Sim, Senhor.
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Sara terminava de ajudar Stella com a preparação do jantar. A pedido da governanta ela iria organizar a mesa antes de Virginia e Robert chegarem. Os outros estavam na sala conversando e rindo juntos. O ambiente com Beth era muito mais leve e tranquilo, ela tinha um poder de fazer todos a sua volta se sentirem confortáveis com a sua presença.
—Precisa de ajuda, Sara? – Beth perguntou enquanto Sara terminava de dispor os talheres sobre a mesa
—Para falar verdade eu já terminei. Agora só falta a parte da Stella.
Stella da cozinha olhou para as mulheres e sorriu. No fundo ela se sentia tranquila com a presença de Beth na casa, ela sempre era muito centrada e por muita das vezes colocava a cabeça de seu filho no eixo.
A campainha soou no ambiente, Beth pediu licença para Sara e foi até a porta receber os sogros de seu filho. Ao abrir foi o encontro dos sorrisos radiantes de Virginia e Beth, as duas desde o primeiro encontro haviam mantido uma amizade forte e sincera, apesar das diferenças de pensamentos, nunca se desrespeitaram.
—Que ótimo encontrar com você. – Virginia envolveu a amiga em uma abraço caloroso, afastou um pouco, segurando em seus ombro passou a admira-la. – Me passe a receita da juventude, você não muda nada.
—A minha receita é muito trabalho, ando tão ocupada que nem tenho tempo de envelhecer.
Elas sorriram e dessa vez foi a vez de Robert ir cumprimenta-la, trocaram um breve abraço e o homem entregou a ela a garrafa de vinho que tinha levado.
—Que bom que vocês chegaram. As crianças já estavam ansiosas. – Grissom aproximou-se de Robert e Virginia e os cumprimentou com um aperto de mão e abraço, respectivamente.
—Eu já tenho 17 anos e meu pai insiste em me chamar de criança. – Jason passou pelo o pai e foi abraçar seus avos.
Grissom revirou os olhos e indicou o sofá para eles se sentarem. Emma que estava na cozinha tentando comer alguma coisa antes do jantar veio correndo ao encontro de Virginia e Robert, deu um beijo em cada e sentou-se entre eles. Grissom pegou a garrafa de vinho com sua mãe e foi até a cozinha deixar para ser servido durante o jantar.
—Já está tudo pronto, Gil. Quando quiser que eu sirva.
—Ótimo, pode colocar na mesa. Vou avisa-los. E quero você e Sara na mesa conosco.
Stella assentiu e olhou para Sara que estava sentada na mesa da cozinha. Quando tinha essas reuniões de família, Stella sempre se juntava a eles mas a presença de Sara era uma imagem nova, ela sabia que para Beth aquilo pouco importaria mas para Virginia não seria algo fácil de digerir.
Já havia percebido que existia uma tensão quando o assunto se tratava de Sara.
—Olá Sara, não sabia que você estava aqui. Pensei que nas sextas você ia embora. – Virginia segurava no antebraço de Sara e a encarava. A todo custo a médica tentava fazer uma leitura de quem era aquela moça.
—Pedimos para ela ficar. – Jason que se acomodava na mesa respondeu sua avó sem entender o motivo do questionamento.
—Que tipo de pergunta é essa, Virginia? Deixa a moça em paz.- Robert puxou a cadeira que estava a sua esquerda e indicou para sua esposa sentar. Balançando a cabeça incrédulo encarou seu genro.
—Sara é uma ótima menina. Estou aqui menos de dois dias e já vi como todos nessa casa são encantado por ela.
—Todos? – Virginia perguntou encarando Grissom que só se deu conta que a pergunta havia sido para ele quando viu Robert novamente repreender a esposa.
Robert sabia onde aqueles questionamentos iam chegar.
—Vamos comer? Estou com tanta fome. – Emma estava com os dois braços apoiados na mesa e as mãos segurando o rosto.
—Você estava agora pouco comendo na cozinha, eu vi.
—Fica quieto, Jason. – Emma projetou os lábios para frente encarando seu irmão.
—Vamos comer antes que esses dois comecem a brigar. – Robert foi o primeiro a servir, o meatlof que Stella havia feito era para ser comido com os olhos, os dotes culinários da governanta sempre eram exaltados.
