Sim, Senhor.

35 Capítulo 35


Notas iniciais
Já escutaram aquele ditado: "O homem planeja e Deus ri" ? Foi exatamente isso que aconteceu comigo. Tinha previsto em postar esse capítulo alguns dias atrás mas infelizmente não consegui. A conta da quarentena chegou para mim. Tive uma estafa mental/emocional e procurei me isolar de muitas coisas para conseguir ter ânimo novamente. Mas graças a Deus eu estou mais tranquila agora. Foi bom eu me afastar das tecnologias por alguns dias e deixar a minha cabeça descansar. Peço desculpa pela ausência e já vou logo pedindo desculpas pelo o capítulo gigante. Mas sem mais delongas. Boa leitura

O turno estava estranhamente tranquilo, mas aquilo não preocupava o supervisor. Alguns peritos processavam evidências que já estavam em andamento enquanto outros terminavam de preencher suas respectivas avaliações. Nenhum CSI queria deixar serviço pendente pois no dia seguinte seria a confraternização anual dos servidores e ninguém queria ter a noite interrompida por problemas no laboratório.

— Já está de saída, Grissom ? — Catherine que caminhava pelos corredores procurando Warrick, deparou com o supervisor trancado sua sala.

— Vou apenas aproveitar o meu intervalo para ir até a minha casa. Amanhã é dia de sanitização no prédio e eu preciso levar Franz para um lugar seguro.

— Eu nem me surpreendo mais com você. — A loira deu de ombros e riu. Precisava confessar que seu amigo tinha velhas manias que ele se recusava abandonar. — Já pensou na sua desculpa para faltar a festa amanhã ?

— O prefeito exigiu a minha presença amanhã. Aparentemente vão ter alguns investidores na festa e ele quer que eu os convença que o laboratório é um ótimo investimento.

— Ecklie deve estar se contorcendo de raiva. Ele adora ser o centro das atenções.

— Acho que são os meus olhos azuis, talvez eles os convençam — Ele aproveitou uma das mãos livres e apontou o seu par de olhos. Piscou para a amiga que pressionava os lábios segurando uma risada. — No entanto, confesso que ficaria aliviado que essa função fosse delegada ao Conrad.

— Todos nós sabemos disso, menos o prefeito.

Despediram-se quando o elevador chegou ao andar. A intenção de Grissom era ir para casa e isolar um pouco do laboratório. Apesar do turno tranquilo, a presença do diretor entre os corredores estava o tirando do sério. Sabia que ele estava fazendo suas avaliações e desde a última discussão, os ânimos ainda estavam exaltados.

Entrou em seu carro e certificou-se que a caixa onde a sua aranha Franz estivesse lacrada. Deu partida no carro e aproveitou a brisa suave da noite. Tudo estava muito calmo e um sentimento de paz invadiu o seu peito.

estranhamente reconfortante”

Já na porta de sua casa, achou estranho as luzes da sala acesas. A julgar pela hora, imaginaria que encontraria todos dormindo ou em seus aposentos.

— O que faz em casa tão cedo, Grissom ? — Stella estranhou a presença dele. Raramente ele aparecia em casa naquele horário. — Aconteceu alguma coisa?

— Apenas aproveitei o meu intervalo para trazer o Franz para casa. — Ele arqueou a sobrancelha quando viu Jason e Sara na companhia da senhora. — O que fazem acordados até agora ?

— Perdemos o sono e resolvemos testar esse jogo de tabuleiro que eu ganhei do meu avô.

— Não minta para o seu pai, Jay. Estamos jogando desde cedo e nem tivemos sono ainda. — Stella interviu advertindo o rapaz, que sorriu de uma forma marota. — Onde vai colocar essa aranha ?

— Qualquer lugar menos ao lado da Sara. Ela está aflita desde que você entrou com essa caixa. — Jason reparou que Sara tinha os olhos fixos no objeto que o supervisor segurava.

— Franz é inofensivo. Não precisa ter medo.

— Eu achei que você tivesse dado um fim nessa ideia de ter uma aranha. Ela não vai ser o novo pet da casa.

— Não se preocupe, Stella. A estadia do Franz vai ser breve. Minha sala vai passar uma sanitização e eu não poderia deixá-lo lá. Ele vai retornar para o laboratório em breve.

— Ainda bem. As crianças merecem um bicho de estimação que não as coloquem em risco.

Grissom encarou Sara que parecia estar aterrorizada com a ideia de ter um aracnídeo sobre o mesmo teto que o dela. Ele disfarçou um sorriso quando os olhares se cruzaram, mas na realidade não disfarçou tão bem ao olhar da governanta.

— Posso pegar ?

— Não é melhor… deixar essa caixa fechada ? — Todos os três perceberam a excitação na voz da morena. Ela realmente estava desconfortável com a presença daquele animal de estimação exótico. — Não queremos que o Grissom perca essa aranha pela casa.

— Sara, fica tranquila. Franz é apenas uma aranha, ele não sofreu nenhuma modificação genética que o faz virar em um monstro de dois metros. — Com a ajuda de Grissom, Jason abriu a caixa e colocou o aracnídeo na palma de sua mão. — Quer tentar ?

