Sim, Senhor.

34 Capítulo 34


Notas iniciais
Olá pessoal ! Como vocês estão ? Eu estou bem apesar de ter lesionado o joelho. Não sei mais descer as escadas sem resmungar de dor, HAHAHA. Espero que esteja tudo certo com vocês e com os familiares de vocês. Eu ia comentar com vocês no último post mais esqueci real. Saiu um vídeo com a Jorja Fox no canal do "Our Planet. Theirs Too" - Meu Deus essa mulher não cansa de ser linda e principalmente defender os ideias. Saiu também um podcast com o Billy Petersen no Half Hour (escutei no spotify e acredito que tenha também nas outras plataformas). Ele é sensacional, foi uma das entrevistas dele que eu mais curti. Mais chega de enrolação. Sem delongas Boa leitura

Sara foi a primeira a acordar, seu relógio no criado mudo indicava que ainda era de madrugada para o supervisor. Abraçado ao travesseiro, Grissom dormia profundamente ao seu lado. Ele mantinha o rosto sereno e a respiração leve, parecia que finalmente estava repondo as suas energias.

Com o dedo indicador, ela percorreu toda a extensão do nariz bem desenhado dele. Ela sorriu quando viu que ele contorceu o rosto com o toque dela, sussurrou avisando que ainda era muito cedo e depositou um beijo em sua têmpora.

Levantou-se e foi em direção a sala, fechou a porta do seu quarto para não atrapalhar o sono dele. Varreu com o olhar o cômodo até encontrar o seu celular, o aparelho indicava nada mais que doze chamadas perdidas e vinte mensagens.

Aconteceu alguma coisa grave”

Ao ler as mensagens ela certificou que se tratava de seus amigos em busca do seu paradeiro. Ela tinha confirmado a presença na festa na casa do Simon e eles estavam tentando localizá-la. Sara limitou-se a responder sua amiga Mary, avisando que seu carro tinha quebrado e ela optou em ir para casa. Provavelmente ela seria a única pessoa que ainda estivesse lúcida.

Foi para cozinha em busca de alguma coisa para se alimentar. Ligou a cafeteira e sorriu quando abriu o armário e encontrou uma caixa de cereais. Enquanto esperava o café, a campainha do seu apartamento começou a tocar incessantemente. Sentiu o seu coração bater fora do ritmo, quem poderia estar ali tão cedo?

Correu até a porta e quando abriu levou um pequeno susto. Seus amigos David, Simon e Mary, que balançava o celular com a sua mensagem aberta. Sem pedir licença, os três entraram e logo foram se acomodando.

— Qual o motivo da visita tão cedo ? — Sara fechou a porta atrás de si e se juntou ao grupo. David e Simon estavam visivelmente bêbados e Mary um pouco alterada.

— Você sumiu, Sara ! Depois que começou a trabalhar esqueceu da gente. Qual era o combinado de ontem ? — Simon levantou-se e parou ao lado de Sara. Ele exalava vodka barata e tinha a voz embargada.

— Eu tive problema com o meu carro, me estressei e acabei vindo direto para cá. Mas pelo o visto vocês conseguiram aproveitar sem a minha presença. — Fingiu estar chateada com os três.

— Qual foi, Sara ! Tem muito tempo que não saímos juntos. Ficamos preocupados com você. — Foi a vez de Mary falar, Sara pode perceber o ressentimento em sua voz. Elas eram ótimas amigas e ela sabia que estava em falta com ela. — Custava mandar uma mensagem ?

— Me desculpem, de verdade. Ontem o meu dia foi intenso. Meu carro quebrou e eu não faço idéia de como eu vou resolver esse problema. Quando cheguei em casa nem me lembrei de checar o meu telefone.

Estava ocupada com coisas muito mais interessantes”.

— Então vamos aproveitar que estamos juntos e tomar um café. Preciso de uma xícara bem cheia e de um bom análgesico, minha cabeça não para de rodar. — David levantou-se e foi até a cafeteira, serviu-se de uma generosa xícara de café. Olhou em cima da geladeira e pegou uma embalagem de remédio. — Gilbert Arthur Grissom. De quem são esses remédios ?

— Meu chefe. Peguei na casa dele. — Sara esqueceu de se livrar daqueles malditos comprimidos.

— Minha garota ! — David a beijou a bochecha e piscou. Depositou dois comprimidos na mão e engoliu junto com o café.

— Pega leve seu maluco ! Isso é muito forte.

— Ótimo. Sinal que eu vou chegar em casa e desmaiar na cama. — Ele completou e serviu mais uma xícara, dessa vez era Simon quem queria.