E assim se foi até todos estiverem devidamente servidos. Na disposição da mesa, Sara por inocência acabou sentando na cadeira vaga que antes era de Maggie. Não era proposital e muito menos para provocar Virginia, era somente por que era o único lugar vago.
A médica não notou aquilo com bons olhos.
—Como está a vida em Santa Mônica, Beth?
—Tudo igual, Virginia. Agora que a rede de escolas ampliaram estou viajando um pouco mais porém sempre viajo pensando no retorno.
—Já não sei quantas vezes eu a convidei para vir morar em Vegas e ela se recusou. – Concluiu Grissom tomando um pouco do vinho.
—Eu gosto do meu canto, da minha casa. Você não entende mas aquele lugar tem muita história.
—Eu sei bem como é. Até hoje eu e Robert vivemos na casa onde as meninas cresceram. Parece que as paredes contam histórias.
Sara ouvia aquilo tudo e no fundo desejou ter um lugar para chamar de lar também. Voltar nos abrigos onde havia passado, a única coisa que as paredes iriam relembrar era a solidão.
—Vocês sabiam que daqui a duas semanas Sara vai viajar para Califórnia para apresentar um trabalho cientifico? Ela foi selecionada entre milhares de pessoas para essa apresentação.
—Que maravilhoso, Sara. Invista mesmo nos seus estudos, sua inteligência vai te levar longe. – Beth que estava sentada ao lado de Sara acariciou o braço dela. – Você está sendo uma ótima influência para esses meninos.
—O..Obrigada Beth. – Sara pegou o guardanapo branco e limpou seus lábios, tímida como ela era sabia que estava vermelha. – Vai ser uma experiência ótima.
Grissom que estava sentado de frente para Sara abriu um sorriso de lado e meneou a cabeça em afirmativa. O celular dele que estava no aparador perto da porta começou a tocar, uma rápida conferida no relógio e estranhou o fato de alguém ligar para ele fora de seu turno. Pediu licença a todos na mesa e foi até o aparelho...
Heather Kessler
Ele encarou a mesa e decidiu não atender a chamada ali. Subiu as escadas e foi até o seu quarto para atender a ligação, nem se deu o trabalho de acender a luz do ambiente.
—Oi Heather.
—Só quero te agradecer por me ajudar. Apesar do Brass ter vindo sem muita vontade foi o mais discreto possível, ele sempre é.
—Por nada mas não ligue para mim quando essas coisas acontecerem, eu já te expliquei que não sou policial.
—Você não quer que te peça favores ou te ligue?
—Me peça esses tipos de favores, Heather.
—Vou me lembrar disso.
—Preciso desligar. Estou tendo um jantar em família. Algo mais?
—Gilbert Grissom, um homem exemplar de família. Quanta mudança! – ela riu do outro da linha, uma risada beirando a malicia. – Vou deixar você em paz, mande saudações para o Robert por mim.
Click.
Heather era o tipo de mulher que Grissom nunca se arrependeu em conhecer, a capacidade que ela tinha de traduzir os sentimentos que ele buscava não reconhecer era incrível. Se envolveu com ela apenas uma vez, depois da partida de Maggie ele encontrou refúgio na casa da dominatrix, porém no fim da noite eles perceberam que não existia um laço sexual entre eles, o prazer que ambos sentiam era muito mais intelectual.
Ele de voltou para sala e foi recebido sobre os olhares atentos de sua mãe, ela já havia reparado que determinadas ligações ele não atendia perto de ninguém, suspeitava que pudesse ser uma mulher.
—Tudo bem, Gil?
—Sim, mãe! Apenas um perito do laboratório. Nada demais.
Beth parou a taça de vinho próxima a seus lábios. Quem seu filho queria enganar, em seu semblante via-se que não era uma ligação qualquer.
—Todo mundo acha um barato quando eu conto que meu pai é investigador. – Emma disse sorrindo para Grissom que retribuiu piscando para a menina.
—Meu trabalho não é nada glorioso mas alguém precisa fazer.
—Todo mundo adora quando eu conto que você mexe com os corpos das pessoas mortas.
