Silêncios no Corredor
15 Promessas Sob o Céu Dourado
O céu de Tóquio estava tingido de dourado e laranja, o sol prestes a desaparecer atrás dos arranha-céus, espalhando uma luz suave que iluminava os telhados e as avenidas movimentadas. Aoi caminhava ao lado de Ren, sentindo o calor do braço dele encostar-se ao seu, mesmo através do casaco. O silêncio entre ambos era confortável, carregado de cumplicidade e da sensação de que estavam exatamente onde deveriam estar. Depois de meses de espera, desencontros e pequenas hesitações, finalmente pareciam sincronizados, como se cada gesto tivesse encontrado o seu lugar certo.
Eles decidiram ir ao topo de um edifício antigo, um lugar pouco conhecido, onde se podia ver toda a cidade. A vista era vasta e deslumbrante: o rio refletia o céu, e as luzes começavam a surgir como pequenas estrelas espalhadas pelo concreto. Aoi sentou-se na beira do parapeito, respirando fundo, sentindo o coração a bater de forma acelerada. Ren sentou-se ao seu lado, os ombros encostados aos dela, e o silêncio tornou-se uma música silenciosa que só eles podiam ouvir.
— Sabe, Aoi — começou Ren, com a voz baixa, quase a sussurrar — há meses que quero dizer isto. Não sei se alguma vez o disse correctamente… mas quero que saibas que cada instante contigo fez-me sentir vivo. Cada pequeno gesto teu, cada olhar, cada silêncio partilhado… ficou gravado em mim.
Aoi sentiu uma emoção profunda subir pelo peito. O calor dos olhos dele fixos nos seus, a sinceridade na voz, tudo a envolvia num turbilhão de sentimentos que finalmente podiam ser expressos.
— Ren… eu também senti isso. — A sua voz tremia ligeiramente, mas firme — Cada dia que passámos juntos, mesmo nos silêncios, mostrou-me o que significa confiar e querer alguém verdadeiramente. Queria que isto nunca acabasse.
Ele segurou-lhe as mãos, entrelaçando os dedos com firmeza.
— Então prometemos algo? — perguntou, com um sorriso tímido — Prometemos que, aconteça o que acontecer, mesmo se o mundo nos separar, vamos tentar encontrar-nos novamente. Que não vamos deixar o que sentimos ser esquecido.
Aoi assentiu, sentindo uma onda de calor e ternura invadir-lhe o corpo.
— Prometo. — disse, olhando para o horizonte e depois para ele. — Prometo que vou tentar. Que vamos continuar, mesmo que seja aos poucos, passo a passo.
O vento soprava suavemente, levantando alguns fios de cabelo que caíam sobre os ombros dela. Ren aproximou-se um pouco mais, e os seus rostos ficaram próximos, mas ainda assim respeitando a delicadeza do momento. O mundo parecia suspenso, como se aquela promessa gravada no olhar e nas mãos fosse suficiente para eternizar tudo o que tinham partilhado até então.
Enquanto o sol desaparecia por completo, deixando o céu num tom profundo de dourado e rosa, Aoi sentiu que, finalmente, cada silêncio, cada gesto e cada pequeno momento tinham encontrado o seu lugar. Ali, naquele instante, sob o céu dourado, nasceu uma certeza simples e poderosa: não precisavam de palavras para perceber que estavam juntos. E, mesmo quando a vida se tornasse incerta, teriam sempre este momento, esta promessa, e o amor silencioso que aprenderam a partilhar.
O céu escureceu lentamente, mas o calor do vínculo entre eles permaneceu, firme, sereno e eterno.
Fale com o autor