Grissom despertou com o toque alto do seu celular. Abriu os olhos e logo ouviu vozes vindas do corredor. Sentou-se na cama e tentou organizar os seus pensamentos, ainda estava com muito sono e lutava para permanecer acordado. Pegou o celular e viu o nome de Catherine no visor, recusou a chamada e voltou a deitar. Quase que imediatamente o celular voltou a tocar.

Eu sei que você está de férias e sei como essas primeiras horas do…

— O que você quer, Catherine ? — Irritado, ele fechou os olhos e suspirou fundo.

Em tese essa chamada é culpa sua. — A ruiva não abaixou o tom de voz — Você deixou de assinar um relatório e promotor está aqui no laboratório aguardando você. Hoje é o último dia para ele oferecer denúncia.

— Você é a minha substituta legal. Assine você.

Isso foi antes de você sair de férias. Venha logo antes que o promotor vá até a sua casa.

Click.

Ele achou melhor levantar de uma vez, sabia que se deitasse novamente iria voltar a dormir. Recolheu a sua roupa e vestiu-se. Tinha sorte que o laboratório era muito perto da casa de Sara, resolveria esse problema em alguns minutos. Enquanto terminava de se arrumar, apurou o seu ouvido e viu que Sara conversava com algumas pessoas.

Achou prudente não sair do quarto enquanto o grupo estivesse conversando. Não reconhecia a voz de ninguém e julgava que alguém poderia ter algum contato com Stella, e a história dele estar dormindo no apartamento chegasse ao ouvido dela. Sentou-se na cama e o seu celular voltou a tocar novamente mas dessa vez o nome do visor era do diretor do laboratório.

Estou ficando cada vez mais encrencado”.

Resolveu não atender a chamada pois já sabia do que se tratava o assunto. Precisava resolver o seu problema naquele momento, sabia que já estava na mira do seu supervisor. Pegou o seu celular e enviou uma mensagem para Sara, tentou ser o mais breve possível.

Preciso estar no laboratório AGORA.

Sara estava concentrada escutando seu amigos Simon contar sobre a sua última aventura amorosa, aparentemente ele estava namorando com duas meninas ao mesmo tempo e foi descoberto por uma de suas sogras. Os rapazes que estavam animados demais foram para a varanda fumar e Mary foi para cozinha tomar uma xícara de café.

— Você sabe quem está de volta ? — A jovem serviu-se e não esperou Sara pensar. — Freddie. Estava na festa ontem na esperança de encontrar você.

— Freddie ? — Sara ficou atônita com a informação dada por sua amiga. Não conseguiu esboçar uma reação com a notícia jogada.

— É Sara ! Freddie. — Mary pegou uma foto que estava pendurada na geladeira. Na foto, Sara estava abraçada com um jovem rapaz ruivo. Os dois seguravam uma garrafa de cerveja e faziam uma careta. — Não é possível que você tenha se esquecido dele.

— Claro que não ! — Sara voltou para órbita terrestre e pegou a foto da mão de Mary. Freddie tinha ido embora de Las Vegas alguns anos atrás. Tinha conseguido uma bolsa de estudos para desenvolver uma pesquisa na Espanha. Depois da sua mudança, o contato entre eles foi desfazendo aos poucos. — Eu não sabia que ainda mantinham contato.

— Sara, você conhece o Freddie melhor que qualquer pessoa. Você sabe que ela consegue dar jeito para qualquer coisa. Semana passada ele apareceu no campus e disse que vai ficar em Vegas por um tempo e perguntou por você.

— É a cara do Freddie fazer essas coisas. — Ela colocou a foto novamente junto a ímã na geladeira. Olhou mais uma vez e sorriu ao se lembrar das aventuras que passou junto com ele. — Ele está bem ?

— Vivendo a vida do jeito dele. — Deu de ombros. — Eu passei o seu número para ele, espero que não se importe.

Sara balançou a cabeça negativamente. Freddie havia sido uma pessoa muito importante na sua vida. Moraram juntos no orfanato, quando Sara chegou ele foi o seu primeiro e praticamente o único amigo. Quando completaram a maioridade decidiram morar juntos, seria mais fácil dividir as despesas com alguém conhecido. Engataram um complicado relacionamento, ambos pensavam que a amizade poderia significar algo mais. Depois de tantas idas e vindas, crises e desentendimentos, os dois entenderam que era melhor apenas a amizade.

— Ele tem um lugar especial na minha vida e você sabe disso, Mary. Espero que esteja tudo bem com ele.

