assertivas na vida de Sara, não existe nada tão dolorido que fosse eterno. A senhora afagou os cabelos de Sara e logo em seguida apertou seus ombros antes de retornar a sua atividade. Sara respirou fundo e voltou a sua tarefa novamente, se ela tivesse tempo passaria longas horas lendo aqueles relatórios.
—E como anda a faculdade, minha pequena? – Stella havia subido em uma pequena escada de três degraus, estava apoiada na grande prateleira tirando a poeira de um dos livros.
—Estou quase finalizando, Stel. Na metade do ano que vem eu termino o meu curso.
—Que orgulho que eu sinto de você! Tenha certeza que no dia da sua formatura eu vou estar lá toda orgulhosa vendo você pegar o seu diploma.
Sara sorriu revelando o que Stella considerava o seu maior “charme”: Seu dentes levemente separado. A morena girou na cadeira para retorna a sua posição inicial quando esbarrou no mouse do computador, a tela ligou em fade in revelando a tela de desbloqueio de Grissom.
Sara estagnou diante da foto de bloqueio.
Era um foto da família reunida, inclusive Maggie.
Eles estavam na praia com roupas mais despojadas, Grissom vestia uma blusa polo preta e vestia uma bermuda bege e segurava Emma ainda bebê no colo, a pequena usava apenas um vestido branco e exibia seu sorriso com apenas dois dentes, Jason que vestia uma bermuda azul e uma regata preta aparentava ter 10 anos e seus cabelos estavam maiores e cacheados e também estava sorrindo no retrato.
Mas Sara encantou-se mesmo foi com a foto de Maggie.
Ela era uma mulher linda.
Tendo Jason parado na frente de seu corpo, a mulher exibia um sorriso perfeito, quase fotográfico, seus cabelos na cor de caramelo iam até a metade do busto, seus olhos verdes acinzentados estavam ainda mais destacados devido a pele corado do sol.
Estavam todos bem juntos na foto, a mão de Grissom pairava sob a cintura da esposa. A areia branca e o belo pôr do sol ornamentavam a foto que era digna de um dos mais belos porta-retratos.
—Essa é a esposa de Grissom?
—Sim, Sara. Essa é a Maggie. — Stella havia descido da escada assim que viu a imagem aparecer no computador, na casa não existia fotos da mulher em nenhum local e era desconhecido até para ela aquela foto no computador de seu patrão. Parada atrás da cadeira onde Sara estava sentada ela também admirava a foto, que saudade ela sentia daquela família.
—Muito bonita. — Concluiu Sara ainda olhando para a tela do computador. — Aliás a foto toda é linda.
—Minha pequena vendo essa foto eu até hoje eu não entendo em como chegamos nessa situação.
A tela em fade out aos poucos foi escurecendo a foto até sumir, Sara ainda permaneceu alguns segundos encarando a tela e vendo o seu reflexo no monitor. Por mais que não quisesse entrar no mérito do que houvesse ocorrido com Maggie diversas coisas passavam na sua cabeça, teria ela morrido de uma forma inesperada? Fugiu sem ao menos deixar uma explicação? Abandonou a sua família? Tinha uma outra vida?
Mas não que ela tivesse feito justificaria o estado em que ela havia deixado seus filhos.
Sara retornou para a sua tarefa, puxou a primeira gaveta da mesa e se deparou com outras diversas pastas ali dentro, de forma mais organizada guardou os relatórios e fechou novamente. Os outros papeis que estavam sobre a mesa pela rápida análise que ela havia feito pareciam ser anotações sobre estudos que ele fazia, recolheu e da mesma forma como fez com os relatórios os colocou na segunda gaveta. E assim ela prosseguiu até organizar todos os documentos, auxiliou por fim Stella com a limpeza do resto do local.
—Minha pequena, parece que terminamos por aqui. Eu sei que a sua função não é ajudar uma velha senhora a limpar o escritório.
—Não quero que pense assim, Stel.- Ela apertou delicadamente seus ombros.- É sempre um prazer poder te ajudar. Tiramos de letra a organização daqui, só espero que o Grissom não perceba que eu entrei aqui e mexi no que é dele.
Ambas riram e fecharam todo o ambiente, Stella que tinha uma cópia da chave trancou a porta e guardou a chave em seu bolso. Com a sensação de dever cumprindo elas foram até a cozinha fazerem um rápido lanche antes das crianças retornarem da escola. Aquele dia em especial o serviço de Sara seria rápido, a cada 15 dias Emma e Jason iam passar o fim de semana na casa dos pais de Maggie. Robert, carinhosamente apelidado de Bob por Jason e Virginia ficavam encarregados de buscar os dois para ficarem com eles.
—Você sabe que horas os avós deles costumam chegar?