— Obrigada, Jason. Não tem necessidade. Pode ficar com o seu amiguinho bem aí. — Sara levantou-se e ficou ao lado de Stella. Sabia que o rapaz não tentaria nenhuma brincadeira com a governanta.

— Ele é uma tarântula, é inofensivo. Ele provavelmente tem mais medo de você. — O jovem administrava o andar do artrópode com destreza. — Tem certeza que não quer tentar ?

— Não ! — Em um gesto quase infantil, Sara escondeu-se atrás de Stella e encarava Jason por cima do ombro da governanta. — Acho melhor respeitar o espaço dele.

— Tenta pelo menos se aproximar. Confie em mim. — Jason aproximou-se de Sara e Stella. O rapaz mantinha um sorriso e tentava tranquilizar a babá com o seu olhar. Stella já não tinha mais medo do “amiguinho de 8 patas”, já teve sua dose de surto alguns bons anos antes. — Você vai ver como o toque dele é suave.

Sara encarou Stella, sabia que o rapaz não iria desistir enquanto ela não aproxima-se. Suspirou fundo e saiu de trás da governanta, ainda receosa deu um passo em direção ao jovem que estava encantado com o curioso bicho de estimação. Levantou o olhar e viu Grissom aguardando os seus próximos movimentos, ela sabia que a “presença” de Franz tinha relação com a revelação dela sobre medo de aranhas.

— Estique a sua mão, eu te garanto que você vai gostar dessa experiência.

— Deve ter alguma lei que proteja o empregado desses tipos de experiências .- Ela fez aspas no ar com a última palavra. Deu mais um passo e finalmente parou ao lado de Jason. — Esse é o meu limite.

— Querida, abra a mão e você vai ver que não tem nada demais. Acredite nessa velha senhora. — Stella acariciou o ombro de Sara.

Ainda muito receosa ela abriu a mão e esticou em direção ao rapaz. Jason vagarosamente conduz Franz até a palma da mão de Sara. Já no primeiro contato ela fechou os olhos e apertou os lábios, ela estava tensa e desconfortável de estar naquela situação mas dentro de si sabia que não iria dar um “show” sem necessidade.

— Tranquilo, não é Sarinha?

Ela continuava muda mas encarava a sua mão, o bicho parecia ter entendido a aflição que estava causando e decidiu ficar imóvel. Grissom reparou que a brincadeira poderia estar indo longe demais e embora a picada de Franz não fosse letal, poderia causar bastante dor. Aproximou-se e delicadamente o pôs em sua mão.

— Agora você pode relaxar.

— Obrigada, Grissom. Depois da sanitização do seu escritório, eu faço questão de levar essa caixa lacrada até o laboratório. — Ele sorriu com o comentário “atravessado” dela. Pelo o tom de voz, sabia que isso custaria uma conversa pouco amistosa.

— Estrelinha para Sara. — Jason abraçou e só então conseguiu dimensionar o quão tensa ela estava. — Você é incrível. No seu lugar eu teria invocado a Quinta Emenda. — Ela riu e finalmente conseguiu relaxar e entrou na brincadeira do rapaz.

— Jay, você já está um pouco velho para eu precisar mandar você ir dormir. Amanhã você tem aula e já deveria estar deitado.

— Sim, senhor ! — Bateu continência ao lado de seu pai que revirou os olhos. — Depois terminamos o jogo, senhoras. Boa noite.

Grissom aproveitou e seguiu os passos de Jason. Iria deixar a aranha trancada em seu escritório, se Emma soubesse da presença de Franz, iria enlouquecer querendo brincar sem a supervisão de um adulto. Aproveitou para separar a sua camisa social para o evento no dia seguinte, pediria Stella para levar a peça na tinturaria.

— Querida, se você não se importa eu já vou me deitar. Amanhã o dia vai ser longo e preciso me adiantar para conseguir me encontrar com o Freddie. Você não imagina como eu fiquei feliz com o retorno dele.

— Ele adora você. Vamos ter bastante assunto para atualizar.

Stella deu um breve abraço em Sara e retirou-se para o seu aposento. Sara ainda iria organizar as suas anotações antes de dormir, mas também estava esperando por Grissom.

— Espero que esteja mais tranquila. — Grissom cruzou a sala e foi em direção a cozinha, precisava hidratar-se. Certificou que a governanta já estivesse em seu quarto para poder aproximar de Sara.

— Acho que existe uma perversidade na família Woolf Grissom. É mostrar as nossas fraquezas que vocês exploram de forma sanguinária. — Ela fingiu uma revolta mas logo seu rosto iluminou com um sorriso.

— Saiba que a vinda do Franz nada tem haver com a nossa conversa. Mas você superou o medo e viu que não tinha nada de assustador.

— Vou fingir que acredito na sua desculpa.