A morena viu o visor do seu celular iluminar sobre a mesa. As duas se olharam pensado que poderia ser alguma mensagem de Freddie mas quando Sara viu o nome de Grissom, tratou logo de esconder a mensagem da amiga.

— Era ele ? — Mary tentava olhar sobre o ombro dela. A morena segurou o celular contra o corpo e seus pensamentos aceleraram. — Ontem ele ficou chateado de não ter visto você.

— Não, é apenas spam. — Ela soltou o aparelho na mesa novamente, foi até a varanda onde David e Simon acabavam de fumar. — Rapazes, vamos tomar um café da manhã de verdade na Patecceria. Vai ser ótimo para curar a ressaca de vocês.

— Eu topo. Seu café estava horrível e eu estou morto de fome. — Simon passou ao lado de Sara e deu-lhe um abraço. — Como eu sinto a sua falta sua nerd. Você não pode desaparecer do campus no final de cada aula.

— Desde quando você frequenta a faculdade, Simon ? Seria muito mais fácil te encontrar em alguma casa das fraternidades, que realmente na sala de aula.

— Sidle sempre foi direta ao ponto. — David concordou enquanto atravessava a porta da varanda. — Vamos então, preciso tirar essa cara de ressaca antes de chegar em casa.

Todos os três concordaram com a idéia de Sara sem maiores questionamentos. Ela precisava tirar os amigos dali o mais rápido possível. Seu chefe parecia estar em apuros precisando sair do seu apartamento.

Enquanto desciam as escadas ela enviou uma mensagem para Grissom informando a localização da chave reserva do seu apartamento. Complementou a mensagem agradecendo pela companhia mas achou melhor não enviar.

Grissom já tinha ganhado as ruas de Las Vegas. Depois da ligação de Catherine, o diretor do laboratório ligou mais duas vezes, sendo a última ligação uma ameaça de suspensão não remunerada. Ficou curioso para saber qual era a desculpa que Sara tinha dado para o grupo de pessoas que estava em seu apartamento.

Já no laboratório foi informado por Judy que o diretor e Catherine estavam aguardando em sua sala. Ao entrar sentia a tensão palpável no ar. Sem falar qualquer coisa, pegou o papel que estava sobre a mesa e assinou o relatório.

— Grissom, as vezes eu me questiono a sua capacidade de liderar. — O diretor pegou o papel sobre a mesa e sentou-se na cadeira do supervisor. — Eu precisei ameaçar um homem de meia idade para fazer a função dele.

— Para vocês tudo se resume a papel e burocracia. — Grissom revirou os olhos e suspirou fundo, gesto que não passou despercebido pelo o homem. — Eu sou cientista e não um administrador.

— Grissom, entenda uma coisa. — O diretor levantou-se e sentou-se na mesa, bem próximo de Grissom. — A sua função é analisar as evidências e não interferir no meu trabalho. Se por acaso você estiver insatisfeito, podemos considerar a CSI Willows para a seu cargo.

O supervisor olhou atônito para a sua amiga. Ela não seria capaz de considerar isso por suas costas. Sempre soube das intenções de Catherine de crescer dentro do laboratório e sempre a incentivou mas, questionou se ela seria capaz de fazer isso daquela forma.

— Vou considerar o seu silêncio como um não. — O homem levantou-se e cumprimentou os dois CSI’s antes de sair.

Catherine olhou assustada para Grissom, o olhar de censura que ele lançava estava a incomodando.

— Eu quero vôos mais altos mas não a troco da sua incapacidade de se comunicar. — A ruiva tomou o lugar que antes o xerife ocupava. — Você me disse que iria passar aqui ontem para resolver isso. O que aconteceu ?

— Férias. Aconteceu que eu estou de férias.

— Você não muda, Griss. — Catherine desconsiderou o péssimo humor dele, sabia o quando ele detestava ser repreendido daquela forma. — Se você é o supervisor, vai precisar se adaptar com toda essa burocracia. — Ela sorriu com a expressão fechada de seu amigo. — Vá para casa curtir as suas férias tão almejadas.

Eles se despediram com um breve abraço e um convite de Catherine para o supervisor levar Emma em sua casa para brincar com Lindsey.

Grissom sentia-se perdido. Estava de férias e sozinho em casa. Esse fato não fazia mais parte de sua rotina e ele não tinha uma direção para ir. Não sabia precisar quanto tempo ficou parado na porta do laboratório e foi tirado do seu devaneio por Brass que tocava em seu ombro.

— Por um momento eu achei que tivesse virado uma estátua de sal. — Capitão estava com o mesmo humor de sempre. Nunca perdia a oportunidade de fazer uma boa piada. — Perdido no laboratório ?