—Geralmente eles buscam eles depois que saem do hospital, por volta de 20:00 eles estão aqui. Você vai gostar de conhece-los, são tão amáveis quanto Maggie.
Stella falava como ela ainda estivesse ali. Sara estranhou a fala dela e fez uma careta que não passou despercebido pela governanta. Foram surpreendidas quando a porta principal da sala foi aberta e Grissom entrou, o homem parecia ter envelhecido cinco anos eu duas noites. A barba que antes estava por fazer já havia aumentado o tamanho, as olheiras estavam gritantes em seu rosto e seu ombros tão arqueados que chamava a atenção de qualquer pessoa.
—Bom dia, Stella.
Trancando a porta atrás de si, logo depositou sua mala e sua pasta na poltrona mais próxima, livrou-se da jaqueta azul e juntou a seus outros pertences, sob o olhar atento das mulheres que estava na cozinha ele sentou-se no sofá, pendendo a cabeça no estofado macio.
—Bom dia, Gil. Como foi de viagem?
—Cansativo, Stella mas no final de tudo bem proveitoso. Jason e Emma já chegaram?
Ainda de olhos fechados ele livrou-se dos sapatos e espreguiçou o corpo, soltando um gemido logo em seguida.
—Ainda não mas daqui a pouco eles chegam. Você quer comer alguma coisa? Posso preparar algo para você comer.
Na mesma velocidade que ele havia sentado, ele levantou-se e juntou-se as mulheres na cozinha. Assustou-se quando viu Sara sentada próximo a porta da dispensa.
—Me desculpe, Sara.- Falou sem graça.- Não havia visto que você estava aí.
“Até parece que a minha existência nessa casa faça alguma diferença”
—Sem problema, Grissom.
Gil abriu a geladeira e pegou uma garrafa de água e retirou uma maça. Foi até o balcão e sentou ali. Ele podia sentir o olhar de Sara sobre as costas dele, desde que ela havia chegado haviam trocado poucas palavras, não que ele se importasse com isso, mas parecia que ela sempre estava ali esperando algo dele.
—Consertou a porta do seu carro? – Mesmo de costas ele fez essa pergunta, deixando Sara irritada com a atitude do homem.
—Sim, foi tudo rápido.
Ele deu de ombros e continuou de costas para ela, mordeu a maçã e permaneceu com o seu olhar fixo na sala e o pensamento bem distante daquela cozinha. Desde que Maggie havia saído de sua vida ele havia adquirido alguns bloqueios, ele abominava aquela sala e principalmente a mesa da sala. Sua esposa sempre fez questão que todos se reunisse ali para as refeições, passavam boa parte do tempo ali reunidos.
—Stella eu vou subir para tomar um banho, quando meus filhos chegarem você pode me avisar?
—Aviso sim.
Grissom retirou-se da cozinha levando com ele a garrafa de água e a maçã, se pudesse Sara iria confrontar ele. Por que ele precisava ser tão ignorante com ela?
—Não sei como você consegue, mama. Eu não consigo simpatizar com o Grissom.
Quando Emma e Jason descobriram que Grissom já estava em casa logo trataram de ir ao encontro do pai. Emma era quem mais aproveitava as tardes com o pai em casa, fazia de tudo para aproveitar ao máxima a presença dele, com Jason já era um pouco diferente os dois sempre conversavam sobre a rotina deles e de forma indireta buscavam se certificavam que ambos estavam bem.
Naquela tarde Sara pouco teve trabalho, Emma passou o dia todo no quarto com Grissom e Jason ficou uma parte do tempo com Grissom e depois ficou em seu quarto. Aproveitou então da quietude para colocar seus estudos em dia, para ela cada momento livre era uma preciosidade, Stella que tinha um pequeno cômodo na casa cedeu o espaço para a morena se concentrar.
—Hoje eu não estou me sentindo muito bem, Sara. Ultimamente tenho sentindo umas pontadas na barriga.
Sara que estava emergida nos cálculos, virou-se na cadeira e viu Stella deitada na cama pressionando a mão no abdômen. Levantou-se um pouco afobada e sentou ao lado dela, levou a face de sua mão na testa e nas bochechas rosadas da senhora para conferir se estava com febre.
—Você quer ir ao médico, mama? Eu posso levar você.
—Não precisa minha pequena, gente velha se for parar no plantão todas as vezes que se sente mal não iriamos sair mais de lá. Não se preocupe, deve ser apenas um desconforto. Logo passa.
Mesmo tentando convencer Stella, ela mostrou-se irredutível e negou ir ao hospital. Sara não deu-se por vencida, conhecia ela o suficiente para saber que ela não se sentia bem. A senhora aproveitou que os avós de Jason e Emma haviam chegado e logo despistou o assunto.