Ele piscou e terminou de beber sua água, encarou o alto da escada. Sara entendeu que ele queria se aproximar mas ela achava que seria muito arriscado, tendo em vista que Jason ainda poderia estar acordado. Grissom observou a expressão corporal dela e achou melhor não tentar uma aproximação.

— Eu vou retornar para o laboratório.Amanhã é folga coletiva para boa parte da equipe e ninguém quer deixar serviços pendentes.

Day Off?

— Sim. Confraternização e uma boa oportunidade de angariar investimentos para o laboratório.

— Você não parece estar muito animado em comparecer. — Disse em um tom irônico.

— Nunca gostei dessas festas. — Suspirou — Gosto da companhia da minha equipe mas sempre sou o primeiro a vir embora. Eu raramente bebo e não sei dançar, então não me encaixo nesses eventos. Mas, amanhã eu sou obrigado a comparecer.

— Ossos do ofício ?

— Infelizmente. Preciso encantar encantar alguns investidores. — Deu de ombros. Bateu as mãos na lateral do corpo, certificando que a chave do carro estava em seu bolso. Em uma rápida varredura mental, conferiu se tudo estava em ordem.

— Faça o seu dever de casa e aproveite a companhia da sua equipe.

— Você seria uma boa companhia. — A frase saiu tão fácil da boa de Grissom que surpreendeu Sara que ficou atônita. Tinha certeza que tinha aberto a boca algumas vezes mas o som recusava-se a sair. — Preciso realmente ir. Boa madrugada de estudos. — Apontou para a mesa onde estava alguns papéis e livros. Passou próxima a morena e segurou o ímpeto de toca-lá.

“Em que momento eu comecei a ficar sem palavras perto dele ?”

Freddie estava empolgado com o encontro com Sara e Stella. Ele estava na cidade havia um pouco menos de um mês e havia encontrado com Stella no supermercado próximo a sua casa. Ele tinha recém mudado para o local e ainda estava conhecendo o bairro.

Quando encontrou com a governanta, largou tudo o que estava fazendo para poder abraçá-la. O abraço de Stella era como estar em casa novamente. Embora a senhora sempre estivesse no orfanato para visitar Sara, ela sempre estendia o seu amor para o jovem ruivo. Todas as festividades lembrava-se dele e sempre esteve presente em momentos importantes de sua vida.

Stella havia sugerido deles se encontrarem no apartamento de Sara e o rapaz aceitou rapidamente. Seria muito bom estar os três reunidos novamente, ele tinha mudado muito durante os últimos anos e queria que ela sentisse orgulho do novo Freddie.

— Meu bom menino, não precisa ter dado o trabalho de me buscar aqui. Eu poderia ir caminhando até o apartamento da Sara.

— Faço questão, Stella. Não se preocupe. — A governanta tinha acabado de sair da tinturaria, a pedido de Grissom ela levou o seu terno e sua camisa social para lavagem. — Além do mais você não precisa ficar andando com esse terno.

— Muito obrigada. Confesso que me poupou uma caminhada nesse sol.

— Eu também estava muito ansioso e queria te contar uma novidade em primeira mão. — Ele espalmou as mãos e abriu um largo sorriso. — Consegui um emprego na Wild Harvest, começo na semana que vem.

— Meu menino ! Você não sabe como eu fiquei feliz com essa notícia. — Ela fez um carinho no seu braço e vibrou com a conquista do rapaz. — Tenho muito orgulho de você e da Sara. Vocês venceram qualquer estatísticas.

— Sei que fizemos muito esforço para chegarmos até aqui, mas sem o seu apoio seria impossível. Então hoje é dia para comemorarmos.

Sara estava em seu apartamento, terminava de organizar a sala. Hoje ela teria o dia inteiro de folga, Jason e Emma iriam para casa de seus avós após o final da aula e retornariam à noite pois Virginia e Robert estavam de plantão. Agradeceu internamente por não precisar encontrar com o casal, não queria ser alvo de algum comentário maldoso.

Saiu de seu devaneio quando escutou a campainha soar no imóvel. Ao abrir a porta foi surpreendida por Freddie que a suspendeu no ar e a rodopiou no centro da sala. Stella gargalhou ao ver aquela cena se repetir, assim como era no passado.

— Olá para vocês dois. Será que agora poderia me colocar no chão? — O ruivo atendeu o seu pedido e salpicou um beijo em sua bochecha.

— Consegui aquela vaga de emprego, cariño. Finalmente vou fixar as minhas raízes em Vegas.

— Parabéns, Fred ! — Ela deu um abraço apertado no amigo. Apesar de todas as turbulências que os dois já haviam enfrentado, ela ainda nutria uma forte amizade e admiração por ele e, torcia que ele também tivesse esses sentimentos. — Você merece !

— Eu só preciso fazer tudo dar certo. Eu já extrapolei as minhas cotas de erros e agora vou aproveitar essa oportunidade.

— Já está dando tudo certo. Vocês não imaginam como eu fiquei receosa quando vocês dois saíram daquele orfanato. Eu tinha medo do que o futuro reservava para vocês e não sabem o quão orgulhosa eu estou nesse momento.