— Precisei assinar um relatório. — Ele deu de ombros e continuou encarando o horizonte

— Agora eu entendi o mal humor do diretor e o seu. — Brass apontou para o cenho fechado do supervisor que balançou a cabeça em negativa. Grissom respirou fundo e relaxou os músculos. O capitão estava certo. — Venha, vamos tomar um café na Patecceria. Eu pago.

O supervisor aceitou o convite do seu velho amigo. As conversas com Jim sempre eram agradáveis e ele sabia ser ácido na medida certa. Brass e Catherine não se importavam com a sua falta de desenvoltura para falar sobre questões emocionais e conseguiam traduzir seus pensamentos, e de uma forma estranha, ele não se sentia vulnerável com eles.

Sara estava animada com a conversa entre os seus amigos. Seus respectivos pedidos tinham acabado de chegar e cada um devorava as guloseimas. Os quatro estavam mortos de fome e precisavam repor as energias gastas na noite anterior.

— Sara, você realmente não está preocupada com a volta do Freddie ? — Mary aproveitou o momento de distração dos rapazes para tocar naquele assunto. David e Simon também eram muitos amigos do ruivo.

— Não tenho motivos para isso, Mary. Antes do Freddie partir, resolvemos todos os nossos problemas. Eu e ele éramos dois desequilibrados. Hoje já amadurecemos e ele é apenas o Fred que eu conheci no orfanato.

— Sar, eu não sei se ele pensa dessa forma. — Mary comeu um pedaço da sua torrada e encarou a morena. Ela acompanhou de perto todos os altos e baixos do relacionamento entre os dois e intimamente ficou aliviada quando viu o seu amigo partir. — Ontem conversamos e ele estava muito seguro sobre você.

— Mary, você não precisa se preocupar. A Sara que ele conhecia anos atrás já não é mais a mesma. Se ele voltou disposto a retomar a nossa amizade, eu aceitarei com o maior prazer. Você sabe como eu sou grata por ter tido a companhia dele.

A ruiva fez um carinho no ombro de Sara e piscou para ela. Torcia muito para Freddie estar apenas dispostos em manter uma boa amizade com ela novamente. Mary conheceu Sara e Freddie no primeiro ano de faculdade. Os dois eram inseparáveis, metade do campus achava que eram irmãos e a outra parcela acreditava que se tratava de um casal de namorados.

Freddie era o destaque do curso de biologia. Seu personalidade carismática e despojada, arrancava elogios de todos os professores e fazia sucesso entre as meninas da faculdade. Freddie era o tipo de pessoa que todos queriam ter por perto, era o amigo para todas horas. Mary quando precisou passar por uma intervenção cirúrgica, teve a companhia do jovem até os seus pais chegarem do Kansas.

— O que vocês duas estão fofocando ? — Simon bebericou o seu café forte e logo desviou a atenção para jovem bartender que passou no salão.

— Em como vocês dois são um belo casal. — Sara complementou irônica. David segurou o rosto de Simon e salpicou um beijo na bochecha do rapaz. Não houve quem não desse gargalhada naquela mesa.

Grissom entrou naquela lanchonete e automaticamente fechou os olhos. O cheiro do café invadiu as suas narinas de forma agradável e suave. Peter que era o dono, quando viu a dupla, logo saiu de trás do balcão e foi recepcioná-los. Os peritos e os policiais eram figuras recorrentes ali e com os anos desenvolveram uma boa amizade.

O senhor de fios brancos indicou uma mesa no fundo do salão, sabia que gostavam de privacidade. Brass caminhava na frente e viu um rosto conhecido junto com um grupo de amigos, tentou associar mas nenhum nome veio a mente. Grissom que seguia logo atrás, viu Sara conversando animadamente e limitou-se em menear a cabeça.

Sara o encarou no fundo dos olhos tentando entender o que ele estava fazendo. Quando o supervisor passou ao seu lado, pode ver que ele não estenderia nenhum tipo de cordialidade.

— Esse não é o seu chefe, Sara ?

— É sim, Mary — Ambas olhavam por cima do ombro o trajeto que o supervisor fazia até sentar na mesa indicada por Robert. Sara deu de ombros e voltou ao assunto com seus amigos.

Grissom ficou surpreso de encontrar a morena ali e deduziu que as vozes que ouviu mais cedo seria do grupo que estava ali. Decidiu mudar logo o foco da sua atenção antes que Brass o questionasse.

— Como anda usufruindo suas férias ?