—Na minha infância as crianças se interessavam por outras coisas. – Disse Robert sorrindo para Emma.
—Nesses momentos em família eu sinto tanta falta de Maggie. – Virginia limpava a boca quando soltou esse comentário, no silêncio mortal que havia se instalado na sala foi interrompido pelo os talhares de Grissom batendo no prato de porcelana.
Qual era necessidade de lembrar dela?
—Ela fez a escolha dela. -Beth que levava um pedaço de purê a boca encarou Robert e Virginia enquanto mastigava.
Dois comentários desnecessários em menos de 1 minuto. Será que elas não percebem que Jason e Emma também estão escutando.
—Quem somos nós para julgar alguém, não é? – Grissom que escutava tudo sem encarar nada, deslizava o seu polegar sobre a aliança dourada no seu dedo anelar.
—Alguns atos são injustificáveis, Virginia.
—Mãe e Virginia, por favor acho que esse não é o tipo de assunto que se fale durante o jantar com as crianças.
Grissom foi duro e incisivo para falar isso. Percebeu que Jason já havia ficado irritado em ter tocado no assunto de Maggie e Emma triste. Eles não tinha a mesma maturidade para escutar as duas avós alfinetando aquele assunto e nem ele tinha paciência para isso.
—Desculpe, Grissom.
—Tudo bem, Virginia.
Jason ia fazer um comentário mas achou melhor permanecer calado, ele não ia querer magoar sua avó Virginia. Olhou para Robert que permanecia com os olhos presos nas ervilhas que ele passava o garfo em cima, tocar naquele assunto era como ver sua filha partir novamente.
—O aniversário de Sara será semana que vem. – Jason disse na tentativa de mudar o rumo da noite. Todos estavam calados após os infelizes comentários de Beth e Virginia. Sara que terminava de beber o vinho ficou novamente vermelha naquela noite.
—Quantos anos, querida?
—24 anos, Beth. – Elas trocaram um sorriso.
—Como você sabe disso, Jason? – Emma nunca ouviu Sara comentar nada pessoal, adorava sua babá mas pouco sabia quem realmente era Sara fora de sua casa.
—Hank me contou.
Grissom corrigiu a postura na cadeira e enrijeceu, encarou Jason e logo em seguida também encarou Sara, pela a troca de olhares ele percebeu que ela ficou tão surpresa quanto ele.
—De onde você e esse rapaz se conhece? –Grissom perguntou mas no fundo temia pela resposta, não conseguia pensar em nenhuma ligação entre seu filho e o paramédico.
—Você não se lembra? Ele trabalha no mesmo lugar que a minha mãe trabalhava. Nós conhecemos de lá.
—Por acaso você tem frequentado o hospital?
—Não pai. Eu encontrei com o Hank na lanchonete, ele se lembrou de mim e começamos a conversar e como ele sabe que a Sara trabalha aqui ele falou comigo. Algum problema?
—Nenhum, só não me lembrava desse detalhe.
—Vamos fazer uma festa então para Sara. – Beth cortou o assunto olhando para o seu filho. Grissom já dava sinais de irritabilidade e pela segunda vez naquela noite.
—Não é necessário, Beth. Aliás eu não vou estar aqui no dia do meu aniversário. – Ela deu um sorriso sem graça e deu de ombros. Virginia que observava em silêncio não tinha uma opinião formada sobre a babá de seus netos mas não sentia muito à vontade com a liberdade que a jovem tinha.
—Como assim, Sarinha? Queremos fazer uma festa para você. Fica.
—Em, dessa vez eu realmente não posso. Tenho um compromisso inadiável.
—Podemos fazer antes da sua viagem, não é crianças? – Beth deu a ideia e nesse momento ela reparou em como Virginia estava incomodada com o assunto. Ela sempre soube que ela e sua filha nunca admitiram que ninguém além de Stella estivesse com seus netos mas além dessa preocupação ela tinha receio que Grissom tivesse outro relacionamento com outra mulher.
—Não tem necessidade de se preocuparem com isso.
—Vamos fazer sim!