— A vida encarregou para que estivéssemos juntos novamente. — Sara concluiu um tanto saudosa.

Lembrou-se do medo que sentiu na primeira noite fora do orfanato. Stella não morava mais na cidade e ela não tinha nenhuma referência. Pegou o pouco dinheiro que havia recebido do seu antigo trabalho e passou a noite em um hotel. Apenas ela e as paredes sépia, o quarto estava em silêncio mas a sua mente gritava.

— Estou acabando de mobiliar a minha casa. Quando tudo estiver pronto, vocês já estão convidadas para um jantar. Dispenso a ajuda da Sara porque tenho certeza que ainda é péssima cozinheira mas aceito as orientações de Stella que com certeza foi a mentora da Julia Child.

— Eu vou aceitar o convite por nós duas. — Stella observou que Sara estava um pouco mais quieta que o habitual. Suspeitava que a presença de Freddie trouxesse algumas recordações pouco agradáveis.

— Para me agradar nem precisa de jantar. Algumas latas de cerveja já me alegram demais. — Sara sorriu e Freddie retribuiu. Sabia que no fundo ela ainda era a mesma Sara de antes.

— Ainda me assusto com o fato que vocês cresceram e já são adultos. — Stella concluiu ao ouvir a fala de Sara. — O tempo passou rápido demais.

— Somos as mesmas crianças de sempre porém com responsabilidades de adultos. — Sara levantou-se abraçou Stella. Devia a sua vida a ela.

A pedido de Freddie, elas atualizaram boa parte de sua vida nesses últimos dois anos. Stella e Sara contaram como elas voltaram a “morar” juntas e o ruivo ficou impressionado em saber que elas trabalhavam para o Dr. Grissom. Stella contou sobre a convivência com Jason e Emma, seus olhos brilharam quando falou sobre eles e Sara por sua vez atualizou sobre a sua vida acadêmica e planos para o futuro.

— Agora é a sua vez, Fred. Afinal são dois anos sem dar uma notícia.

— Quanto ressentimento, cariño. Mas assumo a minha irresponsabilidade e já peço desculpas por isso. Quando eu cheguei na Espanha tudo aconteceu tão rápido que por algum tempo em me desliguei daqui. O meu grupo de pesquisa trabalhava em um ritmo muito intenso e por diversas vezes eu não tinha tempo para mim. Mas eu nunca me esqueci de vocês.

— Sara ficou muito triste com a sua partida, Freddie.

— Me desculpe, cariño.— Ele sentou ao lado de Sara e a puxou para um abraço. Sabia que sua partida havia sido conturbada para ambos mas a sua intenção jamais era deixá-la chateada. — Prometo compensar essa ausência de alguma forma.

— Eu já superei isso. — Havia muita sinceridade na fala de Sara e isso espantou tanto a Stella, quando ao ruivo. Era do conhecimento da governanta que eles tiveram um relacionamento antes dele se mudar e ela ainda achava que poderia existir alguma fagulha entre os dois. — Mas é bom ter você de volta.

— Eu conheci pessoas maravilhosas durante esse tempo. — O ruivo achou melhor encerrar o assunto para não criar uma atmosfera pesada. — Tive contato com pessoas de vários lugares do mundo, estive imerso em muitas culturas diferentes e eu adorei toda a experiência. Um dia pretendo ter outra aventura como essa.

A conversa se estendeu durante a tarde, o clima estava muito gostoso e a conversa fluía muito bem. Stella e Freddie sentiram que Sara finalmente tinha abaixado a guarda com a presença do ruivo. Relembram várias histórias do passado e por diversas vezes deixaram Stella perplexa com as fugas que ambos davam do orfanato.

— Eu não acredito que você fugiam para irem em shows e festas. Vocês sabiam do risco que corriam?

— Não precisa brigar com a gente, isso tudo já ficou no passado. — Freddie tentou amenizar a governanta que realmente estava chateada. — Era a nossa mente juvenil e cheios de hormônios.

— Não se preocupe, mama. Estamos intactos e temos ótimas histórias para contar.

— Se ainda tivessem idade para isso, eu juro que deixaria vocês dois de castigo. — Freddie e Sara deixaram um beijo estalado no bochecha da senhora que afagou a cabeça de ambos. Eles eram a sua família e com eles, não precisaria de mais nada.

— Prometemos não aprontar mais nada e nem manter segredos.

Diga por você, Freddie.”. — pensou Sara.

— Crianças, eu preciso voltar para casa. Daqui a pouco Jason e Emma chegam e eu preciso estar lá. Foi ótimo passar essa tarde com vocês.

Trocaram breves abraços e uma promessa de se encontrarem mais vezes. A governanta dispensou a carona de Freddie, achava que os dois ainda tinham muito o que conversar.

Cariño, estou feliz em te encontrar tão bem. — Freddie acompanhava Sara até a varanda. Seria um bom momento para ele medir a temperatura com a amiga. — Como anda a vida ?

— Dando certo aos poucos, Fred. Nunca pensei que chegaria tão longe. — A presença do antigo amigo a deixou nostálgica. Estar ao lado dele depois de tanto tempo a levava relembrar diversos momentos do passado. — E você ?