— Apenas organizado assuntos pendentes e dormindo. Meus sogros levaram meus filhos para passar o fim de semana com eles e eu fiquei sozinho.

— Grissom ! — Brass revoltou-se com a fala do supervisor e isso estava nítido no seu tom de voz. — Até quando você vai chamar Virginia e Robert de sogros ? — Fez aspas com os dedos para enfatizar a última palavra. — Você ainda se considera casado ?

Aquela pergunta ecoou na cabeça de Grissom

Não.

Mas ele não sabia como lidar com tal situação. Provavelmente tinha se tornado cômodo ficar naquela condição.

— Não é tão simples, capitão. Existe muita gente envolvida nessa história.

— Então permaneça nesse casamento unilateral. Tudo isso te faz muito bem, é visível perceber. — Achou melhor encerrar o assunto. Às vezes tinha vontade de pegar o seu velho amigo e o sacudir com bastante força, para ver se as engrenagens na cabeça dele voltavam a funcionar.

Enquanto Brass estava concentrado — e irritado — vendo o cardápio, Grissom focou o olhar na mesa de Sara. Os quatro conversavam animadamente e diversas vezes soltavam altas risadas e ele discretamente riu com a espontaneidade do grupo. Gil resolveu seguir os passos de Jim, pegou o cardápio para escolher o seu café, entre uma página e outro o seu olhar se ergueu para mesa de Sara.

Um jovem ruivo havia acabado de entrar e foi logo em direção a morena. Sara levantou-se animadamente para cumprimenta-lo e acabou sendo rodopiada no ar pelo o rapaz. Os dois permaneceram abraçados por breves segundos e antes de se acomodarem a mesa novamente, ela foi surpreendida por um beijo na bochecha.

Oye cariño, estou morrendo de saudades de você.”

Aquilo foi máximo que Grissom conseguiu escutar. Brass notou a mudança de postura de seu amigo e estranhou a forma que ele encarava alguém. Discretamente ele olhou por cima do ombro e mirou onde o olhar do supervisor estava.

— Aquela moça… — Ele havia lembrado de onde conhecia aquele belo rosto. — Sara, certo ?

— Sim… Sim. — Saindo do seu devaneio, ele concentrou novamente no cardápio. Não queria ter sido pego por Jim naquela situação.

— Incomodado com a demonstração de afeto ?

Grissom ignorou a fala do seu amigo, sabia que se desse uma resposta com alguma “ponta solta” seria o suficiente para ser inundado com um mar de questionamentos. Olhou rapidamente para a mesa onde estava o grupo e viu que rapaz mantinha Sara encostado em seu peito. Desviou sua atenção quando Peter apareceu na mesa, o senhor sempre fazia questão de atendê-los.

— O pedido vai ser o de sempre ?

— Por favor, Peter. Mas para o nosso amigo Gil o café vai ser extra forte.

Sara estava incomodada com a aproximação afetuosa de Freddie. O rapaz tinha voltado depois de anos como a sua ausência fosse resumida em um dia. Mary reparou na insatisfação de sua amiga e tentou por algumas vezes amenizar as “investidas” do ruivo.

Cariño, você não sabe como eu estou feliz em te reencontrar. Tenho muitas novidades para te contar. — Freddie, que era carinhosamente apelidado de Fred, encostou sua testa no rosto de Sara.

— Fred, só de saber que você ainda está vivo, já é uma grande novidade. Você sumiu depois do terceiro mês. — Sara ainda ressentia o sumiço de seu amigo. Ele era um verdadeiro ouvinte dos seus problemas e principalmente um bom conselheiro.

— Vou precisar de duas vidas para conseguir pedir perdão para você. — O ruivo puxou o corpo de Sara e a fez encostar em seu peito, com um dos braços apoiados no ombro dela, usava a sua mão livre para afagar os seus cabelos. — Mas prometo que vou te explicar tudo nos mínimos detalhes. — Ele abriu um largo sorriso e Sara o acompanhou.

— Sem exageros, Freddie. — A morena saiu da posição em que estava e revirou os olhos, já havia entendido o jogo. — Seja bem vindo a Vegas.

— Agora em definitivo. Conclui a minha pesquisa e estou concorrendo a uma vaga de emprego da Wild Harvest. Cruzem os dedos por mim !

Todos comemoraram a notícia da volta dele. David e Simon, logo se ofereceram para organizar a festa de boas vindas que ele iria dar na sua casa nova. Sara ficou feliz pela conquista do seu velho amigo, ele merecia todas as honras do mundo. Os pais de Freddie eram ambos ébrios eventuais e ele foi retirado da família ainda criança, sua mãe ainda tentou recuperar a sua guarda algumas vezes mas o vício ainda era mais forte que ela.