—Robert e Virginia, quanto tempo. – Stella os recepcionou ainda na entrada da casa.
Virginia foi a primeira a abraçar a senhora, a mulher que tinha um pouco mais de 60 anos alta e tinha os cabelos platinados curto e desfiado e um sorriso capaz de iluminar todo o ambiente, Robert veio logo atrás lhe estendendo a mão e um aperto amigável, o homem que tinha a mesma idade de sua esposa, tinha os cabelos grisalhos e cortado bem curto, usava um óculos de armação grossa e tinha a maçã do rosto saliente.
—Como você está, Stella?
—Estou bem, Virginia. Venham, as crianças já estão aguardando vocês.
Assim que entraram deparam com Emma, Jason e Grissom esperando por eles na sala. Naquele momento tudo parecia festa, parecia que os problemas não podiam estar naquele ambiente. Sara que havia chegado na sala observava toda a euforia e alegria das pessoas na sala, presumiu que aqueles fossem os pais de Maggie, ela era uma mistura perfeita de seus pais.
—Essa é a Sara, agora ela trabalha aqui em casa. –Grissom achou melhor omitir que ela tomava conta de seus filhos, não sabia como seria a reação de seus sogros e principalmente de Virginia.
—Prazer Sara.- Estenderam a mão para a jovem que apertou cordialmente.
—Sei que acabamos de chegar mas já precisamos ir, ainda vamos passar na pizzaria para levar algo para vocês comerem quando chegarem. –Concluiu Robert pegando a mochila que tinha os pertences de Emma.
—Vocês dois obedeçam ao seus avós. – Advertiu Grissom enquanto recebia um beijo na bochecha de Emma, a menina correu até Sara e Stella e abraçou as duas e perguntou bem baixo se elas sentiriam a sua falta, ambas sorriram e concordaram que iriam morrer de saudades dela.
Após todos se despedirem, Grissom ainda ficou parado por alguns minutos na porta da casa observando a rua. Toda vez que seus filhos não estavam por perto seu subconsciente associava a ausência com o abandono, dois anos haviam se passado e não tinha se acostumado com a ideia ter eles por longe.
Pediu licença para as mulheres e retirou-se para o seu quarto, dispensou o jantar que Stella havia preparado e saiu do aposento.
Sara ainda estava muito preocupada com Stella, embora não houvesse queixado mais ela sabia que ela ainda sentia dores, com frequência levava a mão ao abdômen e pressionava. Elas retornaram para o quarto da governanta, mesmo sem autorização de Grissom, Sara não iria embora sabendo das condições dela. Com a desculpa que não queria perder tempo dirigindo até casa convenceu Stella a deixa-la dormir ali essa noite. Após alguns minutos a senhora havia caído no sono e Sara achou por melhor sair do quarto para deixa-la descansar.
Mesmo sem saber se a sua atitude era correta, dirigiu-se até a lavanderia e acomodou-se ali para estudar. Da onde ela estava ela tinha o rápido acesso ao quarto de Stella e também tinha uma visão da cozinha. Sem ao menos ter noção das horas, concentrou naquela matéria que a tirava do sério.
—O que ainda faz aqui, Sara?
Grissom estava parado na porta da lavandeira usando somente seu pijama, segurava um copo de água e encarava a morena com o rosto pouco amigável.
—Stella não está se sentindo bem hoje e eu não quis deixa-la sozinha.
—O que ela tem? – Seu rosto transformou-se de irritação para preocupação, atravessou a soleira aproximando-se de Sara.
—Ela vem reclamando de um incomodo abdominal. Eu sei que ela não está bem.
Grissom projetou os lábios para frente e meneou a cabeça positivamente, aproximou-se um pouco mais de Sara para observar o que ela estudava. Uma rápida conferida e lembrou-se que ela cursava física.
—Provas finais? –Ele tomou mais um gole de água e encostou-se na bancada próxima a máquina de lavar, colocou o copo sobre a bancada e cruzou os braços na altura do peito.
—Pra falar verdade é o fim do curso, estou dando o meu máximo para concluir.
—Já pensa em alguma área de atuação?
“Realmente ele quer ter algum tipo de conversar as 02:40 da manhã?”
—Ainda estou andando no escuro em relação a isso.
Grissom ia iniciar a frase quando escutaram o barulho forte vindo do quarto de Stella, a senhora havia se apoiado na porta do quarto fazendo a porta bater contra a parede causando aquele estrondo. Ele quase em um salto correu em direção de Stella, segurando-a para ela desequilibrar.
—O que você está sentindo, Stella?
—Muita dor no abdômen, acordei sentindo um mal-estar. — Disse quase sem voz, a mulher que cada vez mais se curvava de dor era amparada por Grissom que a segurava.