— Sara, você é incrível. Ainda vai chegar muito mais longe. — Ele sorriu e mordeu o lábio inferior, era uma mania que ele nunca perdia. — Eu estou bem, me sinto realizado em várias áreas da minha vida. Durante o tempo que eu estive em Barcelona nunca deixei de pensar em você.

— A senhora Panes sempre nos disse que a mentira iria nos levar para o mármore do inferno. Você não se lembra disso ? — Ela foi sarcástica em relação a afirmativa dele. Se ele realmente se importasse com a amizade entre eles, teria ao menos enviado um postal falando que estava tudo bem.

— Eu sei que pode parecer mentira. — Deu de ombros e levou as mãos ao bolso da calça. — Quando eu me mudei, eu ainda não tinha superado o nosso término e achei que a distância iria ajudar em relação a isso.

— Freddie. — Sara suspirou fundo. — Não quero tocar nesse assunto. Combinamos que seríamos amigos e é isso que eu quero manter com você.

— Eu conheci a Melissa no primeiro mês de pesquisa. — Ele ignorou o pedido dela — Ela era pesquisadora, assim como eu era. Passamos a maior parte do tempo juntos e engatamos um relacionamento com pouco tempo. Conhecemos juntos boa parte da Europa, eu adorava a companhia dela e eu admirava o espírito livre que ela tinha.

— O que você fez de errado? Conheço esse tom de voz…

— Calma ! — Ele riu com a impaciência dela. — Sim, eu fiz uma coisa errada e me arrependo muito disso. Eu achava que a Melissa seria capaz de me fazer superar um velho relacionamento. Quando ela percebeu o que estava acontecendo… — Dessa vez foi ele quem suspirou, encarou Sara e pelo o seu olhar sabia que ela estava insatisfeita com o rumo da conversa. — Sara, a minha intenção não é te importunar com o passado.

— Então qual seria ?

— Eu só queria que você soubesse que eu sou uma pessoa diferente e eu sei que você também é. Eu não estou aqui para ser um Don Juan ou qualquer outro galanteador barato. Eu só quero saber se você ainda está disposta a manter um bom relacionamento comigo ?

Grissom terminava de se arrumar para o evento. Tinha aparado a barba e seus cabelos estavam controlado debaixo do gel, arriscou usar um pouco do perfume que havia ganhado de sua mãe no último Natal e trocou o seu relógio por um modelo mais social.

— Está muito charmoso, Dr. Grissom. Vai atrair vários olhares durante a festa hoje.

— Obrigada pelo elogio. — Respondeu sem jeito para Stella. Sempre ficava deslocado com esses tipos de comentário. — Poderia falar para não me esperar acordado mas devo voltar daqui poucas horas.

— Gilbert ! Aproveite um pouco a vida. Não há nada de errado em ficar até mais tarde com a sua equipe. Tenho certeza que eles aprovam a sua companhia.

— Não sei se a presença do chefe nesses tipos de evento são bem vindas.

Os dois riram e Grissom saiu logo em seguida, já estava atrasado e seu plano seria conversar o menor tempo possível com esses potenciais investidores e depois instigar Ecklie para tomar o seu lugar, era o supervisor diurno que adorava aquele papel.

O salão do hotel estava cheio de rostos conhecidos entres peritos e policiais. Logo que chegou avistou Jim conversando animadamente com o Phil, policial recém aposentado. Trocaram um breve aperto de mão e logo o policial foi encontrar com velhos amigos.

— Qual a sua missão dessa vez? — Brass virou o resto de whisky que estava em seu copo. Acenou para o garçom trazer outra dose para ele. Grissom arqueou a sobrancelha com a atitude do capitão, a festa ainda estava iniciando.

— Por enquanto, ser a sua babá. Não vai achar nenhuma solução no final do copo.

— Papai, fique tranquilo. Estou de sobreaviso.

Grissom balançou a cabeça negativamente e acompanhou o seu amigo até a mesa onde se encontrava a maioria dos CSI’s. Catherine veio ao seu encontro e logo deu um abraço apertado, ele precisava confessar que ela estava deslumbrante naquele vestido vinho.

— Xerife já me perguntou duas vezes sobre você.

— A noite vai ser longa. Espero que vocês aproveitem a festa.

— Pode deixar, Griss. Vamos curtir por você — Concluiu Warrick.

O supervisor atravessou o salão até encontrar com o Xerife. Logo foi apresentado a dois empresários que estavam dispostos a gastar. Grissom conhecia muito bem aquele tipo de situação, os empresários investiram e torciam para suas empresas aparecem no noticiário como ponto chave de uma investigação.

Não soube mensurar quanto tempo ficou conversando com aqueles homens mas o barulho da música alta estava começando a irritar. Aproveitou o momento exato quando Conrad passou perto dele. Em um gesto rápido apresentou o supervisor aos investidores e pediu licença do local. O Xerife quando viu a cena só pode torcer para o entomologista ter feito um bom trabalho.