— Eu te falei que ele voltei disposto a ficar com você novamente. Ele está agindo da mesma forma quando vocês começaram a namorar. — Mary aproveitou que Freddie levantou-se para servir um pouco mais de café para comentar com a sua amiga.

— Eu não sou a mesma Sara e nem estou disposta a lidar com tudo isso novamente. Se ele continuar agindo dessa forma, nem a minha amizade ele vai ter.

O ruivo que voltava para mesa, em uma momento de desatenção acabou esbarrando em um homem de terno e deixando cair um pouco de café — felizmente — no chão. Todos olharam assustados para cena enquanto Freddie tentava pensar em uma boa desculpa.

— Não foi a minha intenção. — Ele viu o distintivo pendurado no bolso esquerdo. — Me desculpe, homem da lei. Espero que isso não seja nenhum tipo penal. — Ergueu uma mão em sinal de rendição. David e Simon riam da cena mas logo cessaram o riso com o olhar de censura de Mary.

— Ainda não prendemos desatentos mas, eu não costumo relevar jovens engraçadinhos. — Brass suspirou fundo e encarou o rapaz. Não valia a pena perder o seu precioso tempo. — Atenção da próxima vez.

— Sim, senhor. — Freddie fez um sinal de continência enquanto Brass e Grissom passavam por ele.

Grissom limitou-se apenas em olhar discretamente para Sara. Não conhecia nenhum amigo da morena mas o rapaz a sua frente não despertava nenhum pouco sua empatia.

As palavras do seu recém chegado amigo ainda estava ecoando em sua cabeça.Estava em Vegas e dessa vez seria definitivo.

Ela sentia muita falta Freddie, por diversos momentos desejou ter a companhia dele ou simplesmente poder ouvir algum conselho dele. Ela estava muito segura em relação ao seus sentimentos por ele. Quando ele deixou de dar notícias, ela sentiu-se abandonada novamente mas soube superar.

E agora ele estava de volta, cobrando dela um sentimento que não existia mais.

Sara estava em seu apartamento, sem distinguir o passado e o presente.

Chacoalhou a cabeça como uma forma de afastar todos os pensamentos. Lembrou-se que David havia passado o telefone do seu mecânico de confiança

“Isso Sara. Foque em problemas que realmente importam”.

Ligou para Grissom informado sobre a ida do mecânico até a sua garagem. Antes de sair de casa, optou por tomar um banho rápido. Vestiu roupas leves e ganhou as ruas novamente, com sorte conseguiu um táxi rápido e alguns minutos já estava na porta do seu trabalho. Encontrou Grissom conversando com Matt.

— Desculpem a demora. — Sara aproximou-se da dupla e entregou a chave para Matt.

— Eu moro alguns minutos daqui. Eu que me adiantei. — Matt era um homem baixo e de aparência comum. — Vamos ver o que aconteceu com essa relíquia.

O homem magro tentou dar partida no carro mas o mesmo se manteve inerte. Pela reação do mecânico, ela pode sentir que o seu bolso iria abrir mão de uma boa grana.

— Tenha fé, mocinha.

Grissom que observava o mecânico mexer no carro, reparou que Sara estava distraída. A morena mantinha o foco para o chão e parecia não ter escutado o gracejo que Matt havia feito. Aproximou-se dela e a chamou duas vezes.

— Está tudo bem, Sara ? — Apenas quando ele pôs a mão em seu ombro que ela reagiu. Ela parecia estar perdida e muito diferente da Sara que estava animada com o seu grupo de amigos.

— Estive fora de órbita por alguns instantes, nada demais. — Ela fingiu um sorriso e saiu de perto dele.

Ele estranhou a atitude mas achou melhor não comentar nada, se ela desse abertura comentaria isso outra hora.

— Mocinha, você precisa trocar a bateria e o óleo do seu carro. — Fechou o capô do carro sem nenhuma delicadeza. — E principalmente fazer uma revisão com urgência. Não te aconselho rodar nessas condições. Vou precisar levar essa relíquia para a minha oficina.

— Nunca aparece um problema só. Parece que eles chegam em caravanas. — Os dois homens se encararam sem entender a fala dela.

Grissom observou que um casal de vizinhos que estavam preparando o carro para ir viajar, estava encarando a cena na garagem da casa dele. Acenou discretamente para o casal e convidou o mecânico e a morena para entrarem na casa. Sara não notou a leitura que Grissom havia feito e apenas aceitou o pedido.

