Silêncio Devastador
1 Prólogo
Notas iniciais
"O tempo havia parado. Aquele lugar era um imenso labirinto inacabável. O corredor se estendia diretamente para frente, não havia lados para onde ir, apenas o chão de cores alternadas em preto e branco o guiando adiante, a um negrume sem fim. Portas espalhadas no meio do nada se abriam e fechavam logo em seguida, e a cada passo que o garoto dava um vento forte batia contra seu corpo, impedindo seu andar cada vez mais.
Ele seguia em direção a alguma porta, procurando achar um fim naquele espaço. Mal sabia aonde estava, ou até mesmo como fora parar lá. Seu corpo estava frágil, estava cansado. Era sufocante o modo como tentava se aproximar de alguma porta e ela simplesmente desaparecia. Sabia que não podia desistir. Ficar preso naquele lugar não fazia sentido algum, nem perecer sem mesmo saber o motivo de estar por ali.
O vento subitamente parou, e as portas que abriam-se e fechavam-se simultaneamente bateram com brutalidade e não se abriram mais, parecendo que haviam sido trancadas. O garoto sem ao menos pensar no que poderia vir à acontecer começou a correr, apertando seus passos. Vira as portas fechadas flutuarem levemente, junto a relógios e chaves que surgiam pelos ares. O seu desespero era tanto que havia tropeçado em meio o caminho com sua respiração bastante ofegante.
O garoto no chão cerrou os olhos com força, querendo imaginar que aquilo iria se acabar e que ele voltaria a sua vida pacata de antes. Esperou alguns segundos, e abriu-os novamente. Agora ao seu redor só se via o horror.
Acorrentado à diversas correntes em seus braços, pernas, pés, pescoço e cintura; se debatia tentando sair. Quando tentava gritar, sua voz não saía de modo algum. E várias pessoas — ou era isso que ele pensava ser — encapuzadas o observavam, rindo, em meio aos relógios e as chaves que voavam lentamente.
Suas lágrimas escorriam de desespero. Vira que os relógios e as chaves após um encapuzado ordenar começaram a se aglomerar acima de seus olhos, formando uma lâmina pontiaguda, que estava pronta para perfurar alguém. O garoto berrou com todas as suas forças, aquele era o fim, e seu choro apenas aumentava a cada segundo.
A lâmina rapidamente desceu, em direção ao rosto do garoto, enquanto as correntes aumentavam seu número o sufocando."
***
Fazia frio, um típico frio de uma noite que estava para chover. A grama úmida pinicava o rosto do garoto que se encontrava no chão se despertando.
Sua visão já estava ficando nítida. Ele estava em frente a uma mansão, em um vasto jardim. Se levantou da grama colocando sua mão esquerda na cabeça, ela doía, parecia que ia explodir.
— Sangue? — Questionou a si mesmo após olhar para sua mão esquerda, percebendo a presença de uma cor escarlate que se escorria pelos braços deixando enormes rastros. — Que sonho foi esse?
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