— A pior coisa do mundo é explicar termo técnico para leigo. — Sentou-se ao lado de Brass que naquele momento apenas analisava a festa.

— Você deveria receber por ter que trabalhar na sua folga.

— Venha Griss. Você prometeu uma dança comigo. — Catherine surgiu na mesa disposta a arrancar o seu amigo da cadeira. — E não vou aceitar nenhuma desculpa.

Grissom olhou para Brass que deu de ombros, demonstrando que não iria postular na causa dele. Vencido e sem opção, ele foi até a pista de dança. A música era um jazz dançante e ele ensaiava alguns poucos passos que sabia, enquanto Catherine se soltava.

— Fiquei feliz que você veio mesmo que por obrigação. — Ela sorriu.- Você precisa de distração, Griss.

— Eu estou bem, ou pelo menos ficando bem. Não se preocupe.

Ela entendeu muito bem o recado do seu melhor amigo. Sentiu um imenso orgulho por ele naquele momento e novamente o surpreendeu com um abraço, dessa vez ele retribuiu a altura. Grissom decidiu que já era hora de ir embora, sabia que os CSI’s mais jovens ficam retraídos com a presença dele.

Ganhou as ruas em poucos minutos, era uma noite calma e a temperatura já estava mais amena. Olhou seu celular e viu que não tinha novas notificações, decidiu então desligar o aparelho. Dirigiu por alguns minutos e estacionou o carro, desfez o nó da sua gravata e pegou o presente que tinha ganhado do Xerife.

Quase duas horas de conversa e sou recompensado com uma garrafa de vinho”.

Deu duas batidas na porta e aguardou.

— Achei que tivesse dito que não bebia. — Sara abriu a porta e deparou-se com Grissom segurando uma garrafa de vinho. Estava impecável vestido naquele terno e ela não teve nenhuma censura para olhar de cima para baixo. — Você está muito bonito.

— Posso entrar? — Era segunda vez que ficava desconfortável com elogios. Ela deu passagem e fechou a porta atrás de si.

— Esse foi o meu prêmio de consolação. Gostava quando essas conversas eram convertidas em folga e não em bebidas. — Deu de ombros e entregou a garrafa para Sara.

— Já trabalhei em uma loja onde o meu pagamento era em bebidas, uma pena que o dono não sabia dessa informação. — Ele estreitou o olhar e mordeu o lábio inferior, um semblante risonho surgiu em seu rosto.

— Confiei na palavra de Stella mas acho que devo usar das minhas atribuições para investigar o seu passado. — Sara estava na cozinha servindo uma taça da bebida e esticou a língua quando ouviu a provocação.

— Melhor não fazer isso. Vai descobrir que eu torturei o meu antigo chefe, ele me questionava demais. — Depositou um beijo rápido nos lábios finos do supervisor e acomodou-se no sofá ao lado dele. Ela ofereceu um pouco do vinho mas ele recusou, já havia bebido uma dose de vodca na companhia de Jim.

— Como foi a tarde com a Stella? — A morena ficou surpresa com a pergunta, não lembrava de ter comentado sobre o encontro com o supervisor. — Ela me falou. — Justificou, tendo em vista a reação — parece que iria reencontrar com um velho amigo.

— Foi agradável e nostálgico. Eu e Freddie temos uma dívida eterna de gratidão. Agora com o retorno dele, provavelmente vai ver a Stella mais ausente nos dias de folga. Fred é o “queridinho” dela.

— Por acaso ele é o rapaz que derramou café no Brass? — Puxou as pernas delineadas de Sara para sua coxa e começou a massagear seus pés, sabia que ela adorava receber massagens.

— Isso mesmo. Freddie amadureceu noventa e nove por cento mas ainda continua desastrado. — Ela fechou os olhos e pendeu sua cabeça sobre o seu ombro. Grissom sorriu com a reação espontânea dela. — Ele é um bom rapaz.

Sara abriu os olhos devido o silêncio de Grissom, reparou uma pontada de desconforto com a sua última fala e decidiu não tocar mais no assunto. Ele não sabia do seu antigo relacionamento com Freddie e ela não pretendia revelar.

— Esse vinho está pedindo uma pizza bem grande. Me acompanha ?

O supervisor meneou a cabeça em afirmativa e um salto ela levantou-se e foi em busca do seu celular, já tinha decorado o número da pizzaria. Grissom aproveitou e foi até o banheiro, desabotoou a camisa social, deixando amostra a sua regata branca. Lavou o rosto para aliviar um pouco o calor.

Um estalo atingiu a mente do supervisor, só então tinha reparado que tinha chegado ao apartamento de Sara sem ao menos avisar ou ligar. Poderia correr o risco de encontrá-la com visitas e não teria uma boa justificativa para estar ali de madrugada empunhando uma garrafa de vinho.

Ele necessitava da presença dela e acabou sendo imprudente em fazer aquilo.

Precisava retomar a sua atenção.