Matt deu de ombros e entregou o orçamento. Sara assobiou alto quando viu o valor. A contragosto foi informada que teria de volta o veículo dentro de dois dias, ou seja, resto do fim de semana a pé. Após a partida do mecânico Sara ficou parada na porta vendo o guincho levar o carro.

— Chegou no laboratório a tempo ? — Ela virou o rosto para encará-lo e viu como ele ficou surpreso com a pergunta.

— Não foi o suficiente para não ser ameaçado mas resolvi o problema. Ossos do ofício. — Deu de ombros. Percebeu quando o celular de Sara começou a tocar, ao olhar o visor a morena desligou o aparelho e guardou no bolso novamente. — Aconteceu alguma coisa ?

— Apenas o GPS da Stella que já me identificou aqui. — Ela mordeu os lábios tentando conter uma risada mas foi em vão. — Brincadeira. Não quis te assustar.

— Eu não vou ficar brincando de gato e rato com a Stella. Não vou mesmo. — Ele aproximou-se dela e sorriu. O que estava acontecendo entre eles não existia rótulos e ambos gostavam disso. — Vamos esquecer disso. Seus amigos desconfiaram de alguma coisa ?

— Estavam bêbados o suficiente para nem se lembrarem que estiveram no meu apartamento.

O dia estava quente como todos os outros. Grissom fechou a porta da garagem e ambos entraram na casa. Sara por um momento sentiu-se estranha em estar ali sem a presença de mais ninguém mas achou melhor relevar o fato.

— Planos para o fim de semana ? — A morena serviu-se de um copo de água bem gelada. Fechou os olhos quando sentiu o líquido refrescar toda a sua boca. Em um estalo, lembrou-se que Emma e Jason estavam em Vegas- Seus filhos voltam hoje ?

— Segundo a mensagem de Virginia, sem chances. Ou seja, sem planos.

Grissom sentiu o corpo estremecer com o olhar que recebeu de Sara. Queria convidá-la para ficar com ele durante aqueles dois dias mas não sabia como o fazer. Então em um momento de devaneio lembrou-se das palavras de David Bowie “Though nothing, will keep us together. We could steal time, just for one day.” *

* Embora nada nos manterá juntos

Nós podemos roubar algum tempo, apenas por um dia

— Você gostaria de ficar?

Ela sorriu, seria impossível rejeitar um pedido com aquele. Os olhos azuis estavam “pidões” como as chantagens de Emma. Queria realmente estar com ele, poder aproveitar ainda mais da companhia. No fundo ela sabia que estava na beirada do penhasco e corria sérios riscos, por diversas vezes ela questionava se estava preparada para tudo aquilo.

Tiveram um fim de tarde agradável, puderam conversar sobre os mais diversos assuntos. Sara surpreendeu-se ao saber que Grissom tinha um senso de humor louvável, talvez todos os anos convivendo com mortes e crimes o fizesse reprimir daquela forma. Grissom contou que havia ficado noivo ainda na faculdade mas descobriu que sua noiva estava o traindo com o seu professor.

Sara compartilhou um pouco sobre a sua infância, e o resgate daquelas memórias em parcela era culpa do retorno de Freddie. Revelou que fugiu do orfanato duas vezes e uma das vezes havia feito isso para ir assistir ao show do The Wallflowers, ela conseguiu burlar a segurança e entrar de graça no show. Confessou algum dos seus planos pós faculdade e revelou que morria de medo de aranhas.

— Se você soubesse como elas são inofensivas. — Os dois estavam no sofá, Sara estava com a cabeça deitada na perna dele enquanto recebia carinhos no braço. — Eu tenho uma aranha na minha sala. Qualquer dia eu vou trazer Franz aqui em casa.

— Espero que seja em um dia que eu esteja de folga. — Ela completou, arrepiou-se só em imaginar o aracnídeo ali. — Dispenso esse encontro.

Passaram mais algumas horas compartilhando algumas memórias e carinhos. Só deram conta que havia anoitecido quando repararam a escuridão na sala onde estavam. Realmente desligava do mundo quando estavam juntos. A noite estava tão quente quanto o restante do dia, em um pedido ousado e surpreende — para os dois — Grissom sugeriu que utilizassem a banheira que ficava em seu quarto.

Sara aceitou e pela primeira vez sentiu que ele estava cem por cento com ela. Aquele era o Grissom sem pressão de terceiros. Talvez fosse o momento em que mais pode ver o verdadeiro lado dele. Enquanto aguardavam a banheira encher, ela encarava o próprio reflexo no espelho e Grissom percebeu que novamente ela estava tensa.

