Notas iniciais
Se precisarem imaginar um cenário, tomem por base a imagem de capa. O motivo da briga? Imaginem o que quiserem. O que é pra ser claro, está claro no texto.

Ah, leiam com a música Heartless, do The Fray.

http://www.youtube.com/watch?v=0yNU4SmQcHo&feature=search

Eu podia sentir seus olhos sobre mim, negros e pesados.

- Olhe para mim. – ele pediu, imponente.

Ainda assim, eu o ignorei, permanecendo cabisbaixa.

- Saia daqui. – murmurei friamente.

- Não, eu não vou sair. – ele insistiu, firme.

- Então não fale. – virei a página do livro. – Está me atrapalhando.

- Eu sei que não está lendo. – acertou, como sempre fazia.

- Realmente, você está tornando isso difícil. – suspirei.

Silêncio. Apenas o ventilador azul soprando sobre minha nuca, meus cabelos caindo pelos ombros. A claridade desconfortável da tarde entrando pela porta. Silêncio.

Lágrimas acumulavam-se em meus olhos, involuntariamente. Não trema, não vacile, não denuncie essa fraqueza. Ele está olhando, ele sempre está olhando. A leitura tornou-se impossível, as lágrimas distorciam as palavras na página amarelada. Ainda assim, eu continuava fingindo indiferença. Ele não merecia atenção, não naquele momento.

Oh, não! Uma lágrima caiu, perdeu-se no livro. Silêncio.

- Ei. – ele chamou.

- O que você quer? – engoli o gemido, que arranhou garganta abaixo.

- Me desculpe.

- Isso não basta.

- O que eu devo fazer, então? – eu imaginei suas sobrancelhas arqueadas.

- Ir embora. – resmunguei, mantendo-me firme.

- Para sempre?

Não! Para sempre, não. Aquilo era tão óbvio, droga.

Novamente, o silêncio. Seus passos avançaram na minha direção, vagarosos. Imediatamente, eu abandonei a cadeira e fiz menção de fugir. Tarde demais. Sua mão alcançou meu braço e eu fui detida.

- Não me toque! – vociferei, livrando meu braço com um puxão áspero.

- Eu te amo.

Involuntariamente, minha mão estalou em seu rosto pálido. Acaso ele não sabia o quanto aquele amor me machucava? Um amor possessivo e inseguro. Seus olhos estavam nos meus, e agora era minha vez de o machucar. Oh, sim. Aquelas lágrimas rolando por meu rosto o feriam, porque ele fora o culpado.

Silêncio, um absurdo e incômodo silêncio.

E quando eu acreditei que estava livre para fugir, seus braços me impediram. Minhas mãos, cerradas em punhos, batiam contra seu peito sem eficácia. Oh, então nosso amor violento entrava em cena mais uma vez. Meu amável vilão bateu minhas costas contra a parede e eu gemi, derrotada pela pressão que seu corpo fazia junto ao meu. Um suspiro de misericórdia escapou de meus lábios antes que sua boca urgente me calasse.

O doce beijo apressado e rude, o melhor de todos. Eu nunca fora a moçinha naquela história, afinal.

Suas mãos içaram meu quadril e meus pés abandonaram o chão – onde, teoricamente, nunca estiveram por muito tempo. Desconcertada, eu arrastei meu braço sobre o balcão ao lado, derrubando o ventilador azul. Heron deslizou seus lábios com volúpia de meu queixo para meu pescoço, acabando por morder e puxar a renda delicada do decote largo de minha blusa. A renda se partiu, tal qual meu orgulho. Ele havia me ferido, e agora eu o amava irracionalmente.

- Seu idiota... – gemi, afundando as mãos em seus cabelos. – Cretino.

- Vamos. – ele sussurrou, mordiscando a orla superior de meu seio. – Diga que me odeia, que me odeia mais do que tudo.

Sua mão arrastou-se por uma de minhas pernas enlaçadas em sua cintura, erguendo despudoradamente minha saia branca de organza e alcançando a lateral de minha peça íntima. Ele pressionou seu corpo ao encaixe do meu.

- Oh, sim. – grunhi, beijando-o com pressa. – Eu te odeio tanto... – suspirei, puxando seus cabelos para trás e abocanhando seu pescoço. – E te amo dez vezes mais.

Heron sorriu silencioso e sarcástico enquanto traçava um caminho para seus lábios até o alto de meu ombro – agora nu, pela manga caída da blusa. Apesar dos ferimentos, sempre encontrávamos uma maneira de sobreviver. Porque aquele era o nosso amor, torto e agressivo.

Ele enlaçou-me em seus braços, afastou minhas costas da parede e, sustentando-me presa em seu corpo, conduziu-nos cegamente pela estreita porta que dava para o interior da casa. A garagem não parecia confortável.

Então, ele bateu a porta atrás de nós com o pé. Silêncio.

Notas finais
Gostaram? Não? Reviews. <3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!