— Nosso pedido chega em alguns minutos. — Sara foi ao encontro dele na sala. Grissom tinha uma aparência cansada, pode observar que nas últimas semanas ele estava cada vez mais preso no laboratório e presenciou alguns dias ele trabalhando em casa. — Eu não tenho uma banheira para você relaxar, mas posso sugerir um banho enquanto aguardamos a pizza. O que acha ?

— Quando você diz aguardando a pizza… Isso te incluiu no chuveiro ?

Stella dormia tranquilamente quando escutou um choro muito perto da sua cama, uma mão pequena e delicada balançava o seu ombro. Aos poucos a governanta foi abrindo os olhos e deparou-se com Emma parada ao lado de sua cama.

— O que aconteceu meu anjo ? Por que você está chorando ?

— Eu vomitei e minha cabeça está doendo muito. Eu não estou me sentindo bem.

A governanta levantou-se e acendeu a luz do quarto e viu a menina pálida e bastante suada. Encostou a mão e seu rosto e sentiu como ela estava quente. Precisava levá-la ao hospital logo, não iria arriscar medica-la em casa.

— Emma, deite aqui na minha cama enquanto eu ligo para o seu pai vir e nos levar para o hospital.

A senhora pegou o seu roupão e foi até a sala ligar para o seu chefe. Na primeira chamada, havia sido informada que o celular estava desligado. Estranhou a atitude mas não era o momento para questionar. Decidiu então em ir de táxi até o hospital, iria tentar contato com o pai da menina no caminho.

Trocou de roupa rapidamente e com sorte conseguiu um táxi em tempo recorde. Durante o trajeto, apertou Emma contra o seu corpo, ela tremia e reclamava de dor na barriga. Na entrada do hospital, um enfermeiro identificou a neta de Virginia e Emma e logo a conduziu para os primeiros atendimentos.

— Eu já informei a Dr. Robert e a Dra. Virgínia que vocês estão aqui e eles já estão descendo para encontrar vocês. Aguente firme, Emma. — O jovem enfermeiro Marcus afagou os cabelos dourados da menina e disse palavras de conforto antes de sair.

Logo quando o casal chegou ao encontro da neta, ela foi levada para sala de emergência. Pelo os sintomas, ambos suspeitavam de uma intoxicação alimentar mas iriam aguardar o parecer de sua amiga especialista.

Aproveitando que Emma estava com os avós, Stella tentou novamente ligar para Grissom mas o seu celular ainda continuava desligado. Achou melhor ligar para Catherine, provavelmente os dois estariam juntos e a perita não se importaria em informá-lo sobre sua filha.

— Stella, eu informaria ao Grissom se ele estivesse aqui mas já tem bastante tempo que ele deixou a festa.

Ela ficou sem reação, não tinha noção em como iria comunicar-se com ele. Marcus informou a governanta que a menina já estava sendo examinada pela Dra. Claire e que ela poderia ficar tranquila. Lembrou-se que não tinha levado os documentos de Emma, embora ela fosse neta de dois médicos, a parte burocrática não iria aliviá-los das regras.

Decidiu então ligar para uma pessoa que teria acesso fácil.

Sara.

Após uma sessão de sexo e dividirem a pizza, Grissom e Sara estavam deitados na cama assistindo um filme de Hitchcock. Ela estava abraçada em seu peitoral e recebia carinhos suaves nas costas, poderia ficar ali por horas e horas. Foi interrompida de seus carinhos com o toque do seu celular, quando viu o nome no visor, mostrou para Grissom que revirou os olhos.

Em um movimento rápido, sentou na cama e escutou atenta as orientações da governanta. O entomologista ficou alerto, pela postura corporal de Sara, havia acontecido alguma coisa.

— Emma passou mal e está no hospital. Stella tentou entrar em contato com você mas seu celular está desligado. Ela me pediu para ir na sua casa buscar os documentos que ela se esqueceu.

— Eu desliguei o celular quando eu vim para cá.

Ambos vestiram-se rápido. Grissom iria direto para o hospital e Sara iria até a sua casa, não poderiam chegar juntos ao hospital. Já seria suspeito demais ele aparecer depois da ligação feita para Sara. No caminho, ele ligou o celular e viu as ligações perdidas de Stella e Catherine.

— O que houve. Onde Emma está ? — Encontrou Stella sentada na recepção. Sentiu o coração falhar quando ele chegou após a ligação para Sara.

— Acabou de ser medicada. Robert me falou que eles suspeitam de uma intoxicação mas estão aguardando o exame para confirmar. — Reparou que ele estava com os cabelos molhados e seu traje social amarrotado. — Aparentemente não é nada grave. Quarto 104.

Ele nem reparou o desdém que Stella o havia tratado. Foi direto ao encontro de Emma, ao abrir a porta sentiu o coração bater em descompasso quando deparou sua filha tomando soro e abatida. Sentiu-se um péssimo pai por não ter a socorrido a tempo.

— Ei, minha abelhinha. Como você está? — Subiu na cama e trouxe para os seu braços e beijou o topo de sua cabeça. — Vai ficar tudo bem.