— Você realmente não quer me contar o que está acontecendo ? — Aproximou-se dela e depositou um beijo em seu ombro desnudo e em seguida apoiou o queixo no mesmo lugar. — Não quero te forçar a nada.

— Eu deixo essa história para uma outra hora mas te garanto que não é nada demais.

Ele entendeu que ela não iria mais tocar no assunto e assim o respeitou. Quando entraram, a temperatura da água estava muito agradável e os músculos se relaxaram. Sara encostou as costas no peitoral de Grissom e soltou um gemido quando recebeu uma massagem nos ombros.

— Eu posso passar o resto do fim de semana recebendo essa massagem. — Ela devia ter compartilhado com ele o fato que ela amava receber massagens, em qualquer parte do corpo.

— Não tenho nenhum compromisso agendado. — Ele riu e continuou empenhado na tarefa.

Logo as carícias inocentes transformaram em toques maliciosos. Sara capturou a boca de Grissom após ele deslizar suas mãos pelo o seu corpo. Em total sincronia e desespero, ansiavam por algo mais. Suas pernas já haviam decorado o caminho do quarto, retornaram ao cômodo e ali mesmo uniram-se novamente. Saciaram-se de forma lenta e sensual. Ambos demonstravam serem ótimos amantes.

Não sabiam dimensionar quanto tempo ficaram deitados em silêncio, cada um isolado com seus pensamentos. O supervisor sentia que a morena estava distante daquele quarto mas estava certo que ela não compartilharia o assunto. Delicadamente beijou a sua têmpora e piscou para ela, era uma forma de dizer que ele estava ao lado dela.

Ela entendeu o recado e limitou-se a sussurrar um “obrigado”.

Grissom sugeriu um jantar rápido e ela aceitou sem ao menos pensar duas vezes. Sara pegou uma camisa dele emprestada — embora houvesse peças de roupa dela ali, preferiu aproveitar a peça — e foram em direção a cozinha.

— Dispenso sua ajuda. Você é péssima cozinhando.

Ela limitou-se a fazer uma careta e ignorar a fala dele. Ficou quieta admirando a destreza dele ao manusear os alimentos, era muito seguro de cada movimento que fazia. Grissom indicou que havia uma garrafa de vinho, era um presente de Warrick.

Sara serviu duas taças e parou ao lado dele enquanto ele terminava de temperar o molho. Ele havia feito um macarrão simples com molho pesto e nozes. A cada garfada ela reforçava a sua satisfação com o prato.

— Isso está uma delícia. — Entre uma garfada e um gole no vinho, elogiou a comida.

— Só tive o trabalho de preparar o macarrão. O molho já estava pronto, misturei quando você foi buscar o vinho. — Piscou para ela vitorioso. Ela fingiu uma falsa indignação que foi prontamente ignorado por ela.

Depois do jantar agradável, retornaram para o quarto para mais uma sessão de prazeres. Sara em seu íntimo confessava que ele era um dos melhores homens com que já tinha estado. Ela acomodou-se em seus braços e descansou. A televisão ligada, passava um filme que nenhum dos dois estavam interessados.

— Que horas Stella chega amanhã ? — A voz de Sara cortou o pensamento dele. Era necessário começar a despressurizar antes de voltar ao “normal”. Entrelaçou seus dedos aos dele e ficou reparando na joia que ele usava no anelar.

— São cinco horas de voo de Chicago até Vegas. Ela chega no final da tarde.

— Melhor não corremos risco. — Suspirou vencida, ainda continuava encarando o objeto de ouro.

— Não se preocupe com isso. — Reparou que a morena estava observando o anel e delicadamente retraiu a mão para ao lado do seu corpo. — Agora descanse, que eu sei que você precisa. Amanhã pensamos em uma solução.

Assim ela o fez, aos poucos rendeu-se ao sono. Ele ao perceber que a morena tinha dormido, desligou a televisão e aninhou-se ao corpo dela. Fazia muito tempo que não se sentia tão bem como estava naquele momento.

Notas finais
Então pessoal ? O que acharam do Freddie ? Potencial destruidor de relações ou apenas um velho amigo da Sara. Eu ainda tenho as minhas dúvidas. HAHAHA. Estou adorando escrever sobre Grissom e a Sara juntos. Em breve vou dedicar um capítulo para os dois. Galera muito obrigado por me acompanhar até aqui. Recebi alguns comentários falando em como a história tem ajudado na quarentena e isso aqueceu o meu coração. Reforço, espero que todos estejam bem e seguros. Beijão e usem máscara :D