—Sara melhor não tentar contrariar D.Beth, não existe a palavra “não” no vocabulário dela.- Virginia concluiu depois de ver que Sara não ia sossegar enquanto Beth não desistisse daquela ideia.- Ela tem um poder de convencimento enorme, daqui a pouco ele te convence a fazer uma festa para vinte amigos seus aqui.
Sara sentiu a indireta para ela.
—Não se preocupe, eu nem conheço vinte pessoas.
Grissom apertou os lábios para não sorrir. Ele odiava pessoas que se comunicava por indiretas e sua sogra era mestre nesse tipo de jogo.
—Mudando de assunto, novamente. Eu encontrei com Lisa alguns dias antes de viajar, ela te mandou um beijo.
—Quem é Lisa? – Emma perguntou. Ela morria de ciúmes de Grissom com outras mulheres.
—Lisa foi noiva do seu pai quando ele era mais novo.
Jason e Emma arregalaram os olhos, seu pai nunca havia se quer mencionado que tinha tido uma noiva quando mais novo. Pouco eles sabiam sobre a vida amorosa do pai mas nunca passou na mente de ninguém, tirando Beth, que ele teve uma noiva.
—Como assim meu pai já teve uma noiva?
—No início da faculdade seu pai começou a namorar essa moça chamada Lisa. No segundo ano de namoro, ele pegou o dinheiro que recebia trabalhando ajudando o seu avô nas pesquisas, comprou um anel de noivado e a pediu em casamento.
Grissom deu de ombros e bebeu um pouco mais do vinho. Percebeu que todos estavam o encarando aguardando uma resposta, colocou a taça sobre a mesa e cruzou as mãos e jogou os braços para trás, apoiando sua nuca em suas mãos.
—Por que vocês não casaram? O que aconteceu? – Dessa vez foi Stella que falou. A governanta era a que mais conhecia aquele homem, em suas conversas ele tinha sido franco e aberto com ela várias vezes mas ele nunca mencionou essa mulher.
—Descobri que ela me traia com um professor da faculdade. — Ele suspirou e retornou a posição inicial, novamente levou o dedo polegar na aliança e no fundo se deu conta que nunca teve muita sorte com as mulheres.
—Eu não acredito, pai. –Jason riu compulsivamente e logo foi acompanhado por Robert. Para Grissom aquela história era indiferente.
—E hoje em dia como essa Lisa está?
—Ela se casou, Virginia.
Beth 1 X 0 Virginia.
—Alias eu acho que já está na hora de Grissom conhecer pessoas novas.
—Mãe, por favor. – Grissom levantou a mão. Ela não era um rapaz de 15 anos para ter a sua vida particular e sentimental aberta a opiniões na mesa e jantar. Havia limites.
—Beth, querida ! Grissom é um homem casado.
—Casado com a sombra de sua filha.
Beth 2 x 0 Virginia.
—Vocês duas não comecem novamente. – Robert interrompeu, tocou no ombro de sua esposa e a encarou torcendo para que ela entendesse o recado. – As crianças não precisam terminar a noite escutando isso.
—Robert eu não posso ficar quieta e não defender a minha filha.
—Defender do que, vó? Você sabe que a minha mãe não se importa com a gente. — Jason apontou o dedo para a irmã e o pai.
—Jason, não fale assim. – Grissom tocou no braço de seu filho. Se era doloroso para ele tocar no assunto ia ser duas vezes mais doloroso para Robert e Virginia escutar aquilo.
—Não ache que a sua mãe é uma vilã nessa história.
Grissom pisou no pé de Jason por debaixo da mesa, não ia admitir que iniciasse uma discussão ali. Ninguém merecia ter uma noite ruim por causa de Maggie. Quando se tratava da filha, Virginia ficava cega.
—Seu pai precisa parar de viver no passado. Concorda comigo, querida?
Sara que observava a discussão só se deu conta que Beth falava com ela quando a senhora tocou na sua mão.
—Concordo.
Sara falou aquilo olhando nos olhos de Grissom, ela o encarava por baixo, como quem quisesse desafiar o outro.
...
Depois da partida de Virginia e Robert, aquela noite desastrosa tinha finalmente terminado. Ele sempre soube que sua mãe e Virginia costumavam trocar algumas “farpas” mas aquilo tinha extrapolado qualquer limite. Ele ia atualizar sua mãe dos últimos acontecimentos.