— Dra. Claire disse que vou fica boa logo, só preciso tomar alguns remédios.

— Eu te prometo que logo vamos sair daqui.

Robert e Virginia entraram no quarto trazendo o diagnóstico. Ambos estranharam a ausência de Grissom mas revelaram naquele momento. Para o alívio de todos o diagnóstico havia confirmado e Emma precisaria passar apenas aquele resto de noite no hospital, a médica queria monitorar os principais sintomas antes de liberar a jovem paciente.

Grissom iria passar o restante da madrugada com sua filha. Após Sara ter entregue os documentos no hospital, deu uma carona de volta para Stella. A governanta tentava esconder a sua desconfiança mas Sara a conhecia o suficiente para saber que ela não estava confortável ali. Deixou a senhora em casa e decidiu voltar para o seu apartamento, não estava afim de engatar uma conversa cheias de segundas intenções.

Pela manhã recebeu uma mensagem do supervisor informando que Emma havia recebido alta e já estavam indo para casa. Prometeu que iria encurtar a sua folga e iria em breve visitar sua filha. Decidiu então se afastar do celular, não queria dar nenhuma explica para ninguém.

— Que susto você me deu pirralha. Está melhor agora ? — Jason estava sentado ao lado de Emma que estava bastante recuperada, ainda sentia um pouco de fraqueza e um desconforto abdominal mas nada comparado a noite anterior.

— Já estou melhor. Acho que mais tarde já vou poder comer uma comida especial.

— Só não vamos abusar e comer demais, Em. — Virginia havia saído do plantão e foi direto para casa de sua filha. Além de certificar que sua neta estava bem, queria matar a curiosidade do paradeiro de seu genro.

— Jason, faça companhia para ela enquanto eu vou conversar com o seu pai.

Ela depositou um beijo na testa de Emma antes de sair do quarto. Grissom estava na sala em uma ligação e foi surpreendido pela presença de Virginia.

— Como ela está? — Desligou e guardou o aparelho celular na sua calça. Ainda não tinha trocado de roupa.

— Quase cem por cento recuperada, daqui algumas horas ela nem vai se lembrar que esteve no hospital. — Ela suspirou e encarou no fundos dos olhos azuis de seu genro. Deu de ombros e fechou o semblante. — Por que a demora em chegar no hospital ontem? Nunca foi um pai relapso.

— Estive no laboratório. — Foi curto, não devia dar maiores explicações.

— Catherine disse que você saiu da festa cedo. — Grissom lançou o olhar para Stella, sabia que ela tinha repassado aquela informação. — O que está acima da sua família ?

— Me desculpe, Virginia. Mas desde quando eu preciso te informar os meus passos ? — Soltou o ar dos pulmões. Aquela conversa e aquele tom de superioridade tinha sido a gota d’água. — O que aconteceu essa madrugada foi uma falha de comunicação e você se acha no direito de me pôr contra parede.

— A questão não é simples como parece. Eu também devo proteger essa casa.

— Qual perigo estamos correndo aqui? — Foi irônico e sua sogra não aprovou nenhum pouco o seu tom de voz.

— Você destruir a sua família.

Ele fechou os olhos e cerrou os punhos, sentia seu corpo trabalhar em descompasso. Abriu os olhos e encarou Virginia e sentiu o olhar pesado de Stella em suas costas. Inflou o peito de ar e saiu da sala deixando as duas sem entender a reação dele. Foi em direção ao seu escritório e pegou na sua gaveta um envelope pardo, desceu as escadas espreitando Virginia como um felino encara a sua presa. A médica sentiu um frio correr em seu corpo, nunca tinha encarado o supervisor daquela forma. Ele esticou o envelope e ela segurou sem muito interesse.

— Quem destruiu essa família, está se recompondo em qualquer lugar do mundo. Eu já cansei de me considerar culpado por tudo isso. Agora você pode levar essa cortesia de Maggie para a sua casa.

Só quando ouviu o nome de sua filha que Virgínia se interessou pelo o conteúdo do envelope. Quando deparou com uma foto recente de sua filha, sentiu o ar fugir de seus pulmões. Sua boca ficou seca e ela tremia segurando a imagem.

— Essa brincadeira acaba agora. — Ele retirou a sua aliança de dedo e entregou para Virginia. Encarou Stella de uma forma que ela também entendesse o recado.

Notas finais
EU ESTOU AQUI PARA TRAZER ALEGRIA PARA O MEU POVO. Grissom finalmente tomou coragem e deu um fim nessa relação autoritária que tinha com os seus sogros. Agora resta saber se a Virginia ficou atônita com a foto ou com a reação do supervisor. Fugindo um pouco da fic, eu precisava comentar com vocês. O que acharam da noticia do revival de CSI com o Billy e a Jorja ? Eu deu saltos de alegria mas queria muito que toda a equipe estivesse de volta, ou boa parte do elenco. Vou confessar para vocês. Nós merecemos várias cenas GSR para suprir essa carência de vários anos. Bem pessoal. Fiquem bem ! Cuidem da cabecinha de vocês ♥ Beijos.