—Vamos para o hospital agora! Sara pegue a chave do meu carro que fica no aparador da entrada e vá até o meu quarto e pegue o meu celular que está no criado mudo. Eu vou levar a Stella até o carro.
Sara saiu correndo pela casa e subiu as escadas praticamente trocando suas pernas, chegando no último degrau acabou caindo gritando um palavrão que provavelmente que estava fora da casa também teria ouvido, entrou no quarto de Grissom e pegou o seu celular e desceu as escadas na mesma velocidade que havia subido. Encontrou com Grissom segurando Stella na porta da casa, logo trataram de sair e entraram no carro. Devido ao tamanho da SUV, a governanta pode se acomodar deitada no banco de trás do carro.
Na chegada do hospital, Grissom acompanhou os enfermeiros enquanto Sara fazia a sua ficha de cadastro. Após alguns minutos Sara encontrou-se com Grissom que estava sentado na cadeira no corredor estipulado pelo o enfermeiro.
—Você sabe o que aconteceu com ela?
—Os médicos ainda não me informaram o que aconteceu com ela.
Sara sentou-se dois bancos afastados de Grissom que não havia entendido a atitude dela. Ela levou as mãos ao rosto deslizando até a sua nuca, suspirou fundo e começou a chorar bem baixo, Stella era o único vínculo que ela tinha, a senhora fazia parte da sua infância e agora de sua vida adulta, não queria em hipótese alguma ter que pensar que a mulher corria algum perigo.
—Ei, Sara. Não se preocupe, logo os médicos vão nos informar o que aconteceu com ela.
Grissom havia pulado os dois bancos de diferença e sentou-se ao lado de Sara. A morena quando levantou o rosto tomou um pequeno susto com a proximidade com o seu patrão e pela primeira vez pode o encarar de perto. Seus belos olhos azuis prenderam a sua atenção, por um instante pode se sentir quase que hipnotizada pelo o olhar dele.
—Stella é a única família que eu tenho, Grissom. –Ela voltou a chorar e dessa vez as lagrimas não saíram tão serenas como a primeira vez, sentiu um nó na garganta e não conseguiu controlar mais. Grissom estendeu a sua mão e segurou a mão de Sara apertando levemente, somente para demonstrar que também se importava com a situação.
—Ela ficara bem, Sara. Logo vai estar conosco novamente. — Ele que permanecia segurando a mão dela avistou um velho conhecido seu, com a outra mão acenou para o homem que estava ao fim do corredor e com um sorriso veio ao encontro deles.
—Grissom, o que faz aqui no hospital? Quanto tempo eu não o vejo.
Scott, o vice-presidente do hospital aproximou-se deles e por um momento não gostou de ter visto Grissom segurando a mão da jovem morena que estava ao lado dele, estranhou a situação mas soube absorver a sua insatisfação.
—Minha governanta passou mal agora a noite e estamos sem informações dela.
O homem continuava a encarar Grissom mas por um breve momento seu olhar desviou para a “demonstração de afeto” entre ele e Sara. Grissom quando reparou que ainda segurava a mão de Sara soltou em um gesto um pouco desesperado.
—Me fale o nome dela que eu posso olhar aqui se já temos algum diagnostico.
Grissom informou o nome completo da senhora e pôs-se de pé pairando ao lado do diretor do hospital. Scott havia informado que Stella tinha tido apendicite e que nesse momento estava passando por uma cirurgia mas nada com que se preocupasse. Grissom agradeceu a seu velho amigo que pediu licença para visitar outros pacientes.
—Ela vai ficar bem, Sara.
Grissom seguiu o corredor em direção a saída para o estacionamento, sua cabeça estava cheia demais. Aquele hospital lembrava muito Maggie por que ele haviam se conhecido ali, Maggie era uma respeitada cardiologista e trabalhava ali quando Grissom precisou coletar evidências de uma pessoa que havia sido agredida. Caminhou até o seu carro e só então percebeu que estava trajando seu pijama, balançando a cabeça para sair de seu devaneio abriu o porta mala e retirou de lá sua jaqueta que usava em campo e retornou para o hospital, logo na entrada o segurança o perguntou se estava a serviço e ele disse que naquela madrugada estava apenas como acompanhante.
Viu Sara ainda sentada com a cabeça baixa e sentiu pena da jovem moça, foi até a máquina de café e pegou dois copos mas antes mesmo de ir ao encontro dela retirou a sua jaqueta e pôs no seu antebraço, com os dois copos de café na mão foi em direção dela. Em silencio lhe entregou um dos copos e sentou-se ao seu lado, deixou o seu copo de café no banco e retirou a jaqueta e colocou sobre os ombros de Sara.
—Vai ajudar a te proteger do frio e o café vai te esquentar.
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