Ele estava na sala, Emma e sua mãe ocupavam a sua cama. Ele era acostumado a passar noites em claro e aquela não seria diferente. Foi até a geladeira e viu o resto do vinho, sozinho naquele cômodo achou que merecia terminar a noite com aquela bebida.
—Acho que nos encontramos muito aqui nessa cozinha. – Sara estava prepara para ir embora, com a mochila preta nas costas, iria para casa passar o fim de semana.
—E sempre de madrugada. Aceita? – Ele apontou a garrafa para ela que recusou balançado a mão próxima ao rosto.
—Que noite, hein! Parece que sua mãe e Virginia fazem de tudo para proteger os filhos.
—Elas sempre foram assim mas hoje elas foram além.
—Virginia acha que o mundo parou para esperar a filha dela.
“Sara que comentário é esse? De onde você tirou essa intimidade para falar assim com ele?”
—Ela é cega por causa de Maggie. Vive falando dela como ela estivesse aqui.- Ele projetou os lábios para frente e arqueou a sobrancelha. – Ela quer viver o momento pela filha.
—Cada um vive a ausência de um jeito.
—Ausência é menos intenso que o abandono.
—Faz sentido isso. Bem eu vou embora.
—Fica, Sara. Não tem necessidade você ir embora, aliás você bebeu um pouco.
—Relaxa, Grissom. Está tranquilo, não tem perigo.
—Você não precisa ir embora só por que amanhã você não trabalha aqui. – Grissom aproximou-se de Sara e esticou a mão. – A chave do seu carro.
—Não tem necessidade disso. Eu estou tranquila. – Sara apertou a chave na mão.
—Sou como a minha mãe! Não aceito a palavra “não”. Vou ficar mais tranquilo sabendo que você passou a noite aqui.
Sara respirou fundo e olhou para porta. Ela sabia que estava em condições de dirigir e ir embora, não corria risco algum em dirigir. Voltou a encarar Grissom e ele mantinha o mesmo olhar sobre ela.
—Eu fico mas saiba que não teria problema algum em ir para casa.
—Ótimo, ficarei mais tranquilo.
Sara reparou em Grissom, ele não estava em seu estado normal. Ele não estava bêbado mas duvidou que ele falasse com ela daquela maneira sem estar sob efeito do álcool.
—Está com sono?
Sara arqueou a sobrancelha com aquela pergunta. Abriu a boca duas vezes mas não falou nada.
—Eu vou procurar algum programa para assistir na televisão. Se quiser me fazer companhia.
Grissom deixou a garrafa sobre a mesa e foi para sala. Ele não tinha costume de ver televisão, não fazia ideia do que encontraria na lista de canais. Sara largou a mochila na poltrona e sentou-se no lado oposto de Grissom no sofá.
Com o controle em uma mão e o copo de vinho na outra ele buscava algo para assistir. O silêncio estava oficialmente instaurado naquele ambiente, na televisão um talk show com um apresentador e convidado que ambos desconheciam. Sara acomodou-se melhor no sofá, encostou a cabeça no estofado macio e apoiou as mãos nas pernas.
Alguns minutos foram o suficiente para ela pegar no sono. Estava cansada fisicamente e principalmente psicologicamente, não havia falado para ninguém mas havia recebido uma carta do hospital psiquiátrico em que sua mãe estava internada, Laura queria reencontrar com a filha.
Ela não estava sabendo como agir naquela situação.
Grissom terminou de assistir o programa, sem nenhum tipo de empolgação. Olhou para o outro lado do sofá e viu Sara dormindo. Abriu um sorriso de lado e levantou-se, pensou em acorda-la mas não sabia o nível de cansaço da morena. Somente a luz da televisão iluminava o ambiente, ela estava serena ao dormir e a paz que ela sentia parecia transmitir para ele.
Foi até o quarto de Emma, que dormia com sua mãe em seu quarto, pegou o cobertor da menina e foi até a sala onde Sara dormia. Cobriu com a manta rosa estampada com inúmeros animais. Desligou a televisão.
Desejou poder ficar ali.
Fale com o autor